
Primavera de Praga foi movimento para "humanizar" o comunismo
FERNANDA BARBOSA
Colaboração para a Folha Online
A Primavera de Praga foi um movimento encabeçado pelo líder comunista Alexander Dubcek para "humanizar" o Partido Comunista na Checoslováquia que, na época, desagradou a ex-União Soviética (URSS) e os partidários do ditador Jósef Stalin.
Dubcek assumiu o governo da Tchecoslováquia em Janeiro de 1968 e promoveu reformas políticas, sociais, económicas e culturais. Ele pretendia criar um socialismo com "face mais humana", no qual todo membro do Partido Comunista teria o dever de agir segundo sua própria consciência, e não apenas de acordo com o que ditava o regime socialista de Moscovo.
Ao mesmo tempo, a Checoslováquia (hoje República Checa) se aproximava economicamente da Alemanha Ocidental, o que se mostrava contra os interesses soviéticos.
Os efeitos da Primavera de Praga na Checoslováquia foram amplos. Com a liberdade de imprensa restabelecida, houve um retorno ao interesse de formas alternativas de organização política.
Com isso, antigos membros do Partido Social Democrata, fundido à força com o Partido Comunista em 1948, tentaram restabelecê-lo.
Igrejas cristãs voltaram a ser activas, assim como movimentos pelas minorias e pelos direitos civis. A ex-União Soviética se mostrou absolutamente contrária às mudanças, apoiada pela Polónia e pela Alemanha Oriental.
Dubcek recusou um convite para participar de um encontro com os líderes dos países do Pacto de Varsóvia [aliança assinada em 1955 pelos países socialistas do leste Europeu] e recebeu uma carta em 15 de Julho dizendo que era seu "dever" conter o movimento contra-revolucionário pelo qual seu país estava passando.
Mas Dubcek acreditava que poderia resolver as diferenças com os vizinhos comunistas e compareceu a uma reunião posterior organizada em uma cidade eslovaca para realizar um acordo com os líderes socialistas.
Invasão
Porém, em 20 de Agosto, as tropas da ex-URSS e do Pacto de Varsóvia invadiram e ocuparam a Checoslováquia, em uma tentativa de reprimir o movimento reformista.
Praga, hoje capital da República Checa, foi invadida por 650 soldados soviéticos e dos países do Pacto de Varsóvia. Em uma semana, a Primavera de Praga foi esmagada pelas tropas.
No entanto, politicamente, a invasão foi um fracasso. Autoridades soviéticas levaram Dubcek e outros líderes checoslovacos para Moscou, mas falharam em colocar um partido alternativo e líderes de governo que os eslovacos aceitassem.
A população reagiu à invasão pacificamente, com métodos de improvisação --as placas das ruas foram modificadas para que os soviéticos se perdessem.
A vida continuava como se as tropas do Pacto de Varsóvia não estivessem em Praga, apesar do corte nos meios de comunicação, da falta de suprimentos e da ausência de liderança.
O comité comunista agendado para 22 de agosto elegeu um comitê central pró-Dubcek. A Assembleia Nacional também declarou lealdade ao líder, e manteve suas sessões plenárias.
Controle
No dia 23 de Agosto, o presidente Svoboda, acompanhado por Dubcek, retornou a Praga para dizer aos socialistas qual seria o preço a pagar por ter um socialismo humano: as tropas soviéticas permaneceriam na Checoslováquia, e manteriam controles rígidos sobre as actividades culturais e políticas.
O congresso do Partido Comunista foi declarado inválido pelos soviéticos.
Em Janeiro de 1969, um estudante cometeu suicídio em protesto contra as violações da independência nacional. A população se impressionou, e os movimentos pelo "socialismo humano" reiniciaram.
Gradualmente, Dubcek negou ajuda aos seus aliados, até que encontrou-se isolado.
A linha dura do partido se fortaleceu e Gustáv Husák substituiu Dubcek, em 17 de abril de 1969. Ele propôs a normalização das relações da Checoslováquia com a ex-URSS.
Fonte: Enciclopédia Britannica
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