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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Mau tempo em Alcochete

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Foto de Victor Camiller


Foto de Graça Brites


Foto de Álvaro Fernandes

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Decisão a longo prazo



Qualquer dia embarco na alvorada ou nas penumbras do lusco-fusco. Deixo para trás pobres trinados, cantares desafinados, enganadoras sintonias. Junto-me ao bando das montanhas azuis e fico por lá o resto dos meus dias.



quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Tempo



Foto de Graça Brites

Eu fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo:
nem ele me persegue, nem eu fujo dele.
Um dia a gente se encontra...

Mario Lago

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Boas-novas

Dentro de pouco tempo, este blogue contará com a valiosa colaboração de dois novos autores:
Graça Brites e Victor Camiler.
Com votos de que (pelo menos o nosso blogue) tenha um ano de 2009 melhor, aqui fica um exemplo

Turbilhão



Foto de Graça Brites


No meu sonho desfilam as visões,
Espectros dos meus próprios pensamentos,
Como um bando levado pelos ventos,
arrebatado em vastos turbillhões...

Num espiral, de estranhas contorções,
E donde saem gritos e lamentos,
Vejo-os passar, em grupos nevoentos,
Distingo-lhes, a espaços, as feições...

-Fantasmas de mim mesmo e da minha alma,
Que me fitais com formidável calma,
Levados na onda turva do escarcéu,

Quem sois vós, meus irmãos e meus algozes?
Quem sois, visões misérrimas e atrozes?
Ai de mim! ai de mim! e quem sou eu?!...

Antero de Quental

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

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Foto de Graça Brites

O poeta é um fingidor

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


De Fernando Pessoa

sábado, 23 de agosto de 2008

Lá longe

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Foto de Graça Brites

Música, levai-me:

Onde estão as barcas?
Onde são as ilhas?


Eugénio de Andrade

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Templos da alma

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Foto de Graça Brites


De milhares de pedras eu me sinto o grão de areia, de centenas de rosas me sinto os espinhos.

Paloma Duarte Stella

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Ilusão desfeita

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Foto de Graça Brites


Foto de Camiller

Homens do dia a dia
Que levantem paredes de ilusão!
Homens de pés no chão,
Que se calcem de sonho e de poesia
Pela graça infantil da vossa mão!

Miguel Torga

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Só Deus é que a faria

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Foto de Graça Brites

Árvores

Parece-me que nunca ninguém há-de
Ver poema tão belo como a árvore.

Árvore que sua boca não desferra.
Do seio doce e liberal da terra.

Árvore, sempre de Deus a ver imagem
E erguendo em reza os braços de folhagem.

Árvore que pode usar, como capelo,
Ninhos de papo-ruivo no cabelo;

Em cujo peito a neve esteve assente;
Que vive com a chuva intimamente.

Os tontos, como eu, fazem poesia;
Uma árvore, só Deus é que a faria.

Joyce Kilmer

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Flor roubada


Foto de Graça Brites

Tu que tens dez réis de esperança e de amor
Grita bem alto que queres viver.
Compra pão e vinho, mas rouba uma flor:
Tudo o que é belo não é de vender.

Leonel Neves

domingo, 13 de julho de 2008

sábado, 12 de julho de 2008

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Tempo de fotografar o tempo





Fotos de Graça Brites

'' ... O tempo é algo que não volta atrás.
Por isso plante o seu jardim e decore a sua alma,
Ao invés de esperar que alguém lhe traga flores ... ''

Shakespeare

sexta-feira, 4 de julho de 2008


Foto de Graça Brites

"DU SCHLANK UND REIN…"

(STEFAN GEORGE, trad. Jorge de Sena)


Tu esbelto e puro como a chama
Tu como a aurora suave e leve
Tu flor nascida em nobre ramo
Tu como fonte simples e secreto

Comigo vens ao sol do prado
Perpassas na névoa da tarde
Acendes a noite ensombrada
Tu vento frio, hálito que arde.

És o desejo e o pensamento:
Aspiro-te a cada arquejo
Eu bebo-te quando sedento
Em cada aroma te beijo.

Tu flor nascida em nobre ramo
Tu como fonte simples e secreto
Tu esbelto e puro como a chama
Tu como a aurora suave e leve.