Inesperadamente, Nykolay Davydenko caminhou para o centro do Court Central e dirigiu algumas breves palavras a Roger Federer. O suíço cumprimentou o russo e levantou os braços para o público festejando a vitória na final do Estoril Open. Davydenko "deitou a toalha ao chão" devido a uma distensão muscular na face posterior da coxa esquerda, quando estava a vencer 2-1 no 2.º set, depois de ter perdido o primeiro parcial no tie break, por 7-5. O cronómetro marcava 1.19 horas de jogo.
Levantou-se um "burburinho" entre a assistência, que lotava os lugares individuais [notava-se algumas ausências nos camarotes] e apoiava em maioria o líder mundial. Nas bancadas, os comentários dividiram-se, mas quem pagou para ver a final sentiu que iria sair a meio do espectáculo. Foi a primeira vez em 19 edições que uma final se decide pela desistência. As razões apresentadas por Davydenko não convencem - lesão que já o havia apoquentado na meia final. Todavia, os compromissos profissionais obrigam-no a competir em Monte Carlo já na quarta-feira. O russo, campeão no Estoril em 2003, somou a 12.ª derrota com Federer. Ontem assumiu que "podia ter acabado o jogo", mas iria "de certeza perder por 6-2".
Esta foi a primeira vitória de Federer num torneio em 2008. "É bom voltar a ganhar. Mas gostava que Davydenko terminasse. Pela primeira vez ganhei uma final com uma desistência, mas algum dia tinha que acontecer", referiu.
Após vencer Olivier Rochus, Roger Federer, número um do ATP, regressa hoje ao court central do Estoril Open ante o romeno Victor Hanescu, número 68 do ranking ATP. Os bilhetes estão quase esgotados e, apesar da ameaça de chuva, não faltará apoio ao helvético para passar aos quartos-de-final. A grande questão passa mesmo pela chuva. As previsões meteorológicas não são meigas e alguns jogos poderão ser adiados.
Caso triunfe, Federer terá pela frente um adversário português. Resta saber qual. João Sousa e Frederico Gil disputam uma vaga nos quartos. Gil é favorito, mas o tenista de Guimarães veio das qualificações e está em grande forma. O contingente português no quadro masculino ficou, ontem, reduzido a ambos com a eliminação de Rui Machado, derrotado pelo francês Florent Serra. O português ainda levou o primeiro set a tie-break, mas não deu resistência no segundo parcial.
Ainda no quadro masculino, a "outra" grande figura do torneio, o russo Nikolay Davydenko, número quatro do ATP, precisou de três sets para ultrapassar o checo Ivo Minar. Minar surpreendeu mesmo ao vencer o primeiro parcial por 6-2, mas o russo passou a comandar o encontro a partir daí. "O clima ficou muito mais frio e perdi o controlo da bola. Não senti grande confiança", explicou Davydenko. Nos quartos-de-final, o russo tem pela frente o francês Marc Gicquel. Caso chegue à final, deseja encontrar Roger Federer, a quem nunca venceu um encontro. O suíço triunfos nas 11 ocasiões em que já se encontraram!
Davydenko é dos jogadores mais discretos do circuito. Até há muito pouco tempo, nem tinha patrocinador de equipamentos e raquetas. Actualmente, é vestido por uma marca quase desconhecida, a Airness. Nas raquetas, tem um contrato com a Prince e venceu o Masters de Miami a competir sempre com a mesma raqueta. Quando pode, prefere jogar em courts secundários, com pouco público. Ontem, jogou no court central pela primeira vez e foi muito ovacionado. "Jogo sempre este torneio. É natural que seja famoso", gracejou o russo.
No quadro feminino, a italiana Flavia Pennetta, número 25 do ranking WTA, foi eliminada pela checa Iveta Benezova, carrasco da portuguesa Neuza Silva, anteontem. Benezova despachou a cabeça-de-série número um do torneio com um duplo 6-2. "Eu não joguei nada mal. Ela é que não deu qualquer hipótese", referiu.