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quarta-feira, 14 de maio de 2008

SOLIDARIEDADE TABAGISTA


Senhor Primeiro Ministro

O facto de Vossa Senhoria ter decidido fumar umas cigarradas a bordo de um avião fretado pelo seu governo, desencadeou uma avalanche de notícias e comentários polémicos, a que nem consagrados constitucionalistas [tidos como ‘pais’ da Constituição que nos rege] se furtaram.

Sei que Vossa Senhoria anda pelas estranjas e ainda não se apercebeu do reboliço que por aqui vai, embora se tenha – talvez (mal) aconselhado pelos seus assessores de imagem e comunicação – apressado a confessar algumas inconveniências que só serviram para dar trunfos a quem o critica por ter fumado a bordo de um avião.

E aí cometeu, permita-me que lho diga, o segundo erro – já que o primeiro foi fumar a bordo de um avião em voo – e, enquanto passageiro prevaricador, se dever limitar ao pagamento da respectiva multa de bom grado.

Enquanto Primeiro-Ministro, talvez lhe ficasse melhor apresentar desculpas pelo facto, do que fazer promessas extemporâneas que não cumprirá.

Já pensou na falta que lhe vai fazer a bengala da nicotina nos tempos mais próximos?

Ninguém melhor do que Vossa Senhoria calcula o stress que aí vem. Principalmente para si que vai ter de terminar a legislatura em manifesta crise social, económica e financeira, e pretende ganhar as eleições, o momento escolhido para esse sacrifício não podia ser pior.

Quando aterrar, pense melhor, e diga mais uma daquelas em que é especialista:

“Não foi isso que prometi, só pretendi dizer que tenciono um dia deixar de fumar (como tem feito com o resto das suas promessas), e hei-de cumprir.

Vá lá, não leve a mal nem amue.

E aproveite a opinião solidária deste velho tabagista que também pretende deixar de fumar.

Ps: já agora, veja lá se reduz ao menos os impostos sobre os combustíveis e o tabaco, já!

Álvaro Fernandes

sexta-feira, 9 de maio de 2008

LINGUAJANDO

A NOVA LÍNGUA PORTUGUESA

Desde que os americanos se lembraram de começar a chamar aos pretos "afro-americanos", com vista a acabar com as raças por via gramatical - isto tem sido um fartote pegado!

As criadas dos anos 70 passaram a "empregadas domésticas" e preparam-se agora para receber menção de "auxiliares de apoio doméstico" .

De igual modo, extinguiram-se nas escolas os "contínuos "passaram todos a "auxiliares da acção educativa".

Os vendedores de medicamentos, com alguma prosápia, tratam-se por "delegados de informação médica".
E pelo mesmo processo transmudaram-se os caixeiros-viajantes em "técnicos de vendas".

O aborto eufemizou-se em "interrupção voluntária da gravidez";

Os gangs étnicos são "grupos de jovens"

Os operários fizeram-se de repente "colaboradores";

As fábricas, essas, vistas de dentro são "unidades produtivas"e vistas da estranja são "centros de decisão nacionais".

O analfabetismo desapareceu da crosta portuguesa, cedendo o passo à "iliteracia" galopante.

Desapareceram dos comboios as 1.ª e 2.ª classes, para não ferir a susceptibilidade social das massas hierarquizadas, mas por imperscrutáveis necessidades de tesouraria continuam a cobrar-se preços distintos nas classes "Conforto" e "Turística".

A Ágata, rainha do pimba, cantava chorosa: «Sou mãe solteira...» ; agora, se quiser acompanhar os novos tempos, deve alterar a letra da pungente melodia: «Tenho uma família monoparental...» - eis o novo verso da cançoneta, se quiser fazer jus à modernidade impante.

Aquietadas pela televisão, já se não vêem por aí aos pinotes crianças irrequietas e «terroristas»; diz-se modernamente que têm um "comportamento disfuncional hiperactivo"

Do mesmo modo, e para felicidade dos "encarregados de educação" , os brilhantes programas escolares extinguiram os alunos cábulas; tais estudantes serão, quando muito, "crianças de desenvolvimento instável".



Ainda há
cegos, infelizmente. Mas como a palavra fosse considerada desagradável e até aviltante, quem não vê é considerado "invisual". (O termo é gramaticalmente impróprio, como impróprio seria chamar inauditivos aos surdos - mas o "politicamente correcto" marimba-se para as regras gramaticais...)

As putas passaram a ser "senhoras de alterne".

Para compor o ramalhete e se darem ares, as gentes cultas da praça desbocam-se em "implementações", "posturas pró-activas", "políticas fracturantes" e outros barbarismos da linguagem.

E assim linguajamos o Português, vagueando perdidos entre a «correcção política» e o novo-riquismo linguístico.

Estamos lixados com este "novo português"; não admira que o pessoal tenha cada vez mais esgotamentos e stress. Já não se diz o que se pensa, tem de se pensar o que se diz de forma "politicamente correcta".

E na linha do modernismo linguístico, como se chama uma mulher que tenta destruir a educação em Portugal?

Ministra !