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domingo, 26 de abril de 2009

25 de Abril na Madeira e a rendição de Jardim



PND fez um simulacro exigindo que o presidente do governo regional se rendesse «às forças democráticas»

O PND-M realizou este sábado um simulacro de rendição do presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, há 31 anos no poder, como forma de chamar a atenção para o regime político na Madeira e de comemorar o 25 de Abril, noticia a Lusa.
Quatro viaturas militares incluindo um blindado posicionaram-se à frente da porta de entrada da Quinta Vigia, sede da presidência do Governo Regional, juntamente com os respectivos «militares» (dirigentes do PND-M disfarçados) e exigiram a rendição de Alberto João Jardim à democracia e ao 25 de Abril de 1974.
De megafone na mão e interpretando Salgueiro Maia, o ex-deputado do PND-M, José Manuel Coelho, apelava ao inquilino há 31 anos da Quinta Vigia para se render «às forças democráticas» e ao 25 de Abril.
A «coluna militar» atraiu a curiosidade de muita gente sobretudo de turistas que desciam a Avenida do Infante em direcção à festa da flor, que eram surpreendidos com a oferta de cravos vermelhos, ao mesmo tempo que era entoada músicas de Zeca Afonso, em especial a «Grândola Vila Morena».
Depois de tantos apelos, Alberto João Jardim, interpretado por Eduardo Welsh, acabou por se render à «coluna militar».
«Nós quisemos de certo modo simular aquilo que se passou no dia 25 de Abril - um conjunto de forças blindadas e armadas partiram em direcção ao centro de Lisboa e cercaram o Palácio do Carmo», explicou o deputado do PND-M, Baltasar Gonçalves.
«O que nós fizemos, aqui, na Madeira, foi exactamente isso, trouxemos as nossas forças armadas, um blindado desactivado até à porta da residência oficial do homem mais poderoso da Madeira, que governa a Madeira há 35 anos, o homem que move tudo o que acontece na Região», continuou o deputado.
Baltasar Gonçalves salientou haver coisas que «aconteceram hoje que têm uma mão comprida por detrás», numa alusão à exibição de bandeiras da FLAMA - Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira, pela cidade do Funchal. «Viemos, aqui, dizer: renda-se senhor presidente, permita que haja na Madeira uma sociedade, alegre, livre, responsável e arejada», concluiu.
Baltasar Gonçalves revelou ainda que esta iniciativa resultava do facto do 25 de Abril não ser solenemente comemorado na Madeira e da recusa do presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, ter declinado um pedido do PND-M no sentido de facultar um espaço no parlamento nacional para um debate sobre a situação política na Madeira.
In Portugal Diário

terça-feira, 3 de março de 2009

A Corte do Imperador D. Alberto I, "o jardineiro"


Será que é verdade?...

Bocas da reacção. eheheheheheheheh

Verdadeiramente um case study de desenvolvimento democrático, a Madeira faz inveja a todo o continente lusitano!!!

Veja a lista VIP, o verdadeiro motor do enriquecimento da Madeira, e tire as suas conclusões...

Alberto João Jardim - Presidente do Governo Regional
Filha - Andreia Jardim - Chefe de gabinete do vice-presidente do Governo Regional

João Cunha e Silva - vice-presidente do governo Regional
Mulher - Filipa Cunha e Silva - é assessora na Secretaria Regional do Plano e Finanças

Maurício Pereira (filho de Carlos Pereira, presidente do Marítimo) assessor da assessora
Nuno Teixeira (filho de Gilberto Teixeira, ex. conselheiro da Secretaria Regional) é assessor do assessor da assessora

Brazão de Castro - Secretário regional dos Recursos Humanos
Filha 1 - Patrícia - Serviços de Segurança Social
Filha 2 - Raquel - Serviços de Turismo

Conceição Estudante - Secretária regional do Turismo e Transportes
Marido - Carlos Estudante - Presidente do Instituto de Gestão de Fundos Comunitários
Filha - Sara Relvas - Directora Regional da Formação Profissional

Francisco Fernandes - Secretário regional da Educação
Irmão - Sidónio Fernandes - Presidente do Conselho de administração do Instituto do Emprego
Mulher - Directora do pavilhão de Basket do qual o marido é dirigente

Jaime Ramos - Líder parlamentar do PSD/Madeira
Filho - Jaime Filipe Ramos - vice-presidente do pai

Vergílio Pereira - Ex. Presidente da C.M.Funchal
Filho - Bruno Pereira - vice-presidente da C.M.Funchal, depois de ter sido director-geral do Governo Regional.
Nora - Cláudia Pereira - Trabalha na ANAM empresa que gere os aeroportos da Madeira

Carlos Catanho José - Presidente do Instituto do Desporto da Região Autónoma da Madeira
Irmão - Leonardo Catanho - Director Regional de Informática (não sabia que havia este cargo)

Rui Adriano - Presidente do Conselho de administração da Sociedade de Desenvolvimento do Norte e antigo membro do Governo Regional
Filho - ???? - Director do Parque Temático da Madeira

João Dantas - Presidente da Assembleia Municipal do Funchal, administrador da Electricidade da Madeira e ex. presidente da C.M.Funchal
Filha - Patrícia - presidente do Centro de Empresas e Inovação da Madeira.
Genro (marido da Patrícia) - Raul Caíres - presidente da Madeira Tecnopólio (sabem o que isto é?)
Irmão - Luís Dantas - chefe de Gabinete de Alberto João Jardim
Filha de Luís Dantas - Cristina Dantas - Directora dos serviços Jurídicos da Electricidade da Madeira (em que o tio João Dantas é administrador)
João Freitas, marido de Cristina Dantas director da Loja do Cidadão

E a lista continua…….

Comparados com os resultados em todas as regiões, a Madeira é uma autêntica lição para os pacóvios da nossa Assembleia da República, do Governo Central e do Poder Autárquico.

É neste exemplo que devemos pensar quando o Sr. Presidente da República nos indica o caminho do rigor e sentido de Estado ?

Viva a Madeira ! Viva o seu Presidente e o poder laranja !

sábado, 8 de novembro de 2008

No reino do Alberto João...

Bananas & democracia
.
Para quem tivesse dúvidas de que a desvergonha política do PSD na Madeira não tem limites, a notícia de um deputado impedido por seguranças às ordens da bancada social-democrata (belo nome, sobretudo a parte do "democrata"…) de exercer o mandato para que foi eleito é esclarecedora.
O deputado, do PND, chamara no dia anterior fascistas ao líder e deputados do PSD, mimo com que dia sim dia não Jardim e eles próprios dirigem aos adversários políticos, e para ilustrar o que queria dizer exibiu-lhes uma bandeira nazi.
Ontem, quando pretendia entrar na Assembleia Regional, foi-lhe barrado o caminho.
Na Madeira, quem se mete com o PSD (que, por cá em minoria, acusa o PS de "claustrofobia democrática") leva, e é o PSD, não o voto, quem decide se um deputado pode ou não sentar-se no Parlamento Regional.
Singular, no meio disto, é a passividade do PR, a quem constitucionalmente cabe garantir o regular funcionamento das instituições democráticas.
Talvez, quem sabe?, no presidencial entendimento, proibir a um deputado o exercício do mandato seja "regular funcionamento" de uma instituição democrática.
Manuel AntónioPina
in JN

domingo, 15 de junho de 2008

A freira-do-bugio

Descoberta. Foi identificada nova espécie de ave marinha endémica de Portugal - estudos genéticos confirmam que a freira-do-bugio, que habita o ilhéu mais a sul das Desertas, é diferente das suas 'primas' que nidificam na Madeira e em Cabo Verde. Em comum só o facto de estarem em risco de extinção

População desta espécie é inferior a 200 casais reprodutores

Durante anos, a freira-do-bugio, que habita uma zona restrita do ilhéu mais a sul do arquipélago das Desertas (Madeira), e a freira-de-cabo-verde foram consideradas a mesma espécie, até porque morfologicamente são perfeitamente idênticas.

A bióloga Susana Fontinha, do Parque Natural da Madeira, iniciou o estudo destas aves pelágicas (vivem grande parte do seu tempo em oceano aberto) há duas décadas e logo surgiram as primeiras dúvidas. Razão por que o Parque Natural solicitou à Universidade da Madeira o estudo genético das aves. O resultado, tornado público no final de Maio, veio demonstrar que, afinal, há uma nova espécie de ave marinha em Portugal - a Pterodroma feae.

"Devido ao isolamento reprodutor e até por mecanismos comportamentais, as duas espécies de freiras não se cruzam", explicou ao DN, José Jesus, professor e membro do Laboratório de Genética da Universidade da Madeira, investigador que estudou a sequência dos genes, provando diferenças moleculares evidentes entre as espécies do Bugio e de Cabo Verde.

O trabalho é o culminar do programa 'SOS Freira do Bugio', coordenado pela bióloga Dília Menezes, que visa a protecção desta ave. O projecto, com um orçamento de um milhão de euros, contou com o apoio financeiro do Projecto Life e da parceria com a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e decorreu em várias etapas, passando pela irradicação do murganho (rato endémico da Madeira) e do coelho, o estudo do habitat da freira-da-madeira e, posteriormente, da freira-do-bugio.

No ano passado, uma equipa deslocou-se a Cabo Verde, para recolha de amostras de sangue. A conclusão é de que a freira-do-bugio, tal como a da Madeira (Pterodroma madeira) e a de Cabo Verde (Pterodroma mollis) são geneticamente diferentes. Em comum apenas a extrema vulnerabilidade, exigindo uma gestão e conservação constantes.

A freira-do-bugio, por exemplo, encontra-se referenciada em anexos da Directiva Aves e da Convenção de Berna. A sua área de nidificação está classificada como Zona de Protecção Especial e Sítio de Interesse Comunitário da Rede Natura 2000 e incluída na Reserva Natural das Ilhas Desertas, tendo uma população inferior a 200 casais.

A colónia que nidifica na ilha da Madeira, na parte oriental do Maciço Montanhoso Central (serras do Areeiro), acima dos 1600 metros, tem uma população extremamente reduzida, não mais de 80 casais, sendo considerada uma das aves marinhas mais raras do mundo, tendo sido considerada extinta até finais da década de 60.

A freira-do-bugio está naturalmente mais protegida pela difícil acessibilidade do ilhéu, cortado em escarpa. Contudo, partilham a mesma dificuldade reprodutiva. As Pterodromas precisam de cinco anos para chegar à fase adulta e só colocam um único ovo por ano, num buraco escavado no solo, alvo fácil de predadores, como o murganho.

In DN

sexta-feira, 18 de abril de 2008

CAVACO E OS "ESTRANGEIROS" LOUCOS

O INQUEBRANTÁVEL SENTIMENTO DO Sr. SILVA

É verdade o que José Miguel Júdice disse esta semana na SIC Notícias sobre Jardim: há décadas que os responsáveis políticos portugueses o tratam como se tratam os doidos, fazendo de conta que não o ouvem e nunca o contrariando. Aliás, não são só os responsáveis políticos. Basta não se ser madeirense ou, sendo, não viver na Madeira, para poder ignorar Jardim. E se um madeirense que vive na Madeira se queixa, a resposta está na ponta da língua: "Votam nele, não votam?"Certo que votam, há décadas, e sempre com maioria absoluta, não havendo notícia de quem acuse Jardim de manipular resultados. Terão pois o que merecem e nós, os outros portugueses, só damos por eles e por Jardim quando ele se lembra de insultar alguém "do Continente" ou desata num berreiro porque quer mais dinheiro ou ameaça não cumprir leis da República. Como alguns pedopsiquiatras dizem da má educação das crianças, será a forma de Jardim dizer "estou aqui".

Há, porém, um pequeno, minúsculo pormenor: nem todos os madeirenses votam em Jardim. Nas últimas eleições, em 2007, foram quase 40% dos recenseados a não votar nele. E dizem as regras da democracia que esses 40% têm, não só direito à vida, como a respeito, respeito esse devido aos seus representantes eleitos no Parlamento madeirense. Representantes que Jardim, igual a si próprio, faz gala em desrespeitar e insultar. Até aqui nada de novo. Novo é ter tido, ultimamente, apoios de peso nesse desrespeito: primeiro, o do presidente da Assembleia da República, o socialista Jaime Gama, que naquele mesmo Parlamento elogiou Jardim como "uma figura ímpar da democracia portuguesa" (se era para ser irónico, a ironia foi daquelas com necessidade de livro de instruções). E, esta semana, o do Presidente da República, que iniciou uma visita à Madeira após o anúncio, por parte de Jardim, de que não seria alvo de uma sessão solene no Parlamento Regional porque ele, Jardim, "tem vergonha daquele bando de loucos" (para Jardim os " loucos" são os deputados eleitos da oposição, bem entendido).

Há quem, como António Barreto, defenda que Cavaco, nestas circunstâncias, não devia ter ido; e quem, como Pacheco Pereira, considere que Cavaco devia ir para tornar bem claro a Jardim que por mais absolutas que sejam as suas maiorias o regime em vigor é a democracia, e o país no qual vive é Portugal. Não me contando entre os apoiantes de Cavaco nas eleições presidenciais, esperava do Presidente eleito o mesmo que Pacheco Pereira. Por um motivo muito simples: é o seu dever. Mas Cavaco achou que não. E não só aceitou a desfeita à democracia e a si próprio, assim a modos de um qualquer sr. Silva e não do representante supremo de Portugal, como chegou a, num discurso qualquer, referir-se ao "sentimento inquebrantável entre portugueses e madeirenses". Fez-se pois luz: Cavaco acha que a Madeira é o estrangeiro. Até se compreende, mas não se desculpa.

Fernanda Câncio in DN


terça-feira, 15 de abril de 2008


As comemorações dos 500 anos da cidade do Funchal – a que Aníbal Cavaco Silva se desloca em visita oficial durante seis dias – decorrem sob a polémica provocada por mais uma atitude grosseira e bombástica de Alberto João Jardim.

Além de proibir uma sessão solene de boas vindas ao Presidente da República no Parlamento Regional, o governante madeirense justificou a recusa chamando publicamente “bando de loucos” aos deputados da oposição e “fascista” a Baltazar Aguiar que, a propósito, declarou ao DN o seguinte:

“[Alberto João Jardim] Nascido numa família do [antigo] Regime, sofreu aquilo a que se chama uma ‘lavagem ao cérebro’ e isso deixou marcas e traumas que eu me habituei a aceitar com paciência e tolerância. Desta vez, porém, ultrapassou todas as marcas. Ao projectar aquilo que vê em si nos outros, ofendeu todos os deputados regionais e envolveu o Presidente da República numa situação pouco edificante.”

O mais curioso do incidente é não ter havido, até agora, consequências assinaláveis. Com efeito, independentemente dos protestos dos deputados visados pelo insulto, a visita oficial do PR decorre como previsto, e Cavaco Silva tem ignorado a questão. Contudo, a história da “Pérola do Atlântico” e da democracia (pelo menos formal) de que goza desde o 25 de Abril, merecia mais respeito por parte de quem a governa.

O povoamento iniciou-se em 1424, quando a ilha da Madeira foi dividida em duas capitanias. A capitania do Funchal coube a João Gonçalves Zarco que aqui se fixa com os seus familiares.

Com a sua posição geográfica, a existência de um bom porto marítimo e a produtividade dos seus solos, constituiu-se cedo um importante núcleo de desenvolvimento da ilha. A designação de Funchal deve-se à existência da planta aromática designado por funcho que abundava no burgo primitivo e se alargava até à beira-mar.

Recebeu o primeiro foral entre 1452 e 1454, que o elevou a vila e a sede de concelho, em 1508 é elevada a cidade e em 2008 são comemorados os 500 anos.

Quanto a acontecimentos marcantes neste concelho, pode-se mencionar a instalação de comerciantes vinícolas ingleses, no século XVII, que modificaram os modos de vida, a morfologia arquitectónica e o desenvolvimento económico da cidade.

A nível de património arquitectónico, destacam-se alguns edifícios: Igreja e Mosteiro de Santa Clara, construídos entre 1489 e 1496, em estilo hispano-árabe, o Fortaleza Palácio São Lourenço da primeira metade do século XVI, a Sé Catedral, projectada por Pêro Anes a mando do rei D. Manuel I e que tem um dos mais belos tectos de Portugal feitos com a madeira da Ilha, contém uma mistura de estilos arquitectónicos: o flamengo, com linhas góticas e características do estilo Manuelino foi terminada em 1514 ano em que é também elevada a bispado. Edifícios também importantes são: o paço episcopal, o palácio do governo regional, a câmara municipal do Funchal, o teatro Baltasar Dias, os museus das Cruzes, Municipal e de Arte Sacra. O Forte do Ilhéu e a Fortaleza do Pico são monumentos históricos que marcaram a necessidade de um bom sistema defensivo contra os frequentes ataques de piratas e corsários.

As personalidades marcantes que passaram pelo Funchal foram: Elizabeth Wittelsbach, conhecida como Sissi imperatriz da Áustria (1837 - 1898) que procurou esta cidade por motivos de lazer e de saúde, Carlos I, Imperador da Áustria e rei da Hungria, marechal polaco Józef Piłsudski para recuperar a sua saúde, Winston Churchill que passou pelo Funchal de férias onde pintou alguns quadros, Fulgêncio Batista que fez uma escala no Funchal para o exílio em Espanha.

Neste concelho predomina o sector terciário, muito ligado ao turismo, nas áreas de comércio, restauração e serviços de hotelaria, seguido pelo sector secundário, com as indústrias de construção civil, lacticínios, floricultura e artesanato.

Na agricultura predomina o cultivo da Vinha seguido da bananeira e finalmente de flores ornamentais e frutos subtropicais. A pecuária tem alguma (pouca) importância, principalmente na criação de aves, coelhos e ovinos.

O porto do Funchal é um centro turístico e de importância relevante para os cruzeiros europeus que fazem escala para Marrocos, ilhas Canárias, Caraíbas e Brasil, tendo sido a primeiro ponto de paragem na viagem inaugural do Queen Mary II.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

A REVOLTA DA MADEIRA FOI HÁ 77 ANOS

A Ditadura

Sabes a vida que levo

desde o dia em que te vi:

ou preso, ou então na rua,

a conspirar contra ti.

Mais uma que se perdeu,

Não vale a pena chorar.

Tanta vez hei-de bater-me,

Que acabarei por ganhar. (*)


A Revolta da Madeira foi um levantamento levado a cabo na Ilha da Madeira (Portugal) por militares e civis contra a Ditadura Militar (1926-1933), iniciada na madrugada de 4 de Abril de 1931. Sem apoio internacional, os revoltosos, comandados pelo general Sousa Dias, pretendiam a restauração das liberdades e um retorno à ordem constitucional suspensa desde o 28 de Maio de 1926. A 8 de Abril deu-se a adesão à revolta de várias ilhas dos Açores, mas a 20 do mesmo mês deu-se a rendição dos seus chefes a uma força enviada do Continente. Na Madeira os revoltosos acabaram por render-se a 2 de Maio, para evitar um banho de sangue, face à resposta de força do governo da Ditadura Militar, então chefiado pelo general Domingos de Oliveira. A prisão em Cabo Verde foi o destino de quase todos os revoltosos.

Estudos recentes têm demonstrado que a revolta da Madeira tem, na sua origem, causas regionais específicas: descontentamento provocado pela crise económica (crise das exportações tradicionais, do turismo, das indústrias dos bordados, dos lacticínios e desemprego crescente), pela crise financeira (falência das principais casas bancárias madeirenses) e pelo consequente reavivar dos sentimentos autonomistas. O Decreto 19.237 de 26 de Janeiro de 1931, sobre o regime cerealífero que estabelecia o monopólio da sua importação como forma de regularizar o seu comércio – originando o aumento do preço do pão – fora o detonador de levantamentos populares acompanhados de tumultos e do encerramento do comércio nos primeiros dias de Fevereiro. A 6 de Fevereiro, a greve dos estivadores fez despoletar a convulsão social que levou ao assalto das moagens e a várias manifestações populares. Esta revolta popular é chamada revolta da farinha, dado que o governo decidira suspender a importação de farinha, aumentando o preço do pão, o que serviu de pretexto para uma revolta que dura de 5 a 11 de Fevereiro de 1931. No dia 25 de Fevereiro estruturas anarco-sindicalistas e comunistas organizam greves e manifestações, em várias localidades, exigindo liberdade sindical e medidas de combate ao desemprego.

A ditadura suspendera o decreto, mas enviara a Companhia de Caçadores 5 para a ilha capitaneada por um «Delegado Especial do Governo» o coronel Silva Leal, porém, à sua chegada, a 9 de Fevereiro, havia regressado a normalidade. A acção deste agente do Governo sobre os revoltosos granjeara-lhe grande impopularidade entre a população e militares, porque foi o grande responsável pela repressão e deportação daqueles. Se tivermos em conta todos os relatórios oficiais e a maioria dos depoimentos chega-se à simplista conclusão que esta foi uma expressão de revolta contra a prepotência do Governador Civil, José Maria de Freitas e o Delegado Especial do Governo, coronel Silva Leal. A arrogância e falta de tacto que demonstrara, as medidas repressivas que adopta, a invasão das competências dos oficiais da guarnição militar local e o facto de vários oficiais do contingente vindo do Continente serem já notórios oposicionistas – são factores que vão contribuir para a eclosão do movimento.

É deste núcleo de oficiais vindos do Continente – sobretudo do tenente Manuel Camões – que parte a conspiração, em colaboração com parte da oficialidade local. Ela será inicialmente hostilizada pela grande maioria dos oficiais e políticos deportados na Madeira entre os quais se contavam alguns chefes do movimento de Fevereiro de 1927, como o general Sousa Dias, os coronéis Freiria e Mendes dos Reis, o major António Varão, ou os capitães Carlos Vilhena e Sílvio Pélico. Na realidade, os deportados não participarão nas operações desencadeadas às 7 da manhã de 4 de Abril e vitoriosamente concluídas, três horas depois, com as autoridades presas e os serviços públicos ocupados pelos revoltosos.

Só depois disso, e de difundida a «Proclamação ao Exército e à Nação» que declara que só obedeceria a um governo republicano que restaure as liberdades democráticas e restabeleça uma constituição por eleições livres se obteve a adesão dos principais vultos militares da deportação que, sob a presidência de Sousa Dias, integrarão a Junta Revolucionária. O chefe civil é o antigo ministro Pestana Júnior. Apelam também à revolta das unidades militares do Continente, dos Açores e das colónias. Ao contrário, nos Açores e na Guiné, a iniciativa revolucionária – nalguns casos já há algum tempo congeminada – parte dos núcleos de exilados, que, apoiados na força do exemplo madeirense e com a colaboração de alguns oficiais tomam conta das raras e pouco numerosas guarnições locais.

Ingleses, norte-americanos e brasileiros decidem criar uma zona neutral nalguns hotéis do Funchal. Os oposicionistas no exílio, sob a liderança da chamada Liga de Paris, chegam a falar na constituição de uma República da Atlântida. Nos Açores, sob o comando de militares e civis deportados, nomeadamente o comandante Maia Rebelo, o capitão de mar e guerra João Manuel de Carvalho, o major Armando Pires Falcão (pai da jornalista Vera Lagoa) e o sidonista Lobo Pimentel, aderem à revolta as ilhas de S. Miguel, Terceira, Graciosa e S. Jorge. A 17 de Abril, também com alguns pretextos de natureza local na Guiné, prendendo o governador e não encontrando resistência, forma-se então uma Junta Revolucionária que formula a mesma reivindicação a Lisboa. Em Moçambique e em São Tomé a revolta falha, sendo os insurrectos presos. As principais esperanças dos revoltosos da Madeira depositam-se no apoio das unidades da Metrópole. Poucos dias depois da tomada do poder na Madeira, partem para Portugal delegados da Junta para preparar a revolta no Norte e alguns desembarcam no Algarve. Uma das dimensões estratégicas da revolta seria a de atrair as melhores unidades à ilha, deixando o Continente desprotegido.

Os revolucionários madeirenses não tinham excessivas ilusões. A única esperança de sucesso do seu movimento – e afinal o seu real objectivo – era vir a provocar o levantamento no Continente. E esperavam uma de duas coisas: ou o Governo desguarnecia a sua retaguarda enviando do Continente contra a Madeira as suas «tropas fortes» fiéis e melhor armadas – e criava a oportunidade para uma acção revolucionária vitoriosa no Continente ou enviava «tropas fracas», susceptíveis de se passarem para os rebeldes, podendo infligir -se à ditadura uma derrota de imprevisíveis consequências.

Não se verificou nenhuma delas. Por um lado, demonstrando saber o terreno que pisava, o Governo enviará nas expedições para a Madeira «tropas mistas», não descurando a segurança no Continente e assegurando-se da disciplina dos efectivos expedicionários. Por outro lado, a revolta não terá na Metrópole eco revolucionário imediato, apesar do recrudescimento da agitação estudantil e popular instalada após a implantação da II Republica espanhola, em meados de Abril, e das grandes manifestações populares motivada pela morte de um estudante de Medicina do Porto, em Maio desse ano, na sequência da greve académica então desencadeada.

Com início a 25 de Abril, a greve dos estudantes da Faculdade de Medicina de Lisboa expande-se às três universidades. É prevista uma assembleia geral dos professores para tratamento de assuntos pedagógicos, com movimentação de estudantes republicanos. O Ministro da Educação demite o Reitor e encerra a Universidade. É nomeada nova equipa reitoral, com o professor de Medicina João Duarte de Oliveira, a reitor, e Luís Cabral de Moncada, como vice-reitor. Uma carga policial na Faculdade de Medicina do Porto origina um morto – João Martins Branco estudante do Instituto Industrial – cujo funeral naquela cidade, a 30 de Abril, é uma impressionante manifestação contra a ditadura. O dia 1 de Maio foi marcado em Lisboa por tumultos e escaramuças entre numerosos grupos de civis e tropas da G.N.R. Exército. A 9 de Maio, convocadas pelo Partido Comunista Português verificam-se novas manifestações e choques com a polícia e a G.N.R. em Lisboa e no Porto. Manifestações, contra manifestações, confrontos com apoiantes da União Nacional e da Liga ao Grémio Lusitano (Maçonaria), vão prolongar-se até fins de Maio. Mas não se passa disso. O reviralhismo não tivera condições para secundar a revolta das ilhas.

O Governo sabia o perigo de deixar prolongar, sem imediata resposta a revolta insular: não só ela fornecia ao republicanismo uma base territorial estável para legitimar a eventual proclamação de um governo que se reivindicasse da verdadeira legalidade constitucional, criando fortes embaraços aos «usurpadores» de Lisboa como se poderia constituir uma base de assalto ao Continente e de permanente subversão – entre os ditadores não haveria de desconhecer-se a história das revoltas liberais...

Nesta aflição de defender a retaguarda e preparar a toda a pressa expedições militares contra as ilhas, valeu à Ditadura, há que salientá-lo, o decisivo apoio do Governo britânico que nunca escondeu a sua clara simpatia pelo regime instalado e, mais precisamente, por Salazar.

Perante a «ansiedade do governo face à revolta na ilha da Madeira», o embaixador britânico, Sir Francis Lindley, pede a intervenção de navios de guerra britânicos ancorados no Tejo, que desembarcaram tropas na Madeira, mas não participam no conflito interno, limitando-se a dissuadir a interferência de outros poderes na zona vital dos arquipélagos.

Simultaneamente, e a pedido insistente do Governo português, o Foreign Office autoriza a venda de armamento expressamente para apoiar a ditadura militar ameaçada, aceitando o argumento de um dos responsáveis do desk para Portugal: de que «sem dúvida que o regime é uma ditadura. Mas é mais representativo do que qualquer dos desacreditados governos anteriores». A medida, segundo o mesmo funcionário, «ajudaria a reforçar o efeito da visita do príncipe de Gales», que, com o duque de Kent, se desloca significativamente nessa altura em visita oficial a Lisboa. Em Maio desse ano, a embaixada podia concluir, pela pena de um dos seus diplomatas, que «os portugueses (...) compreenderam que foram os esforços de Sir Francis Lindley com o esforço do Governo de S. M. no Reino Unido e os navios de S. M. que salvaram o país de mergulhar na anarquia».

Afiançado no apoio político e material inglês e relativamente seguro quanto ao Continente, o Governo faz seguir logo a 7 de Abril, a primeira expedição militar comandada pelo coronel, Fernando Borges oficial destacado na repressão dos movimentos de Fevereiro de 1927. Vai, logicamente começar pela parte fraca da revolta, ou seja, pelos Açores porque, ao contrário do que sucedeu na Madeira os militares não tiveram apoio popular. Chegado à Horta – que se mantivera fiel – a 12 de Abril, com o apoio de vários navios de guerra, entretanto chegados de Lisboa impõe a rendição, sem luta entre 17 e 20 de Abril a todos os focos rebeldes açorianos.

A 24 de Abril, larga da capital com destino à Madeira, a segunda expedição militar, seguida do Niassa, no dia seguinte, onde embarca o ministro da Marinha Magalhães Correia que iria comandar as operações.

Estas iniciam-se a 26 de Abril com uma frustrada tentativa de desembarque no Caniçal, concretizada no dia seguinte na Ponta de São Lourenço. A resistência, com evidente desvantagem de homens e, sobretudo de material para os revoltosos, prolonga-se até ao dia 2 de Maio, quando a Junta Revolucionária se rende sem condições sendo presos os seus chefes. Finalmente, a 6 de Maio, na Guiné, os insurrectos enviam uma mensagem de rendição sem condições.

Apesar de se terem colocado sob protecção inglesa no navio London, que se tinha dirigido à ilha para proteger pessoas e bens ingleses, os principais dirigentes da revolta, nomeadamente Sousa Dias e cerca de 120 revoltosos foram conduzidos a terra e entregues às autoridades, sendo imediatamente deportados para Cabo Verde. Saliente-se aliás a colaboração inglesa na jugulação da revolta, quer em termos estratégicos, quer no fornecimento de material militar ao governo da ditadura.

Após 28 dias (de 4 de Abril a 3 de Maio) de intensa liberdade regressou tudo à normalidade do regime. Contaram-se os mortos, inventariaram-se os danos e as despesas. Aos revoltosos impuseram-se penas de deportação e demissão dos cargos. Para a ilha terá ficado um ónus de 10% na carga fiscal.

Certamente que esta empatia que contagiou os militares de Caçadores 5, os deportados do Lazareto, os republicanos madeirenses, e a maioria da população funchalense, foi a chave da forte explosão de revolta que contribuiu para que, face à presença de uma força militar, tudo se desfizesse e cedo se reconhecesse a aventura. A força da razão e das convicções cedeu à das armas. Na verdade, foi uma convulsão que seguiu os ímpetos exaltados dos intervenientes e, certamente, a surpresa do evoluir diário foi mútua, em ambos os lados da barricada.

Fontes: “1931: O ano de todas as revoltas” de Francisco Lopes Melo e artigos dispersos.

(*)Versos escritos no tecto de um dos quartos da fortaleza-prisão de São João Baptista, Angra do Heroísmo, em Abril de 1931, cit. in A. H. de Oliveira Marques, A Literatura Clandestina em Portugal, vol. II, editorial Fragmentos, 1990.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

HUMOR NEGRO?



Continuam a provocar ondas de choque nos mais variados sectores políticos, a começar pelo próprio PS, os elogios de Jaime Gama a Alberto João Jardim, sexta-feira passada, no Funchal, na sessão de abertura de um congresso da Anafre (Associação Nacional de Freguesias).
O líder parlamentar do PS/Açores considerou ontem que os elogios "foram uma romagem humilhante de um alto responsável de Estado". Francisco Coelho sustentou que foi "uma desconsideração desnecessária aos socialistas e democratas da Região Autónoma da Madeira". "Foi como uma romagem a Canossa", sublinhou, ironizando com a vassalagem de Frederico I (Barba Ruiva) ao Papa na cidade de Canossa, em 1070.
Na abertura do congresso da Anafre, o presidente da Assembleia da República (AR) considerou Jardim como "um exemplo supremo na vida democrática do que é um político combativo".
"A Madeira é bem o exemplo, com democracia, com autonomia, com a integração europeia, de um vasto e notável progresso no País", afirmou. "Toda esta obra historicamente tem um rosto e um nome, e esse nome é o do presidente do Governo Regional da Madeira, a quem quero também prestar uma homenagem, na diferença de posições, por esta obra e este resultado."
Na sequência destas declarações, a comissão política regional do PS- -Madeira aprovou por unanimidade um voto de protesto. Gama "ofendeu todos os cidadãos deste País, particularmente aqueles que, na Região Autónoma da Madeira, têm sido severamente prejudicados, no seu corpo e na sua alma, pelo exercício autocrático do poder regional vigente, já lá vão trinta anos".

Terá sido ironia?

Ontem, Edite Estrela, membro do Secretariado Nacional do PS e coordenadora dos eurodeputados socialistas, disse preferir pensar que as declarações foram feitas em "tom irónico". "Jaime Gama tem um apurado sentido de humor e foi certamente em tom irónico que fez as declarações." A dirigente disse que Gama "sabe bem que há um défice democrático na Madeira" e que isso "tem aumentado e não diminuído".
O PSD-Madeira, entretanto, explora a seu favor as controversas declarações do presidente da AR.

"O que o Jaime Gama fez foi aquilo que é evidente e realista, não vale a pena estarmos a tapar o sol com a peneira", disse o líder parlamentar do PSD-Madeira, Jaime Ramos. Gama "não fez mais do que expressar aquilo que é a realidade e, no fundo, veio ao de cima o fundamentalismo partidário dos senhores, aqui, na Madeira, do partido do 'meia dúzia mais um'."
Guilherme Silva, deputado do PSD na AR eleito pelo PSD, acrescentou que os elogios de Gama revelam a sua "honestidade intelectual". Em tempos, num aceso debate na AR, Gama tratou Guilherme Silva por "reles canalha". | LUSA

domingo, 30 de março de 2008

SINAIS DOS TEMPOS

O presidente da Assembleia da República Jaime Gama foi ao Funchal elogiar, em cerimónia pública, a obra feita na Madeira durante as três décadas de governação com maioria absoluta de Alberto João Jardim e prestou homenagem ao "político democrático e combativo que é o presidente do Governo Regional”.

A reacção de repúdio do PS/Madeira não se fez esperar, lembrando a Gama o caciquismo de Jardim e a falta de respeito pelas oposições que é apanágio do seu governo.

Numa altura em que José Sócrates governa o país com evidentes tiques de autoritarismo e desprezo pelas críticas, escudado pela maioria absoluta de que também dispõe, importa saber se Jaime Gama defende que os fins justificam os meios a qualquer preço.

E, já agora, se tenciona prestar vassalagem na primeira oportunidade aos sultões do Golfo, que constroem palácios das mil e uma noites à custa do petróleo, enquanto espezinham os mais elementares direitos humanos.

Consta há muito que Jaime Gama é um peixe de águas profundas; mas talvez haja esquecido que se exprimiu enquanto presidente da Assembleia da República de um Estado democrático de direito. E esse devia ter mais cuidado com a responsabilidade do cargo e do que afirma publicamente.

A não ser que aprove o caciquismo populista de quem ora elogia.