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sábado, 13 de junho de 2009

Europeias: razões e paradoxos...


As recentes eleições europeias suscitam, por diversas razões e paradoxos, uma reflexão que se quer profunda e continuada. Desde logo, porque paradoxalmente - e justamente num momento de crise propício para se discutir as melhores formas de prosseguir a construção europeia - na maioria dos estados-membros da União o debate interno sobre o presente e o futuro da Europa foi inexistente.
Depois por, nestas eleições, o mal-estar dos eleitores se ter traduzido, por um lado, numa acentuadíssima taxa de abstenção - que se em Portugal se situou nos 63%, na maioria dos países do Leste europeu se cifrou acima dos 70%, e em países como a Holanda e o Reino Unido superou os 60% - e, por outro, num aumento do número de votos em favor dos pequenos partidos, sobretudo ao extremo do espaço político.

Estes dois factos, diga-se, não surpreendem. Tradicionalmente, estas eleições são o momento de protesto escolhido pelos eleitores descontentes para se abster ou votar em partidos que em escrutínio nacional permanecem geralmente pouco significativos.
Mas talvez a razão principal para uma reflexão pós-europeias 2009 resida no facto de o voto europeu se ter dirigido expressivamente à Direita.
Ora, em momento de crise económica e social, a pergunta que naturalmente se coloca é: por que razão rumou a Europa tão à Direita?

Aqui importa responder que, a par de outros, uma das razões preponderantes terá sido, sem dúvida, a falta de união e também de orientação que acompanhou o Partido Socialista europeu em vésperas de eleições. Tíbio e sem saber chegar aos eleitores, firmando-se como alternativa, a verdade é que o Partido ASocialista europeu contou - só para alguns de forma inesperada - com um poderoso adversário: a aliança de Direita europeia liderada por Merkel e Sarkozy. Procurando mobilizar especialmente alemães e franceses, mas dirigindo-se aos europeus, estes dirigentes da Direita defensora de um inequívoco liberalismo económico juntaram-se, uma semana antes das eleições, para publicamente apelar (paradoxalmente) a uma denominada "Europa forte que protege", isto é, de uma Europa que proteja a sua indústria da concorrência desleal e, consequentemente, o emprego em cada Estado. Sem surpresa, em conjuntura de crise este discurso de protecção da economia, do emprego e do interesse nacional obteve receptividade nestas europeias.

Lá diz o ditado "a união faz a força" e, ao que parece, Merkel e Sarkozy têm união e mote político para os próximos tempos.

Gória Rebelo, in JN

domingo, 31 de maio de 2009

A Europa tão longe...

As Europeias do próximo domingo confrontam os portugueses com grandes dúvidas: que voto é este que só serve para castigar partidos no Governo?
Que contas prestam os deputados europeus cuja inclusão em listas partidárias funciona como prémio de fidelidade aos líderes em funções?A rubrica do Correio da Manhã ‘Nós, Portugueses’, que segue a cobertura da campanha às europeias, é um tesouro de reflexão.
Ouve-se pessoas de regiões de onde partiram muitos emigrantes, que são os mais genuínos europeus da actualidade, e não se descobre ponta de interesse pelas instituições europeias.
O tempo continua dos estados nacionais da Europa, que só uma minoria (e não apenas na céptica Grã-Bretanha) gostaria de ver unidos. A integração incomoda e o federalismo a partir dos actuais estados assusta. O Tratado de Lisboa, que remendou a rejeitada Constituição Europeia, é tão pouco querido que nem aos portugueses entusiasma.
No entanto, é indiscutível que com a utopia Europa se gerou uma medida influente na paz social.As europeias parecem, contudo, uma votação tipo reality show para se saber quem ganha emprego no Parlamento Europeu.
A Europa, como realidade e utopia, está longe e parece apenas um álibi.
O voto, arma do povo, não é para aqui chamado.
João Vaz
in CM

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Portugal, Lusofonia e Europa

Enquanto movimento cultural e cívico, o MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO não apoiou, nem tinha que apoiar, nenhuma das listas que se apresentaram às eleições europeias, que decorrerão no dia 7 de Junho.

Nem por isso, porém, o MIL deixou de acompanhar a campanha eleitoral, na expectativa de que alguma dessas listas defendesse uma visão de Portugal e do Mundo próxima daquela que resulta da nossa Declaração de Princípios e Objectivos.

Sem surpresa, isso não aconteceu. Como já se tornou manifesto nos vários debates que decorreram, nenhuma das listas equaciona a integração de Portugal no espaço europeu em articulação com a nossa integração no espaço lusófono, como seria desejável. Mesmo aqueles que se assumem como mais reticentes à integração de Portugal no espaço europeu, não tomam tal posição em prol de uma maior integração no espaço lusófono, pelo aprofundamento, a todos os níveis, da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa).

Não sendo contra a integração de Portugal no espaço europeu, o MIL é assumidamente a favor de uma maior integração de Portugal no espaço lusófono, sendo, a nosso ver, a partir desta que aquela se deve equacionar. No mundo que sairá da crise global que atravessamos, o papel de Portugal na Europa será tanto mais forte quanto mais estreitos forem os laços com os demais países da CPLP. É nos momentos de crise, como o que vivemos, que mais importa ter em consideração, ao escolhermos os representantes de Portugal no Parlamento Europeu, qual é a visão estratégica para o país em que cada um dos candidatos faz assentar o seu programa.

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
Secção Portuguesa

Nota de apresentação: O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO é um movimento cultural e cívico recentemente criado, em associação com a NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI, que conta já com quase um milhar de adesões, de todos os países lusófonos.
A Comissão Coordenadora é presidida pelo Professor Doutor Paulo Borges (Universidade de Lisboa), Presidente da Associação Agostinho da Silva (sede do MIL).
A lista de adesões é pública – como se pode confirmar publicamente (www.novaaguia.blogspot.com), são pessoas das mais diversas orientações culturais, políticas e religiosas, pessoas dos mais diferentes locais do país e de fora dele.


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MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO (www.movimentolusofono.org)
Blogue associado: NOVA ÁGUIA: O BLOGUE DA LUSOFONIA (novaaguia.blogspot.com)
SEDE: ASSOCIAÇÃO AGOSTINHO DA SILVA (Rua do Jasmim, 11, 2º – 1200-228 Lisboa; E-Mail: AgostinhodaSilva@mail.pt; Tel.: 21 3422783 / 96 7044286; http: www.agostinhodasilva.pt; NIF: 503488488; NIB: 0033 0000 2238 0019 8497 2)

Recebido por email

domingo, 24 de maio de 2009

Compromisso e voto...

Estamos a poucas dias das eleições para o Parlamento Europeu. Mais uma vez, esperam-se níveis elevados de abstenção e surgem campanhas de incentivo à participação no acto eleitoral, e apelos aos eleitores para cumprirem o seu "dever cívico". O habitual.
Ao mesmo tempo, também como é costume, não se dá aos cidadãos condições para um voto esclarecido e empenhado. Pelo contrário, pedem-nos que votemos às cegas neste ou naquele partido, num ou noutro candidato.
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Ora, o jogo democrático não se resume a votar num cabeça-de-lista porque é mais simpático, possui melhores dotes de oratória, tem maior vocação para mártir ou um ar de verdadeiro senador. Como não se esgota na apresentação de um "cartão amarelo" ao Governo em exercício. Ser cidadão europeu é muito mais do que ir votar, e seja o que Deus quiser.
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Uma democracia digna transcende o acto ritual da escolha dos representantes e exige destes a garantia de uma posição clara, quanto à natureza e ao rumo da União Europeia (UE). Portanto, um programa concreto, objectivos precisos e comprometimentos rigorosos por parte dos candidatos.
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No momento em que o Mundo vive uma crise produzida por um capitalismo sem ética, está na altura de trocar a União monetária Europeia, por uma União social Europeia. De pôr os interesses da maioria à frente dos privilégios da minoria dominante. É esse compromisso que se exige aos candidatos. E isso implica propostas claras e não meras declarações de bons propósitos.
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Não queremos uma UE que mantenha, como mantém, a possibilidade de alargar o tempo de trabalho semanal até às 78 horas, recuando aos mais negros idos da revolução industrial, e fazendo disparar o desemprego.Queremos uma UE que desça, excepcionalmente, o tempo de trabalho para as 30 ou 35 horas semanais, para assegurar mais emprego. E não nos venham dizer que assim não se gera riqueza porque o problema não é a riqueza mas a sua distribuição.
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Queremos uma União que estabeleça um salário mínimo europeu, como medida para acabar com a concorrência entre trabalhadores e desincentivar as habilidosas deslocalizações de empresas. Queremos uma UE contra a precariedade, e não uma União que a sustente.Não queremos uma UE apostada em impor restrições ao acesso dos cidadãos à Internet, pondo em causa um dos direitos fundamentais na Europa, abrangido pela Convenção dos Direitos, Liberdades e Garantias.
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É sobre questões como estas que partidos e candidatos devem comprometer-se, ao invés de perderem tempo com campanhas de escárnio e mal dizer que parecem substantivar o entendimento que os políticos têm do debate democrático.
A não ser assim, para quê votar?
Mário Contumélias
in JN

domingo, 17 de maio de 2009

Bocas Vitais


«PS não precisa de acasalar

com outros partidos na Europa»

Vital Moreira ou defende a abstinência durante a campanha eleitoral, ou atingiu a andropausa precoce.

sábado, 9 de maio de 2009

Inaugurada biblioteca multimédia online da Europa com mais de dois milhões de obras


A biblioteca multimédia online da Europa, "Europeana", está acessível desde hoje ao público, que através da Internet poderá aceder a mais de dois milhões de obras dos 27 Estados-membros da União Europeia.
Esta biblioteca virtual conta com livros, mapas, gravações, fotografias, documentos de arquivo, pinturas e filmes do acervo das bibliotecas nacionais e instituições culturais dos 27 Estados-Membros da UE, tendo por exemplo de Portugal a Carta plana de parte da Costa do Brasil, um mapa de 1784.

Acessível, em todas as línguas da UE, através do endereço (www.europeana.eu ), a biblioteca multimédia europeia conta com material fornecido por mais de 1000 organizações culturais de toda a Europa, incluindo Museus, como o Louvre de Paris, que forneceram digitalizações de quadros e objectos das suas colecções.

Segundo a Comissão Europeia, que lançou esta iniciativa em 2005, este é "apenas o começo", pois a ideia é expandir a biblioteca, envolvendo também o sector privado, e o objectivo é que em 2010 a Europeana dê acesso a pelo menos dez milhões de obras
"representativas da riqueza da diversidade cultural da Europa e terá zonas interactivas, nomeadamente para comunidades com interesses especiais".

"Com a Europeana, conciliamos a vantagem competitiva da Europa em matéria de tecnologias da comunicação e de redes com a riqueza do nosso património cultural. Os europeus poderão agora aceder com rapidez e facilidade, num único espaço, aos formidáveis recursos das nossas grandes colecções", comentou o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

Por seu turno, a comissária europeia para a Sociedade da Informação e os Meios de Comunicação, Viviane Reding, apelou "às instituições culturais, editoras e empresas de tecnologia europeias para que alimentem a Europeana com mais conteúdos em formato
digital".

Segundo dados da Comissão, desde a "abertura" da biblioteca, houve dez milhões de visitas por hora, tendo esta "tempestade de interesse" forçado mesmo a "deitar o sistema abaixo" por algum tempo para duplicar a capacidade do "site".

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Para já, a internet continua livre



Uma vitória MUITO IMPORTANTE, mas não definitiva, há que continuar alerta:

Na sequência do texto aqui publicado ontem, é bom informar-vos que o Parlamento Europeu (PE), reunido em Estrasburgo, acaba de decidir, numa emocionante e complexa votação em que os dois grandes grupos políticos e o Conselho Europeu foram derrotados, que as operadoras de internet ou as autoridades administrativas não poderão cortar o acesso de internet aos utilizadores sem uma prévia decisão judicial, respondendo assim positivamente às propostas de inúmeros movimentos de cidadãos utilizadores da internet.

O PE aprovou uma emenda adoptando "o princípio de que, na falta de decisão judicial prévia, não pode ser imposta qualquer restrição aos direitos e liberdades fundamentais dos utilizadores finais, previstos, designadamente, no artigo 11º da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, em matéria de liberdade de expressão e de informação, salvo quando esteja em causa a segurança pública, caso em que a decisão judicial pode ser ulterior".

Esta posição tinha sido subscrita pelos grupos GUE/NGL, IND/DEM, Verdes/ALE e alguns liberais, bem como pela Comissão parlamentar responsável, e era apresentada contra uma posição de compromisso negociado entre o Conselho e os dois grandes grupos políticos que constituem a maioria do parlamento, os socialistas do PSE (onde se inclui o PS português), e o PPE/DE (onde se incluem os nossos PSD e PP), a que se tinha associado o grupo liberal ALDE.

Tudo estava preparado para que esta emenda dos pequenos grupos nem sequer fosse sujeita a votação, já que a lista de voto preparada pelos serviços previa que se votasse antes o compromisso do PPE/DE + PSE e que a emenda dos grupos mais pequenos fosse considerada prejudicada pelo voto antecedente. Isto aliviaria os deputados dos grandes partidos da responsabilidade de terem votado contra um direito fundamental dos utilizadores da internet, o que em véspera de eleições é sempre problemático.

A primeira batalha era, pois, a alteração da ordem do voto. No meio da discussão, os liberais informam que decidiram na véspera à noite, por maioria, retirar-se do acordo com o PPE/DE e o PSE, o que acrescentou algum dramatismo à situação. Vota-se e a alteração da ordem da lista de voto foi aprovada. Ganho este ponto, e tendo sido solicitado pela esquerda que o voto sobre a sua emenda fosse registado nominalmente, não havia mais forma de os deputados dos grandes grupos fugirem à questão.

Procedeu-se então ao voto e a emenda foi aprovada com 407 votos a favor e 57 contra. O PE acabava de rejeitar o compromisso estabelecido para segunda leitura pelos dois grandes grupos políticos com o Conselho Europeu. Em consequência, a Directiva não foi aprovada e entra agora numa nova fase do processo legislativo chamado de conciliação.

Foi uma importante vitória, mas nada está definido; o assunto continua em aberto e a merecer a nossa atenção nos próximos meses.
posted by Francisco Trindade @ 08:34 links to this post

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O eixo das Bermudas...

Agora é o próprio prof. Vital que quer discutir "ideias" para a UE e brincar às eleições
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O país político suspendeu a respiração por causa das "listas" para as eleições "europeias", sobretudo a angustiada "lista" do PSD. O país real nem por isso.
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O Eurobarómetro apurou que apenas 24% dos portugueses tencionam votar em Junho, e francamente espantam-me menos os três quartos de eleitores que ficam em casa do que o quarto que se arrasta até às urnas.
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Esses prodígios cívicos vão eleger, exactamente, o quê? Se quisermos ser tecnicamente precisos, 3,05% dos 785 deputados do Parlamento Europeu, ou seja uma parcela irrelevante de uma instituição cuja relevância é igualmente discutível. Na prática, claro que as decisões lá tomadas acerca do aquecimento de esplanadas, da protecção dos isqueiros, do volume das hortaliças e da qualidade do ar afectam as vidas de todos, ou as vidas de quem frequenta esplanadas, usa isqueiros, come e respira.
Mas duvido que o português médio detecte a origem das decisões e tenho a certeza de que não detecta a influência dos nossos deputados na respectiva aprovação.
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Para o eleitor comum, o eixo Bruxelas-Estrasburgo é um triângulo das Bermudas amputado de um vértice, um sítio para onde se enviam figuras relativamente públicas e, no mínimo durante cinco anos, não se volta a saber delas. Se for muito atento, o eleitor notará que, de longe a longe, um jornal comenta positivamente o trabalho do deputado X na comissão Y, ou informa que Z se tem destacado no debate de W. E depois? O provável é que o eleitor conclua que X e Z afinal não morreram. E, apesar de lhes invejar o salário, não conclui mais nada.
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O eleitor comum, resumida e justificadamente, ignora a Europa. Aliás, embora por outras e antipáticas palavras, o dr. Vital Moreira disse o mesmo quando, há ano e meio, declarou os cidadãos incapazes de perceber a "complexidade" do Tratado de Lisboa e avisou: "Não será tempo de deixar de brincar aos referendos?" Agora é o próprio prof. Vital que quer discutir "ideias" para a UE e brincar às eleições.
Felizmente, parece que poucos estão dispostos a acompanhá-lo.
Alberto Gonçalves
in DN

domingo, 19 de abril de 2009

UM NOVO COLONIALISMO

Estátua de Sta. Sofia, Sofia, Bulgária.
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A entrada da Bulgária na União Europeia (UE) foi adiada por preocupações sobre a corrupção, crime organizado e reformas do sistema judicial muito lentas. Quando a Bulgária e a Roménia aderiram em 2007, a Comissão Europeia criou um “mecanismo de cooperação e verificação” que permitiria verificar as reformas e impor sanções. O “dispositivo” foi dotado de uma verba de €220 milhões retirada das verbas da UE destinadas à Bulgária para 2008. O governo socialista da Bulgária respondeu agastado, acusando a Comissão de dualidade critérios e de utilizar o seu mecanismo de verificação como uma ferramenta política.
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Em Fevereiro os conselheiros do Primeiro-Ministro, Sergei Stanishev, desenvolveram um plano extraordinário e novo. Segundo este plano, a Comissão e outros membros da UE obteriam mais poderes de intervenção quando “a fraqueza tiver causas consideradas estruturais e persistentes e … não possam ser resolvidas pelo governo Búlgaro sozinho”. O plano propõe que funcionários europeus e diplomatas sejam envolvidos nas operações de verificação da implementação das leis, gestão de fundos provenientes da UE e supervisão dos tribunais, dos procuradores de justiça e dos investigadores criminais. Eles acompanharão casos de corrupção política e crime organizado que o sistema judicial búlgaro tenha sido lento a resolver ou não tenha resolvido de todo. A sugestão é que esta “associação” seria melhor do que o “mecanismo” do governo, embora os resultados possam reflectir o facto de tal “dispositivo” ser dirigido de Sofia e não de Bruxelas.
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O PM apresentou este plano secreto ao presidente da Comissão, José Manuel Barroso, no princípio de Março. A resposta foi fria. Um porta-voz informou que Durão Barroso rejeitou a ideia de uma estrutura paralela à existente montada pelo governo Búlgaro. Os embaixadores da UE em Sofia, que foram informados do plano, também se mostraram cépticos. Um diplomata sénior, com anos de experiência, comentou que seria errado tirar a cenoura e o chicote da Comissão que tem simultaneamente independência política e a confiança dos elementos de UE, o que não acontece com o governo da Bulgária. Na verdade, alguns embaixadores detectaram um sussurro entre os socialistas búlgaros para transmitir aos restantes eleitores que “o governo tinha novamente recuperado a confiança da UE” pouco antes da votação em Junho. Colocar a Comissão e membros da UE com a responsabilidade sobre as reformas pode também inibir futuras críticas.
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Não obstante a resposta negativa, o governo búlgaro insiste nesta ideia, tendo marcado o fim de Março como limite para concretizar o projecto. O Ministro dos Assuntos Estrangeiros, Ivaylo Kalfin, tem mesmo sugerido que esquema semelhante seja estendido a todos os membros da União Europeia.
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Um mecanismo conjunto de governo de um país com equipas da UE seria uma estreia absoluta para a União, mas não é para a Bulgária. Os conselheiros soviéticos desembarcaram em grande força na Bulgária em 1944 para garantir que o novo país comunista não se extraviava na aplicação das nacionalizações, da industrialização e na construção do socialismo. Mas esta solução mista com funcionários locais e da UE seria bem recebida pela maioria dos búlgaros. Numa sondagem, mais de 80% dos cidadãos afirmaram que não confiam no governo, parlamento e tribunais. Quase 75% confiam na UE, especialmente na Comissão Europeia, de acordo com Eurobarómetro. Uma maior presença da União Europeia no governo Búlgaro seria bem vista pela população, mesmo que na prática fizesse menos diferença do que os búlgaros gostariam.
BBC News

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Recado aos burocratas "europeus"


Portugueses provam que azeite combate AVC

Esta é a primeira prova científica dos benefícios para a saúde e vai agora ser possível produzir melhores azeites

Um grupo de investigadores portugueses descobriu o antioxidante do azeite capaz de combater ataques cardíacos e AVC. Esta é a primeira prova científica acerca dos «benefícios para a saúde que se têm observado em pessoas que incluem o azeite na dieta», disse a coordenadora do estudo Fátima Paiva-Martins ao tvi24.pt.

Já se sabia que os antioxidantes promoviam a saúde. Também já era sabido que o azeite era uma das fontes de antioxidantes. O que não se sabia era se havia antioxidantes do azeite melhores que outros, nem quais. Agora, os cientistas da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto identificaram qual o antioxidante presente no azeite mais eficaz no combate às doenças do coração.

Os patetas de Bruxelas que deixem de nos impingir óleos vegetais.

A bem da saúde pública, consumam azeite.

terça-feira, 17 de março de 2009

A IRONIA DO PROJECTO EUROPEU

Em plena Guerra-Fria, o pensador e teólogo americano Reinhold Niebuhr escreveu um livrinho intitulado A Ironia da História Americana. Apesar de ser um texto curto em extensão e claro em estilo, é quase impossível de resumir: em cada uma das suas páginas há muitas ideias e em muitas dessa ideias muitos sentidos. Mas podemos dizer, sem receio de errar muito, que um dos seus principais objectivos é alertar contra o excesso de crença americana na sua própria virtude, que (ironicamente) poderia destruir o idealismo da própria herança americana.
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Ao lê-lo na era da globalização, e do lado de cá do Atlântico, é impossível não pensar no que seria um livro destes sobre a Europa, hoje.
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A primeira coisa a notar – nenhuma novidade – é que muito do que discutimos hoje na Europa já foi discutido nos Estados Unidos, por vezes há duzentos anos ou mais, quando se estava a construir a democracia americana.
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Mas o que mais impressiona – e até aflige – é como as ironias do projecto europeu são, quase sempre, diametralmente opostas às da história americana.
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Comecemos por aqui mesmo. Escrevendo num país com menos de duzentos anos, Niebuhr olhava já para a “história americana”. Na Europa, o continente do passado, falamos antes do “projecto europeu”.
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Nesse sentido, o futuro estaria à nossa frente – como eu acredito que está. Mas aí entra a segunda ironia: ao contrário do que se passa nos EUA, a Europa vive apenas convencida dos seus vícios e esvaziada de qualquer idealismo. Todas as palavras progressistas como “projecto” e “futuro” são na Europa pronunciadas com os mais profundos conservadorismo, cobardia e falta de ambição. Para não falar das palavras que só a medo se pronunciam, como “cidadãos” e “democracia”.
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Dizem-nos que isso se passa porque os cidadãos têm falta de confiança nos seus líderes. Esse é apenas um biombo que esconde uma ironia muito amarga: os líderes é que não têm nenhuma confiança nos cidadãos (talvez por saberem que foram eleitos) e fogem deles a sete pés. Nessa fuga para a frente, o projecto europeu faz-se (ou desfaz-se) às arrecuas. Ilustração disso é a última cimeira, em que os líderes lá se comprometeram a respeitar o Mercado Único. Olhai e vede: depois de anos a discutir o futuro Tratado de Lisboa (ele mesmo já obsoleto em face da crise) conseguiram fazer regredir a discussão até ao nível do Tratado de Roma de 1957.
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Por detrás dessa ironia vem uma outra. A cada passo (Convenção, Constituição, pseudominitratado, etc.) dizem-nos para não emitirmos qualquer dúvida ou oposição, sob risco de “bloquear o processo”. Mas, a cada passo que eles dão, o processo foca mais bloqueado. De facto, os nossos líderes conseguem muito bem desfazer o projecto europeu sozinhos. Na desconfiança que têm dos cidadãos europeus, arriscam-se mesmo a ser fatais para ele.
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A mais cruel das ironias é que nunca, como agora, precisámos mais do projecto europeu. Em qualquer dos cenários futuros, seja em globalização ou em “desglobalização”. No primeiro caso, quem mais poderá negociar à escala global senão a futura democracia europeia? No caso de a globalização ruir (como já aconteceu no passado), também só a escala europeia nos permitirá sobreviver em condições razoáveis.
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E é mesmo essa a ironia final: só o projecto europeu nos pode salvar. Mas, antes disso, vai ser preciso salvar o projecto europeu.
Rui Tavares, Historiador, Público.
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Comentário meu: Faço minhas estas sábias palavras. Sendo eu um europeísta convicto, muitas vezes me tenho interrogado sobre a direcção em que segue o “projecto europeu”, aparentemente agora sem rumo e sem evolução visível.
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Entregue a uma nova classe de políticos de qualidade duvidosa, o projecto europeu parece atolado na lama, estagnado e sem direcção definida. A estranha ironia é que, como se afirma neste texto, o “projecto europeu” é a única via evolutiva para a Europa num mundo cada vez mais globalizado. Portanto, a única solução viável para o futuro da Europa seria impulsionar o “projecto europeu” para o patamar seguinte, melhorando-o e aprofundando-o para lhe dar consistência.
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Mas tal não está a acontecer. Os políticos europeus parecem muito envolvidos em inúteis jogos florais de retórica e de maneirismos e pouco interessados em (ou incapazes de) produzirem trabalho útil. Entretanto, o mundo modifica-se rapidamente e alguns dos seus protagonistas alcançam novas metas de desenvolvimento e autoafirmação, enquanto a Europa parece apenas contemplar o seu umbigo. Entretanto perde-se tempo, porque o comboio da globalização não espera. E a Europa continua a perder terreno e a secundarizar-se cada vez mais.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Guiné-Bissau, uma sucursal da Colômbia

A comissária europeia responsável pelas Relações Externas, Benita Ferrero-Waldner, disse hoje em Estrasburgo que os assassínios de «Nino» Vieira e de Tagmé Na Waié demonstraram a «máxima importância» de combater o tráfico de droga na Guiné-Bissau.

A comissária europeia falava num debate no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, sobre a situação na Guiné-Bissau, na sequência dos assassínios do Presidente João Bernardo «Nino» Vieira e do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, general Tagmé Na Waié, que condenou «da forma mais veemente».

Apontando que a «presença de narcotraficantes e toda a criminalidade são factores mais preocupantes nos dias de hoje» no país, Ferrero-Waldner lembrou os apoios que a União Europeia já presta à Guiné-Bissau para o combate ao tráfico de droga.

«É necessário um plano muito ambicioso no combate ao narcotráfico, porque é da máxima importância para nós, como constatamos com o sucedido», disse.

A importância de combater o tráfico de droga foi de resto a tónica das intervenções dos eurodeputados que intervieram no hemiciclo, caso do deputado democrata-cristão José Ribeiro e Castro, que lamentou a presença «cada vez mais evidente» e «chocante» do narcotráfico, apontando-a como um dos principais factores para a vulnerabilidade do país.

Já a outra eurodeputada portuguesa a intervir no debate, Ilda Figueiredo, do PCP, sustentou que os acontecimentos de Bissau são ainda resultado do «passado colonial» e apelou a uma maior cooperação da UE, mas sem «ingerências».

A seguir ao período de debates consagrados aos direitos humanos, a assembleia vai adoptar uma resolução sobre a Guiné-Bissau, na qual sublinha a necessidade de se combater o tráfico de droga, considerando que a «presença crescente de interesses ligados ao narcotráfico» contribui em muito para a instabilidade que se vive no país.

«Nino» Vieira foi morto a 02 de Março durante um ataque de militares à sua residência, horas depois de um atentado à bomba ter morto Tagmé Na Waié.

Diário Digital / Lusa

sexta-feira, 6 de março de 2009

A tragédia da Guiné. e o reinado da droga


“Guiné: já há suspeitos da morte de Tagmé

O chefe da comissão militar que assumiu o controlo das Forças Armadas da Guiné Bissau, Zamora Induta, revelou a existência de suspeitos da autoria do atentado à bomba que matou o Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, Tagmé Na Waié. Zamora Induta, citado pela Lusa, considera que «revelar nomes de suspeitos é especulação. Convém guardarmos este segredo e esperarmos a conclusão dos inquéritos».

Pode ler-se no “Portugal Diário”

E quando é que a Interpol vai para o terreno deter os traficantes de droga que já tomaram conta da Guiné-Bissau e são responsáveis por mais esta tragédia?

Ou muito me engano, ou enquanto os narcotraficantes que agem livremente em Bissau não forem neutralizados, a Guiné-Bissau não será um Estado viável, como os guineenses pretendem e merecem.

Ainda há dúvidas acerca dos responsáveis pelo atentado ao CEMGA, que provocou “a represália” que culminou no assassinato de Nino Vieira?

Ainda há dúvidas de quem partiu a decapitação do Poder de Estado na Guiné-Bissau? Desde que houve conhecimento do que em Bissau se passou, “O Cacimbo” foi de opinião que o narcotráfico já é um “estado dentro do Estado”…

O Cacimbo tem acompanhado estes trágicos acontecimentos com a devida atenção, por exemplo:

COMUNICADO DO MIL SOBRE A SITUAÇÃO DA GUINÉ-BISSAU

E, antes disso:

Gato escondido com rabo de fora

Como, desde o início das notícias:

Nino Vieira assassinado

E também:

Reacção da CPLP à situação na Guiné-Bissau

Mantemos a opinião – já manifestada nos textos e comentários acima indicados – que:

“A instabilidade política e a violência têm sido uma constante naquele país, onde existem oito etnias e diversos credos religiosos.
Nos últimos anos, a Guiné-Bissau tornou-se uma placa giratória do tráfico de droga, o que veio acrescentar mais problemas graves aos que já existiam.
Tudo isto criou condições que faziam prever os acontecimentos desta madrugada em Bissau.
Acresce que o sobre-dimensionado exército guineense tem relações estreitas - que já vêm da luta pela independência - com os militares da vizinha Guiné Conakry e, neste país, reina actualmente uma junta militar.”