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sexta-feira, 15 de maio de 2009

Humberto Delgado..."O General sem Medo"...103º aniversário do seu nascimento...

Humberto da Silva Delgado (Brogueira, Torres Novas, 15 de Maio de 1906 — Villanueva del Fresno, 13 de fevereiro de 1965) foi um militar português da Força Aérea que corporizou o principal movimento de tentativa de derrube da ditadura salazarista através de eleições, tendo contudo sido derrotado nas urnas, num processo eleitoral que deu a vitória ao candidato do regime ditatorial vigente, Américo Tomás.
Biografia
Frequentou o Colégio Militar, cujo curso concluiu em 1922. Em 1925 entrou na Escola Prática de Artilharia, de Vendas Novas.
Participou no movimento militar de 28 de Maio de 1926, que derrubou a República liberal e implantou em Portugal a Ditadura Militar que, poucos anos mais tarde, em 1933, iria dar lugar ao Estado Novo liderado por Salazar.
Durante muitos anos apoiou as posições oficiais do regime salazarista, particularmente o seu anticomunismo. A sua atitude política favorável ao regime e as qualificações técnicas obtidas nos Estados Unidos levam-no a ascender rapidamente na escala hierárquica (será o general mais jovem da Força Aérea, ascendendo a este posto com apenas 47 anos) e a ocupar posições de destaque.
Foi procurador da Câmara Corporativa entre 1951 e 1952.
Representou Portugal nos acordos secretos com o Governo Inglês sobre a instalação das Bases Aliadas nos Açores.
Apesar de ser originalmente conotado com as franjas ultras do regime (ultra apoiante ao regime, conservador), a partir da década de 1950 e após ter sido preterido por Salazar para um importante cargo que ambicionava (Salazar procurou compensá-lo nomeando-o Chefe da Missão Militar Portuguesa a Washington, de 1952 a 1957), passou a defender o ideal democrático e participou activamente na oposição.
Participou nas eleições presidenciais de 1958, contra o almirante Américo Tomás (apoiado por Salazar), reunindo em torno da sua candidatura toda a oposição ao regime. Numa famosa entrevista realizada pelo jornalista Mário Neves em 10 de Maio de 1958 no café Chave de Ouro, quando lhe foi perguntado que postura tomaria face ao primeiro-ministro (Presidente do Conselho dos Ministros) António de Oliveira Salazar, respondeu com a célebre frase “obviamente, demito-o”, que ainda hoje é frequentemente citada na política portuguesa em diversos contextos e variações.
Foi a frase de declaração de guerra ao regime. Devido à sua coragem de dizer em público palavras pouco respeitosas e agressivas para o regime e para Salazar, ele foi cognominado ora de “General sem Medo”.
Esta frase célebre incendiou os espíritos das pessoas oprimidas pelo regime salazarista que o apoiaram e o aclamaram durante a campanha com particular destaque para a entusiástica recepção popular na Praça Carlos Alberto no Porto a 14 de Maio de 1958.
Nas eleições presidenciais de 1958 acabou por ser derrotado graças à gigantesca fraude eleitoral montada pelo regime.
Em 1959, na sequência da derrota, vítima de represálias por parte da polícia política, pede asilo político na Embaixada do Brasil, seguindo depois para o exílio na Argélia.
Convencido de que o regime não poderá ser derrubado pelos meios pacíficos procura atrair as chefias militares para um golpe de Estado. Este golpe foi por fim executado em 1962 e planeou tomar de assalto o quartel de Beja e outras posições estratégicas e importantes de Portugal.
A revolta fracassou.
Pensando vir ao encontro de opositores do regime do Estado Novo, confiando em Mário de Carvalho, dirige-se a Badajoz. Ao seu encontro, na fronteira Espanhola em Villanueva del Fresno (Espanha, nos arredores de Olivença), é enviado um comando da PIDE, liderado por Rosa Casaco que o assassinou a tiro (quem o matou foi Casimiro Monteiro, facto provado em tribunal, bem como à sua secretária).
Morre assim na fronteira, sem ter conseguido regressar a Portugal, no dia 13 de Fevereiro de 1965.
Em 1990 foi nomeado Marechal da Força Aérea. O seu corpo está, agora, no Panteão Nacional.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

HOMENAGEM A HUMBERTO DELGADO

HUMBERTO DELGADO FOI MORTO À PAULADA

O Porto, que "guarda os homens livres no âmago do seu coração", homenageou ontem Humberto Delgado, cinquenta anos depois do general, na abertura da campanha para as presidenciais, ser recebido por uma multidão impressionante. Nesse dia, prometeu deixar à cidade o seu coração, o Porto ergue-lhe agora uma estátua e lança um apelo para que seja reposta a verdade sobre a sua morte.

Foi Artur Santos Silva, durante a apresentação do volumoso livro Humberto Delgado/ Biografia do General Sem Medo, ontem de manhã, que lançou o desafio. Essa obra, escrita por Frederico Delgado Rosa, neto do biografado, deve ser o ponto de partida para amplo debate público e "relançamento do julgamento de Humberto Delgado". Porque o general, oposicionista de Salazar, "não foi morto a tiro, mas à paulada, num acto premeditado".

A brigada PIDE, que em 1965 assassinou o general Delgado na zona de Badajoz (Espanha), já levava consigo "ácido sulfúrico e cal" para precipitar a decomposição do cadáver, disse Santos Silva. O autor da biografia não confirma a presença de ácido sulfúrico, mas está provada a existência de cal. O relatório da autópsia, que as autoridades espanholas elaboraram, demonstra, sublinha Delgado Rosa, que o seu avô morreu na sequência de um "espancamento selvático". Mas esse facto "não convinha aos juízes do Tribunal de Santa Clara", Lisboa, que, em 1978, julgaram os elementos da polícia política, autores da cilada na zona de Badajoz.

O tribunal, que recusou o relatório das autoridade espanholas e a realização de uma nova autópsia, "fabricou uma mentira estrondosa", acusa o biógrafo do General sem Medo. "A morte a tiro fez do autor material o único bode expiatório, os restantes elementos foram assim ilibados." Os juízes defenderam a tese de que "a brigada da PIDE não foi para matar, mas para prender o general".

A homenagem ao general, 50 anos depois de passar pelo Porto e abrir caminho à queda da Ditadura, foi uma iniciativa da Fundação Humberto Delgado, Governo Civil e Câmara do Porto. A estátua, da autoria de José Rodrigues, que mostra Delgado envolto numa bandeira nacional, na Praça de Carlos Alberto, fica a escassos metros da antiga sede de candidatura do candidato oposicionista a Salazar. Na cerimónia intervieram também o autarca Rui Rio, o ministro Augusto Santos Silva, Isabel Oneto, governadora civil, Iva Delgado e Coelho dos Santos, que integrava a campanha de Delgado em 1958.

O que aconteceu no Porto, há 50 anos, com uma multidão estimada em 200 mil pessoas a receber Humberto Delgado, segundo Iva Delgado, filha do general, foi uma verdadeira revolução. "Foi um momento de paixão pela liberdade", disse. Por seu turno, Rui Rio lembrou que o povo do Porto, ao apoiar Delgado em 1958, demonstrou mais uma vez "ter razão antes do tempo".

In DN

15 DE MAIO, DA SEMENTEIRA À COLHEITA

NASCIDO A 15 DE MAIO

Humberto da Silva Delgado (Brogueira, Torres Novas, 15 de Maio de 1906 — Villanueva del Fresno, 13 de fevereiro de 1965) foi um militar português da Força Aérea que corporizou o principal movimento de tentativa de derrube da ditadura salazarista através de eleições, tendo contudo sido derrotado nas urnas, num processo eleitoral que deu a vitória ao candidato do regime ditatorial vigente, Américo Tomás. Era conhecido como o General Sem Medo.

Frequentou o Colégio Militar, cujo curso concluiu em 1922. Em 1925 entrou na Escola Prática de Artilharia, de Vendas Novas. Participou no movimento militar de 28 de Maio de 1926, que derrubou a República liberal e implantou em Portugal a Ditadura Militar que, poucos anos mais tarde, em 1933, iria dar lugar ao Estado Novo liderado por Salazar. Durante muitos anos apoiou as posições oficiais do regime salazarista, particularmente o seu anticomunismo. A sua atitude política favorável ao regime e as qualificações técnicas obtidas nos Estados Unidos levam-no a ascender rapidamente na escala hierárquica (será o general mais jovem da Força Aérea, ascendendo a este posto com apenas 47 anos) e a ocupar posições de destaque.

Foi procurador da Câmara Corporativa entre 1951 e 1952. Representou Portugal nos acordos secretos com o Governo Inglês sobre a instalação das Bases Aliadas nos Açores. Apesar de ser originalmente conotado com as franjas ultras do regime (ultra apoiante ao regime, conservador), a partir da década de 1950 e após ter sido preterido por Salazar para um importante cargo que ambicionava (Salazar procurou compensá-lo nomeando-o Chefe da Missão Militar Portuguesa a Washington, de 1952 a 1957), passou a defender o ideal democrático e participou activamente na oposição.

Participou nas eleições presidenciais de 1958, contra o almirante Américo Tomás (apoiado por Salazar), reunindo em torno da sua candidatura toda a oposição ao regime. Numa famosa entrevista realizada pelo jornalista Mário Neves em 10 de Maio de 1958 no café Chave de Ouro, quando lhe foi perguntado que postura tomaria face ao primeiro-ministro (Presidente do Conselho dos Ministros) António de Oliveira Salazar, respondeu com a célebre frase “obviamente, demito-o”, que ainda hoje é frequentemente citada na política portuguesa em diversos contextos e variações. Foi a frase de declaração de guerra ao regime. Devido à sua coragem de dizer em público palavras pouco respeitosas e agressivas para o regime e para Salazar, ele foi cognominado ora de “General sem Medo” ora de “General sem Juízo”. Esta frase célebre incendiou os espíritos das pessoas oprimidas pelo regime salazarista que o apoiaram e o aclamaram durante a campanha (com particular destaque para a entusiástica recepção popular no Porto).

Nas eleições presidenciais de 1958 acabou por ser derrotado graças à gigantesca fraude eleitoral montada pelo regime.

Em 1959, na sequência da derrota, vítima de represálias por parte da polícia política, pede asilo político na Embaixada do Brasil, seguindo depois para o exílio na Argélia.

Convencido de que o regime não poderá ser derrubado pelos meios pacíficos procura atrair as chefias militares para um golpe de Estado. Este golpe foi por fim executado em 1962 e planeou tomar de assalto o quartel de Beja e outras posições estratégicas e importantes de Portugal. A revolta fracassou.

Manipulado pela PIDE que conseguiu infiltrar um agente que se fazia passar por opositor ao regime, é convencido por ele a vir a Portugal contactar militares opositores ao regime que o aguardariam na fronteira.

Ao seu encontro, na fronteira Espanhola em Villanueva del Fresno (Espanha, nos arredores de Olivença), é enviado um comando da PIDE, liderado por Rosa Casaco que o assassinou a tiro, bem como à sua secretária. Morre assim na fronteira, sem ter conseguido regressar a Portugal, no dia 13 de Fevereiro de 1965.

Em 1990 foi nomeado Marechal da Força Aérea. O seu corpo está, agora, no Panteão Nacional.


EMPOSSADO A 15 DE MAIO

António Sebastião Ribeiro de Spínola (Estremoz, 11 de Abril de 1910 — Lisboa, 13 de Agosto de 1996), político e militar português, foi o décimo quinto Presidente da República Portuguesa (o primeiro após o golpe do 25 de Abril de 1974).

Estudou no Colégio Militar em Lisboa. Foi nomeado governador militar da Guiné-Bissau em 1968, e de novo em 1972, no auge da Guerra Colonial, nesse cargo, o seu grande prestígio tem origem numa política de respeito pela individualidade das etnias guineenses e à associação das autoridades tradicionais à administração, ao mesmo tempo que continuava a guerra por todos os meios ao seu dispor que iam da diplomacia secreta (encontro secreto com Léopold Sédar Senghor presidente do Senegal) e incursões armadas em países vizinhos (ataque dos Comandos a Conakri, Operação Mar Verde).

Em Novembro de 1973, regressado à metrópole, foi convidado por Marcello Caetano, para a pasta do Ultramar, cargo que recusou, por não aceitar a intransigência governamental face às colónias.

A 17 de Janeiro de 1974, foi nomeado vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, por sugestão de Costa Gomes, cargo de que foi afastado em Março. Pouco tempo depois, mas ainda antes da Revolução dos Cravos, publica Portugal e o Futuro, onde expressa a ideia de que a solução para o problema colonial português passava por outras vias que não a continuação da guerra.

A 25 de Abril de 1974, como representante do Movimento das Forças Armadas, recebeu do Presidente do Conselho de Ministros, Marcello Caetano, a rendição do Governo (que se refugiara no Quartel do Carmo). Isto permitiu-lhe assumir assim os seus poderes públicos, apesar de essa não ter sido a intenção original do MFA.

Instituída a Junta de Salvação Nacional (que passou a deter as principais funções de condução do Estado após o golpe), à qual presidia, foi escolhido pelos seus camaradas para exercer o cargo de Presidente da República, cargo que ocupará de 15 de Maio de 1974 até à sua renúncia em 30 de Setembro do mesmo ano, altura em que foi substituído pelo general Costa Gomes.

Descontente com o rumo dos acontecimentos em Portugal após o 25 de Abril (designadamente pela profunda viragem à esquerda, à qual eram afectos grande número de militares, e a perspectiva de independência plena para as colónias), tenta intervir activamente na política para evitar a aplicação completa do programa do MFA; a sua demissão da Presidência da República após o golpe falhado de 28 de Setembro de 1974 (em que apelara a uma «maioria silenciosa» para se fazer ouvir contra a radicalização política que se vivia), ou o seu envolvimento no golpe do 11 de Março de 1975 (e fuga para a Espanha e depois para o Brasil) são disso exemplos.

Não obstante, a sua importância no início da consolidação do novo regime democrático foi reconhecida oficialmente em 5 de Fevereiro de 1987, pelo então Presidente Mário Soares, que o designou chanceler das antigas ordens militares portuguesas, tendo-lhe também condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada (a maior insígnia militar portuguesa), pelos «feitos de heroísmo militar e cívico e por ter sido símbolo da Revolução de Abril e o primeiro Presidente da República após a ditadura».

A 13 de Agosto de 1996, Spínola morre aos 86 anos, vítima de embolia pulmonar.

terça-feira, 29 de abril de 2008

HUMBERTO DELGADO, 50 ANOS DEPOIS

Comemora-se no mês de Maio o Cinquentenário da mítica campanha eleitoral do General Sem Medo, que desafiou Salazar através da célebre frase "Obviamente demito-o!". Candidato à Presidência da República, Humberto Delgado galvanizou multidões de Norte a Sul, mas foi vítima de uma das maiores fraudes eleitorais da História.

As comemorações são iniciadas na Assembleia da República no dia 7 de Maio, com o lançamento nacional da primeira biografia de Humberto Delgado, escrita pelo seu neto Frederico Delgado Rosa. A obra é apresentada por Judite de Sousa e pelo General Pezarat Correia. A actriz Alexandra Lencastre faz a leitura de excertos, relativos à violência policial durante a campanha eleitoral. A cerimónia tem lugar no átrio principal do Palácio de São Bento, às 19h00 (entrada livre), e conta com a presença do Presidente da Assembleia da República. Editado pela Esfera dos Livros, o livro «Humberto Delgado. Biografia do General Sem Medo» desvenda factos totalmente desconhecidos até hoje e acusa a Justiça Portuguesa de ter fabricado uma mentira deliberada a respeito do assassínio, aquando do julgamento dos pides, concluído em 1981.

Um dos pontos altos do Cinquentenário é a inauguração da estátua de Humberto Delgado no Porto, na Praça Carlos Alberto, a 14 de Maio de 2008, exactamente cinquenta anos depois da lendária chegada de Humberto Delgado à Cidade Invicta, onde o aguardava uma multidão de mais de duzentas mil pessoas que o aclamaram no percurso da estação de São Bento até à sede da sua candidatura na Praça Carlos Alberto. A estátua em bronze é da autoria do escultor José Rodrigues. O Porto está em festa durante toda a jornada de 14 de Maio, com diversas iniciativas culturais e manifestações de rua, promovidas pelo Governo Civil do Porto, pela Câmara Municipal do Porto e pela sociedade civil.

No dia 16 de Maio, é a vez de Lisboa homenagear o General Sem Medo e todos os que lutaram pela Liberdade em Portugal. Nesse dia comemora-se o Cinquentenário da chegada de Humberto Delgado a Santa Apolónia, que foi um dos momentos mais repressivos em toda a História da capital. No cais de embarque daquela estação, às 15h30, é descerrada pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, uma lápide com a efígie de Humberto Delgado e uma evocação da violência exercida pelo regime salazarista.

No dia 10 de Maio, a RTP estreia o documentário «Obviamente demito-o!», realizado por Lauro António para celebrar o Cinquentenário das Eleições de 58. No teatro "A Barraca", estreia-se a peça de teatro «Obviamente demito-o!», da autoria de Hélder Costa. No Teatro Nacional D. Maria II, estreia-se a peça «Maio de 58», de António Torrado, igualmente com Humberto Delgado por protagonista. Promovidas pela Fundação Humberto Delgado e por diversas autarquias e instituições locais, as comemorações prolongam-se um pouco por todo o país, com efemérides em Coimbra, Santarém, Braga, Chaves, Viana do Castelo, Almada, Póvoa de Varzim, Penafiel, Gouveia, Alpiarça e Barreiro, com a participação de Fernando Dacosta, Irene Pimentel, Diana Andringa, Fernando Rosas, Baptista Bastos, entre outros. O ISCTE realiza um colóquio universitário no dia 20 de Maio, intitulado «Humberto Delgado 50 Anos Depois». A Câmara Municipal de Lisboa promove um ciclo de conferências abertas no Museu da República e da Resistência, bem como visitas guiadas, seguindo o roteiro da campanha eleitoral de Humberto Delgado na capital.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

O MINISTRO NÃO SABIA


O ministro da Justiça disse esta quarta-feira «não ter conhecimento» que o processo relativo ao homicídio de Humberto Delgado estava a deteriorar-se numa cave de um tribunal, onde foi encontrado pelo investigador e neto do general, noticia a Lusa.

«Não me chegou nenhuma referência ao que agora foi mencionado», afirmou Alberto Costa, no final da entrega do processo, com 18 volumes, ao Arquivo Distrital de Lisboa (Torre do Tombo).

O governante revelou ter mantido contactos duas vezes esta semana com familiares de Humberto Delgado e nunca lhe ter sido referida a situação de abandono em que foi encontrado o processo no Tribunal da Boa-Hora, Lisboa.

O caso foi relatado terça-feira à Agência Lusa por Frederico Delgado Rosa, neto do general assassinado pela PIDE, em 1965, em território espanhol junto à fronteira portuguesa.

Aproveitando o facto da cerimónia decorrer na sala onde funcionava o Tribunal Plenário de Lisboa, que julgava os opositores à ditadura, Alberto Costa referiu que só no ano a seguir à campanha presidencial de Delgado foram presas 3.811 pessoas, 256 das quais julgadas naquele espaço entre Outubro de 1959 e Agosto de 1960.

Apesar dos apoiantes do general assegurarem que Humberto Delgado venceu as eleições de 1959, a vitória foi atribuída ao candidato do regime, Américo Tomás.

A frase fatal que provocou a falcatrua eleitoral e acabou por custar a vida ao “General Sem Medo” foi apenas a resposta a um jornalista que lhe perguntou o que faria a Salazar se ganhasse as eleições:

“Obviamente, demito-o!”

Actualmente vivemos formalmente em democracia e ninguém é assassinado por se opor a quem governa. Mas desde o famoso caso do professor Charrua – alvo de um processo disciplinar e demitido de funções por se referir em termos jocosos ao primeiro-ministro – o clima de medo e suspeição (re)instalou-se na sociedade portuguesa.