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terça-feira, 14 de julho de 2009

Morreu Palma Inácio


Ao ser libertado do Forte de Caxias após 25 de Abril de 1974

Palma Inácio não resistiu a doença prolongada e morreu, esta terça-feira, em Lisboa.

De acordo com o presidente da concelhia de Lisboa do PS, Miguel Coelho, que confirma a notícia à Agência Lusa, o corpo de Palma Inácio vai ser velado na sede nacional do partido, no Largo do Rato, em Lisboa.

Hermínio da Palma Inácio nasceu em 1922 e teve uma vida marcada pelo combate contra o Estado Novo. Chegou a ser preso, diversas vezes, pela PIDE. Protagonizou uma fuga histórica da prisão de Aljube. No dia em que se deu a revolução de Abril, Palma Inácio estava preso em Caxias, onde recebeu, por código morse, as primeiras notícias da Revolução.

Em 1956, protagonizou o primeiro desvio de um voo comercial de que há registo, durante o qual um avião da TAP sobrevoou Lisboa, Barreiro, Setúbal, Beja e Faro a baixa altitude para lançar cerca de 100 mil panfletos com apelos à revolta popular contra a ditadura.

Em 2000, o Presidente da República Jorge Sampaio, atribuiu-lhe a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, que lhe foi imposta por Manuel Alegre.

In Portugal Diário

Palma Inácio fez da sua vida a bandeira da liberdade

Considerado «perigoso» foi preso e torturado pela PIDE. O amor pela liberdade nunca o deixou vergar-se perante a ditadura

Participou numa tentativa de golpe de Estado, protagonizou o primeiro desvio político de um avião, participou no assalto ao Banco de Portugal na Figueira da Foz, planeou tomar a Covilhã. Aos 85 anos, Hermínio da Palma Inácio vai ser homenageado na sua terra-natal, Ferragudo.

Foi nesta pequena aldeia de pescadores, no concelho de Lagoa, que nasceu em 1922, mas passou a juventude em Tunes, no concelho de Silves.

Hermínio Palma Inácio foi um homem de combate pela liberdade e pela democracia.

Sem partido ou ideologia, Palma Inácio, como um verdadeiro homem da terra, arregaçou as mangas e pôs mãos à obra contra a ditadura de Salazar. Ditadura que estrangulou Portugal durante 48 anos.

Desde jovem que mostrou garra e vontade de mudar o cenário político. Aos 18 anos, abandonou Tunes e alistou-se voluntariamente na Aeronáutica Militar, sendo colocado na Base Aérea nº 1, em Sintra.

Aqui tirou o curso de mecânico de aeronaves e o de piloto civil para aviação comercial. Foi também nesta altura que estabeleceu relações com Humberto Delgado e com os círculos contestatários a Salazar.

Jovem sonhador e amante da liberdade, Palma Inácio viveu tentando cumprir a missão da sua vida: devolver a liberdade ao povo português.

«Conheci-o em Paris, em 1969. Ele tinha acabado de fugir da cadeia», relembrou o médico Ruy Pereira, amigo do tempo de exílio em França, que hoje vive no concelho de Lagoa.

«Encontrámo-nos como resistentes antifascistas. Palma era um combatente. Sempre preocupado com a acção. A sua única obsessão era a acção», contou ao «barlavento» Ruy Pereira.

Palma Inácio conseguiu sempre fugir aos tentáculos da PIDE, tendo, pelo meio, protagonizado algumas das mais rocambolescas acções de luta pelo derrube da Ditadura.

Em 1947, participou numa tentativa de golpe de Estado, ao lado de vários oficiais generais, entre eles o general Marques Godinho. O papel de Palma Inácio consistia em sabotar os aviões. Cumpriu a missão como planeado, mas a operação correu mal.

Começou aqui a sua primeira fuga. Foi preso perto de Loures e encarcerado no Aljube. Torturado durante doze dias e impedido de falar durante cinco meses, Palma Inácio nunca revelou o nome do oficial que o tinha incumbido da operação.



«Nós dizíamos que as celas [no Aljube] eram as gavetas. Tinham qualquer coisa como três metros por um metro e meio. Mantinham os presos isolados, para os intimidar. Era uma grande pressão psicológica, nomeadamente através da supressão do sono. Palma passou muitos dias em supressão de sono», explicou o amigo Ruy Pereira.

Mas nada demoveu Palma Inácio. «Era um homem de combate à ditadura. A essência da sua luta era o derrube da ditadura e conquista da liberdade», asseverou Ruy Pereira.

O algarvio fleumático protagonizou também o primeiro desvio político de um avião, que haveria até de fazer as manchetes nos jornais internacionais.

Na manhã de 10 de Novembro de 1961, véspera das eleições gerais em Portugal, Palma Inácio e mais quatro operacionais tomaram de assalto o avião da TAP que fazia o percurso Casablanca para Lisboa, obrigando o piloto a sobrevoar a capital a baixa altitude, lançando panfletos antifascistas sobre a capital portuguesa.

Mas foi o assalto ao Banco de Portugal da Figueira da Foz que fez correr muita tinta nos jornais. O grupo de operacionais que acompanhavam Palma Inácio, e que viriam a formar a LUAR (Liga de Unidade e Acção Revolucionária), estudaram as alternativas para angariar fundos para a sua causa.

Para os revolucionários, deveria ser o próprio regime a pagar as ofensivas revolucionárias. O assalto ao Banco de Portugal da Figueira da Foz foi considerado o mais rude golpe de que há memória nas finanças da Ditadura.

O grupo levou cerca de 30 mil contos, fugiu num avião, que o trouxe até Vila do Bispo, de onde fugiu de carro para Espanha e depois França.

Depois deste, talvez o seu plano mais arrojado tenha sido a tentativa de tomada da Covilhã. Tomar a cidade, fazendo explodir todos os seus acessos, nomeadamente estradas e pontes, era um dos objectivos desta operação da LUAR.

No entanto, foi uma tentativa mal conseguida. Palma Inácio foi preso, seguiu para Lisboa para depois ser julgado no Porto. Através da ajuda da sua irmã, a residir em Londres, o algarvio evadiu-se novamente da prisão, sem deixar rasto.

«O que mais admiro nele é a sua coragem, a sua honestidade em relação à luta. Tinha e tem uma personalidade íntegra, era muito preocupado com os aspectos pragmáticos», contou Ruy Pereira.

Considerado pela PIDE como um dos indivíduos mais perigosos, quem o conheceu de perto sabe bem o valor de um homem que tudo fez para lutar contra a repressão.

«Era uma pessoa calma. Comunicava segurança. Era desportista, tinha uma grande disciplina física e mental. O Palma era corajoso e a sua presença dava coragem aos outros».

Hoje, com 85 anos, Palma Inácio reside num lar em Lisboa, fundado por antigos alunos da denominada «Velha Guarda Casapiana».

Em breve, a terra o que o viu nascer vai prestar homenagem ao homem que se «casou com a revolução».


«Revolucionário ingénuo» preocupado com as suas gentes

Era ainda um jovem quando se alistou na Aeronáutica Militar. Aí aprendeu a profissão de mecânico e tirou o curso de piloto civil para a aviação comercial. O monstro da II Guerra Mundial pairava sobre a Europa.

Atento ao racionamento de comida a que os seus conterrâneos estavam sujeitos, pegou num avião Tiger e lançou pelos ares alimentos.

Numa entrevista à revista «Grande Reportagem», em 2000, o contestatário algarvio explicou que, durante a II Guerra, «havia falta de comida, sobretudo daquela que os portugueses mais gostavam, o bacalhau. E havia na Figueira da Foz uma grande seca de bacalhau que tinha ao lado um campo de aviação pequeno. Nós íamos lá, aterrávamos, comprávamos o bacalhau, embrulhávamos o bacalhau em plástico e depois lançava-o sobre Tunes [no Algarve]».

Ferragudo mostra orgulho em Palma Inácio

Nasceu na vila de Ferragudo, em 1922, no seio de uma família humilde de ferroviários. Na altura em que se comemoram os 33 anos da Revolução de 25 de Abril, a Junta de Freguesia de Ferragudo vai homenagear Hermínio da Palma Inácio.

No dia 1 de Maio, às 11 horas, será atribuído o seu nome a um largo da vila, seguindo-se a inauguração de uma exposição sobre Palma Inácio, na ACD Ferragudo.


Texto de Mara Dionísio, publicado no Jornal Barlavento na sua edição on-line

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Biografia de Francisco Martins Rodrigues


21 de Abril

Lançamento de

História de uma Vida

de Francisco Martins Rodrigues,

no 1º aniversário da sua morte

18 h, Museu da República, Rua Alberto de Sousa, nº 10 A, ao Rego

1600-002 Lisboa

Vamos também passar um filme com imagens dele, ler pequenos extractos do livro, exibir uma

exposição bio-iconográfica, vender livros Dinossauro e a Política Operária, e convidar meia dúzia

de assistentes a falar sobre o Chico. Gostaríamos de contar com a tua presença.

EDIÇÕES DINOSSAURO

História de uma Vida

Francisco Martins Rodrigues

136 páginas - PVP: 13,65 euros

ISBN: 978-972-8165-52-9

Francisco Martins Rodrigues (FMR) nunca compôs uma autobiografia.

O seu

Os Anos do Silêncio, livro publicado pelas edições Dinossauro em

2008, eram um projecto ainda sob forma de notas e registo de recordações,

para ser completado quando houvesse tempo. Foi esse tempo que lhe

faltou.

Assim, compusemos uma "autobiografia" a partir de respostas de FMR

a várias entrevistas. Esta montagem de relatos na primeira pessoa foi

possível a partir de depoimentos seus ao longo dos últimos dez anos,

que de certo modo reconstituem os passos mais importantes da sua vida.

Acompanhados de comentários e reflexões pessoais sobre os temas

políticos que o preocuparam ao longo desse trajecto, são transcrições

fiéis e literais do que ele disse, sem nenhum acrescento de outros autores.

Por isso lhe demos a autoria sem partilhas.



Recebido por email

segunda-feira, 23 de março de 2009

Durão Barroso revolucionário...

Durão Barroso e o ensino burguês
...
"Julgo que a proposta aprovada hoje neste plenário de estudantes candidatos ao primeiro ano e apresentada pela sua inter comissões de luta, órgão que todos souberam erguer para poder fazer avançar a luta é uma proposta inteiramente justa e que conduz no sentido correcto da luta .

Que é no sentido de ingresso imediato da sua aplicação desde já e de exigir das autoridades governamentais a legalização; pois nós temos que ver que esta questão da luta contra o serviço cívico, que já foi vista o ano passado e temos que seja quem for que está no ministério da educação e da investigação cientifica, chamemos-lhe assim, defende essa medida, medida essa que não é mais que o reflexo da crise do sistema de ensino burguês, e medida essa que é inteiramente incorrecta, anti operária e anti popular que lança estudantes contra trabalhadores e trabalhadores contra estudantes."

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Eduardo Mondlane...Foi um dos fundadores e 1º Presidente da FRELIMO...40º aniversário da sua morte...

Eduardo Chivambo Mondlane (Manjacaze, Gaza 20 de Junho de 1920 - Dar es Salaam 3 de Fevereiro de 1969) foi um dos fundadores e primeiro presidente da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), a organização que lutou pela independência de Moçambique do domínio colonial português.
O dia da sua morte, assassinado por uma encomenda-bomba, é celebrado em Moçambique como o Dia dos Heróis Moçambicanos.
Biografia

sábado, 14 de junho de 2008

terça-feira, 22 de abril de 2008

PARTIU FRANCISCO MARTINS RODRIGUES

Francisco Martins Rodrigues fundou movimento marxista-leninista português

O fundador do primeiro movimento marxista-leninista português, Francisco Martins Rodrigues, morreu esta madrugada em Lisboa, com 81 anos, refere a Lusa.

Amigos do antigo dirigente revolucionário disseram também que o funeral realiza-se quarta-feira às 13:30 no Cemitério do Alto São João, onde o corpo será cremado.

Francisco Rodrigues Martins pertenceu ao Comité Central do PCP, partido que abandonou no final de 1963 por discordar das posições pro-soviéticas de Cunhal e no ano seguinte fundou o Comité Marxista-Leninista Português.

Esteve várias vezes preso pela PIDE, a última das quais entre 1965 e o derrube do antigo regime, em Abril de 1974.

Francisco Martins Rodrigues protagonizou a principal cisão no PCP, foi ideólogo da extrema-esquerda em Portugal e fundou o Comité Marxista-Leninista Português (CMLP), de que a UDP foi herdeira.

Figura mítica da oposição antifascista, pertenceu à direcção, na clandestinidade, do PCP, já liderado por Álvaro Cunhal, com quem fugiu, da prisão de Peniche, em 1961.

Polémico, Martins Rodrigues foi-se afastando (ou expulso, no caso da UDP) dos vários grupos em que se subdividiu a extrema-esquerda e a que se foi ligando, antes e depois do 25 de Abril de 1975.

Até ao fim, afirmou-se revolucionário. Numa entrevista ao diário «A Capital», em 2003, dizia que os revolucionários não elegem deputados, numa critica à «esquerda cor-de-rosa» do Bloco de Esquerda. E no ano seguinte defendeu que só é possível derrubar o capitalismo «pela força».

In “Portugal Diário”

Nos últimos anos de vida, e depois de ter saído da UDP, Francisco Martins Rodrigues, sem nunca abandonar a intervenção política, criou as edições "Dinossauro" e fundou a revista "Política Operária" de que era director.

Fuga de Peniche

A famosa fuga de Peniche foi uma das mais espectaculares da história do fascismo português, por se tratar de uma das prisões de mais alta segurança do Estado Novo.

No dia 3 de Janeiro de 1960 evadem-se do forte de Peniche: Álvaro Cunhal, Joaquim Gomes, Carlos Costa, Jaime Serra, Francisco Miguel, José Carlos, Guilherme Carvalho, Pedro Soares, Rogério de Carvalho e Francisco Martins Rodrigues.