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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Bocas presidenciais


Cavaco Silva:
"Não tínhamos poupanças
debaixo do colchão"


PR diz que perdeu «muito dinheiro» do que tinha em quatro bancos.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Tiro ao alvo

Nacionalização do BPN

proposta num parágrafo

A decisão de nacionalizar o BPN baseou-se num parágrafo de sete linhas, constante no parecer do Banco de Portugal enviado ao Ministério das Finanças, dois dias antes da nacionalização.

É o que dá aplicar o simplex em inglês técnico.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Bocas à portuguesa

Oliveira e Costa, durante duas longas horas de monólogo - que ainda não terminou - na comissão parlamentar de inquérito sobre o caso BPN, entre outras afirmações, que nada adiantam para o esclarecimento da verdade, deixou cair estas frases:

"O Dr. Dias Loureiro sofre de problemas de ego"

"António Marta é que tinha razão e não Dias Loureiro" (acerca da contradição entre António Marta, à data vice-governador do Banco de Portugal, e Dias Loureiro Admnistrador do BPN)

"A entrada do Dr. Cadilhe no grupo custou 2,5 mais do eu lá ganhei em 10 anos"

E de Paulo Portas, à comunicação social:

"Sinto-me à vontade nas feiras" (isso já se sabia e até lhe vale o epíteto de Paulinho das Feiras)

Tiro no pé



Caso BPN: PS inviabiliza

levantamento do sigilo bancário

Os socialistas argumentam que «não faz sentido» apresentar o pedido agora, que os trabalhos da comissão parlamentar de inquérito estão a terminar

Estes continuam a fazer de nós parvos. Para eles nunca fez sentido, nem fará, levantar o sigilo bancário ou acabar com os offshores. Tiro no pé, em cheio.

A Fisga


CM: «Oliveira e Costa recebe

800 mil por sair do BPN»

E como está hospedado nas instalações da Polícia Judiciária, ainda tem direito a cama, mesa e roupa lavada por conta do Estado.
É caso para dizer que o crime de colarinho branco compensa.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

O Bê-á-Bá do BPN...

A maior fraude financeira na história de Portugal deixou um buraco de pelo menos 1,8 mil milhões de euros.
Os contribuintes estão a pagá-lo, mas muitos não entendem como foi possível.
O esquerda.net faz-lhe um desenho.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Murro na mesa



Freeport: investigação tem sido «lenta e ineficaz»
Honório Novo fala do envolvimento de Sócrates e diz que o clima de suspeição é o pior que pode acontecer

BPN: Comissão de inquérito ameaça recorrer aos tribunais
«Houve omissões, desleixos e ineficácias» do Banco de Portugal, diz Honório Novo

Já ninguém duvida que Honório Novo tem razão.
Urge que alguém, a começar pelo Presidente da República, dê um murro na mesa.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O dérbi do ano...

Explica Álvaro Magalhães em "História natural do futebol" (Assírio & Alvim, 2004) que a palavra "derby", aportuguesada para dérbi, tem origem num sangrento jogo medieval realizado anualmente em Derby, Inglaterra, no qual, durante um dia, 500 jogadores de cada uma das duas metades da cidade disputavam violentamente (a coisa acabava sempre com mortos e feridos) uma bola ao longo da povoação e campos vizinhos.
Foi aí que os jogos de futebol, habitualmente intensos, entre equipas rivais da mesma cidade ou região, como o Sporting-Benfica de amanhã, foram buscar o nome de dérbis. Se o Sporting-Benfica é o dérbi da semana, o do ano é o Freeport-BPN, disputado diariamente na Comunicação Social entre as duas metades do Bloco Central.
O Freeport joga em casa, pelo menos até Outubro, o que é vantagem não negligenciável pois a arbitragem, nestes casos, tende a ser caseira.
Só que ambas as formações têm defesas onde avultam os centrais mais altos do Estado e, posto que o jogo se disputa entre equipas A e B do mesmo respeitável clube de cavalheiros, o resultado mais provável será o português 0-0 do costume.
Manuel António Pina
in JN

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Casos de polícia...

O BPN não foi o único banco nacional com gestão extravagante, digna de análise mais profunda de quem gosta de casos de polícia. No entanto, é nesta instituição de génese tão portuguesa, onde as fraudes, o compadrio, o gasto pornográfico de dinheiro em projectos sem sentido, mais se fizeram notar.
Rui Pedras, actual administrador, disse no Parlamento que as burlas de Oliveira e Costa são de maior dimensão do que as de Madoff, se tivermos em conta o peso no PIB. O buraco nas contas do BPN custará pelo menos 1,8 mil milhões de euros.
As loucuras e erros que, provavelmente de forma injusta, são todos atribuídos a Oliveira e Costa significam quatro dias de riqueza produzida em Portugal. O banqueiro detido não é o único culpado, mas de facto nunca tão poucos roubaram tanto aos contribuintes.
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- As audições parlamentares do BPN têm tido até agora uma vantagem. Demonstram a falta de vergonha e a colaboração interna do banco em enganar as autoridades, mas também deixam em claro a ineficiência da supervisão do Banco de Portugal. As operações delicadas podiam estar escondidas, mas a autoridade não procurou muito.
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- O último trimestre de 2008 foi desastroso. O primeiro de 2009 parece pior. Ninguém sabe quando esta tragédia acaba. E será que haverá retoma depois da crise?
Armando Esteves Pereira
in CM

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

José Sócrates e o BPN...

O engenheiro à porta do BPN, em vez de dar milho aos pombos, distribui notas à fartazana aos gestores do dito cujo...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

BPN: A REALIDADE ULTRAPASSA A FICÇÃO

Em seis semanas sucederam-se a um ritmo vertiginoso as notícias sobre o “caso BPN”. Por mim confesso que a realidade tem, de longe, superado tudo o que eu pudesse imaginar. Dava para argumento de uma série. Não há por aí produtoras interessadas?
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Temos de tudo: um banco com órgãos sociais saídos do bloco central do poder, com predominância para o PSD. Rotatividade anormal e excessiva dos mesmos. Accionistas desconhecidos. Auditoras – que mudam quase de dois em dois anos - , que referenciam negócios cujo contributo para os resultados do banco era difícil de detectar e que vão de oficinas de reparação automóvel, passando pela saúde, seguros, agro-alimentar e até fundos de arte. Auditoras que alertam para a excessiva concentração de créditos concedidos a empresas imobiliárias e com projectos em construção, algumas ligadas a accionistas do grupo. O Banco de Portugal (BdP) tem seis processos abertos e admite agora que as irregularidades remontam ao ano 2002. A Procuradoria-Geral da República está a investigar o banco.
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Um banco que apresenta, a 30 de Outubro de 2008, 700 milhões de euros de prejuízos. Mas que, em 2007, reportou resultados positivos de 77 milhões de euros e, em 2006, de 86 milhões de euros. Um banco que manteve anos a fio taxas de remuneração de depósitos bastante acima da concorrência. Que guarda várias obras de arte no valor de milhões e milhões de euros nos seus cofres-fortes. Mas que motivou ao longo dos anos sucessivos avisos e denúncias sobre a sua eventual associação ao branqueamento de capitais.
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Um banco aparentemente não fiscalizado em condições por quem de direito: o BdP, presidido pelo “funcionário mais bem pago do Estado Português” (Victor Constâncio ganha, anualmente, 281.804,83 euros). Um banco onde administradores executivos e não-executivos, bem como membros dos órgãos sociais, nada viam, nada ouviam, nada liam, logo nada sabiam. Uns incompetentes estranhamente assumidos na primeira pessoa. Apetece perguntar: eram pagos pelos accionistas, a peso de ouro, para serem assim?
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“O Caso BPN” que atinge um ex-ministro e actual conselheiro de Estado, que afirma que quando saiu da política não tinha dinheiro nenhum – o que é manifestamente um exagero. E que nos revelou a todos o segredo da sua fortuna: “Geri o dinheiro com parcimónia, com sensatez.” Deve ter sido por isso que em 1991 comprou e remodelou uma vivenda, no Estoril, por 150 mil contos – dinheiro proveniente de uma herança e venda de propriedades em Coimbra. Antes havia a casa de Sete Rios, comprada por 9600 contos. Depois a nova casa na Quinta Patiño, no Estoril, uma das zonas mais privilegiadas e caras do país (diz-se que cada metro quadrado de terreno custa 5 mil euros). Previdente, quando o BPN explodiu, Dias Loureiro já tinha saído e levado consigo todo o dinheiro que havia investido no banco. O “caso BPN” onde o Presidente da República entende elaborar um comunicado por não poder “tolerar a continuação de mentiras e insinuações visando pôr em causa o [seu] bom-nome”.
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O “caso BPN” onde se fala de um bando de Cabo Verde. De 130 milhões de euros correspondentes à venda de uma empresa no Brasil. De ligações que chegariam a deputados do PSD-Madeira. De membros da comissão política nacional do PSD que se demitiram por não quererem que avançasse a fiscalização da supervisão bancária. De contributos para campanhas eleitorais. De uma ida às corridas a Inglaterra com escala a leste para recolher prostitutas, tudo pago pelo BPN. De reuniões em casas de alterne. De compras de empresas de valor duvidoso em Porto Rico. De Abdul Rahman El-Assir, referenciado como traficante de armas, acusado de ter ligações ao narcotráfico mundial. E de tudo o que mais adiante se verá. Todos os dados foram retirados de jornais, revistas, rádios e televisões de Portugal.
António Vilarigues, Público

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Admirável filme negro...

Agora que a crise ameaçava tirar-nos tudo, incluindo o riso e a boa disposição, eis que o salvífico BPN nos retira da depressão.
Depois de tudo o que é muito sério neste caso – o buraco dos 700 milhões, o branqueamento de capitais, o trânsito incessante do dinheiro para paraísos fiscais, etc., etc. –, eis que as escolhas de Oliveira e Costa a norte nos desatam a gargalhada.
Numa história de novo riquismo absoluto que gera fornadas de gestores executivos e não executivos a arrotar milhões, que belisca a imagem do cavaquismo e nos dá uma ideia aproximada do que é o Bloco Central dos Interesses, faltava um saudável abandalhamento que tornasse a história mais próxima do filme negro ou de um portuguesismo típico nestas histórias.
Pois bem, Oliveira e Costa já deveria pensar em animar esta triste quadra quando escolheu os homens da Créditus no Porto. Uma porta sem fundo, crédito malparado a rodos, jactos privados com meninas de Leste em rápidas incursões ao lazer britânico das corridas de carros, reuniões da administração em casas de alterne, empregadas de limpeza a pedir empréstimos para Audi’s e tudo o mais que há-de vir, enfim, que melhor prenda de Natal poderíamos pedir para poder rir a bandeiras despregadas!?
Que melhor brinde poderiam ter os argumentistas dos futuros filmes e séries sobre o polvo à portuguesa ou o nosso ternurento faroeste bancário!?
Eduardo Dâmaso
in CM

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Caso BPN...Tudo, boa gente...

O culpado do costume
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Os advogados Coito e Tranquada, deputados da respeitável associação política que dá pelo nome de PSD Madeira, vieram esclarecer clientes, amigos & povo em geral que não têm, nem nunca tiveram, nada a ver com o BPN.
Se percebi bem, houve só qualquer coisa relacionada com umas instalações. Por mim, estou esclarecido e continuarei a depositar total confiança em Coito e Tranquada.
O presidente da República também já informou o país de que não tem nada a ver com o BPN. Dias Loureiro, como se sabe depois ter ido à RTP e de o ter jurado "solenemente" em Belém, é quem menos tem a ver com o BPN.
O próprio Oliveira e Costa, apesar de preso, já terá garantido ao Ministério Público (estou a violar o segredo de justiça mas é por uma boa causa) que nem sequer sabe o que é o BPN e que a primeira vez que ouviu falar de tal coisa foi quando a Polícia lhe bateu à porta.
Verifico, inquieto, que sou o único português que tem alguma coisa a ver com o BPN.
De facto, há um balcão do BPN a 20 metros de minha casa e já lá fui ao Multibanco, pelo que começo a temer que seja eu quem vai pagar as favas do escândalo.
Manuel António Pina
in JN

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Suspensão da democracia!...

O espectáculo dado pelo PS ao recusar ouvir Dias Loureiro e Cadilhe mostra o desnorte a que chegou a sua maioria absoluta. A cegueira política é tanta que já nem atende aos recados de Vitorino ou António Costa. Não há de facto razão que justifique a rejeição de propostas (do PCP e BE) para ouvir quem conhece bem o processo BPN…
Tal como no BCP, ouvimos Constâncio tecer loas à supervisão do Banco de Portugal (BdP), depois de (quase) toda a gente dizer e escrever que "cheirava a esturro" no BPN.
Por outro lado, Cadilhe diz que o BdP cometeu "falhas graves e prolongadas" no BPN. Mas no Parlamento só se ouviram os argumentos de Constâncio.
Ficou por ouvir - pela força dos votos do PS que decidiram suspender a democracia - a versão que sustenta o falhanço da supervisão!
Ninguém recorda uma pessoa pública manifestar interesse em ser ouvida numa comissão parlamentar e esta recusar. Até que esta maioria absoluta fez (triste) história parlamentar, recusando ouvir Loureiro, ex-deputado, ex-ministro, ex-presidente da SLN, actual Conselheiro de Estado!
Então, (disse o PS), "temos que ouvir alguém só porque quer ser ouvido"?
Então, (disse o PS), pode lá ser "os deputados terem intervenção política num caso que está em investigação judicial"?
Argumentos que, confirmando a forma como o PS encara a relação entre Parlamento e cidadãos, mostram irracionalidade primária pois a supervisão (pelo menos para já) não está sob investigação...
Argumentos que vão ser engolidos já hoje quando se votar a audição do Procurador-Geral da República, proposta pelo … PS! A única pessoa que nada saberá sobre o BPN ou a supervisão bancária, e que mesmo que soubesse nada poderia dizer, por só poder conhecer factos sob investigação ou em segredo de justiça, é a única que o PS quer ouvir!
Como prova de falta de vergonha política, aqui fica o testemunho duma cambalhota do PS que, contudo, nem sequer consegue "tapar o sol com a peneira".
Honório Novo
in JN

O exorcismo cavacal da assombração bancária...

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

BPN...Em nome da dignidade...

Nos últimos dias, sempre que se fala de Manuel Dias Loureiro, tenho-me lembrado de Walter Marques e António Vitorino. O primeiro deixou um Governo liderado por Mário Soares quando um familiar próximo foi envolvido num escândalo; o segundo, número dois de Guterres, saiu do Governo quando se levantaram dúvidas sobre o pagamento de sisa de uma casa sua. Saindo, um e outro ficaram com o problema para si próprios e resguardaram o Governo que integravam. Nem um nem outro precisavam de o ter feito: Walter Marques não estava acusado nem era suspeito de coisa nenhuma; Vitorino viu, bastante tempo depois, a Justiça dar-lhe razão.
Dias Loureiro não fez, com certeza, nada de ilegal no BPN e nas empresas do banco a que esteve ligado. Ele tem direito a que isto seja dito assim.
Mas está no centro de um furacão de notícias e factos pouco abonatórios: fez uma afirmação sobre um encontro com um vice--governador do Banco de Portugal e foi por ele desmentido; disse que nunca ouvira falar de ilegalidades no BPN e dias depois, na RTP, diz que se encontrou com o vice-governador para falar com ele sobre o que se dizia do banco; disse na RTP que já não tinha nada a ver com o banco desde 2005 e, de seguida, o "Correio da Manhã" descobria-lhe uma ligação até 2007.
Tudo isto são coisas que Dias Loureiro poderá desmentir e virar a seu favor. Possivelmente. Só que Dias Loureiro é conselheiro de Estado por escolha directa do presidente da República e não pode, nem por um segundo, deixar que o presidente apareça nesta história. Durante alguns dias - ignorância nossa - os jornalistas até andaram a interrogar Cavaco sobre se iria demitir Loureiro.
Finalmente, Cavaco disse que tal não lhe competia. E ontem acrescentou que não fazia julgamentos. Obviamente.
Mas, sendo Dias Loureiro um homem de entendimento certamente fácil, que mais é preciso para que perceba que tem de se afastar? Não o fazendo, o normal é que nos interroguemos e o interroguemos sobre porque não se afasta. Saia, em nome da (sua) dignidade.
Pertenço ao grupo numeroso dos que não vislumbram razões para Cavaco Silva ter feito a nota que fez. Ninguém o atacou. A menos que, como tem sido dito, ele conheça uma campanha para o denegrir, o que não é claro aos nossos olhos. Quando se dizia, ainda as coisas corriam bem, que o BPN era o banco do cavaquismo, isso era um elogio à competência de gente que trabalhou de perto com o ex-primeiro-ministro.
Quando, agora, se fala em cavaquistas implicados no escândalo BPN, isso poderá ser pouco simpático para Cavaco Silva mas não autoriza que se pense que ele teve qualquer intervenção e está envolvido no escândalo.
É bom que isto fique claro.
José Leite Pereira
in JN

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Cavaco e o "caso BPN"...

O presidente da República tentou esclarecer, ontem, o contéudo da inédita nota oficial que fez emitir no domingo, na qual se demarca de qualquer ligação ao famigerado Banco Português de Negócios (BPN). Cavaco Silva diz não poder "pactuar com insinuações e mentiras que possam pôr em causa" o seu "bom nome". "E, quando isso é assim, eu não posso deixar de reagir.
O presidente da República tem de ser uma referência de seriedade para toda a população, e as nossas indicações recolhidas na Presidência da República eram muito, muito claras", acrescentou o chefe de Estado.
O caso é, portanto, bastante sério: na opinião do chefe de Estado, estava (está?) em curso uma espécie de campanha que, através de insinuações malévolas e mentiras várias, o visa atingir e à sua família. Cavaco Silva não explicou de onde vêm umas e outras, mas o facto de, na referida nota, ter, por exemplo, descido ao pormenor de nos dizer quantas contas tem e em que bancos as tem é revelador do grau de transparência que decidiu usar antes que os salpicos do "caso BPN" o possam eventualmente atingir.
A verdade é que, desde que o "caso BPN" estourou, foi dito e redito em todos os órgãos de comunicação social que alguns dos responsáveis do banco estiveram em governos liderados por Cavaco Silva. Isso é um facto indesmentível. Mas daí não pode deduzir-se nada mais.
Acontece que Cavaco nos diz outra coisa: diz-nos que à Presidência chegaram "indicações muito, muito claras" de que, por causa disso, o chefe de Estado estaria a ser envolvido numa espécie de "cabala" que a alguém terá que aproveitar.
Junte-se a delicada situação política do conselheiro de Estado Dias Loureiro e temos o caldo quase entornado. Por isso o presidente decidiu antecipar-se, para se defender. E para mostrar que está atento a todos os movimentos.
O ponto está em saber a quem aproveita a eventual "cabala". Há dias, Marco António Costa, presidente da distrital do PSD do Porto, e Pedro Passos Coelho deram a entender que o "caso BPN" estaria prestes a ser usado, supostamente pelo PS, como uma forma de questionar os anos dourados e a memória do "cavaquismo".
É uma tese. Só não se percebe muito bem o que ganhariam, nesta altura, o PS e mesmo o Governo com a criação de um sério conflito com o presidente da República.
A comissão de inquérito que aí vem - e que os socialistas começaram, convenientemente, por recusar - pode ajudar a lançar alguma luz sobre este caso, que ameaça tornar-se politicamente bicudo.
Uma coisa é certa: se as dúvidas começarem a crescer, Cavaco Silva tem a obrigação de nos dizer quais são as "indicações claras" de que dispõe. Para ficarmos a saber quem é que anda a tentar tramar quem.
Paulo Ferreira
in JN

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

"Minha querida lavandaria"...

RTP

A RTP é a lavandaria do regime. Não há vítima de cabala que não lave a consciência naquela espécie de Santa Casa da Misericórdia dos aflitos.
Desde a entrevista a Carlos Cruz lavado (o termo é apropriado) em lágrimas, os queridos telespectadores já não choravam como choraram com Dias Loureiro (talvez com excepção da entrevista a outra perseguida, a dolorosa mártir Fátima Felgueiras).
Dias Loureiro, um homem, como aquele, Malaquias, de Manuel de Lima, barbaramente agredido, foi aos estúdios de baraço ao pescoço e sem bigode, confessando que, sim, era administrador da SLN, mas, enquanto aconteciam no BPN as trapaças que têm vindo a público (e as que hão-de vir), calhou sempre de estar a olhar para outro lado.
Assinava as contas sem as ler, pois só lê biografias e romances policiais (as contas do BPN eram um romance policial, mas como podia Dias Loureiro sabê-lo?). Por isso está, obviamente, de consciência limpa.
Eu acredito em Dias Loureiro (que diabo, é um conselheiro de Estado!) e não em cínicos como Stanislaw Lec, para quem a melhor forma de manter a consciência limpa é não lhe dar uso.
Manuel António Pina
in JN

Ensaio sobre a cegueira...