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quarta-feira, 25 de março de 2009

Ribeiro Soares, a SIDA, o preservativo e um doutor de Harvard

Do Coronel Alberto Ribeiro Soares, que já é conhecido (a seu pedido) neste blogue, recebi o seguinte email:

“Se tiveres coragem publica isto no teu blog.

Abraço

RS”

“Isto”, é o seguinte texto:

“Do Director do Projecto de Estudos sobre Prevenção do S.I.D.A. de Harvard: Afirmações do Papa acerca da distribuição do preservativo tornar a epidemia de S.I.D.A. pior estão correctas

Por John –Henry Westen - 19 de Março de 2009 –

Edward C. Green, Director do Projecto de Estudos sobre a Prevenção do S.I.D.A. do Centro de Estudos sobre População e Desenvolvimento de Harvard, afirmou que a evidência corrobora as afirmações do Papa ao declarar que a distribuição de preservativos piora o problema do S.I.D.A.

“O Papa está certo”, afirmou Green ao National Review Online na passada Quarta-feira,”ou, melhor dizendo, as nossas melhores conclusões vão ao encontro dos comentários do Papa.”

“Existe”, acrescentou Green, “ um paralelo consistente que mostram os nossos estudos, incluindo a “Demographic Health Surveys”, fundada pelos Estados Unidos, entre uma maior disponibilidade e uso de preservativos e uma maior – não menor – incidência de infecções pelo vírus HIV. Isto pode dar-se devido ao fenómeno conhecido por “compensação de risco”, significando que quando a população utiliza uma tecnologia de redução de risco como o preservativo, muitas vezes essa mesma população perde o benefício da redução desse risco ao “compensar”, arriscando-se mais do que faria sem essa tecnologia. (Ver a entrevista completa com Green em http://article.nationalreview.com/?q=MTNINDc1MmMwNDMoOTEzMjQ4NDcoCGUyOWYxNmEzN2E=)

A Pagina Electrónica do Projecto do S.I.D.A. sobre Green menciona o seu livro “Repensar a Prevenção do S.I.D.A.: Aprendendo com os Sucesso de Países em Desenvolvimento”. Nele Green revela que “ As soluções, na sua maioria médicas, fundadas pelos grandes doadores tiveram pouco impacto em África. Em compensação, mudanças de comportamento relativamente simples e de baixo custo – como insistindo numa crescente monogamia e no adiamento da actividade sexual para os mais novos – têm tido maior sucesso na luta contra a doença e na sua prevenção.”

O texto completo da troca de impressões entre o Papa Bento XVI e o repórter, texto esse que lançou uma tempestade na imprensa mundial, foi divulgado agora pela imprensa do Vaticano.

O Papa foi confrontado com a seguinte questão: “ Santo Padre, um dos maiores flagelos de África é o problema da epidemia de S.I.D.A.. A posição da Igreja Católica na luta contra este mal tem sido frequentemente considerada irrealista e ineficaz.”

Bento XVI respondeu: “ Eu diria o contrário.

“Estou convencido de que a presença mais efectiva na frente de batalha contra o HIV/S.I.D.A. são, precisamente, a Igreja Católica e as suas instituições. Penso por exemplo na Comunidade de Santo Egídio, que tanto faz e tão visivelmente na luta contra o S.I.D.A; ou nas Camillianas, só para mencionar algumas das freiras que estão ao serviço dos doentes.

Penso que este problema, o S.I.D.A., não pode ser vencido com slogans de propaganda. Se falta a alma, se os Africanos não se entre ajudarem, o flagelo não pode ser resolvido com a distribuição do preservativo; pelo contrário, arriscamo-nos a piorar a situação. A solução só pode advir de um compromisso duplo: primeiro, na humanização da sexualidade, ou por outras palavras, num renovamento espiritual e humano que traga consigo uma nova forma de proceder uns para com os outros. E em segundo lugar, num amor autêntico para com os que sofrem, numa prontidão – mesmo à custa de sacrifício pessoal - para estar presente aos que padecem. São estes os factores que podem trazer o progresso, real e visível.

Assim, eu diria que o nosso esforço deve ser o de renovar a pessoa humana por dentro, o de dar-lhe força espiritual e humana para uma forma de comportamento justa para com o seu corpo e o corpo do outro; e ainda o de ajudá-la a ser capaz de sofrer com os que sofrem e de estar presente nas situações difíceis.

Acredito que é esta a primeira resposta ao problema do S.I.D.A., que é esta a resposta da Igreja e que, deste modo, a sua contribuição é uma grande contribuição. E estamos gratos a todos os que assim contribuem.”

Veja as credenciais impressionantes e a lista de publicações do Dr. Green em http://www.harvardaidsprp.org/faculty-staff/edward-c-green-bio.html”


O meu comentário:


Caro Alberto, escusavas de ter apelado à minha coragem, para publicar este texto. Como tens obrigação de saber, foi coisa que nunca me faltou para enfrentar adversidades e opiniões contrárias às que frontalmente sempre defendi, defendo e defenderei quando for caso disso.

Como administrador de O Cacimbo nunca procedi nem procederei de outra maneira.


Mas noto alguma confusão na insistência dos teus argumentos. Nunca, neste blogue foi escrita uma linha contra a doutrina social da Igreja. Pelo contrário - e se te deres ao trabalho de leres todos os postais aqui publicados - notarás que, eu próprio, já referi que, entre essa doutrina e o marxismo, não noto grande diferença.

Por isso mesmo, aplaudo o papel que as missões católicas têm em África no tratamento às populações doentes e infectadas pelas mais variadas epidemias, quando o podem e têm recursos para isso.


Outra coisa são os dogmas e a infalibilidade do Papa, qualquer que ele seja.

Como também tens obrigação de saber, este Bento XVI é o segundo Papa alemão. O outro, ocupou o trono se São Pedro na Idade Média...

E o Cardeal Ratzinger, desde sempre revelou preferir ideias medievais do que aceitar o Concílio Vaticano II.


Como também sabes, cada vez que abre a boca para o mundo, é raro não estabelecer polémica e ser criticado por católicos, governantes e cientistas. Talvez de aqui a umas década - o tempo agora corre mais depressa - estará a Igrja Católica a pedir desculpa pelos erro deste Papa...


Portanto, o tal "doutor" que te serve de bengala leva-me a chamar-te a tenção para o seguinte:

Afinal não é somente em Portugal que "um burro carregado de livros é doutor"; pelos vistos em Harvard também existe essa espécie.


Álvaro Fernandes


terça-feira, 24 de março de 2009

O papa é ridículo e maléfico...

Muita tinta correu esta semana sobre as abomináveis declarações do papa Bento XVI acerca do preservativo e da SIDA. França, Bélgica, Espanha e Alemanha criticaram correctamente, estas declarações. Mas há coisas simples que têm de ser ditas.
África é o local do mundo onde se localizam 67% dos infectados com o HIV. Só em 2008, quase 2 milhões de Africanos foram infectados de novo. Há países na África sub-sahariana onde a percentagem de infectados ascende aos 45% da população total. Para além da transmissão sexual, a transmissão materno-fetal atinge números elevadíssimos, nascendo, todos os anos, crianças já infectadas.
África é um continente devastado pela miséria, onde trabalham várias ONG's, distribuindo preservativos e procurando apoios institucionais no mundo dito desenvolvido para o fornecimento de medicação gratuita para o HIV (em quase todos os casos com sucesso reduzido...).
Existem muitos ocidentais que há vários anos fazem campanhas de promoção do uso do preservativo, não só distribuindo-os gratuitamente, como também intervindo na comunidade, explicando os riscos do HIV e de que forma o preservativo o pode evitar. Mas é claro que as condições sociais e políticas em que vivem as populações Africanas desde sempre dificultaram este trabalho e, por isso, a infecção continua a alastrar, a dizimar milhões de vidas e a diminuir a esperança e a qualidade de vida dos jovens e das jovens Africanas.
A SIDA em África é hoje um flagelo, uma pandemia, uma realidade aterradora e um dos grandes obstáculos ao desenvolvimento deste continente.
Desde cedo (início da década de 80), com a descoberta do HIV como causa de SIDA, se percebeu que o sexo é a forma mais comum de contágio deste vírus. E foi também muito cedo que a ciência demonstrou a elevada eficácia do uso do preservativo masculino na prevenção da transmissão do HIV. Até hoje, nenhum caso de transmissão foi registado com o uso correcto do preservativo, seja em relação heterossexuais ou homossexuais, seja em sexo vaginal, anal ou oral. Estima-se que hoje, com todas as campanhas de prevenção que foram realizadas em todo o mundo, se tenha impedido uma pandemia global.
Na maioria dos países Europeus, com o virar do milénio, a incidência de novas infecções por HIV começou a descer - o uso disseminado do preservativo e as campanhas públicas dirigidas à população começaram a surtir efeito.
E é perante estes dados tão simples, que as declarações do papa se resumem ao ridículo de uma fantasia alienígena que toma o inverso do mundo como a sua verdade. Entre afirmar que os preservativos complicam o problema da SIDA em África ou dizer que a queda de um 59º andar para o cimento duro melhora a digestão, não há diferença nenhuma. O papa é ridículo e diz coisas que, aos olhos da realidade, são ridículas e fantasiosas.
Mas para além de ridículo o papa tem uma visão maléfica do mundo, pois quando condena uma menina de 9 anos à excomungação por ter sido violada e nada tem a dizer sobre o seu violador... Há algo de errado na ordem de valores deste senhor!
Essa é a razão porque escreverei a minha carta de apostasia brevemente, porque não posso estar vinculado a uma religião em que o seu líder máximo convida à violação de menores e à infecção pelo HIV.
Convido todos e todas os/as que foram baptizado/as a escreverem a sua carta de apostasia como protesto e envio um link de um modelo desta carta em castelhano: http://ateus.org/docs/ImpresoApostasiaReducidoACCas.pdf
Bruno Maia
in Esquerda.net

domingo, 22 de março de 2009

Papa e preservativo...

O Papa espalhou-se. Há coisas que um homem não pode falar, mesmo que lhe seja reconhecida uma putativa infalibilidade, quando não tem experiência no assunto. Declarou o preservativo como um dos instrumentos propagadores da sida. Usá-lo é um perigo. Pois induz a promiscuidade. Mais ou menos isto. Não só contraditou muitos sacerdotes e bispos, muitos católicos que o usam, longe dos segredos de confessionário, como todos os dados, prevenções, acções levadas a cabo em todo o mundo pelos profissionais de saúde e organizações internacionais que se dedicam ao combate contra a epidemia. Espalhou-se, e ainda por cima no continente onde a sida é um flagelo, devastando vidas e comunidades completas.
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A sexualidade é um dos principais problemas que a Igreja continua incapaz de resolver e onde é notório o incómodo quando se trata de discutir este assunto sem preconceitos. O novo olhar sobre a condição da mulher, sobre a secularização do casamento, sobre o divórcio, sobre o acesso das mulheres às carreiras eclesiais, sobre o casamento dos padres são questões que colocam muitas vozes em confronto no seio da própria Igreja. O sexo continua a não habitar os hábitos que incitam à natalidade, à procriação, a celebração da vida. E desta vez, diria mesmo, mais uma vez, proclamado pelo Papa, o uso pecaminoso do preservativo deu sarilho grosso.
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O seu erro é de abordagem. O preservativo não impede a ordem divina do ‘Crescei e Multiplicai-vos’. Não é um instrumento imoral e muito menos amoral. Só uma incapacidade muito grande para perceber as grandes transformações ocorridas a partir da II Guerra Mundial, muitas delas corroboradas pelo Vaticano II, é que permite que uma figura mundial como o Papa possa dizer uma barbaridade daquele tamanho. Aliás, atitude que só demagogicamente é a favor da vida. Na verdade, tal atitude vincadamente proibicionista é, paradoxalmente, a favor da morte.
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É urgente que a Igreja volte a este assunto de forma séria e sem preconceitos. Em nome da vida, das convicções e práticas de muitos católicos, nos quais me incluo, que não se conseguem encontrar com estas verdades pré-determinadas e tão definitivas. É forçoso que, em nome da vida, da dignidade humana, do reconhecimento dos valores essenciais da nossa comunhão diária sejam alterados estes axiomas tão sem jeito. A ir por aqui, é caso para dizer que, desta vez, a voz do Papa não chegou ao céu.
Francisco Moita Flores
in CM

quarta-feira, 18 de março de 2009

Bento XVI, a Sida e o preservativo

UM PAPA PROTECTOR DOS VIRUS

Bento XVI declarou no início da sua viagem a África que a distribuição de preservativos não só não resolve os problemas do HIV como os aumenta. Ele quer proteger quem? Ou simplesmente não quer que os virus abortem?

Publicado por João Tunes às 16:48
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1 comentário:
De Anónimo a 17 de Março de 2009 às 17:06
Já não é a 1ª vez, que a Igreja promove a morte, não é portanto, lamentavelmente nenhuma admiração
In blogue Água Lisa

Um Papa mais do que controverso

Paris considera que Bento XVI pôs em risco imperativos quanto à protecção da vida humana
França condena declarações do Papa sobre o preservativo
18.03.2009 - 16h05 PÚBLICO, Agências
O Governo francês criticou hoje as declarações do Papa contra o uso do preservativo, mostrando-se “muito preocupada” com a posição defendida por Bento XVI antes de aterrar nos Camarões, onde começou ontem uma visita a África.

As declarações de Bento XVI, feitas aos jornalistas que acompanham a visita, durante a viagem entre Roma e a capital dos Camarões, Yaoundé, referindo que o uso do preservativo não é uma solução e pode agravar o problema da Sida, desencadearam uma tempestade de reacções críticas em todo o mundo. Alguns governos, organizações não governamentais e de combate à doença condenaram estas declarações, às quais o Vaticano reagiu hoje referindo que o Papa queria sublinhar a importância da “educação para a responsabilidade”.

Duas capitais europeias, Paris e Bruxelas, reagiram oficialmente. “A França exprime a sua viva preocupação quanto às consequências das declarações de Bento XVI”, disse hoje um porta-voz do ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Eric Chevalier. “O nosso papel não é o de emitir julgamentos sobre as doutrinas da Igreja, mas consideramos que estas observações põem em risco políticas públicas de saúde e os imperativos quanto à protecção da vida humana”, relata a agência Reuters.

Em Bruxelas, a ministra belga da Saúde , Laurette Onkelinx disse que a posição de Bento XVI “reflecte uma visão doutrinária perigosa”, acrescentando que estas “podem demolir anos de prevenção e educação e colocar em risco muitas vidas humanas”, cita o diário "International Herald Tribune".

O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, defendeu o Papa considerando que “não se deve esperar desta viagem uma mudança na posição da Igreja Católica sobre a questão da Sida”, cita a AFP. De acordo com a mesma agência, a polémica provocada pelas declarações de terça-feira levou Bento XVI a acrescentar ao programa de hoje em Yaoundé um encontro com jovens de uma associação de ajuda aos doentes com Sida, animada pela comunidade de Santo Egídio.



“O Papa vive no século XXI?”



Várias organizações não governamentais, como a camaronesa Mopcat, um movimento para o maior acesso dos doentes aos tratamentos para a sida, reagiram duramente às declarações de Bento XVI. “O Papa vive no século XXI?”, questionou Alain Fogué, daquele movimento. “As pessoas não vão seguir o que o Papa diz. Ele vive no céu, mas nós vivemos na Terra”, acrescentou.

Judith Melby, da organização Christian Aid, criticou o Papa considerando que as suas declarações “enviam uma mensagem confusa a África, um continente onde a Igreja Católica é muito importante”. “A nossa posição é a de que a abstinência [defendida por Bento XVI como o meio para impedir a propagação da doença] é uma parte importante do conjunto das medidas, mas a abstinência por si só não vai impedir a transmissão do vírus HIV”, acrescentou.

Já o director executivo do Fundo Mundial de Luta contra a Sida, a tuberculose e o paludismo, Michael Kazatchine, pediu a Bento XVI que “retire as suas declarações”, que considerou “inaceitáveis”.

“É uma negação da epidemia. E fazer essas declarações no continente onde vivem 70 por cento das pessoas infectadas pela doença é absolutamente inacreditável”.

1,9 milhões de pessoas foram infectadas com o vírus do HIV no ano passado na África subsariana onde vivem 22 milhões de seropositivos

In "Público" on line

Este Papa - que até pertenceu à juventude nazi - revela não merecer o cargo para que os outros cardeais o elegeram.
Cada vez que abre a boca, lança mais achas para a fogueira mais próxima. Ele foi o levantamento da excomunhão a um bispo nazi que nega o holocausto, as provocações aos muçulmanos e, agora, esta patética e inadmissível campanha contra o uso do preservativo como instrumento de luta contra a propagação da Sida.
Se Cristo descesse à Terra, creio que exigiria a renúncia de Bento XVI.
Convém os fiéis católicos pensarem nisso.

Vaticanadas...

Ou vaticanices. Não suporto ver os senhores cardeais e os senhores bispos trajados com um luxo que escandalizaria o pobre Jesus de Nazaré, mal tapado com a sua túnica de péssimo pano, por muito inconsútil que tivesse sido e certamente não era, sem recordar o delirante desfile de moda eclesiástica que Fellini, genialmente, meteu em Oito e Meio para seu e nosso gozo. Estes senhores supõem-se investidos de um poder que só a nossa paciência tem feito durar.
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Dizem-se representantes de Deus na terra (nunca o viram e não têm a menor prova da sua existência) e passeiam-se pelo mundo suando hipocrisia por todos os poros. Talvez não mintam sempre, mas cada palavra que dizem ou escrevem tem por trás outra palavra que a nega ou limita, que a disfarça ou perverte. A tudo isto muitos de nós nos havíamos mais ou menos habituado antes de passarmos à indiferença, quando não ao desprezo.
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Diz-se que a assistência aos actos religiosos vem diminuindo rapidamente, mas eu permito-me sugerir que também serão em menor número até aquelas pessoas que, embora não sendo crentes, entravam numa igreja para disfrutar da beleza arquitectónica, das pinturas e esculturas, enfim de um cenário que a falsidade da doutrina que o sustenta afinal não merece.
Os senhores cardeais e os senhores bispos, incluindo obviamente o papa que os governa, não andam nada tranquilos. Apesar de viverem como parasitas da sociedade civil, as contas não lhes saem.
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Perante o lento mas implacável afundamento desse Titanic que foi a igreja católica, o papa e os seus acólitos, saudosos do tempo em que imperavam, em criminosa cumplicidade, o trono e o altar, recorrem agora a todos os meios, incluindo o da chantagem moral, para imiscuir-se na governação dos países, em particular aqueles que, por razões históricas e sociais ainda não ousaram cortar as sujeições que persistem em atá-los à instituição vaticana.
Entristece-me esse temor (religioso?) que parece paralisar o governo espanhol sempre que tem de enfrentar-se não só a enviados papais, mas também aos seus “papas” domésticos. E digo ainda mais: como pessoa, como intelectual, como cidadão, ofende-me a displicência com que o papa e a sua gente tratam o governo de Rodriguez Zapatero, esse que o povo espanhol elegeu com inteira consciência.
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Pelos vistos, parece que alguém terá de atirar um sapato a um desses cardeais.
José Saramago
in O Caderno de Saramago

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O Papa e as desculpas...

Papa envergonhado
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Bento XVI pediu perdão pelos abusos sexuais dos padres pedófilos. Na Austrália foram julgados 107 sacerdotes católicos.
O Papa já tinha pedido desculpas nos Estados Unidos, onde a Igreja teve de pagar mais de três mil milhões de dólares às vítimas. Acredito na sinceridade de Ratzinger – mas há mais "vergonhas" para além dos abusos.
Face às denúncias, a Igreja primeiro negou o que já sabia; depois, fez um esforço enorme de encobrimento.
Em Boston, o cardeal Law foi o artífice dessa triste estratégia. Quando a Justiça foi no seu encalço, refugiou-se num alto cargo no Vaticano e nunca mais foi incomodado.
Faz-me confusão, ainda, que estes casos só aconteçam em países protestantes ou em que o catolicismo é minoritário.
Cá não. Claro que não.
Carlos de Abreu Amorim
in CM

quarta-feira, 16 de julho de 2008