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quarta-feira, 3 de junho de 2009

Uma, e outra, e outra vez – as vozes de quem faz a escola pública...

Vieram de novo, aos milhares, de todos os pontos do país. Voltaram a encher as ruas de Lisboa com a sua luta, e a sua perseverança na defesa de um modelo democrático da escola pública. Dizendo "categoria só há uma - professor e mais nenhuma". Nem mais.
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Ao longo destes últimos quatro anos, os professores têm sido a voz mais forte e mais ousada na contestação ao Governo. E são-no porque têm sido eles a experimentar, mais do que em qualquer outro sector, o que significa a "empresarialização" dos serviços públicos.Alguém pensou: "temos que alcançar os níveis europeus em matéria de resultados escolares, mas sem fazer o esforço de investimento que fizeram os outros países europeus". A solução do Governo PS: indicar um culpado, os professores; pressionar os resultados; e juntar a propaganda.
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Quatro anos do triunvirato Mª Lurdes Rodrigues - Valter Lemos - Jorge Pedreira, resumem-se a isso. Resume-se a duas ideias centrais: primeiro, uma escola organizada como uma cadeia de comando capaz de produzir, rapidamente, resultados "politicamente" simpáticos para quem governa; e segundo, uma classe docente domesticada pelo medo e pela concorrência interpares, que cumpra ordens sem pinga de crítica, e saia baratinha na factura salarial do Ministério da Educação (ME). Toda a arquitectura legislativa, toda a orientação política do ME seguiu neste sentido. Modelo de avaliação, modelo de gestão, estatuto do aluno, e o Magalhães para ajudar à festa...
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Quando se provou que os professores não se iriam deixar humilhar e enxovalhar pelo Governo, e que estavam dispostos a lutar, veio a chantagem e as ameaças do ME - ameaça de processos disciplinares, de não progressão na carreira, o afastamento e a intimidação de Conselhos Executivos que não vergavam.
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Mesmo assim, uma, e outra, e outra vez, os professores saíram à rua. Porque sabem o que está em causa. Sabem que hoje a escola pública enfrenta uma crise, mas que não pode perder a confiança da opinião pública. Sabem que a multiplicação burocrática não trouxe rigor nem exigência às práticas escolares, apenas aumentou o espaço de manobras dos burocratas políticos de serviço. Sabem que se criaram e inventaram novos problemas, sem nunca resolver os velhos e determinantes problemas do sistema educativo português - o abandono e o insucesso escolar. Sabem que hoje as escolas enfrentam todos os desafios - a herança da iliteracia e a globalização mediática - ; sabem que à escola se pede todas as funções, da educação clássica, às novas competências, e ao apoio social às famílias e aos excluídos; e sabem que lhes faltam todos os instrumentos para fazer esse combate, e essa tarefa.
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Quem saiu à rua sabe exactamente o que quer - pacificar as escolas, esquecer Maria de Lurdes Rodrigues, investir no sistema educativo e nos profissionais que fazem a escola pública. Em Setembro ou Outubro, os professores sairão de novo à rua. De outra maneira voltarão a dizer ao PS que não aceitam ser humilhados e perseguidos. Tenho a sensação que dessa vez o PS vai ouvir com muito mais atenção.Ana Drago
in Esquerda.Net

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Na Escola...

Numa escola, pediram ás crianças que, atraves de um desenho, dizerem o que queriam ser quando fossem grandes.
Uma das crianças disse que gostava muito da sua mamã, e que queria fazer o mesmo que ela.
Para tal, desenhou a sua visão do trabalho da mamã:Como podem imaginar, os professores ficaram espantados com este desenho.
Os professores "homens" ficaram tão ansiosos por conhecer a mãe desta aluna, pelos vistos uma stripper de sucesso...
Ao ter conhecimento do desenho da filha, a mãe apanhou um susto!
Imediatamente, escreveu uma carta para a escola, nos seguintes termos:
Exmo. Sr. Director da Escola,
Quero ser muito clara relativamente ao desenho que a minha filha elaborou na escola.
Não quero que fique com a impressão errada.
O meu emprego é na loja Home Depot., em Chicago, onde sou empregada de balcão.
Há dias, contei á minha filha que fizemos um "dinheirão" vendendo PÁS para retirar a neve ás centenas de automobilistas cujos carros ficaram bloqueados num grande nevão... é isso que o desenho retrata!!!

domingo, 17 de maio de 2009

O sexo oral...

Não passaria pela cabeça de ninguém a imposição de uma disciplina de educação religiosa nas escolas. Por mais neutral ou ‘científica’ que ela fosse. O acto seria sempre uma intromissão do Estado no reduto mais privado da existência. Mas este raciocínio não se aplica à vida sexual. Nestas matérias igualmente íntimas, o Estado entende que é seu dever educar os petizes nos misteriosos caminhos dos lençóis.
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Tolero a bizarria. Mas não tolero que o Estado, nas suas prédicas sexuais, substitua ‘factos’ por ‘doutrina’; ou, pior ainda, que as famílias não tenham a liberdade para retirar os seus educandos da disciplina. Sobre os preservativos nas escolas, um aviso: a última vez que o governo distribuiu material pelos alunos, os Magalhães estavam cheios de erros.
Espera-se que, desta vez, os preservativos não venham furados.
João Pereira Coutinho
in CM

sábado, 16 de maio de 2009

Esqueceram-se de dizer nos noticiários...

“Há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não”

09-May-2009

7 de Maio de 2009, dia do patrono da ES/3 Dr. José Macedo Fragateiro. A Ministra da Educação aproveitou a efeméride para ir à escola entregar diplomas e, supostamente, ver a Escola antes das obras que aí vão ser realizadas. Tudo ocorreu com grande secretismo, mas, no próprio dia, adivinhava-se que a visita ia mesmo acontecer.

Ao final da tarde, no exterior, foram-se juntando professores/as de várias escolas de Ovar, vestidos de luto, que de mãos dadas em silêncio, foram ladeando a porta de entrada da escola, por onde presumivelmente passaria o carro da ministra.
Finalmente chegou, mas “num golpe de rins” o carro guinou para um portão lateral.
Maria de Lurdes Rodrigues teve medo daquele luto e daquele silêncio. A indignação foi tão grande que, espontaneamente, em coro (forte, muito forte) os professores gritaram: "há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não!". Foi um momento de grande emoção colectiva.
Dentro da escola os professores também vestiam de luto.
A ministra entro, falou, entregou diplomas, mas os professores mantiveram-se obstinadamente juntos e silenciosos. Depois o "Canto Décimo", também de luto vestido dedicou o seu canto aos professores portugueses, e à memória de José Fragateiro, evocando a frontalidade democrática que o caracterizava, e que o faria, certamente, estar ao lado dos professores, nestes tempos tão difíceis que estão a passar.
No fim da sessão, um grupo de professores entregou à Ministra um documento de protesto, que deixamos aqui, para que conste. A resistência continua! E a Ministra foi-se embora sem visitar a Escola.

Senhora Ministra da Educação
Excelência

Hoje, dia 7 de Maio de 2009, a nossa Escola – a Escola Secundária com 3.º Ciclo do E.B. José Macedo Fragateiro – está em festa.

Durante todo o dia foi possível verificar, em muitos dos nossos espaços interiores e exteriores, o profissionalismo, a dedicação e empenho dos professores, dos alunos e dos funcionários que integram o conjunto da nossa comunidade escolar.

Ao longo do dia, por entre todas as actividades aqui realizadas, pudemos também perceber e sentir o espírito e a presença do legado que nos deixou o nosso patrono, colega e companheiro de alguns de nós em tempos difíceis do nosso sistema educativo, o Dr. José Macedo Fragateiro

O Dr. Fragateiro foi e continua a ser para nós um modelo de pedagogo que, sem alaridos nem arruaça, soube mostrar-nos (a professores, a alunos e a funcionários) como se deve combater pela liberdade, pela justiça e pela qualidade da escola pública. O Dr. Fragateiro foi e continuará a ser para nós um exemplo de cidadão que não verga a cerviz e não cede a tiques de autoritarismo ou à imposição de quaisquer tipo de mordaça ou inibição da liberdade e autonomia que deve reger o verdadeiro trabalho docente (um magistério!) nem ficaria indiferente perante toda e qualquer manifestação de ataque à dignidade e prestígio da função docente. Se cá estivesse ainda, certamente estaria ao nosso lado e não aceitaria a perda da democracia na gestão das escolas nem alinharia com processos de pseudo-avaliação de desempenho docente nem com a divisão da nossa carreira em diferentes categorias.

Neste dia, portanto, que foi de festa e de alegria, não poderíamos deixar de lhe manifestar – em nome da grande maioria dos professores desta escola – a nossa tristeza e mágoa por tudo o que o seu Ministério nos tem feito e continua a fazer, destruindo a nossa vontade de trabalhar mais e sempre em prol da formação dos nossos alunos como cidadãos livres, críticos e independentes.

A senhora Ministra sabe certamente as razões por que lhe dizemos isto.

Professores da Escola Sec. José Macedo Fragateiro

Recebido por email

A escola de Natividade...

A presidente do Conselho Executivo da Escola Básica do 2.º e 3.º ciclos de Pinhal Novo, Palmela, não gosta de ver as raparigas do "seu" estabelecimento de ensino com decotes exagerados e saias muito curtas e os rapazes com boxers fora das calças.Vai daí decidiu proibir tais indumentárias na "sua" escola. São gostos - e os gostos, como se sabe, não se discutem.
O que se pode (e deve) discutir é a imposição do gosto. Porque, neste caso, é disso que se trata. Palavras de Natividade Azevedo, a presidente: "A sociedade em que vivemos perverte alguns valores. Enquanto cá estiver vou defender os meus valores".
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Coisa extraordinária: a senhora presidente acha que a Escola de Pinhal Novo é uma espécie de coutada que lhe cumpre defender, mas defender de acordo com a sua intransigente escala de valores. Se, por exemplo, a senhora presidente entender que o dia será mais profícuo se os alunos e as alunas rezarem uma avé-maria e dois pais-nossos na primeira aula da manhã, não hesitará em impor a regra….
Posições - ou melhor: imposições - como esta não são novas.
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Lembro-me de, há uns tempos, o director-geral de Saúde ter decidido que, por estarmos num país modernaço, "todos os serviços dependentes do Ministério da Saúde" não poderiam servir em "coffee-breaks" porcarias daquelas que engordam. Só se aceitariam coisas limpinhas como "leite magro ou meio- gordo, iogurte e outros leites fermentados com um teor de hidratos de carbono nunca superior a 10 gramas por cada 100 gramas" (sic).
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Estes novos vigilantes da(s) nossa(s) liberdade(s) são um paradoxal produto da (pós) modernidade: à medida que o indivíduo acrescenta autonomia à sua vida, pululam os agentes apostados em mostrar-lhe o caminho da felicidade asséptica, o caminho da virtude sem ponta de pecado. Gente aborrecida, esta.
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O caso da escola merece uma reflexão acrescida. Aos poucos - e por variadíssimas razões, entre elas o desinteresse (propositado ou não) dos pais em relação ao que se passa nos estabelecimentos de ensino em que os seus filhos estudam -, a escola foi-se substituindo à família. Hoje cumpre-lhe não apenas ensinar e instruir, mas também educar, no sentido mais amplo do termo.
O rápido crescimento dos jovens, a panóplia de instrumentos que, estando à sua disposição mais cedo, lhes aumentam os conhecimentos, a mudança do conceito de poder paternal, a perda (em muitos casos acentuada) de autoridade dos pais, tudo concorre para que se coloque hoje um conjunto de novos e sérios problemas à escola e aos pais.
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O pior que pode acontecer é surgirem neste caminho muitas Natividade Azevedo.Pensar em soluções para estas delicadas matérias a partir de uma fechada escala de valores que vê nas saias curtas e decotes a porta para o pecado é triste, lamentável e perigoso.
Paulo Ferreira
in JN

sábado, 9 de maio de 2009

Estudar e andar na escola...

A escolaridade obrigatória até aos 18 anos é uma ideia generosa que fica bem a qualquer partido moderno, socialista ou social-democrata.
Aliás, em vésperas de eleições fica bem a qualquer partido à procura de votos e por isso mesmo é que nenhum deles levantou dúvidas senão relativamente a aspectos laterais da questão, como o momento, o método e os procedimentos escolhidos e anunciados pelo Governo.
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Pelos vistos, ninguém no Parlamento questiona o princípio, nem avalia os efeitos de tal decisão na escola e na sociedade, o que não deixa de ser extraordinário num país tão singular em tudo o que diz respeito ao ensino. Isto para já não falar da aparente contradição entre o acesso ao mercado de trabalho, que se faz e continuará a fazer aos 16 anos, e esta pretensão de obrigar os jovens a ficarem na escola até aos 18.
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A mania do vanguardismo e daquilo a que poderíamos chamar um estado de reforma permanente, ou de experimentalismo militante, estão na base do desastre do ensino em Portugal. Tem servido para cada governo ensaiar a sua reformazita e fingir paixão num sector onde o que faz falta é exigência, rigor e eficácia.
Ora, a escolaridade obrigatória de nove anos está muito longe de consolidada, ou não teríamos uma taxa de abandono superior a 36 por cento, muito mais do dobro da média na Europa a 27. E se considerarmos o baixíssimo nível de preparação dos 64 por cento que fazem o 9º ano ficaremos ainda a maior distância.
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Sucede que os 12/13 anos de escolaridade obrigatória existem somente em seis dos 27 estados da União Europeia, em condições muito especiais e apenas a tempo parcial a partir dos 15/16 anos. Os 9 e os 10 anos são a prática mais generalizada.
Países tão 'atrasados' como a Dinamarca ou a Suécia, para não falar da Finlândia, esse farol tão invocado pelo primeiro-ministro, têm apenas nove anos. E a Itália que, não sendo hoje o modelo dos modelos, ainda faz parte do pequeno grupo de países mais desenvolvidos do mundo, fica-se por oito anos de escolaridade obrigatória.
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Há uma diferença grande entre estudar e andar na escola. Perante este quadro de referências e os péssimos resultados do ensino em Portugal, uma coisa faz sentido: consolidar os nove anos de escolaridade obrigatória, melhorar o grau de preparação dos alunos, com mais exigência e menos facilidade, e reduzir ao mínimo possível o abandono escolar antes do nono ano. É nisso que o Governo e os partidos vão certamente pensar quando lhes passar esta febre eleitoral de que agora padecem.
Fernando Madrinha
in Expresso

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Carnaval amordaçado!...

É cada vez mais difícil descortinar onde é que o Ministério da Educação pode chegar quanto a autoritarismo e arbitrariedade.
Em Paredes de Coura espezinhou literalmente a autonomia escolar com uma intervenção repressora de mandantes de Lurdes Rodrigues. Foi apenas mais um exemplo da prepotência como os professores são tratados pelo Governo Sócrates!
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Supõe-se que a autonomia das escolas lhes deveria conferir capacidade para planear actividades e adaptá-las ao evoluir do ano lectivo e suas incidências. Assim será, mas só se não contrariarem a Ministra e os seus big-brothers regionais. Caso contrário, cala-se a boca aos professores, revogam-se decisões escolares legítimas, impõem-se tarefas mesmo que fora das obrigações profissionais ou quiçá dos horários de trabalho. Sempre com a ameaça de retaliações, é claro…
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José Sócrates e Lurdes Rodrigues já não se limitam a impor teias burocráticas que atafulham a vida e o desempenho dos professores, e que tem levado à desistência milhares de profissionais com experiência e ainda muito saber para transmitir.
Sócrates e Lurdes Rodrigues (bem como alguns mandantes regionais) parecem agora empenhados numa saga que dobre a espinha e silencie todos os que lhes contrariem os intentos de dar uma falsa imagem cor-de-rosa da Educação em Portugal. Basta ver o ar crispado e contidamente agressivo com que o primeiro-ministro continua a gracejar com o famoso Magalhães! Basta lembrar o descaramento com que anunciam querer colocar à borla professores reformados nas escolas! Basta conhecer as tentativas para que os Conselhos Executivos "revelem superiormente" como pensam tratar quem não entregue objectivos para avaliação.
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Parece uma vingança sobre uma classe profissional que reage e luta contra os planos do Governo para mercantilizar a escola pública. A denúncia veio desta vez com trajes negros e mordaças. Mas a resposta final tem que ser dada em Outubro, correndo de vez com esta política.
Honório Novo
in JN

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Que escola querem os pais?...

As declarações do presidente da CONFAP, na sequência de mais uma grandiosa demonstração da contestação ao modelo de avaliação mesmo na versão "simplex", não deixam dúvidas do tipo de escola que esta Confederação de Pais defende.
Curiosamente, em vez de se questionar a Ministra da Educação e o Governo como primeiros e principais responsáveis pela instabilidade criada nas escolas dos seus educandos, a CONFAP vem agora a despropósito desviar as atenções do essencial, da defesa da escola pública, para defender serviços mínimos na educação.
Segundo o presidente da CONFAP, em futuras greves deve ser assegurada o que chamam "a guarda das crianças", ou seja, a assumida ideia hipocritamente camuflada de que a escola é o "armazém" em que os pais descarregam a "carga" à porta da escola que guarda os filhos durante o dia, como se fosse esta a sua principal missão na sociedade.
Certamente que, depois de ter reconhecido que o processo da avaliação estava de facto parado na generalidade das escolas, foi difícil digerir mais esta surpreendente resposta dos professores que não se iludiram no canto de sereia do processo simplificado e não temeram a arrogância governamental...
Mas se os pais não se assumem na defesa da escola pública e das condições necessárias para efeitos positivos sobre a qualidade do ensino/aprendizagem, terão que ser estes profissionais da educação a assumi-lo.
José Lopes
in Esquerda.net