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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Tiro ao alvo


«MP trata a PJ como um Ferrari na auto-estrada a 60 km/hora»

Barra da Costa critica Justiça em Portugal e aponta algumas soluções para os problemas de insegurança do país

O criminalista Barra da Costa deixa duras críticas à Justiça portuguesa. «O Ministério Público trata a PJ como um Ferrari na auto-estrada a 60 km/hora. Temos muitas potencialidades, mas não são aproveitadas», afirmou durante o IV Congresso de Criminologia, que decorreu no Porto.

O antigo inspector-chefe da PJ criticou ainda a «pirotecnia legislativa» e a politização da segurança. «Agora que estamos em ano de eleições, toda a gente se lembra da segurança» e a posição dos portugueses em relação ao crime e aos criminosos. «As pessoas não querem actos de vandalismo, mas o criminoso, coitadinho é vítima da sociedade e não devemos fazer-lhe muito mal».

Quando questionado pela plateia sobre que fórmulas poderiam resolver o problema da criminalidade em Portugal, Barra da Costa afirmou que «retirava o ministro da Administração Interna, fechava as Faculdades de Direito por um ano e recompunha a PJ». Depois explicou aos jornalistas que a alusão ao ministro pretendia significar uma alteração de políticas para o sector. «O problema não é este ministro, porque depois vem outro e faz igual. Temos que acabar com as leis mal feitas, pôr o MP a fazer aquilo que devia estar a fazer e deixar a PJ a investigar», disse. E adiantou: «Se o Ministério Público controla a PJ e exige conhecimento prévio de algumas situações, pode sempre informar o Governo sobre essas situações», alertou.

Para o criminalista, o maior problema é que há um sentimento de impunidade generalizada, o que explica situações como a do bairro da Bela Vista. «As classes baixas imitam as classe altas. Se o ministro não pagou a Sisa e não lhe aconteceu nada, se o Valentim faz o que quer e não lhe acontece nada, por que me há-de acontecer a mim? Isto é o que eles pensam», diz Barra da Costa.

In Portugal diário

quarta-feira, 23 de julho de 2008

A fisga



O imbróglio

Alípio Ribeiro, ex-director nacional da Polícia Judiciária à data do desaparecimento de Maddie McCann, vem a terreiro discordar do arquivamento do processo pelo qual foi o responsável máximo durante cerca de um ano.
Entretanto, Gonçalo Amaral, o inspector que conduziu as investigações, foi ferozmente atacado pela comunicação social inglesa (de que a portuguesa fez eco) e acabou demitido por Alípio Ribeiro, anuncia para amanhã o lançamento do livro “A verdade da mentira”; e nele, segundo a RTP, defende a tese de que Maddie morreu no dia em que desapareceu.
É óbvio que tal tese decorrerá do conhecimento pessoal que Gonçalo Amaral tem do processo que investigou no terreno e, assim sendo, pergunta-se por que foi demitido e, até agora, não foram reunidas provas que sustentem a acusação dos culpados pelo crime. Ou melhor, pelos crimes, visto nesse caso também ter havido ocultação de cadáver.
Como se estas dúvidas não bastassem, surge também o porta-voz do casal McCann a prevenir, ou ameaçar Gonçalo Amaral para ter cuidado com o que diz, afirmando que se o livro for publicado em Inglaterra, existem lá leis para o processar.
Será que o porta-voz desconhece que em Portugal também existem leis semelhantes? Desde que se prove, é claro, que o autor caluniou ou difamou alguém.
Esta antecipação de um porta-voz profissional, que antes de o ser para os McCann trabalhava para o governo inglês, é o mais curioso disto tudo.

Álvaro Fernandes

sábado, 12 de julho de 2008