Mostrar mensagens com a etiqueta Manuela Ferreira Leite. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Manuela Ferreira Leite. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Olhem bem para os olhos dela


Esvoaça, embora discreto e módico, o perfume do poder e já o alvoroço se instalou nos militantes do PSD. Nos fóruns das rádios e das televisões, nos debates, nos artigos, nas preposições do Pacheco Pereira os sentimentos dominantes medeiam entre a glória do mando e o revanchismo. A euforia nunca foi boa conselheira. O próprio significado da palavra suscita precauções. Mas é preciso conhecer o significado da palavra.

O PSD, como se sabe, é constituído por uma série de ilhas, num oceano de atritos. O recente golpe de karaté aplicado pela dr.ª Manuela ao pobre Passos Coelho é paradigmático. O homem não foi, somente, afastado; foi vexado sem clemência. A senhora não abole distâncias: cria-as. Funcionando por exclusões, interdita, primeiro, qualquer veleidade de ascensão daqueles que a ela se opuseram; depois, cultiva o tribalismo, que desencoraja a mínima hipótese de dissenção. Naturalmente, esta prática despreza a ética.

O que se prepara, no caso (pouco provável) de José Sócrates perder as eleições é a aplicação de uma teia reticular de interesses particulares sobre o edifício do Estado. O PSD não dispõe de nenhuma estratégia de Governo. As soluções que vagamente expõe são as tradicionais da Direita. Qualquer preocupação de justiça é eliminada; as privatizações multiplicar-se-ão; a Saúde pertencerá às seguradoras com intervenção mínima do Estado, que será reduzido em todos os sectores da sociedade; aumento de impostos, mais repressão no mundo do trabalho. Nada de novo.

A dr.ª Manuela não alimenta o segredo das paixões. Nada promete que nos alivie do rude peso que, sabe-se lá como?!, tem sobrevivido a todas as penúrias impostas. Porque não haverá alterações de fundo, nem sequer remendos mal cerzidos, às avarias sociais de que temos sido vítimas. A responsabilidade do que nos acontece também terá de ser assacada ao PSD. Não há inocentes neste drama. O PS talvez tenha um comportamento menos brutal; porém, nunca concebeu ou estimulou uma consciência ética e estética que se prolongasse para além de si mesmo. Não é de estranhar que a dr.ª Manuela ameace rasgar um número ainda desconhecido, mas certamente vultoso, de decisões tomadas pelo Executivo Sócrates, caso seja "distinguida com o Governo" [sic].

Se há, manifestamente, uma tendência nos jornais, nas rádios, nas televisões e nas sondagens para se inflectir no PSD, isso deve-se mais ao desencanto que o PS provocou do que a méritos da dr.ª Manuela. A senhora é, rigorosamente, o que aparenta. E nada de bom se adivinha nessa aparência: algo de anacrónico, de deformado, incapaz de esboçar os contornos de uma sociedade mais justa.

Olhem bem para os olhos dela. Está lá tudo o que assusta.

Baptista-Bastos in DN

sábado, 27 de junho de 2009

O fado de todos nós...

José Sócrates continua o "animal feroz" que disse ser, ou é o "português suave", agora investido? O comoventíssimo problema tem queimado as meninges dos augustos comentadores da política nacional. Está mais sereno, está mais humilde, está mais modesto e menos arrogante - disse-se e escreveu-se.
.
Há duas semanas que esta gente tem agido segundo os princípios de um pensamento feito de frivolidades e de absurdos; e o próprio primeiro-ministro, tão reservado em assuntos realmente graves, não resistiu à tentação da irresponsabilidade e respondeu-lhes. Não há prova histórica da mudança: "Eu sou o mesmo" e "não mudo de rumo". Parece um fado e, se calhar - "Chorai guitarras, chorai" -, é o nosso próprio e redondo destino.
.
Estas minudências são o retrato oval de uma democracia de superfície, que nos incita à renúncia de pensar. Eis o que nos sussurram: as coisas são como são, e deixem a política para os políticos. Não é bem assim. Há muitos anos, conversando com o saudoso prof. Pereira de Moura, disse-lhe, a páginas tantas, que não percebia nada de economia. Respondeu-me: "Mas sabe a tua mulher quando vai à praça."
.
A três meses de eleições fulcrais vivemos numa farsa sem graça e numa história aos quadradinhos. Pacheco Pereira demonstra a calamitosa ausência de humor que o caracteriza, e espirra-canivetes quando Luís Filipe Menezes lhe chama "a loira do PSD", numa analogia (ou metáfora?) experimental e divertida. Menezes tem sido o alvo privilegiado do Pacheco, mas aquele é muito melhor, mais inteligente e culto do que a maioria dos que este tem apoiado e incensado.
.
Fogo-de-artifício. É só. Nada do que é importante tem sido debatido, porque a estratégia é impedir-nos de pensar e de agir. Quando a dr.ª Manuela Ferreira Leite aplaude o "manifesto" de 28 economistas (alguns não o são, nem coisa que se pareça), reivindicando o conteúdo do documento como se de ideias suas e antigas se tratasse, a natureza profunda da iniciativa fica destapada.
É um texto de abolição, uma birra de gente, certamente estimável, mas com pouco para dizer. De qualquer das formas, o documento não corporiza o antagonismo que pretende representar, além de não indicar, não sugerir, não propor: somente protesta.
Para protestar, os 28 são inúteis. Para isso, cá estamos nós. Vamos à praça e contamos os tostões. Não me parece que os signatários estejam em baixo de fundos, e muito menos que foram, unânime e piedosamente, movidos por um escaldante amor ao povo.
Todo este folclore não é cândido.
O que está em causa é irresumível nessa espécie de competição de caracteres entre Sócrates e Manuela.
Baptista-Bastos
in DN

terça-feira, 9 de junho de 2009

A segunda vida de Manuela Ferreira Leite...

Sobre o PSD. Estão a ver aqueles jogos de computador onde a energia do herói vai diminuindo à medida que leva pancada dos adversários? Assim estava Manuel Ferreira Leite: 5% de energia, luz vermelha a piscar, cercada de inimigos, game over à vista. E eis que no último momento saca da cartola um daqueles suplementos vitamínicos que repõem a marca nos 100, ganhando um novo alento para chegar ao próximo nível. Paulo Rangel foi uma escolha pessoal sua, contra quase todo o partido e perante a surpresa da comunicação social. Mérito seu - e, sobretudo, um golpe de asa que ninguém desconfiava que Ferreira Leite pudesse ter. Há quem nasça um bom líder e há quem se torne um bom líder. Boa líder, ela manifestamente não nasceu. A noite de domingo deu-lhe o tempo que precisava para demonstrar que se pode tornar uma. Pedro Passos Coelho deve estar tão triste quanto Vital Moreira.
.
Sobre o PS. Ainda a noite ia no início quando Mário Lino saiu do Hotel Altis. Para afastar os repórteres de televisão, disse que só ia ao carro buscar tabaco. Nunca mais se lhe ouviu palavra. Este sair para comprar cigarros e desaparecer no escuro é sintomático do estado em que o PS ficou na noite de domingo. Vital Moreira foi um desastre como candidato e teve o que mereceu. A sua derrota demonstra também que não é a máquina partidária e os comícios cheios que hoje em dia empurram quem quer que seja para a vitória. Quanto a José Sócrates, a queda foi estrondosa, mas justiça lhe seja feita: na hora da derrota deu a cara, não se desculpou, prometeu luta e esteve ao lado do seu candidato. Comportou-se como um homem.
.
Sobre o bloco central. Desde 1985, quando surgiu o fenómeno PRD, que a soma de PS e PSD não caía claramente abaixo dos 60% numas eleições em Portugal. Esta fragmentação do espectro partidário já anda por aí a assustar os profetas da "governabilidade". Tendo em conta que já vamos em 20 anos de "governabilidade", limito-me a perguntar: aproximámo-nos da Europa? Desenvolvemo-nos como devíamos? Ganhámos com isso? A governabilidade está muito sobrevalorizada.
.
Sobre o fim do capitalismo. Mário Soares deve estar um pouco confuso. Então não era suposto que a crise demonstrasse a falência dos partidos da direita, alegados representantes do neoliberalismo selvagem que conduziu o mundo ao estado em que estamos? Pelos vistos, o povo europeu é louco: confia mais na direita do que na esquerda para o tirar da crise. Soares tem aqui matéria para mais uns artigos.
.
Sobre as sondagens. Já nem as noites eleitorais escapam às teorias da conspiração. Segundo o CDS, as sondagens pré-eleitorais não se enganam - as sondagens pré-eleitorais conspiram. Por todos os santinhos: mais cabalas, não.
João Miguel Tavares
in DN

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Manuela F. Leite...Verdade e consequência...

Na entrevista que concedeu, no passado fim-de-semana, ao diário "Público" e à Rádio Renascença, Manuela Ferreira Leite apresentou-se com um novo "look": mais modernaça na indumentária, mais solta, menos rígida, com um discurso mais fluente, menos ríspida nas respostas.
Bom sinal: a líder do PSD apreendeu com os tremendos erros de comunicação que os seus mais directos conselheiros lhe impingiram, propositadamente ou não, no início da empreitada.
.
Durante a conversa com os jornalistas Manuela Ferreira Leite deixou no ar uma pergunta de enorme relevância que passou praticamente despercebida. A dada altura, questionada sobre os investimentos anunciados pelo Governo para ultrapassar a crise, a líder social-democrata disse o seguinte (cito para evitar interpretações dúbias):
.
"É estranho que o Governo tenha anunciado tantas medidas, tantos milhões que vão surgindo sem necessidade de fazer um orçamento rectificativo. O orçamento não estava preparado para este tipo de medidas, logo, se elas estão a surgir, quer dizer que não estão a sair do orçamento, se não ele tinha que ser corrigido. Portanto, são capazes de estar a sair da Segurança Social. Se for isso que está a acontecer, pode-se violar o princípio da relação de confiança com os cidadãos se não se lhes assegurar uma pensão na sua velhice. Tal seria dramático.
.
Portanto: Manuela Ferreira acha (ou, no mínimo, desconfia) que o Governo nos anda a enganar a todos e, simultaneamente, a hipotecar a reforma dos cidadãos portugueses. Que o Executivo de José Sócrates tenha deixado passar em claro tamanha pancada pode revelar uma de duas coisas: distracção (hipótese muito pouco credível) ou interesse em deixar que o vento leve, rapidamente e em força, as palavras de Manuela Ferreira Leite.
.
Convinha sabermos tudo o que há para saber sobre esta matéria. Porque das duas uma: ou o que Ferreira Leite diz é verdade e é grave, ou é mentira - e aí passamos a ter o direito de não dar grande crédito ao que diz a líder do PSD. Haja quem nos esclareça.
Paulo Ferreira
in JN

sábado, 16 de maio de 2009

Tiro no pé


Ferreira Leite admite congelar

salários se chegar ao Governo

Esta mulher tem uma pontaria impecável, pelo menos para dar tiros no pé em cheio.

terça-feira, 28 de abril de 2009

A Fisga



Ferreira Leite enreda-se na ideia de Bloco Central

Na SIC, a líder do PSD não rejeitou liminarmente a possibilidade de o PSD se aliar ao PS, num bloco central, para governar o País. Mas acabou por o fazer à agência Lusa.
In DN

domingo, 12 de abril de 2009

Sondagem: avaliação da comunicação de Manuela Ferreira Leite...

A líder do PSD diz que fala mas que poucos dão atenção ao que diz.
Na sua opinião, qual é a principal causa de Manuela Ferreira Leite não ser ouvida?
Falta de credibilidade: 12,5%
Má actuação quando foi governante: 11,9%
Má comunicadora: 10%
Conteúdo sem interesse: 9,7%
Só critica, não propõe: 9,0%
Sem carisma/sem liderança: 7,7%
Retrógada/Incompetente: 5,8%
Antipatia: 3,4%
Descrédito dos políticos em geral: 2,1%
Por ser mulher: 2,1%
Desentendimentos no PSD; 1,3%
Manipulação do Governo: 0,6%
Outras razões: 0,5%
Sem opinião: 23,4%
in CM
.
Estamos feitos e com poucas alternativas...Valha-nos a santa Esquerda!!!...

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A Frase...

.
"Sócrates está a ultrapassar os limites da seriedade na política"
.
Manuela Ferreira Leite
.
Esta continua a "acordar" sempre tarde e às más-horas...Pensa ao "retardador"...

domingo, 8 de março de 2009

Tiro no pé


O tema desta coluna de opinião é cada vez mais necessário.

Reparem, por exemplo, como os responsáveis pela crise tentam resolve-la:

1- Nomeando comissões presididas pelos principais responsáveis pela situação vigente, de gestores a banqueiros, passando por organismos responsáveis pela fiscalização do que se passou (a dormirem na forma), governos que aprovaram e apoiaram o descontrolo do louvado neo-liberalismo e da globalização sem rei nem roque, ao ponto de ninguém querer saber quem tem o quê nos chamados offshores – afinal uma nova banca mais vocacionada e capaz de lavar mais e melhor dinheiro obtido por criminosos, sejam eles traficantes de droga, armas, tráfico humano para alimentar a prostituição e a escravatura de operários, gestores de colarinho branco, do que as conhecidas e obsoletas contas numeradas na Suíça. Isto, ao nível mundial, a que, inevitavelmente, Portugal pertence. Sem qualquer efeito na queda de qualquer governo, dissolução de assembleias legislativas, responsabilização de ministros da justiça e chefes de Estado. Quando se aponta o dedo à Guiné-Bissau, por lá esse tipo de questões serem resolvidos a tiro, à bomba e à catanada… convém ver quanto falta para tal método cá chegar. Um tiro no pé!

2- Ao nível doméstico, as nossas paróquias partidárias também se têm esmerado na pontaria ao tiro no pé. José Sócrates transformou o congresso do PS num plebiscito ao seu reinado, perante a oposição de Manuela Ferreira Leite em queda vertiginosa no PSD que “lidera” e era suposto (tradicionalmente) apresentar-se como alternativa no centrão que nos (des)governa há mais de três décadas. Encurralada pelos seus militantes, lá vai aceitando candidaturas de quem sempre a combateu – como Santana Lopes – ou dando corda “a sucessão” de um tal Passos Coelho, que nada mais fez na vida do que inscrever-se na JSD e ir trepando na “carreira” político-partidária. O desastre está à vista. Um tiro no pé!

Na Câmara de Lisboa, António Costa insiste em emparedar o Tejo com uma barragem de contentores e, pior ainda, em iniciar obras na zona do Terreiro do Paço – logo a seguir à famigerada odisseia da estação do metro – interrompendo a circulação automóvel por uma zona essencial à livre e necessária circulação de quem tem necessidade de circular em Lisboa. Um tiro no pé.

O gabinete do primeiro-ministro transformou-se num ministério da propaganda que faz esquecer os rasgos imaginativos de António Ferro – ao serviço de Salazar – ou de Goebells, que convenceu os alemães a apoiarem Hitler e que o nazismo ganharia a Segunda Guerra Mundial. Além disso, arranjou umas “socranetes” que, de ignoradas jornalistas ou professoras, ascenderam a conceituadas comentadoras nos média, dentro do chamado horário nobre. Um tiro no pé!

Para além de tudo isto, José Sócrates confunde o resultado das sondagens encomendadas com a forma como o eleitorado votará. Confunde a fraqueza do PSD com a falta de adversários capazes de o derrotar nas urnas. Vive obcecado com a imparável subida do BE que já lidera a oposição ao seu governo. Ao fazê-lo, Francisco Louçã agradeceu-lhe pública e elegantemente a deferência e foi por Sócrates promovido a líder da oposição. Um tiro no pé!

Após várias negas, optou por Vital Moreira para encabeçar a lista às eleições europeias, supondo que ia pescar uns votos à esquerda. Ninguém gosta de trânsfugas, muito menos daqueles que mais não fazem do que tecer hossanas a tudo o que o chefe faz ou manda fazer. Um tiro no pé!

E se tudo isto não bastasse, tentou segurar e catequizar Manuel Alegre, procurando mantê-lo no redil dos seus fiéis correligionários. A bofetada de luva branca que Alegre lhe deu, foi exemplar e ficará registada nos anais do PS. Um tiro no pé!

sábado, 20 de dezembro de 2008

Embrulhada cor-de-laranja...

Elias, o sem-abrigo, personagem principal do cartoon que o JN publica nas páginas de Opinião, dizia ontem, parafraseando Luís Filipe Menezes, que o seu combate (de Menezes) no seio do PSD é "estruturado e a mais longo prazo", coisa que, ainda segundo Elias, "no caso do PSD, pode querer dizer para a semana, amanhã ou daqui a pouco". Eis como o humor ajuda a retratar - e de forma tão certeira - o estado do principal partido da Oposição.
O presidente da Câmara de Gaia usou as palavras citadas por Elias num artigo de opinião publicado no JN, a propósito da escolha de Pedro Santana Lopes para a corrida à Câmara de Lisboa.
O artigo lembra o óbvio: Manuela Ferreira Leite e os seus mais afectos companheiros ergueram várias vezes a cruz em direcção ao "diabo" Santana; fizeram-lhe a vida negra quando foi primeiro-ministro e depois candidato contra Sócrates; a actual líder do PSD assumiu que nunca votaria em Santana numa eleição uninominal; e, consequentemente, lutou ao lado dos que desejaram ardentemente atirar Santana, de uma vez e para todo o sempre, para as calendas… Santana, político de sete vidas, a tudo resistiu.
E obriga agora Manuela Ferreira Leite a engolir um sapo de tamanho gigante.
Por que razão é isto importante? Porque mostra à saciedade como a conversa de Manuela Ferreira Leite sobre o regresso à pureza dos princípios na vida política, sobre a obrigatoriedade de servir a verdade e nada mais do que a verdade aos portugueses, sobre a necessidade de romper com passado recente do partido (isto é: com o modo de fazer política de Menezes e Santana Lopes), não passa disso mesmo: de mera conversa.
Não apenas por isto, mas também por isto, o PSD está como está nas sondagens: a cair a pique, como mostram os resultados do estudo de opinião publicado na edição de ontem do JN. Nada que não fosse possível prever desde que Manuela Ferreira Leite começou a mostrar o jeito pela coisa. Melhor: a falta de jeito para reavivar a alma de um partido que gosta de sentir o cheirinho a Poder, que vive mal sem esse cheirinho.
Com o destino da actual líder do PSD devidamente traçado, resta saber como sairá o partido desta embrulhada. Magno problema: as divisões dos últimos anos acentuaram a criação de grupos e grupinhos, todos na disposição de se aniquilarem uns aos outros ao mínimo sinal de tentativa de controlo do poder interno por uns ou por outros.
Drama máximo: não se vê no horizonte quem possa desatar este nó que estrangula o principal partido da Oposição.
De modo que, venha quem vier, o espectáculo estará seguramente garantido nos próximos tempos…
Paulo Ferreira
in JN

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Manuela F. Leite...Ah, as palavras!...

As palavras são seres pouco fiáveis. A uns dizem uma coisa, a outros outra, e, a muitos, não dizem coisa absolutamente nenhuma. Depois, têm uma perigosa tendência para a autogestão e para falarem por sua conta e risco.
Acho que Manuela Ferreira Leite não quis dizer o que há meses disse numa entrevista e que foram as suas palavras que o disseram contra a sua vontade: "Quando fui votar, no boletim de voto não estava o nome de Santana Lopes (...) Se lá estivesse o nome de Santana Lopes, não votava".
Ou então foram as palavras do seu vice-presidente, Castro Almeida, que falaram de mais quando há dias anunciou a candidatura de Santana Lopes à Câmara de Lisboa por proposta de… Manuela Ferreira Leite.
Talvez Manuela Ferreira Leite fosse propor outro nome mas as suas palavras tivessem dito: "Santana Lopes". Talvez Manuela Ferreira Leite sofra de síndrome de Tourette e "Santana Lopes" seja o palavrão que lhe sai sempre que abre a boca (na tal entrevista, em duas frases saiu-lhe duas vezes).
Talvez a liderança de Manuela Ferreira Leite no PSD seja um problema clínico e não um problema político.
Manuel António Pina
in JN

domingo, 30 de novembro de 2008

O PSD? Onde?...

Devo confessar que não entendo o que se está a passar no PSD. Se calhar é coisa só para iluminados e sou estúpido demais para tão grande prospecção.
Devo dizer, ainda, que não apoiei nenhum dos três candidatos, dos quais saiu a nova líder do PSD. Não apoiei por razão nenhuma. Estava sem paciência. Mas expectante.
Desde que Durão Barroso se pirou a caminho de Bruxelas que a senhora é a incarnacão do grande futuro do PSD. Sabe-se que fez parte do grupo que arrasou Santana Lopes. Ela, ou os seus colaboradores, disse de Lopes aquilo que o diabo não diz da cruz. E temos de reconhecer. As gaffes de Santana ajudaram a festa.
Com Luís Filipe Menezes, a actual presidente foi esfíngica. Menezes poderia dizer, ou não dizer, que estava marcado para morrer. O grupo ligado à senhora arrasou-o ainda não tomara posse. Menezes decidiu suicidar-se e chegaram novas eleições, e agora o PSD ia renascer de vez! Com ela, o verdadeiro, o sério, o genuíno PSD estava nas ruas capaz de desafiar o omnipresente poder de Sócrates.
Seis meses depois, olhamos para trás, e só vemos o deserto.
Disse barbaridades que terão feito corar Santana Lopes, e destaco pelo murraço que na altura levei, a forma como decidiu que o casamento é acto para procriar e mais nada.
Depois veio a história do silêncio. Não sei quem aconselhou a senhora, mas seguramente é mais estúpido do que eu, que não entendo nada de política. Num tempo em que os territórios da política são sempre pertença de alguém, calar-se significou entregar ao outro a parte que lhe pertencia. Depois, foi a história dos cabo-verdianos e dos ucranianos, a que se seguiu a ‘boutade’ sobre o salário mínimo, etc, etc.
Menezes arreia-lhe de acordo com as suas memórias mais emotivas. Eu, pessoalmente, não estou aí. Julgo, até, que a idade merece mais respeito. Mas também devo confessar que assistimos a uma desilusão, que, fosse Lopes, Menezes ou outro qualquer mais visível, seria arrastado até ao fim do calvário. Passos Coelho foi inteligente oferecendo-lhe os préstimos. Santana foi prudente não lhe atazanando a vida. E as granadas de Menezes não são suficientes.
A verdade é que esta direcção é um mito de pés de barro.
Jamais houve condições objectivas e subjectivas, como aquelas que estamos a viver, para o principal partido da Oposição se aproximar do partido do Governo. Pelo contrário! Cai nas sondagens. Até a retórica sem imaginação da CDU ganha pontos. O próprio BE. E o PSD cai! Como? Talvez seja de propósito e eu não perceba a táctica. Talvez se esteja a aproveitar para os últimos dez minutos antes de acabar a partida e bombear bolas sobra a área.
Porém, nessa altura já deve estar a levar uma abada de cinco a um ou a dois. Coisa que está na moda. Como se vê nas nossas grandes equipas.
Francisco Moita Flores
in CM

terça-feira, 25 de novembro de 2008

UM EXORCISTA PARA A SEDE DO PSD, POR FAVOR...

Manuela Ferreira Leite, 2 de Julho de 2008: "A família tem por objectivo a procriação."
Manuela Ferreira Leite, 1 de Novembro de 2008: "As grandes obras públicas só ajudam a combater o desemprego de Cabo Verde e da Ucrânia."
Manuela Ferreira Leite, 12 de Novembro de 2008: "Não pode ser a comunicação social a seleccionar aquilo que transmite."
Manuela Ferreira Leite, 17 de Novembro de 2008: "Não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia."
Como diria o engenheiro Guterres, é fazer as contas: só nos últimos 15 dias, Manuela Ferreira Leite proferiu três frases incompatíveis com um mínimo de sentido de Estado, já para não dizer de flagrante incómodo com as mais elementares regras democráticas.
Sobre todos esses temas, o PSD veio depois esclarecer que aquilo que foi dito não era aquilo que Manuela Ferreira Leite queria dizer. Donde se conclui que Manuela Ferreira Leite teria grandes vantagens em se fazer acompanhar por um tradutor, de forma a solucionar o irritante desfasamento entre o seu cérebro e as suas cordas vocais.
Manifestamente - atrever-me-ia mesmo a dizer "felizmente" -, o seu pensamento não coincide com as palavras que lhe saem da boca. Dir-me-ão: mas onde está o seu sentido de humor, meu caro? Já não se pode ser irónico nesta terra? Poder, pode. Mas eu acho tão natural em Manuela Ferreira Leite o uso da ironia quanto o uso da minissaia. Não, aquilo não foi bem ironia. Aliás, aquilo nem sequer foi uma gafe. A gafe, por definição, é uma ocorrência rara. Quando deixa de ser rara, deixa de ser gafe.
O que Manuela Ferreira Leite tem, afinal, é uma segunda natureza com uma inesperada propensão para o desastre, o que é tanto mais surpreendente quanto a sua imagem pública era de rigor, ascetismo, medição calculada das intervenções.É por isso que a actual líder do PSD está a atingir níveis olímpicos de desilusão: a diferença entre aquilo que dela se esperava e aquilo que dela se está a ter é gigantesca.
De Pedro Santana Lopes, nunca ninguém esperou muito. De Luís Filipe Menezes, ninguém espera nada.
Mas Manuela Ferreira Leite era um caso diferente: vinha alcandorada de referência moral do PSD, de regeneradora da seriedade perdida, de férrea combatente do caos. Pacheco Pereira jurou pela biblioteca da Marmeleira que ela é que era.
E, vai-se a ver, Manuela Ferreira Leite não só sucumbe ao velho cálculo político (a tentativa de moralização das listas iniciada por Marques Mendes já é uma miragem) como é um susto cada vez que abre a boca. Pobre PSD.
Alguém envie um exorcista para a São Caetano à Lapa, se faz favor.
João Miguel Tavares
in DN

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Manuela F. Leite...No fundo, ela tem saudades...

Andam mil olhos a vigiar a anciã que governa o PSD - Menezes, Passos Coelho, pelo menos metade do Governo (a outra metade tem por missão manter-se atenta aos movimentos de Manuel Alegre), toda a direcção do grupo parlamentar do PS.
A cada deslize verbal, pimba, caem-lhe em cima. Um de cada vez ou em conjunto. Talvez mancomunados, sabe-se lá, porque há conspirações que se espalham como óleo em estrada molhada.
Não custa reconhecer que Manuela Ferreira Leite se põe a jeito. Já tem idade - e deveria ter experiência política - suficiente para medir cada palavra, avaliar com rigor o impacte de cada frase.
Há quem espere dela, putativa candidata a primeira-ministra, pouco menos do que a exemplaridade. Mas não: descobrimos agora que, humana como todos nós, a senhora também comete gafes. Tivesse ela o coração ao pé da boca e por certo lhe descontaríamos os excessos de linguagem, já que a emoção é mais perdoável do que a razão. Os detractores, porém, suspeitam que o que lhe vem à boca não é o coração, é o subconsciente.
No fundo, lá bem no fundo, acusa-se, é xenófoba por só vislumbrar ucranianos e cabo-verdianos agarrados às betoneiras das obras públicas. No fundo, convive mal com uma Imprensa livre, quando se queixa de que a Comunicação Social não dá eco às suas mensagens. E, cereja em cima do bolo, tem, lá no fundo, impulsos ditatoriais incontroláveis. Pois se no meio de um discurso se interroga sobre a "utilidade" de "haver seis meses sem democracia" (o deficiente português fica por conta da natureza do discurso, feito de improviso)...
Deixar a democracia a marinar durante meio ano, enquanto se fazem umas quantas reformas, para depois voltar a cumprir, como se nada fosse, o que está na Constituição e deveria estar no nosso espírito? Recuso-me a acreditar que Ferreira Leite se reveja neste cenário, que (no fundo) justificou, nos idos de 1926, uma Ditadura Nacional para pôr o país na ordem, mas se lhe agarrou como lapa até 1974. Pode tratar-se de uma ou outra reminiscência do passado, mas mais recente: do período dos governos de Cavaco Silva, de que fez parte.
Nesse tempo - como hoje, aliás - muitos detectavam na maioria absoluta tiques de ditadura.
É o ponto de rebuçado que se atinge quando o diálogo cansa e, para quem não morre de amores por ele, se torna empecilho. É quando se sente que negociar medidas é um incómodo e se passa à imposição. Regra geral em nome do povo que ofereceu os votos.
É desse tempo, em que quem batia o pé era apodado de "força de bloqueio", que no fundo Ferreira Leite tem saudades. Porque se faziam muitas "reformas".
Couberam, apertadinhas, num livro então editado. Mas cada Governo posterior sentiu necessidade de empreender outras.
Paulo Martins
in JN

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Um pouco de pudor, sff...

Leon Lederman (Nobel da Física em 1988 pelos seus trabalhos no domínio da física das partículas) dizia ironicamente que pertencia ao Departamento dos "Comos", e que as respostas a certas perguntas sobre o seu trabalho deveriam ser procuradas do outro lado da rua, na Faculdade de Teologia, onde funcionava o Departamento dos "Porquês".
Mas, se as coisas são assim no que toca a quarks e muões, será pedir muito que o que um político diz faça sentido?
Quando Manuela Ferreira Leite afirma que não divulga as propostas que tem para o país "porque até às eleições eram todas adoptadas pelo Governo", acusando este de "aproveitar" as ideias do PSD, não lhe ocorrerá que, sendo tais propostas supostamente boas para o país, e estando o PSD preocupado, acima de tudo, com o interesse do país, deveria alegrar-se e não lamentar-se por o Governo as adoptar?
E quando Sócrates garante que a avaliação dos professores (a do Governo) é "absolutamente fundamental" para a melhoria do ensino, ninguém lhe perguntará como foi então possível o estrondoso "milagre educativo" sem estar ainda em prática essa avaliação?
Manuel António Pina
in JN

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Cavaco e Manela...

O Cavaleiro da Triste Figura e a afilhada Ferreira leite, prontos para lutar contra ventos e marés...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Ferreira Leite..."Credibilidade populista"...

Nenhum de nós pode afiançar que foi o amigo Aníbal quem lhe ensinou o truque, mas suspeita-se que sim: "Dá-lhe um doce. Enquanto estiver entretido a comê-lo, tens tu descanso", terá aconselhado. Manuela, senhora de corte clássico e educação austera, não percebeu à primeira. "Se estivesses no Governo, podias fazer como eu fiz, nomeá-lo secretário de Estado da Cultura. Antes isso do que moer-me a cabeça todos os dias. Descobre qualquer coisa".
Manuela deve ter sentido um valente nó no estômago. Acontece às melhores famílias - há mais de 20 anos, também os comunistas tiveram de engolir um sapo, ao botarem a cruzinha em Mário Soares, tapando as bochechas no boletim de voto.
Essa noite, passou-a a senhora quase em claro. Só se lembra de um pesadelo em que um tal Pedro, Lopes de apelido, aparecia de lenço laranja às bolinhas enfiado na cabeça. Era o "menino-guerreiro" cheio de vontade de ser de novo autarca, prometendo implacável combate às rendas de cinco euros que a Câmara cobra, festas todas as noites em Monsanto, poupanças na assessoria de imagem.
Ela, que se comprometera a devolver credibilidade ao partido, para que voltasse a ser levado a sério nos salões da política, logo teria de ceder a um populista do pior, ainda por cima mulherengo, na primeira decisão de fundo que as curvas da liderança lhe oferecem.
Manhã cedo, puxou de uma folha de papel quadriculado. O gesto é rotineiro. Sempre que passa uma noite mal dormida, dedica-se a elaborar gráficos com a evolução do défice público. Assim alivia o stress. Se fosse fumadora, daria uma passa.
Desta vez, não foi o Orçamento de Estado que a preocupou. De um lado da página, inscreveu a percentagem de risco, se Lopes se mantivesse de língua à solta por muito tempo. Do outro, a respeitante à candidatura - à Câmara de Lisboa, enfim, porque já tinha passado a fase de leilão, durante a qual ele habitualmente se oferece para disputar uma dezena de autarquias, com a sua aura de ser ungido pelos santos óleos do sucesso.
Ao período de pausa - "Até Outubro do próximo ano, folgam-me as costas", disse Manuela para os seus botões - atribuiu um valor. O resultado das eleições foi convertido em equação. Um bónus para ela própria, em caso de triunfo, que deve ser partilhado com o partido, por alguma razão o símbolo conta. As derrotas valem menos; ficam com quem as sofre.
Passou horas em arredondamentos. Fez um ou outro acerto, mas teve o cuidado de não incluir nas contas a venda da alma. E concluiu que o risco vale a pena, porque o PSD precisa de vitórias como de pão para a boca. Até deu consigo a imaginar o slogan da campanha: "Credibilidade populista".
Paulo Martins
in JN

sábado, 11 de outubro de 2008

Manuela Ferreira Leite...Sondagem e Estratégia...

A sondagem publicada pelo JN permite perceber com clareza o rumo que a política segue em Portugal. Confirma-se que os portugueses não vêem no horizonte uma alternativa clara ao PS e parecem dispostos a entregar uma nova maioria absoluta a José Sócrates.
Confirma-se que a estratégia do PSD só faz sentido na cabeça de Manuela Ferreira Leite e de dois ou três dos seus mais fiéis seguidores. Confirma-se que o discurso da catástrofe do PCP tem cada vez menos adeptos. Confirma-se que o CDS de Paulo Portas caminha alegremente para o abismo. E confirma-se que o Bloco de Esquerda conquistou a estabilidade eleitoral, um pau de dois bicos para os bloquistas.
O retrato, como se vê, não é famoso, em especial para o PSD.
A nova líder social-democrata pode sempre argumentar que as sondagens valem o que valem, que o estudo até aponta uma subida de dois pontos percentuais relativamente à última avaliação, que o povo é sábio e outros truísmos de igual relevância.
Nada elimina a verdade: numa altura em que as circunstâncias nacionais e internacionais fazem com que o Mundo praticamente desabe sobre a cabeça do primeiro-ministro (quase 70% dos inquiridos continuam a classificar o Governo como "mau" ou "muito mau"), o PSD não consegue chegar-se à frente. Isso sim é um verdadeiro mistério. Ou talvez não.
A sondagem ajuda a perceber o fenómeno. A popularidade de Manuela Ferreira Leite leva um trambolhão. São poucos os que acreditam que ela faria melhor do que José Sócrates. Na verdade, só dois em cada dez inquiridos acham que algum partido da Oposição poderia ser mais eficaz do que o actual Governo. E, destes, só 42% estariam dispostos a confiar essa missão aos social-democratas.
Ou seja: o PSD e Manuela Ferreira Leite têm um sério problema de credibilidade para resolver. Drama dos dramas: a credibilidade é justamente o que a líder social-democrata tenta alcançar com a sua famosa estratégia do silêncio.
Pelo que se vê, os eleitores preferiam que a líder do PSD viesse a jogo e explicasse, por exemplo, como contornaria ela os problemas sérios e difíceis que a crise internacional coloca ao nosso país. O que os portugueses desejam saber é se dra. Manuela Ferreira Leite é mais ou menos competente do que o eng. José Sócrates para conduzir o país. Ora, a líder social-democrata dificulta a legítima preocupação quando decide ir falar sobre a crise internacional para a... Turquia.
Manuela Ferreira Leite e apaniguados estão, em bom rigor, apenas à espera que a crise desgaste o Governo e que, por essa via, o poder lhes caia nas mãos.
É uma estratégia.
Mas é uma estratégia que os portugueses parecem não entender muito bem.
Será, seguramente, culpa dos portugueses.
Paulo Ferreira
in JN

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Ferreira Leite...A Guardiã dos "Ideais de Abril"...

Encostada às tábuas por Sócrates que lhe ocupou o espaço politico da "Direita Bafienta", a Manela, com uma "finta" de corpo, ultrapassou o Bloco de Esquerda e o PCP pela esquerda baixa, e "agarrou-se com ganas" aos Ideais de Abril...