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terça-feira, 28 de abril de 2009

Muda-se algo para que tudo fique na mesma

"Reabilitam-se os Galileus do passado e condenam-se os de hoje"

Vale a pena ler aqui a entrevista com o título de cima que o jornal espanhol "El Pais" publicou no sábado passado a Juan Masiá, padre jesuíta e professor de Bioética na Universidade Católica de Osaka, Japão.Um extracto:Pregunta. Sostienen ustedes que la Iglesia católica está cometiendo "ridículos mayores que los del caso Galileo".Respuesta. Galileo tenía razón en su intuición sobre el movimiento de los astros, pero no la tenía en sus argumentos. En cambio, hoy la ciencia suministra datos que la curia romana prefiere desconocer: por ejemplo en problemas referentes al inicio y al fin de la vida. La consecuencia es que la proclamada síntesis entre fe y razón se ve así puesta en entredicho. Hay que evitar nuevos casos Galileo. Es muy cómodo rehabilitar a los Galileos del pasado mientras se condena a los de hoy. La Inquisición ha de extinguirse. La Congregación para la Doctrina de la Fe, que presidió Ratzinger tantos años, debería haber desaparecido.

http://dererummundi.blogspot.com/

posted by Francisco Trindade @ 10:45 links to this post
em: http://www.franciscotrindade.blogspot.com/

terça-feira, 31 de março de 2009

A Fisga

Depois do preservativo, bispo defende divórcio

D. Ilídio Leandro prevê situação em casos de violência doméstica

D. Ilídio Leandro, bispo de Viseu, tem surpreendido pelas declarações desalinhadas com a posição oficial da Igreja. Depois da polémica em relação ao uso do preservativo, veio agora defender o divórcio, sempre em casos excepcionais.

Preservativos: bispo de Viseu não recua

Durante uma conferência sobre violência doméstica, promovida pela Assembleia Municipal de Viseu, o bispo advertiu que discorda do divórcio, porque «há outras formas de resolver» o problema, mas também lembra que a Igreja é «contra qualquer tipo de violência», pelo que terá de prever a dissolução do matrimónio em casos específicos de violência doméstica.

O bispo de Viseu afirmou também «respeitar as pessoas que optam pela separação» em casos de violência doméstica, mas salientou que esta «chaga social» deve ser combatida através «dos valores da família».

Elza Pais, presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, considerou a violência doméstica um «problema gravíssimo que não escolhe idade ou classe social», sublinhando que «as vítimas têm a obrigação de o denunciar».


In Portugal Diário

quarta-feira, 18 de março de 2009

Vaticanadas...

Ou vaticanices. Não suporto ver os senhores cardeais e os senhores bispos trajados com um luxo que escandalizaria o pobre Jesus de Nazaré, mal tapado com a sua túnica de péssimo pano, por muito inconsútil que tivesse sido e certamente não era, sem recordar o delirante desfile de moda eclesiástica que Fellini, genialmente, meteu em Oito e Meio para seu e nosso gozo. Estes senhores supõem-se investidos de um poder que só a nossa paciência tem feito durar.
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Dizem-se representantes de Deus na terra (nunca o viram e não têm a menor prova da sua existência) e passeiam-se pelo mundo suando hipocrisia por todos os poros. Talvez não mintam sempre, mas cada palavra que dizem ou escrevem tem por trás outra palavra que a nega ou limita, que a disfarça ou perverte. A tudo isto muitos de nós nos havíamos mais ou menos habituado antes de passarmos à indiferença, quando não ao desprezo.
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Diz-se que a assistência aos actos religiosos vem diminuindo rapidamente, mas eu permito-me sugerir que também serão em menor número até aquelas pessoas que, embora não sendo crentes, entravam numa igreja para disfrutar da beleza arquitectónica, das pinturas e esculturas, enfim de um cenário que a falsidade da doutrina que o sustenta afinal não merece.
Os senhores cardeais e os senhores bispos, incluindo obviamente o papa que os governa, não andam nada tranquilos. Apesar de viverem como parasitas da sociedade civil, as contas não lhes saem.
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Perante o lento mas implacável afundamento desse Titanic que foi a igreja católica, o papa e os seus acólitos, saudosos do tempo em que imperavam, em criminosa cumplicidade, o trono e o altar, recorrem agora a todos os meios, incluindo o da chantagem moral, para imiscuir-se na governação dos países, em particular aqueles que, por razões históricas e sociais ainda não ousaram cortar as sujeições que persistem em atá-los à instituição vaticana.
Entristece-me esse temor (religioso?) que parece paralisar o governo espanhol sempre que tem de enfrentar-se não só a enviados papais, mas também aos seus “papas” domésticos. E digo ainda mais: como pessoa, como intelectual, como cidadão, ofende-me a displicência com que o papa e a sua gente tratam o governo de Rodriguez Zapatero, esse que o povo espanhol elegeu com inteira consciência.
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Pelos vistos, parece que alguém terá de atirar um sapato a um desses cardeais.
José Saramago
in O Caderno de Saramago

terça-feira, 10 de março de 2009

Quem lhes enfiasse um ferro em brasa ...

O assunto já foi abordado no post "Tiro no pé", publicado mais abaixo pelo Zigoto...
Mas, pela importância e vergonha da noticia, aqui fica mais uma "achega"...
Retirado do blog Edições Pirata...
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O arcebispo de Olinda e Recife, josé cardoso sobrinho, excomungou uma menina de 9 anos e toda a equipa médica que lhe realizou uma interrupção de gravidez.
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A menina, engravidada pelo seu próprio pai e que desde os 6 anos de idade foi repetidas vezes violada por esse filho da p**a, tem menos de 30 quilos, e sem condições físicas para levar a gravidez até ao fim.
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O outro filho da p**a - o bispo - só se esqueceu foi de excomungar o violador.

O cretino de cima é o tal bispo, que entretanto reafirmou que “aborto é pior que estupro”.
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O de baixo é o presidente da comissão pontifícia vaticana para a América Latina, cardeal giovanni battista, que afirmou ser justa a excomunhão dos médicos, e que consequentemente lhe colocou a chancela do vaticano.
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Pelos vistos a coisa não é um acto isolado de um fanático fundamentalista.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Tiro no pé



Dois amigos à conversa num café do bairro:
- Sabes que um arcebispo brasileiro excomungou a mãe e os médicos que fizeram um aborto à filha de 9 anos, violada pelo padrasto?
- Só excomungaram a mãe e os médicos?
- Sim!
- Então ainda há salvação possível; pelo menos para o padrasto que violou a criança.
- Esse arcebispo deu um Tiro no pé da Igreja.

domingo, 1 de março de 2009

Paradoxos...

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O que não é normal é um gajo adulto que se veste desta forma querer ser levado a sério.
in Blog Edições Pirata
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Como diz Manuel Villas Boas (Diário Económico):
Enquanto não sair do passado, a Igreja não é ouvida no presente nem no futuro.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Um Padre Nosso...

Uma solteirona descobre que uma amiga ficou grávida só com uma oração que rezou na igreja de uma aldeia próxima.
Dias depois, a solteirona foi a essa igreja e disse ao padre:
- Bom dia, padre.
- Bom dia, minha filha. Em que posso ajudá-la?
- Sabe, padre, soube que uma amiga minha veio aqui e ficou grávida só com uma ave-maria.
- Não, minha filha, foi com um padre nosso, mas já o transferimos.

sábado, 13 de setembro de 2008

A Manela e a Igreja...

Ferreira Leite aproxima-se descaradamente da Igreja buscando a benção para a união do partido e o santo apoio visando já as eleições de 2009...

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Deus está no mercado



O PREÇO DAS MISSAS

Aumentam os transportes e aumentam os preços das missas. Entre as minudências materiais e a infinitude do espírito já não há as diferenças que implicavam um irredutível antagonismo. A vida quotidiana, no "socialismo moderno" de José Sócrates, está insuportável. Ajudava, para alguns, o encontro com Deus, na liturgia missal. Agora, até esse alívio dos aflitos cobra aumento. Sabemos que não somos feitos para compreender muitas coisas, e que a política é a disciplina das ambiguidades. No entanto, entendemos menos o domínio do vil metal no território do religioso. O preço das missas vai corresponder a que tabela? A uma medida semelhante à dos transportes colectivos? Por tempo, equivalendo este à quilometragem? Em quanto vai importar uma modesta novena? E um piedoso rito de defuntos?

Haverá, então, razões para crer na afirmação do teólogo assuncionista Marcel Neusch [Deus no Século XXI, Instituto Piaget, Colecção Crença e Razão], segundo o qual "Deus deixou de ser contestado porque, para muitos, Ele deixou de fazer parte das questões que interessam aos homens"? Adiciono, para complemento de reflexão, estas perguntas do padre Anselmo Borges, leitura estimulante aqui, no DN: "Que Deus é esse, em nome do qual se aterroriza e mata pessoas? Há guerras em curso, e os cristãos pedem ao Deus, os judeus pedem ao Deus, os muçulmanos pedem ao Deus. Qual Deus? E que vai Deus fazer para atender a todos contraditoriamente?"

Em todos os conflitos contemporâneos, a Igreja tem desempenhado um papel relevante. Para o bem e para o mal. Muitas das suas evasivas, numerosos dos seus silêncios atingem, historicamente, os domínios do escândalo. O papa do Hitler, Pio XII, que abençoou as Divisões Panzer, e estendeu o braço numa saudação aberrante, não é, somente, a simbólica de uma época: reflecte uma intenção e assinala uma ideologia.

A evidência é que a dimensão histórica da cruz permitiu toda a espécie de abusos, inclusive o da superstição. As missas são agora mais caras. A decisão, creio que vaticana, obedece a uma exigência dos tempos, que transforma os arautos e servidores do Reino em deploráveis mercenários.

"A glória de Deus é o pobre vivo." A frase de Ireneu deixa de fazer sentido. E o aumento do custo das missas, por módico que seja, sugere que a plenitude do amor na fé é gravemente amachucada. Pediam, os crentes, a salvação do mundo e a purificação das pessoais almas. Para isso, oravam, na apoquentação de quem acredita que uma boa prece é sempre a derrota dos males concretos. Entre os quais estes, rudemente impostos pela política de Sócrates. O amparo, presumidamente oferecido, na grata solidariedade de quem vive em plena comunhão de afectos, dispõe, agora, de uma tabela de preços. Deus está no mercado.

Baptista-Bastos in DN