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terça-feira, 15 de abril de 2008

JOGOS OLÍMPICOS = LIBERDADE = FRATERNIDADE




O desrespeito pelos direitos humanos na China está a aumentar durante a preparação dos Jogos Olímpicos. Foi uma das conclusões da audição realizada no dia 26 de Novembro pela subcomissão parlamentar dos Direitos Humanos. Entre os motivos de séria preocupação encontram-se as medidas de reforço do controlo, o silenciamento dos meios de comunicação social, a opressão sobre os dissidentes, a generalização da escravatura, as detenções políticas, as torturas e uma grande desigualdade social. “Desapontante” foi a expressão utilizada pela eurodeputada Hélène Flautre (Verdes/ALE), a propósito da ausência de um representante da Embaixada da China.

Hu Jia, um dos nomeados para o Prémio Sakharov 2007, encontra-se em prisão domiciliária há mais de 190 dias e, através de uma ligação de Internet relatou, por telefone, a situação actual. "Um desastre em termos de direitos humanos" e 1 milhão de pessoas perseguidas de diferentes formas, referiu Hu Jia, que apelou a uma posição firme da União Europeia, designadamente no que se refere ao embargo de armamento.

“O Comité Olímpico Internacional baniu o apartheid dos Jogos Olímpicos em África do Sul. Isso demonstra que pode tomar decisões políticas.

terça-feira, 18 de março de 2008

DIÁLOGO ENTRE CIVILIZAÇÕES

António de Andrade


O ÚLTIMO GRANDE VIAJANTE PORTUGUÊS

António de Andrade representa, literalmente, o ponto mais alto dos descobrimentos portugueses: ele foi o primeiro europeu a chegar ao Tibete, o "Tecto do Mundo", há quase 400 anos.

Para o historiador Luís de Albuquerque, aquele missionário jesuíta foi, também, "o último dos grandes viajantes portugueses dos séculos XVI e XVII".

António de Andrade (1581-1634) nasceu em Oleiros, distrito de Castelo Branco. Entrou para a Companhia de Jesus com 15 anos de idade e em 1600 partiu para a Índia, onde viveu até morrer.

A sua primeira viagem ao Tibete, iniciada a partir do Reino de Agra, no norte da Índia, ocorreu em 1624. Segundo a mitologia da época, haveria no Tibete "muitos cristãos e igrejas ricamente ornadas com imagens do Nosso Senhor Jesus Cristo e da Nossa Senhora".

António de Andrade viajava acompanhado por um sacerdote da mesma Ordem chamado Manuel Marques. Iam ambos "disfarçados de mouros", com um grupo de "peregrinos pagãos".

Quando foram descobertos, em Srinagar, a capital de Caxemira, António de Andrade alegou que ia à procura de um irmão que não via há muito tempo e que pensava ser o rei do Tibete. O missionário português falava persa, a língua literária e comercial da região.

Ao fim de cerca de dois meses e de muitas peripécias, António de Andrade e Manuel Marques chegaram finalmente a Chaparangue, a capital do então Tibete Ocidental.

A chegada dos dois portugueses não passou despercebida: "saía gente pelas ruas, e as mulheres às janelas a nos ver, como coisa rara e estranha", escreveu António de Andrade.

O missionário constatou, também, que "a maior parte da população era muito acolhedora". Pelo que viu, o vestuário "não era propriamente limpo", mas as pessoas eram "muito meigas e raramente pronunciavam palavrões".

Quanto à geografia, o que aparentemente mais impressionou António de Andrade foram as "neves perpétuas" e a secura: "Não se encontra uma única arvore nem uma erva nos campos". Mesmo assim, havia "numerosos rebanhos de carneiros, cabras e cavalos" e "não faltava carne nem manteiga".

António de Andrade voltou a Chaparangue em 1625 e depois dele, outros missionários portugueses percorreram o mesmo caminho.

A Companhia de Jesus chegou a estabelecer duas missões no Tibete e até à segunda metade do século XVIII, os relatos de António de Andrade, traduzidos em quase todas as línguas do mundo católico, desde a Espanha à Polónia, foram a única fonte dos estudos de tibetologia na Europa.

Do ponto religioso, porem, a missão dos jesuítas ao Tecto do Mundo não parece ter sido um sucesso: quase 400 anos depois, a esmagadora maioria dos tibetanos continuam a ser budistas.

António Caeiro/Lusa in Web

segunda-feira, 17 de março de 2008

OLIMPÍADAS DOS DIREITOS HUMANOS



O Tibete – considerado em geoestratégia o tecto do mundo, intransponível para qualquer exército terrestre – está ocupado pela China há mais de 50 anos sem que isso cause grande incómodo à comunidade internacional e aos defensores dos direitos humanos.

Mas de vez em quando lá é lembrado: ou pelas viagens do Dalai Lama ou pelos piores motivos; como volta a acontecer agora com os confrontos entre militares chineses e monges tibetanos. Com o inevitável cortejo de vítimas que mais uma vez se estimam em várias dezenas.

Embora o poderio da China tenha sido suficiente até agora para que a Realpolitik ignore o assunto, duvido que a escassos cinco meses e com os olhos do mundo já postos em Pequim, os Jogos Olímpicos saiam imunes de mais esta violência.

De qualquer forma o Tibete, mesmo sem enviar atletas, participará neles. Nem que seja hasteando a bandeira ensanguentada dos oprimidos.