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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Ver passar os comboios...

E, de repente, parece que o Portugal da cauda da Europa, o Portugal das pensões baixas, o Portugal com quase 500 mil desempregados, volta a viver aprisionado numa decisão: vamos, ou não, poder viajar, daqui a uns anitos, a bordo de um cómodo e rápido comboio de alta velocidade? Poderemos nós sobreviver enquanto nação desenvolvida sem este cartão de visita?
Poderá Lisboa ter pujança económica face às suas congéneres europeias se for das poucas capitais da Europa a 27 sem o TGV?
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Depois de Mário Lino ter adiado para a próxima legislatura a assinatura do contrato de concessão, Manuela Ferreira Leite juntou a sua voz à de 28 economistas no repúdio do projecto. Porque, alega a líder do PSD, se trata de uma infra-estrutura megalómana, que não gera emprego e contribui para o endividamento do país.
Já José Sócrates acredita piamente que o TGV vai gerar emprego, investimento e ajudará a alavancar a economia. Estamos, por isso, perante duas escolas de pensamento, dois modelos de desenvolvimento económico do país. Em síntese: quem ganhar as eleições legislativas decide.
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Só que o comboio já segue veloz de mais para ser parado. Já há concorrentes na corrida com propostas firmadas, já há fundos comunitários cativos. E neste particular a coisa pode ser bicuda: Bruxelas já avisou que o problema de haver ou não TGV é do Governo português, que não está preocupada com "timings", mas que era "importante" que Portugal não ficasse para trás.
Mas se ficar, a política de financiamento terá de ser alterada necessariamente.
Ou seja: sem alta velocidade, o Estado português perderá de vista qualquer coisa como 20% de ajudas para um investimento total previsto de 7,5 mil milhões de euros.
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Mas o TGV, que arrisca transformar-se numa das bandeiras de campanha, não é nem a salvação nem a maldição da economia portuguesa. Nem o PS pode ficar refém deste projecto para projectar o seu ideal de desenvolvimento sustentado nem Manuela Ferreira Leite deve agarrar-se em demasia ao argumentário do endividamento no sentido de se afirmar como alternativa.
Concorde-se ou não com o TGV, não é certamente este o principal drama do país, mas sim as formas para combater a tragédia do desemprego e os problemas na educação, na saúde e na justiça.
Não podemos ficar só a ver passar os comboios.
Pedro Ivo de Carvalho
in JN

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Alta velocidade eleitoral...

Está encontrado o tema central da campanha para as eleições legislativas: a alta velocidade ferroviária, vulgo TGV. Consciente dum sentimento geral de oposição ao projecto, Manuela Ferreira Leite, por táctica ou convicção, parece decidida a opor-se à alta velocidade ferroviária. E ainda bem.
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A construção do TGV, que orça em valores da ordem dos 15 mil milhões de euros, irá comprometer orçamentos de estado para três gerações. Estes gastos, feitos num país pobre, não fazem qualquer sentido. Seria como se um cidadão que andasse descalço e roto pretendesse comprar um Rolls Royce.
O TGV não apresenta nenhum dos requisitos mínimos a que deve submeter-se uma qualquer obra pública. Não é economicamente viável, o investimento jamais se recupera e a exploração comercial é muito deficitária. Não induz sequer criação de riqueza. Acresce que o TGV retalhará o território, dividindo aldeias e criando barreiras entre localidades. Seria o maior atentado ao território, em particular no norte densamente povoado. Por último, nem sequer é aceitável do ponto de vista da coesão social, pois só uma ínfima minoria irá utilizar este transporte.
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E, no entanto, José Sócrates persiste neste disparate. Ao pretender desbaratar os nossos impostos neste elefante branco, o primeiro-ministro surge agora aos olhos da opinião pública como o coveiro da economia portuguesa.
Tenta justificar o TGV como projecto estratégico, mas tem do seu lado apenas o apoio do grande capital - da alta finança, que pretende negociar empréstimos sem risco, e das maiores construtoras, que dominam a política portuguesa.
Será pois este o tema das eleições. Que o PSD ganhará, se conseguir convencer o eleitorado de que, no governo, abandona a alta velocidade ferroviária.
Tal não será fácil, pois Ferreira Leite tem um problema de credibilidade, já que foi figura central desse governo de Durão Barroso que anunciou baixar os impostos e aumentou o IVA, que garantiu abandonar a construção do aeroporto da Ota e foi o principal responsável pela sua concepção. Tem ainda um terrível calcanhar de Aquiles: alguns dos membros da direcção nacional do PSD estão altamente comprometidos, enquanto advogados, com os interesses ligados ao TGV.
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Não será pois fácil a tarefa da presidente do PSD. Até porque sempre é mais fácil acreditar que Sócrates faz o TGV; do que fazer fé na coerência e determinação de Manuela Ferreira Leite, quando promete que o não faz.
Paulo Morais
in JN

sexta-feira, 19 de junho de 2009

CHAMAVAM-LHE JAMAIS E DEIXOU O TGV NO APEADEIRO...

Percebe-se que Sócrates entrou em desnorte.
A ideia de que era um duro já se tinha há muito dissipado, agora com a derrota humilhante veio à tona a imagem de um político fragilizado, indeciso, incoerente, um líder que dirige o rebanho ao sabor do vento, um timoneiro que só já consegue navegar com costa à vista.O recuo sobre a decisão do TGV é a gota de água.
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Na segunda Lino tentava pressionar Cavaco no sentido de ele ter de acabar por dar o ok ao inicio do processo do TGV, mas terça era o mesmo Lino que vinha dar aos jornais mais amigos do PS (DN e i) a grande manchete de que afinal o TGV ia ficar para já parado no apeadeiro.
O homem das obras por fazer tem azar e tem um jeito especial para falar tarde e já fora de tempo, ou fala muito antes do tempo. O nosso Jamais aí está com mais uma gaffe histórica.Claro, que deve ter havido um aviso de Belém.
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Se o governo teimasse em avançar o comboio contra tudo e contra todos o nosso agulheiro iria fazê-lo parar desse lá para onde desse. Para não comprar mais uma guerra com o PR e sair derrotado, o engenheiro acabou por recuar o comboio. Ele que era o cowboy dos duros acabou com o duro dos comboios.
Duro mesmo só Durão (que agora é Barroso), o único portuga ao lado de Ronaldo que continua em alta e de quem no estrangeiro ainda se sabe o nome.
Percebemos que isto vai entrar tudo em câmara lenta. Eu diria: vamos ficar com o país em câmara ardente durante o verão.
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A malta está ansiosa por receber o subsidio de férias (aqueles que ainda têm essa regalia social), os desempregados respiram porque ainda vai haver um dinheirito para a praia, os reformados e os funcionários públicos têm o deles garantido, sem a corrosão da inflação, e Sócrates vai refrear a cabeça numa praia longe da multidão e, reza ele, dos paparazzis portugueses- que são tão incompetentes que nem vão perceber que o Primeiro vai andar por aí, não longe porque há que manter os alertas vigilantes.
Os professores com um bocado de pressão ainda conseguem anular as classificações (ou não conseguiram já?) e a partir de agora é tudo à vontade do povo.
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Estas atitudes repetem-se sempre nos arrogantes de meia tigela, naqueles que não têm convicções, nem programas, nem rigor. O que mais marca este governo é essa falta de acreditar, a fobia pelo marketing, a politiquice aprendida nos manuais (?) rascas da televisão populista.Isto é o governo, mas o país não é diferente.
Por isso, talvez Sócrates ainda consiga uma vitoriazita para um governozito, para um tempito, para depois se retirar demissionário e mártir.
in Blog Instante Fatal