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quarta-feira, 8 de julho de 2009

Olhem bem para os olhos dela


Esvoaça, embora discreto e módico, o perfume do poder e já o alvoroço se instalou nos militantes do PSD. Nos fóruns das rádios e das televisões, nos debates, nos artigos, nas preposições do Pacheco Pereira os sentimentos dominantes medeiam entre a glória do mando e o revanchismo. A euforia nunca foi boa conselheira. O próprio significado da palavra suscita precauções. Mas é preciso conhecer o significado da palavra.

O PSD, como se sabe, é constituído por uma série de ilhas, num oceano de atritos. O recente golpe de karaté aplicado pela dr.ª Manuela ao pobre Passos Coelho é paradigmático. O homem não foi, somente, afastado; foi vexado sem clemência. A senhora não abole distâncias: cria-as. Funcionando por exclusões, interdita, primeiro, qualquer veleidade de ascensão daqueles que a ela se opuseram; depois, cultiva o tribalismo, que desencoraja a mínima hipótese de dissenção. Naturalmente, esta prática despreza a ética.

O que se prepara, no caso (pouco provável) de José Sócrates perder as eleições é a aplicação de uma teia reticular de interesses particulares sobre o edifício do Estado. O PSD não dispõe de nenhuma estratégia de Governo. As soluções que vagamente expõe são as tradicionais da Direita. Qualquer preocupação de justiça é eliminada; as privatizações multiplicar-se-ão; a Saúde pertencerá às seguradoras com intervenção mínima do Estado, que será reduzido em todos os sectores da sociedade; aumento de impostos, mais repressão no mundo do trabalho. Nada de novo.

A dr.ª Manuela não alimenta o segredo das paixões. Nada promete que nos alivie do rude peso que, sabe-se lá como?!, tem sobrevivido a todas as penúrias impostas. Porque não haverá alterações de fundo, nem sequer remendos mal cerzidos, às avarias sociais de que temos sido vítimas. A responsabilidade do que nos acontece também terá de ser assacada ao PSD. Não há inocentes neste drama. O PS talvez tenha um comportamento menos brutal; porém, nunca concebeu ou estimulou uma consciência ética e estética que se prolongasse para além de si mesmo. Não é de estranhar que a dr.ª Manuela ameace rasgar um número ainda desconhecido, mas certamente vultoso, de decisões tomadas pelo Executivo Sócrates, caso seja "distinguida com o Governo" [sic].

Se há, manifestamente, uma tendência nos jornais, nas rádios, nas televisões e nas sondagens para se inflectir no PSD, isso deve-se mais ao desencanto que o PS provocou do que a méritos da dr.ª Manuela. A senhora é, rigorosamente, o que aparenta. E nada de bom se adivinha nessa aparência: algo de anacrónico, de deformado, incapaz de esboçar os contornos de uma sociedade mais justa.

Olhem bem para os olhos dela. Está lá tudo o que assusta.

Baptista-Bastos in DN

Governabilidade”, dizem eles

Passadas as eleições para o parlamento europeu, abriu a caça ao voto para as eleições autárquicas e legislativas. Percebe-se a razão do afã: está em jogo a escolha da equipa que vai gerir o país, concretamente os negócios que se oferecem às classes dominantes, nos próximos quatro anos.

No meio da intensa vozearia – particularmente dos dois partidos do bloco central, PSD e PS – não se vislumbra nenhuma abordagem de medidas imediatas contra os despedimentos, para a criação de emprego, pela melhoria das condições de vida da população trabalhadora, etc, problemas estes que constituem a verdadeira emergência que o país vive. O que está em causa na disputa é outra coisa: como dar continuidade à política dos últimos quatro anos.
Passadas as eleições para o parlamento europeu, abriu a caça ao voto para as eleições autárquicas e legislativas. Percebe-se a razão do afã: está em jogo a escolha da equipa que vai gerir o país, concretamente os negócios que se oferecem às classes dominantes, nos próximos quatro anos.

No meio da intensa vozearia – particularmente dos dois partidos do bloco central, PSD e PS – não se vislumbra nenhuma abordagem de medidas imediatas contra os despedimentos, para a criação de emprego, pela melhoria das condições de vida da população trabalhadora, etc, problemas estes que constituem a verdadeira emergência que o país vive. O que está em causa na disputa é outra coisa: como dar continuidade à política dos últimos quatro anos.

No centro de intermináveis debates foi colocada a questão da “governabilidade” do país. Sócrates, em queda, não tem outro remédio senão reclamar uma nova maioria absoluta, dizendo que sem isso o país é ingovernável. O PSD, espevitado pela (curta) vitória de 7 de Junho, procura ganhar peso para voltar ao poder. Não é uma disputa entre políticas diferentes, apenas uma luta pela primazia em formar governo. De facto, o importante para as classes dominantes, como insistentemente exigem patrões e políticos situados acima da guerra partidária, é conseguir as condições de nova maioria absoluta, de um ou mais partidos tanto faz. “Governabilidade” é só isso.

Contra os argumentos falaciosos desta gente, que nos quer impor mais do mesmo, há que colocar em primeiro plano as enormes dificuldades que atingem as grandes camadas da população. Governar para quem? Ao serviço de quem? O critério de julgamento só pode ser esse. Tem, portanto, cabimento um apelo a todos os trabalhadores para que não votem nos partidos de quem os explora.
In Mudar de Vida

segunda-feira, 8 de junho de 2009

PSD venceu eleições...

O PSD venceu o PS mas não foi o único a reclamar vitória. O BE passou a ser o terceiro partido. A abstenção foi muito elevada, chegando quase aos 64%. Ao nível europeu, os conservadores renovaram a maioria.
Se não foi contra todos, foi pelo menos contra todas as previsões. O PSD conseguiu ontem vencer as eleições para o Parlamento Europeu com uma diferença confortável sobre o PS. Uma vitória tanto mais importante quanto se sabe que esta foi uma espécie de primeira volta para as eleições legislativas do próximo mês de Setembro.
A lista encabeçada por Paulo Rangel conseguiu 1,1 milhões de votos, que correspondem a 31,6% e oito eurodeputados em Estrasburgo. Quase tanto como o que o partido conseguira em 2004, mas nessa altura em coligação com o CDS. O PS ficou em segundo, com 945 mil votos (26,5%) e sete eurodeputados. Verificando-se, assim, que foi no resultados dos socialistas que as sondagens falharam rotundamente. Nalguns casos, uma diferença de 10 pontos percentuais entre as previsões e o resultado final.
Mais abaixo na tabela, uma novidade na democracia portuguesa. Pela primeira vez um partido da extrema esquerda ultrapassou o PCP. Foi por escassos dois mil votos, mas o Bloco de Esquerda chega ao terceiro lugar do pódio eleitoral. E, previsivelmente, ao terceiro eurodeputado. Conseguiu 381 mil votos (10,7%) contra 379 mil votos (10,6%) dos comunistas. Um momento histórico que deixou marcas bem visíveis nos rostos dos principais dirigentes do PCP, apesar do partido poder reclamar a pequena vitória de ter subido em número de votos e em percentagem relativamente às eleições de há cinco anos.
Há ainda que notar, no que aos partidos à esquerda do PS diz respeito, que BE e CDU somam mais de 21% dos votos. Ou seja, ficam a escassos cinco pontos percentuais dos socialistas.
Tão eufóricos como os bloquistas estavam Paulo Portas e Nuno Melo. Tal como com o PS, também aqui as sondagens falharam. O CDS não só sobreviveu como conseguiu 297 mil votos (8,3%), assegurando dois eurodeputados.

domingo, 24 de maio de 2009

“Há pessoas com medo de dizer que não votam no PS”...

Paulo Rangel, cabeça-de-lista do PSD às Europeias, diz que há pessoas com medo de dizer que não votam no PS. Crise grave é uma das responsáveis por tal receio.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Bocas à Vital



«Impossível parceria

entre PS e PSD»

Vital Moreira refere que «o aumento da distância entre os dois partidos é evidente em todos os planos»

Olhe que não, olhe que não. A diferença entre o PS de Sócrates e o PSD é igual à de "Dupont et Dupond".

sábado, 16 de maio de 2009

Tiro no pé


Ferreira Leite admite congelar

salários se chegar ao Governo

Esta mulher tem uma pontaria impecável, pelo menos para dar tiros no pé em cheio.

terça-feira, 28 de abril de 2009

A Fisga



Ferreira Leite enreda-se na ideia de Bloco Central

Na SIC, a líder do PSD não rejeitou liminarmente a possibilidade de o PSD se aliar ao PS, num bloco central, para governar o País. Mas acabou por o fazer à agência Lusa.
In DN

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Manuela e a cabeça


Foto in "Primeiro de Janeiro"

Para concorrer às eleições, já só lhe falta tronco e membros.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Portugal: uma coutada do PS e do PSD?...

O "ora agora escolho eu ora agora escolhes tu" em que se transformou a eleição do provedor de Justiça não espanta face à forma como PS e PSD põem e dispõem dos destinos do país. Aliás, falar de eleição é mera figura de retórica, deveria antes chamar-se nomeação partidária de altos cargos.
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Há meses que Nascimento Rodrigues deveria ter substituto. Por mais que se insistisse no Parlamento para fazer a eleição, os dois mandantes do Bloco Central assobiaram sempre para o ar. O arrufo de namorados a propósito do provedor de Justiça mostra como estas negociatas levam o país ao ridículo e confirma a total identidade de processos e métodos entre PS e PSD.
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Não é só nas políticas que comprometem o futuro colectivo - usadas para pedir a quase todos sacrifícios sem fim enquanto preservam ricos e poderosos -, que é quase impossível estabelecer diferenças entre PS e PSD. Agora fica também claro que quando se trata da partilha do poder e dos seus cargos, a família do Bloco Central funciona igualmente às mil maravilhas, "este para mim, este para ti". O caso Nascimento Rodrigues é uma ilha num oceano de domínio que começa na Regulação da Comunicação Social, passa pela Fiscalização dos Serviços de Informação e termina no Tribunal Constitucional.
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Enquanto o Bloco Central tenta disfarçar um episódio que revela bem a coutada privativa em que transformaram o país, a ministra da Educação resolveu num ápice a falta de professores de espanhol: ordena que os que têm formação em português, inglês, alemão, grego, latim, (chinês?) possam dar aulas de espanhol em detrimento das centenas que já hoje têm ou estão a fazer formação específica. Se a sua colega da Saúde estiver atenta, teremos resolvido a falta de médicos em centros de saúde: passam a ser ocupados por veterinários, farmacêuticos ou enfermeiros que, por exemplo, tenham tido uma qualquer formação do Instituto Cervantes. Tudo a bem da Nação e da qualidade de ensino, pois claro!
Honorio Novo
in JN

quinta-feira, 19 de março de 2009

Tiro ao alvo



Provedor de Justiça e o PS: «Eles comem tudo»
Nascimento Rodrigues critica falta de escolha para novo provedor de Justiça

Irritado com a falta de solução para o cargo de provedor de Justiça, o actual ocupante do cargo critica o aparelho socialista e diz que a situação actual é insuportável. Numa entrevista por escrito à revista «Visão», Nascimento Rodrigues chega mesmo a citar «Os Vampiros» de Zeca Afonso a propósito da distribuição dos cargos em instituições públicas.
«O PS ocupa todos os altos cargos públicos, faz lembrar o Zeca Afonso: eles comem tudo», referiu o ainda provedor, apesar de ter terminado o mandato em Julho de 2008, considerando que a escolha do seu sucessor devia caber ao PSD:
«Sendo o PS o partido maioritário e praticamente ocupante de todos os poderes, deveria caber ao segundo partido a escolha, embora por consenso, num quadro mais vasto de equilíbrio democrático de poderes.»
Estas declarações já tiveram reacção por parte do PS. Em declarações à TSF, o porta-voz Vitalino Canas lamentou que Nascimento Rodrigues dissesse que vivia «numa comédia à portuguesa»:
«Suponho que nesta altura o cargo que o senhor provedor de Justiça exerce é respeitado e não deveria ser prejudicado por este tipo de declarações. Surpreende-me, por exemplo, que o provedor de Justiça faça comentários em relação ao processo de sucessão e por outro lado não é função do provedor fazer oposição ao Governo».
Recorde-se que durante o debate quinzenal, nesta quarta-feira, José Sócrates foi confrontado com a falta de um acordo para substituir Nascimento Rodrigues e admitiu avançar sozinho face à falta de consenso.
In Portugal Diário

domingo, 8 de março de 2009

Tiro no pé


O tema desta coluna de opinião é cada vez mais necessário.

Reparem, por exemplo, como os responsáveis pela crise tentam resolve-la:

1- Nomeando comissões presididas pelos principais responsáveis pela situação vigente, de gestores a banqueiros, passando por organismos responsáveis pela fiscalização do que se passou (a dormirem na forma), governos que aprovaram e apoiaram o descontrolo do louvado neo-liberalismo e da globalização sem rei nem roque, ao ponto de ninguém querer saber quem tem o quê nos chamados offshores – afinal uma nova banca mais vocacionada e capaz de lavar mais e melhor dinheiro obtido por criminosos, sejam eles traficantes de droga, armas, tráfico humano para alimentar a prostituição e a escravatura de operários, gestores de colarinho branco, do que as conhecidas e obsoletas contas numeradas na Suíça. Isto, ao nível mundial, a que, inevitavelmente, Portugal pertence. Sem qualquer efeito na queda de qualquer governo, dissolução de assembleias legislativas, responsabilização de ministros da justiça e chefes de Estado. Quando se aponta o dedo à Guiné-Bissau, por lá esse tipo de questões serem resolvidos a tiro, à bomba e à catanada… convém ver quanto falta para tal método cá chegar. Um tiro no pé!

2- Ao nível doméstico, as nossas paróquias partidárias também se têm esmerado na pontaria ao tiro no pé. José Sócrates transformou o congresso do PS num plebiscito ao seu reinado, perante a oposição de Manuela Ferreira Leite em queda vertiginosa no PSD que “lidera” e era suposto (tradicionalmente) apresentar-se como alternativa no centrão que nos (des)governa há mais de três décadas. Encurralada pelos seus militantes, lá vai aceitando candidaturas de quem sempre a combateu – como Santana Lopes – ou dando corda “a sucessão” de um tal Passos Coelho, que nada mais fez na vida do que inscrever-se na JSD e ir trepando na “carreira” político-partidária. O desastre está à vista. Um tiro no pé!

Na Câmara de Lisboa, António Costa insiste em emparedar o Tejo com uma barragem de contentores e, pior ainda, em iniciar obras na zona do Terreiro do Paço – logo a seguir à famigerada odisseia da estação do metro – interrompendo a circulação automóvel por uma zona essencial à livre e necessária circulação de quem tem necessidade de circular em Lisboa. Um tiro no pé.

O gabinete do primeiro-ministro transformou-se num ministério da propaganda que faz esquecer os rasgos imaginativos de António Ferro – ao serviço de Salazar – ou de Goebells, que convenceu os alemães a apoiarem Hitler e que o nazismo ganharia a Segunda Guerra Mundial. Além disso, arranjou umas “socranetes” que, de ignoradas jornalistas ou professoras, ascenderam a conceituadas comentadoras nos média, dentro do chamado horário nobre. Um tiro no pé!

Para além de tudo isto, José Sócrates confunde o resultado das sondagens encomendadas com a forma como o eleitorado votará. Confunde a fraqueza do PSD com a falta de adversários capazes de o derrotar nas urnas. Vive obcecado com a imparável subida do BE que já lidera a oposição ao seu governo. Ao fazê-lo, Francisco Louçã agradeceu-lhe pública e elegantemente a deferência e foi por Sócrates promovido a líder da oposição. Um tiro no pé!

Após várias negas, optou por Vital Moreira para encabeçar a lista às eleições europeias, supondo que ia pescar uns votos à esquerda. Ninguém gosta de trânsfugas, muito menos daqueles que mais não fazem do que tecer hossanas a tudo o que o chefe faz ou manda fazer. Um tiro no pé!

E se tudo isto não bastasse, tentou segurar e catequizar Manuel Alegre, procurando mantê-lo no redil dos seus fiéis correligionários. A bofetada de luva branca que Alegre lhe deu, foi exemplar e ficará registada nos anais do PS. Um tiro no pé!

sábado, 20 de dezembro de 2008

Embrulhada cor-de-laranja...

Elias, o sem-abrigo, personagem principal do cartoon que o JN publica nas páginas de Opinião, dizia ontem, parafraseando Luís Filipe Menezes, que o seu combate (de Menezes) no seio do PSD é "estruturado e a mais longo prazo", coisa que, ainda segundo Elias, "no caso do PSD, pode querer dizer para a semana, amanhã ou daqui a pouco". Eis como o humor ajuda a retratar - e de forma tão certeira - o estado do principal partido da Oposição.
O presidente da Câmara de Gaia usou as palavras citadas por Elias num artigo de opinião publicado no JN, a propósito da escolha de Pedro Santana Lopes para a corrida à Câmara de Lisboa.
O artigo lembra o óbvio: Manuela Ferreira Leite e os seus mais afectos companheiros ergueram várias vezes a cruz em direcção ao "diabo" Santana; fizeram-lhe a vida negra quando foi primeiro-ministro e depois candidato contra Sócrates; a actual líder do PSD assumiu que nunca votaria em Santana numa eleição uninominal; e, consequentemente, lutou ao lado dos que desejaram ardentemente atirar Santana, de uma vez e para todo o sempre, para as calendas… Santana, político de sete vidas, a tudo resistiu.
E obriga agora Manuela Ferreira Leite a engolir um sapo de tamanho gigante.
Por que razão é isto importante? Porque mostra à saciedade como a conversa de Manuela Ferreira Leite sobre o regresso à pureza dos princípios na vida política, sobre a obrigatoriedade de servir a verdade e nada mais do que a verdade aos portugueses, sobre a necessidade de romper com passado recente do partido (isto é: com o modo de fazer política de Menezes e Santana Lopes), não passa disso mesmo: de mera conversa.
Não apenas por isto, mas também por isto, o PSD está como está nas sondagens: a cair a pique, como mostram os resultados do estudo de opinião publicado na edição de ontem do JN. Nada que não fosse possível prever desde que Manuela Ferreira Leite começou a mostrar o jeito pela coisa. Melhor: a falta de jeito para reavivar a alma de um partido que gosta de sentir o cheirinho a Poder, que vive mal sem esse cheirinho.
Com o destino da actual líder do PSD devidamente traçado, resta saber como sairá o partido desta embrulhada. Magno problema: as divisões dos últimos anos acentuaram a criação de grupos e grupinhos, todos na disposição de se aniquilarem uns aos outros ao mínimo sinal de tentativa de controlo do poder interno por uns ou por outros.
Drama máximo: não se vê no horizonte quem possa desatar este nó que estrangula o principal partido da Oposição.
De modo que, venha quem vier, o espectáculo estará seguramente garantido nos próximos tempos…
Paulo Ferreira
in JN

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Manuela F. Leite...Ah, as palavras!...

As palavras são seres pouco fiáveis. A uns dizem uma coisa, a outros outra, e, a muitos, não dizem coisa absolutamente nenhuma. Depois, têm uma perigosa tendência para a autogestão e para falarem por sua conta e risco.
Acho que Manuela Ferreira Leite não quis dizer o que há meses disse numa entrevista e que foram as suas palavras que o disseram contra a sua vontade: "Quando fui votar, no boletim de voto não estava o nome de Santana Lopes (...) Se lá estivesse o nome de Santana Lopes, não votava".
Ou então foram as palavras do seu vice-presidente, Castro Almeida, que falaram de mais quando há dias anunciou a candidatura de Santana Lopes à Câmara de Lisboa por proposta de… Manuela Ferreira Leite.
Talvez Manuela Ferreira Leite fosse propor outro nome mas as suas palavras tivessem dito: "Santana Lopes". Talvez Manuela Ferreira Leite sofra de síndrome de Tourette e "Santana Lopes" seja o palavrão que lhe sai sempre que abre a boca (na tal entrevista, em duas frases saiu-lhe duas vezes).
Talvez a liderança de Manuela Ferreira Leite no PSD seja um problema clínico e não um problema político.
Manuel António Pina
in JN

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

A "componente humana"...


A ideia de Guilherme Silva, do PSD, para resolver o problema das faltas dos deputados que, às sextas-feiras, assinam o ponto e vão de fim-de-semana prolongado, estando-se nas tintas para a AR e para o que ali se discute e decide, é de apoiar: passaria a haver plenários só às terças, quartas ou quintas (pois que as segundas ainda são fim-de-semana).
A explicação de Guilherme Silva é que os deputados têm família, pelo que há no caso "uma componente humana (…) respeitável".

O PSD é um partido respeitador não só da família como das tradições. Os deputados pirarem-se às sextas-feiras é uma tradição parlamentar, e o PSD não poderia ter no caso posição diferente da que teve em relação a Barrancos.

O problema é que, sabendo-se o que a casa gasta, o mais certo é que os deputados comecem, depois, a baldar-se às quintas, e quando deixar de haver plenários também às quintas, às quartas, e depois às terças, e acabem ficando a semana inteira em casa com a família, coisa com uma "componente humana" inteiramente respeitável, até porque a maior parte deles não faz falta nenhuma na AR e em casa decerto faz.

Manuel António Pina, in JN

sábado, 6 de dezembro de 2008

Assembleia...Bronca no PSD

A AVALIAÇÃO NA ESCOLA DE S. BENTO
Havia, pois, uma possibilidade de o PS ter ficado ferido nesta história da avaliação dos professores.
No Parlamento, o CDS apresentou um projecto que propunha a suspensão da avaliação.
Como se esperava que poderia haver alguns deputados socialistas que não alinhariam com o seu próprio partido (e, de facto, houve: seis que votaram a favor do adversário, uma que se absteve e 13 que faltaram), compreende-se que a oposição se tenha preparado para a votação: "A bancada foi toda mobilizada", disse dos seus Paulo Rangel, chefe dos deputados do PSD.
Porém, a moção da oposição perdeu. E lá se gorou uma oportunidade de se beliscar o Governo... E que sucedeu, o que foi? 30 em 75 deputados (40%, um quinhão enorme!) do PSD faltaram ao rebate. Cito Rangel, outra vez: "A bancada foi mobilizada. Depois, cada um assume a sua responsabilidade."
Está aí o busílis: a auto-avaliação não funciona.
E o que fez a líder do PSD, o que foi? Chamou Paulo Rangel para lhe pedir explicações.
Isto é, fez exactamente aquilo que é preciso nas escolas: pedir explicações aos directores quando os professores não funcionam.
Ferreira Fernandes
in DN
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A cambada, quando lhes cheira a fim de semana prolongado, não se estão com meias-tintas...
piram-se todos...
30 deputados do PSD faltaram às votações na AR...

domingo, 30 de novembro de 2008

O PSD? Onde?...

Devo confessar que não entendo o que se está a passar no PSD. Se calhar é coisa só para iluminados e sou estúpido demais para tão grande prospecção.
Devo dizer, ainda, que não apoiei nenhum dos três candidatos, dos quais saiu a nova líder do PSD. Não apoiei por razão nenhuma. Estava sem paciência. Mas expectante.
Desde que Durão Barroso se pirou a caminho de Bruxelas que a senhora é a incarnacão do grande futuro do PSD. Sabe-se que fez parte do grupo que arrasou Santana Lopes. Ela, ou os seus colaboradores, disse de Lopes aquilo que o diabo não diz da cruz. E temos de reconhecer. As gaffes de Santana ajudaram a festa.
Com Luís Filipe Menezes, a actual presidente foi esfíngica. Menezes poderia dizer, ou não dizer, que estava marcado para morrer. O grupo ligado à senhora arrasou-o ainda não tomara posse. Menezes decidiu suicidar-se e chegaram novas eleições, e agora o PSD ia renascer de vez! Com ela, o verdadeiro, o sério, o genuíno PSD estava nas ruas capaz de desafiar o omnipresente poder de Sócrates.
Seis meses depois, olhamos para trás, e só vemos o deserto.
Disse barbaridades que terão feito corar Santana Lopes, e destaco pelo murraço que na altura levei, a forma como decidiu que o casamento é acto para procriar e mais nada.
Depois veio a história do silêncio. Não sei quem aconselhou a senhora, mas seguramente é mais estúpido do que eu, que não entendo nada de política. Num tempo em que os territórios da política são sempre pertença de alguém, calar-se significou entregar ao outro a parte que lhe pertencia. Depois, foi a história dos cabo-verdianos e dos ucranianos, a que se seguiu a ‘boutade’ sobre o salário mínimo, etc, etc.
Menezes arreia-lhe de acordo com as suas memórias mais emotivas. Eu, pessoalmente, não estou aí. Julgo, até, que a idade merece mais respeito. Mas também devo confessar que assistimos a uma desilusão, que, fosse Lopes, Menezes ou outro qualquer mais visível, seria arrastado até ao fim do calvário. Passos Coelho foi inteligente oferecendo-lhe os préstimos. Santana foi prudente não lhe atazanando a vida. E as granadas de Menezes não são suficientes.
A verdade é que esta direcção é um mito de pés de barro.
Jamais houve condições objectivas e subjectivas, como aquelas que estamos a viver, para o principal partido da Oposição se aproximar do partido do Governo. Pelo contrário! Cai nas sondagens. Até a retórica sem imaginação da CDU ganha pontos. O próprio BE. E o PSD cai! Como? Talvez seja de propósito e eu não perceba a táctica. Talvez se esteja a aproveitar para os últimos dez minutos antes de acabar a partida e bombear bolas sobra a área.
Porém, nessa altura já deve estar a levar uma abada de cinco a um ou a dois. Coisa que está na moda. Como se vê nas nossas grandes equipas.
Francisco Moita Flores
in CM

sábado, 29 de novembro de 2008

PSD...São laranjas, senhora!...

Quando um Marcelo distante admite outro milagre da reencarnação do líder se não houver concorrência logo Passos Coelho se desdobra em matérias na Imprensa. Mostra-se no terreno a contar espingardas.
E enquanto Marcelo Rebelo de Sousa só admite pegar no partido enquanto aclamado redentor, Passos Coelho marca o terreno e garante que vai a jogo. Tanto basta para travar a hipótese de novo milagre marcelista.
Enquanto a corte laranja se desdobra e divide nestes jogos florais, estreita o caminho de Manuela Ferreira Leite.
Ávidas de poder, as segundas figuras do PSD não suportam a ideia de mais quatro anos afastadas dos ministérios. Já todos julgam que não será esta líder quem os vai levar ao Governo. Com o crescimento à esquerda, com Sócrates grudado ao centro, muitos agitam o fantasma de um desastre maior do que os exíguos 75 deputados de hoje.
Adivinha-se Congresso no PSD. Este 2009 é um ano de longo combate. Luta-se também por lugares na Europa, pelo domínio das autarquias. E contra anátemas na Justiça.
Com os juros a descer, o petróleo razoável e emprego em obras públicas, até a crise poderá ser aliada de Sócrates se o confronto for com esta dama-de-ferro perdida entre tempo e verbo.
Passos Coelho está activo e há olhares fixados em Rui Rio.
Octávio Ribeiro
in CM

terça-feira, 25 de novembro de 2008

UM EXORCISTA PARA A SEDE DO PSD, POR FAVOR...

Manuela Ferreira Leite, 2 de Julho de 2008: "A família tem por objectivo a procriação."
Manuela Ferreira Leite, 1 de Novembro de 2008: "As grandes obras públicas só ajudam a combater o desemprego de Cabo Verde e da Ucrânia."
Manuela Ferreira Leite, 12 de Novembro de 2008: "Não pode ser a comunicação social a seleccionar aquilo que transmite."
Manuela Ferreira Leite, 17 de Novembro de 2008: "Não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia."
Como diria o engenheiro Guterres, é fazer as contas: só nos últimos 15 dias, Manuela Ferreira Leite proferiu três frases incompatíveis com um mínimo de sentido de Estado, já para não dizer de flagrante incómodo com as mais elementares regras democráticas.
Sobre todos esses temas, o PSD veio depois esclarecer que aquilo que foi dito não era aquilo que Manuela Ferreira Leite queria dizer. Donde se conclui que Manuela Ferreira Leite teria grandes vantagens em se fazer acompanhar por um tradutor, de forma a solucionar o irritante desfasamento entre o seu cérebro e as suas cordas vocais.
Manifestamente - atrever-me-ia mesmo a dizer "felizmente" -, o seu pensamento não coincide com as palavras que lhe saem da boca. Dir-me-ão: mas onde está o seu sentido de humor, meu caro? Já não se pode ser irónico nesta terra? Poder, pode. Mas eu acho tão natural em Manuela Ferreira Leite o uso da ironia quanto o uso da minissaia. Não, aquilo não foi bem ironia. Aliás, aquilo nem sequer foi uma gafe. A gafe, por definição, é uma ocorrência rara. Quando deixa de ser rara, deixa de ser gafe.
O que Manuela Ferreira Leite tem, afinal, é uma segunda natureza com uma inesperada propensão para o desastre, o que é tanto mais surpreendente quanto a sua imagem pública era de rigor, ascetismo, medição calculada das intervenções.É por isso que a actual líder do PSD está a atingir níveis olímpicos de desilusão: a diferença entre aquilo que dela se esperava e aquilo que dela se está a ter é gigantesca.
De Pedro Santana Lopes, nunca ninguém esperou muito. De Luís Filipe Menezes, ninguém espera nada.
Mas Manuela Ferreira Leite era um caso diferente: vinha alcandorada de referência moral do PSD, de regeneradora da seriedade perdida, de férrea combatente do caos. Pacheco Pereira jurou pela biblioteca da Marmeleira que ela é que era.
E, vai-se a ver, Manuela Ferreira Leite não só sucumbe ao velho cálculo político (a tentativa de moralização das listas iniciada por Marques Mendes já é uma miragem) como é um susto cada vez que abre a boca. Pobre PSD.
Alguém envie um exorcista para a São Caetano à Lapa, se faz favor.
João Miguel Tavares
in DN

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Ferreira Leite..."Credibilidade populista"...

Nenhum de nós pode afiançar que foi o amigo Aníbal quem lhe ensinou o truque, mas suspeita-se que sim: "Dá-lhe um doce. Enquanto estiver entretido a comê-lo, tens tu descanso", terá aconselhado. Manuela, senhora de corte clássico e educação austera, não percebeu à primeira. "Se estivesses no Governo, podias fazer como eu fiz, nomeá-lo secretário de Estado da Cultura. Antes isso do que moer-me a cabeça todos os dias. Descobre qualquer coisa".
Manuela deve ter sentido um valente nó no estômago. Acontece às melhores famílias - há mais de 20 anos, também os comunistas tiveram de engolir um sapo, ao botarem a cruzinha em Mário Soares, tapando as bochechas no boletim de voto.
Essa noite, passou-a a senhora quase em claro. Só se lembra de um pesadelo em que um tal Pedro, Lopes de apelido, aparecia de lenço laranja às bolinhas enfiado na cabeça. Era o "menino-guerreiro" cheio de vontade de ser de novo autarca, prometendo implacável combate às rendas de cinco euros que a Câmara cobra, festas todas as noites em Monsanto, poupanças na assessoria de imagem.
Ela, que se comprometera a devolver credibilidade ao partido, para que voltasse a ser levado a sério nos salões da política, logo teria de ceder a um populista do pior, ainda por cima mulherengo, na primeira decisão de fundo que as curvas da liderança lhe oferecem.
Manhã cedo, puxou de uma folha de papel quadriculado. O gesto é rotineiro. Sempre que passa uma noite mal dormida, dedica-se a elaborar gráficos com a evolução do défice público. Assim alivia o stress. Se fosse fumadora, daria uma passa.
Desta vez, não foi o Orçamento de Estado que a preocupou. De um lado da página, inscreveu a percentagem de risco, se Lopes se mantivesse de língua à solta por muito tempo. Do outro, a respeitante à candidatura - à Câmara de Lisboa, enfim, porque já tinha passado a fase de leilão, durante a qual ele habitualmente se oferece para disputar uma dezena de autarquias, com a sua aura de ser ungido pelos santos óleos do sucesso.
Ao período de pausa - "Até Outubro do próximo ano, folgam-me as costas", disse Manuela para os seus botões - atribuiu um valor. O resultado das eleições foi convertido em equação. Um bónus para ela própria, em caso de triunfo, que deve ser partilhado com o partido, por alguma razão o símbolo conta. As derrotas valem menos; ficam com quem as sofre.
Passou horas em arredondamentos. Fez um ou outro acerto, mas teve o cuidado de não incluir nas contas a venda da alma. E concluiu que o risco vale a pena, porque o PSD precisa de vitórias como de pão para a boca. Até deu consigo a imaginar o slogan da campanha: "Credibilidade populista".
Paulo Martins
in JN