Mostrar mensagens com a etiqueta Medo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Medo. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O Travestismo Político...

Longe da terra distante, longe do meu Portugal... como diz a canção, aqui em Montréal, Canadá, onde há um quarteirão só de portugueses, uma pátria lusa dentro de um outro país, parece que o rectângulo se torna ainda mais pequeno, mesquinho e ridículo.
Um país desgovernado, comandado por uma tribo de políticos travestidos de salvadores.
.
O meu último contacto com a realidade portuguesa foi a entrevista que deu à RTP o nosso primeiro-ministro e que eu acompanhei como jornalista, antes do início do combate, e durante numa sala que a RTP disponibilizou para a imprensa e seguranças do Primeiro. Digamos: um ambiente fraternal entre gente de ofícios bem diferentes.
.
Claro, que já ninguém deve falar por aí daquele triste exame de Sócrates, que mostrou um homem nervoso, inseguro e com os nervos à flor da pele. Um político acossado- uma das piores coisas que se pode pensar de alguém que toma decisões por nós e que vai mandar nos nossos bolsos e nas nossas vidas. É assustador ver alguém que não tem uma ideia estruturada para o país, uma linha, um objectivo, uma ideologia. Não há em Sócrates um modelo de sociedade, uma referência, um sentido maior da coisa pública, um espírito de missão.
.
Há no governo dos socialistas uma ideia de Poder e depois toda uma estratégia bem delineada para se manterem à tona, entre um truque aqui, uma manobra acolá, tudo feita na base do que parece, e não do que é realmente.Sócrates pratica a célebre frase que "tudo em política o que parece é". Sendo assim basta parecer para ser ser um governo competente.
.
Ficou depois da entrevista de Sócrates a pairar no ambiente, que doravante qualquer crítico, qualquer cidadão que possa dar uma opinião menos agradável para com o primeiro-ministro, possa ser vítima de uma das rajadas postas a funcionar contra a liberdade de opinião.
.
As acusações formais a jornalistas e a cidadãos que têm dado a sua opinião na blogosfera, começam a resfriar as críticas.O medo instalou-se na sociedade portuguesa.Esse medo com o outro medo latente, está a deixar os portugueses num povo anémico, triste, amedrontado, domado.
Este tempo socialista é na verdade um tempo lamentável, um tempo para esquecer.
Mas mais: é um tempo que todos têm de mudar e não vão faltar oportunidades este ano para o fazerem. Assim queiram.
in Blog Instante Fatal

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Eleições e ilusões...

A Páscoa tem destas coisas. Arranjam-se uns dias de descanso, com tolerâncias de ponto pelo meio, e a malta pira-se para a santa terrinha ou para as habituais praias algarvias na tentativa legítima de esquecer o mais possível um quotidiano cheio de incertezas e de muito medo. Sim, medo.
.
Não, não é medo dos processos do senhor presidente do Conselho contra colunistas e jornalistas, em que avança com chorudos pedidos de indemnização que as empresas de comunicação social terão de reflectir nas contas que apresentam aos seus accionistas. Não, não é medo de perder lugares, mordomias, prebendas e outras coisas mais que os partidos políticos destinam a uma mão-cheia de serventuários que andam por aí a fingir que isto é uma democracia a sério. Não, não é medo das medidas fascizantes, como as classificou e bem Manuel Alegre, de um bando de chefes e chefinhos da administração pública que andam por aí a regular saias, decotes, perfumes e roupa interior.
.
Não, não é medo de uns higieno-fascistas que aprovam leis sobre o sal no pão e que por este andar vão legislar sobre a dieta alimentar dos indígenas, as horas de deitar e de acordar, a quantidade de álcool que podem beber e a doçaria que devem comer e a que horas do dia. Não, não é medo de magistrados que acham normalíssimo andar a dar recados do senhor presidente do Conselho e do senhor ministro da Justiça a colegas que investigam um caso em que o senhor engenheiro civil está envolvido. Não, não é medo de magistrados que há muito perderam a vergonha na cara e não se demitem nem são demitidos dos cargos que ocupam. Não, não é medo destas tristes e miseráveis realidades.
.
O medo de muitos indígenas que por fatalidade vivem neste sítio pobre, hipócrita, manhoso e cada vez mais mal frequentado é bem diferente. É o medo de não terem futuro, é o medo de filhos e de netos continuarem a não ter futuro devido a políticas erradas, a políticas assassinas, a políticas que inevitavelmente vão levar o sítio para o abismo com um endividamento externo incomportável que será pago, e bem pago, por várias gerações.
.
Mas o medo no sítio não é de hoje, é ancestral, é um medo salazarento, um medo de romper com um passado triste e um presente muito miserável, um medo de mudança, um medo reaccionário, um medo de incomodar e zangar. Um medo presente nas eleições e que impede os indígenas de usarem os votos para pôr em sentido a clique instalada no poder.
António Ribeiro Ferreira
in CM

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

A ditadura da maioria já mete medo



Henrique Neto diz que há medo no PS e critica "ministro da propaganda" Santos Silva

16h54m

O socialista Henrique Neto considerou esta sexta-feira existir "de facto medo" no PS, fazendo duras críticas "à obsessão da fidelidade ao líder" de Augusto Santos Silva, a quem chama "ministro da propaganda".

"Há de facto medo no PS e na sociedade portuguesa, pelos mais variados motivos", diz o empresário Henrique Neto, numa carta aberta ao ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, e ao deputado socialista Manuel Alegre, enviada à Lusa.

"Têm medo os empresários de que não sejam permitidos os apoios, os funcionários públicos relativamente aos chefes de nomeação política ou os professores da avaliação", concretiza Henrique Neto.

A carta aberta de Henrique Neto surge na sequência da intervenção do dirigente do PS e ministro dos Assuntos Parlamentares quarta-feira à noite, numa sessão de apresentação da moção de José Sócrates ao Congresso do partido onde disse gostar de "malhar na direita", deixando também críticas aos partidos à esquerda do PS.

"Eu cá gosto é de malhar na direita, e gosto de malhar com especial prazer nesses sujeitos e sujeitas que se situam, de facto, à direita do PS. São das forças mais conservadoras e reaccionárias que eu conheci na minha vida, e que gostam de se dizer de esquerda plebeia ou chique. Refiro-me, obviamente, ao PCP e ao Bloco de Esquerda", afirmou Santos Silva, que se referiu às questões internas do partido como "minudências".

Na mesma sessão, o histórico militante socialista Edmundo Pedro disse haver no PS quem não se pronuncie por medo, palavras que mereceram o elogio de Manuel Alegre, ao mesmo tempo que criticou o tom utilizado por Augusto Santos Silva.

Hoje, na carta aberta, Henrique Neto declara o seu "apoio e concordância" a Manuel Alegre, considerando que "as sucessivas intervenções do ministro da propaganda do PS, caracterizam-se pelo dogmatismo, pela política da verdade única e pela incapacidade de compreender que um partido politico moderno é mais de que a arregimentação de militantes passivos, que por seguidismo, necessidade, ou medo, deixaram de ter ideias e vontade próprias".

"No momento em que se prepara mais um congresso do Partido Socialista, a missão de Augusto Santos Silva é matar à nascença qualquer veleidade de debate livre e de novas ideias para o PS e para Portugal", critica, considerando que o ministro dos Assuntos Parlamentares se distingue "na obsessão da fidelidade ao líder".

"Augusto Santos Silva está apenas interessado em" malhar neles", começando logo por malhar nos militantes do PS", acrescenta ainda Henrique Neto, lamentando que o PS da liberdade e do debate político já não exista.

Menos duro que Henrique Neto, o deputado socialista Paulo Pedroso rejeitou a existência de medo no PS, apesar de reconhecer que "existe menos debate do que devia".

"Medo não há, há menos debate do que devia. Seria bom mais debate sempre", disse, em declarações à Lusa.

Contudo, acrescentou, num ano de eleições como é 2009, "o PS deve concentrar-se em debater as propostas para o país e não em disputas internas".

Questionado sobre as declarações do ministro dos Assuntos Parlamentares, Paulo Pedroso disse que o próprio Augusto Santos Silva "reconhecerá que 'malhar' não é o verbo mais elegante", apesar de ter sido utilizado em "sentido figurado".

VAM.

Lusa/fim

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O medo...

O Estado aceitou, depois de muita polémica e cheio de má-vontade, publicitar a lista das empresas suas credoras.
No entanto, num gesto de aparente respeito pelos direitos, liberdades e garantias das ditas, tal publicidade depende de autorização prévia dos credores. Os resultados estão à vista.
A célebre lista contém três entidades. Uma empresa privada, um organismo do Estado, por manhosice da administração ou erro lamentável dos seus responsáveis, e uma Misericórdia. Nada mais.
Para todos os efeitos de propaganda, as coisas são como são e, se não aparecem mais empresas, é porque assim o entenderam. Livremente.
Recorde-se, a propósito, de que a dívida do Estado às empresas oscila entre os 2,5 mil milhões e os três mil milhões.
Acontece que um dirigente de uma associação de empresas de construção civil, um dos sectores com mais razões de queixa do Estado mal pagador e caloteiro, veio a público dizer que a lista não só é inútil como pode ser altamente prejudicial. E o homem, com uma infinita ingenuidade ou malícia rebuscada, explicou que as empresas poderiam ser altamente lesadas em futuros negócios com o Estado se aceitassem pôr o seu nome no rol dos credores. Assim, com toda a simplicidade e sinceridade, este senhor veio mostrar a quem ainda tivesse dúvidas que o medo existe, anda por aí, e que a liberdade está cada vez mais parecida com um lenço de papel neste sítio manhoso, pobre, hipócrita e cada vez mais mal frequentado.
Num momento de crise violenta, com o Mundo em bolandas e os responsáveis políticos às voltas como baratas tontas à procura de uma saída airosa e dos culpados pela situação calamitosa a que isto chegou, é natural que o senhor presidente do Conselho, do alto da sua arrogância, afirme que todas as famílias e empresas necessitam da ajuda do Estado.
Talvez seja por isso que o Governo passa praticamente incólume com a trapalhada da pen do Orçamento do Estado, que o ministro das Finanças sai poupado de duas patéticas conferências de Imprensa e que ninguém se indigna com o escândalo da tentativa mafiosa de alteração da lei de financiamento dos partidos políticos com o corte de uns artigos na proposta de Orçamento para 2009.
Talvez seja por isso também que Sócrates pode anunciar o aumento do salário mínimo como se fosse a primeira vez.
É o verdadeiro regresso ao passado, ao ‘quero, posso e mando’, em que pequenos tiranetes sem nível chegam ao poder pelo medo, legitimados pelo voto.
António Ribeiro Ferreira
in CM

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Faz sete anos...

O medo na mão
.
Faz hoje sete anos que a lógica da governação mudou nos Estados Unidos. Não apenas por causa da guerra no Iraque e Afeganistão. A guerra foi apenas um dos efeitos da grande mudança. A alteração fundamental decorre da utilização abusiva do medo.
Os governos sempre usaram o medo como factor de incremento do seu poder – mas a partir do 11 de Setembro até os sistemas mais democráticos perderam as réstias de pudor.
George Bush foi um dos presidentes que mais forçou a Constituição do seu país. Está mal e bem acompanhado: Lincoln, F. D. Roosevelt e Nixon. Hoje, com o medo em riste, o governo americano é o maior e o mais interventivo de sempre.
Os direitos do indivíduo diminuíram.
No fundo, o período Bush foi, à direita, a antítese do que é o liberalismo
in CM