A Amnistia Internacional (AI) recriou esta quinta-feira, em Lisboa, uma viagem a bordo dos chamados «voos de rendições da CIA» para denunciar a tortura e o tratamento «cruel», «desumano» e «degradante» a que diz serem sujeitos os suspeitos de terrorismo, escreve a Lusa.
Uma silhueta de avião pintada no chão da Praça Luís de Camões, em Lisboa, dentro da qual vários «prisioneiros» algemados ouviam as condições desumanas, de tortura e de maus-tratos físicos e psicológicos a que iriam ser submetidos durante a viagem e mais tarde nos centros de detenções secretas norte-americanas, fez parte de uma encenação levada a cabo pela AI Portugal.
«Encenamos e recriamos aquilo que nós achamos que se passa a bordo de um voo de rendição da CIA. Queremos sensibilizar a opinião pública para a existência e gravidade destas situações. Para os tratamentos cruéis, desumanos e degradantes a que estes prisioneiros são sujeitos», explicou hoje à Agência Lusa o director executivo da AI Portugal, Pedro Krupenski.
No dia em que se comemora o Dia Internacional de Apoio às Vítimas de Tortura, a Secção Portuguesa da AI realizou várias acções de sensibilização para lembrar um «número incerto» de pessoas que em todo o Mundo são vítimas de tortura, como «as pessoas presas nos centros de detenção no Afeganistão e na Baía de Guantánamo, em Cuba».
Nesse sentido, a AI convidou as pessoas a entrarem a bordo da «Air Torture» e a assistirem ao «ambiente» vivido nos voos norte-americanos que «transportam ilegalmente pessoas suspeitas de terrorismo para países onde a tortura e outros maus-tratos são praticados durante os interrogatórios».
Governo confirmou passagem por Portugal de 56 voos de e para Guantánamo
Relatório enviado ao Parlamento Um relatório garantiu que mais de 700 prisioneiros tinham sido transportados ilegalmente passando por Portugal
O Governo confirmou a passagem por Portugal de 56 voos que iam para ou vinham da base de Guantánamo, onde os EUA têm um centro de detenção de prisioneiros estrangeiros sem a protecção jurídica de que beneficiariam em território americano, muitos deles transportados aparentemente de forma ilegal.
(Do Público de hoje)
Num país a sério com estas revelações o primeiro ministro, fosse qual fosse, pedia imediatamente a demissão, ou era demitido por quem de direito, que no caso português seria pelo presidente da república, e com isso caía todo o governo e depois ir-se-ía procurar responsabilidades neste e nos outros governos anteriores. Mas como isto é portugalzinho vai haver falatório durante três semanas após o qual nada vai acontecer e tudo vai ficar na mesma. E é assim este país em diminutivo!!!...
DEPOIMENTO DO REPRESENTANTE DA AUDIÊNCIA ESPANHOLA
JURADOS
VASCO LOURENÇO, ALÍPIO DE FREITAS E OUTROS JURADOS
Sócrates instado a recusar utilização da Base das Lajes
A segunda audiência portuguesa do Tribunal Iraque exigiu na sexta-feira que Lisboa recuse a utilização da Base das Lajes para prosseguir com a ocupação do Iraque e colabore «plenamente» na investigação dos «voos da CIA» que passaram por Portugal.
A segunda audiência portuguesa do Tribunal Mundial para o Iraque, que assinala os cinco anos da intervenção e ocupação militar daquele país pela coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, decorreu na noite de sexta-feira, na Casa do Alentejo, em Lisboa.
A elaboração do libelo acusatório pertenceu a Eduardo Maia Costa, Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça.
Na proposta de resolução, os cerca de 60 jurados exortam o governo de José Sócrates a desenvolver «esforços políticos e diplomáticos» para a «reposição» da legalidade internacional no Iraque, a começar pela retirada dos ocupantes.
Exigem ao Governo português a «colaboração plena na investigação dos chamados voos da CIA que cruzaram o espaço aéreo português ou que fizeram escala em Portugal, com vista à responsabilização, inclusivamente a nível criminal, de todos os que colaboraram ou participaram nessa prática ilegal».
Tribuna de Jurados
Alan Stoleroff, professor universitário, membro do Comité Palestina
Alberto Seixas Santos, cineasta
Alexandre Alves Costa, arquitecto e professor universitário
Alípio de Freitas, jornalista
Álvaro Fernandes, tenente-coronel
Ana Gaspar, do Sindicato de Professores da Grande Lisboa
Ana Prata, jurista
António Louçã, historiador
António Palaio, sindicalista (Sindicato da Hotelaria)
António Pedro Dores, professor universitário
António Pinto Pereira, do CIDAC
António Rosa Coutinho, almirante
Armando Fernandes, jornalista
Bruno de Almeida, cineasta
Carlos Carvalho, sindicalista, responsável Rel.Intern. da CGTP
Carmen Marques, jornalista
Chullage, rapper
Daniel Oliveira, colunista
Domingos Lopes, advogado
Eduarda Dionísio, escritora
Eugénio Alves, jornalista
Fausto Bordalo Dias, músico
Fernando Rosas, historiador, professor universitário
Francisco Fanhais, músico
Francisco Raposo, dirigente sindical
Helena Carmo, dirigente da Associação José Afonso
Henrique Botelho, médico
João Arsénio Nunes, historiador
João Corregedor da Fonseca, da Intervenção Democrática
João Gil, músico
João Lavinha, investigador do Instituto Ricardo Jorge
João Loff Barreto, advogado
João Mota, encenador e professor de teatro
João Proença, presidente da Casa do Alentejo
Jorge Fagundes, advogado
Jorge Figueiredo, economista
José Charters Monteiro, arquitecto
José Gonçalves da Costa, juiz jubilado do STJ
José Luís Saldanha Sanches, professor universitário
José Manuel Mendes, escritor
Leonor Cintra Gomes, arquitecta, presidente do Cons.Dir.Reg.Sul da Ordem
Manuel Batoréo, professor universitário
Manuel Graça, sindicalista
Manuela de Freitas, actriz
Manuela Tavares, dirigente associativa
Margarida Gil, cineasta
Maria José Morgado, magistrada do MP
Mário Durval, médico
Milice Ribeiro dos Santos, psicóloga
Orlando de Almeida, engenheiro, ex-presidente da CM Amadora
Óscar Mascarenhas, jornalista
Paulo de Carvalho, músico
Pedro Wallenstein, músico, presidente da GDAIE
Renato Rodrigues, dirigente associativo
Rui Namorado Rosa, físico, professor universitário
Rui Pereira, jornalista
Saúl Nunes, advogado
Tino Flores, músico
Vasco Lourenço, coronel, presidente da Associação 25 de Abril
Victor Serrão, professor universitário
Vítor Nogueira, da Amnistia International (Portugal)
Youri Paiva, estudante
A Comissão Organizadora do TMI-AP: Amílcar Sequeira António Alves Berta Macias Cristina Meneses Eduardo Maia Costa Guadalupe Margarido Helena Nascimento João Mário Mascarenhas José Mário Branco Júlio Moreira Manuel Monteiro Manuel Raposo Mário Tomé e Paulo Esperança
DIAGRAMA DAS OPERAÇÕES AZUL = INVASORES, CASTANHO = TROPAS CUBANAS
TROPAS CUBANASSOB COMANDO DE FIDEL
A Baía dos Porcos (em espanhol, Bahia de los Cochinos) é uma baía na costa meridional de Cuba. É mais conhecida por causa de uma tentativa de invasão mal sucedida por parte de mais de mil e duzentos exilados cubanos, que pertenceram ao regime de Fulgêncio Batista, apoiados pelos Estados Unidos e pela Máfia - que foram treinados e financiados pelos serviço secreto norte-americana CIA, sob o nome de código "operação Magusto" [1] - e objectivava derrubar o recém-formado governo socialista liderado por Fidel Castro e assassiná-lo em 1961. Depois de três dias de combates, os mercenários foram vencidos e Fidel declarou vitória sobre o imperialismo americano.
Fidel já esperava um ataque directo a ilha [1], tendo sido alertado previamente por Che Guevara que presenciara um ataque semelhante à revolução ocorrida na Guatemala. Com a invasão iminente, Fidel anuncia em discurso no dia 16 de Abril de 1961, pela primeira vez, o carácter socialista da revolução e no dia seguinte tem início o ataque à ilha, na praia de Gíron, localizada na Baia dos Porcos. O governo norte-americano treinou 1297 exilados cubanos oriundos da ditadura de Fulgêncio Batista em Miami através da CIA para destruir o governo de Fidel Castro. Com seu planejado apoio pela força aérea americana tendo sido vetado por Moscovo, a "operação Magusto" da CIA acabou sofrendo uma derrota arrasadora, e em 72 horas foi sufocada por forças governamentais cubanas.
No dia 18 de abril de 1961 o primeiro ministro da União Soviética, Nikita Kruschev, enviou enérgica carta ao presidente Kennedy na qual demonstrou claramente a indignação da União Soviética em relação à essa invasão e conclamou Kennedy a interrompê-la para evitar o perigo de uma conflagração generalizada:
"Moscovo, 18 de Abril de 1961, 14h00" (06h00 em Washington) [2]
"Senhor Presidente, estou enviando-lhe esta carta numa hora de alarme, assustado com o perigo da paz em todo o mundo. Uma agressão armada teve início contra Cuba. Não é segredo para ninguém que os bandos armados invadindo aquele país foram treinados, equipados e armados nos Estados Unidos da América. Os aviões que estão bombardeando as cidades cubanas pertencem aos Estados Unidos da América, as bombas que estão lançando foram fornecidas pelo Governo Americano."[2]
"Tudo isso desperta aqui na União Soviética um compreensível sentimento de indignação por parte do Governo Soviético e do povo soviético."[2]
"Suas declarações, feitas há poucos dias atrás, de que os EUA não participariam de actividades militares contra Cuba criaram a impressão que os principais líderes dos Estados Unidos estavam levando em consideração as consequências para a paz geral, e para os próprios EUA, que uma agressão contra Cuba poderia representar. Como pode o que está sendo feito pelos Estados Unidos ser compreendido, quando um ataque contra Cuba agora se tornou um fato ?"[2]
"Ainda não é tarde demais para evitar o irreparável. O Governo dos EUA ainda tem a possibilidade de não deixar a chama da guerra, iniciada pelas intervenções em Cuba, se tornar uma conflagração incomparável. Sr. Presidente, dirijo-me a V. Exceleência um urgente apelo para que ponha um fim à agressão contra a República de Cuba. Os armamentos militares e a situação política mundial hoje em dia é tal que qualquer uma das assim chamadas "pequenas guerras" pode deflagrar uma reacção em cadeia em todas as partes do mundo."[2]
"No que concerne à União Soviética não deve haver engano sobre nossa posição: Nós forneceremos ao povo cubano e a seu governo todo o apôio necessário para repelir o ataque armado a Cuba (...) [2]
"(...)Espero que o governo dos EUA vá considerar nossas posições, ditadas pela única preocupação de não permitir passos que possam conduzir o mundo a uma catástrofe militar."[2]