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quarta-feira, 8 de abril de 2009

Heróis e vilões...

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Nem o “caso Freeport” tem factos mesmo graves, nem o herói se tem revelado à altura.
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Se o "caso Freeport" fosse um "thriller", a meio do livro eu já estaria desconfiado das frases bombásticas com que me convenceram na contracapa.
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É verdade que a narrativa começou bem, com "novos e graves factos", que lançavam "suspeitas sérias" sobre o protagonista principal da história, José Sócrates. Normalmente, nos bons livros, o herói, embora no início esteja relutante em combater, nunca dá o braço a torcer. Contudo, não foi assim: desde o início que Sócrates escolheu o papel de vítima, ainda por cima incomodada. Isto é um erro: o herói nunca se coloca a si próprio no papel de vítima, mesmo que o seja. Para mais, sendo o protagonista primeiro-ministro, perde autoridade e legitimidade ao colocar-se logo à partida à mercê dos antagonistas. Caramba, poder é poder, não é nunca uma vítima indefesa das Forças do Mal.
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Para mais, Sócrates classificou as notícias como "campanhas de interesses ocultos". Se para efeitos de "suspense" isto pode funcionar, é um erro pois valida uma teoria da conspiração. Ora um herói, ainda para mais primeiro-ministro, não se queixa contra as conspirações. Pelo contrário, tenta desmontá-las, lutando contra elas. As Forças do Mal não podem, nem devem, ser "ocultas". Têm de ser vivas e reais, para que possam ser combatidas e vencidas.
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Talvez por isso, no Congresso do PS nomearam-se os responsáveis pelas manobras: a TVI e o jornal ‘Público’. Foi aqui que o livro se começou a tornar desinteressante. A revelação da identidade das Forças do Mal foi um anticlímax narrativo, pois é sempre péssimo para o protagonista que as Forças do Mal sejam menos fortes do que ele. Para uma história ser interessante, os vilões têm de ser mesmo maus e poderosos, capazes de provocar danos gravíssimos ao herói. Ora, se Sócrates é vítima, ao menos que fosse de algo verdadeiramente tenebroso, não de uma televisão e de um jornal!
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Como se isto não fosse suficiente, o primeiro-ministro desata a processar jornalistas. Então o herói dispersa-se com inimigos insignificantes, incomodado com meros "delitos de opinião"? É por essas e por outras que a narrativa em vez de crescer mingua. O herói sente-se ferido na honra, tem conflitos interiores, e a alma torturada. Enfim, uma seca.
Até agora, o thriller é pois muito fraquinho: nem há factos mesmo graves, nem o herói se tem revelado à altura. E o pior é que não sabemos se estamos perto do fim...
Domingos Amaral
in CM

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Separação de poderes...

António Vitorino garantiu que é absurdo pensar que as pressões sobre os magistrados responsáveis pelo caso Freeport para que estes decidam um veloz arquivamento do caso provenham daqueles que acreditam na inocência de José Sócrates, já que o interesse deste é o de uma decisão ‘ilibatória’ (sic) e nada menos do que isso.
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As aparências indicam o contrário. Desde o início, Sócrates e os seus paladinos têm menosprezado a investigação, classificando o caso como uma ‘campanha negra’ orquestrada por sinistros ‘poderes ocultos’. Como é possível não se presumir que as alegadas pressões vêm daí?
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A propósito: perante este vendaval de acusações gravíssimas acerca da desestabilização da Justiça alguém se lembrou que ainda existe (?) um ministro que tutela essa pasta?
Carlos Abreu Amorim
in CM

terça-feira, 17 de março de 2009

A Fada-madrinha do Pinócrates...

A Fada-madrinha do engenheiro muito apenada, com a campanha negra contra o afilhado...

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Congresso do PS, Freeport e as campanhas...

Tinha de ser. Num dia em que Charles Smith voltou a ser ouvido pelas autoridades, José Sócrates entrou a matar com o caso Freeport. O povo socialista e o outro povo ficaram a saber que o secretário-geral do PS se candidata para impor a decência na vida democrática. Triste sina. Este foi o pontapé de saída de um congresso que começou de forma estranha.
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Com a sala meio vazia, triste, que nem deu pela entrada do grande líder. Mas pronto. Não houve música – mas Sócrates não deixou de malhar à esquerda e à direita, mania que começa a ser compartilhada por muitos socialistas.
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Se o discurso de abertura de José Sócrates fizer escola e o povo socialista responder de forma solidária, então o XVI Congresso pode muito bem ser o congresso das campanhas-negras, das calúnias, das infâmias, das difamações – e, já agora, da caça às bruxas que têm a coragem de pôr os dedos nas feridas de um político que se julga dono absoluto não só dos socialistas – o que é verdade –, como do País, o que começa a ser uma triste realidade.
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Resta saber se o Portugal que está em Espinho sabe que lá fora o desemprego dispara e o desespero aumenta em muitas famílias.
Decência seria Sócrates ter falado disso, das vidas negras de muitos portugueses.
António Ribeiro Ferreira
in CM