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quarta-feira, 16 de julho de 2008

A propósito do artigo aqui publicado sob o título “Na Irlanda do rock: Filhos e enteados”, recebi por email o seguinte comunicado de imprensa:

“Date: 15 July 2008

For immediate use

Cleanevent statement in response to Oxegen allegations

Cleanevent is a leading provider of cleaning and waste management services to the sports and leisure industry. We have operations around the world and employ just over 7,500 employees globally.

The story ‘Cleaners for festival had to sleep in stables’ published in The Guardian on July 12, 2008 contained a number of false allegations and inaccuracies about Cleanevent’s treatment of its staff and operational procedures relating to our work at the Oxegen festival in Naas, Ireland.

Cleanevent was awarded the contract to provide the festival with cleaning support for the duration of the festival. Accommodation was provided by the festival organisers MCD and Cleanevent was informed that the staff accommodation consisted of refurbished, heated stables - not tents as would normally be the case at such festivals. The stable block has clean shower facilities and restaurant area capable of producing hot food with an attached recreational area with seating and a television.

During the recruiting process, Cleanevent staff were told – via telephone, email, noticeboards and text messages – that they would be paid on an hourly basis at the UK minimum wage. As they would be accommodated in a refurbished stable block, they were asked to bring sleeping bags and pillows. The small number of staff who omitted to do so were provided with them by Cleanevent management.

Cleanevent brought over to Ireland 34 members of staff: 30 cleaning staff and four supervisors. Cleanevent’s UK staff arrived at the Punchestown racecourse, the site of the Oxegen music festival, at approximately 19.30 on Tuesday 8th July and received a hot meal. Due to a delivery problem with the hired contractor, not all the camp beds – one per person - were delivered on time and additional, sufficient air mattresses were sourced and delivered within an hour of Cleanevent’s staff arrival. Cleanevent provided all staff with their own beds, and no beds were purchased by staff.

Prior to the event, the refurbished stables had been thoroughly cleaned professionally to a high standard by a sanitation specialist and equipped with heaters, lighting, electricity, and electrical sockets for phones, hairdryers, etc. The photograph shown in the Guardian was a storage closet used by veterinary staff back in April 2008 and was not designated as accommodation for Cleanevent staff. The stable accommodation was clean and dry, with natural light via skylights and lockable doors.

In addition to housing Cleanevent’s cleaning staff, the refurbished stables were also used by Cleanevent’s management and supervisors, as well as the labour hire company director, due to the suitability and superiority of the accommodation.

Other facilities were provided, including ladies and gents showers with 24 hour access to hot water and an onsite restaurant with hot meals and 24 hour hot/cold drinks at no cost to cleaning staff. We are providing Cleanevent staff with three hot, nutritious meals per day, and have overbooked meals by an additional 40% to ensure that our staff are appropriately fed. The shower and food/drink facilities have been used by Cleanevent staff, as well as the performers at the Oxegen festival due to their high standard.

The vast majority of the Cleanevent staff expected and were happy with the accommodation provided. Out of the over 200 Cleanevent staff on site at the festival, a small number (eight) of cleaning staff complained about the facilities upon arrival. These staff stated that they had expected to stay in a hotel, despite the fact that this is not standard procedure when working at outdoor festivals.

Once they made their dissatisfaction known to Cleanevent management, a meeting was convened with the eight staff who expressed dissatisfaction, to try to resolve the situation. Of those eight, three cleaning staff decided to leave the Oxegen event and were offered transportation back to the UK the next day, paid for by Cleanevent. As far as Cleanevent is aware, the gardai (police) were not contacted.

Cleanevent treats the allegations made in the Guardian very seriously. Cleanevent launched an investigation and the CEO asked the UK HR Manager to fly over to the festival to view the facilities and to investigate the allegations directly and immediately.

Based on the report our senior management has received, we are satisfied that the accommodation provided is of a good standard, and is in line with – if not better than – that normally provided to cleaning and other contracted staff working on comparable outdoor events such as Glastonbury. We are in the process of offering the three Cleanevent staff who have complained the opportunity to go through Cleanevent’s normal grievance procedure, where they can express their dissatisfaction and we will work to find a mutually acceptable solution.

ENDS

For additional information or clarification, please contact:

Alex Bigham, abigham@apcoworldwide.com or +44 7979 378 872.”

E a propósito, transcrevo o comentário de Miguel Portas:

“Na Irlanda do rock: actualização II

Jul 14, 2008 | publicado por Paz

Actualização
A Cleanevent emitiu um comunicado sobre os acontecimentos. Nele, manifesta a sua vontade de fazer uma reunião com os oito contestatários que “expressaram a sua insatisfação, para discutir como a Cleanevent pode fazer melhor no futuro”. No que respeita aos três que regressaram, querem um encontro “to find a mutually acceptable solution”. É caso para dizer, do mal o menos.

No mais, considera que a sua investigação sobre as condições de trabalho e repouso lhes permite afirmar que “we are satisfied that the accommodation provided is of a good standard, and is in line with - if not better than - that normally provided to cleaning and other contracted staff working on comparable outdoor events such as Glastonbury”. Têm, muito provavelmente, razão. Nos outros festivais, as condições de estadia e repouso também não costumam ser brilhantes…

Em suma, uma tempestade num copo de água que o bom senso, embora tardio, resolverá? Esta a interpretação benigna. A outra nem tanto. A Cleanevents trabalha com 7.500 trabalhadores ocasionais. É muita gente e trata-se de uma das grandes firmas inglesas neste tipo de prestação de serviços. Dispensa de bom grado “má imagem”. E investigações mais aprofundadas ao modo como dá trabalho, a quem e em que condições. Pense, por um momento, nos imigrantes sem papéis e aqui tem porque, defendendo a sua dama, a direcção da empresa quer impedir que este incidente tenha qualquer outro tipo de consequências.”

Cumprida que foi a missão de informar, “O Cacimbo” remete para os seus leitores as respectivas conclusões.

terça-feira, 15 de julho de 2008


Na Irlanda do rock: Filhos e enteados

Imigrantes a dormir em cavalariças, trabalhando 12 horas por dia a 4,48 libras por hora e com 30 minutos de descanso para uma sanduíche mal-amanhada. Este é o outro lado da realidade por detrás de um dos mais conhecidos festivais de rock da Europa.

Miguel Portas, deputado do GUE/NGL, acompanhou Sónia Mendes, a portuguesa que teve a coragem de denunciar a situação, ao local do evento.


Artigo de Miguel Portas em Naas.


Veja a reportagem da RTP: Portugueses vítimas de exploração na Irlanda.

Na primeira noite, foram 25 mil. Mas com as previstas actuações de Amy Winehouse, dos eternos REM ou de Cat Power, sexta-feira prometia rebentar pelas costuras. Apesar do tempo irlandês, ou seja, ventoso, enevoado e, aqui e ali, chuvoso, desde as 8 da manhã, centenas e centenas de jovens afluíam ininterruptamente ao recinto, de tenda às costas, galochas nos pés e caixas de Budweiser nos braços.

Eis-nos em Punchestown Racecourse, um hipódromo vizinho de Naas, uma pequena cidade a 50 quilómetros de Dublin. É aí que anualmente se organiza o maior festival de rock da ilha, num vasto relvado que a chuva, os carros, as tendas e os jovens deixarão irreconhecível quando as músicas e as luzes se apagarem. É nessa altura que verdadeiramente entram em acção os serviços de limpeza do recinto. Durante os dias de festival, eles garantem a manutenção.

Depois, durante oito dias catarão os restos deixados pela multidão, picando-os um a um, nos espaços dos espectáculos e nos parques de campismo e de estacionamento. É um trabalho árduo e pesado, faça chuva ou sol, mas indispensável porque, um ano depois, haverá mais Oxegen e, entretanto, as corridas de cavalos voltam a tomar conta do lugar.

Por detrás dos palcos

Os milhares de jovens que acorrem aos festivais de Verão - o do Sudoeste é o que, em Portugal, melhor se equivale a este - sabem que os promotores deste tipo de eventos se esmeram na programação, porque é ela que atrai as multidões. Sabem também que as bandas mais conhecidas têm contratos de dezenas de páginas, onde se incluem várias cláusulas excêntricas, escrupulosamente cumpridas pelos organizadores. A menina quer um Mercedes xpto à porta? O líder da banda reclama suite com cama de massagem e Beaujolais de 48 na garrafeira? Faça-se a vontade, porque estes pormenores alimentam o "circo", a imprensa da especialidade e constroem imagens. É assim e assim será.

Também por isto, aqueles milhares de jovens, que não são ricos e trazem a comida nas mochilas, pagam 240 euros pelos quatro dias de concertos ou 100 se por lá ficarem um só dia. O que eles não imaginam é que por detrás do palco, longe dos holofotes, há outros serviços sem os quais nenhum festival desta grandeza se pode realizar. Entre estes, o da limpeza é o menos qualificado e o mais duro. Mas tão indispensável quanto qualquer outro. Os promotores de Oxegen, a MCD, subcontratam este serviço. Este ano a escolha recaiu na Cleanevent, uma firma inglesa que também trata dos estádios de Wembley, do Chelsea ou de Wimbledon.

Este tipo de firmas opera com listas de inscritos que são chamados em função dos trabalhos serviços e concessões que ganham. Pagam o salário mínimo legal - no caso 5,52 libras/hora - e procedem aos respectivos descontos. Sobram 4,48 libras para o trabalhador temporário, se este for um imigrante intracomunitário ou com os papéis em regra. No entanto, se não tiver papéis, a firma prefere. É mais barato, podem ser retiradas horas e é certo e seguro que o imigrante não se queixará à polícia, porque pode ser repatriado. Quem o confirma é Sónia Mendes, portuguesa de 31 anos a viver em Londres há 4 meses, e que faz regularmente trabalhos deste tipo, enquanto aguarda pela prestação de provas para auxiliar de terceira idade, a profissão que gostaria de exercer em Londres.

O "caso"

A Sónia está inscrita na Cleanevent. Quinta-feira, 2 de Julho, telefonam-lhe a perguntar se quereria ir trabalhar para a Irlanda durante 12 dias, a 12 horas por dia e com alimentação e estadia em hotel garantida. Ela e outros 50 responderam afirmativamente. Sempre eram mil e tal euros no bolso. Eram portugueses, luso-brasileiros ou polacos. Intra-comunitários, porque Londres e Dublin estão fora do espaço Shengen e extra-comunitários sem papéis, não passariam pelo crivo do controlo de fronteiras. A 7 de Julho à noite chegam a Punchestown Racecourse.

O "hotel" prometido era a cavalariça do hipódromo, ainda com palha, dejectos e cheiros. Chuveiros eram cinco e só um com água quente. O jantar chegava para 17 dos 50. Em declarações ao The Guardian, a MCD refugia-se no contrato celebrado com a Cleanevent - compete à subcontratada assegurar as condições do seu staff. A Cleanevent diz que "aguarda relatório" para analisar o caso. Este, o caso, é que não esperou. Alguns portugueses, entre os quais a Sónia, revoltam-se. Recusam dormir nos estábulos dos cavalos. Telefonam para a polícia, o que, de imediato, muda a atitude dos promotores.

Aos revoltados oferecem as condições que eles pedirem. Os portugueses dormirão na cozinha, um upgrade... e rapidamente vão comprar umas dezenas de sacos-cama e colchões insufláveis, porque nas cavalariças as camas desdobráveis não chegavam para todos. Cá na minha, alguém estava convencido que o pessoal de limpeza pudesse dormir nas palhas dos cavalos. Os rebeldes, que eram seis, reduzem-se, entretanto, a três.

Regressarão nessa mesma madrugada a Londres, porque recusaram para si a melhoria de condições que a MCD lhes oferecia para se abafar a história. "Ou era para todos ou para ninguém", garante a Sónia, que sabe que nunca mais voltará a ser chamada pela Cleanevent. E porque ficaram os restantes? "A maioria dos polacos veio directamente do seu país. Nem eles nem os outros tinham como regressar, até porque nos tinham dito que nem precisaríamos de levar dinheiro", denuncia. Os que ficaram, contudo, fotografaram. Foram essas fotos que conseguimos passar para fora do recinto, porque o acesso à zona VIP e aos estábulos é vedada ao público. Aliás, fazem paredes-meias.

É bem provável que Amy Winehouse ou Cat Power nem sonhem que por detrás dos seus camarins de cinco estrelas, em cubículos de cimento, estejam a repousar os homens e mulheres que acabaram de lhes limpar a casa. Muito menos suspeitarão que quem lhes trata do conforto trabalhe em turnos de 12 horas contínuos, com 30 minutos de intervalo não pagos, quanto basta para uma sanduíche mal amanhada...

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Irlanda votou NO ao Tratado de Lisboa


O ministro da Justiça da Irlanda acaba de anunciar a vitória do NÃO no referendo ao Tratado de Lisboa.

Está assim aberta nova crise na União Europeia.

sábado, 31 de maio de 2008

HÁ SEMPRE ALGUÉM QUE RESISTE, HÁ SEMPRE ALGUÉM QUE DIZ NÃO


O crescimento do 'Não' nas sondagens sobre o referendo ao Tratado de Lisboa, na Irlanda, pode por em perigo a ratificação do tratado, segundo avança hoje o jornal espanhol El País



O referendo para ratificação do Tratado de Lisboa, que a Irlanda organiza a 12 de Junho, está a preocupar os partidários do 'Sim', que vêem o número de votantes no 'Não' a crescer de sondagem para sondagem.

Os últimos números continuam a dar vantagem ao 'Sim', com 41%, e os apoiantes do Tratado de Lisboa até cresceram 3% em relação a uma anterior sondagem. No entanto, o 'Não' cresceu 5%, para os 33%, e começa a preocupar o Governo irlandês.

Além disso, existem ainda 47% de indecisos, que poderão fazer pender o voto para um lado ou para outro. Fontes diplomáticas de Bruxelas, citadas pelo El País, estimam até que apenas 51% daqueles que já decidiram completamente o seu voto estejam a favor do Tratado de Lisboa.

O Tratado de Lisboa, assinado a 13 de Dezembro do ano passado pelos 27 Estados membros da UE, substitui o projecto de Constituição europeia, rejeitado em referendo por França e Holanda em 2005. Já foi ratificado pela maioria dos países que o assinaram, incluindo Portugal, em Abril.

SOL