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quarta-feira, 3 de junho de 2009

Não esqueçam as vítimas

Nem a coragem deste Homem


impediu o massacre


4 de Junho de 2009 - 20º Aniversário do massacre de Tiananmen


O Governo Chinês tem-se recusado a levar a cabo um inquérito aberto, independente e imparcial aos acontecimentos dos dias 3-4 de Junho, apesar dos apelos dos governos estrangeiros. Mas é necessário que a justiça acabe por prevalecer e que as vítimas não sejam esquecidas. Nesse sentido a Amnistia Internacional - Secção Portuguesa promove várias acções públicas no próximo dia 4 de Junho, 5ª feira, à qual várias estruturas já demonstraram interesse em se associar:

Acção em Lisboa:
Pretende-se alertar o público em geral e a Embaixada da China em Portugal para a necessidade de fazer justiça às vítimas do 4 de Junho de 1989 e para que acabem as perseguições a todos aqueles que têm tentado lembrá-las, dentro da China. Também se pretende fazer uma homenagem às Mães de Tiananmen, cujos filhos foram mortos durante aqueles acontecimentos e que durante anos e anos tiveram de esconder a sua dor.
A acção a levar a cabo pelo CoGrupo da China, com início às 18h 30mn do dia 4 de Junho, no Rossio, consiste em tentar reproduzir a ocupação da Praça de Tiananmen pelas tropas e consequente brutal repressão:
Voluntários envergando camisolas brancas com dizeres em chinês e em português exigindo “Nunca Esqueçam”, o “Contem a Verdade”, “Faça-se Justiça”, e com uma faixa branca atada na cabeça surgem em uma Praça de Lisboa (talvez o Rossio) e logo se seguem outros voluntários que simulam soldados, com camisolas pretas com uma estrela vermelha, segurando uma espingarda AK 47 (fabricada em polipropileno alveolar e com a imagem da espingarda colada dos 2 lados) e um cartaz com um tanque de guerra desenhado que simulam descargas de balas. Os estudantes caem no chão e a seguir, perto mas não junto a eles., voluntárias depositaram no chão, 6 rosas brancas e 4 vermelhas. Estas flores são o símbolo das Mães de Tiananmen. As rosas brancas representam a pureza do coração dos mortos em Tiananmen e as vermelhas a sua paixão. O número 6 por ser relativo ao mês 6 - Junho e 4 ao dia do mês.


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MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO (www.movimentolusofono.org)
Blogue associado: NOVA ÁGUIA: O BLOGUE DA LUSOFONIA (novaaguia.blogspot.com)
SEDE: ASSOCIAÇÃO AGOSTINHO DA SILVA (Rua do Jasmim, 11, 2º – 1200-228 Lisboa; E-Mail: AgostinhodaSilva@mail.pt; Tel.: 21 3422783 / 96 7044286; http: www.agostinhodasilva.pt; NIF: 503488488; NIB: 0033 0000 2238 0019 8497 2)

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Ainda não repararam que já despertou?

Quando a China despertar... o mundo tremerá














Já agora que vos falo da China, lembrei-me dum livro já com muitos anos que foi escrito por um antigo embaixador de França na China, chama-se "Quando a China despertar... o mundo tremerá" e é da autoria de Alain Peyrefitte. Foi no seu tempo um livro premonitório que nos dá uma visão daquilo que viria mais tarde a acontecer e que nós hoje conhecemos muito bem. É a invasão do comércio chinês que vai afastando o comércio tradicional que se vai implementando e fortalecendo. O mesmo se passa noutros países e não só europeus, como é o caso de África, nomeadamente Angola, onde já existe uma forte comunidade chinesa e onde o governo chinês tem injectado grandes somas de dinheiro. São contributos para um melhor conhecimento mútuo dum país que cada vez mais se vai afirmando no mundo. A edição é da Editora Parceria e foi publicado em 1976.
posted by Formadores Certform 66 @ 9:47 AM

Como o tenho desde que foi publicado na minha pobre biblioteca, empresto-o a amigos que ainda não conseguiram lê-lo.

sábado, 11 de abril de 2009

quinta-feira, 5 de março de 2009

Curiosas improbabilidades


“Tirando a descortesia, o que se reteve da reunião magna dos militantes do PS?

Por um lado, uma curiosa improbabilidade ideológica: o grande partido da esquerda democrática convidou o Partido Comunista Chinês para o seu congresso. Já se sabia que o grande partido da esquerda democrática era, na melhor das hipóteses, do centro relativamente autoritário. Mas não era público que apreciava a companhia da esquerda ditatorial.

Por outro lado, deve sublinhar-se a coragem de José Sócrates, quando pediu que fosse o povo, através do voto, a julgar o caso Freeport. É uma proposta ousada na medida em que os casos de justiça costumam ser julgados em tribunal. E arriscada porque, até hoje, nenhum tribunal condenou Sócrates, mas eu conheço muita gente do povo que acha que ele tem pinta de ser culpado.”

Transcrito da crónica “Boca do Inferno”, de Ricardo Araújo Pereira, in “Visão”

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Tudo como dantes, no quartel-general em Abrantes

Até parece que, o facto de se ter passado mais um dia, o transformou numa data histórica.
Nada disso.
Ontem, tal como hoje, nada mudou, a não ser a(s) página(s) do(s) calendário(s) que, afinal, são tão diversificados como qualquer de nós: os seres vivos que existimos na Natureza. Ah! pois; e dependem das convenções que julgam tê-los criado e estabelecido regras que os regulam. Quantos "calendários" estão em vigor no Mundo? Nos vários calendários, há quem festeje datas que outros desconhecem e alguns abominam.
O facto é que, afinal, a Humanidade coabita e tem de aprender a partilhar a Terra que nos coube. A dificuldade e causa de todas as guerras que sofremos, travamos e continuaremos a sujeitar-nos - porque, infelizmente, continuaremos a ficar sujeitos a guerras cada vez mais devastadoras - reside unicamente num facto: o ser humano ainda não aprendeu a respeitar a Natureza e a Humanidade. Para além do inalienável direito à diferença e respeito mútuo.
Enquanto não percebermos e praticarmos essa evidência... iremos de mal a pior, independentemente dos "primeiros de Janeiro" que formos "comemorando".
Para sermos consequentes, basta aceitarmos coisas tão simples como respeitarmos o Direito à Liberdade, assente nos princípios de Justiça, Solidariedade e Fraternidade.
Portanto, não vale a pena iludirmos-nos com "obamanias".
Prefiro chamar-vos a atenção para o que se passa no subcontinente indochinês:
o descalabro do Paquistão, o alastramento do domínio dos senhores da guerra no Afeganistão a esse país, e as sucessivas provocações à Índia, já nada têm a ver com o velho diferendo de Caxemira.
Tudo indica que, não tarda muito e, também o estafado "problema do Médio Oriente" entre "árabes" e "judeus" vai passar à História.
É evidente que americanos, europeus, incluindo russos (é bom não esquecer), já nada terão a ver com o que lá vai acontecer.
A não ser que tenham a clarividência de, em tempo útil, mandarem às urtigas as reminiscências da "guerra fria"...
A que aí vem... vai ser quente.
Já repararam que a China está impávida e serena perante tudo isto?
Já notaram?
Ainda não compreenderam?
Pelo menos, perguntem ao nosso governo o que pensa disto.
De resto, é a única razão que motivou este texto.
Como cidadão, e enquanto usufruir da liberdade de expressão que "O Cacimbo" me permitir, cá estarei.
Para vos dizer e abraçar, como sempre fiz.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

domingo, 25 de maio de 2008

Chineses atenuam dependência africana da Europa


Neste 25 de Maio, Dia de África, que celebra o nascimento, em 1963, em Adis Abeba, na Etiópia, da Organização de Unidade Africana (entretanto transformada em União Africana), três factos da semana documentam os extremos da situação continental: a procura pela Europa de uma posição num continente que desperta cobiça, os choques xenófobos que ainda ilustram a imagem africana de "pobres lutando com pobres", e a fantástica aventura chinesa que coloca crianças de África a gritarem "Ni hão! Ni hão!" ao estrangeiro branco.

A visita é a de Nicolas Sarkozy a Angola, com a França a virar uma página de 15 anos de relações turbulentas com Luanda.

A crise é a da xenofobia sul-africana contra imigrantes de países vizinhos, Zimbabwe, Moçambique, Malawi.

O livro é "Chinafrica - Pequim à Conquista do Continente Negro", um mergulho no fenómeno, que já alcança "outra escala", da presença chinesa em África.

E não deixa de ser curioso, ou trágico, que este quadro de acontecimentos projecte situações contraditórias.

Troca amável de palavras

Nicolas Sarkozy foi a Luanda para virar uma página, depois de anunciar, ao longo de um ano de presidência, uma nova visão para a política externa francesa, corajosa, descomprometida e moderna.

Em Angola trocou palavras amáveis com o Presidente José Eduardo dos Santos e anunciou uma enorme lista de projectos e intenções, incluindo uma Fundação França-Angola para suportar projectos de de-senvolvimento económico e humano. Um regresso em força da França a um dos mais sedutores espaços de negócios do mundo.

Os sul-africanos pobres perseguem, aterrorizam e matam, sobretudo na província de Gauteng, que abarca Joanesburgo, cidadãos de países que firme e amigavelmente receberam fugitivos e combatentes do apartheid, países dos homens que se enterraram profundamente nas minas da África do Sul para extrair ouro, os famosos ocupantes do "The Coal Train", cantado, em "Stimela", pelo sul-africano Hugh Masekela, os imigrantes embarcados em todas as raias a caminho das minas.

E o livro francês trás para a Europa o novo olhar africano sobre os chineses, dando-nos uma visão larga da aventura chinesa.

Fernando Jorge Cardoso, do Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais, discorda das teses contidas no livro dos jornalistas franceses.

Apenas um milhão de chineses

"Está completamente sobrevalorizada a ameaça chinesa em África", garante Fernando Jorge Cardoso, adiantando que a China é competidora (e tem vantagem) na área da construção, mas não nos outros campos, podendo, no entanto, ser uma ameaça para a própria África, condicionando o desenvolvimento industrial africano.

Fernando Jorge calcula que estarão em África de 800 a mil empresas e não mais de um milhão de chineses, números que não reflectem nem uma maciça invasão empresarial nem alguma estratégia de alívio da pressão demográfica na China, que, em sua opinião, "não desenvolve uma política externa para África", limitando-se o país a entrar onde existe a possibilidade de fazer negócio e os seus cidadãos a seguir os caminhos que os têm levado a todo o mundo.

A Europa continua a ter vantagem, porque é uma zona de grande desenvolvimento tecnológico e que transfere tecnologia, ao contrário do que acontece com os chineses que não o fazem.

Mas é verdade que África tem, agora, um cenário de larga diversificação das suas relações, com "a presença dos Estados Unidos e da China e com a possibilidade de se apresentarem, também, outros países, como a Índia e, sem dúvida, um dia, a Coreia do Sul". O que não deve levar o continente a recusar acordos de parceria com a Europa.

"África deve - acrescenta Fernando Jorge Cardoso - aproveitar todas as parcerias com a Europa. Seria um erro não o fazer!"

David Borges in DN

terça-feira, 15 de abril de 2008

JOGOS OLÍMPICOS = LIBERDADE = FRATERNIDADE




O desrespeito pelos direitos humanos na China está a aumentar durante a preparação dos Jogos Olímpicos. Foi uma das conclusões da audição realizada no dia 26 de Novembro pela subcomissão parlamentar dos Direitos Humanos. Entre os motivos de séria preocupação encontram-se as medidas de reforço do controlo, o silenciamento dos meios de comunicação social, a opressão sobre os dissidentes, a generalização da escravatura, as detenções políticas, as torturas e uma grande desigualdade social. “Desapontante” foi a expressão utilizada pela eurodeputada Hélène Flautre (Verdes/ALE), a propósito da ausência de um representante da Embaixada da China.

Hu Jia, um dos nomeados para o Prémio Sakharov 2007, encontra-se em prisão domiciliária há mais de 190 dias e, através de uma ligação de Internet relatou, por telefone, a situação actual. "Um desastre em termos de direitos humanos" e 1 milhão de pessoas perseguidas de diferentes formas, referiu Hu Jia, que apelou a uma posição firme da União Europeia, designadamente no que se refere ao embargo de armamento.

“O Comité Olímpico Internacional baniu o apartheid dos Jogos Olímpicos em África do Sul. Isso demonstra que pode tomar decisões políticas.

sábado, 5 de abril de 2008

SERÁ VERDADE?


Esta fotografia circula na internet com o seguinte texto em francês:

"Comment la Chine fait de la désinformation...

Photo des militaires chinois s'apprêtant à revêtir des robes de bonzes....

Introduction : Les moines de Lhassa ont dit qu'ils étaient enfermés et n'étaient pour rien dans les manif.

Certains le savaient depuis le 20 grâce à cette photo prise par satellite dans des conditions de contrôle irréfutables (voir ci

dessous) La photo est passée par l'Italie et revient vers nous.

Nous espérons qu'elle franchira toutes les frontières et sera vue dans le monde entier. Il faut faire vite, Yahoo filtre même nos messages en France !

Photo satellite prise le 20 mars par l'Agence de communication de Grande Bretagne

Beijing 2008: One World, One Dream - Free Tibet.

Lhadon Tethong"

(Embedded image moved to file: pic27200.jpg)

Será que se trata de uma montagem - feita por movimentos de apoio ao Tibete e de boicote aos Jogos Olímpicos de Pequim - ou os militares chineses disfarçam-se mesmo de monges tibetanos, e simulam manifestações e desacatos para justificarem a repressão no Tibete?

Na segunda hipótese, a técnica é conhecida: nos idos 60 em Portugal, a PIDE infiltrava manifestações pacíficas e apedrejava montras e automóveis para "justificar" a intervenção da polícia de choque contra os perigosos desordeiros.


sábado, 29 de março de 2008

JOGOS OLÍMPICOS EM PEQUIM


ROBERT MÉNARD APELA AO BOICOTE DA CERIMÓNIA DE ABERTURA DOS JOGOS OLÍMPICOS
Robert Ménard tem uma nova causa. O fundador e secretário-geral dos Repórteres sem Fronteiras quer boicotar a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim.
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Ménard foi, aliás, um dos três manifestantes que perturbaram o acender da chama olímpica, na passada segunda-feira, na Grécia. Um protesto contra a violação dos direitos humanos na China, em particular no Tibete. Nesta entrevista à EuroNews, Robert Ménard diz que misturar política com os Jogos Olímpicos se torna inevitável, especialmente quando é a China que está em causa.
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Pergunta: Um boicote à cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim é, verdadeiramente, a melhor solução para uma manifestação contra a violação dos direitos humanos na China, e sobretudo no Tibete?
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Robert Ménard: Não é a melhor solução. É a menos má. Não se vai regularizar o problema dos direitos humanos no Tibete e na China agora, em quatro meses. Há anos que os países democráticos e os grandes países ocidentais se deveriam ter fechado mais à China. Ao mesmo tempo, agora estamos perante um acontecimento importante e parece-nos que reivindicar que os chefes de Estado e de Governo não estejam presentes nas três horas e meia que durará a cerimónia de abertura é o mínimo, o mínimo!
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Perg: Porquê apenas um boicote da cerimónia e, não se pode efectuar um boicote total?
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RM: Porque não é possível pedir aos desportistas algo que é impossível para eles. Hoje, pedir aos jovens e às jovens, após meses, após anos de preparação para estes jogos, para não irem, é inadmissível. Não são eles os responsáveis por isto. A responsabilidade é, em primeiro lugar, do Comité Olímpico Internacional, pois foi ele que votou e designou Pequim. É ele que tem que assumir as suas responsabilidades. E os políticos, homens e mulheres, porque esta decisão [de realizar os Jogos em Pequim] é uma decisão política.
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Perg: Mas quando fala em assumir as responsabilidades, quer dizer o quê exactamente? Por exemplo, Jacques Rogge, o presidente do Comité Olímpico Internacional, disse que o Comité está envolvido numa diplomacia silenciosa com a China.
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RM: Ele goza com toda a gente, Jacques Rogge. É um mentiroso. Há meses que lhe entregámos, não apenas nós, mas organizações de defesa dos direitos humanos de todo o mundo, uma lista com quatro dezenas de nomes de pessoas que estão presas, e lhe pedimos para a transmitir às autoridades chinesas. Jacques Rogge não o fez. Jacques Rogge não consegue nada, porque ele não pede nada. Ele diz: eu sou organizador de espectáculos desportivos, não me podem pedir para falar de direitos humanos, eu não faço política. Mas a decisão de ir a Pequim, é uma decisão política.
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Perg: Se a França não participar na cerimónia de abertura, mas o fizerem a Alemanha, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, que se dizem contra um boicote... a França sózinha, o que é que pode mudar verdadeiramente?
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RM: No nosso espírito, não se trata apenas de o pedir a Nicolas Sarkozy. Por que é que é importante a posição de Sarkozy? Porque no próximo mês de Agosto, na altura dos Jogos Olímpicos, é ele que presidirá à União Europeia. Por conseguinte, ele será o representante de 27 países europeus. Aí, ele vai ter uma reunião com os ministros dos Negócios Estrangeiros de toda a União, dos 27 países europeus. Espero que eles venham a tomar uma posição comum. Espero que toda a Europa junta fale alto e forte. Não podemos explicar que os direitos humanos foram inventados na Europa pelos europeus e esquecê-los quando é incómodo. Evidentemente, os nossos governos não desejam fazer isso. Os nossos Governos estão obcecados com uma coisa, os negócios com os chineses e as suas empresas com o mercado chinês.
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Perg: Quer que os responsáveis políticos boicotem a cerimónia de abertura. E os jornalistas, na sua opinião, o que devem fazer?
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RM: Todos os jornalistas devem pedir autorização para ir a Lhassa, no Tibete. Todos devem pedi-la. Haverá 20 mil jornalistas no terreno, para pedir e ir, porque o seu trabalho é ir ao lugar onde é mais difícil. Eu não consigo imaginar que um jornalista digno desse nome se contente com uma ida a Pequim. Não é possível. Essa é a primeira coisa. Há um determinado número de jornalistas, a quem vou pedir para levarem uma mensagem: "Eu não sou ingénuo". Certamente, eu estou aqui pela actualidade, resultados desportivos, pela competição e por tudo, mas ao mesmo tempo eu sei em que país estou.
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Perg: Eu li num artigo que disse que o problema das ONG é que têm relações incestuosas com a esquerda, mas considera-se apolítico na sua abordagem a esta questão?
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RM: Nós não somos cães de guarda. Eu não tenho mais simpatia por um regime, por uma ditadura de direita ou uma ditadura de esquerda. Eu e os Repórteres sem Fronteiras somos capazes de nos mostrar igualmente intratáveis com o senhor Castro, quando ele põe 25 jornalistas na prisão, e com Bush, quando o seu exército dispara sobre os jornalistas, no Iraque. Eu não digo que o senhor Castro e o senhor Bush sejam a mesma coisa. Evidentemente que não. Eu não tenho um espírito selectivo. Há ditaduras boas e ditaduras más? Claro que não. Eu estou escandalizado pela Arábia Saudita próxima dos americanos, como pela China comunista, da mesma maneira.
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Perg: Senhor Ménard, a minha última questão: e o senhor, vai a Pequim?
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RM: Eu não posso mais ir a Pequim. Correram comigo em Agosto passado. Eu manifestei-me numa rua, em frente da sede do Comité de Organização de Pequim, e eles prenderam-nos, expulsaram-nos do país. Eu tentei voltar, há uns meses, por Hong Kong. É uma pena que não o tenha trazido, porque vos poderia mostrar que me puseram no passaporte um carimbo com o qual não poderei jamais entrar na China. O Governo chinês não é eterno. Eu também não, mas espero poder voltar à China, a uma China democrática"

Clique na imagem para ampliar.
Ainda sobre a decisão de realizar os Jogos Olímpicos na China, no passado dia 26 de Março a Comissão de Assuntos Exteriores do Parlamento Europeu ouviu o Presidente do Parlamento Tibetano no exílio, Karma Chophel, expôr com clareza as propostas da “via do meio” defendida pelo Dalai Lama e pelas estruturas tibetanas sobre a forma negociada e pacífica para resolver a crise do Tibete, que ameaça toldar a organização dos Jogos Olímpicos em Pequim.
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O representante tibetano foi explícito ao defender que não devia haver boicote aos Jogos Olímpicos, que a China não devia ser isolada e que o objectivo dos tibetanos não era a separação da RP China, mas antes alcançar um estatuto de autonomia que garantisse direitos humanos e liberdades básicas (incluindo liberdade religiosa) aos tibetanos e lhes facultasse auto-governação no seu território.
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Antes da reunião com o representante do governo tibetano no exílio, o plenário do PE debateu se deveria haver boicote aos Jogos Olímpicos de Pequim, ou não. Foram discutidas as difíceis condições vividas pelo povo tibetano no seu próprio país, com manifestações racistas das autoridades chinesas sobre a população local que se estendem às vizinhas províncias chinesas onde existem minorias tibetanas.
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Foi consensualmente afirmado que o PE deseja ver os direitos humanos e as liberdades respeitadas tanto no Tibete, como na China, onde tantos estão na prisão só por ousarem expressar as suas opiniões - como Hu Jia, logo após ter falado com os parlamentares europeus, em Novembro passado, através de video-conferência. O boicote dos Jogos Olímpicos em Pequim seria muito conveniente para aqueles que, no governo chinês, contam com a indiferença do mundo para continuar a oprimir quer chineses quer tibetanos. Em vez disso, estas olimpíadas podem ter um forte impacto na sociedade chinesa e produzir efeitos benéficos no progresso dos direitos humanos e na liberdade no Tibete e na China.