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sexta-feira, 10 de abril de 2009

A propósito da Páscoa

O que pensa(va) Agostinho da Silva da morte e da eternidade

sábado, 21 de março de 2009

A Lusofonia em marcha

Como foi já anunciado, o terceiro número da NOVA ÁGUIA, que terá como tema “O Legado de Agostinho da Silva: quinze anos após a sua morte”, será lançado pela primeira vez no dia 3 de Abril (dia em que se assinalam, precisamente, os 15 anos sobre a morte de Agostinho), no Anfiteatro I da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, às 16h, no âmbito de um Colóquio cujo programa poderá consultar no nosso blogue: www.novaaguia.blogspot.com

Outros lançamentos foram já entretanto agendados. A lista será anunciada até ao final deste mês. Entretanto, se quiser agendar connosco um lançamento, poderá fazê-lo por e-mail ou por telefone (967044286).

Para quem nunca tenha assistido a um lançamento da NOVA ÁGUIA, salientamos que essas sessões são sempre, em geral, mais do que meras sessões de lançamento: antes sessões de debate sobre os Princípios e Objectivos do MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO.

Daí a importância que estas sessões (já quase uma centena) têm tido para a difusão deste movimento cultural e cívico, que se mantém, semana após semana, em visível crescimento.

Abaixo, sinopse do terceiro número da NOVA ÁGUIA.

Em anexo, a capa.

Como é sabido, a revista A Águia foi uma das mais importantes do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Carneiro, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva. A ideia de relançar a revista, agora sob o nome de NOVA ÁGUIA, pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu "espírito", adaptado aos nossos tempos. Não se trata, nessa medida, de fazer uma revista voltada para o passado, meramente revivalista. Trata-se, antes, de fazer uma revista para os tempos de hoje, para o século XXI.

Tal como n' A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas. O tema do terceiro número, que agora lançamos, é O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.. Orgulhamo-nos de ter conseguido o contributo de nomes tão ilustres como António Braz Teixeira, António Cândido Franco, António Telmo, Dalila Pereira da Costa, Joaquim Domingues, José Flórido, Manuel Ferreira Patrício, Manuel Gandra, Miguel Real e Pinharanda Gomes, a par de muitos outros.

Para além disso, neste primeiro número poderá ainda encontrar uma série de outros textos, sobre outras temáticas, conforme o nosso índice:

NA 3: ÍNDICE

EDITORIAL…5

O LEGADO DE AGOSTINHO DA SILVA: 15 ANOS APÓS A SUA MORTE

António Braz Teixeira, BREVE NOTA SOBRE AGOSTINHO DA SILVA E A “ESCOLA DE SÃO PAULO”…8

António Cândido Franco, AGOSTINHO DA SILVA NUM RELANCE DE SOL…10

António José Borges, A MISSÃO DE PORTUGAL NAS MENSAGENS DE FERNANDO PESSOA E AGOSTINHO DA SILVA…12

Cristina Leonor Pereira, NA SENDA DA ALIANÇA TRANSATLÂNTICA E DO ENTENDIMENTO CULTURAL: DA UTOPIA À REALIDADE E À RECUPERAÇÃO DA OBRA DE AGOSTINHO DA SILVA…18

Humberto França, O BRASIL DE AGOSTINHO DA SILVA…24

Joaquim M. Patrício, CONFIANÇA E OPTIMISMO DE AGOSTINHO DA SILVA NA LUSOFONIA…25

José Flórido, O PENSAR PARADOXAL DE AGOSTINHO DA SILVA…32

José Leitão, VADIOS E POETAS – UMA CONSIDERAÇÃO SOBRE A MÍSTICA AGOSTINIANA…35

Luís Santos, O LARGO DA GRAÇA. REFLEXÕES AGOSTINIANAS…38

Manuel Pina, A ETERNIDADE E UM DIA…40

Maria Afonso Sancho, AGOSTINHO DA SILVA, A COMIDA E A IDADE DO OURO…42

Pedro Teixeira da Mota, DO TRÂNSITO DAS RELIGIÕES À RELIGIÃO UNIVERSAL: AGOSTINHO DA SILVA, UM ELO…45

Artur Manso, ESTÉTICA E ARTE EM AGOSTINHO DA SILVA…49

Carminda H. Proença, LUSOFONIA e IDENTIDADE…53

Isabel Santiago, BARCA D’ALVA…55

João Leitão, AGOSTINHO DA SILVA E O CAMINHO DO MEIO…59

Lúcia Helena Alves de Sá, DO EDUCAR PARA ESPERANÇAR DE AGOSTINHO DA SILVA: UMA PEDAGOGIA PARA O SÉCULO XXI…61

M. Margarida L.S. Carvalho, EDUCAÇÃO, CULTURA E FUTURO…67

Miguel Real, AGOSTINHO DA SILVA: A PEDAGOGIA COMO SUBVERSÃO SOCIAL…69

Renato Epifânio, AGOSTINHO DA SILVA: UM LEGADO…74

Ricardo Cabaça, UM HOMEM COMPROMETIDO COM OS VALORES HUMANOS…77

Rui Martins, DEZ PARÁGRAFOS AGOSTINIANOS DE PENSAMENTO POLÍTICO EM "IR À ÍNDIA SEM ABANDONAR PORTUGAL"…78

Romana Valente Pinho, AGOSTINHO DA SILVA: QUINZE ANOS DEPOIS DA SUA MORTE. E AGORA?...90

Rita Cardoso, ENTREVISTA A AGOSTINHO DA SILVA…92

Manuel Ferreira Patrício, BREVE TESTEMUNHO SOBRE AGOSTINHO DA SILVA…94

Délio Vargas, BREVE NOTA SOBRE AGOSTINHO…96

Celeste Natário, AGOSTINHO DA SILVA E A SAUDADE DA “GRÉCIA DIVINA”…97

Amândio Silva, CARTA A AGOSTINHO…98

DA ARCA

Agostinho da Silva, CONDIÇÕES E MISSÃO DA COMUNIDADE LUSO-BRASILEIRA…102

Agostinho da Silva, ALCORÃO…109

OUTROS VOOS, OUTRAS VOZES

James Horrox, ANARQUIA E UTOPIA: A FILOSOFIA MÍSTICA DE GUSTAV LANDAUER E AGOSTINHO DA SILVA…114

Cem Kömürcü, MELANCOLIA EM ISTAMBUL E LISBOA…121

Katia Hay, O SR. H…125

Tobias Dangel, LISBOA COMO LUGAR DA EXPERIÊNCIA METAFÍSICA…128

Hakem Rustom, A JÁ ESQUECIDA JIHAD EM NOME DE CRISTO: A PERSPECTIVA DE UM ÁRABE CRISTÃO…130

Sam Cyrous, LIVRE ARBÍTRIO E DESTINO: DICOTOMIA OU COMPLEMENTARIDADE?...133

Amadeu Ferreira, DIEÇ ANHOS DE MIRANDÉS CUMO LHÉNGUA OUFECIAL…135

RUBRICAS

COISAS E LOISAS, de J. Pinharanda Gomes…138

DO ESPÍRITO DOS LUGARES, de Manuel J. Gandra…140

AS IDEIAS PORTUGUESAS DE GEORGE TILL, de Jorge Telles de Menezes…151

PÁGINAS TEMÁTICAS

ARTES PLÁSTICAS, por Cristina Pratas Cruzeiro…154

LITERATURA ORAL E TRADICIONAL, de Ana Paula Guimarães…159

MÚSICA, de Maurícia Teles da Silva (com nota introdutória)…164

PROJECTOS, de Ana Margarida Esteves; Maria Eduarda Rosa e José Francisco Pereira…166

BIBLIÁGUIO

TEIXEIRA DE PASCOAES, CREPÚSCULO, por António Cândido Franco…170

LÍDIA JORGE E JOÃO RÊGO: PESOS E MEDIDAS DA ALMA, por Fátima Valverde…171

ANTÓNIO CÂNDIDO FRANCO, A BIOGRAFIA DE D. SEBASTIÃO – UM ROMANCE HISTÓRICO, por Romana Valente Pinho…174

PEDRO SINDE, O CANTO DOS SERES. SAUDADE DA NATUREZA, por Joaquim Domingues…178

RODRIGO SOBRAL CUNHA, FILOSOFIA DO RITMO PORTUGUESA, por António Braz Teixeira; seguido de “breve apontamento”, de Renato Epifânio…180

CARTA DE NATÁLIA A LEONARDO, por Carminda H. Proença, seguida de comentário de António Telmo…183

3 COGITAÇÕES E 7 INSPIRAÇÕES NA LEITURA DE «A CADA INSTANTE ESTAMOS A TEMPO DE NUNCA HAVER NASCIDO» DE PAULO BORGES, por Jorge Telles de Menezes…184

TEOREMAS DE FILOSOFIA, por Joaquim Domingues…186

GOLPE D’ASA

Dalila Pereira da Costa, RELIGIÃO PRÉ-HISTÓRICA…188

POEMÁGUIO

Alexandre Vargas, AGOSTINHO DA SILVA, PRÍNCIPE REAL…6

Sérgio Franclim, OS POETAS DE AGOSTINHO DA SILVA…7

Jesus Carlos, AGOSTINHO DA SILVA…100

Isabel Guimarães, TU QUE SUBIAS ESCADAS…100

Samuel Dimas, REDENÇÃO…101

Henrique Madeira, INÚMERAS SÃO AS AVES…136

Iolanda Aldrei, CRIAÇÃO…136

Francisco Soares, ENCANTO…137

Luís Souta, PARA UM FILHO QUE NÃO QUERO PERDER…169

Tiago Lemos, QUE SEI EU DO SILÊNCIO ONDE ESTOU SENTINDO?...190

SOBRE A NOVA ÁGUIA & O MIL

Joaquim Domingues, A NOVA ÁGUIA…192

Renato Epifânio, O PRIMEIRO ANO DO MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO & RESPOSTAS AO INQUÉRITO REALIZADO A TODOS OS MEMBROS DO MIL…193

Paulo Borges, POR UM PATRIOTISMO TRANS-PATRIÓTICO E UNIVERSALISTA. OITO CONSIDERAÇÕES PARA UMA FUNDAMENTAÇÃO DO MIL…196

Eurico Ribeiro, A LUSOFONIA NUMA ÉPOCA DE MUDANÇA…199

LISTA DE LANÇAMENTOS DO 2º NÚMERO DA NOVA ÁGUIA…202

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA (A INCLUIR)…203

O LEGADO DE AGOSTINHO DA SILVA

QUINZE ANOS APÓS A SUA MORTE

inclui inéditos agostinianos

CONDIÇÕES E MISSÃO DA COMUNIDADE LUSO-BRASILEIRA

ALCORÃO



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NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI
http://www.novaaguia.blogspot.com
SEDE NORTE: Associação Marânus; SEDE SUL: Associação Agostinho da Silva; SEDE DE REDACÇÃO: ASSOCIAÇÃO AGOSTINHO DA SILVA (Rua do Jasmim, 11, 2º – 1200-228 Lisboa; E-Mail: AgostinhodaSilva@mail.pt; Tel.: 21 3422783 / 96 7044286; http: www.agostinhodasilva.pt; NIF: 503488488; NIB: 0033 0000 2238 0019 8497 2)

A NOVA ÁGUIA está vinculada a três entidades : Associação Marânus/ Teixeira de Pascoes, Associação Agostinho da Silva e MIL : Movimento Internacional Lusófono. Inspirando-se na visão de Portugal e do Mundo de Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva, a NOVA ÁGUIA assume-se como um órgão plural.




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MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO (www.movimentolusofono.org)
Blogue associado: NOVA ÁGUIA: O BLOGUE DA LUSOFONIA (novaaguia.blogspot.com)
SEDE: ASSOCIAÇÃO AGOSTINHO DA SILVA (Rua do Jasmim, 11, 2º – 1200-228 Lisboa; E-Mail: AgostinhodaSilva@mail.pt; Tel.: 21 3422783 / 96 7044286; http: www.agostinhodasilva.pt; NIF: 503488488; NIB: 0033 0000 2238 0019 8497 2)




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sexta-feira, 13 de março de 2009

"1001 Escolhas"

Queremos o "1001 Escolhas" de volta!

A exemplo do "Lugar ao Sul", à beira de completar trinta anos de emissões, sempre considerei o "1001 Escolhas", desde que apareceu em 2004, uma marca de excelência na rádio portuguesa. Digo mais: numa emissora cada vez mais descaracterizada e igual às rádios comerciais como é a actual Antena 1, o "1001 Escolhas" era um dos escassos oásis que ainda existiam na respectiva grelha. E digo "era" porque alguém teve a infeliz ideia de acabar com ele. E esse alguém, até prova em contrário, não terá sido a autora, Madalena Balça, mas um indivíduo chamado Rui Pêgo que depois de ter sido (levianamente) colocado na direcção da rádio pública, em meados de 2005, não descansa enquanto não destrói todos os bons programas que representavam uma mais-valia do serviço público, com a finalidade de arranjar tachos para uma trupe de amigos (os seus e os dos outros elementos da direcção), boa parte dos quais perfeitamente medíocres.
Sem querer dizer mal do "História Devida", recentemente recuperado (nada contra), é inquestionável que o "1001 Escolhas" está a milhas de distância (à frente) e, como tal, não posso aceitar o seu abrupto e inesperado fim, quando ainda tinha um longo caminho para andar. Porque a matéria-prima nem por sombras ficou esgotada e o que não falta em Portugal é gente interessante para se ouvir, não necessariamente com visibilidade mediática. E também porque não quero deixar de me deliciar com as saborosas conversas que a Madalena Balça entabulava com os seus convidados, ilustradas com interessantíssimos apontamentos sobre os mais diversos temas: livros/escritores, músicas/compositores/intérpretes, filmes/realizadores/actores, pinturas/esculturas/artistas, descobertas científicas e invenções/cientistas, monumentos/arquitectos, viagens/exploradores, lugares históricos e naturais, especialidades gastronómicas, modalidades desportivas/atletas... Em suma, uma vasta panorâmica sobre as múltiplas artes e saberes de que se alimenta a nossa alma e, simultaneamente, um tributo à memória de grandes homens e mulheres que viveram antes de nós, e sem os quais hoje seríamos muito mais pobres. Em que outro programa de rádio, de permeio a uma conversa coloquial e despretensiosa, se evoca, em primorosas peças jornalísticas, o romance "O Coração das Trevas" (de Joseph Conrad), a fadista Lucília do Carmo, o cineasta Terence Mallick, e se convive com as gentes do planalto mirandês, apenas para citar as escolhas de Paula Moura Pinheiro, na última edição? Mais que um programa de entrevista/conversa, o "1001 Escolhas" era um agradabilíssimo momento de divulgação cultural, uma janela que nos era aberta para as coisas que vale a pena vivenciar e que enriquecem a nossa existência. Um programa como o "1001 Escolhas" nunca devia acabar. Exige-se, por isso, a sua rápida reposição pois essa é não só a minha mas a vontade de muitos ouvintes. Madalena Balça – assim quero acreditar – não será indiferente a esse desejo. Cumpre pois à direcção de programas da rádio estatal agir em conformidade.
Queremos o "1001 Escolhas" de volta!

Nota: Recomenda-se também a leitura do 'post' de Francisco Mateus no blogue "
Rádio Crítica".

Publicada por Álvaro José Ferreira em 12:02

segunda-feira, 2 de junho de 2008

"A cara da gente"

Armando Baptista-Bastos reuniu algumas crónicas publicadas nos últimos 15 anos e constituiu «A cara da gente», livro que hoje é apresentado em Lisboa por Duarte Lima.

«A crónica só existe se for publicada num jornal ou numa revista e estas minhas crónicas são do sentimento da rua, da grandeza das pessoas e dos bairros e da sua importância, porque ainda há bairros, numa demonstração de decência e integridade«, disse o escritor e jornalista à Lusa.

«Hoje - acrescentou - há uma certa confusão entre o artigo alargado, o comentário político e crónica propriamente dita no esteio da velha tradição portuguesa que no século XIX se chamava folhetim«.

«A cara da gente« reúne 60 crónicas cujos títulos remetem frequentemente para Lisboa: «Abonação da rua dos Fanqueiros«, «Falando da calçada«, ou «Um cravo para Neves de Sousa«.

O livro, editado pela Oficina do Livro, será apresentado por Duarte Lima, ex-líder parlamentar do PSD, de quem Baptista-Bastos é «grande amigo«, apesar de pertencerem a «famílias distantes«.


«Somos grandes amigos e encontramo-nos onde as pessoas se encontram, na cultura. Descobrimos que lemos os mesmos autores, tipo de música etc. Por outro lado, ambos descendemos de famílias pobres«, explicou o autor.

Referindo-se ao amigo, Baptista-Bastos afirmou que Duarte Lima «é um homem que lê atentamente, sabe discernir e divide o vago do que é significativo«.

Baptista-Bastos, 74 anos, iniciou carreira aos 19 anos no jornal O Século. É autor de mais de duas dezenas de livros, o mais recente, também editado pela Oficina do Livro, saiu em Novembro último, intitula-se «A bolsa da avó palhaça«.

Recebeu já o Grande Prémio da Crítica, o Grande Prémio da Crónica da Associação Portuguesa de Escritores, o Prémio Pen Club e o Prémio da Crónica João Carreira Bom.

«A cara da gente» é apresentado hoje no Auditório do Montepio Geral, na sede desta instituição, à Rua do Ouro, em Lisboa.

Diário Digital / Lusa

quarta-feira, 21 de maio de 2008

"NOVA ÁGUIA" JÁ VOA


Revista Nova Águia foi lançada na Fundação Escultor José Rodrigues

Um acontecimento histórico

Inspirando-se na visão de Portugal e do mundo de Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva, a revista Nova Águia pretende recuperar o espírito de uma das mais importantes publicações do início do séc. XX.


Foi a Fundação Escultor José Rodrigues, na íngreme Rua da Fábrica Social, que acolheu o lançamento da Nova Águia, a revista que pretende recriar o espírito d'A Águia, naturalmente adaptado ao nosso tempo. Renato Epifânio, Celeste Natário e Paulo Borges são os três elementos da direcção desta "Revista de Cultura para o Século XXI", como o subtítulo adianta.
"A Ideia de Pátria, sua Actualidade" é o tema do primeiro número da publicação semestral vinculada a três entidades: Associação Marânus/ Teixeira de Pascoaes, Associação Agostinho da Silva e MIL: Movimento Internacional Lusófono. No entanto, de acordo com Renato Epifânio, esta edição não se esgota no tema central: "Procurando e valorizando a diversidade de perspectivas, a Nova Águia propõe uma visão de Portugal e do mundo radicada na cultura". O Manifesto reproduzido nas primeiras páginas da revista conseguiu cerca de meio milhar de adesões em todo o espaço lusófono. "A Nova Águia pretende também reforçar os laços entre os países de língua portuguesa", acrescentou.
Paulo Borges vai um pouco mais longe: "A nossa ideia não é apenas criar uma revista. O que queremos é tentar suscitar um movimento e instaurar a diferença". O director da Associação Agostinho da Silva deixou algumas questões: "Queremos continuar a ser um povo adiado, uma nação onde nada se discute de importante? Queremos ou não repensar o sentido da nossa existência colectiva e assumir a pujança da nossa cultura?". Para Paulo Borges, importante será tentarmos "estar minimamente à altura do legado cultural que nos deixaram". "O que procuramos é uma pátria alternativa mundial, uma pátria que se especialize em fazer mediações, em trabalhar para o diálogo", acrescentou, deixando o apelo a todos.

Portugal não morreu
Depois do testemunho de Alfredo Ribeiro dos Santos, aluno de Leonardo Coimbra e contemporâneo das figuras que colaboraram na revista A Águia ("Jaime Cortesão fazia a pedagogia; Pascoaes fazia a poesia", sorriu), foi a vez do contributo de Miguel Real, que publicou recentemente o ensaio «A Morte de Portugal»: "Se fosse hoje, já não escreveria esse livro, porque a geração por trás desta revista permite-me saber que Portugal não morreu". De acordo com o ensaísta, trata-se de uma geração "que está a pensar numa nova configuração de Portugal".
"É excessivamente raro darmos conta de que estamos a viver um acontecimento histórico. Esta noite, está a acontecer", defendeu o também romancista e professor universitário. De acordo com Miguel Real, estamos perante um acontecimento histórico porque, para além do espírito que a revista encerra, pela primeira vez, desde há 30 anos, há uma geração que não se envergonha de Portugal: "As nossas elites têm muita vergonha do nosso povo e querem que ele tenha rapidamente o 9º ano ou a Universidade. Em dois ou três anos, querem mostrar novas estatísticas. A geração que aqui está não tem vergonha de pensar a identidade portuguesa (nos aspectos melhores e nos piores)". É também um momento histórico, reforçou, "porque os organizadores não aprofundaram a mania portuguesa de se centrarem em si próprios e nos seus amigos – basta ler o Conselho de Direcção". Este Conselho integra 52 nomes, de Adriano Moreira a Baptista Bastos, de Eduardo Lourenço a Guilherme de Oliveira Martins, de Mário Cláudio a Pedro Agostinho da Silva, filho do nosso pensador.

Uma alternativa à Europa
Virada para o futuro, "a Nova Águia não tem medo de sujar as mãos" e "reflecte um espírito novo, já do novo século", defendeu Miguel Real. "Nada de original nasceu em Portugal nos últimos 30 anos ao nível do pensamento, que se evidenciasse. Talvez seja este o passo mais importante para o pensamento no Portugal do séc. XXI."
O autor de «O Último Minuto na Vida de S.» considera que demorámos 30 anos a perceber que o sonho da Europa não passa disso mesmo: um sonho que estava em nós e não na Europa. A culpa, porém, não é da Europa: "As culpadas são as elites portuguesas dos últimos 30 anos, que substituíram a solidariedade pela individualidade, a honestidade, a lealdade e a amizade pelo dinheiro, os valores espirituais pelos valores económicos". A Nova Águia, defende, vem provar que o sonho ingénuo português acabou, e que só assim nos podemos reencontrar: perdendo a vergonha de alguns momentos da nossa História, procurando uma alternativa à Europa sem que da Europa tenhamos que sair.
A concluir, Miguel Real felicitou "esta geração sem complexos, com a vontade e o entusiasmo de transformar um passado comum num futuro comum, com uma língua comum, num espírito harmónico".
Contando com um inédito de Agustina Bessa-Luís, a Nova Águia é uma revista que se pretende de âmbito nacional, em parceria com a editora Zéfiro. Depois desta sessão no Porto, tem já agendadas mais de duas dezenas de lançamentos em todo o País.

Notícia publicada n' O Primeiro de Janeiro (21.05.2008)

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NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI
http://www.novaaguia.blogspot.com
SEDE NORTE: Associação Marânus; SEDE SUL: Associação Agostinho da Silva; SEDE DE REDACÇÃO: ASSOCIAÇÃO AGOSTINHO DA SILVA (Rua do Jasmim, 11, 2º – 1200-228 Lisboa; E-Mail: AgostinhodaSilva@mail.pt; Tel.: 21 3422783 / 96 7044286; http: www.agostinhodasilva.pt; NIF: 503488488; NIB: 0033 0000 2238 0019 8497 2)

A NOVA ÁGUIA está vinculada a três entidades : Associação Marânus/ Teixeira de Pascoes, Associação Agostinho da Silva e MIL : Movimento Internacional Lusófono. Inspirando-se na visão de Portugal e do Mundo de Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva, a NOVA ÁGUIA assume-se como um órgão plural.

domingo, 11 de maio de 2008

CULTURA GALAICO-PORTUGUESA E LUSOFONIA


MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO

Declaração de Princípios e Objectivos

O presente texto condensa e concretiza as propostas do Manifesto da Revista “Nova Águia” (novaaguia.blogspot.com) , órgão do M. I. L. Aqui se apresenta um ponto de partida, objecto de consenso entre os promotores do Movimento, destinado a ser aperfeiçoado mediante todas as críticas e sugestões, que solicitamos e agradecemos.

Ao apresentá-lo, fazemos nossas as palavras de Agostinho da Silva, cidadão luso-brasileiro cujo pensamento inspira o M. I. L., na proposta de reorganização de Portugal e do mundo lusófono que redigiu em 1974: “A comunidade a que o propomos é o Povo não realizado que actualmente habita Portugal, a Guiné, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, o Brasil, Angola, Moçambique,Macau, Timor, e vive, como emigrante ou exilado, da Rússia ao Chile, do Canadá à Austrália” –
“Proposição”, in Dispersos, Lisboa, ICALP, 1989, p. 617.

1 – O Movimento Internacional Lusófono é um movimento cultural e cívico que visa mobilizar a sociedade civil para repensar e debater amplamente o sentido e o destino de Portugal e da Comunidade Lusófona.

2 - As nações e os 240 milhões de falantes da Língua Portuguesa em todo o mundo constituem uma comunidade histórico-cultural com uma identidade, vocação e potencialidade singular, a de estabelecer pontes, mediações e diálogos entre os diferentes povos, culturas, civilizações e religiões, promovendo uma cultura da paz, da compreensão, da fraternidade e do universalismo à escala planetária.

3 – Os valores essenciais da cultura lusófona constituem, junto com os valores essenciais de outras culturas, uma alternativa viável à crise do actual ciclo de civilização economicista e tecnocrático, contribuindo, com o seu humanismo universalista e sentido cósmico da vida, para uma urgente mutação da consciência e do comportamento, que torne possível uma outra globalização, a do desenvolvimento das superiores possibilidades humanas e da harmonia ecológica,possibilitando a utilização positiva dos actuais recursos materiais e científico-tecnológicos.

4 – As pátrias e os cidadãos lusófonos devem cultivar esta consciência da sua vocação, aproximar-se e assumir-se como uma comunidade fraterna, uma frátria, aberta a todo o mundo. A comunidade lusófona deve assumir-se como uma comunidade alternativa mundial – uma pátria-mátria-frátria do espírito, a “ideia a difundir pelo mundo” de que falou Agostinho da Silva – que veicule ideias, valores e práticas tão universais e benéficas que todos os cidadãos do mundo nelas se possam reconhecer, independentemente das suas nacionalidades, línguas, culturas,religiões e ideologias. A comunidade lusófona deve assumir-se sempre na primeira linha da expansão da consciência, da luta por uma sociedade mais justa, da defesa dos valores humanos fundamentais e das causas humanitárias, da sensibilização da comunidade internacional para todas as formas de violação dos direitos humanos e dos seres vivos e do apoio concreto a todas as populações em dificuldades. Para que isso seja possível, cada nação lusófona deve começar por ser exemplo desses valores.

5 – A identidade e vocação histórico-cultural da comunidade lusófona terá expressão natural na União Lusófona, a qual, pelo aprofundamento das potencialidades da actual Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, constituirá uma força alternativa mundial, a nível cultural, social, político e económico. Sem afectar a soberania dos estados e regiões nela incluídos, mas antes reforçando-a, a União Lusófona será um espaço privilegiado de interacção e solidariedade entre eles que potenciará também a afirmação de cada um nas respectivas áreas de influência e no mundo. Ou seja, no contexto da União Lusófona, a Galiza e Portugal aumentarão a sua influência ibérica e europeia, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné, Angola e Moçambique, a sua influência africana, o Brasil a sua influência no continente americano e Timor a sua influência asiática, sendo ao mesmo tempo acrescida a presença de cada um nas áreas de influência dos demais e no mundo. Sem esquecer Goa, Damão, Diu, Macau, todos os lugares onde se fale Português e onde a nossa diáspora esteja presente, os quais, embora integrados noutros estados, serão núcleos de irradiação cultural da União Lusófona.

6 - No que respeita a Portugal e à Galiza, este projecto será assumido em simultâneo com o estreitamento de relações culturais com as comunidades autónomas de Espanha, promovendo aí a cultura galaico-portuguesa e contrabalançar a influência espanhola em Portugal. O mesmo deve acontecer entre o Brasil e os países da América do Sul. Galiza, Portugal e Brasil, bem como as demais nações de língua portuguesa, devem afirmar sem complexos os valores lusófonos nas suas respectivas áreas de influência.

7 – A construção da União Lusófona, com os seus valores próprios, exige sociedades mais conscientes, livres e justas nos estados e regiões lusófonos. Em cada um desses estados e regiões, cabe às secções locais do Movimento Internacional Lusófono, dentro destes princípios essenciais e em coordenação com as dos restantes estados e regiões, apresentar e divulgar propostas concretas, adequadas a cada situação particular, pelos meios de intervenção cultural, social, cívica e política que forem mais oportunos.

***

No que respeita a Portugal, a secção portuguesa do Movimento Internacional

Lusófono considera fundamentais as seguintes medidas:

I – Promover uma maior participação dos cidadãos na vida pública e política,

nomeadamente em torno de um grande projecto para Portugal como o da União

Lusófona, que os convoque para uma causa que transcende o imediatismo, o

economicismo e os interesses dos partidos e dos grupos em luta pelo poder.

Mobilizar os cidadãos indiferentes e descrentes da vida política, a enorme

percentagem de abstencionistas e todos aqueles que se limitam a votar, para a

responsabilidade de discutirem e criarem o melhor destino a dar à nação.

II - Sensibilizar os cidadãos e as instituições públicas e privadas para a

importância e vantagens do projecto da União Lusófona, a nível cultural, social,

político e económico. Promover a discussão pública desta proposta e uma cultura

da consciência lusófona e universalista que enriqueça a nossa própria integração

na União Europeia, tornando-nos parceiros activos na abertura da consciência

europeia à cultura planetária.

III - Promover para esse fim formas alternativas de intervenção cultural, social e

cívica, que permitam antecipar quanto possível a realidade desejada, sem

depender dos poderes instituídos, dentro dos quadros democráticos e legais. Sem

rejeitar os habituais meios de intervenção política, o Movimento Internacional

Lusófono apela à e apoia a constituição de grupos cívicos ou confrarias laicas que

sejam núcleos de discussão, divulgação e realização deste projecto, em Portugal e

em todo o espaço lusófono, incluindo a emigração.

IV – Libertar a nossa vida mental, social e política da actual mediocridade,

estagnação e submissão a interesses particularistas, partidários e dos grupos

económicos, repondo-a ao serviço da cultura e de uma ética do bem comum.

V – Regenerar a democracia em Portugal, reformando o estado segundo modelos

que fomentem a ampla participação política da sociedade civil. Recuperar a tradição municipalista portuguesa, promover uma regionalização e descentralização administrativa equilibradas, assegurando mecanismos deprevenção e controlo dos caciquismos locais.

VI – Assegurar o predomínio da ética e da política sobre a economia, de modo a

que a produção e distribuição da riqueza vise o bem comum e a satisfação das

necessidades básicas das populações. Explorar as potencialidades de formas de

organização económica cujo objectivo fundamental não seja o lucro financeiro.

Oferecer alternativas ao produtivismo e consumismo, fazendo do trabalho não um

fim em si, mas um meio para a fruição do tempo livre de modo mais gratificante e

criativo.

VII – Promover a sustentabilidade económica do país, desenvolvendo as economias

locais e respeitando a harmonia ambiental.

VIII - Substituir quanto possível as energias não-renováveis (petróleo, carvão, gás

natural, energia nuclear), por energias renováveis e alternativas (solar, eólica,

hidráulica, marmotriz, etc.), superando o paradigma de uma economia baseada no

petróleo e nos hidro-carbonetos.

IX - Dar prioridade, em todos os domínios da economia, da política e da

investigação, às preocupações ambientais e ecológicas. Proteger os direitos dos

animais e promover o seu cumprimento.

X - Assegurar um serviço público de saúde eficiente e acessível a todos, que inclua

a possibilidade de opção por medicinas alternativas.

XI – Redignificar, com exigência, os professores e todos os profissionais ligados à

educação, tornando esta e a cultura – não só tecnológica, mas filosófica, literária,

artística e científica - o investimento estratégico do Orçamento de Estado e da

governação. Os vários níveis de ensino visarão a formação integral da pessoa, não

a sacrificando a uma mera especialização profissional. Neles haverá uma forte

presença da cultura portuguesa e lusófona, bem como das várias culturas

planetárias. Um português culto e bem formado deve ter uma consciência lusófona

e universal, não apenas europeia-ocidental.

XII - Promover sem inibições a cultura portuguesa e lusófona no espaço

internacional. Assegurar a tradução para inglês de textos fundamentais da nossa

cultura e publicar, em conjunto com as nações lusófonas, uma revista bilingue,

português-inglês, destinada a divulgar em todo o mundo os seus aspectos mais

singulares e universais. Estreitar relações com os lusófilos estrangeiros e com todos

os povos, culturas e movimentos que tenham características e projectos

convergentes.

XIII - Implementar o Acordo Ortográfico, importante instrumento da consciência

lusófona e da sua afirmação internacional.

XIV – Celebrar acordos com as nações lusófonas que promovam estratégias

económicas conjuntas, sobretudo a nível comercial. Facilitar e proteger, mediante

o levantamento das barreiras alfandegárias e fiscais, o comércio e a circulação de

produtos em todo o mundo lusófono, com urgente destaque para os produtos

culturais.

XV – Chegar gradualmente a um acordo que permita a livre-circulação dos

cidadãos em todos os estados da comunidade lusófona.

XVI - Criar um Programa “Agostinho da Silva” que promova a circulação dos

estudantes das nações lusófonas, de licenciatura e pós-graduação, nas

universidades do espaço lusófono, começando por Portugal e Brasil.

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