Esta parece anedota, mas não é
No programa “Nós por cá” da SIC, transmitido diariamente às 19H00 um dos temas abordados hoje foi a “Lei dos Poços”
Imaginem que as luminárias que legislam na chamada Assembleia da República, aprovaram uma lei que, em resumo, obriga os proprietários de poços a regista-los com um cadastro burrocrático (os 3 erres não são gralha…) que, além de um formulário de várias páginas, obriga os tais proprietários a informar coisas como estas:
quais as coordenadas da localização do poço lidas através da Carta Topográfica Militar [suponho que será a 1/25.000] que é o único “mapa” em que constam todas as veredas, moinhos e até os poços de Portugal. Qual o débito do caudal médio – que evidentemente exige medições feitas por técnicos de hidrometria, a não ser que prefiram saber quantos baldes se retiram do tal caudal do poço – e, é claro, os entrevistados afirmaram todos (entre outras verdades) que:
- Não faziam a mínima ideia dessa chamada lei nem do que é isso de coordenadas na escala 1/25.000;
- Não percebem o que significa caudal médio, etc, etc.
Acontece que esta chamada lei é, evidentemente, dedicada aos habitantes e agricultores que vivem fora das áreas metropolitanas do país.
Ah! Têm o prazo de 60 dias para “cumprirem a lei”, sob pena de serem sujeitos a coimas que podem ir até aos vinte e cinco mil euros.
Com o respeito, consideração e estima que tenho pelos burros - uma espécie de quadrúpedes, útil, dócil, trabalhadora e rara, em vias de extinção, cujas reproduções artesanais colecciono (por não ter uma quinta, quintal ou terreno aonde pudesse desfrutar da sua companhia), resta-me informar-vos do seguinte:
Tenho imensa dificuldade em encontrar burros à venda. Os amigos mais próximos lá me vão oferendo um de vez em quando, sabendo quão feliz e grato fico.
A razão de os artesãos não os fazerem, deve-se a uma razão simples: as pessoas confundem os burros com os asnos. Mas estes são bípedes e especialistas na asneira. Abundam na Assembleia da República, governo, conselhos de administração de grandes empresas, Banca [rota]e não só.
Quando é que decidimos atirar os asnos ao poço?

