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sábado, 6 de junho de 2009

Guiné moribunda...

Nos tempos do colonialismo ou das ideologias, os países extinguiam-se por anexação ou mudanças artificiais de fronteiras. Prevaleciam os superiores interesses das grandes potências geopolíticas para esmagar velhas nações.
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Em todos os tempos, das ideologias, da globalização e da crise desta, os países, como as pessoas, podem morrer exauridos pela pobreza, que os afunda em depressões sociais, económicas e culturais insuperáveis ao longo de muitas e muitas décadas.
A Guiné é um desses países que se afundam no caos absoluto, na pobreza e na miséria. Será uma das muitas vítimas das tragédias da História do século XX e da globalização mas é, definitivamente, uma vítima das suas próprias elites.
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Agora que a autofagia culmina na matança dos restos do ‘ninismo’, com os assassínios de ontem, o pior é a estranha sensação emergente de que os vencedores da prolongada crise guineense não estão interessados em restabelecer um Estado de Direito.
Esses vencedores, na esmagadora maioria militares que já não fizeram a guerra colonial, como Zamora Induta, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, dão sinais de estarem a usar os mesmos velhos e sinistros métodos de Nino Vieira para liquidar a oposição. A ‘criação’ de golpes de Estado é já um velho clássico guineense!
Eduardo Dâmaso
in CM

quinta-feira, 14 de maio de 2009

PETIÇÃO EM PROL DA CONSTRUÇÃO DE UM ESTADO DE DIREITO DEMOCRÁTICO NA GUINÉ-BISSAU

Para subscrever esta petição, clique em:

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http://www.gopetition.com/online/26953.html

Versão Portuguesa:

A República da Guiné-Bissau, na África Ocidental, é um país multiplamente rico em História, recursos naturais e diversidade étnica, membro da CPLP, da UEMOA, da CEDEAO, da Francofonia, da União Africana e da ONU, além dos ACP, do MNA e da OCI.

Tendo acedido à independência em 1974, este país Lusófono vem sendo ciclicamente palco de erupções violentas e sangrentas, da responsabilidade de agentes do Estado desviados para comportamentos criminosos, bárbaros, denunciadores de um poder paralelo arrogante, usurpador, anti-social e contra-natura, que sitia o Estado, as personalidades e as instituições; impõe-se de forma ostensivamente grosseira à Comunidade Internacional; desafia os valores universalmente aceites pela Consciência Humana no século XXI; e favorece o narcotráfico e o terrorismo de Estado.

English Version:

The Republic of Guinea-Bissau in the West Africa is a multiple rich country, in its own History, natural resources and ethnic diversity, member of the CPLP, of UEMOA, of CEDEAO, of the Francophone community, of the African Union and the UN, also member of ACP, MNA and OCI organizations.

Having assessed through their independence as a sovereign State in 1974, this Lusophone Country, has been periodically the stage of current violent and bloodily social eruptions, which responsibility fall on its actual State Agents, deviating their obligations to their country fellow man to criminal and barbaric behaviours, denouncing a parallel power using arrogant, usurpation, anti –social and contra nature means, who besieges the State, their legitimate personalities and institutions; imposing themselves in a ostensible and grosser manner to the International Community; trampling over the universal most holly and accepted values of the Human Consciousness of the XXI century; favouring the illegal drug trade and State-sponsored terrorism.


Version Française:

La République de Guinée-Bissau, en Afrique Occidentale, est un pays multiplement riche de son Histoire, ses ressources naturelles et sa diversité ethnique, membre du CPLP, d'UEMOA, de CEDEAO, de la communauté francophone, de l'Union Africaine et de l'ONU, bien comme de l’ACP, le MNA et l'OCI.

Ayant obtenu l’indépendance en tant qu'État souverain en 1974, ce pays Lusophone est cicliquement sujet à des éruptions sociales violentes et sanglantes, de la responsabilité d’agents de l'État déviés aux conduites criminelles et barbares, manifestations d’un pouvoir parallèle arrogant, usurpateur, antisocial et contre-nature,, qui assiège l'État, les personnes et les institutions; qui s’impose d'une façon ostensivement grossière à la Communauté internationale; qui défie les valeurs universellement acceptés par la conscience humaine au siècle XXI; qui soutient le narco trafique et le terrorisme d'État.

Petition:

Versão Portuguesa:

Assim, face à total falência do Estado, na Guiné-Bissau nos seus vários vectores, designadamente no político ou de organização do poder, no económico, no administrativo, no social, no da ordem e no da justiça;

Em prol da construção de um Estado de Direito democrático na Guiné-Bissau, para a exequibilidade da ordem, da segurança e do bem-estar sociais; para a realização da paz, da cidadania e do desenvolvimento; e para o respeito do mínimo ético-filosófico da sociedade contemporânea;

Pedimos e exortamos a todos os homens e mulheres ciosos da preservação da património civilizacional da Humanidade e a todos os Estados do mundo, em particular os Estados Lusófonos, que repudiem energicamente a situação vertente na Guiné-Bissau e accionem os dispositivos pertinentes da Carta das Nações Unidas com vista ao envio imediato de uma força multinacional de paz suficiente para assegurar, durante dez anos prorrogáveis, a conformidade do Estado com os seus fins próprios, bem como o saneamento, formação e disciplina cívica e democrática das Forças de Defesa e Segurança da Guiné-Bissau.

1º Subscritor: Francisco José Fadul
Ex-Primeiro-Ministro e actual Presidente do Tribunal de Contas da Guiné-Bissau

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
Comissão Coordenadora


English Version:

Thus, facing in the Guinea-Bissau the total and complete demise and irresponsibility of its State to their fellow citizens, now in the grip of few but powerful local terrorist leaders, seizing the Government in their several vectors, mainly in the politic, power organization, the economic, administration, social, public order and Justice;

In the support of the rebuilt of a Truly Democratic State in the Guinea-Bissau, based on the respect of the Human Rights, on the acceptance of the order, security, and the social well being; to the achievement of peace, the citizenship and development; and the minimal ethic-philosophic respect of the contemporaneous world society;

We ask and exhort to all men and woman, worried about the preservation of the of Human Civilization Inheritance and to all States of the World, particularly the States of official Portuguese language, that vigorously and explicitly repudiate the actual situation in Guinea-Bissau and to support concrete actions subscribed on the United Nations Chart, with the purpose to immediately put in the field, for 10 years with time prorogation, a Multinational Intervention Peace Force that could put to an end the danger situation and to restore the legitimate function of the State, which therefore could accomplish its normal purposes to its people, as also the contribution to the cleansing, military formation, civic discipline and democratic functioning of the National Defence and Security Forces of Guinea-Bissau.


1st subscriber :
Francisco Fadul
Former Prime Minister and current President of Court Accounting of Guinea-Bissau

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
Comissão Coordenadora


Version Française:

Ainsi, faisant face à la complète faillite de l’État en Guinée-Bissau dans ses divers domaines, notamment le politique et l’organization du pouvoir, l’économique, l’administration publique, le social, l’ordre publique e la justice;

Soutenant la construction d'un État de Droit Démocratique en Guinée-Bissau, basé sur le respect des droits de l'homme et l'acceptation de l'ordre, de la sécurité, et du bien-être social; l'accomplissement de la paix, de la citoyenneté et du développement; et le respect éthique-philosophique minimal de la société contemporaine;

Nous prions et exhortons tous les hommes et femmes engagés dans la préservation du patrimoine civilizationel de l’Humanité et tous les États du monde, en particulier les États Lusophones, de répudier explicitement l’actuelle situation en Guinée-Bissau et de mettre en marche les dispositifs pertinents de la Charte des Nations Unies, ayant pour but l’envoi immédiat d’une Force de Paix multinationale d’intervention capable d’assurer, pendant dix ans prorogables, la conformité de l’État avec ses propres fins, bien comme le rangement, la formation et la discipline civique et démocratique des forces de Défense Nationale et de Sécurité de la Guinée-Bissau.

1er subscripteur :
Francisco Fadul
Ancient Premier Ministre et actuel Président de la Cour des Comptes de Guinée-Bissau

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
Comissão Coordenadora

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MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO (www.movimentolusofono.org)
Blogue associado: NOVA ÁGUIA: O BLOGUE DA LUSOFONIA (novaaguia.blogspot.com)
SEDE: ASSOCIAÇÃO AGOSTINHO DA SILVA (Rua do Jasmim, 11, 2º – 1200-228 Lisboa; E-Mail: AgostinhodaSilva@mail.pt; Tel.: 21 3422783 / 96 7044286; http: www.agostinhodasilva.pt; NIF: 503488488; NIB: 0033 0000 2238 0019 8497 2)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

De que está o nosso governo à espera?


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PETIÇÃO EM PROL DA CONSTRUÇÃO DE UM ESTADO DE DIREITO DEMOCRÁTICO NA GUINÉ-BISSAU

A República da Guiné-Bissau, na África Ocidental, é um país multiplamente rico em História, recursos naturais e diversidade étnica, membro da CPLP, da UEMOA, da CEDEAO, da Francofonia, da União Africana e da ONU, além dos ACP, do MNA e da OCI.

Tendo acedido à independência em 1974, este país Lusófono vem sendo ciclicamente palco de erupções violentas e sangrentas, da responsabilidade de agentes do Estado desviados para comportamentos criminosos, bárbaros, denunciadores de um poder paralelo arrogante, usurpador, anti-social e contra-natura, que sitia o Estado, as personalidades e as instituições; impõe-se de forma ostensivamente grosseira à Comunidade Internacional; desafia os valores universalmente aceites pela Consciência Humana no século XXI; e favorece o narcotráfico e o terrorismo de Estado.

Assim, face à total falência do Estado, na Guiné-Bissau nos seus vários vectores, designadamente no político ou de organização do poder, no económico, no administrativo, no social, no da ordem e no da justiça;

Em prol da construção de um Estado de Direito democrático na Guiné-Bissau, para a exequibilidade da ordem, da segurança e do bem-estar sociais; para a realização da paz, da cidadania e do desenvolvimento; e para o respeito do mínimo ético-filosófico da sociedade contemporânea;

Pedimos e exortamos a todos os homens e mulheres ciosos da preservação da património civilizacional da Humanidade e a todos os Estados do mundo, em particular os Estados Lusófonos, que repudiem energicamente a situação vertente na Guiné-Bissau e accionem os dispositivos pertinentes da Carta das Nações Unidas com vista ao envio imediato de uma força multinacional de intervenção suficiente para assegurar, durante dez anos prorrogáveis, a conformidade do Estado com os seus fins próprios, bem como o saneamento, formação e disciplina cívica e democrática das Forças de Defesa e Segurança da Guiné-Bissau.

1º Subscritor: Francisco José Fadul
Ex-Primeiro-Ministro e actual Presidente do Tribunal de Contas da Guiné-Bissau

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
Comissão Coordenadora

*O governo português - com o sábio Sócrates à testa - está mais interessado em enviar tropas para o Iraque e Afeganistão, como tem feito, do que em perceber este apelo, e assumir as suas responsabilidades na CPLP.

Continua no seguidismo à administração Bushista Americana, à espera que Obama diga que vai retirar de lá as tropas, e está mais interessado na Paz Mundial do que na NATO. Mas isso ainda vai demorar algum tempo. O complexo militar/industrial americano não lhe vai tornar a vida fácil. O que Obama precisa para cumprir a sua missão é de aliados que se neguem a continuar a espalhar a e colaborar na guerra. O que a nova Administração Americana espera e precisa é de aliados que saibam dizer NÃO à continuação do desastre. E lhe apontem novos rumos para a pacificação e justiça social no mundo.

Entretanto, a nossa última petição, "EM PROL DE UMA VERDADEIRA DEMOCRACIA REPRESENTATIVA", este algum texto inacessível, mas já está outra vez on-line
PARA ASSINAR A PETIÇÃO:
http://www.gopetition.com/online/26885.htm


* Comentário entrelinhas de Álvaro Fernandes



domingo, 12 de abril de 2009

Entrevista com Francisco Fadul


"ONU devia fazer da Guiné protectorado por dez anos"

por C DAVID BORGESHoje

Francisco Fadul foi, na Guiné-Bissau e num dado momento, uma figura de esperança. Acabada a guerra que se seguiu ao 7 de Junho de 1998, liderou um governo de salvação e projectou-se então uma ideia de futuro para o país, que parecia pronto para se levantar do chão. Porém, rupturas consecutivas e de todo o tipo, num ambiente de desvario e de violência, levaram a Guiné-Bissau para a beira do abismo. Fadul falou com o DN em Lisboa, onde está a recuperar após ter sido agredido por militares na sua casa em Bissau.


O que é que correu mal depois de 1998?

Ficou activa muita gente do tempo antigo e as eleições levaram Kumba Ialá e o seu partido, o PRS, ao poder.

De forma legítima…

A legitimação vem do voto popular e do que se faz com esse voto.

Então o problema resulta não das eleições mas da prática do poder…

Há um jogo diabólico no exercício do poder mas antes disso há o que posso chamar de "corrupção eleitoral".

Que é?

O condicionamento de uma população muito pobre, através de ofertas directas ou dos chamados "homens grandes", que são autoridades tradicionais ou religiosas com muito poder nas comunidades.

Dito assim, parece não haver solução para o país...

A solução existe, se a parte guineense tiver espírito de serviço e a comunidade Internacional actuar contra a má governação, a corrupção e o atropelo dos direitos humanos.

Como?

Fazendo da Guiné-Bissau um protectorado, como aconteceu com Timor-Leste, pondo a funcionar, num prazo de, por exemplo, dez anos, o Estado guineense.

E os guineenses aceitam?

Os que se aproveitam da actual situação, não. O povo, que ao fim de dois meses começaria a ver sinais de regeneração, sim.

E a CPLP?

Cheguei a sugerir um pacto de defesa, no âmbito da CPLP, quando, como primeiro-ministro, falei com o meu homólogo português de então, António Guterres.

Porque não pede a Guiné-Bissau essa ajuda externa?

Porque o país está sequestrado por poderes complementares e coniventes, com uma lógica de salve-se quem puder e quem tem a mão na massa já está salvo…

O que é a Guiné-Bissau hoje? Um Estado falhado? Um narco-Estado? Um país com rupturas étnicas?

É tudo isso. O Estado, ao falhar, abriu brechas e o tráfico entrou e instalou-se. E há sinais preocupantes de divisão étnica, por acção oportunista de políticos. Já Amílcar Cabral dizia queum político oportunista, é um tribalista…

Há quem negue a ideia de um narco-Estado.

Há episódios conhecidos e quem é que não sabe que o tráfico está instalado no arquipélago dos Bijagós? Estão lá as bases…

E quem garante essa instalação do tráfico na Guiné-Bissau?

O poder militar é que tem as armas e escapa à regulação de um poder civil, que não actua.

A morte do presidente Nino Vieira e do general Tagme Na Waie mudou alguma coisa?

O mal nunca construiu o bem e o crime jamais criou a paz. Há na Guiné-Bissau uma espécie de poder paralelo, que se congela ou descongela de acordo com os seus próprios interesses. Quando descongela actua de forma bárbara, como se viu comigo, como se viu com outros…

Sempre sem explicações e sem culpados?

Nunca há explicações e não quero crer que não se consiga chegar aos culpados.

Mas há indicações, pelo menos, de estarem identificados os autores da morte do presidente Nino e do general Tagme. ..

Mas quem mandou matar os dois? Esta é a pergunta central e o país quer saber.

O novo chefe do Estado Maior General das Forças Armadas guineenses, Zamora Induta, explicou que o presidente mandou matar Tagme e que forças leais a este retaliaram matando o presidente…

Disse-o logo a seguir a estas duas mortes, revelando grande poder de adivinhação….

Não admite que seja verdade?

O cenário foi o de um golpe de Estado. De onde surgiram Zamora Induta e o seu poder? O substituto natural do general Tagme Na Waie era o chefe do Estado Maior do Exército. Mas quem aparece é Zamora Induta, que logo garante a segurança do primeiro-ministro [Carlos Gomes Júnior] mas não a do Presidente...

Sugere uma ligação golpista entre o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, e Zamora Induta?

Eram ambos inimigos do presidente...E Zamora Induta torna-se imediatamente interlocutor do governo. Terá sido porque o primeiro-ministro lhe ofereceu um jipe? E porque é que lho ofereceu?

Não vai ter novos problemas quando regressar à Guiné-Bissau [de onde saiu para Lisboa após ter sido agredido em sua casa]?...

Não sou eu quem tem de justificar a legitimidade de situações que ocorreram e responder às questões que todos colocam. E quanto ao regresso, Deus fez-me nascer guineense e tenho de viver na minha terra…

In DN

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Situação continua dramática na Guiné-Bissau


APELO DO MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO


Na madrugada de ontem, a casa de Francisco José Fadul, ex-Primeiro-Ministro da Guiné-Bissau, foi assaltada, tendo ele, a esposa e o filho sido selvaticamente espancados, estando agora o actual Presidente do Tribunal de Contas às portas da morte no Hospital Simão Mendes de Bissau.

O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO vem mais uma vez apelar ao Governo Português e aos demais governos dos países da CPLP para que, de forma concertada, auxiliem este nosso povo irmão, desde logo garantindo condições mínimas de segurança, sem as quais não pode depois haver a desejável cooperação social, económica e política.

A esse respeito, o MIL manifesta publicamente o seu apoio à recente proposta cabo-verdiana de formação de uma força militar com os países da CPLP e da CEDEAO para a Guiné-Bissau, recordando, uma vez mais, a Petição "POR UMA FORÇA LUSÓFONA DE MANUTENÇÃO DE PAZ", por si lançada, precisamente para responder a situações como esta.

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
Comissão Coordenadora

Nota de apresentação: O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO é um movimento cultural e cívico recentemente criado, em associação com a NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI, que conta já com mais de oito centenas de adesões, de todos os países lusófonos.
A Comissão Coordenadora é presidida pelo Professor Doutor Paulo Borges (Universidade de Lisboa), Presidente da Associação Agostinho da Silva (sede do MIL).
A lista de adesões é pública – como se pode confirmar publicamente (www.novaaguia.blogspot.com), são pessoas das mais diversas orientações culturais, políticas e religiosas, pessoas dos mais diferentes locais do país e de fora dele.

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MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO (www.movimentolusofono.org)
Blogue associado: NOVA ÁGUIA: O BLOGUE DA LUSOFONIA (novaaguia.blogspot.com)
SEDE: ASSOCIAÇÃO AGOSTINHO DA SILVA (Rua do Jasmim, 11, 2º – 1200-228 Lisboa; E-Mail: AgostinhodaSilva@mail.pt; Tel.: 21 3422783 / 96 7044286; http: www.agostinhodasilva.pt; NIF: 503488488; NIB: 0033 0000 2238 0019 8497 2)




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Recebido por email

domingo, 29 de março de 2009

Conservação das memórias da guerra colonial

Corpos de militares em 101 locais da Guiné

por Manuel Carlos Freire

A Liga dos Combatentes (LC) identificou, na Guiné-Bissau, 101 locais e localidades onde estão enterrados 623 militares, portugueses ou de origem guineense, mortos durante a guerra colonial.

A informação foi recolhida no âmbito do projecto “Conservação das Memórias”, criado e desenvolvido pela LC com o objectivo de localizar, identificar, recolher e transferir os restos mortais dos militares portugueses mortos durante a guerra nos antigos territórios ultramarinos de Angola, Moçambique e Guiné.

O processo da Guiné é o mais avançado, iniciando-se hoje, no cemitério de Gabu, os trabalhos de campo para recolha das ossadas de 17 soldados (ver caixa) oriundos da então Metrópole que ali foram enterrados e vão ser transferidos – depois de se saber, através de amostras de ADN, que nomes correspondem a que ossadas – para o cemitério de Bissau.

A equipa portuguesa é formada por oito elementos, divididos em duas componentes: uma militar, chefiada pelo coronel Sebastião Goulão, e uma científica, coordenada pela antropóloga Eugénia Cunha.

Recorde-se que as duas missões anteriores se realizaram em Guidaje (Março de 2008) e Farim (Dezembro do mesmo ano), ambas coordenadas também por Eugénia Cunha.

In DN

O grande impulsionador e primeiro responsável pela coordenação deste projecto nos antigos teatros de operações da Guiné, Angola e Moçambique foi o Major-General Carlos Manuel Costa Lopes Camilo, recentemente falecido.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Guiné-Bissau, uma sucursal da Colômbia

A comissária europeia responsável pelas Relações Externas, Benita Ferrero-Waldner, disse hoje em Estrasburgo que os assassínios de «Nino» Vieira e de Tagmé Na Waié demonstraram a «máxima importância» de combater o tráfico de droga na Guiné-Bissau.

A comissária europeia falava num debate no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, sobre a situação na Guiné-Bissau, na sequência dos assassínios do Presidente João Bernardo «Nino» Vieira e do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, general Tagmé Na Waié, que condenou «da forma mais veemente».

Apontando que a «presença de narcotraficantes e toda a criminalidade são factores mais preocupantes nos dias de hoje» no país, Ferrero-Waldner lembrou os apoios que a União Europeia já presta à Guiné-Bissau para o combate ao tráfico de droga.

«É necessário um plano muito ambicioso no combate ao narcotráfico, porque é da máxima importância para nós, como constatamos com o sucedido», disse.

A importância de combater o tráfico de droga foi de resto a tónica das intervenções dos eurodeputados que intervieram no hemiciclo, caso do deputado democrata-cristão José Ribeiro e Castro, que lamentou a presença «cada vez mais evidente» e «chocante» do narcotráfico, apontando-a como um dos principais factores para a vulnerabilidade do país.

Já a outra eurodeputada portuguesa a intervir no debate, Ilda Figueiredo, do PCP, sustentou que os acontecimentos de Bissau são ainda resultado do «passado colonial» e apelou a uma maior cooperação da UE, mas sem «ingerências».

A seguir ao período de debates consagrados aos direitos humanos, a assembleia vai adoptar uma resolução sobre a Guiné-Bissau, na qual sublinha a necessidade de se combater o tráfico de droga, considerando que a «presença crescente de interesses ligados ao narcotráfico» contribui em muito para a instabilidade que se vive no país.

«Nino» Vieira foi morto a 02 de Março durante um ataque de militares à sua residência, horas depois de um atentado à bomba ter morto Tagmé Na Waié.

Diário Digital / Lusa

domingo, 8 de março de 2009

Tudo bons rapazes

A Intervenção de Angola na Guine Bissau – José Gama

Whindhoek - Em Maio de 2005, reunimos num dos hotéis de Pretoria com duas personalidades da política africana com quem analisamos a situação político ou militar da Guine Bissau. Eram os economistas, Filomeno Vieira Lopes, de Angola e Helder Vaz, o ex Ministro da Economia Guinense que agora exerce funções de DG da CPLP. As analises focaram as conseqüências negativas dos ultimos Golpes de Estados, o processo democrático e o papel da política externa angolana em África. Neste dia algo importante aconteceu, o Presidente deposto Kumba Yala acabava de regressar a Bissau vindo do exílio. A Guine-Bissau atravessava momentos de incertezas. Helder Vaz premeditava, que a influencia que a diplomacia angolana estava a exercer nos grandes lagos poderia jogar papel importante para o retorno normalidade constitucional no seu país.

Volvidos três anos, são observados registros de iniciativas, por parte de Angola, que vão ao encontro ao desiderato de Helder Vaz. A 15 de Junho de 2008, segundo o "AM inteligence@, o Presidente João Bernardo “Nino” Vieira viajou a Luanda num avião posto a disposição pelas autoridades angolanas na qual fazia-se acompanhar da esposa Isabel Vieira e de dois conselheiros, Manuel Santos e João Cardoso, o director do seu Gabinete. Dois dias antes chegou discretamente a Luanda via Lisboa, Baptista Tagme Na Wae, o Chefe de Estado Maior das forças armadas da Guine-Bissau. A deslocação das duas personalidades a Luanda enquadrava-se a uma iniciativa discreta do Presidente José Eduardo dos Santos destinada a promover um compromisso mutuo entre ambas as partes para a estabilidade da situação político-militar na Guine-Bissau provocadas pelas circunstâncias descritas nas linhas que se seguem.

RESERVAS ENTRE “NINO” E TAGME

Em meados de 1998, quando o brigadeiro Ansumane Mané derrubou “Nino” Vieira do poder em retaliação a sua destituição do cargo de CEMFA, este oficial superior tinha a seu lado, Tagme na Wae, um importante combatente da luta contra o regime colonial. Tagme jurara vingar-se de “Nino” pelas torturas que foi submetido durante o seu regime. Eram reservas desde a época, em que Nino travava uma luta contra a ascensão militar dos balantas, etnia maioritária de que Tagme Na Waie fazia parte. Realizaram-se eleições e em 2002 Ansumane Mané foi abatido pelas forças governamentais sob acusação de tentar derrubar o governo de Kumba Yala. Em seu lugar entrou Veríssimo Correa Seabra que seria assassinato em Outubro de 2004 na seqüência de descontentamento de militares que reivindicavam atraso no pagamento de subsídios resultados de uma participação de paz pelas Nações Unidas. Tagme Na Waie se tornaria, no novo chefe militar.

“Nino” Vieira forçado ao exílio de 6 anos em Portugal manifestou interesse de voltar ao país. O regresso dependeu de conversações com o Chefe militar, Tagme Na Waie sob mediação do Ministro da defesa, Helder Proença que convenceu Tagme a por o passado de parte. Proença promoveu quatros encontros secretos entre “Nino” e Tagme ocorridos na Cronacry de que resultara a entrada ao país do ex Presidente, sem que o então poder político tivesse conhecimento. (O helicóptero que o transportou invadiu o espaço aéreo guineense). "Nino" participou nas eleições por arranjos constituiçionais (A lei constitucional guineense não permite, que um ex presidente que renuncia o poder, volta ao cargo num espaço inferior a 10 anos). Saiu vencedor e reconduziu Tagme Na Waie como CEM das forças armadas.

De La para Ca, Tagme Na Waie vinha exercendo um poder paralelo. Em 2007, deu prazo de duas horas a Nino Vieira para que demitisse Baciro Dabó de conselheiro presidencial para assuntos da segurança ao que teve êxito. Tagme nomeou nesta altura, um Major, Zé Preto como novo comandante do Batalhão Presidencial e proibiu a entrada de Baciro Dabó nas instalações da Presidência da República. Baciro Dabó que é o actual Ministro da administração interna é dentro da nomenclatura, o quadro da segurança cobiçado por todos que ascendem a presidência. Conhece “os podres” de todos os antecessores chefes de Estado guineense razão pela sobrevive em todos os governos porque todos o querem.

A figura do General Tagme Na Waie passou a ser conotada ao narcotráfico. Baciro Dabó, chegou a designar o seu grupo por “barões da droga e lacaios dos colombianos”. As conotações a Tagme alastraram-se depois de lhe terem identificado repentina acumulação de fortunas que iam ao desencontro do seu salário. “Nino” Vieira, o presidente declarou combate ao narcotráfico estava afectar negativamente a imagem da Guine Bissau em meios internacionais. Verificou-se fricção entre as duas partes traduzidas em falta de confiança mutua.

Em Novembro do ano passado, soldados de baixa patente atacaram a casa de “Nino” Vieira, acção condenada pelos populares e pelas chefias militares. No inicio do corrente ano, o General Tagme Na Waie que adotará nova conduta intercalando os locais para passar a noite, queixou que foi alvo de disparos a rajada pela guarda de “Nino” Vieira quando passava, de noite, nas mediações da presidência. O incidente teria sido provocado pelos “agüentas”, milícias recentemente recrutadas e que serviram “Nino” no passado. Tagme considerava que os “aguentas” estavam a margem da lei. Desarmou-os e substituiu a guarda presidencial por militares leais a si.

Leituras pertinentes apontam que Tagme Na Waie vinha emitindo sinais de ir para reforma (mas de forma condigna) razão pela qual deslocou-se, em Junho, a Luanda cujo tema focou o assunto. O Presidente “Nino”, conforme se diz em círculos políticos em Bissau pretendia indicar, como seu substituto, o contra- almirante Bubo Na Tchute, ex- CEM da Marinha mas Tagme mostrava resistência. Na noite de 6 de Agosto de 2008, Tagme Na Wai manteve Bubo Na Tchute sob residência vigiada na seqüência de uma acusação de pretensão de golpe de Estado.

INICIATIVAS DE ANGOLA PARA PAZ, INVESTIMENTO E INTELIGENCIA

Os problemas da Guine-Bissau encorajou as autoridades angolanas a prestarem maior dedicação aquele país. Em finais de 2006 foi colocado em Bissau um embaixador plenipotenciário, António Brito Sozinho, muito próximo ao Presidente José Eduardo Dos Santos. Em pouco tempo tornou-se, o diplomata em Bissau que mais intervém nos assuntos delicados. Há embaixada angolana em Bissau fica localizada nas proximidades da residência presidencial. Nas horas que procederam aos tiroteios contra a residência do Presidente “Nino” em Novembro passado, Brito Sozinho instruiu os funcionários da missão diplomática para que acolhessem qualquer dirigente guineense que procurar-se Asilo.

No sentido de contribuir no reajustamento da economia ou do orçamento guineense, as autoridades angolanas criaram uma comissão bilateral Angola/Guine Bissau, co-presidida pelo General Higino Carneiro que tem a missão de acompanhar aplicação de investimentos angolanos naquele país. Há a previsão de se investir cerca de 321 milhões de dólares norte-americanos na exploração das reservas de jazidas de bauxite na região de Boé (sudeste), próxima da fronteira com a Guiné-Conacri. O investimento será efectuado através de uma empresa de direito angolano “Bauxite Angola”. Há também um acordo geral na qual Angola propõe-se na cooperação econômica, cientifica, cultural e técnica.

O exercito guineense também é alvo das preocupações das autoridades angolanas. Prontificaram-se ajudar com um plano de reestruturação das forças armadas da Guine. Parte dos chefes militares na Guine são provenientes da luta de libertação e recusam aposentadoria alegando razões de subsistência na reforma. Há também, por se resolver, o factor étnico voltado aos balantas, a tribo conotada ao General Tagme.

A atenção especial que Angola presta a Guine, estende-se para campos mais discretos. A Embaixada em Bissau, acolhe uma “extensão” dos Serviços de Inteligência externa, dirigida pelo Coronel Carlos Costa cuja missão é a de manter informado o Presidente José Eduardo dos Santos sobre a situação daquele país.

A Embaixada de Angola também ganhou interesse da “mass media” nos dias que seguiram as tragédias em Bissau, nos dias 1 e 2 de Março. Nas horas que se seguiram a explosão da bomba que causou a morte do General Tagme, o Presidente Nino Vieira reuniu em emergência na sua residência com os chefes militares do exercito e o Ministro da Defesa, Artur Silva. O primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, convocado ao encontro recusara comparecer suspeitando trata-se de um complô destinado a sua neutralização. Por volta das 3-4h, uma brigada de para comandos dirigida por um major, Tchamo, dirigiu-se a Rua de Angola onde morava o presidente guineense. Cercaram a residência fazendo tiros contra a mesma, em retaliação ao sucedido a Tagme Na Waie de que eram fieis. Os cerca de 4 ou 5 seguranças da presidência fugiram. Invadiram a residência e assassinaram o Presidente “Nino”. A esposa, Isabel Romano Vieira, sobreviveu aos ataques e mais tarde acolhida nas instalações da embaixada angolana.

LIGAÇÕES AO NARCOTRAFICO

O General Tagme repetia que o seu destino e de “Nino” estavam ligados e que se ele morresse, “Nino” também morreria. Uma versão de meios de “inteligência” guineense, apresenta ambos como principais impulsionadores do narcotráfico nas chefias militares. A relação de "Nino" com o trafico da droga mereceu percepção alargada em Abril de 2007, quando intercedeu a favor da libertação do filho mais velho do falecido Presidente Lansana Conté, seu aliado que foi detido na Guiné-Bissau, quando viajava numa avioneta com 840 quilos de cocaína.

De acordo com esta versão, de “fontes fechadas”, a crispação que apoquentava os dois homens fortes da Guine-Bissau estava ligada ao destino “desconhecido” que foi dado a uma mercadoria que estava dentro de um Fokker, com matrícula venezuelana, aprendido em Julho do ano passado no aeroporto de Bissau, suspeito de transportar 500 quilogramas de cocaína.
Na altura a carga do avião foi retirada por militares, que garantiram tratar-se de medicamentos. Houve um processo judicial para apurar quem estava por detrás da mercadoria mas por motivos desconhecidos, a Procuradoria-Geral da República acabou por arquivar o processo alegando falta de provas.

Segundo a analises/conclusões de inteligência, a bomba que explodiu no Gabinete do General Tagme serviria para afastá-lo do “circulo” e por sua vez, a retaliação ao Presidente “Nino” serviria para um terceiro “grupo” (aliado a Tagme) apoderar-se da mercadoria.

Baciro Dabó, o ministro da Administração Territorial, uma das figuras do circulo presidencial que se encontra em parte incerta desde o ataque ao Presidente tem a sua fuga associada a receios de que seja vitima de “outros” que queiram dominar o mercado ou se apoderar da disputada mercadoria.

Referencias:

www.didinho.org
AM Inteligencia
Lusa
Angop
Fontes fidedignas na Guine

*José Gama

Fonte: Club-k.net/Jornal Angolense

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