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quarta-feira, 18 de março de 2009

Vaticanadas...

Ou vaticanices. Não suporto ver os senhores cardeais e os senhores bispos trajados com um luxo que escandalizaria o pobre Jesus de Nazaré, mal tapado com a sua túnica de péssimo pano, por muito inconsútil que tivesse sido e certamente não era, sem recordar o delirante desfile de moda eclesiástica que Fellini, genialmente, meteu em Oito e Meio para seu e nosso gozo. Estes senhores supõem-se investidos de um poder que só a nossa paciência tem feito durar.
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Dizem-se representantes de Deus na terra (nunca o viram e não têm a menor prova da sua existência) e passeiam-se pelo mundo suando hipocrisia por todos os poros. Talvez não mintam sempre, mas cada palavra que dizem ou escrevem tem por trás outra palavra que a nega ou limita, que a disfarça ou perverte. A tudo isto muitos de nós nos havíamos mais ou menos habituado antes de passarmos à indiferença, quando não ao desprezo.
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Diz-se que a assistência aos actos religiosos vem diminuindo rapidamente, mas eu permito-me sugerir que também serão em menor número até aquelas pessoas que, embora não sendo crentes, entravam numa igreja para disfrutar da beleza arquitectónica, das pinturas e esculturas, enfim de um cenário que a falsidade da doutrina que o sustenta afinal não merece.
Os senhores cardeais e os senhores bispos, incluindo obviamente o papa que os governa, não andam nada tranquilos. Apesar de viverem como parasitas da sociedade civil, as contas não lhes saem.
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Perante o lento mas implacável afundamento desse Titanic que foi a igreja católica, o papa e os seus acólitos, saudosos do tempo em que imperavam, em criminosa cumplicidade, o trono e o altar, recorrem agora a todos os meios, incluindo o da chantagem moral, para imiscuir-se na governação dos países, em particular aqueles que, por razões históricas e sociais ainda não ousaram cortar as sujeições que persistem em atá-los à instituição vaticana.
Entristece-me esse temor (religioso?) que parece paralisar o governo espanhol sempre que tem de enfrentar-se não só a enviados papais, mas também aos seus “papas” domésticos. E digo ainda mais: como pessoa, como intelectual, como cidadão, ofende-me a displicência com que o papa e a sua gente tratam o governo de Rodriguez Zapatero, esse que o povo espanhol elegeu com inteira consciência.
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Pelos vistos, parece que alguém terá de atirar um sapato a um desses cardeais.
José Saramago
in O Caderno de Saramago

quarta-feira, 14 de maio de 2008

OS MARCIANOS E A FÉ

Uma imagem da superfície de Marte tem provocado enorme especulação e debate na Internet, com internautas a sugerirem tratar-se de uma figura humana sentada no deserto quente do Planeta Vermelho. Afinal, sempre há vida em Marte?

Houve quem sugerisse tratar-se de uma figura feminina, outros que as semelhanças com a famosa escultura «O Pensador», de Auguste Rodin, outros ainda que seria certo tratar-se do Abominável Homem das Neves, segundo noticia o site AOL.

Os astrónomos têm uma explicação: é apenas uma rocha. A fotografia foi tirada pelo robô Spirit da NASA no ano passado.



A crença em Deus é compatível com a crença nos extraterrestres, segundo o director do Observatório do Vaticano, José Gabriel Funes, que admite poder haver um planeta habitado por seres que não cometeram o pecado original.

«Como astrónomo, continuo a acreditar que Deus foi o criador do Universo», explicou esta terça-feira, numa entrevista ao jornal do Vaticano Osservatore Romano, o padre Funes, um padre jesuíta que dirige o Observatório do Vaticano em Castel Gandolfo, perto de Roma.

No entanto, acrescenta, mesmo que «não tenhamos para já nenhuma prova», «não podemos excluir a hipótese» de haver outros planetas habitados.

«Tal como existe uma multiplicidade de criaturas na terra, poderia haver outros seres, igualmente inteligentes, criados por Deus», afirma o astrónomo do Papa.

O padre Funes sugere que se fale então do «nosso irmão extraterrestre», tal como São Francisco de Assis falava de «irmão» ou de «irmã» para todas as criaturas terrestres.

Se quem pensava que os limites da criatividade publicitária ficavam pela criação de personagens, slogans e, até mesmo, de novos suportes de divulgação, enganou-se: em Junho, é lançado o primeiro anúncio no Espaço.

No próximo dia 12 de Junho, uma marca de aperitivos, detida por uma multinacional, vai fazer história ao transmitir o primeiro anúncio dirigido a possíveis consumidores no sistema solar, que está a 42 anos-luz de distância.
Fonte: Imprensa, Portugal Diário

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