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terça-feira, 2 de junho de 2009

Tiro no pé


Economistas: desemprego

vai atingir 10% ainda este ano

Valor elevado deverá manter-se nos primeiros meses do próximo ano

Mais um tiro em cheio nas promessas de Sócrates.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

O bruxo

«Há sinais de recuperação

da economia a partir de 2010»


Avançou esta quinta-feira o secretário de Estado para o Orçamento, Emanuel Augusto Santos.

Como ainda não chegámos sequer a meio de 2009, e a situação económica vai de mal a pior, onde é que esta luminária descobriu isto? É bruxo.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Um dia na vida de um desempregado

O António, depois de dormir numa almofada de algodão (Made in Egypt), começou o dia bem cedo, acordado pelo despertador (Made in Japan) às 7 da manhã. Tomou um banho com sabonete (Made in France) e enquanto o café (importado da Colômbia) estava a fazer na máquina (Made in Czech Republic), barbeou-se com a máquina eléctrica (Made in China). Vestiu uma camisa (Made in Sri Lanka), jeans de marca (Made in Singapour) e um relógio de bolso (Made in Switzerland).
Depois de preparar as torradas de trigo (produced in USA) na sua torradeira (Made in Germany) e enquanto tomava o café numa chávena (Made in Spain), pegou na máquina de calcular (Made in Korea) para ver quanto é que poderia gastar nesse dia e consultou a Internet no seu computador (Made in Thailand) para ver as previsões meteorológicas. Ouviu as notícias pela rádio (Made in India), ainda bebeu um sumo de laranja (produced in Israel), entrou no carro Saab (Made in Sweden) e continuou à procura de emprego.
No fim de mais um dia frustrante, com muitos contactos feitos através do seu telemóvel (Made in Finland) e após comer uma pizza (Made in Italy), o António decidiu relaxar por uns instantes. Calçou as suas sandálias (Made in Brazil), sentou-se num sofá (Made in Denmark), serviu-se de um copo de vinho (produced in Chile), ligou a TV (Made in Indonesia) e pôs-se a pensar porque é que não conseguia encontrar um emprego em Portugal...
Talvez este texto devesse ser enviado às empresas e aos consumidores portugueses. O Ministério da Economia de Espanha estima que, se cada espanhol consumir 150€ de produtos nacionais, por ano, a economia cresce acima de todas as estimativas e cria muitos postos de trabalho.
Recebido por e-mail. Autor desconhecido.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A ECONOMIA PORTUGUESA

A revista The Economist publicou um artigo dedicado à situação económica de Portugal com o intrigante título “Socratic Dialogue”, o que prova que a sua preparação passou por conversas com alguns indígenas. Por ser coisa que raramente acontece, dada a irrelevância do Portugalete no contexto global, este artigo não passou despercebido. É curioso ver como o Portugalete é visto por um jornalista inglês que não reside neste recanto remoto e esquecido da “Europa” e que o visita raramente.
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Os portugueses estão entre os povos mais sorumbáticos da Europa. De acordo com uma sondagem da Eurobarómetro, 92% dos portugueses vêem a situação económica como muito má, pouco mais de 95% estão apreensivos acerca das suas perspectivas de emprego e cerca de 50% estão “insatisfeitos com a sua qualidade de vida”. Dentro da União Europeia, só alguns povos do Leste, como da Hungria e da Bulgária, são tão taciturnos. Porquê tanto pessimismo?
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José Sócrates, o primeiro-ministro Socialista, poderia oferecer razões para serem mais alegres. Portugal não experimentou uma grande explosão imobiliária como em Espanha e Irlanda. Os seus exportadores estão a penetrar em novos mercados, particularmente Angola e Brasil. Angola, cujo PIB (Produto Interno Bruto) cresce muito perto de 10% ao ano, é agora o quarto maior mercado português de exportação. Por ter evitado a maioria dos activos financeiros “tóxicos”, os bancos portugueses permaneceram relativamente sãos. E através do impulso dado aos investimentos em energias renováveis, o governo fez de Portugal um modelo de como estimular a economia sem aumentar a emissão de carbono. Os investimentos no sector no montante de 14 mil milhões de euros criarão 22.000 empregos até 2020, quando Portugal produzirá cerca de 60% da sua electricidade a partir de fontes energéticas limpas, francamente acima da meta estabelecida pela União Europeia de 20%.
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Mas ainda é difícil elogiar estas acções quando o desempenho global da economia foi tão baixo. Este ano espera-se que o PIB contraia cerca de 3,5%, aumentando o desemprego para cerca de 8,5%. Estes valores não podem ser encarados com alegria, mas o verdadeiro problema é que eles aparecem depois de uma década de crescimento económico abaixo da média europeia. O PIB por cabeça caiu de cerca de 80% da média europeia de há dez anos para cerca de 75% em 2008. Longe de convergir para a média europeia, Portugal atrasou-se ainda mais ampliando a diferença (ver gráfico seguinte).

Este gráfico é eloquente porque permite comparar as posições relativas do PIB por pessoa, dos países nele mencionados, expresso em percentagem da média da UE 27 (linha vermelha). O país em melhor posição é a Irlanda porque está muito acima da média. A Espanha está dentro da média europeia. Portugal está muito abaixo da média (mas não é o mais baixo da UE a 27).
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Parte da causa foi a integração no euro em 1999 que “empurrou” as taxas de juro para valores muito baixos. Os portugueses recorreram avidamente ao crédito para comprar casas, automóveis e bilhetes de avião. O crédito acessível e barato, juntamente com os aumentos de salários, estimulou as importações e dilatou o défice da balança comercial para 12% do PIB em 2008. Para piorar a situação, a produtividade manteve-se estagnada. Em vez de compensar o mercado interno limitado, as exportações mantiveram-se teimosamente paralisadas em 30% do PIB, menos do que na maioria dos pequenos países europeus comparáveis com Portugal. Para aumentar a sua competitividade, Portugal necessita de legislação do trabalho mais flexível, menos burocracia, uma força de trabalho mais instruída, mais competição interna e um estado mais pequeno. Como o FMI afirma num relatório recente, as maiores dificuldades do país são de natureza estrutural interna e não de natureza global. Mas os governantes têm dificuldade em fazer reformas. Apesar das dificuldades, Sócrates pode ganhar a eleição de Outubro do corrente ano, mesmo que perca a maioria absoluta.
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O primeiro-ministro tem poucas razões para se mostrar animado. No que ele chama uma “campanha negra de fugas de informação seleccionadas e manipuladas” para prejudicar as suas possibilidades eleitorais, os meios de informação social passaram meses a discutir um alegado escândalo de corrupção sobre a aprovação de um novo centro comercial em 2002, quando Sócrates era Ministro do Ambiente. Sócrates nega qualquer irregularidade ligada ao caso ao mesmo tempo que as autoridades judiciais afirmavam que nenhum político estava envolvido. Mas o facto de a investigação iniciada em 2005 estar ainda em desenvolvimento mostra a ineficácia e os atrasos do sistema judicial, outro falhanço que prejudica a competitividade, desencoraja o investimento estrangeiro – e deixa os portugueses muito desanimados.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Isto sim, é economia

Numa pequena vila e estância de veraneio na costa sul da França chove e nada de especial acontece.
A crise sente-se.
Toda a gente deve a toda a gente, carregada de dívidas.
Subitamente, um rico turista russo entra no foyer do pequeno hotel local. Pede um quarto e coloca uma nota de 100 € sobre o balcão, pede uma chave de quarto e sobe ao 3º andar para inspeccionar o quarto que lhe indicaram, na condição de desistir se lhe não agradar.
O dono do hotel pega na nota de 100€ e corre ao fornecedor de carne a quem deve 100€, o talhante pega no dinheiro e corre ao fornecedor de leitões a pagar 100€ que devia há algum tempo, este por sua vez corre ao criador de gado que lhe vendera a carne e este por sua vez corre a entregar os 100€ a uma prostituta que lhe cedera serviços a crédito.
Esta recebe os 100€ e corre ao hotel a quem devia 100€ pela utilização casual de quartos à hora para atender clientes. Neste momento o russo rico desce à recepção e informa o dono do hotel que o quarto proposto não lhe agrada, pretende desistir e pede a devolução dos 100€. Recebe o dinheiro e sai.
Não houve neste movimento de dinheiro qualquer lucro ou valor acrescido.
Contudo, todos liquidaram as suas dívidas e este elementos da pequena vila costeira encaram agora com optimismo o futuro.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Cada vez pior...

Fazer previsões económicas nos dias que correm é um exercício arriscado. Em cada semana que passa, os dados parecem mais negativos e, sabendo-se o que se sabe agora, até os avisos de Medina Carreira com alguns meses parecem advertências de um incorrigível optimista.
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Ontem o FMI publicou uma previsão sobre a economia portuguesa em que aponta para uma quebra da riqueza de 4,1%, ainda mais severa do que a previsão do Banco de Portugal. Ainda não se conhece a real intensidade da crise, nem se sabe se já bateu no fundo, mas certamente as consequências serão devastadoras e todos vamos pagar caro.
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As primeiras vítimas são os desempregados, em número cada vez maior. E se perder um emprego é um choque, o maior drama é quando perdem o direito ao subsídio de desemprego. José Sócrates anunciou o alargamento dos beneficiários do subsídio social, mas a prestação é mínima. E ninguém garante que a retoma se traduza na recuperação do emprego agora perdido.
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As grandes empresas aproveitaram a crise para racionalizar custos e mudar processos produtivos. Além dos desempregados, há o outro enorme exército, os trabalhadores precários, muitos deles jovens sub-30 com formação superior que dificilmente chegarão a ganhar mil euros por mês.
O Mundo está perigoso, mais triste e com menos esperança.
Armando Esteves Pereira
in CM

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Ainda não repararam que já despertou?

Quando a China despertar... o mundo tremerá














Já agora que vos falo da China, lembrei-me dum livro já com muitos anos que foi escrito por um antigo embaixador de França na China, chama-se "Quando a China despertar... o mundo tremerá" e é da autoria de Alain Peyrefitte. Foi no seu tempo um livro premonitório que nos dá uma visão daquilo que viria mais tarde a acontecer e que nós hoje conhecemos muito bem. É a invasão do comércio chinês que vai afastando o comércio tradicional que se vai implementando e fortalecendo. O mesmo se passa noutros países e não só europeus, como é o caso de África, nomeadamente Angola, onde já existe uma forte comunidade chinesa e onde o governo chinês tem injectado grandes somas de dinheiro. São contributos para um melhor conhecimento mútuo dum país que cada vez mais se vai afirmando no mundo. A edição é da Editora Parceria e foi publicado em 1976.
posted by Formadores Certform 66 @ 9:47 AM

Como o tenho desde que foi publicado na minha pobre biblioteca, empresto-o a amigos que ainda não conseguiram lê-lo.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Tiro ao alvo


Os Títulos jornalísticos da crise

As previsões «não podiam ser mais negativas», diz Cavaco

Governo admite rever previsões económicas

Recessão vai ter consequências graves no desemprego

Recessão agravada: «Não podia ser de outra forma»

Bagão Félix prevê recessão «bastante gravosa»

Pesquisa pela palavra «crise» cresce 1000%

Bocas de teimoso


Finanças: não há razões para rectificar Orçamento Estado

O ministro das Finanças defendeu hoje que não há razões para rectificar o Orçamento de Estado (OE), apesar de defender que o Estado «não pode ser avarento» na resposta às questões sociais.

Há lá agora! Este parece desconhecer as constantes revisões em baixa do Banco de Portugal e de diversos organismos económicos internacionais.

Os retornados da crise




A pior notícia...

A quebra de 3,5% na riqueza gerada no País em 2009 é, até agora, a pior notícia económica do actual regime democrático. Desde 1975 que o PIB não estava tão contraído. Mas nessa época Portugal vivia a conjugação do maior choque petrolífero da história com os efeitos de uma revolução e de uma descolonização caótica que levou o País a absorver centenas de milhar de portugueses expulsos das então colónias.
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3,5% de quebra no PIB é mais do que um número abstracto. Significa uma baixa da riqueza produzida em 5,6 mil milhões de euros este ano. O que a estimativa do Banco de Portugal diz é que este ano, em média de cada um dos 365 dias, a riqueza produzida baixa 15,3 milhões de euros.
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Esta quebra da riqueza traduz-se em mais empresas a fecharem as portas e em mais desemprego. Com estes números é natural que a taxa que mede o exército das maiores vítimas da crise, os desempregados, ultrapasse a fasquia dos 10%.
Enquanto o desemprego e as falências disparam, o investimento privado desaparece e as exportações são penalizadas porque a crise é global .
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A retoma não depende de Portugal. Só quando ventos mais favoráveis soprarem na Europa poderemos aspirar a uma mítica recuperação. Mas uma coisa é certa: a primeira década do novo milénio está perdida. Portugal está mais pobre, e todos vamos sofrer com isso.
Armando Esteves Pereira
in CM

Economia portuguesa vai contrair 3,5% este ano...

O Banco de Portugal apresentou nesta terça feira o seu Relatório de Primavera, corrigindo as previsões para a evolução da economia portuguesa feitas em Janeiro. Em apenas três meses, as previsões do Banco Central sofrem uma drástica alteração: o PIB vai diminuir 3,5% (a maior quebra desde 1975) e o investimento e as exportações têm quebras superiores a 14%.
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Vítor Constâncio apresentou esta terça feira novas previsões para a evolução da economia portuguesa em 2009, com drásticas alterações em relações às que tinham sido apresentadas em Janeiro deste ano.
De acordo com as actuais previsões, o PIB nacional vai sofrer a sua maior quebra desde 1975, com uma descida de 3,5%. A anterior projecção, seguida pelo governo, apontava para uma quebra mas de dimensão muito inferior (0,8%).
Esta quebra vai manifestar-se numa significativa descida da procura interna, que deverá descer também 3,5% (no início do ano esperava-se que se mantivesse estável).
No entanto, as maiores quebras verificam-se ao nível do investimento e das exportações, ambos com descidas superiores a 14%.
Apesar da descida de preços prevista para este ano, o governador do Banco de Portugal afastou o cenário de uma possível deflação para a economia portuguesa.
Vítor Constâncio encontrou mesmo um sinal positivo neste indicador, salientando que, "quem conseguir manter o emprego terá um acréscimo de poder de compra" resultante da descida de preços.
Em declarações à imprensa, Ana Drago lembrou as sucessivas rectificações das previsões económicas em Portugal, sempre no sentido da baixa.
A deputada do Bloco de Esquerda salientou a crise de confiança que afecta a economia e a sociedade portuguesas, resultantes de medidas inúteis de apoio à economia.
Para contrariar esta situação, Ana Drago defendeu a dinamização do consumo interno, com políticas de investimento público em sectores que provoquem efeitos imediatos ou a garantia de pagamento de subsídios de desemprego a todas as pessoas nessa situação.
in Esquerda.net

quarta-feira, 25 de março de 2009

BOAS NOTICIAS

Um estudo recente conduzido pela Universidade de Lisboa mostrou que

cada português caminha em média 440 km por ano.

Outro estudo feito pela Associação Médica de Coimbra revelou que, em
média, o português bebe 26 litros de Vinho por ano.

Isso significa que o português, em média, gasta 5,9 litros aos 100km,
ou seja... é económico!

segunda-feira, 16 de março de 2009

Reflexões pelo Professor Medina Carreira


Nota: O Professor Medina Carreira, um dos mais capacitados economistas portugueses, sempre que fala, deixa o País a reflectir, estupefacto. Aqui deixamos a síntese de uma das últimas entrevistas que concedeu e, a não perder.

"Vocês, comunicação social o que dão é esta conversa de «inflação menos 1 ponto», o «crescimento 0,1 em vez de 0,6»....Se as pessoas soubessem o que é 0,1 de crescimento, que é um café por português de 3 em 3 dias... Portanto andamos a discutir um café de 3 em 3 dias...mas é sem açúcar..."

"Eu não sou candidato a nada, e por conseguinte não quero ser popular. Eu não quero é enganar os portugueses. Nem digo mal por prazer, nem quero ser «popularucho» porque não dependo do aparelho político!"

"Ainda há dias eu estava num supermercado, numa bicha para pagar, e estava uma rapariga de umbigo de fora com umas garrafas, e em vez de multiplicar «6x3=18», contava com os dedos: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9... Isto é ensino...é falta de ensino, é uma treta! É o futuro que está em causa!"

"Os números são fatais. Dos números ninguém se livra, mesmo que não goste. Uma economia que em cada 3 anos dos últimos 27, cresceu 1% em 2...esta economia não resiste num país europeu."

"Quem anda a viver da política para tratar da sua vida, não se pode esperar coisa nenhuma. A causa pública exige entrega e desinteresse."

"Se nós já estamos ultra-endividados, faz algum sentido ir gastar este dinheiro todo em coisas que não são estritamente indispensáveis? P'ra gente ir para o Porto ou para Badajoz mais depressa 20 minutos? Acha que sim? A aviação está a sofrer uma reconversão, vamos agora fazer um aeroporto, se calhar não era melhor aproveitar a Portela? Quer dizer, isto está tudo louco!"

"Eu por mim estou convencido que não se faz nada para pôr a Justiça a funcionar porque a classe política tem medo de ser apanhada na rede da Justiça. É uma desconfiança que eu tenho. E então, quanto mais complicado aquilo for..."

"Nós tivemos nos últimos 10-12 anos 4 Primeiros-Ministros:

-Um desapareceu;

-O outro arranjou um melhor emprego em Bruxelas, foi-se embora;

-O outro foi mandado embora pelo Presidente da República;

-E este coitado, anda a ver se consegue chegar ao fim e fazer alguma coisa..."

"O João Cravinho tentou resolver o problema da corrupção em Portugal. Tentou. Foi "exilado" para Londres. O Carrilho também falava um bocado, foi para Paris. O Alegre depois não sei para onde ele irá... Em Portugal quem fala contra a corrupção ou é mandado para um "exílio dourado", ou então é entupido e cercado."

"Mas você acredita nesse «considerado bem»? Então, o meu amigo encomenda aí uma ponte que é orçamentada para 100 e depois custa 400? Não há uma obra que não custe 3 ou 4 vezes mais? Não acha que isto é um saque dos dinheiros públicos? E não vejo intervenção da polícia... Há-de acreditar que há muita gente que fica com a grande parte da diferença!"

"De acordo com as circunstâncias previstas, nós por volta de 2020 somos o país mais pobre da União Europeia. É claro que vamos ter o nome de Lisboa na estratégia, e vamos ter, eventualmente, o nome de Lisboa no tratado. É, mas não passa disso. É só para entreter a gente..."

"Isto é um circo. É uma palhaçada. Nas eleições, uns não sabem o que estão a prometer, e outros são declaradamente uns mentirosos: -Prometem aquilo que sabem que não podem."

"A educação em Portugal é um crime de «lesa-juventude»: Com a fantasia do ensino dito «inclusivo», têm lá uma data de gente que não quer estudar, que não faz nada, não fará nada, nem deixa ninguém estudar. Para que é que serve estar lá gente que não quer estudar? Claro que o pessoal que não quer estudar está lá a atrapalhar a vida aqueles que querem estudar. Mas é inclusiva.... O que é inclusiva? É para formar tontos? Analfabetos?"

"Os exames são uma vergonha. Você acredita que num ano a média de Matemática é 10, e no outro ano é 14? Acha que o pessoal melhorou desta maneira? Por conseguinte a única coisa que posso dizer é que é mentira! Está-se a levar a juventude para um beco sem saída. Esta juventude vai ser completamente desgraçada! "

"A minha opinião desde há muito tempo é TGV- Não! Para um país com este tamanho é uma tontice. O aeroporto depende. Eu acho que é de pensar duas vezes esse problema. Ainda mais agora com o problema do petróleo. "Bragança não pode ficar fora da rede de auto-estradas? Não? Quer dizer, Bragança fica dentro da rede de auto-estradas e nós ficamos encalacrados no estrangeiro? Eu nem comento essa afirmação que é para não ir mais longe... Bragança com uma boa estrada fica muito bem ligada. Quem tem interesse que se façam estas obras é o Governo Português, são os partidos do poder, são os bancos, são os construtores, são os vendedores de maquinaria... Esses é que têm interesse, não é o Português!"

"Nós em Portugal sabemos é resolver o problema dos outros: A guerra do Iraque, do Afeganistão, se o Presidente havia de ter sido o Bush, mas não sabemos resolver os nossos. As nossas grandes personalidades em Portugal falam de tudo no estrangeiro: criticam, promovem, conferenciam, discutem, mas se lhes perguntar o que é que se devia fazer em Portugal nenhum sabe. Somos um país de papagaios... Receber os prisioneiros de Guantanamo? «Isso fica bem e a alimentação não deve ser cara...» Saibamos olhar para os nossos problemas e resolvê-los e deixemos lá os outros... Isso é um sintoma de inferioridade que a gente tem, estar sempre a olhar para os outros. Olhemos para nós!"

"A crise internacional é realmente um problema grave, para 1-2 anos. Quando passar lá fora, a crise passará cá. Mas quando essa crise passar cá, nós ficamos outra vez com os nossos problemas, com a nossa crise. Portanto é importante não embebedar o pessoal com a ideia de que isto é a maldita crise. Não é!"

"Nós estamos com um endividamento diário nos últimos 3 anos correspondente a 48 milhões de euros por dia: Por hora são 2 milhões! Portanto, quando acabarmos este programa Portugal deve mais 2 milhões! Quem é que vai pagar?"

"Isso era o que deveríamos ter em grande quantidade. Era vender sapatos. Mas nós não estamos a falar de vender sapatos. Nós estamos a falar de pedir dinheiro emprestado lá fora, pô-lo a circular, o pessoal come e bebe, e depois ele sai logo a seguir..."

"Ouça, eu não ligo importância a esses documentos aprovados na Assembleia...Não me fale da Assembleia, isso é uma provocação... Poupe-me a esse espectáculo...."

"Isto da avaliação dos professores não é começar por lado nenhum. Eu já disse à Ministra uma vez «A senhora tem uma agenda errada"» Porque sem pôr disciplina na escola, não lhe interessa os professores. Quer grandes professores? Eu também, agora, para quê? Chegam lá os meninos fazem o que lhes dá na cabeça, insultam, batem, partem a carteira e não acontece coisa nenhuma. Vale a pena ter lá o grande professor? Ele não está para aturar aquilo... Portanto tem que haver uma agenda para a Educação. Eu sou contra a autonomia das escolas. Isso é descentralizar a «bandalheira»."

"Há dias circulava na Internet uma notícia sobre um atleta olímpico que andou numa "nova oportunidade" uns meses, fez o 12ºano e agora vai seguir Medicina... Quer dizer, o homem andava aí distraído, disseram «meta-se nas novas oportunidades» e agora entra em Medicina... Bem, quando ele acabar o curso já eu não devo cá andar felizmente, mas quem vai apanhar esse atleta olímpico com este tipo de preparação... Quer dizer, isto é tudo uma trafulhice..."

"É preciso que alguém diga aos portugueses o caminho que este país está a levar. Um país que empobrece, que se torna cada vez mais desigual, em que as desigualdades não têm fundamento, a maior parte delas são desigualdades ilegítimas para não dizer mais, numa sociedade onde uns empobrecem sem justificação e outros se tornam multi-milionários sem justificação, é um caldo de cultura que pode acabar muito mal. Eu receio mesmo que acabe."

"Até há cerca de um ano eu pensava que íamos ficar irremediavelmente mais pobres, mas aqui quentinhos, pacíficos, amiguinhos, a passar a mão uns pelos outros... Começo a pensar que vamos empobrecer, mas com barulho... Hoje, acrescento-lhe só o «muito». Digo-lhe que a gente vai empobrecer, provavelmente com muito barulho... Eu achava que não havia «barulho», depois achava que ia haver «barulho», e agora acho que vai haver «muito barulho». Os portugueses que interpretem o que quiserem..."

"Quando sobe a linha de desenvolvimento da União Europeia sobe a linha de Portugal. Por conseguinte quando os Governos dizem que estão a fazer coisas e que a economia está a responder, é mentira! Portanto, nós na conjuntura de médio prazo e curto prazo não fazemos coisa nenhuma. Os governos não fazem nada que seja útil ou que seja excessivamente útil. É só conversa e portanto, não acreditem... No longo prazo, também não fizemos nada para o resolver e esta é que é a angústia da economia portuguesa."

"Tudo se resume a sacar dinheiro de qualquer sítio. Esta inter-penetração do político com o económico, das empresas que vão buscar os políticos, dos políticos que vão buscar as empresas... Isto não é um problema de regras, é um problema das pessoas em si... Porque é que se vai buscar políticos para as empresas? É o sistema, é a (des)educação que a gente tem para a vida política... Um político é um político. E um empresário é um empresário. E não deve haver confusões entre uma coisa e outra. Cada um no seu sítio. Esta coisa de ser político, depois ministro, depois sai, vai para ali, tira-se de acolá, volta-se para ministro...é tudo uma sujeira que não dá saúde nenhuma à sociedade."

"Este país não vai de habilidades nem de espectáculos. Este país vai de seriedade. Enquanto tivermos ministros a verificar preços e a distribuir computadores, eles não são ministros! Eles não são pagos nem escolhidos para isso! Eles têm outras competências e têm que perceber quais os grandes problemas do país!"

"Se aparece aqui uma pessoa para falar verdade, os vossos comentadores dizem «este tipo é chato, é pessimista».... Se vem aqui outro trafulha a dizer umas aldrabices fica tudo satisfeito... Vocês têm que arranjar um programa onde as pessoas venham à vontade, sem estarem a ser pressionadas, sossegadamente dizer aquilo que pensam. E os portugueses se quiserem ouvir, ouvem. E eles vão ouvir, porque no dia em que começarem a ouvir gente séria e que não diz aldrabices, param para ouvir.

O Português está farto de ser enganado!

Todos os dias tem a sensação que é enganado!"