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sábado, 20 de setembro de 2008

Caso Maddie...Carta aberta: Mulher de Gonçalo Amaral reage com ironia ao ataque de Kate...

“O meu marido é uma vergonha...”
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Kate McCann acusa Gonçalo Amaral de "como pessoa e profissional" o seu comportamento ser "uma vergonha" – e a mulher do ex-coordenador da PJ, num estilo irónico e por carta aberta a que o CM teve acesso, agradece à mãe de Maddie "por um sentimento" que as une "às duas".
Profissionalmente, começa por expor Sofia Leal, "enquanto coordenador de investigação criminal, o meu esposo sempre se recusou a estar sentado das 09h00 às 17h00 na confortável cadeira do seu gabinete, como aliás é inerente àquela categoria.
Em vez disso, passava o dia (e muitas vezes a noite) com os investigadores no terreno, coordenando ‘in loco’ buscas, vigilâncias, apreensões. Uma vergonha!"
A título de exemplo, "um episódio" ligado ao caso.
"Em Maio de 2007, iniciámos o processo de mudança da nossa família para Portimão. Era suposto o meu esposo entrar em gozo de férias no dia a seguir ao desaparecimento da sua filha. Por ‘motivos óbvios’, assim não aconteceu. Iniciei novo emprego, procurei casa, fiz mudanças e tentei integrar as nossas filhas em novas escolas e rotinas. Tudo isto sozinha, sem qualquer apoio do meu esposo, que, por ‘motivos óbvios’, procurava a filha da Srª Kate..."
"Em Outubro, no dia do aniversário, apenas uma semana depois de as nossas filhas terem começado o ano lectivo, o Gonçalo Amaral é demitido e volta a Faro. Era suposto ser o tempo de reencontro da família e, afinal, foi o de mais uma separação. Então, isto não é uma vergonha?", pergunta Sofia Leal a Kate.
"As nossas filhas nunca compreenderam – e nós nunca conseguimos explicar-lhes que ‘motivos tão óbvios’ seriam esses que assim [com um afastamento imediato da investigação do caso Maddie] premiavam um pai que deixava as suas filhas para procurar uma criança que nem sequer conhecia e cujos pais a tinham negligenciado.
Pena foi que a minha cara amiga Srª Dª Kate, já cá não estivesse à data, porque até poderia ter-nos sido de grande utilidade na tentativa de explicação dos ‘motivos óbvios’ da demissão do pai às nossas filhas..."
Depois de agradecer a Kate por exprimir o seu sentimento de "vergonha" para com o comportamento do marido, Sofia Leal pede à sua "boa amiga" que lhe perdoe "os desabafos de esposa e mãe".
"Termino a missiva pedindo-lhe que remeta à senhora sua mãe os meus mais sinceros elogios. Pareceu-me tão sincera quando, em entrevista, referiu que tinha vontade de arrear uns bofetões a quem deixou os netos sozinhos. Falou tão abertamente que até parecia uma genuína avó portuguesa..."
E fecha com um pedido à "cara amiga" Kate McCann: "Agora que a boca lhe começou a fugir para a verdade não pare. Continue. E diga lá a verdade de que o Mundo inteiro tem estado à espera..."
in CM

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Com o processo arquivado


Surgem novas revelações sobre o desaparecimento de Madeleine McCann


O ex-inspector da Polícia Judiciária, Gonçalo Amaral, responsável durante seis meses pela investigação ao desaparecimento de Madeleine McCann, e mais tarde afastado do caso, assume poder ser «ingénuo» mas acredita, como outros investigadores que trabalharam consigo, que Kate «estaria na disposição de, sem se comprometer, indicar o local onde o corpo da filha estava, e que o mesmo se situaria na zona da Vila da Luz».

A partir de uma certa altura, a mãe de Maddie, começou a transmitir à judiciária informação que recebia de psíquicos e pessoas com poderes paranormais, sobre onde poderia estar o corpo da criança. Um mês depois «ela já colocava a hipótese» da filha não estar viva, apesar de afirmar o contrário publicamente.

A revelação é feita no livro, «Maddie a verdade da mentira», que o ex-inspector da PJ, apresenta esta quinta-feira, em Lisboa, e onde relata, em 200 páginas e 23 capítulos, diversos passos da investigação e a sua versão dos acontecimentos. Entre os muitos dados revelados, encontramos os principais motivos que sempre levaram Gonçalo Amaral a desconfiar de Gerry e Kate e do grupo de amigos que com eles passavam férias. Admite mesmo que o casal foi tratado «com pinças» e «com privilégios».

Depoimentos não coincidem

Os depoimentos prestados pelo grupo relativos à noite dos factos, e na qual estavam a jantar juntos, não são coincidentes. Há discrepâncias nas horas, nas sequências e nos pormenores relatados. Foram mesmo entregues à judiciária duas listas manuscritas pelo grupo, sobre as horas a que os diferentes membros do grupo foram controlar as crianças. Os dois documentos que não são iguais e «nota-se» uma tentativa de preencher vazios temporais.

Kate deu o alarme por volta das 22h e garante que a janela do quarto da filha estava «toda aberta» e as persianas levantadas. Gonçalo Amaral questiona, por exemplo, que a amiga do casal ¿ Jane - possa ter visto um homem carregar uma criança nos braços por volta das 21h20/21h25. Quando pouco tempo depois, e antes de ser dada falta da menor (21h30), outro membro do grupo, Matthew, vai aos apartamentos e não nota que a janela do quarto esteja aberta. Pela sequência dos eventos, o alegado raptor já teria entrado na casa e levado a menina nessa altura.

No dia seguinte ao fatídico acontecimento, há uma reacção de Kate que deixa Gonçalo Amaral espantado. Alguém afirma ter visto uma menina parecida com Maddie numa estação de serviço e há imagens de vídeo. Kate que já tinha sido ouvida na PJ é obrigada a regressar: «Mostra-se um pouco enfadada por ter sido obrigada a regressar e incomodada com a velocidade atingida pelo carro da policia onde se deslocava. Estranhámos que não se mostrasse esperançada com a possibilidade de a menina ser recuperada».

Registos de chamadas apagadas

Na manhã seguinte ao desaparecimento, a PJ pede aos pais para consultar os seus telemóveis. E descobrem que entre 27 de Abril e 4 de Maio, Kate não fez nenhuma chamada. Nem recebeu nenhum telefonema entre as 11h22 de dia 2 de Maio e as 23h17 da noite dos factos.

Já Gerry não tinha nenhum registo anterior ao dia 4 de Maio. Todavia, os agentes reparam que no telemóvel de Kate está indicada a recepção de uma chamada feita pelo seu marido às 23h17 do dia 3 de Maio. Mas no dele não consta nada. A PJ concluiu que os registos das chamadas foi «apagado dos telefones». Porquê?

Leia aqui mais revelações feitas por Gonçalo Amaral em «Maddie a verdade da mentira

In Portugal Diário

quarta-feira, 23 de julho de 2008

A fisga



O imbróglio

Alípio Ribeiro, ex-director nacional da Polícia Judiciária à data do desaparecimento de Maddie McCann, vem a terreiro discordar do arquivamento do processo pelo qual foi o responsável máximo durante cerca de um ano.
Entretanto, Gonçalo Amaral, o inspector que conduziu as investigações, foi ferozmente atacado pela comunicação social inglesa (de que a portuguesa fez eco) e acabou demitido por Alípio Ribeiro, anuncia para amanhã o lançamento do livro “A verdade da mentira”; e nele, segundo a RTP, defende a tese de que Maddie morreu no dia em que desapareceu.
É óbvio que tal tese decorrerá do conhecimento pessoal que Gonçalo Amaral tem do processo que investigou no terreno e, assim sendo, pergunta-se por que foi demitido e, até agora, não foram reunidas provas que sustentem a acusação dos culpados pelo crime. Ou melhor, pelos crimes, visto nesse caso também ter havido ocultação de cadáver.
Como se estas dúvidas não bastassem, surge também o porta-voz do casal McCann a prevenir, ou ameaçar Gonçalo Amaral para ter cuidado com o que diz, afirmando que se o livro for publicado em Inglaterra, existem lá leis para o processar.
Será que o porta-voz desconhece que em Portugal também existem leis semelhantes? Desde que se prove, é claro, que o autor caluniou ou difamou alguém.
Esta antecipação de um porta-voz profissional, que antes de o ser para os McCann trabalhava para o governo inglês, é o mais curioso disto tudo.

Álvaro Fernandes

terça-feira, 22 de julho de 2008

A fisga



O politicamente correcto tem limites

O caso da aparente guerra civil na Quinta da Fonte, em que habitantes ciganos abandonam o bairro, acampam nos jardins da Câmara e exigem ser realojados longe de vizinhos negros que, afirmam eles, os perseguem e maltratam, é paradigmático.
Contudo, o que se viu foi dois bandos rivais aos tiros; e o que se sabe é que os desacatos tiveram origem no tráfico de droga, e também, na tentativa de controlar o território em que é vendida.
Portanto, em vez de um problema social que coloca o multiculturalismo em causa, tudo indica tratar-se de um caso de polícia envolvendo traficantes de droga detentores de armas ilegais.
Se, por acaso, os desacatos tivessem sido provocados por um indivíduos de uma só etnia, qualquer que fosse, a resolução do problema estaria entregue, e bem, às forças policiais.
Mas, o politicamente correcto e os especialistas nesta matéria, têm por hábito confundir a árvore com a floresta.
Assim, não se chega a lado nenhum.
Ou antes: talvez se alimente o sentimento de impunidade dos marginais que existem no seio da comunidade.

O caso Maddie foi arquivado ontem, mas está longe de estar encerrado

Desde logo, o casal McCann, anunciou urbi et orbi que vai continuar a investigar por conta própria, ou melhor: por conta de um fundo milionário que conseguiu reunir para o efeito. O que não surpreende, dada a forma mediática como agiram desde o desaparecimento da filha, e os cordelinhos que mexeram para orientar, se não o processo, pelo menos a opinião pública e publicada, através de pistas que não conduziram a prova nenhuma, e muito menos à criança desaparecida.
Agora não faltarão os detractores do trabalho da Polícia Judiciária, como se este fosse o primeiro (ou o último) processo arquivado por falta de provas, e mais: à espera de factos novos que melhor elucidem o que se passou, e permitam identificar e acusar os culpados.
Ou não, como muitas vezes tem acontecido, inclusive no Reino Unido aonde desaparecem sem rasto muito mais crianças do que em Portugal.
Álvaro Fernandes