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domingo, 22 de fevereiro de 2009

A "crise"e as pressões patronais...

Não constituiu surpresa a hostilidade orquestrada pela gerência de uma têxtil de Penafiel, chegando ao ponto de invadir uma sede comunista e agredir quem lá estava.
Muitas entidades patronais estão a aproveitar o pretexto da crise para exercerem ou reforçarem pressões sobre os seus trabalhadores. Tentativas de, com ou sem redução dos dias de trabalho, cortar salários (já muito baixos), fazer despedimentos parciais e individuais, ameaçar com o encerramento das empresas, são as formas comuns desse condicionamento, cada vez mais frequente.
No caso de Penafiel, são ritmos de produção com penalizações salariais e um enquadramento laboral agressivo, factos aliás já parcialmente conhecidos de responsáveis do Ministério do Trabalho.
Este tipo de patrões, (de que o país pouco ou nada precisa para o seu desenvolvimento, que sempre viveu e enriqueceu à custa de baixos salários, incapaz de uma gestão para se adaptar e evoluir), assume cada vez mais a sua verdadeira face feudal, usando mecanismos de intimidação que visam a criação de um clima de medo e de insegurança generalizado.
Este clima, e meia dúzia de capangas semiprofissionais, são suficientes para arregimentar "manifestações espontâneas" que podem, se não forem contidas, degenerar e comprometer o exercício de liberdades democráticas.
É verdade que o Ministério do Trabalho já reconheceu publicamente que o pretexto da crise está a servir para a generalização de encerramentos e despedimentos, para aumentar a discriminação sobre os trabalhadores. Este aproveitamento patronal segue aliás o mau exemplo do primeiro-ministro que a torto e a direito se serve da desculpa da crise para sacudir a água do capote das suas próprias responsabilidades.
Importa passar das palavras aos actos, dar indicações e meios aos "inspectores de trabalho" para agirem e actuarem com mão exemplar contra esta pressão patronal. É isto que nem se vislumbra na acção política de Vieira da Silva…
Honório Novo
in JN

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A Cambada...

O mais Rico cá do sítio...
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- Américo Ferreira de Amorim: 3106 milhões de euros.
Principais activos: Grupo Américo Amorim, Galp Energia, Banco Popular, Corticeira Amorim, Banco Internacional de Crédito, Cimangola.
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Corticeira Amorim anuncia lucros de 6,1 milhões de euros
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A Corticeira Amorim, empresa do homem mais rico de Portugal, registou lucros de 6,1 milhões de euros, menos 73,5% do que no ano anterior.
Apesar da redução dos lucros, as vendas da corticeira cresceram cerca de 3%, atingindo os 468,29 milhões de euros.
No início de Fevereiro, a empresa anunciou o despedimento colectivo de 193 trabalhadores, o primeiro da sua história.
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Palavras para quê???...que país é este em que tudo vale???...Até quando vamos aguentar a Cambada, dos que as fazem e dos que as permitem???...

segunda-feira, 7 de abril de 2008

COMO NÃO ME IMPORTEI...

Hoje são os contratados, amanhã serão os outros...

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo

B. Brecht

Comentário
Brecht, neste poema, retratou bem o que se está a passar em muitas escolas portuguesas. Há quem pense que este ataque vil do Governo é só contra os mais fracos: os contratados e os que não são titulares. A estratégia dos modernaços do Pê Ésse visa instaurar, progressivamente, a selvajaria social no nosso país. E porquê? Porque chegaram à conclusão de que a única forma de conservarem os privilégios da oligarquia (de que fazem parte ou aspiram a fazer parte) é através de uma brutal retirada dos rendimentos de alguns grupos profissionais, entretanto escolhidos como alvo da rapina: os professores e os funcionários públicos, em primeiros lugar. Se forem bem sucedidos com os professores, outros grupos se seguirão. É por isso que eu defendo que o grande objectivo estratégico da luta dos professores é retirar a maioria absoluta aos modernaços do Pê Ésse, de forma a fazer parar o projecto político globalista neoliberal de instauração progressiva da selvajaria social. Esse projecto exige a destruição das comunidades naturais, das corporações, dos sindicatos, enfim, de todas as comunidades que sejam um travão ao processo de atomização e precarização em curso.

Recebido por email