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terça-feira, 21 de abril de 2009

Arrogância e autoritarismo no seu esplendor, ou o canto dos cisnes


Acabo de ver o mais claro e insolente exercício de autoritarismo a que assisti na televisão portuguesa desde que foi instaurado o Estado de Direito Democrático em Portugal.

Refiro-me à “entrevista”, sim entrevista entre aspas, visto que era isso que se esperava José Sócrates desse na RTP 1, durante o programa "Grande Entrevista" em que Judith de Sousa e José Alberto de Carvalho tentaram entrevista-lo.

Mas não.

A magnífica criatura arvorou-se em entrevistador, cortou sistematicamente a palavra aos jornalistas que era suposto entrevista-lo, debitou a sua cassete propagandística com uma soberba arrogância, negou evidências que entram pelos olhos de toda a gente, desautorizou o seu correlegionário António Vitorino - que já tinha declarado publicamente não haver dúvidas que o Presidente da República havia criticado o governo, e ao referir-se publicamente a não aceitar "recados", Sócrates estava a responder aos recados que Belém lhe tem dado - e, no fundo, foi incapaz de falar com um mínimo de verdade.

A isso, infelizmente, já estamos habituados. Quanto mais vai percebendo que será derrotado, mais insuportável se torna.

Pena foi que os dois jornalistas da televisão estatal não tivessem a coragem necessária para colocarem os seus postos de trabalho em risco. Nos tempos que correm, compreendo-os…

De qualquer forma urge alguém explicar e exigir ao sr. José Sócrates que lá terá, nos termos legais, o seu tempo de antena durante as três campanhas eleitorais que decorrerão este ano.

Mas é inadmissível que o secretário-geral de um partido como o PS, e primeiro-ministro de Portugal se porte da forma como o fez.

Meteu nojo.

sábado, 12 de abril de 2008

O VÍRUS DA SUBSERVIÊNCIA

As iniciativas que visam simplificar (para bem gerir e «modernizar») multiplicam o número das complicações burocráticas existentes. Ao tirar a iniciativa, ao querer regulamentar até ao ínfimo pormenor a actividade dos funcionários, transforma-nos em máquinas. E ser robot cansa. Como cansam as reuniões e mais reuniões, tantas vezes inúteis mas obrigatórias. As pessoas andam esgotadas.

Eis como o autoritarismo, como estilo de governação pessoal, se transforma em rede impessoal de controlo dos serviços e dos homens: ao contaminar os seus conceptores, o vírus do autoritarismo torna autoritários os próprios serviços e avaliações. Autoritarismo e injustiça da rede e dos que cumprem rigidamente (quer dizer «como deve der», seguindo estritamente a lei) os seus imperativos. Com tudo isto, desenvolvem-se as rivalidades, as invejas, os golpes baixos, a mesquinhez, à medida da pequenez das disposições que se impõem - o velho ambiente retoma os seus direitos na nova sociedade tecnológica do conhecimento.

O governo construiu assim uma poderosa máquina de produção de subserviência e controlo das subjectividades desmotivadas. A nova lei da subjectivação formula-se assim: menos dinheiro e mais funcionalidade (gestão do défice oblige) em troca de mais obediência e menos qualidade de vida (biopoder do Estado). (José Gil, Visão, 31 de Outubro de 2007, p. 30)