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quarta-feira, 29 de abril de 2009

TOLERANTE E LIBERAL, MAS POUCO


Avenida do Dubai. As novas avenidas têm 3 faixas em cada sentido. Não há transportes coletivos, o automóvel ligeiro é rei.
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O Dubai tem a aparência enganadora de uma cidade cosmopolita e liberal. Quando desembarcamos no aeroporto, a sua modernidade arquitectónica surpreende-nos. O interior da gare, as lojas, as áreas de atendimento e os restaurantes do aeroporto são construídos com materiais nobres e caros. A decoração é luxuosa. Parece que nada foi poupado. Quando saímos do aeroporto e nos dirigimos para a cidade, julgamo-nos chegados ao Novo Mundo de que fala Dvořák na sua Sinfonia Nº 9. Os edifícios altos de 30 e 40 andares, com fachadas de vidro, dão à cidade uma harmonia futurista. As principais avenidas da cidade nova (por oposição ao centro histórico, a vila antiga) têm três faixas em cada sentido. A cidade é fotogénica e sentimo-nos tentados a registar tudo em fotografias. Admiramo-nos perante esta cidade planeada, cuidadosamente pensada para ter uma estética especial apontada para o futuro.
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O que não é evidente é a realidade que se esconde por trás dos edifícios de talha moderna. A imagem de um oásis liberal e pecadoramente atraente está a desaparecer, não exactamente porque o dinheiro esteja a desaparecer nesta crise global. Tardiamente preocupada que (i) o seu 1 milhão de residentes estrangeiros solteiros mais (ii) milhões de turistas anuais estejam a diluir a sua identidade, o emirato, com reputação de liberalidade de costumes, planeia cortar o entusiasmo dos estrangeiros. Uma comissão presidida pelo príncipe herdeiro, Sheikh Hamdan al-Maktoum, propôs um código de conduta aplicável aos lugares públicos para apertar as liberalidades no vestir, no beber, no dançar e na demonstração de afecto em locais públicos como tocar e beijar.
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Embora ainda não vigore como lei, o código realça no preâmbulo a tolerância e respeito pela diversidade como pedras angulares do sucesso do Dubai. Mas também estipula que os comportamentos impróprios que desprezam costumes locais podem levar a multas, acções judiciais e deportações. Isto não é nada de novo nem inesperado. As autoridades do Dubai encarceraram e expulsaram um casal britânico que apanharam a “praticar sexo numa praia pública” (embora os acusados neguem tal acusação) e sentenciaram uma cidadã britânica, mãe de duas crianças, a prisão por “adultério”. Campanhas ocasionais de moralidade levaram a que suspeitos de homossexualidade e travestis fossem incomodados e reprimiram o florescente tráfego de prostituição que constantemente entrava e saía do Emirato.


A praia Jumeira, nos arredores do Dubai, situada no fundo longínquo da foto. As áreas verdes são os jardins dos hoteis, todos de 5 estrelas e pertencentes ás mais famosas cadeias de hoteis do mundo. O primeiro hotel, construído sobre uma pequena ilha artificial, é o famoso Burj Al Arab, único hotel de 6 estrelas do mundo e o mais caro do mundo. Todos estes hoteis têm à frente um abrigo para iates, dos quais se vêem alguns.
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As regras propostas obrigam a que o(a)s bailarino(a)s sejam confinado(a)s apenas a espaços limitados onde podem permanecer e actuar nessa qualidade, os bebedores de bebidas alcoólicas podem apenas frequentar bares específicos, os fatos de banho apenas podem ser usados nas praias e os pares que caminham nas ruas de mãos dadas sejam limitados apenas a casais heterossexuais – obviamente – “efectivamente casados” – o que obrigará os casais a saírem à rua com as certidões de casamento, não vá acontecer alguma surpresa. Não obstante o código agora proposto, e que certamente será aprovado, o Dubai continuará a ser surpreendentemente liberal comparado com os seus vizinhos. Por exemplo, o livro mais vendido do emirato escrito em arábico é um manual de educação sexual escrito por um conselheiro de família, árabe, que trabalha no tribunal do Dubai. Como contraste, a polícia religiosa da capital do Reino da Arábia Saudita, Riade, patrulhou a feira anual do livro durante o mês que esteve patente ao público para evitar qualquer aproximação entre pessoas de sexos opostos durante o certame. Três escritores sauditas queixaram-se às autoridades de terem sido detidos para interrogatório por terem tentado que um livro de ficção fosse assinado pela autora saudita.
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Outro exemplo: Um acontecimento muito discutido foi a decisão do octogenário rei da Arábia, Abdullah Bin Abdul Aziz al-Saúd, de elevar uma mulher, Norah Al Fayez, à categoria de adjunta do Ministro da Educação do Reino. Mas essa mulher, licenciada em sociologia por uma universidade americana, está proibida de conduzir automóveis (todas as famílias sauditas contratam emigrantes indianos como motoristas das famílias) e pode comunicar com o seu chefe, o ministro da educação, apenas por um circuito fechado de televisão (Eu também me interessei por esta história e publiquei um artigo neste blog). Na última semana um juiz do mesmo reino condenou uma mulher viúva de 75 anos a quatro meses de cadeia e 40 chicotadas (este tipo de condenações são executadas sempre em locais públicos) por ter convidado dois jovens para entrarem na sua casa. Os jovens, um deles sobrinho do falecido marido da mulher, disse no tribunal que eles apenas tinham entrado para terem a gentileza de oferecerem à velha senhora alguns pães.
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Tudo isto se deve ao facto de os países árabes, em particular, e a maioria dos países muçulmanos, em geral, basearem as regras de convívio social e a organização das respectivas sociedades num fóssil vivo a que chamam Lei Islâmica, a Charia, lei que foi escrita há cerca de 1400 anos e que os muçulmanos gostam de imaginar que é imutável porque “foi ditada por Deus directamente ao profeta”. Assim, eles são detentores da “verdade Divina” em forma duma lei que se intromete em todas as situações da vivência diária, desde as acções mais simples até à organização política da sociedade. Como, alegadamente, esse código veio de Deus, os clérigos pensam que não precisam de um Código Civil actualizado, coisa que realmente não existe na maioria dos países muçulmanos porque “está tudo no Qurão e no Hadit”, os livros sagrados do Islão.

Edifício Burj Dubai em fase de acabamento. Será inaugurado este ano de 2009. Tem mais 300 metros do que o mais alto hoje existente, portanto será o mais alto do mundo. A decoração interior, que será muito luxuosa, será da autoria de um senhor do mundo da moda chamado Armani.
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Esta escolha cria-lhes um problema: o código está atrasado 1400 anos e não se adapta ao tempo actual. Então, se o código não se adapta ao tempo actual, deve o tempo adaptar-se ao código. Tudo o que ferir o código deve ser proibido, reprimido, considerado ilegal, mesmo criminalizado. Nem que seja necessário parar o tempo. É dentro desta lógica que só recentemente (talvez 8 anos) a Arábia Saudita tem Internet, essa “invenção satânica” cujo uso começou por ser permitido apenas nas repartições do governo e em algumas universidades. O cinema era proibido até há pouco tempo, assim como a televisão. Ainda é proibida a televisão por satélite para evitar contágio de “costumes decadentes” e “ocidentalização”.
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Daí que o europeu, desembarcado na zona árabe do mundo, se engane. A modernidade é apenas aparente, as regras de convívio e de socialização parecem de outro planeta, tão diferentes das regras em que o europeu vive. Como os factores de decisão são diferentes dos europeus, há com frequência casos de inversão de conclusões. Esta história que conto a seguir é um caso típico. Tomei conhecimento dela pelos jornais locais quando estava a viver no Bahrain, outro emirato do Golfo Pérsico hoje transformado em Reino. Anos depois, já regressado a Portugal, fiquei surpreendido ao encontrar uma referência ao caso no ensaio escrito pela francesa Martine Gozlan O Sexo de Alah (Biblioteca das Ideias, Edições Europa-América). Eis a essência desta história: Em Outubro de 2002, Turia Tiuli, uma francesa de origem marroquina (de segunda geração) a residir em Limoges, responsável pelo marketing de uma pequena empresa, durante uma deslocação profissional ao Dubai, foi violada por três árabes locais. Ao apresentar queixa, no dia seguinte, Turia Tiuli foi presa, acusada de “relação sexual adulterina”. Só foi libertada graças à pressão e à caução do consulado de França e só pôde regressar ao seu país após intensa campanha da imprensa e após longos meses de sequestro no hotel.
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Este caso é exemplar. Observe-se em primeiro lugar a inversão do ónus da prova. O crime foi praticado pela vítima de violação e o processo de averiguações foi-lhe aplicado para se demonstrar que o procedimento da “infiel” foi provocatório porque saíra do hotel vestida com uma T-shirt e calções, vestuário que não respeita as regras do “recato” e da “decência do Islão”: a T-shirt mostra as formas do corpo e das mamas, o calção coloca as pernas numa montra e ambos mostram pele em excesso. O seu comportamento “provocatório e indecente”, próprio das “mulheres perdidas”, provocou a reacção dos homens de acordo com os sinais que ela emitia: Eu sou uma prostituta e estou disponível para fornicar com qualquer homem que queira partilhar um momento comigo. As vítimas desta provocação apenas obedeceram à sua natureza de “machos”. Perante a provocação, nada mais fizeram do que satisfazer a vontade da mulher ao violá-la, o que é “natural e normal” da condição de “macho”.
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O alarido da imprensa em torno do caso serviu vários objectivos: (1) defender a tese descrita em cima e inocentar as vítimas, os Emiratis que foram surpreendidos pelo “comportamento desafiador da mulher”; (2) demonstrar que a mulher, sendo francesa, sofria dos “defeitos culturais de todas as cristãs”: “hábitos sexuais promíscuos” e “tendência para o exibicionismo sexual”; (3) realçar e reafirmar [para consumo interno] a validade das regras islâmicas a que todas as mulheres [locais], sem qualquer excepção, devem obedecer; (4) demonstrar “à navegação” que, mesmo as europeias, apesar da “arrogância” de se imaginarem superiores cultural e socialmente, não estão isentas e devem conter os seus “hábitos decadentes” quando “pisarem terras sagradas do Islão”. Merece ser realçado que todos estes objectivos são de alcance político e nada religiosos. No meio de tudo isto, a francesa esteve na cadeia várias semanas antes de ser transferida para um hotel, onde permaneceu em regime de prisão domiciliária durante meses. Foi uma contemplação especial nunca ter sido molestada. Porque quando as muçulmanas são encarceradas por idêntica acusação, são violadas constantemente pelos guardas prisionais e obrigadas a todo o tipo de actos sexuais com eles. No Bahrain aconteceu um caso desses com uma bahraini acusada de prostituição.
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Nota: As expressões entre aspas reproduzem fielmente as palavras usadas pelos media, pelos radicais e alguns clérigos (sacerdotes muçulmanos) quando discutiam, ou simplesmente informavam, sobre este caso. A terminologia, em qualquer caso, corresponde ao padrão normal para casos da mesma índole. A frase em itálico, mencionada por alguns jornais locais, foi citada de memória.

segunda-feira, 2 de março de 2009

A MULHER QUE ENTROU NA HISTÓRIA DA ARÁBIA

Esta mulher chama-se Norah Al Fayez e é funcionária da Administração Pública da Arábia Saudita. Tem uma história admirável. Para conhecer essa história leia esta página e fique tão admirado como eu fiquei.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

ACOLHIMENTO DE PRISIONEIROS DE GUANTÁNAMO DIVIDE EUROPEUS

Os vinte e sete reúnem hoje para decidir o auxílio ao governo americano no encerramento da prisão de Guantânamo. Porém, não devemos esperar unanimidade de decisões depois das posições de alguns países europeus divulgadas pela comunicação social.
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Não causa admiração que haja países que recusam liminarmente dar asilo político aos antigos prisioneiros, enquanto outros países se mostram relutantes afirmando que cada caso deve ser estudado nas suas vertentes jurídica e política.


De facto, se eles foram parar à prisão, não terá sido por apascentar ovelhas. Portanto, é necessário ser prudente.
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É de notar que os europeus em geral têm muito pouco conhecimento do Islão enquanto religião e menos ainda da ideologia islâmica enquanto sistema de pensamento político. Da primeira não vem grande mal ao mundo, mas da segunda podem vir todos os males. Mesmo os países europeus que não tiveram más experiências com o Islão já ”viram as barbas do vizinho a arder”. Os recentes acontecimentos em Londres, em Madrid, em Amesterdão e, mais recentemente ainda, em Bombaim dizem-lhes que devem ser prudentes. É necessário não esquecer que o Islão admite e perdoa a vingança como forma de compensação por agravos sofridos, principalmente quando provocados por “infiéis”. Por razões de segurança, devemos partir do princípio que os hóspedes de Guantânamo ou são militantes da cruzada islâmica, a chamada djihad, ou são, no mínimo, simpatizantes. Os primeiros dificilmente terão correcção por serem crentes na causa. Os segundos podem ter uma recaída e optarem pela vingança de estilo islâmico. É necessário, pois, não facilitar e evitar meter na nossa casa alguns “bons crentes” muçulmanos, porque “com tais crentes, o Islão não precisa de inimigos”.

Se o link acima não funcionar clique no endereço em baixo ou cole-o no seu browser para aceder à página do Público:
http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain%2Easp%3Fc%3DA%26dt%3D20090126%26id%3D15722685

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

A LUTA CONTRA al-QAEDA

Este texto foi produzido por um artigo que encontrei na revista inglesa The Economist. Esteve durante semanas em fermentação. Embora baseado no original, tem muitas alterações da minha responsabilidade. Ao que parece, os governantes da monarquia mais conservadora dos países árabes combatem a al-Qaeda e estão a colher sucessos.
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No rescaldo do grande ataque em Bombaim, talvez este texto ajude a compreender o que está por detrás destes acontecimentos. No entanto há muito mais coisas que não estão aqui explicadas. Por exemplo: O que é a jihad? Como nasceu, para onde se dirige? Quais os seus objectivos? Estas respostas dariam material para escrever um livro.

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O reino saudita tem sido desde há bastante tempo uma fonte de radicalismo djihadista com candidatos a mártires a viajarem com bilhetes de ida para locais como a Chechnia, o Iraque e as torres gémeas em Nova Iorque. Tendo sido a princípio bastante complacente em relação ao terrorismo djihadista, as autoridades Sauditas enveredaram repentinamente por uma oposição activa contra as actividades de grupos de militantes internos desde que as suas cidades se tornaram alvos dos primeiros ataques com bombas que explodiram em Riyade, a capital do reino, em Maio de 2003. Recentemente, num movimento que sugere crescente confiança em contrariar a violência djihadista, os tribunais sauditas iniciaram acções judiciais contra 991 prisioneiros acusados de actividades terroristas, no maior processo judicial da história do país - e do mundo - contra extremistas islâmicos.
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Alem doutros considerandos, estas acções judiciais tão numerosas são notáveis se tivermos em conta que os julgamentos decorrerão sob a égide da Lei Islâmica (Sharia) com juízes que são basicamente clérigos com uma formação complementar na Lei Islâmica para serem equiparados a juristas, como é normal na maioria dos países muçulmanos (1). Como também é normal, não existe um Código de Direito Civil semelhante aos nossos códigos ocidentais, onde os direitos, deveres e garantias de cidadania estão claramente consignados (2). Acresce que na Arábia Saudita (3) os juristas religiosos são formados à luz da interpretação Wahhabita do Islão (4) que, por sua vez, ajudou a inspirar a ideologia de alguns grupos militantes e da própria al-Qaeda. Tais condicionantes não embaraçam as autoridades sauditas que se apressam a afirmar que as sentenças proferidas à luz da Sharia terão maior legitimidade do que as que seriam proferidas por tribunais militares, as quais muitos muçulmanos, e não apenas simpatizantes djihadistas, rejeitariam como suspeitas.
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Contradizendo as críticas que consideram o sistema jurídico arcaico e muitas vezes arbitrário e imprevisível, as autoridades sauditas insistem que os julgamentos serão transparentes, com sentenças separadas para violência criminal, incitamento à violência e financiamento de actividades terroristas. Os acusados incluem, provavelmente, não só membros activos da al-Qaeda, que cometeram cerca de 30 ataques no Reino entre 2003 e 2006, quase todos bombistas, que custaram as vidas de 90 civis e 74 polícias, mas também sheiks e outros clérigos cujos sermões nas mesquitas exortavam à violência.
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Os julgamentos têm por objectivo marcar a fase culminante do esforço incomparável e até agora bem sucedido do regime Saudita para erradicar da sociedade as expressões violentas do radicalismo islâmico. Ao contrário de outros países que conduziram a luta antiterrorista exclusivamente através das forças de segurança, o reino saudita optou por uma solução de múltiplas vias, envolvendo simultaneamente campanhas de esclarecimento público, reformas legislativas e dos programas de educação pública e aconselhamento religioso.
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A televisão do estado transmitiu extensos testemunhos de djihadistas “arrependidos” em conjugação com comentários de eruditos em teologia que criticavam as bases textuais das crenças djihadistas. Ao mesmo tempo, uma campanha gravada nas prisões mostrou mais de 3 000 djihadistas detidos para aconselhamento, com ajudas como empréstimos para compra de casa própria e apoio financeiro às famílias enquanto os detidos e as famílias estiverem envolvidos em sessões de reeducação religiosa. As autoridades sauditas afirmam que cerca de 1 500 radicais foram reabilitados e libertados, com uma pequeníssima fracção de reincidência na ideologia do djihadismo. Um programa separado, que ainda decorre, tem procurado combater as ideias djihadistas difundidas na Internet com teólogos moderados contratados para intervirem em fórums de chats extremistas. As novas leis publicadas transformaram os incitamentos ao extremismo na Internet num crime punível com até 10 anos de prisão.
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O reino permanece tão opressivamente conservador que em muitos aspectos da vida em sociedade não parece deste tempo. Com frequência, clérigos subsidiados pelo Estado atacam os radicais não por causa do fanatismo e das mortes violentas que provocam mas porque a djihad deles prejudica a imagem do Islão. E de facto não houve nenhum incidente terrorista importante no reino saudita desde Fevereiro de 2006 quando uma célula da al-Qaeda montou um ataque mal alinhavado à refinaria de petróleo de Abqaiq, perto da costa leste da Península Arábica, distante oitenta quilómetros pra norte da ilha do Bahrain. Alem disso, o volume de voluntários sauditas dispostos a morrer nas djihads do Iraque, do Afeganistão e do Líbano têm decrescido claramente.
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De facto, pondo de lado a progressiva ousadia dos seus aliados nominais, os Taliban do Afeganistão, a al-Qaeda não parece estar a desempenhar-se bem. Grupos filiados em locais conhecidos pelas suas leis vagas e permissivas como o Iémen, a Argélia e a Mauritânia lançaram ataques recentes que não produziram os resultados pretendidos pelos seus promotores. Um exemplo disso foi o ataque à embaixada americana em Sanaa, a capital do Iémen, ocorrido há cerca de 2 meses, que matou 16 pessoas que passavam no local mas que não conseguiu abrir brechas no muro do recinto. O concomitante enfraquecimento do Iraque como paraíso terrorista e a progressiva eficácia do policiamento e prevenção antiterrorista em todos os países produziram um ambiente geralmente hostil aos radicais djihadistas.
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Um claro sinal deste enfraquecimento estrutural – e operacional - da al-Qaeda foi o súbito desaparecimento, dois dias antes do aniversário do ataque de Nova Iorque em 11 de Setembro, de três dos quatro mais conhecidos websites radicais que difundiam publicidade e propaganda das actividades da al-Qaeda e que organizava fórums sobre questões ideológicas islâmicas. Estes sites, hoje cuidadosamente vigiados pelos serviços de informações (intelligence agencies) dos países europeus e do EUA, experimentaram interrupções em diversas ocasiões, mas foi esta a primeira vez que vários deles estiveram fora de acção por tanto tempo. O único site sobrevivente, al-Hesbah, pensam alguns peritos estrangeiros na matéria, terá sido infiltrado por peritos do governo saudita para controlar as actividades djihadistas onde quer que elas se manifestem.
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Fotografia pequena: O rei da Arábia, Abdullah al-Saud, escuta um chefe tribal no dia em que recebeu juramentos de lealdade de centenas de clérigos muçulmanos dos mais elevados níveis hierárquicos, chefes tribais e outras proeminentes personalidades sauditas.
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Notas:
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1 e 2 - Os países muçulmanos que não têm Código de Direito Civil escrito são normalmente os que adoptaram o Islão como religião do Estado. Estão neste caso a Arábia Saudita, o Afeganistão, o Irão depois da tomada do poder pelos Ayatollahs, o Kowait, o Paquistão. Os estados de maioria muçulmana que foram, ou são, governados por partidos políticos laicos têm um Código Civil escrito: Egipto, Síria, Iraque (de Saddam), a Turquia e os estados islamizados que estiveram integrados na União Soviética. A zona do Magrebe e os Emiratos Árabes Unidos, do Golfo Pérsico, estão numa posição intermédia: têm um Código Civil escrito que incorpora mais (Emiratos) ou menos (Magrebe) regras e o espírito da Sharia. Nos países em que vigora a Sharia, a que podemos chamar Lei Islâmica, os juízes dos tribunais são normalmente clérigos com uma formação complementar na Lei Islâmica. Em tais casos, o modelo de formação privilegia a vertente teológica e não a jurisprudência e o Direito, como se estes fossem secundários. A Malásia tem duas jurisprudências paralelas para julgar conflitos entre muçulmanos e entre não muçulmanos. A Sharia, muito requerida pelos homens muçulmanos, é uma constante fonte de injustiça, discriminação e insatisfação para as mulheres muçulmanas devido ao tratamento discriminatório de que são vítimas em questões de divórcio, transmissão de heranças, direito de propriedade, tutela dos filhos (em caso de divórcio), criação de negócio próprio, liberdade para viajar. Esta discriminação é profundamente sentida, de tal forma que, nesses países, as próprias mulheres dizem que “numa disputa em tribunal entre um homem e uma mulher, o perdedor é sempre a mulher”.
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3 e 4 – Wahabismo, movimento político-religioso, de tendência puritana, dos muçulmanos árabes, portanto Sunitas. Surgiu na Arábia no Sec. XVIII da Era Cristã por acção do teólogo árabe Muhammed ibn Abd al-Wahhab (1703-1787), natural da cidade de Najd que, nas suas pregações e textos, incitava os crentes a regressarem à pureza e genuinidade do Islão ensinado pelo Profeta e a rejeitarem todas as acreções que a tinham corrompido e distorcido – superstições, falsas crenças, idolatria, práticas demoníacas e regimes políticos que as alimentavam e as encorajavam. Entre os seus convertidos, estava o chefe beduíno Muhammed ibn al-Saud, Emmir de Dariyya em Najd. De acordo com alguma narrativas, Muhammed ibn al-Wahhab instruia os seus convertidos nas suas doutrinas e no manejo de armas de fogo. A partir de meados do Sec XVIII (da Era Cristã), estes novos guerreiros do Islão, guiados pela habilidade militar de ibn al-Saud (pronuncia-se ál-Saúd) e inspirados pelos ensinamentos religiosos de Ibn Abd al-Wahhab, conquistaram a maior parte da Península Arábica e ameaçaram as fronteiras da Síria e do Iraque, na época integrados no Império Otomano. A sua luta para purificar a fé foi, na época, comparada à ascensão e expansão original do Islão nos dias do Profeta e dos seus imediatos sucessores. Muhammed ibn al-Saud fez alianças com os chefes tribais para consolidar o seu domínio sobre os territórios conquistados. Essas alianças eram formalizadas com casamentos com as filhas ou familiares dos chefes locais, de acordo com as tradições árabes. Assim, fundou a Casa al-Saud, que hoje continua a reinar na Arábia, e adoptou o wahabismo como religião oficial do Estado, situação ainda em vigor. Quando morreu, deixou cerca de 60 descendentes directos, fruto dos muitos casamentos efectuados por conveniência política. Finalmente, em 1932 foi formalmente estabelecido o Reino da Arábia Saudita como Estado independente e soberano. O nome do país deriva do nome da família reinante, al-Saud. Devido ao elevado número de descendentes da dinastia al-Saud, existem hoje no país mais de 1500 príncipes com diferentes possibilidades de ascenderem ao trono.
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Notas complementares:
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Ayatollah (em português Aiatolah. O “h” representa um som vibrante gutural, antes ou depois da vogal de acordo com a sua localização) – Literalmente “sinal de Deus”. Título honorífico conferido pelos seus seguidores a um mujtahid, líder religioso e alta autoridade em assuntos teológicos que clarifica e explica o conteúdo da Lei Divina, a Sharia.
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Sharia – (Charia em português) lei sagrada islâmica, também chamada Lei Divina ou Lei de Deus que, por ter sido ditada directamente por Deus ao Profeta, nunca poderá ser alterada, segundo o ponto de vista dos teólogos. Apenas pode ser interpretada para se adaptar às necessidades contemporâneas. Baseada no Qurão e principalmente no Hadith (os pensamentos e ensinamentos do profeta explicados ao crente), trata de todos os aspectos da vida muçulmana e da organização da sociedade, dos direitos de propriedade, do comércio e da propriedade de escravos. O seu conteúdo é vincadamente ideológico e muito pouco religioso, embora disfarçado por alguma terminologia religiosa. É da Sharia que decorre a ideologia política que movimenta os radicais.
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Se quer ver uma boa reportagem realizada pela BBC sobre a recuperação de djihadistas detidos na Arábia e conhecer os detalhes da sua "reeducação", clique aqui.

domingo, 5 de outubro de 2008

A TURQUIA FAZ REFORMA REVOLUCIONÁRIA DO ISLÃO

A Turquia tenta fazer o impensável: A reforma do Islão e a sua modernização.
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A Turquia vai publicar um documento que “representa uma interpretação revolucionária do Islão – e uma controversa e radical modernização da religião, revelou há dias a BBC.
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Trata-se da “revisão fundamental do Hadith”, uma colectânea de milhares de afirmações e pensamentos atribuídas ao profeta Maomé e que constituem o segundo mais importante texto sagrado dos muçulmanos depois do Qurão. Para os crentes, o Hadith é um guia para interpretar o Qurão e também grande parte da Sharia, a lei islâmica, a que os clérigos muçulmanos chamam também “a Lei Divina”.
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A revisão, que será empreendida por uma equipa de teólogos da Universidade de Ancara, foi encomendada pelo poderoso Directório dos Assuntos Religiosos, ou Diyanet.

Segundo Robert Piggott, correspondente de questões religiosas da BBC, “o Estado turco considera que o Hadith tem, frequentemente, influência negativa numa sociedade que tem pressa em se modernizar, além de que é responsável por obscurecer os valores originais do Islão”.
A Turquia percebeu que “um número significativo” das afirmações atribuídas a Maomé nunca foram por ele proferidas e, mesmo as que foram, “necessitam de ser reinterpretadas“, salienta Piggott. Para muitos dos que apoiam esta revisão, será o princípio da “reforma” de uma religião com 1400 anos.
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Com receio de polémica, as autoridades turcas hesitaram até agora em avançar com este projecto, que o Diyanet já anunciara em 2006, com a intenção de expurgar o Hadith, designadamente das suas “passagens misóginas”, as que discriminam e subordinam as mulheres aos homens.
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No entanto, um exame forense na Escola de Teologia da Universidade de Ancara concluiu que alguns dos hadiths (ditos) de Moamé “foram inventados centenas de anos depois” de o profeta morrer “para servirem as sociedades da altura” – como é o caso, por exemplo, da mutilação genital feminina.
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Por isso, mesmo as mensagens consideradas genuínas serão reavaliadas. Não faz sentido, observou Mehmet Gormez, do Diyanet, que a proibição de as mulheres viajarem sozinhas, apenas porque não era seguro no tempo de Maomé, se tenha tornado permanente em vez de temporária.
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Para Fadi Hakura, especialista em assuntos turcos na Chatam House, em Londres, os turcos estão a “recriar o Islão”, adaptando-o a uma moderna democracia secular. “É semelhante à Reforma do Catolicismo praticado pelo movimento protestante. Embora não exactamente igual, é semelhante porque implica mudanças nas bases teológicas”, disse à BBC.

Comentário meu: Esta tentativa de mudança - porque não passa de uma bem intencionada tentativa enquanto não for aceite pelos crentes turcos - irá demonstrar duas coisas:
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1º - até que ponto os crentes turcos serão capazes de pensar pela sua própria cabeça em vez de pensarem pela cabeça dos clérigos muçulmanos. É evidente que estas mudanças serão mal recebidas pelos clérigos muçulmanos, principalmente árabes e paquistaneses, para não mencionar os crentes fundamentalistas, ou extremistas, ou conservadores. Os clérigos não turcos terão relutância em aceitar estas alterações porque seria negar o principal ensinamento em que eles insistem constantemente nas suas prédicas: ninguém deve ser intrometer-se em questões teológicas. Essa matéria é da exclusiva responsabilidade dos clérigos, sejam eles Imans, Mulahs, Muftis, ou Qadis. Os clérigos são os crentes que supostamente mais sabem de matéria religiosa e de teologia muçulmana. Porém, os clérigos nunca abriram o conhecimento teológico aos crentes vulgares por receio de vulgarizar o saber e perderem as vantagens económicas, políticas e sociais [estatuto] que tanto os beneficiam. Trata-se portanto de uma defesa de carácter corporativo. Ligada a este aspecto, devemos não esquecer que os clérigos profissionais são muito numerosos em todas as sociedades muçulmanas (porque é a educação mais acessível quer economica quer fisicamente). É o número que lhes dá grande força corporativa.
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2º - Se os clérigos turcos aceitarem as alterações, então serão a excepção. Mas serão mal vistos e caluniados pelos restantes clérigos de outros países muçulmanos. Se os crentes turcos aceitarem pacificamente as alterações propostas, poderemos concluir que o laicismo criou na Turquia uma realidade cultural e politica diferente da dos outros países muçulmanos.
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A relutância em aceitar esta revisão do Hadith tem outra razão. Durante muitos anos, principalmente depois da época moderna, os clérigos criaram a verdade doutrinária de que o Hadith era a palavra divina revelada ao profeta. A Sharia, que está quase toda no Hadith, era a Lei de Deus, portanto imutável como tudo o que tem origem divina. Por consequência, mudar o Hadith é renegar a vontade de Deus e muitos dos fundamentos religiosos que ajudaram a dominar politicamente as sociedades muçulmanas através da Sharia. Alterá-la é traí-la e desmentir muito do que os clérigos muçulmanos têm ensinado. Portanto, há que esperar acesa oposição, principalmente dos árabes [da Arábia Saudita], que ainda hoje não se libertaram da ideia de que são os “donos” do Islão.
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Embora se saiba que, por diversas vezes, reis, chefes militares e outros senhores que exerceram o poder político em algumas épocas históricas e regiões alteraram o Hadith para o harmonizar com necessidades estratégicas momentâneas ou culturas locais, é hoje muito difícil distinguir o que pertence à versão original (portanto do profeta) daquilo que foi adulterado. Apenas algumas dessas alterações são hoje detectadas por meios indirectos tais como estudos históricos, sociológicos, antropológicos, políticos. A mutilação genital feminina é um desses exemplos. Os árabes nunca a praticaram, portanto não existia no tempo do profeta, nem a praticam actualmente. Esse costume é mais vulgar em certas regiões do Norte de África e centro-africanas. No entanto, está consignada no Hadith. Daí a conclusão de que foi acrescentada posteriormente por algum governante mais zeloso para dar cobertura a algum costume local.
BBC News

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

ARGÉLIA: O FENÓMENO DOS «NOVOS CRISTÃOS»

Tem enchido as páginas dos jornais argelinos. O fenómeno do cristianismo na Argélia entrou numa nova fase de debate nacional após a detenção de Habiba Kouider, jovem convertida, em posse de 25 bíblias. A Argélia confronta-se com uma vaga de cristianismo inabitual de contornos sectários.
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«Aleluia, que Cristo esteja convosco» saúda Hussein (nome fictício) um dos cristãos mais populares da periferia de Tizi Ouzou em plena Cabília. O encontro passa-se nas traseiras de uma pequena loja. Numa prateleira um crucifixo destaca-se no meio de garrafas de whisky vazias.
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Sentados numa mesa, três homens empunhando uma garrafa de cerveja esclarecem imediatamente: «não somos cristãos, estamos aqui só para beber álcool». Em poucos minutos o pequeno espaço ficou repleto de jovens assumidamente cristãos que entravam e saíam com um nervosismo pouco habitual. De telemóvel em punho comunicavam em tempo real a visita dos «estranhos» ao Pastor da comunidade que recusava aparecer. Durante as conversas, sempre orientadas para o cristianismo, relatavam as motivações que levaram à conversão. Um discurso formatado impregnado de histórias de revelações, aparições e sonhos. Todos dizem que sempre foram cristãos no coração, na realidade todos eram muçulmanos.
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Abordando questões teológicas, revelam-se como grandes conhecedores da Bíblia, disparam com citações textuais do Novo Testamento e reivindicam-se na corrente evangélica. No correr da conversa, e após várias rodadas de cervejas, a religião muçulmana entra no assunto. A maioria dos presentes mantém um discurso de extrema violência contra o Islão, utilizando termos que ofenderia o menos crente de qualquer religião. O Estado argelino também é o alvo dos principais ataques. Tais propósitos ouvidos na praça pública provocaria sem dúvida reacções mais graves que o recente caso das «caricaturas». Os não cristãos presentes na pequena sala ouvem em silêncio, acabam a cerveja e partem.
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Para se afirmarem como verdadeiros cristãos renegam totalmente o passado pessoal, sentem-se no direito de condenarem e difamarem o islão como uma prova do divórcio absoluto com a fé passada, e as outras religiões não muçulmanas também não são poupadas à severa crítica, um meio para realçar o protestantismo como «verdade única» que apenas designam como «cristianismo». Questionados sobre os casos de conversão inversa, do cristianismo ao islão, são categóricos em afirmar que «não existe» e que «é impossível tal situação.»
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O Ministério dos Assuntos Religiosos argelino confronta-se assim com um imbróglio que já está a ter repercussões na imprensa internacional. Por um lado, constitucionalmente, o Islão é a religião oficial da Argélia, mas todos os cultos são autorizados desde que não se dediquem à prática proselitista. A aplicação rigorosa da lei tem levado ao encerramento de várias «igrejas» e mesquitas, assim como a expulsão de estrangeiros acusados de práticas proselitistas. Estas medidas provocaram a reacção de alguns meios de comunicação francófonos que acusam o ministério de uma «caça às bruxas» contra os novos cristãos.
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No entanto os novos cristãos na Argélia não estão enquadrados nos círculos clássicos cristãos presentes desde sempre no país que tem coabitando em harmonia com o islão com quem também sofreram durante o decénio do terrorismo que atingiu toda a sociedade argelina. A nova vaga de cristianismo na Argélia acompanha o fenómeno extensivo a todo o continente africano vitima da proliferação das religiões evangélicas americanas, muitas das quais, consideradas na Europa, de características sectárias e encaradas com apreensão pela justiça de vários países.
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Vários indícios alarmantes revelam semelhanças entre os novos cristãos argelinos e os movimentos evangélicos considerados sectários. A teoria do complot está bastante patente nestes grupos, que se manifesta sob várias atitudes e sentimentos: o sentimento de excepção e privilégio de serem «iluminados pelo Espírito Santo» enquanto os «outros permanecem nas trevas», divórcio com o passado pessoal e corte de relações com familiares não cristãos, novos círculos de amizades, tentativa de conversão do círculo dos próximos como um dever, o Pastor da igreja é encarado como líder iluminado, reuniões religiosas dissimuladas, sentimento de mártir, rejeição daqueles que decidem abandonar o cristianismo, diabolização do islão, são alguns dos elementos patentes na maioria dos novos cristãos.
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A igreja católica e protestante explicam com dificuldade esta vaga de cristianização, e evitam serem confundidos com estas novas comunidades, daí que os cemitérios e as igrejas utilizadas pelas «velhas» comunidades cristãs não sejam partilhados com os novos cristãos. O vai e vem de Pastores estrangeiros, principalmente oriundos dos Estados Unidos, Canada, França e Líbano, em acções de evangelização e baptismos colectivos, tem também suscitado preocupações na «velha» comunidade cristã argelina que teme vir a ser vitima de uma amálgama com o «negócio evangelista», enquanto o Ministério dos Assuntos Religiosos tenta impedir a propagação desta nova vaga num país onde a estabilidade religiosa rima com segurança nacional.
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Mustapha Krim, presidente da Igreja protestante da Argélia, tenta minimizar a situação afirmando que não compreende como «32 igrejas protestantes podem ameaçar 32 mil mesquitas». Na realidade apenas na cidade de Tizi Ouzou existem mais de 60 igrejas, confirmam os fiéis, e várias centenas de igrejas clandestinas estão espalhadas no país. Oficialmente existem cerca de 60 mil cristãos na Argélia, dos quais 11 mil são praticantes. Estes números são simbólicos e longe da realidade dada a dimensão da propagação do fenómeno no país, especialmente nas regiões de Cabília e de Oran reputadas pela tendência para a emigração e historicamente rebeldes.
Jornal Digital
É curioso este movimento de alguma população argelina (eu digo “alguma” porque esta tendência não pode deixar de ser minoritária) em adoptar o catolicismo ou o cristianismo protestante, precisamente por tudo isto se passar num país de maioria muçulmana. É caso para perguntar onde está a proibição da Sharia segundo a qual muçulmano que se converta a outra religião sujeita-se automaticamente à pena de morte. Será uma reacção de auto-defesa e de rejeição contra os crimes praticados pelos sectários islâmicos? Creio que é uma resposta possível à pergunta anterior, até prova em contrário.
Mas, infelizmente, as atitudes sectárias são inconsequentes e normalmente não persistem a longo prazo. Uma vez terminadas as acções sectárias dos extremistas islâmicos que tanto apavoram a população muçulmana, tudo regressará ao normal.

quinta-feira, 20 de março de 2008

QUÃO LONGE ELES VIAJARAM

Um movimento baseado na Turquia, que parece mais moderado do que a maioria dos seus rivais, luta para ser reconhecido como a vanguarda da rede mundial de influência muçulmana.
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É grande a distância que separa as planícies da Anatólia de um campus no coração de Londres, onde eminentes pedagogos de religião distribuem papéis eruditos sobre assuntos religiosos. E as terras altas que estão na fronteira entre a Rússia e a China, uma região onde crianças alegres anseiam por instrução, parecem muito longe de um velho edifício de três andares na Pensilvânia onde um venerando e recluso professor do Islão vive.
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O que há de comum entre estes lugares é uma das mais fortes e mais acessível das redes que estão em competição para influenciar os muçulmanos em todo o mundo – especialmente em locais mais afastados da terra-mãe do Islão. O teólogo que mora na Pensilvânia, Fethullah Gulen, que está no centro desta rede, transformou-se numa das mais importantes figuras muçulmanas, não só na sua Turquia natal, mas também noutros locais muito mais remotos da Ásia Central, da Indochina, da Indonésia e de África.
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Com assumidas crenças na ciência, no diálogo inter-religioso e na democracia pluri-partidária, Gulen ganhou aplausos de muitos sectores não muçulmanos. Ele é um orador intensamente emocional, cujos sermões parecem tocar os sentimentos dos seus ouvintes. Mas o movimento que ele conduz é notavelmente pragmático e vocacionado para a acção.
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Como força global, os Gulenistas são particularmente activos no ensino. Eles afirmam ter criado mais de 500 locais de ensino em 90 países. Uma conferência sobre o ensino que eles organizaram em Londres no último mês de Outubro foi patrocinada por quatro universidades britânicas e pela Casa dos Lordes. Os seus organizadores produziram um volume de 750 páginas que incluía todas as comunicações da conferência.

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Na sua cidade natal, o movimento de Gulen é visto como uma força de equilíbrio contra o ultra-nacionalismo. Mas em regiões distantes, o movimento tem um sabor nacionalista turco. Nas regiões do sul da antiga união soviética, onde as culturas russa, chinesa e iraniana convivem com alguma dificuldade, este movimento parece, por efeito de “contraste”, claramente turco. “Se encontrar alguém da Ásia Central que fala bom inglês e turco, pode ter a certeza de que esse alguém frequentou uma escola “Gulen””, diz-nos um observador turco. No Kyrgistão, por exemplo, o movimento dirige uma universidade e uma dúzia de escolas secundárias que excedem os critérios de qualidade internacionais. Mesmo no Paquistão, os alunos das escolas “Gulen” aprendem canções turcas mas beneficiam de reluzentes laboratórios científicos.
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Surpreendentemente, o movimento “Gulen” construiu uma significativa presença no norte do Iraque através de escolas, um hospital e brevemente uma universidade. Embora este ambiente de dupla influência turca e kurda não seja de fácil convivência para uma instituição de origem turca, o movimento conseguiu construir habilmente relacionamentos cordiais com todas as etnias e todos os grupos religiosos que habitam a região.
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A influência que o movimento Gulen acumulou durante anos é uma surpresa para alguns observadores ocidentais do Islão, mesmo os mais cépticos. Se interrogados sobre qual será a rede islâmica mais activa, muitos eruditos contemporâneos pensarão de imediato na Irmandade Muçulmana, que se disseminou desde 1920 a partir do Egipto até regiões longínquas com o compromisso programático de resistir aos detestados (pelo Islão) secularismo e colonialismo. A verdade é que actualmente a sua presença directa ou indirecta pode ser assinalada em todos os países ocidentais (incluindo os EUA) onde existem grupos islâmicos ideologicamente activos, quer da Irmandade quer grupos islâmicos decalcados do mesmo modelo.
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Entre os sucedâneos ideológicos da Irmandade há que apontar o maior grupo francês, uma federação que tem por objectivo coordenar a acção política de grupos islâmicos por toda a Europa e que inclui um “Conselho fatwa” que oferece aconselhamento moral e ideológico a todos os muçulmanos europeus. No Reino Unido, o domínio da Irmandade Muçulmana dividiu-se em duas tendências, sendo uma menos política, mais religiosa e “caritativa”, e outra mais politizada e ideológica conhecida pelo nome de British Muslim Initiative, que está agora ocupada a organizar protestos de rua contra as acções israelitas em Gaza.

Pelo aspecto que tudo isto tem, podemos dizer que o movimento “Gulen” é mais benigno quando comparado com qualquer destes – do ponto de vista ocidental – ou qualquer outra irmandade ou associação cultural, ideológica ou política de matriz islâmica. Embora todas as “associações” islâmicas aconselhem os seus seguidores a tirarem todos os benefícios que puderem da democracia secular de modelo ocidental, elas nunca deixam de insistir que a forma ideal de governo é o de raiz islâmica, portanto baseado nos ditames da Sharia e do Hadith. Ao contrário, os “Gulenistas” afirmam que abraçam a democracia pluripartidária com toda a sinceridade e não apenas como uma táctica para aparentar o que não são, "como os islamistas fazem." Os que duvidam declaradamente disto são os turcos seculares que vêem os “Gulenistas” como “camaleões” que “apenas mostram a sua face fortemente conservadora na Anatólia profunda”.
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Além de tudo isto, se a mensagem de Gulen é bem vista pelos países ocidentais deve-se em parte ao facto de a mensagem de outras associações ou grupos muçulmanos (se de pendor mais religioso) e islâmicos (se de pendor mais político-ideológico) tem em geral um tom negro (deixando de lado os grupos que defendem abertamente acções terroristas) que causa repulsa à cultura política e religiosa ocidental. Tome-se, como exemplo, o grupo Hizb ut-Tahrir (Partido da Libertação), que é activo em pelo menos 40 países incluindo o Reino Unido e Austrália. A sua linha ideológica defende e recomenda aos seguidores e militantes que os muçulmanos não devem participar em qualquer actividade que tenha a ver com os conceitos ou acções da democracia ocidental tais como eleições, partidos políticos, secularismo, Direito Civil, ou outras, com a justificação de que o único regime que os muçulmanos devem apoiar é um califado global. A sua posição maximalista e a solidariedade que ele proclama contra alegadas perseguições de muçulmanos em todo o mundo podem impressionar estudantes influenciáveis. Um outro competidor é um movimento revivalista islâmico, Tablighi Jamaat, sedeado na Indonésia mas activo em África e na Europa, especialmente no Reino Unido. Comparado com estes grupos, mais ou menos extremistas, o movimento Gulen propõe uma mensagem aos muçulmanos jovens que parece mais positiva: aconselha-os a seguir as oportunidades do mundo ocidental, embora mantendo na íntegra os princípios fundamentais do Islão.
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Este tom contido rendeu ao movimento muitos adeptos. Mas isto não significa que todos os governos ocidentais aceitem automaticamente as afirmações de moderação do movimento. “Nós sabemos que estamos sob vigilância permanente de todos os serviços de segurança ocidentais,” lamenta um activista “Gulenista”. Isto corresponde à verdade, mas até ao momento os serviços de segurança ocidentais não detectaram quaisquer ligações escondidas com movimentos extremistas.
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Sobre Fethullah Gulen:
UM RAPAZ DO MEIO RURAL NOS PALCOS DO MUNDO
As pessoas piedosas do leste da Turquia, onde Fethullah Gulen nasceu, são loquazes ao elogiá-lo. Antes de ouvir as palavras do pregador há 12 anos, “eu vivia uma vida cheia de mulheres e álcool”, admite Unal Sahin, um joalheiro da pequena cidade turca de Erzurum. Sob a orientação de Gulen, ele tornou-se devoto e generoso, ajudando agora uma universidade na Geórgia, escolas na Índia e no Azerbeijão. “Quanto mais eu dava, mais o meu negócio crescia”, diz. A sua mulher, entretanto, adoptou o lenço muçulmano para cobrir a cabeça.
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Os seguidores das prédicas de Gulen em Istambul podem parecer muito liberais – com mulheres de cabeça descoberta e outras de cabeça coberta a conviver alegremente em público. Mas a pressão social para que as mulheres mais crentes cobram as suas cabeças e se comportem de uma maneira mais conservadora é inevitável num lugar como Erzurum.
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Quando os homens “Gulenistas” se reúnem em encontros sociais nas casas uns dos outros, os homens sentam-se numa sala e as mulheres noutra porque “nos sentimos mais confortáveis dessa maneira”, diz uma mulher “Gulenista”, de cabeça coberta, que faz prédicas porta a porta. “Os nossos maridos não se importam que nós não fiquemos em casa durante o dia… eles sabem que estamos a servir a causa,” insiste ela.
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Um lugar onde a recompensa à obediência religiosa ainda está ausente é na aldeia de Korucuk onde Gulen nasceu, a leste de Erzurum. À parte a nova mesquita, as suas casas são feitas com lama, pedras e cobertura de colmo. Mas as suas 600 almas orgulham-se do filho do lugarejo. “Deus seja louvado, a nossa aldeia é inteiramente muçulmana, e nós não temos essa satânica Internet,” diz Necdet Gulen, primo de Fethullah Gulen. Apesar da enorme admiração que ele atrai, muitos detalhes da vida do pregador permanecem por esclarecer. Antes de mudar para os EUA há uma década, ele tinha de jogar ao gato e ao rato com as autoridades turcas. Pouco depois da sua emigração, ele foi julgado in absentia por “enfraquecer insidiosamente o secularismo”. Este julgamento foi posterior à revelação de uma gravação vídeo na qual ele incitava os seus seguidores a tomar sub-repticiamente o estado. Quando foi acusado, ele disse que a fita era falsificada. Ele foi ilibado em 2006, mas um tribunal de apelo reabriu o caso.
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Um activo importante da rede “Gulenista” na Turquia, que inclui uma universidade, um jornal e um grande número de pequenas e grandes firmas comerciais, é uma cadeia de dormitórios para estudantes. Há na Turquia o costume de os jovens aceitarem a oferta de alojamento em troca de um regime de jejum e oração.

Muitos dos polícias turcos serão simpatizantes do movimento “Gulenista” segundo responsáveis de governos anteriores – um ex-ministro do interior deu uma vez uma estimativa de 70% - e o exército (núcleo duro do secularismo na Turquia) tem manifestado elevadas suspeitas quanto à lealdade do movimento relativamente ao estado turco secular. O movimento diz-se “apolítico” mas tem ligações com quase todos partidos do espectro turco, excepto o principal partido secular da oposição. O movimento “Gulenista” tem muito em comum com o partido Justiça e Desenvolvimento (AK), agora no governo, e eles cooperam, mas os seus interesses não são exactamente os mesmos. Os rumores que correm nos meios urbanos e na imprensa escrita turca dizem que Recep Tayyip Erdogan (na foto em cima), o moderadamente islamista primeiro ministro, está a adiar a substituição do chefe da polícia de Istambul pela simples razão que o movimento Gulen pretende que o chefe seja substituido e o primeiro ministro não quer parecer refém do movimento.
Fonte: The Economist, em edição inglesa.

quinta-feira, 13 de março de 2008

RAHHO APARECE MORTO NO NORTE DO IRAQUE

O corpo do arcebispo caldeu iraquiano, Paulos Faraj Rahho, desaparecido desde 29 de Fevereiro foi encontrado no norte do Iraque, a cerca de 400 quilómetros de Bagdad, perto do local onde se deu o rapto.
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O sequestro foi levado a cabo por um grupo de homens armados na altura em que o clérigo saía de uma igreja. O motorista e os dois guarda-costas, que o acompanhavam foram, também, assassinados.
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Nos últimos dias, os apelos para a libertação do clérigo multiplicaram-se um pouco por todo o mundo.
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"Tínhamos esperança que o arcebispo saísse em liberdade, mas isso não aconteceu. O nosso pensamento está hoje com a comunidade cristã no Iraque. Uma pequena comunidade que tem passado por grandes dificuldades e sido alvo de violência", afirma um representante do Vaticano.
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A descoberta do corpo dá-se no mesmo dia, em que foram a enterrar os guarda-costas e motorista de Rahho.
EuroNews
Comentário: Os que conhecem bem o Islão sabem que o arcebispo nunca poderia sobreviver ao rapto, porque o objectivo era exactamente fazer o que fizeram: assassinarem-no. Ele incorrera em três crimes que a djihad (a Guerra Santa islâmica) não pode perdoar: era cristão, era arcebispo e usava o odiado símbolo cristão ao peito (ver foto). No Islão o assassinato de infiéis compensa e está mais do que justificado pois, de acordo com o Qurão e o Hadith, concorre para a grandeza do Islão e para a vitória final sobre a "cruz". Aqueles que perpetraram este acto serão considerados "heróicos combatentes" do Islão, serão aclamados e olhados com admiração pelos fieis de Alah, terão a salvação eterna imediata, serão recebidos por Alah no paraíso e terão uma recompensa invejável reservada apenas aos crentes que tenham cometido actos exemplares para glória do Islão: terão à sua disposição 72 virgens sempre presentes e prontas a satisfazer todas as vontades dos heróicos combatentes.
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Portanto, pensar que os raptores cometeriam o erro de o libertar é pura ingenuidade. Nunca tal poderia acontecer. Além de todas as culpas de que poderia ser acusado à luz da Sharia, ainda teria outras culpas que o poderiam transformar num odiado cruzado. Não tinha, tantas eram as culpas, a mínima possibilidade de sair vivo do rapto.
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Sim, a capacidade de odiar do Islão é tão grande quão grande é Alah. Principalmente quando se trata de cristãos.