sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Hoje...Jantar de militares...

Cem graduados reúnem-se hoje em Lisboa
Oficiais discutem tensão ao jantar
Cerca de uma centena de oficiais das Forças Armadas analisam hoje, num jantar à porta fechada, em Lisboa, a actual situação dos militares.
A iniciativa surge num momento em que o general Loureiro dos Santos alertou para o desespero de alguns militares, que os poderá levar a cometer actos que ponham em causa a Democracia. Por isso, avisou: "Quanto mais depressa o Governo resolver as situações de injustiça mais depressa será possível atenuar a tensão e o descontentamento na instituição militar."
O ex-chefe do Estado-Maior do Exército disse ao CM que os militares mais jovens, "sensíveis às injustiças, podem cometer actos ocasionais, de irreflexão, que não são próprios de uma democracia europeia".
A situação dos militares será hoje tema de debate num jantar organizado pela Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) a pedido de oficiais no activo, que decorre às 19h30 no restaurante Espaço Tejo.
O general Loureiro dos Santos, o ex-presidente do Supremo Tribunal Militar almirante Castanho Paes e o general Silvestre dos Santos estarão presentes na iniciativa, que reúne oficiais no activo, na reserva e na reforma, apurou o nosso jornal.
A degradação do sistema retributivo, as alterações à assistência médica e o não pagamento dos complementos de pensão aos militares são situações insustentáveis para Loureiro dos Santos. Ao CM o general disse ainda que "sabe que o Governo está a trabalhar no sentido de dar um sinal positivo a estas questões".
O presidente do Observatório de Segurança e Criminalidade, general Garcia Leandro, considerou ontem "importantes" os alertas lançados pelo general Loureiro dos Santos. "Não há desenvolvimento, progresso e bem-estar social se não houver estabilidade. A estabilidade vem da segurança, que é dada pelas Forças Armadas, pelas forças de segurança e pela organização do País", advertiu Garcia Leandro em declarações à TSF.
Também o antigo chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Vieira Matias, disse estar de acordo com as preocupações de Loureiro dos Santos: "Tudo isso recomenda precaução e estou esperançado de que haja cautela e bom senso na forma de tratar a carreiras dos militares, não usando de maneira nenhuma as limitações constitucionais para ultrapassar as legítimas expectativas dos militares".
in CM

Educação...Acabar com chumbos???...

O Conselho Nacional da Educação vem propor que acabem os chumbos até ao 9º ano – é uma medida e tanto, que o sr. secretário de Estado Valter Lemos festeja com as mãos ambas, uma vez que parece ser ele o encarregado de velar pelas estatísticas.
Acho que o sr. secretário Lemos está a ser modesto em matéria de "mecanismos de alternativa a chumbos".
Defendo que, na hora do baptismo, perdão, no registo civil, se atribua logo o 9º ano a cada pequeno cidadão. Assim, evita-se logo os chumbos.
Parece, além do mais, que o chumbo é visto como uma tentativa de responsabilizar os alunos e os pais, o que – no entender do sr. secretário Lemos e do sempre espantoso Albino Almeida, da confederação dos paizinhos – não pode acontecer.
Sim, de facto, onde é que isto se viu? Na Finlândia?
Francisco José Viegas
in CM

Combustiveis em Portugal e Espanha...

O presidente da Associação Nacional dos Revendedores de Combustíveis, Augusto Cymbron, critica o ritmo da descida dos preços pelas petrolíferas mas alerta para a diferença fiscal entre os dois países: no ISP, seis cêntimos no gasóleo e 20 cêntimos na gasolina; no IVA, quatro pontos percentuais. "O Governo tem de harmonizar os impostos com Espanha", afirma.
Em Espanha, há bombas de combustível que já vendem gasolina e gasóleo abaixo de um euro e as que ainda não o fazem estão a aproximar-se desse patamar.
in JN

Carlos Drummond de Andrade...Foi um Escritor e Poeta Modernista Brasileiro...

Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 31 de outubro de 1902Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987) foi um poeta, contista e cronista brasileiro
Biografia
De uma família de fazendeiros em decadência, estudou na cidade de Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo RJ, de onde foi expulso por "insubordinação mental".
De novo em Belo Horizonte, começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas, que aglutinava os adeptos locais do incipiente movimento modernista mineiro.
Ante a insistência familiar para que obtivesse um diploma, formou-se em farmácia na cidade de Ouro Preto em 1925.
Fundou com outros escritores A Revista, que, apesar da vida breve, foi importante veículo de afirmação do modernismo em Minas. Ingressou no serviço público e, em 1934, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi chefe de gabinete de Gustavo Capanema, ministro da Educação, até 1945. Passou depois a trabalhar no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e se aposentou em 1962.
Desde 1954 colaborou como cronista no Correio da Manhã e, a partir do início de 1969, no Jornal do Brasil.
O modernismo não chega a ser dominante nem mesmo nos primeiros livros de Drummond, Alguma poesia (1930) e Brejo das almas (1934), em que o poema-piada e a descontração sintática pareceriam revelar o contrário.
A dominante é a individualidade do autor, poeta da ordem e da consolidação, ainda que sempre, e fecundamente, contraditórias. Torturado pelo passado, assombrado com o futuro, ele se detém num presente dilacerado por este e por aquele, testemunha lúcida de si mesmo e do transcurso dos homens, de um ponto de vista melancólico e cético.
Mas, enquanto ironiza os costumes e a sociedade, asperamente satírico em seu amargor e desencanto, entrega-se com empenho e requinte construtivo à comunicação estética desse modo de ser e estar.Vem daí o rigor, que beira a obsessão. O poeta trabalha sobretudo com o tempo, em sua cintilação cotidiana e subjetiva, no que destila do corrosivo.
Em Sentimento do mundo (1940), em José (1942) e sobretudo em A rosa do povo (1945), Drummond lançou-se ao encontro da história contemporânea e da experiência coletiva, participando, solidarizando-se social e politicamente, descobrindo na luta a explicitação de sua mais íntima apreensão para com a vida como um todo. A surpreendente sucessão de obras-primas, nesses livros, indica a plena maturidade do poeta, mantida sempre.
Várias obras do poeta foram traduzidas para o espanhol, inglês, francês, italiano, alemão, sueco, tcheco e outras línguas.
Drummond foi seguramente, por muitas décadas, o poeta mais influente da literatura brasileira em seu tempo, tendo também publicado diversos livros em prosa.
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Poemas
Poema da purificação
Depois de tantos combates
o anjo bom matou o anjo mau
e jogou seu corpo no rio.
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As água ficaram tintas
de um sangue que não descorava
e os peixes todos morreram.
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Mas uma luz que ninguém soube
dizer de onde tinha vindo
apareceu para clarear o mundo,
e outro anjo pensou a ferida
do anjo batalhador.
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O mundo é grande
O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

AS MUDANÇAS ESTRUTURAIS NA ECONOMIA MUNDIAL

Vários especialistas independentes (exteriores ao sistema financeiro institucionalizado) afirmaram que a actual crise se deve à “actividade financeira criativa”, eufemismo que se refere à mais moderna actividade financeira que os seus criadores julgavam sustentável. Mas não era sustentável porque era apenas virtual. Só existia dentro dos computadores.
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É a esta invenção moderna, perto dos jogos de computador que diverte os jovens de hoje, que João Caraça, professor universitário e director do Serviço de Ciência da Fundação Gulbenkian, se refere neste extracto do artigo publicado no diário Público.
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Mas a actual crise financeira tem o seu reverso: abre uma janela de oportunidade que é necessário aproveitar.
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A maior parte das pessoas parece esquecida de que a crise financeira e económica de 1930 teve um papel fundamental na preparação de uma nova infra-estrutura técnico-económica baseada na produção industrial em massa e no consumo de petróleo barato. E de que passámos por uma situação semelhante a essa há pouco mais de duas décadas (a crise dos anos de 1980, que se seguiu às chamadas “crises do petróleo” de 1973 e 1979) em que se criaram as bases da actual sociedade da informação.
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A crise de agora é do mesmo tipo e anuncia já uma nova alteração estrutural da economia global. Por outras palavras, a crise é, mais uma vez, de passagem, preparação e selecção dos vencedores da próxima grande mudança estrutural da economia mundial que virá dentro de 10 a 20 anos. Esta crise financeira resultou em grande medida do desprezo pelos manuais de economia, que afirmam claramente que as finanças são a actividade económica que medeia entre a poupança e o investimento. E que não se podem dissociar as finanças da economia “real”, que é a actividade complementar daquela: a transformação de investimento em poupança. Se desvalorizarmos este facto podemos até julgar que as finanças são autónomas e que estas orientam toda a actividade económica. Daí a considerar que a força de trabalho deve servir totalmente os interesses hegemónicos das finanças vai apenas um pequeno passo, que gera por sua vez o desprezo pelo trabalho humano.
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E, como alguns “grandes especialistas” que agora se lamentam (mas não devolvem as mais que chorudas reformas e benesses que auferiram) pode-se, à sombra do poder geopolítico das esquadras navais e aéreas norte-americanas, seduzir meio mundo e confiar-lhes as suas poupanças para desenvolver negócios “sofisticados” de alto rendimento. Só que muitas dessas aplicações financeiras eram uma versão de “Wall Street” do negócio da D. Branca. Eram puras abstracções. Não eram sustentáveis. Mas como foi possível que ninguém desconfiasse?
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Por este motivo a palavra “confiança” voltou com tanta força à ribalta. As instituições americanas de gestão do risco financeiro foram abaladas. Aguentarão? Ou haverá noutras regiões do mundo instituições e redes que saibam tirar partido desta crise e se perfilem para convencer o mundo de que conduzirão melhor os riscos e as oportunidades que surgirão na próxima grande transformação estrutural? Infelizmente não é o futuro que o dirá. É a visão estratégica e a capacidade de o anteciparmos, hoje. De que estamos à espera? Não há tempo a perder.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

As escolas ao serviço das marcas

Pode não se perceber nada na superfície, mas nas profundezas o inferno está em chamas.Y.B. Mangunwijaya, escritor indonésio,
Já em 1934, o publicitário James Rorty afirmava que «um sistema democrático de educação (...) é um dos meios mais seguros de criar e ampliar enormemente os mercados para bens de todos os tipos e especialmente aqueles bens em que a moda tem importância».Durante muito tempo, a escola foi um lugar onde a publicidade e as marcas não entravam de forma significativa. Rapazes e raparigas reuniam-se ali, estudavam, aprendiam, conversavam, formavam opinião, divertiam-se, mais influenciados pela cultura da sua escola e do seu meio social do que por qualquer outra cultura fabricada em gabinetes ou laboratórios de marketing e de opinião.Com a escola para todos, este reservatório de «almas brancas» tornou-se tremendamente apetecível, não só para os gestores de marketing das grandes marcas e da publicidade em geral, mas também para outras instituições, como as igrejas e ONGs, interessadas em angariar fieis de tenra idade.«Você concordará que o mercado jovem é um manancial inexplorado de novas receitas. Você também concordará que o mercado jovem passa a maior parte do seu dia na escola. Agora a questão é, como alcançar e controlar esse mercado?», afirmava e perguntava um folheto da «IV Conferencia Anual de Marketing do Poder Juvenil».Como alcançar e controlar esse mercado? A resposta foi sendo dada com plena eficácia, nos países mais desenvolvidos, a partir do inicio dos anos noventa.Com a queda do Muro de Berlim e o fim da disputa-concorrência entre o mundo capitalista e o de influência da ex-União Soviética, um pouco por todos os países ocidentais, decaíram as preocupações do Estado com a educação e acentuou-se a pobreza de recursos educacionais nas escolas. Neste quadro de capitalismo socialmente desleixado, as escolas foram então confrontadas com duas situações antagónicas. Por um lado, acentuava-se a diminuição de verbas para a educação, mas por outro, as escolas, solicitadas para o ensino de massas e para novas tarefas e respostas, eram pressionadas pelas opiniões públicas, domesticadas pelo marketing das empresas, a apetrecharem-se com tudo o que foi surgindo de mais moderno na área das tecnologias da informação. Ao mesmo tempo que as escolas estavam perante cortes orçamentais, os custos com a educação cresceram desmesuradamente obrigando muitas escolas, públicas e privadas, a procurar fontes alternativas de financiamento. Estava criado o clima que abria as escolas às empresas. Esta pressão e este clima, escancarou as portas das escolas, em países mais desenvolvidos, à publicidade e, em particular, às grandes marcas.Parcerias e acordos de patrocínio, com as grandes empresas, têm aparecido, a muitas escolas públicas, como a única alternativa para o seu equipamento em novas tecnologias. Se o preço a pagar para conseguir estes bens — da moda e promovendo a fé no sucesso educativo garantido — for submeter as escolas à publicidade, pensam alguns que nada mais podem fazer senão resignar-se.Dizem os gestores privados que «não há almoços grátis». Nenhum dá nada às escolas sem obter lucro, e lucro gordo, com as «doações». As grandes empresas, donas de grandes marcas, ao entrarem nas escolas, não levam apenas a sua marca para vender. Querem ir mais longe. Os gerentes das marcas querem que estas ocupem junto dos jovens o lugar principal. Não querem ser um apêndice, mas tema central da educação. Não se conformam em ser matéria optativa, querem ser tema obrigatório de estudo. Querem que os alunos aprendam, naturalmente, mas, se têm de ler, porque não ler sobre a sua empresa, ou escrever sobre a sua marca ou apresentar um projecto para a sua campanha publicitária? Levar os estudantes a identificarem-se e a adquirir uma consciência de marca, eis um dos objectivos fundamentais desta entrada das grandes empresas nas escolas.Ensinar os estudantes a construir uma consciência de marca foi o que o «Channel One», propriedade da «K-111 Comunications» e a sua parceira canadiana, a «Youth News Network», têm conseguido de forma exemplar.No começo da década, essas erradamente autodenominadas emissoras educativas, apresentaram uma proposta a directores de escolas da América do Norte. Eles propunham que abrissem as salas de aula a dois minutos de publicidade televisiva por dia, metidos no meio de vinte minutos de programação de assuntos do interesse dos adolescentes. Muitas escolas concordaram. As emissoras entraram no ar. Desligar a publicidade não era possível. A programação era obrigatória para os alunos. Os professores não tinham meios de ajustar o volume da emissora, especialmente durante os anúncios. Em troca, as escolas não recebiam receitas directamente das estações, mas podiam usar o equipamento nalgumas aulas e, nalguns casos, eram brindadas com alguns computadores.O «Channel One», entretanto, cobra alto o acesso à publicidade em sala de aula. Com um público obrigatório, seleccionado e sem possibilidade de mudanças de canal ou controle de volume, pode vangloriar-se do que nenhuma outra TV pode: «erosão de audiência zero». A estação já está instalada em 12.000 escolas, alcançando um público estimado em 8 milhões de estudantes.A entrada da publicidade nas escolas faz parte dos processos, variados e multifacetados, de privatização das escolas públicas. Conhecer tais processos é hoje uma questão essencial para entender os rumos das politicas educativas dominantes.
http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=4370

Partiu mais um Capitão de Abril

Lisboa, 29 Out (Lusa) - Bicho Beatriz, um dos "capitães de Abril", morreu hoje em Lisboa, aos 67 anos, vítima de doença prolongada, revelou à Agência Lusa o amigo e presidente da Associação 25 de Abril, coronel Vasco Lourenço.
João Manuel Bicho Beatriz foi um dos co-organizadores da primeira reunião do movimento dos "capitães de Abril", a 09 de Setembro de 1973, em Alcáçovas.
Em plena Revolução dos Cravos, a 25 de Abril de 1974, o agora major comandou a força militar que ocupou o Quartel-General da Região Militar de Lisboa, em S. Sebastião da Pedreira, e que assegurou o controlo da zona do Alto do Parque Eduardo VII.
Segundo Vasco Lourenço, foram também os militares chefiados por Bicho Beatriz que deram protecção aos elementos do Movimento das Forças Armadas que ocuparam as instalações do Rádio Clube Português, de onde eram lidos os comunicados à população.
Mais recentemente, Bicho Beatriz desempenhou funções na área da segurança privada.
Vasco Lourenço recordou Bicho Beatriz como "um grande amigo" que se entregou "de alma e coração ao 25 de Abril", que pôs termo a mais de 40 anos de regime de ditadura.
O corpo do "capitão de Abril" está hoje em câmara ardente na Igreja Santa Joana Princesa, em Lisboa, e na quinta-feira será cremado no Cemitério dos Olivais.
ER.
Lusa/Fim

A trapaça orçamental...

Depois do falhanço tecnológico de Teixeira dos Santos na "pen orçamental", começou o debate sobre o instrumento central das políticas do PS para o ano das três eleições. Em plena crise, vem agora o Governo anunciar um "orçamento de combate à crise, realista e rigoroso, elaborado a pensar nas famílias e nas empresas".
Para ser rigoroso, o OE/09 teria que falar verdade mas não o faz (e como poderia fazê-lo se é feito por um Governo que até há semanas andou a dizer que o País e a economia estavam preparados para enfrentar a crise?). Anunciar neste contexto um crescimento três vezes superior à média europeia é um bom acto de propaganda mas não pode ser considerado realista nem rigoroso.
Também não basta dizer que o OE/09 combate a crise, é preciso prová-lo.
Ao contrário do que estão a fazer os nossos parceiros europeus, o Governo recusa-se a utilizar a margem orçamental que tem - alargando o défice até perto dos 3% sem entrar em défice excessivo que tanto o preocupa - para mostrar que quer levar à prática políticas anticíclicas e de combate à crise. Terminar a legislatura com um investimento público inferior ao de 2005, 2006 e 2007 é a melhor forma de mostrar que não há qualquer empenho no combate à crise.
E poderá ser este um orçamento para as empresas se a descida do IRC só produz efeitos em 2010, se acaba com o regime simplificado para quem tem volume de negócios inferior a 150 000 euros, (dando voz a interesses corporativos e tendo o descaramento de dizer que é para combater o planeamento fiscal quando, como é óbvio, este só tem interesse fiscal para grupos económicos), mas nada alterando no pagamento especial por conta nas pequenas empresas?
E como é que pode este orçamento defender as famílias se não cumpre promessas de recuperar o poder de compra perdido este ano e se anuncia fundos de investimento para arrendamento que são antes paraísos fiscais ou forma de limpar balanços e escoar milhares de prédios por vender de grupos imobiliários?
Honório Novo
in JN

José Sócrates no Brasil...

O José na sua ida ao Brasil, não quis deixar de visitar a Escolinha de samba "Os Amigos do Acordo Ortográfico"...Com pompa e circunstância foi coroado Rei Momo do Ano...

Paul Valéry...Foi um Pensador e Poeta Francês da escola simbolista...

Paul Valéry
Ambroise-Paul-Toussaint-Jules Valéry (30 de outubro de 1871, em Sète20 de julho de 1945, em Paris) foi um filósofo, escritor e poeta francês, da escola simbolista.
Biografia
Paul Valery estudou direito em Montpellier, onde publicou suas primeiras poesias: "Sonho"(1889) "Elevação da lua" (1889), "A marcha imperial" e "Narciso fala".
Sua amizade com Pierre Louis lhe abriu as portas literárias de Paris, onde conheceu André Gide e Mallarmé (1891), com quem teria uma grande amizade.
Seu amor não correspondido por Madame Rovira precipitou uma crise que o levou em 1892 a renunciar à poesia e a consagrar-se ao culto exclusivo da razão e inteligência.
Em 1894 se instalou em Paris e no ano seguinte publicou ensaios filosóficos: "Introdução ao método de Leonardo da Vinci" e "Monsieur Teste", este último foi uma série de dez fragmentos onde expõe o poder da mente voltada à observação e dedução dos fenômenos.
Trabalhou como funcionário do Ministério da Guerra (1895) foi secretário particular de Édouard Lebey (1900-1920), um dos editores da agência Havas.
Obteve grande notoriedade com a publicação do poema "A Jovem Parca" (1917) e dos volumes de versos "Álbum de Versos antigos (1920) e "Charmes" (1922) que inclui seu poema "O Cemitério Marinho" considerado o protótipo da "poesia pura" de Valery.
Em 1925 ingressou na Academia Francesa.
Paul Valéry foi um misto de pensador e de poeta. Inseriu-se na linhagem de escritores transgressivos que tinham como expoentes Edgar Allan Poe e Stéphane Mallarmé.
Sua obra poética é considerada como uma das mais importantes da poesia francesa do século 20. Sua obra ensaística é a de um homem tolerante que depreciava as idéias irracionais e acreditava na superioridade moral e prática do trabalho.
Recusava a metafísica e os sistemas filosóficos. Recusava aos historiadores, qualquer poder de ensinamento e de previsão, já que suas lições eram ultrapassadas pelos acontecimentos.Rigoroso, Valéry se empenhou na busca de um método destinado a fazer da criação poética uma obra de precisão. O lirismo para ele não ia além do "desenvolvimento de uma exclamação".
Suas obras seguintes foram diálogos em prosa: "Eupalinos ou o Arquiteto" (1923) e "A Alma e a Dança" (1923).
Posteriormente publicou uma recopilação de ensaios e conferências ("Variedades", 5 volumes, 1924-44) e uma série de obras como "Rumbas" (1926), "Analetos" (1927), "Literatura" (1929), "Consideração sobre o Mundo Atual" (1931) "Maus Pensamentos e Outros" (1941) e "Tal Qual" (1941-43). Foi também professor de poética e escreveu balés para teatro como "Semiramis" (1934)
O livro "Degas Dança Desenho", publicado em 1936, aproxima literatura e artes plásticas e traça um perfil valioso de Edgar Degas (1834-1917).
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Poema
O vinho perdido
Eu tenho, algum dia, no oceano,
(Mas eu não sei mais se debaixo de que céus),
Lançado, como não me oferecendo ao nada,
Todo um pequeno precioso vinho...
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Quem quis esta perda, oh licor?
Eu obedeço, talvez ao vidente?
Talvez para a preocupação de meu coração,
Pensando em sangue, vertendo-me vinho?
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Em transparência habitual
Depois da fumaça rosa
Recupera-me como o mais puro mar...
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Perdido o vinho, misturado entre as ondas!...
Eu cuidei de saltar meu ar amargo
Das faces mais profundas...
(tradução livre de Eric Ponty)

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Militares...Comunicado da AOFA...

COMUNICADO
(2008OUT22)


CONVERSÃO DOS CORPOS ESPECIAIS
EM
CARREIRAS ESPECIAIS
O SUPLEMENTO DE CONDIÇÃO MILITAR


1. No desenvolvimento do regime jurídico estabelecido pela Lei nº 12-A/2008, de 27 de Fevereiro, que contempla a revisão das actuais carreiras de regime especial e corpos especiais, vem o Ministério da Defesa Nacional (MDN) dando corpo a iniciativas legislativas que visam harmonizar com aquele diploma os normativos relacionados com os militares das Forças Armadas.

2. Lamentavelmente, como tem acontecido sistematicamente, o MDN persiste no incumprimento da Lei Orgânica nº 3/2001, de 29 de Agosto, não integrando nos respectivos Grupos de Trabalho e Comissões de Análise representantes das Associações Profissionais de Militares (APM).

3. Deste modo, ao ser privado das fundamentadas posições das APM, com particular realce para as da AOFA, o MDN corre o risco de, mesmo a curto prazo, ser confrontado com a necessidade de proceder a alterações dos diplomas que vierem a ser publicados, por inadequação, como veio acontecendo durante os últimos anos.

4. Para além disso, em matéria que é estruturante da profissão de milhares de militares, o secretismo e a falta de transparência que têm rodeado os trabalhos são propícios ao aparecimento dos boatos mais desencontrados, que causam irrecusáveis danos na tranquilidade dos que dela carecem para o cabal cumprimento da missão.

5. Com efeito, como se não bastasse o desconhecimento que têm do que vão ser a completa organização das Forças Armadas, os quadros especiais e os cargos, os militares são confrontados com as notícias de que os efectivos para a Função Pública serão fixados anualmente pelo Orçamento de Estado (OE).

6. Ora, se num cenário destes, a proposta de lei para o OE/MDN/2009 surge com uma clara insuficiência de verbas na área de pessoal, por muito que se pense poder tratar-se de suborçamentação análoga às que se vêm verificando todos os anos e retiram rigor àquele documento, também há quem faça comparações com o estabelecido para a Função Pública e encontre nesse tipo de análise óbvios motivos de preocupação.

7. Por outro lado, sobre o suplemento de condição militar correm notícias que, para além de surpreendentes, são alarmantes.

8. No actual enquadramento legal, que respeita, como não podia deixar de ser, os princípios da Lei nº 11/89, de 1 de Junho, “Bases gerais do estatuto da condição militar”, o suplemento de condição militar (SCM) é abonado aos militares na situação de activo e de reserva, e, porque reveste as características de remuneração nos termos do Estatuto da Aposentação, incidindo sobre ele o respectivo desconto, o seu montante é considerado para o cálculo da pensão de reforma.

9. E que consta, então, sobre as intenções do MDN (e do Governo) em relação ao SCM?

10. Muito simplesmente que a legislação que está pendente de aprovação permitirá que o SCM possa vir a ser apenas abonado aos militares que se encontram na efectividade de serviço e, mesmo para esses, torna-se necessário que se encontrem em funções designadas como estrictamente militares – que não se sabe muito bem o que serão - e enquanto nesse desempenho.

11. Acontece que a condição militar se encontra perfeitamente definida na Lei nº 11/89, atrás referida, constituindo parte integrante do Estatuto profissional de todos os militares.

12. E que uma qualquer decisão que retire o SCM aos militares nas situações de reserva e de reforma vai ao arrepio do compromisso assumido, em Outubro de 2007, por Suas Exas. os Ministros de Estado e das Finaças e da Defesa Nacional, perante Suas Exas. os Chefes de Estado-Maior, constituindo uma enorme desconsideração para com estes.

13. Por isso, à AOFA custa a acreditar que umas quaisquer intenções do género das expostas tenham sequer existido, mas o secretismo, a falta de transparência e a asfixia financeira em que os militares vivem fazem temer o pior.

14. A confirmar-se, uma decisão desse tipo, provocaria a indignação de todos os militares e mereceria, por inaceitável, a firme oposição da AOFA.
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O PRESIDENTE
Carlos Manuel Alpedrinha Pires
Coronel de Artilharia

Por email

O medo...

O Estado aceitou, depois de muita polémica e cheio de má-vontade, publicitar a lista das empresas suas credoras.
No entanto, num gesto de aparente respeito pelos direitos, liberdades e garantias das ditas, tal publicidade depende de autorização prévia dos credores. Os resultados estão à vista.
A célebre lista contém três entidades. Uma empresa privada, um organismo do Estado, por manhosice da administração ou erro lamentável dos seus responsáveis, e uma Misericórdia. Nada mais.
Para todos os efeitos de propaganda, as coisas são como são e, se não aparecem mais empresas, é porque assim o entenderam. Livremente.
Recorde-se, a propósito, de que a dívida do Estado às empresas oscila entre os 2,5 mil milhões e os três mil milhões.
Acontece que um dirigente de uma associação de empresas de construção civil, um dos sectores com mais razões de queixa do Estado mal pagador e caloteiro, veio a público dizer que a lista não só é inútil como pode ser altamente prejudicial. E o homem, com uma infinita ingenuidade ou malícia rebuscada, explicou que as empresas poderiam ser altamente lesadas em futuros negócios com o Estado se aceitassem pôr o seu nome no rol dos credores. Assim, com toda a simplicidade e sinceridade, este senhor veio mostrar a quem ainda tivesse dúvidas que o medo existe, anda por aí, e que a liberdade está cada vez mais parecida com um lenço de papel neste sítio manhoso, pobre, hipócrita e cada vez mais mal frequentado.
Num momento de crise violenta, com o Mundo em bolandas e os responsáveis políticos às voltas como baratas tontas à procura de uma saída airosa e dos culpados pela situação calamitosa a que isto chegou, é natural que o senhor presidente do Conselho, do alto da sua arrogância, afirme que todas as famílias e empresas necessitam da ajuda do Estado.
Talvez seja por isso que o Governo passa praticamente incólume com a trapalhada da pen do Orçamento do Estado, que o ministro das Finanças sai poupado de duas patéticas conferências de Imprensa e que ninguém se indigna com o escândalo da tentativa mafiosa de alteração da lei de financiamento dos partidos políticos com o corte de uns artigos na proposta de Orçamento para 2009.
Talvez seja por isso também que Sócrates pode anunciar o aumento do salário mínimo como se fosse a primeira vez.
É o verdadeiro regresso ao passado, ao ‘quero, posso e mando’, em que pequenos tiranetes sem nível chegam ao poder pelo medo, legitimados pelo voto.
António Ribeiro Ferreira
in CM

O Buraco...

Sócrates, tentando sem conseguir, sair do buraco em que nos meteu...

Ana Cristina Cesar...Foi uma Poetisa Brasileira...

Ana Cristina Cesar
Ana Cristina Cruz Cesar (Rio de Janeiro, 2 de junho de 1952 — Rio de Janeiro, 29 de outubro de 1983), ou ainda simplesmente Ana C., nasceu em família culta de classe média e protestante, numa década de 1950 quase bucólica do Rio de Janeiro. Criou-se entre Niterói, Copacabana e os jardins do velho Bennet.
É uma das principais poetas da geração mimeógrafo ou da chamada literatura udigrudi ou marginal dos anos 1970.
Biografia
Começou a escrever ainda criança - antes mesmo de ser alfabetizada, aos 4 anos, ditava poemas para que a mãe os escrevesse. A escrita sempre lhe dominou a vida.
Em 1969, viaja à Inglaterra em intercâmbio e passa um período em Londres, onde trava contacto com a literatura em língua inglesa.
Quando volta da Inglaterra, Emily Dickinson(Estados Unidos), Sylvia Plath(Estados Unidos) e Katherine Mansfield(Nova Zelândia) na mala, dedica-se a escrever, traduzir e entra para a Faculdade de Letras da PUC do Rio, aos 19 anos.
Começa a publicar poemas e textos de prosa poética na década de 1970 em coletâneas, revistas e jornais alternativos.
Seus primeiros livros, Cenas de Abril e Correspondência Completa, são lançados em edições independentes.
As atividades não param: pesquisa literária, um mestrado em comunicação na UFRJ, outra temporada na Inglaterra para um mestrado em tradução literária (na Universidade de Essex), em 1980, e a volta ao Rio, onde publicou Luvas de Pelica, escrito na Inglaterra.
Em suas obras, mantém uma fina linha entre o ficcional e o autobiográfico.
Suicidou-se, atirando-se do apartamento
dos pais.
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Poema
Aventura na Casa Atarracada
Movido contraditoriamente
por desejo e ironia
não disse mas soltou,
numa noite fria,
aparentemente desalmado;
- Te pego lá na esquina,
na palpitação da jugular,
com soro de verdade e meia,
bem na veia, e cimento armado
para o primeiro a andar.
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Ao que ela teria contestado, não,
desconversado, na beira do andaime
ainda a descoberto: - Eu também,
preciso de alguém que só me ame.
Pura preguiça, não se movia nem um passo.
Bem se sabe que ali ela não presta.
E ficaram assim, por mais de hora,
a tomar chá, quase na borda,
olhos nos olhos, e quase testa a testa.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

O ÚLTIMO SOBREVIVENTE

Edward Briggs fotografado em 1940 e numa foto recente em 2005.
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Edward Albert (“Ted”) Briggs, o último sobrevivente do afundamento do cruzador Hood, faleceu em 4 de Outubro com 85 anos.
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Morrer numa cama de hospital não era o fim que Ted Briggs esperava. Ele pensou que tinha chegado ao fim quando, aos 16 anos de idade, numa patrulha de rotina no meio do Atlântico Norte a bordo do cruzador Hood, em 1939, ele olhou para cima e viu um objecto negro “grande como um autocarro de Londres” a sair das nuvens baixas que cobriam o oceano e cair no tombadilho do navio com grande estrondo e milhares de estilhaços. Ou, alguns meses mais tarde, quando uma série de bombas largadas de um avião italiano o derrubou da escada do convés da bandeira, fazendo um corte no nariz que sangrou em torrente. Ou quando, avançando de vagar e com muito esforço ao longo da verga superior da torre principal para reparar uma adriça (cabo para amarrar as bandeiras, uma vez que ele era operador de sinais) ele viu uma enorme coluna de vapor sobreaquecido sair das válvulas de segurança localizadas muito em baixo na casa das máquinas, e ele não foi cozido vivo porque conseguiu escapar a tempo.
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A vida de um jovem marujo da marinha de guerra num cruzador carregado de artilharia pesada não era nenhuma brincadeira. Desde a entrada no turno de serviço diário às 05.25 horas até à hora de recolher às 20.45 horas – quando finalmente baloiçava na cama de rede coberto com um pesado cobertor de lã, a sua boca ainda com o sabor do cacau granulado – era constituída por constante limpezas de convés de cor cinzenta com esfregona e vassoura, entremeadas com instruções e berbequim. Isto em tempo de paz. Mas Briggs conheceu apenas dois meses de tranquilidade até lhe ser ordenado que hasteasse a bandeira “E” e “entrada em vigor 46”: “Começar hostilidades com Alemanha”.
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Ele não tinha entrado na Marinha para lutar. Ele tinha entrado porque, num dia de Verão de 1935, ele vira da praia de Redcar no Norte do Yorkshire um longo, esbelto, enorme navio de guerra ancorado longe da costa. Soube depois que era o cruzador Hood que estava de visita a Hartlepool. Briggs, um jovem impulsivo, tinha dificuldade em referir a sua “beleza” e a sua “graça”, mas era o que ele sentia. Ele apaixonara-se por aquele navio. Ele tentou ser admitido na Marinha no dia seguinte. Um marinheiro que o atendeu disse-lhe, uma vez que ele tinha apenas 12 anos, que viesse mais tarde quando tivesse a idade conveniente. O dia em que ele entrou ao serviço no Hood, com 16 anos na base de Portsmouth, foi quando sentiu pela primeira vez aquela estranha mistura de náusea e de selvagem excitação que o assaltava sempre que ocupava a sua posição de combate e os grandes canhões abriam fogo.

O cruzador Hood em 1939
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Nos seus artigos escritos, cartas para a família e amigos, ou conversas sobre o Hood, Briggs lembra a sua grande felicidade a bordo. As duras patrulhas perto do Ártico para interceptar navios alemães traziam-lhe mares tempestuosos, roupa encharcada e salpicos gelados, mas “o poderoso Hood” era o objecto das suas maiores atenções. Orgulhava-se dele e das muitas tarefas que desempenhava para ele: era mensageiro dos oficiais das patentes mais altas, era operador de sinais, hasteava as bandeiras de acordo com o necessário e fixava-as às adriças das vergas mais altas.
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O Hood era um velho navio, enferrujado e lento, construído em 1916 para actuar na I Grande Guerra e nunca remodelado ou reblindado. Dado o seu tamanho e peso de cerca de 41.000 toneladas, era-lhe indiferente navegar nas águas revoltas do Atlântico Norte ou nas águas calmas do Mediterrâneo. Foi o navio Almirante do ataque que destruiu a esquadra Francesa de Vichy em Mers-el-Kebir em 1940 (uma acção que Briggs considerou “revoltante” embora, como lhe fora ordenado, ele, vacilante, amarrasse a bandeira branca e vermelha que significava “Abrir fogo”). Mas o casco do navio rangia com ondulação forte e a água lambia constantemente o convés de popa por ter pouca altura em relação à linha de água. “Briggo” como era conhecido pela tripulação, aprendeu depressa a subtileza de despejar os penicos sem ser levado pelas ondas. Mas, jovem como era, ele preocupava-se com o navio. Bem acima da sua cabeça, oficiais com “ovos mexidos“ (calão da altura para medalhas ou condecorações) no peito não se preocupavam com a espessura da blindagem do convés superior.
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Em 23 de Maio de 1941 o Hood hasteou a sua insígnia de batalha. A fama do navio, orgulho da marinha de guerra britânica, tinha ensombrado o mais aparelhado Bismark, uma “versão aperfeiçoada destas máquinas de guerra” como pensava Briggs, pelo menos durante os últimos 30 dias de patrulha no Mar do Norte. Agora os dois émulos aproximavam-se entre si, para decidir qual dos dois reinaria sobre o Atlântico Norte. Quando o Bismark disparou a sua quinta salva com os canhões de 380 mm, Briggs estava na plataforma “do navegador”, quase à altura da ponte de comando. O impacto dos obuses sobre o convés de proa provocou uma cortina vermelha de chamas que se elevou muito acima de Briggs à frente dos seus olhos incrédulos. Em poucos minutos o navio adornava para bombordo a 40º de inclinação e tornou-se evidente que o Hood “não recuperaria”.

O couraçado alemão Bismark em 1941.
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Em poucos segundos o convés cobriu-se de água. Com uma capa impermeável e um blusão de agasalho por cima do colete salva-vidas, Briggs lutou para se libertar de objectos inúteis. Arrancou a máscara de gás e o seu capacete de batalha. Quando a água o submergiu, ele rapidamente se apercebeu que tinha de manter-se quente ou morreria de hipotermia. Mas, imediatamente, ele foi impulsionado para a superfície como “uma rolha de champanhe”. O ar que se libertava do navio por baixo dele envolveu-o e arrastou-o para cima. Quando conseguiu abrir os olhos, viu a proa do Hood em posição vertical acima da água. Esta imagem ficou na sua memória e era recorrente nos seus sonhos.
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Cerca de 1.415 homens morreram quando o Hood os arrastou para o fundo do Atlântico. Este ficou gravado na História como o mais terrível desastre das forças armadas britânicas durante a Segunda Grande Guerra. Apenas três homens sobreviveram. Briggs permaneceu durante três horas agarrado a uma balsa salva-vidas a cantar “Roll out the Barrel” (Rola a Barrica) para se manter acordado, até ser salvo pelo cruzador ligeiro Electra. De regresso a terra, ele viu-se transformado num herói, coberto de chocolates e cigarros e com fartura de longos banhos quentes abrilhantados com o sabão Lifebuoy. Quando finalmente chegou a casa da sua mãe em Derby ele explodiu em lágrimas, mostrando o que realmente era: apenas “um jovem balbuciante, tremente, assustado, que regressava da guerra”.
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Ele serviu noutros navios de guerra até ao fim das hostilidades. Aposentou-se em 1973 com a patente de tenente, mas o Hood nunca se descolou da sua pele. Decorreu uma investigação depois da guerra para esclarecer as causas do afundamento do navio. Concluiu-se que um obus do Bismark tinha perfurado a blindagem do convés de proa e explodiu no paiol das munições. Briggs tinha, porém, as suas dúvidas. Ele responsabilizava as instáveis rampas de lançamento múltiplo de foguetes, um capricho de Churchill que a tripulação detestava. Também responsabilizava o almirante Holland, o comandante-em-chefe da marinha por ter levado o “nosso querido navio” à primeira linha de ataque ao Bismark.
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Em 2001, quase com 80 anos de idade, visitou o local do afundamento do Hood para lançar ao mar uma placa em memória dos seus camaradas mortos. O navio jaz a três mil metros de profundidade, desfeito e partido em dois. Mas o seu leme está parado na posição em que afundou em obediência ao último sinal hasteado por Briggs com duas bandeiras azuis de tipo 2: leme a 20 graus para bombordo para enfrentar os canhões do Bismark.
The Economist

Zélia Duncan...Cantora e Compositora Brasileira...

Zélia Duncan
Zélia Cristina Duncan, mais conhecida como Zélia Duncan, (Niterói, 28 de outubro de 1964) é uma cantora e compositora brasileira.
Formada em
Teatro pela Faculdade Dulcina de Moraes de Brasília, onde começou a carreira, com Oswaldo Montenegro na Oficina dos Menestréis, como Zélia Cristina.
Em
2007, além da carreira solo, substitui Rita Lee nos vocais femininos de Os Mutantes, saindo do grupo no mesmo ano. Em 2008 dedica-se ao lançamento e apresentações em turnês pelo país do espetáculo Amigo É Casa, ao lado de um dos ídolos da juventude, Simone.
Também se dedica ao selo Duncan Discos, estuda
choro e cursa a faculdade de Letras na Universidade Cândido Mendes.
Discografia
"Outra Luz" (
1990)
"Zélia Duncan" (
1994)
"Intimidade" (
1996)
"Acesso" (
1998)
"Sortimento" (
2001)
"Sortimento Vivo" (
2002)
"Eu me Transformo em Outras" (
2004)
"Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band" (
2005)
"Amigo é casa" com a cantora Simone (2008).
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Zélia Duncan : " Alma "

Instituição Militar : Sinais preocupantes...

Trinta e três anos depois do 25 de Novembro de 1975, assistimos novamente a sinais preocupantes com origem nos militares. Sinais que revelam profunda indignação dos cidadãos em uniforme de uma democracia para cuja fundação foram absolutamente determinantes.
Já há muito tempo que alguns chefes das associações profissionais dos militares e outros militares na reserva ou na reforma vêm chamando a atenção da opinião pública para a enorme insatisfação que grassa nas fileiras, insatisfação que abrange todos quantos têm o compromisso de estar prontos a sacrificar a vida para defenderem a sua Pátria, desde os mais baixos aos mais elevados graus da hierarquia.
Os motivos de descontentamento relacionam-se com o modo como têm sido descurados os direitos que o Estado lhes outorga formalmente como compensação das obrigações que lhes exige, mas lhes recusa de facto, direitos resultantes das especificidades próprias das missões que justificam a existência de um sistema militar ao serviço de Portugal e que constam da Lei sobre a condição militar.
As razões de indignação envolvem:
1) seu enquadramento incorrecto na grelha remuneratória dos vários servidores públicos (onde são descriminados muito negativamente, em comparação com as profissões da administração pública consideradas equivalentes);
2) deficiências no apoio de saúde que lhes é devido, bem como aos seus familiares, de cujo bem-estar depende em elevado grau o ânimo para o cumprimento da missão ou seja o seu moral;
3) modo como são tratados pelos responsáveis políticos os camaradas que já se encontram na situação de reserva e reforma (nos quais se revêem quando atingirem a mesma situação);
4) falta da assistência a que têm direito os militares que ficaram deficientes ao serviço do país (particularmente durante a guerra), o que também lhes pode vir a acontecer;
5) desconsideração com que estão a ser tratados os veteranos combatentes cujas condições económicas, sociais e/ou de saúde se degradaram;
6) insuficiência dos orçamentos militares correntes, que impedem o funcionamento normal das unidades, serviços e órgãos, com o risco da existência de falhas com impacte, mesmo que indirecto, na operacionalidade desejada;
7) baixa prioridade conferida ao investimento na obtenção e substituição de equipamento e armamento de primeira necessidade, para garantir a participação das unidades nacionais destacadas que operam ao lado de contingentes aliados em idênticas condições, e de longas inexplicáveis na sua materialização quando autorizadas.
Até agora, tem-se ouvido a voz dos mais experientes (e mais prudentes), que já se encontram fora do serviço activo, alertando para as consequências que estas situações poderão produzir. Assim como dos líderes associativos, pressionados pelos sócios que os elegeram seus representantes.
Sabe-se que os chefes militares, como lhes compete, têm alertado para estes problemas com a atitude de respeito que os caracteriza, mas também com a veemência que traduz forte preocupação.
Só que têm emergido ultimamente indicações da existência de sentimentos de agravo de muitos jovens em uniforme – praças, sargentos e oficiais – há muito conhecidas da hierarquia de topo, que, não há menos tempo, delas se têm feito eco junto dos políticos com capacidade de os resolver. Sentimentos que podem acentuar-se, se vierem a entender como insuficientes e injustas as mudanças que estão a ser estudadas nos suplementos remuneratórios, quando concretizadas.
Este facto constitui uma circunstância nova que introduz uma alteração qualitativa na situação de insatisfação dos militares que até agora tem sido referida, caracterizada por os mais jovens, normalmente mais idealistas, não cuidarem muito das condições que lhes permitam o acesso justo a bens materiais e a tratamento condigno.
Costuma afirmar-se, e bem, que a nossa democracia, reforçada pela presença de Portugal na União Europeia, se tornou numa garantia de que os golpes militares não regressam. O que terá contribuído para o confortável sossego dos responsáveis políticos perante as vozes de alerta que se têm ouvido acerca do que preocupa os militares. E terá mesmo justificado a sua apatia, não agindo em conformidade com o dever de tratar os militares com o respeito e a dignidade que merecem, em consonância com as funções que o país lhes atribui nas situações mais difíceis e perigosas. E tendo em atenção as condições de limitação de direitos e de exigência reforçada de obrigações que caracterizam a sua qualidade de servidores da Pátria em situações limite, o que os impede de declarar publicamente o desagrado que sentem.
Presumo que a postura generalizada dos militares é uma sólida disposição, melhor, determinação de não perturbar a normalidade democrática, já que é insuspeita a sua devoção ao regime, para cuja implantação tiveram contribuição decisiva.
Mas a angústia provocada por situações de dificuldade, associada ao sentimento de que são objecto de injustiça relativamente à forma como são tratados profissionais da administração pública a que são equiparados, cuja persistência lhes parece absolutamente incompreensível, poderá conduzir a actos de desespero, capazes de gerar consequências de gravidade, que julgaríamos completamente impossíveis de voltar a acontecer.
Até agora têm falado e agido os mais velhos, logo os mais conhecedores, os mais compreensivos, os mais cautelosos. Mas atenção aos jovens.
Os mais jovens são os mais generosos de todos nós, mas são também os mais sensíveis a injustiças, os mais corajosos e destemidos, os mais puros nas suas intenções, os mais temerários (muitas vezes imprudentes).
Os altos responsáveis nacionais deverão ter em muita atenção o crescente número de militares jovens que assumem a consciência de quem são os responsáveis pelas injustiças a que estão a ser sujeitos e pela situação precária em que se encontra a sua vida privada e social (como a das respectivas famílias), assim como pelos perigos que poderão decorrer para o cabal cumprimento das missões que são chamados a cumprir.
Para prevenir situações de perturbação social, que podem ser muito inconvenientes, nomeadamente na forma como somos vistos pelos nossos parceiros da União Europeia e da NATO, bem como pelos membros da CPLP, torna-se da maior importância que os nossos líderes, a começar pelo Presidente da República e o Primeiro-Ministro, leiam com atenção os sinais que saem da Instituição Militar e ajam, sem demora, em conformidade.
Convém não nos julgarmos blindados contra situações desagradáveis que possam vir a surgir, nem que insistamos em pensar que “acontecimentos (funestos) do passado não voltam a acontecer”.
Atento ao evoluir da situação e comprometido com a democracia, como os militares da minha geração, sinto o dever de fazer este alerta aos primeiros responsáveis do regime, cuja instauração tanto custou.
Leiam os sinais preocupantes que estão a vir à superfície relativamente ao que sente a Instituição Militar, dêem atenção aos chefes militares e corrijam as injustiças.
Loureiro dos Santos
General
por email

O pecado da gula financeira...

Uma Boa Noticia : Coração artificial parece humano...

É uma máquina, feita à base de tecido animal e peças de titânio. Tem tecnologia de orientação de mísseis ao serviço da humanidade. O inventor diz que é o coração artificial mais parecido com o humano, desenvolvido, em segredo, nos últimos 15 anos.
Três décadas após o primeiro transplante de um coração, de um humano sem vida para outro a renascer, a humanidade ganha um novo ânimo, e uma nova arma, na luta contra as doenças cardíacas, ainda a maior causa de morte no Mundo.
Dados frescos da Organização Mundial de Saúde, os ataques cardíacos e os acidentes vasculares cerebrais são a causa de 32 % de todas as mortes no sexo feminino e representam 27 % entre os homens. No total, morrem cerca de 17 milhões de pessoas por ano, vítimas do coração.
Com cerca de um quilo de peso, o coração artificial do professor Alain Carpentier é revestido de tecido animal especialmente tratado para evitar rejeições. Inserido na cavidade torácica do paciente, deixa de fora apenas a bateria, com duração de cinco horas.
"O objectivo é permitir aos pacientes uma vida social normal. De alguns passos para uma cadeira de rodas para uma corrida, obviamente não uma maratona", disse Alain Carpentier, um dos rostos da máquina.
O novo coração humano, que usa a tecnologia de orientação de mísseis para identificar e reagir a alterações da pressão sanguínea, foi desenvolvido em segredo, nos últimos 15 anos, em conjunto com engenheiros do Instituto Aeroespacial franco-alemão EADS.
Pronto a ser produzido a nível industrial
Laboratórios na América, no Japão e na Coreia do Sul também estão a trabalhar na criação de corações artificiais. Os franceses dizem que produziram o melhor. "Se mostrar um electrocardiograma a um cardiologista ele vai dizer que é de um coração humano", garantiu Alain Carpentier.
"O novo coração está pronto e precisa de ser produzido a nível industrial", disse Carpentier, que chefia do gabinete de pesquisas de próteses cardíacas no Instituto Pompidou, em Paris. O desenvolvimento do protótipo custou 55 milhões de euros; estima-se que a máquina, se aprovada, venha a custar cerca de 140 mil euros.
O coração artificial já foi testado em vacas. Assim que houver aprovação das autoridades de saúde francesas, vai ser colocado em 20 voluntários. "Não podia continuar a ver jovens e pessoas activas de 40 anos a morrer de ataque cardíaco", disse Alain Carpentier. O cientista acredita que, em 2010, o coração mecânico possa estar a bombear sangue humano; a salvar vidas.
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Le coeur artificiel du professeur Alain Carpentier

Alterações democráticas - Verdades inconvenientes

A Internet começa a desafiar a televisão e é uma esperança de recriar o debate democrático. A posse de meios de comunicação — imprensa, rádio, cinema, televisão — por parte dos que defendem o interesse público é outro dos grandes desafios da contemporaneidade. A comunicação social como negocio e grupo de pressão (think tank) é hoje a maior ameaça à democracia e ao desenvolvimento de uma vida melhor e mais civilizada para a humanidade.Na dança da democracia bailam dois: os líderes e as pessoas. E se as pessoas não sentirem a urgência de provocar certos movimentos, os líderes seguem o seu caminho. É por isso que é mais importante trabalhar para mudar a consciência política das pessoas — o seu modo de dançar — do que a dos líderes. Quando a critica se dirige apenas aos líderes, sem que se apresentem com clareza outros caminhos viáveis, a exigir pelas pessoas, não vamos a lado nenhum, ou melhor, vamos para onde os líderes nos conduzem. Não há dança, o par, com maior ou menor resistência, é conduzido pelo interesse da liderança. Quando as pessoas conhecem os problemas, e têm para eles soluções, passam a exigir aos líderes outro bailar.
Trabalhar para partilharmos juntos o entendimento do mundo — e o modo de dançar —, com base na nossa diversidade, e avançar por novos caminhos, são condições para termos êxito no nosso propósito de contribuirmos para que o mundo e a humanidade sejam melhores. Aceder à partilha do entendimento do mundo com base na diversidade pressupõe despirmo-nos permanentemente dos dogmas, hábitos e crenças que vestimos e teimamos em trajar. Talvez que civilizar-se, cultivar-se, desbarbarizar-se, seja em grande parte despir-se permanentemente de dogmas e de crenças.
Vivemos uma crise grave. Mas as crises, se são sinais de alarme, são também alertas para novas possibilidades de mudar a vida. Mais do que entregarmo-nos ao alarme da crise importa descobrir as oportunidades que lhe estão associadas e rasgar os caminhos que elas nos proporcionam.
A crise que vivemos tem algumas raízes no modo como a nova comunicação social é agora controlada e usada. As televisões triunfaram nas últimas três décadas. Este triunfo colocou ao alcance das pessoas um enorme volume de informação. Paradoxalmente, este volume de informação não está a contribuir para tornar a humanidade mais bem informada e esclarecida, pelo contrario, a falta de informação sobre a realidade, o culto do efémero e a alienação, afectam hoje a maior parte das pessoas. A opinião pública, sob a pressão da comunicação social, adopta a trajectória ondulante e errante da borboleta.
No Mundo Ocidental, até ao final da Idade Média, a estrutura feudal e o domínio da aristocracia feudal foram garantidas pelo monopólio da informação na posse da Igreja Católica (aparelho ideológico totalitário). O aparecimento da imprensa, no Renascimento, rompeu com o monopólio da informação na posse da Igreja. Algumas pessoas puderam, a partir de então, utilizar o conhecimento para mediar entre riqueza e poder, rompendo com a estrutura feudal construída à sombra do monopólio da informação até então existente. O desenvolvimento da imprensa foi imprescindível para produzir e distribuiu novos poderes conduzindo a Europa ao Iluminismo.
As bases em que tem repousado a democracia ocidental foram criadas pelo Iluminismo e baseiam-se no domínio da razão, a qual só foi, e é possível, pela diversidade e disseminação da informação. A imprensa deu a cada individuo a capacidade de se juntar aos outros no debate público. O poder deixou de pertencer apenas aos que tinham riqueza e passou a ter de ser partilhado por aqueles que, mesmo não tendo riqueza tinham informação e capacidade de a usar. Gutenberg chegou há 500 anos. A televisão chegou há 50 anos. Com Gutenberg e a imprensa o mundo ocidental abriu e multiplicou canais de comunicação abrindo caminho à razão, à democracia, à participação, ao debate público, à noção de coisa pública e de serviço público. Esta revolução e os caminhos que abriu estão a ser fechados pela revolução trazida há 50 anos pela televisão. Esta apresenta-se cada vez mais como força única (novo aparelho ideológico totalitário), propriedade exclusiva de uns poucos e ao serviço da nova classe dominante que domina, já não só nações, mas o mundo.
Na Idade Média a Igreja, e com ela uma diminuta aristocracia, dominavam globalmente o mundo (re)conhecido. Hoje o mundo está a ser progressivamente dominado por alguns think tanks (grupos de pressão) cada vez mais bem articulados entre si e ao serviço de uma nova e cada vez mais restrita classe dominante.
Vivemos uma espécie de regresso aos mosteiros medievais, visto que a fonte e a selecção das mensagens regressou às mãos de alguns eleitos (membros dos grupos de interesse e de pressão), a nova congregação dos media. Os jornalistas de agora são os monges de outrora.
Nestes dias, os indivíduos já não podem participar no debate público por cima ou por fora dos meios de comunicação. Por isso, os debates sobre a democracia, os direitos de participação, a condução política, as mudanças sociais e do Estado, passam, inevitavelmente, pelo debate sobre o controle dos meios de comunicação social. É na comunicação social que agora se trava o essencial da luta política.
No século XX vimos aparecer a rádio com um poder de influência semelhante ao que hoje tem a televisão. Alguns países souberam produzir leis que regularam a utilização do meio radiofónico e o democratizaram submetendo-o ao interesse público e ao exercício da cidadania. Noutros países a desregulação foi total e pagaram por isso. Na Alemanha Nazi, Goebbels, utilizou como ninguém a rádio para vender o Nazismo e fazer de Hitler a divindade nacional. De certo modo foi através da rádio que o Nazismo e o Fascismo se espalharam e entranharam na consciência de milhões de cidadãos da Europa. A desregulação das televisões, a sua submissão a think tanks e aos negócios e não aos interesses da cidadania, são hoje uma ameaça totalitária e permanente ao interesse público.
A crise da democracia para ser resolvida precisa de ferramentas. Essas ferramentas passam muito pelas novas tecnologias da informação. São estas que poderão permitir dar voz às pessoas e re(criar) uma sociedade onde as pessoas possam ser informadas e possam participar no debate público. A Internet, se não for entretanto apanhada pela congregação dos média pode ser uma concorrente real das televisões. É por isso imprescindível acompanhar o desenvolvimento da Internet, garantindo que ela se desenvolva como um meio democrático capaz de ser usado democraticamente pelo conjunto da população. A solução da crise não dispensa a regulação dos meios de comunicação mais poderosos colocando-os sob controle público e ao serviço do interesse público. Pelo seu lado, as organizações sociais não se podem dispensar de pensar hoje na criação e utilização solidária dos seus media.
A política pública, e a democracia, estão hoje reduzidas ao espectáculo brejeiro e a spots televisivos. Nós sabemos que nada de sério se coaduna com o espectáculo brejeiro e efémero ou se trata num spot televisivo. Hoje, a tela entretêm-nos com o espectáculo da política e faz-nos bailar a todos ao gosto das lideranças mundiais. A política pura e dura, com consequências reais, faz-se, entretanto, por baixo do pano.
http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=4862

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

No país dos al capones...

Tudo começou com Cavaco Silva e as vaquinhas de Mancelos. "Fiquei surpreendido por ver como elas avançavam uma a uma e se encostavam ao robot, sentindo-se deliciadas enquanto este realizava a ordenha".
Pensei: pronto, ok, quem é que não tem o seu momento de fraqueza?
Mas depois, zás: em burlescos workshops oficiais, grupos de professores entoam loas ao computador Magalhães.
Pensei: pronto, ok, se Cavaco Silva pode "passar-se" com as vaquinhas, uns quantos professores também podem "passar-se" com um PC portátil. E com Maria de Lurdes Rodrigues...
Dias mais tarde, José Sócrates leva as teses do último congresso do PCP para a Assembleia da República e, em vez de responder às perguntas da bancada comunista, recita compulsivamente partes do documento.
Pensei: pronto, ok, Cavaco com as vaquinhas, uns professores com o Magalhães, por que não o primeiro-ministro com Jerónimo de Sousa?
Havia, felizmente, um Portugal-Albânia no horizonte. Um Portugal-Albânia, como se sabe, é um número variável de golos para Portugal e zero para a Albânia. Ou costumava ser. Mas não foi. Comecei por pensar: pronto, ok, se Cavaco... Mas pensei melhor: ok, o tanas! Depois, percebi que quem estava a "passar-se" era eu (com Queiroz) e dominei-me.
Quando Manuela Ferreira Leite reapareceu em carne e osso numa conferência de Imprensa para se pronunciar sobre o orçamento do próximo ano (é verdade, ela fala, senhores!), agradeci-lhe mentalmente por me trazer, em final de quinzena, qualquer coisa palpável, lógica, ligada à terra. Nada de vaquinhas deliciadas, nada de serenatas a computadores, nada de exercícios de retórica política estéreis e vexatórios, nada de rapazes jactantes num estádio de futebol.
O que a realidade tem de bom é que, às vezes, nos traz coisas inesperadas.
Coisas como sermos ainda - a par do robot que ordenha vacas e do Magalhães que inspira rimas - um país "à moda de Al Capone".
Quer dizer: um país que quase não pune os seus agentes da autoridade corruptos.
Só foi pena que Cândida Almeida, directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, não tivesse dado uma ideia da extensão do fenómeno.
Mas alguém terá de o fazer, não é?
Fernando Marques
in JN

Paganini...Compositor Italiano e um virtuoso do violino...

Paganini
Niccolò Paganini (Gênova, 27 de outubro de 1782Nice, 27 de maio de 1840) foi um compositor italiano que revolucionou a arte de tocar violino.
Em 1833 recusou Haroldo na Itália, peça para viola e orquestra encomendada por Hector Berlioz, alegando que seu solo era fácil demais.
Quando criança era constantemente obrigado pelo próprio pai a estudar violino muitas horas por dia, sob ameaça de castigos severos.
Em seus primeiros concertos públicos foi considerado uma criança prodígio. Após de libertar-se da custodia do pai-déspota, começou a carreira como virtuoso do violino, em toda a Itália.
Ficou famoso também pelo seu estilo da vida rebelde, freqüentemente gastando todo seu o dinheiro em jogos e diversões noturnas. Durante os anos 1800-1805 desapareceu completamente da vida pública. Diz a lenda que passou estes anos na prisão.
Embora, no início de sua vida profissional desse os seus concertos apenas na Itália, sua fama como violinista-virtuoso logo espalhou-se por toda Europa.Só em 1828 saiu da Itália para uma viagem de concertos no estrangeiro.
Tocou na Áustria, Alemanha e França entre outros países, sempre com grande sucesso.
Os últimos anos da sua vida foram passados em
Nice. Apesar de muito rico, ficou doente de tuberculose e não podia falar.
É desnecessário dizer que a maioria das obras de Paganini foram escritas para violino. Conquanto diversas obras para violino e orquestra possam fazer parte das suas peças, o violinista somente compôs cinco verdadeiros concertos para violino.
A maioria deles foi composta quando já adentrado em anos, embora o Primeiro Concerto pode provavelmente ser datado de 1817. Em todas as apreçiações, cartas e outras fontes contemporâneas aparece o testemunho de como as platéias e os críticos reagiram à execução deste "violinista diabólico".
E mesmo agora - ainda que Paganini tenha morrido há mais de um século e meio - ele ainda aparece como um exemplo clássico da execução "virtuose" do violino
Paganini : " Caprice #24 "

Cavaco e Manela...

O Cavaleiro da Triste Figura e a afilhada Ferreira leite, prontos para lutar contra ventos e marés...