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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Os melhores do mundo...



Os meus parabéns ao futebolista Cristiano Ronaldo.

Naquilo que sabe fazer, foi reconhecido e premiado o “Melhor do Mundo”, muito justamente. Se tivesse votado, também lhe daria o prémio que (e volto a repetir) ganhou com toda a justiça e mérito.

Entretanto, a nossa comunicação social, não se cansa de enaltecer repetidamente o feito; como se tivéssemos ganho outra batalha de Aljubarrota ou, mais simplesmente: o melhor jogador de futebol do mundo (2008) é português, logo ‘nós somos os melhores do mundo’!

Pegando no lamiré, aguardo ansiosamente ver outros compatriotas nossos serem reconhecidos mundialmente nas seguintes actividades:

- O melhor ministro da Justiça do mundo;

- O melhor ministro da Educação do mundo (até, neste caso a Dr. Lurdes, que seria ‘a primeira entre pares’);

-O melhor ministro das Finanças do mundo;

- O melhor, ministro da Saúde do Mundo (que, actualmente, também podia ser a Senhora que carrega a pasta, e cujo nome ainda não fixei).

Para tanto, julgo que bastava termos um melhor júri eleitoral, a nível nacional. Isto é: um eleitorado consciente que votasse em quem fosse capaz de desempenhar cabal e honestamente as suas funções públicas ou de Estado. Acontece que, há mais de 3 décadas, os portugueses decidiram votar e eleger as criaturas (sempre dos mesmos partidos) que nos conduziram ao descalabro em que vivemos. Com mais visibilidade no governo e respectivo primeiro-ministro, seguindo-se autarcas tipo…”estou condenado mas não me demito e até volto a ganhar eleições”, passando pelos presidentes da República que se sentem muito melhor na postura da rainha de Inglaterra, no que desempenho das competências que o regime constitucional lhes atribui.

Se assim fosse, também podíamos aspirar a ver eleito, por exemplo:

- O melhor banqueiro do mudo;

- O melhor empresário do mundo;

- etc…

Entretanto, os portugueses gostam do que têm. Ah! E, principalmente de se queixarem da situação em que vivem e…afinal, escolhem livremente desde que o 25 de Abril lhes devolveu a Democracia. É por isso que já não suporto as queixas de quem elege quem os explora. Sabem o que me apetece? Mandá-los ver Braga por um canudo e zarpar para sítios menos poluídos.

Reconheço que, ainda não o fiz, por ser cada vez mais difícil encontrá-los.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Sociedade perturbada

Há dias, Joaquim Aguiar disse, na SIC, que José Sócrates não está preparado para a governação do País. Afirmação contundente, vinda de um conselheiro de Presidentes e de primeiros-ministros. O dr. Cavaco também o não estava, e dirigiu a nação durante uma longa e penosa década. Sabe-se que teve nas mãos rios de dinheiro, que trocou prioridades e atribuiu ao betão uma importância superlativa. A maioria absoluta de que dispôs colocou o português comum em estado de crispação. E a soberba dos seus áulicos recriou o espírito de obediência servil, marca d'água do salazarismo. Estamos, actualmente, na mesma situação. Quem não está de acordo, fora da carroça.

Cavaco, como Sócrates, entendia, difusamente, os princípios fundamentais da democracia, que se não limitam a questões de estatística. A democracia exige uma cultura democrática, e a identidade dessa cultura baseia-se na conciliação do respeito mútuo com a dimensão colectiva. Ambos, homens tensos, hirtos, de temperamento autoritário, desprezam a manifestação, a rua, o ardor do protesto que associam duas injunções aparentemente contraditórias: a igualdade de tratamento e diferenciação. [É curioso que o dr. Cavaco tenha designado o 10 de Junho por Dia da Raça, terminologia oficial do salazarismo. Raça? Que raça?].

Até hoje, não tivemos dirigentes à altura das expectativas dos portugueses. As crises, acumuladas umas nas outras, atingiram um estádio insuportável. A agitação social dos últimos meses não culmina com a questão dos combustíveis e a revolta dos camionistas. E estabelece uma relação de continuidade, cujas origens estão no desfasamento de quem dirige com a realidade circundante, e na recusa obstinada em selar um novo pacto social, que não coloque no limbo o mundo do trabalho. Pescadores parados, milhares de camiões estacionados, duzentas mil pessoas em desfile protestatário, a Igreja a dar inequívocos sinais de incomodidade, através de declarações veementes de D. Manuel Clemente e de D. Manuel Martins, pronunciamentos políticos de diversos sectores - eis a representação de uma sociedade perturbada.

Sócrates não conseguiu dar resposta aos problemas mais rudimentares. Um homem novo, incapaz de proceder à evicção do que é antigo, cediço, bafiento, praticante da cartilha de Milton Friedman, experimentada no Chile de Pinochet e um pouco por todo o mundo - com sangrentos rastos de miséria, morte e desespero. Não tenhamos receio das analogias. A História é uma comparação permanente. E aqueles que a não conhecem estão condenados a repeti-la.

Baptista-Bastos in DN