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domingo, 24 de maio de 2009

Compromisso e voto...

Estamos a poucas dias das eleições para o Parlamento Europeu. Mais uma vez, esperam-se níveis elevados de abstenção e surgem campanhas de incentivo à participação no acto eleitoral, e apelos aos eleitores para cumprirem o seu "dever cívico". O habitual.
Ao mesmo tempo, também como é costume, não se dá aos cidadãos condições para um voto esclarecido e empenhado. Pelo contrário, pedem-nos que votemos às cegas neste ou naquele partido, num ou noutro candidato.
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Ora, o jogo democrático não se resume a votar num cabeça-de-lista porque é mais simpático, possui melhores dotes de oratória, tem maior vocação para mártir ou um ar de verdadeiro senador. Como não se esgota na apresentação de um "cartão amarelo" ao Governo em exercício. Ser cidadão europeu é muito mais do que ir votar, e seja o que Deus quiser.
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Uma democracia digna transcende o acto ritual da escolha dos representantes e exige destes a garantia de uma posição clara, quanto à natureza e ao rumo da União Europeia (UE). Portanto, um programa concreto, objectivos precisos e comprometimentos rigorosos por parte dos candidatos.
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No momento em que o Mundo vive uma crise produzida por um capitalismo sem ética, está na altura de trocar a União monetária Europeia, por uma União social Europeia. De pôr os interesses da maioria à frente dos privilégios da minoria dominante. É esse compromisso que se exige aos candidatos. E isso implica propostas claras e não meras declarações de bons propósitos.
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Não queremos uma UE que mantenha, como mantém, a possibilidade de alargar o tempo de trabalho semanal até às 78 horas, recuando aos mais negros idos da revolução industrial, e fazendo disparar o desemprego.Queremos uma UE que desça, excepcionalmente, o tempo de trabalho para as 30 ou 35 horas semanais, para assegurar mais emprego. E não nos venham dizer que assim não se gera riqueza porque o problema não é a riqueza mas a sua distribuição.
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Queremos uma União que estabeleça um salário mínimo europeu, como medida para acabar com a concorrência entre trabalhadores e desincentivar as habilidosas deslocalizações de empresas. Queremos uma UE contra a precariedade, e não uma União que a sustente.Não queremos uma UE apostada em impor restrições ao acesso dos cidadãos à Internet, pondo em causa um dos direitos fundamentais na Europa, abrangido pela Convenção dos Direitos, Liberdades e Garantias.
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É sobre questões como estas que partidos e candidatos devem comprometer-se, ao invés de perderem tempo com campanhas de escárnio e mal dizer que parecem substantivar o entendimento que os políticos têm do debate democrático.
A não ser assim, para quê votar?
Mário Contumélias
in JN

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O eixo das Bermudas...

Agora é o próprio prof. Vital que quer discutir "ideias" para a UE e brincar às eleições
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O país político suspendeu a respiração por causa das "listas" para as eleições "europeias", sobretudo a angustiada "lista" do PSD. O país real nem por isso.
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O Eurobarómetro apurou que apenas 24% dos portugueses tencionam votar em Junho, e francamente espantam-me menos os três quartos de eleitores que ficam em casa do que o quarto que se arrasta até às urnas.
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Esses prodígios cívicos vão eleger, exactamente, o quê? Se quisermos ser tecnicamente precisos, 3,05% dos 785 deputados do Parlamento Europeu, ou seja uma parcela irrelevante de uma instituição cuja relevância é igualmente discutível. Na prática, claro que as decisões lá tomadas acerca do aquecimento de esplanadas, da protecção dos isqueiros, do volume das hortaliças e da qualidade do ar afectam as vidas de todos, ou as vidas de quem frequenta esplanadas, usa isqueiros, come e respira.
Mas duvido que o português médio detecte a origem das decisões e tenho a certeza de que não detecta a influência dos nossos deputados na respectiva aprovação.
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Para o eleitor comum, o eixo Bruxelas-Estrasburgo é um triângulo das Bermudas amputado de um vértice, um sítio para onde se enviam figuras relativamente públicas e, no mínimo durante cinco anos, não se volta a saber delas. Se for muito atento, o eleitor notará que, de longe a longe, um jornal comenta positivamente o trabalho do deputado X na comissão Y, ou informa que Z se tem destacado no debate de W. E depois? O provável é que o eleitor conclua que X e Z afinal não morreram. E, apesar de lhes invejar o salário, não conclui mais nada.
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O eleitor comum, resumida e justificadamente, ignora a Europa. Aliás, embora por outras e antipáticas palavras, o dr. Vital Moreira disse o mesmo quando, há ano e meio, declarou os cidadãos incapazes de perceber a "complexidade" do Tratado de Lisboa e avisou: "Não será tempo de deixar de brincar aos referendos?" Agora é o próprio prof. Vital que quer discutir "ideias" para a UE e brincar às eleições.
Felizmente, parece que poucos estão dispostos a acompanhá-lo.
Alberto Gonçalves
in DN

sábado, 18 de abril de 2009

O apoio “patriótico” de Sócrates a Durão...

Neste vídeo, pode ver como os amigos são para as ocasiões.
José Sócrates apoia Durão Barroso - o "porteiro" da cimeira dos Açores que lançou a Guerra no Iraque - para Presidente da Comissão Europeia, e justifica a decisão como "patriótica".
Porreiro pá!

quinta-feira, 13 de março de 2008

PRIMEIRA CIMEIRA PRESIDIDA PELA ESLOVÉNIA CHEIA DE DIVISÕES ENTRE OS 27

Três temas principais vão estar em discussão na Cimeira Europeia que se realiza hoje e amanhã em Bruxelas, a primeira sob presidência eslovena, e também a primeira liderada por um país do leste da Europa. A luta contra o aquecimento global do planeta é uma das prioridades. Os 27 estados-membros têm de chegar a acordo até ao final do ano para a redução de 20% das emissões de gases com efeito de estufa até 2020, no âmbito do protocolo de Quioto.
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Será também discutida a liberalização do mercado de energia e a situação económica, que deverá merecer uma mensagem de confiança por parte do Conselho europeu e de preocupação por parte de cada estado-membro devido à escalada da inflação.
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Entretanto, foi também anunciado em Bruxelas que a Croácia deverá ser o próximo país a aderir à União Europeia, provavelmente em 2010. Isso mesmo foi confirmado por Durão Barroso, presidente da Comissão. Os encontros que decorrem com o chefe de governo Ivo Sanader permitiram chegar a um compromisso segundo o qual até ao final do ano a Croácia terá de efectuar os passos necessários para completar as negociações de adesão.

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Entre os requisitos necessários está a reforma do sistema judicial e a reestruturação da frota pesqueira. O anúncio surgiu depois que foi ultrapassado um impasse: o parlamento croata deu ontem voto favorável à entrada de pescadores europeus numa zona protegida do Mar Adriático.
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A Eslovénia ameaçou já bloquear as conversações de adesão caso a permissão de entrar em zona protegida venha a afectar também as frotas eslovena e italiana.
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A ratificação do tratado de Lisboa pelos 27 estados-membros será efectuada já no próximo ano. Calcula-se que a entrada da Croácia na UE seja possível pouco depois, no máximo dentro de dois ou três anos.

Comentário meu: É conveniente que a Europa tome a liderança das questões ambientais, uma vez que os EUA se fazem rogados. A situação é realmente crítica e a estabilidade climática é cada vez mais uma fantasia que nada tem de real. Hoje mesmo foi noticiado que se prevê que em 2050 a temperatura média da Terra seja 2 a 3 ºC superior à temperatura média antes da revolução industrial. Nessa altura preve-se que algumas áreas costeiras tenham sido submersas, que cidades nelas localizadas tenham sido inundadas pelo mar, que vastas populações tenham sido deslocadas e que já se viva com dificuldades alimentares sistemáticas por déficite de produção. Este efeito adverso está em aceleração devido à sobrecarga poluidora produzida pelas potências económicas emergentes como a India e a China. O panorama não é animador, embora estas previsões tenham sido publicadas há mais de 20 anos por especialistas e investigadores dedicados às questões climáticas. A relutância dos poderes políticos dos países desenvolvidos em aceitar os alertas dos cientistas atrasou a adopção de medidas correctoras que deveriam ter sido tomadas de imediato.

Quanto à liberalização do mercado da energia de que se fala acima, há uma pergunta que diz respeito a todos os que habitam este canto da Europa: Por que razão os portugueses pagam a energia 30% mais cara que os consumidores espanhóis? Será por pouca liberalização do mercado? Será porque o grande produtor e vendedor português, a EDP, quer continuar a saborear as delícias do monopólio de que tem beneficiado? Será porque somos um país mais rico do que todos os outros?