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sexta-feira, 19 de junho de 2009

Óscar Bento Ribas...foi um Escritor Angolano...

Óscar Bento Ribas (Luanda, Angola, 17 de Agosto de 1909 — 19 de Junho de 2004) foi um escritor angolano.
Biografia
É filho de pai português, Arnaldo Gonçalves Ribas, natural de Guarda (Portugal), e de mãe angolana, Maria da Conceição Bento Faria, natural de Luanda. Fez os estudos primários e secundários em Luanda, tendo passado pelo Seminário-Liceu de Luanda.
Poucos anos depois da criação do Liceu Salvador Correia de Luanda, viria em dois anos a concluir aí o 5º ano.Após uma estada em Portugal onde estudou aritmética comercial, regressa a Angola indo empregar-se na Direcção dos Serviços de Fazenda e Contabilidade.
Residiu sucessivamente nas cidades de Novo Redondo, actual Sumbe, e Benguela, Ndalantando e Bié. Foi em Benguela que aos 22 anos de idade se começaram a manifestar os primeiros sinais da doença que, 14 anos depois, o levaria à cegueira definitiva aos 36 anos de idade.
Considerado fundador da ficção literária moderna angolana, após António de Assis Júnior, Óscar Ribas iniciou a sua actividade literária nos tempos de estudante do Liceu.
A sua primeira fase de publicações começa com duas novelas: Nuvens que passam em 1927 e Resgate de uma falta em 1929.Segue-se a segunda fase com Flores e espinhos (1948), Uanga (1950) e Ecos da minha terra (1952).
No dizer do ensaísta e crítico literário Mário António, "Nesta última fase se inicia a prospecção da africanidade na obra de Óscar Ribas" para a qual contribuíu decisivamente " sua Mãe, D. Maria Bento Faria, protótipo das senhoras africanas do outro tempo, mantendo vivas as fontes originais da sua própria sabedoria".
Em toda a produção literária posterior, Óscar Ribas demonstra na verdade uma propensão pouco comum entre os escritores da sua geração e mesmo em gerações posteriores.
Revela-se profundamente preocupado com os temas da literatura oral, filologia, religião tradicional e filosofia dos povos de língua kimbundu.
Destas preocupações resultam a sua bibliografia dos anos 60, nomeadamente:· Ilundo - Espíritos e Ritos Angolanos (1958,1975);· Missosso 3 volumes (1961,1962,1964); · Alimentação regional angolana (1965);· Izomba - Associativismo e recreio (1965);· Sunguilando - Contos tradicionais angolanos (1967, 1989)· Kilandukilu - Contos e instantâneos (1973);· Tudo isto aconteceu - Romance autobiográfico (1975);· Cultuando as musas - poesia (1992);Dicionário de Regionalismos angolanos.
Óscar Ribas foi por diversas vezes distinguido com prémios e títulos honoríficos: Prémio Margaret Wrong (1952), Prémio de Etnografia do Instituto de Angola (1959), Prémio Monsenhor Alves da Cunha (1964).
Quanto a títulos, com que foi agraciado: membro titular da Sociedade brasileira de Folk-lore (1954), Oficial da ordem do infante do governo português (1962), medalha Gonçalves Dias pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro (1968), Diploma de Mérito da Secretaria de Estado da Cultura ( 1989).

segunda-feira, 20 de abril de 2009

sábado, 28 de março de 2009

Retornados, O Adeus a África, de António Trabulo

No auditório do Hospital dos Capuchos, a 27 de Março de 2009

CUMPRIU-SE O MAR
E O IMPÉRIO SE DESFEZ

A História magoa. A independência das colónias forçou meio milhão de portugueses a regressar a Lisboa.
Quem vinha, trazia amargura na bagagem e teve de se adaptar a uma terra que, em muitos casos, não conhecia.
Este romance fala de retornados.
Foi escrito a pensar em homens e mulheres que ainda revisitam África nos sonhos



O Autor

António Trabulo nasceu em Almendra (Foz Côa) em 1943.
Fez a instrução primária e secundária em Sá da Bandeira (Angola) estudou Medicina em Coimbra.
É Neurocirurgião.
Publicou:
Mulemba, Contos de África - 2003
No tempo do caparandanda - 2004
O Diário de Salazar - 2004
Eu, Camilo - 2006
Os Colonos - 2007
A Última Profecia - 2007

A mesa que apresentou a obra

O Autor, sua filha Cláudia Trabulo, o Director do Hospital dos Capuchos, Dr. Gomes da Silva e o Engenheiro Segadães Tavares, que apresentou este romance


Dr. Gomes da Silva, no uso da palavra


Engenheiro Segadães Tavares apresentando este romance


Parte da assistência

Nota: editado por "Editorial Cristo Negro", Europress, Lisboa 2009
ISBN: 978-989-96136-0-7
Depósito Legal: 290329/09

domingo, 22 de março de 2009

terça-feira, 17 de março de 2009

segunda-feira, 16 de março de 2009

É preciso sacar e meter ao bolso

Festim neocolonial


As respostas à visita de José Eduardo dos Santos a Lisboa são uma fotografia de alguns dos debates ideológicos e políticos mais surpreendentes. A visita em si não teria história: Portugal tem relações diplomáticas e económicas com Angola e deve receber e conversar com os seus representantes. Mas o festim neocolonial que foi erguido com esta visita é revelador dos tiques da economia e da política portuguesa.

Em primeiro lugar, impressiona o deslumbramento. Retiro desta consideração os militantes anti-coloniais que, tendo conhecido Angola e a guerra, apoiaram generosamente os movimentos de libertação - e os conheceram e respeitaram quando eram movimentos de libertação, dirigidos por pessoas da estatura de Amílcar Cabral e outros - e ficaram por isso emocionalmente ligados a esta história de luta. Para todos os outros, a visita de José Eduardo dos Santos suscitou um coro de entusiasmo, sobretudo nos homens de negócios. Trata-se de uma gigantesca operação publicitária e ideológica.

Para Angola, todos e em força!, é a nova palavra de ordem dos empresários que esperam um lucro apetitoso ao virar da esquina. Os angolanos fazem como querem, diz Jorge Coelho, perguntado sobre a corrupção. Os negócios dizem que tem razão. E os empresários acotovelam-se nos jantares oficiais, ao lado dos que ainda acreditam que o governo angolano é um aliado da URSS e ao lado dos que já sabem que este governo é serviçal dos interesses de Washington no continente africano.

Angola é a oportunidade. A filha de Dos Santos (com que dinheiro?) compra bancos portugueses. O porta-voz presidencial de Dos Santos compra o "Sol" (com que dinheiro?). A Amorim Energia faz uma parceria com a Sonangol para tomar conta de um terço da GALP (sabemos com que dinheiro), oferecida de bandeja pelo governo Sócrates. Há muito dinheiro em Angola.

Por isso, em segundo lugar, impressiona a vertigem do negócio. Que explica tudo e desculpa tudo. Numa entrevista a um jornal económico português, um ministro angolano explicava a necessidade da corrupção: dizia que a burguesia europeia tinha feito a sua acumulação de capital com a pilhagem colonial e com a pirataria, e que a burguesia angolana também tinha que fazer pela vida. A franqueza é rara, mas é uma virtude: a corrupção endémica é a forma da acumulação de capital em Angola, para a constituição de uma elite de milionários em torno do poder do presidente.

A corrupção foi por isso assunto tabu nesta viagem. Nenhum órgão de comunicação social se perguntou como é que o presidente angolano, há trinta anos no poder sem ser eleito, é hoje um dos homens mais ricos do mundo. Nem porque é que em Dezembro morreu uma centena de crianças em Luanda, de uma epidemia de raiva. Nem porque é que Portugal não coopera com a construção de um serviço nacional de saúde em Angola.

Em terceiro lugar, impressiona o cinismo. Os que rasgavam as vestes de indignação pelo referendo venezuelano que, através do voto, decidiu que Chavez se pode candidatar a eleições presidenciais sempre que quiser, e ser eleito se ganhar a eleição, esses mesmos acham normal que José Eduardo dos Santos seja presidente angolano desde 21 de Setembro de 1979, há trinta anos, e que nunca tenha sido eleito para o cargo. De facto, da única vez que foi a eleições, há 17 anos, não chegou a haver segunda volta e, mesmo que a nova guerra civil tenha acabado há mais de dez anos, o presidente nunca se deu até hoje ao incómodo de convocar eleições presidenciais. E, como explicou ontem em Lisboa, também não vai ser este ano.

O cinismo é parte da política e da diplomacia, dirão. Certamente, pelo exemplo fica demonstrado. Mas é preciso descaramento para atacar Chavez pelo crime de falta de democracia e elogiar Dos Santos pela falta de democracia. Mas o negócio não quer coerência, quer rentabilidade. No festim neocolonial em que se tornou esta visita, falou-se de tudo menos dos angolanos.

Francisco Louçã

11-Mar-2009


Recebido por email

Para Angola, à força...

O que vale é que está Sol e as pessoas começam a andar um pouco mais bem-dispostas. Os lusos, decididamente, não estão preparados para meia dúzia de dias chuvosos e outros tantos com os termómetros a marcarem temperaturas com apenas um dígito.
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Valha-nos pois estes dias de Sol de Inverno para aguentar tudo o que se vai passando à nossa volta. Aguentar visitas de estadão de um presidente africano, recebido com passadeiras vermelhas e muita espinha dobrada em nome do dinheiro do petróleo.
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Aguentar discursos dos grandes estrategas do sítio com o dedo espetado a indicarem aos indígenas o rumo da Pátria. Já foi o dedo de António Guterres para os negócios com o Brasil, que ia derretendo alguns grupos económicos lusos, já foi o dedo do actual senhor presidente do Conselho voltado para Castela e a gritar Espanha três vezes, o mesmo dedo que agora descobriu que o destino está em Angola.
Tudo gente com uma enorme visão estratégica, tudo gente a quem o povo deve uma extraordinária qualidade de vida e um futuro verdadeiramente risonho.
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É por isso que estes dias de Sol fazem esquecer estes vendedores de banha da cobra, que nos vão entretendo com espectáculos ridículos e patéticos enquanto nos atiram mais um pouco de poeira para os olhos. É por isso que estes dias de Sol são importantes. São importantes para fazer esquecer as sistemáticas queixinhas do senhor presidente do Conselho a propósito de tudo e de nada, normalmente de nada.
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São as campanhas negras das forças ocultas do caso Freeport que o magoam e irritam muito, são os bota-baixistas da oposição à esquerda e à direita que só dizem mal da sua excelsa obra e não têm uma ideia para a lamentável e miserável situação do sítio, são uns 200 mil estúpidos manipulados por comunistas e trotsquistas que decidiram sair à rua a chamar-lhe aldrabão com todas as letras. Mas neste sítio manhoso, pobre, deprimido e cada vez mais mal frequentado, o Sol tem o efeito de amolecer as almas e as vontades e ajuda a aguentar os canastrões que nos entram todos os dias em casa a infernizar-nos a vida.
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Sinceramente, se não fosse este tempo maravilhoso e este bonito Sol de Inverno apetecia mesmo mandar estes canastrões e a sua corte de canastrinhas rapidamente para Angola. À força.
António Ribeiro ferreira
in CM

sexta-feira, 13 de março de 2009

Aldeia dos macacos...

Não me repugna que Portugal faça negócios com Angola: se excluíssemos os países autoritários da nossa lista de compradores (China, Marrocos, etc.), desconfio de que a balança comercial tombava de vez.
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O que repugna é o rastejamento do Estado perante qualquer ditador ou torcionário. E, já agora, esta senda histórica de procurarmos lá fora a solução para os nossos dramas estruturais. Foi assim com os Descobrimentos, ou seja, com a África e a Índia, páginas gloriosas que enterraram o desenvolvimento sério da nossa agricultura e indústria, permitindo apenas um Estado perdulário e balofo.
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Foi assim com o Brasil. Foi assim com Bruxelas. E agora que Bruxelas dá sinais de crise, temos Angola.
Há 600 anos que andamos nisto: saltitando de galho em galho, até à queda final.
João Pereira Coutinho
in CM

domingo, 8 de março de 2009

Tudo bons rapazes

A Intervenção de Angola na Guine Bissau – José Gama

Whindhoek - Em Maio de 2005, reunimos num dos hotéis de Pretoria com duas personalidades da política africana com quem analisamos a situação político ou militar da Guine Bissau. Eram os economistas, Filomeno Vieira Lopes, de Angola e Helder Vaz, o ex Ministro da Economia Guinense que agora exerce funções de DG da CPLP. As analises focaram as conseqüências negativas dos ultimos Golpes de Estados, o processo democrático e o papel da política externa angolana em África. Neste dia algo importante aconteceu, o Presidente deposto Kumba Yala acabava de regressar a Bissau vindo do exílio. A Guine-Bissau atravessava momentos de incertezas. Helder Vaz premeditava, que a influencia que a diplomacia angolana estava a exercer nos grandes lagos poderia jogar papel importante para o retorno normalidade constitucional no seu país.

Volvidos três anos, são observados registros de iniciativas, por parte de Angola, que vão ao encontro ao desiderato de Helder Vaz. A 15 de Junho de 2008, segundo o "AM inteligence@, o Presidente João Bernardo “Nino” Vieira viajou a Luanda num avião posto a disposição pelas autoridades angolanas na qual fazia-se acompanhar da esposa Isabel Vieira e de dois conselheiros, Manuel Santos e João Cardoso, o director do seu Gabinete. Dois dias antes chegou discretamente a Luanda via Lisboa, Baptista Tagme Na Wae, o Chefe de Estado Maior das forças armadas da Guine-Bissau. A deslocação das duas personalidades a Luanda enquadrava-se a uma iniciativa discreta do Presidente José Eduardo dos Santos destinada a promover um compromisso mutuo entre ambas as partes para a estabilidade da situação político-militar na Guine-Bissau provocadas pelas circunstâncias descritas nas linhas que se seguem.

RESERVAS ENTRE “NINO” E TAGME

Em meados de 1998, quando o brigadeiro Ansumane Mané derrubou “Nino” Vieira do poder em retaliação a sua destituição do cargo de CEMFA, este oficial superior tinha a seu lado, Tagme na Wae, um importante combatente da luta contra o regime colonial. Tagme jurara vingar-se de “Nino” pelas torturas que foi submetido durante o seu regime. Eram reservas desde a época, em que Nino travava uma luta contra a ascensão militar dos balantas, etnia maioritária de que Tagme Na Waie fazia parte. Realizaram-se eleições e em 2002 Ansumane Mané foi abatido pelas forças governamentais sob acusação de tentar derrubar o governo de Kumba Yala. Em seu lugar entrou Veríssimo Correa Seabra que seria assassinato em Outubro de 2004 na seqüência de descontentamento de militares que reivindicavam atraso no pagamento de subsídios resultados de uma participação de paz pelas Nações Unidas. Tagme Na Waie se tornaria, no novo chefe militar.

“Nino” Vieira forçado ao exílio de 6 anos em Portugal manifestou interesse de voltar ao país. O regresso dependeu de conversações com o Chefe militar, Tagme Na Waie sob mediação do Ministro da defesa, Helder Proença que convenceu Tagme a por o passado de parte. Proença promoveu quatros encontros secretos entre “Nino” e Tagme ocorridos na Cronacry de que resultara a entrada ao país do ex Presidente, sem que o então poder político tivesse conhecimento. (O helicóptero que o transportou invadiu o espaço aéreo guineense). "Nino" participou nas eleições por arranjos constituiçionais (A lei constitucional guineense não permite, que um ex presidente que renuncia o poder, volta ao cargo num espaço inferior a 10 anos). Saiu vencedor e reconduziu Tagme Na Waie como CEM das forças armadas.

De La para Ca, Tagme Na Waie vinha exercendo um poder paralelo. Em 2007, deu prazo de duas horas a Nino Vieira para que demitisse Baciro Dabó de conselheiro presidencial para assuntos da segurança ao que teve êxito. Tagme nomeou nesta altura, um Major, Zé Preto como novo comandante do Batalhão Presidencial e proibiu a entrada de Baciro Dabó nas instalações da Presidência da República. Baciro Dabó que é o actual Ministro da administração interna é dentro da nomenclatura, o quadro da segurança cobiçado por todos que ascendem a presidência. Conhece “os podres” de todos os antecessores chefes de Estado guineense razão pela sobrevive em todos os governos porque todos o querem.

A figura do General Tagme Na Waie passou a ser conotada ao narcotráfico. Baciro Dabó, chegou a designar o seu grupo por “barões da droga e lacaios dos colombianos”. As conotações a Tagme alastraram-se depois de lhe terem identificado repentina acumulação de fortunas que iam ao desencontro do seu salário. “Nino” Vieira, o presidente declarou combate ao narcotráfico estava afectar negativamente a imagem da Guine Bissau em meios internacionais. Verificou-se fricção entre as duas partes traduzidas em falta de confiança mutua.

Em Novembro do ano passado, soldados de baixa patente atacaram a casa de “Nino” Vieira, acção condenada pelos populares e pelas chefias militares. No inicio do corrente ano, o General Tagme Na Waie que adotará nova conduta intercalando os locais para passar a noite, queixou que foi alvo de disparos a rajada pela guarda de “Nino” Vieira quando passava, de noite, nas mediações da presidência. O incidente teria sido provocado pelos “agüentas”, milícias recentemente recrutadas e que serviram “Nino” no passado. Tagme considerava que os “aguentas” estavam a margem da lei. Desarmou-os e substituiu a guarda presidencial por militares leais a si.

Leituras pertinentes apontam que Tagme Na Waie vinha emitindo sinais de ir para reforma (mas de forma condigna) razão pela qual deslocou-se, em Junho, a Luanda cujo tema focou o assunto. O Presidente “Nino”, conforme se diz em círculos políticos em Bissau pretendia indicar, como seu substituto, o contra- almirante Bubo Na Tchute, ex- CEM da Marinha mas Tagme mostrava resistência. Na noite de 6 de Agosto de 2008, Tagme Na Wai manteve Bubo Na Tchute sob residência vigiada na seqüência de uma acusação de pretensão de golpe de Estado.

INICIATIVAS DE ANGOLA PARA PAZ, INVESTIMENTO E INTELIGENCIA

Os problemas da Guine-Bissau encorajou as autoridades angolanas a prestarem maior dedicação aquele país. Em finais de 2006 foi colocado em Bissau um embaixador plenipotenciário, António Brito Sozinho, muito próximo ao Presidente José Eduardo Dos Santos. Em pouco tempo tornou-se, o diplomata em Bissau que mais intervém nos assuntos delicados. Há embaixada angolana em Bissau fica localizada nas proximidades da residência presidencial. Nas horas que procederam aos tiroteios contra a residência do Presidente “Nino” em Novembro passado, Brito Sozinho instruiu os funcionários da missão diplomática para que acolhessem qualquer dirigente guineense que procurar-se Asilo.

No sentido de contribuir no reajustamento da economia ou do orçamento guineense, as autoridades angolanas criaram uma comissão bilateral Angola/Guine Bissau, co-presidida pelo General Higino Carneiro que tem a missão de acompanhar aplicação de investimentos angolanos naquele país. Há a previsão de se investir cerca de 321 milhões de dólares norte-americanos na exploração das reservas de jazidas de bauxite na região de Boé (sudeste), próxima da fronteira com a Guiné-Conacri. O investimento será efectuado através de uma empresa de direito angolano “Bauxite Angola”. Há também um acordo geral na qual Angola propõe-se na cooperação econômica, cientifica, cultural e técnica.

O exercito guineense também é alvo das preocupações das autoridades angolanas. Prontificaram-se ajudar com um plano de reestruturação das forças armadas da Guine. Parte dos chefes militares na Guine são provenientes da luta de libertação e recusam aposentadoria alegando razões de subsistência na reforma. Há também, por se resolver, o factor étnico voltado aos balantas, a tribo conotada ao General Tagme.

A atenção especial que Angola presta a Guine, estende-se para campos mais discretos. A Embaixada em Bissau, acolhe uma “extensão” dos Serviços de Inteligência externa, dirigida pelo Coronel Carlos Costa cuja missão é a de manter informado o Presidente José Eduardo dos Santos sobre a situação daquele país.

A Embaixada de Angola também ganhou interesse da “mass media” nos dias que seguiram as tragédias em Bissau, nos dias 1 e 2 de Março. Nas horas que se seguiram a explosão da bomba que causou a morte do General Tagme, o Presidente Nino Vieira reuniu em emergência na sua residência com os chefes militares do exercito e o Ministro da Defesa, Artur Silva. O primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, convocado ao encontro recusara comparecer suspeitando trata-se de um complô destinado a sua neutralização. Por volta das 3-4h, uma brigada de para comandos dirigida por um major, Tchamo, dirigiu-se a Rua de Angola onde morava o presidente guineense. Cercaram a residência fazendo tiros contra a mesma, em retaliação ao sucedido a Tagme Na Waie de que eram fieis. Os cerca de 4 ou 5 seguranças da presidência fugiram. Invadiram a residência e assassinaram o Presidente “Nino”. A esposa, Isabel Romano Vieira, sobreviveu aos ataques e mais tarde acolhida nas instalações da embaixada angolana.

LIGAÇÕES AO NARCOTRAFICO

O General Tagme repetia que o seu destino e de “Nino” estavam ligados e que se ele morresse, “Nino” também morreria. Uma versão de meios de “inteligência” guineense, apresenta ambos como principais impulsionadores do narcotráfico nas chefias militares. A relação de "Nino" com o trafico da droga mereceu percepção alargada em Abril de 2007, quando intercedeu a favor da libertação do filho mais velho do falecido Presidente Lansana Conté, seu aliado que foi detido na Guiné-Bissau, quando viajava numa avioneta com 840 quilos de cocaína.

De acordo com esta versão, de “fontes fechadas”, a crispação que apoquentava os dois homens fortes da Guine-Bissau estava ligada ao destino “desconhecido” que foi dado a uma mercadoria que estava dentro de um Fokker, com matrícula venezuelana, aprendido em Julho do ano passado no aeroporto de Bissau, suspeito de transportar 500 quilogramas de cocaína.
Na altura a carga do avião foi retirada por militares, que garantiram tratar-se de medicamentos. Houve um processo judicial para apurar quem estava por detrás da mercadoria mas por motivos desconhecidos, a Procuradoria-Geral da República acabou por arquivar o processo alegando falta de provas.

Segundo a analises/conclusões de inteligência, a bomba que explodiu no Gabinete do General Tagme serviria para afastá-lo do “circulo” e por sua vez, a retaliação ao Presidente “Nino” serviria para um terceiro “grupo” (aliado a Tagme) apoderar-se da mercadoria.

Baciro Dabó, o ministro da Administração Territorial, uma das figuras do circulo presidencial que se encontra em parte incerta desde o ataque ao Presidente tem a sua fuga associada a receios de que seja vitima de “outros” que queiram dominar o mercado ou se apoderar da disputada mercadoria.

Referencias:

www.didinho.org
AM Inteligencia
Lusa
Angop
Fontes fidedignas na Guine

*José Gama

Fonte: Club-k.net/Jornal Angolense

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