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terça-feira, 7 de abril de 2009

UMA JUSTA HOMENAGEM


O factor Tempo é tão belo como cruel para qualquer ser vivo.
Com ele, o Tempo, se nasce, cresce e morre.
O Major-General Carlos Manuel Costa Lopes Camilo, Vice-Presidente da Liga dos Combatentes acaba de cumprir o seu ciclo da vida.
Ontem, o alferes combatente batia-se nos Dembos.
Ontem, o capitão combatente batia-se pelo 25 de Abril.
Ontem, o Major-General combatente continuava a bater-se pelo Exército e pela Liga dos Combatentes.
Hoje, cumpre-nos a nós, seus camaradas e amigos, mantê-lo connosco e honrar a sua memória e dar testemunho da sua total dádiva voluntária na luta pela vida solidária e pela conservação das memórias e dos valores dos combatentes.
Dez anos passámos trabalhando em conjunto, ao serviço do Exército, no IAEM e ao serviço dos Combatentes, na Liga dos Combatentes.
Conhecemos o Homem e o Militar.
Homenageamos o Militar íntegro e o Homem de convicções profundas, elevado sentido patriótico, que desempenhou toda a sua actividade na Liga dos Combatentes numa perfeita sintonia com as orientações superiormente definidas, espírito de missão e lealdade, tornando-se um elemento excepcional na constituição da equipa da Direcção Central que tem vindo a dirigir a Liga dos Combatentes.
Possuidor de uma capacidade de trabalho invulgar, espírito de iniciativa, de uma dedicação extrema e profunda determinação na execução dos objectivos inerentes às missões de que estava incumbido, o Major-General Carlos Manuel Costa Lopes Camilo como coordenador do Programa Estruturante da Liga dos Combatentes, Conservação das Memórias, cujo objectivo é a dignificação dos cemitérios de militares portugueses inumados em todo o Mundo, desenvolveu um excepcional trabalho em proveito da Liga dos Combatentes, seus membros, suas famílias e do País.
Esteve em representação do Presidente da Direcção Central em várias acções de carácter interno e externo de que se destacam as visitas a Cabo Verde, Guiné, Moçambique e São Tomé e onde foram estabelecidas condições de lançamento e execução do Programa referido.
Dirigiu e coordenou superiormente no terreno, na Guiné, as operações de Guidage e Farim e a criação de condições de concentração, no cemitério de Bissau.
Privilegiando sempre a sua condição de militar na forma como encarava a vida pública, de caráter, inteligente e de fino espírito de humor, o Major-General Carlos Manuel Costa Lopes Camilo grangeou na Liga dos Combatentes respeito, consideração e profundas amizades.
Como Presidente da Liga dos Combatentes é com inteira justiça que considero que os serviços prestados à Liga dos Combatentes pelo seu Vice-Presidente devem ser considerados do mais elevado mérito, extraordinários, relevantes e distintos.
O Major-General Camilo faleceu ao serviço de Portugal.
"A Liga não esquece".
Joaquim Chito Rodrigues
Presidente da Direcção Central

O meu testemunho
É com emoção e pesar que acabo de transcrever esta justa homenagem do Tenente-General Chito Rodrigues, publicada na revista Combatente, ao meu saudoso camarada e amigo Carlos Camilo.
Convivemos durante quatro décadas, durante as quais as nossas carreiras se cruzaram várias vezes e estivemos lado a lado na preparação e execução do 25 de Abril e, depois, na fundação da Associação 25 de Abril.
Antes disso, haviamos feito juntos uma comissão de serviço em Angola, entre 1970 e 1972.
Ao longo desse longo período das nossas vidas - que sempre se pautou por inexcedível lealdade e camaradagem - fortaleceram-se os laços de amizade que acabaram por se estender também às nossas respectivas famílias.
Poucos dias antes da sua partida - e acabado de regressar da sua última e desgastante missão na Guiné - o Major-General Carlos Camilo fez questão de me visitar no Hospital Militar, aonde eu havia sido sujeito a uma intervenção cirúrgica.
Despedimo-nos com um "até amanhã", sem sabermos que seria o último.
Por isso te digo agora: até sempre Carlos Camilo.

Álvaro Henrique Fernandes
Tenente-Coronel na Reforma

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O governo aposta na morte dos ex-combatentes, evitando apoiá-los na doença

Defesa. Relatório da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa

Cavaco Silva lembrou a prioridade de apoiar os deficientes militares

A forma como os veteranos de guerra e deficientes militares são tratados condiciona a imagem das Forças Armadas e afecta o recrutamento de jovens para as fileiras, indica um relatório da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

"Publicidade negativa sobre o deficiente tratamento dado aos veteranos pode afastar potenciais futuros recrutas" de se alistar nas Forças Armadas. "Enquanto empregador responsável, as Forças Armadas têm o dever de cuidar dos seus actuais e antigos empregados", afirma o relatório, relativo a 2008, do Gabinete para as Instituições Democráticas e Direitos Humanos da OSCE (ODIHR, sigla em inglês), sediado em Varsóvia.

"É no interesse das Forças Armadas como empregador cuidar dos veteranos, na medida em que melhores serviços para [esses combatentes] também podem ser vistos como um incentivo ao recrutamento." Acresce, prossegue o relatório, que "conceder melhores benefícios aos veteranos mostra aos actuais e futuros [efectivos militares] que as Forças Armadas são um empregador responsável".

O relatório surge poucas semanas depois de o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, ter insistido (no passado dia 19 de Dezembro) na necessidade de se "assegurar o adequado apoio que os deficientes das Forças Armadas reconhecidamente merecem". "O apoio a uma saúde de- bilitada, fortemente agravada com o natural envelhecimento, constitui a principal prioridade, requerendo (...) o prosseguimento de uma acção concertada" do Governo, declarou o Chefe do Estado, durante uma visita à sede da Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA).

Num artigo de opinião publica- do três dias depois no Jornal de Notícias, o jornalista Mário Crespo sublinhou que "a assistência aos deficientes das Forças Armadas tem sido considerada questão menor. Sucessivos governos têm aguardado que o problema dos antigos combatentes em geral e dos deficientes em particular se resolva por si". Para isso "têm-se inventado redefinições dos graus de invalidez. Reavaliado o que são situações de guerra e de combate. Tudo para conseguir roubar na assistência aos veteranos", afirmou Mário Crespo.

In DN

segunda-feira, 28 de julho de 2008

"A mulher na guerra e nas Forças Armadas"


LIGA DOS COMBATENTES EDITA LIVRO

A Liga Combatentes vai editar em Outubro próximo um livro intitulado “A Mulher na Guerra e nas Forças Armadas”, com base em depoimentos recolhidos.

O livro é dedicado à Mulher Portuguesa, nas duas vertentes que a marcaram nos últimos 50 anos da vida nacional: primeiro, na guerra, como mãe, avó, esposa, viúva, filha, noiva, companheira, madrinha de guerra ou simples confidente; depois, assumindo o seu direito à igualdade e tornando-se militar, contratada ou profissional.

A maior parte desses depoimentos foi publicada no Número Especial da revista COMBATENTE de Setembro de 2005 (n. 333) e depois até Junho de 2007 (n.º 340).

Embora havendo vários inéditos (que também serão incluídos no livro) e, apesar do pouco tempo já disponível, pretende-se enriquecê-lo com novos depoimentos que sejam recebidos até 31 de Agosto, num dos mails indicados:

ribeirosoares.alberto@gmail.com

albribsoares@yahoo.com

Sob o tema “A Mulher na Guerra” pretendem-se testemunhos de Mulheres que viveram a guerra – quer por dentro, nos teatros de operações do antigo Ultramar; ou que a sentiram de longe, por terem alguém mobilizado, familiar ou não – e que pode não ter regressado, ou ter vindo traumatizado.

No tema “A Mulher nas Forças Armadas” pretende-se fazer algo inovador, essencialmente testemunhos na primeira pessoa, de Mulheres que prestam (ou prestaram) serviço num dos três ramos das Forças Armadas, com experiências vividas no país e no estrangeiro, ou que ainda frequentam as academias e escolas militares. Reflectindo, por ex., sobre motivações da escolha, integração num meio tradicionalmente masculino, e outras, como eventuais razões para abandono da carreira, nos casos em que tal tenha já acontecido.

A Liga agradece antecipadamente todas as colaborações que, se possível, não devem ultrapassar duas páginas A4 e podem incluir fotografias (que serão devolvidas logo que utilizadas), solicitando-se o seu envio até 31 de Agosto.

Cumprimentos

Ribeiro Soares

Recebido por email



segunda-feira, 14 de abril de 2008

RECONCILIAÇÃO DA MEMÓRIA HISTÓRICA


Entrevista com Carlos Schwarz, líder da ONG Acção para o Desenvolvimento

In DN de 13 Abril 2008

Em que quadro resolveu realizar o simpósio de Guiledje?

É importante sublinhar, antes, que os povos guineense e português têm, agora, a oportunidade de estabelecer um novo processo de cumplicidade. Algo que transforme os desencontros de ontem em memórias e iniciativas conjuntas e que ultrapassem os actos meramente oficiais, fixando-se e aprofundando-se em organizações associativas, escolas, câmaras e ONG.

O simpósio foi já algo desse tipo?

Sem dúvida e representa um primeiro marco no reencontro daqueles que, um dia, se combateram, guineenses, cabo-verdianos, cubanos e portugueses.

Não foi difícil acertar este primeiro reencontro?

Não. Tenho muitas dificuldades em imaginar um encontro assim, noutros espaços do mundo, juntando antigos colonizados e colonizadores e realizado num espírito de profunda amizade e de completa tranquilidade na procura da verdade histórica. Não estou a ver a Argélia e a França, ou o Quénia e a Inglaterra, ou mesmo o Vietname e os Estados Unidos a promoverem um encontro deste tipo. E não conheço um museu histórico de guerra como o que está a ser criado em Guiledje, que não pertencerá a país nenhum mas apenas aos que por lá passaram e combateram. Procuramos fazer desse pedaço da história luso-guineense um património comum, mesmo quando vista com olhares diferentes e eventualmente discordantes. Tenho a certeza de que o comandante guineense Buota Na Batcha, o comandante cabo-verdiano Julinho de Carvalho e o comandante português Alexandre Coutinho e Lima, reconhecerão que é o seu museu quando nele entrarem.

A acção coincidiu com os trabalhos de levantamento de ossadas portuguesas em Guidaje. De que forma olham os guineenses para a recuperação de restos de militares portugueses mortos em combate?

É um direito das famílias conseguir o regresso dos restos mortais de entes que lhes são queridos e nada pode justificar que isso lhes seja impedido, como alguns parecem fazer crer, transmitindo uma certa ideia de que estamos perante "despojos de guerra" ou uma espécie de património histórico nacional.

Esse seu olhar é abrangente? Isto é, centra-se nos portugueses e nos guineenses?

Claro. Nestes últimos 35 anos, como já acontecia na época colonial, continuou a haver portugueses de primeira e de segunda. Os naturais da Guiné que lutaram pela bandeira portuguesa e que sobreviveram, muitos mutilados, continuam esquecidos na valeta da História, abandonados, empurrados. Sentem-se, naturalmente, injustiçados.

E quanto aos guineenses caídos na luta pela independência?

Também nós, aqui, nos fomos esquecendo dos nossos mortos mas, sobretudo, dos nossos vivos. Gente que permaneceu anónima na epopeia em que participou e que foi mais do que uma luta armada, porque o objectivo era o da criação de um Estado moderno, cujos primeiros sinais irromperam com a própria luta - educação, os hospitais de tabanca, o comércio, a agricultura. Mesmo que esse projecto de sociedade se tenha escondido ou perdido nos recantos de Bissau. - S.B.


domingo, 6 de abril de 2008

RECUPERAR A MEMÓRIA

CARTA DE UMA MÃE

LOCALIZAÇÃO DOS MORTOS

TRABALHOS DE EXUMAÇÃO DOS CORPOS

Na terça-feira, 19, foi concluída com sucesso uma operação sem precedentes que permitiu localizar e levantar os restos mortais de 11 militares, que há 35 anos foram enterrados em Guidage, na Guiné-Bissau, após uma batalha muito dura para as tropas portuguesas. Esta iniciativa, que resultou da cooperação entre a Liga dos Combatentes, o Ministério da Defesa, a Universidade de Coimbra e o Instituto Nacional de Medicina Legal (INML), colocou no terreno um geofísico, uma arqueóloga – irmã de um dos soldados exumado - e quatro antropólogos.

A equipa foi coordenada por Eugénia Cunha, a conceituada antropóloga forense da Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade de Coimbra, que em 2006 pediu para levantar o túmulo do Rei D. Afonso Henriques para fins científicos. O grupo de trabalho levou para o terreno informação detalhada sobre cada um dos militares, como a altura, constituição dentária e até descrições sobre fracturas ósseas adquiridas antes da guerra. Estes dados, juntamente com as análises genéticas que serão feitas no INML, vão permitir identificar cada um dos soldados exumado, para que depois os restos mortais possam ser devolvidos às famílias.

O sucesso desta missão emocionou particularmente Conceição Vitoriano - a arqueóloga alentejana prometera à mãe só regressar a Portugal depois de encontrar o irmão, e também dois antigos comandantes que voltaram ao campo de batalha para, finalmente, honrar um princípio dos Pára-quedistas: «Ninguém fica para trás».

A SIC e a revista VISÃO acompanharam, ao minuto, e em exclusivo esta operação inédita. A reportagem sobre o resgate de militares na Guiné Bissau será emitida e publicada em breve.

Fonte: site da Liga dos Combatentes



HONRAR OS MORTOS

OPERAÇÃO "PENEDO 2" LESTE DE ANGOLA 1970

O Dia do Combatente, celebrado ontem, na Batalha, é este ano marcado, se não directa, pelo menos indirectamente, pela questão da exumação, em Guidaje, na Guiné-Bissau, dos restos de onze militares portugueses, mortos em combate, em 1973, e sepultados na zona onde se situava um pequeno aquartelamento, já muito perto da fronteira com o Senegal.

A operação de levantamento das ossadas, de acordo com o major-general Lopes Camilo, vice--presidente da Liga dos Combatentes, foi desencadeada no quadro de um plano geral de intervenção que pretende concentrar os restos de militares caídos em combate em determinados cemitérios locais, que serão cuidados e eventualmente transformados em espaços de memória, que podem ser até de memória partilhada com os países onde os cemitérios se localizem e dar origem ao chamado "turismo de memória".

No caso da Guiné-Bissau, a Liga dos Combatentes tem um protocolo já firmado com o Instituto de Defesa Nacional guineense, prevendo-se a concentração das ossadas, depois da sua rigorosa identificação, em cemitérios de Bissau, Babadinca, Bafatá e Gabú.

No caso das onze exumações agora feitas, depois da identificação, que ainda não foi feita, sendo, por isso, os restos considerados como de "soldados desconhecidos", serão as ossadas depositadas no cemitério de Bissau, a menos que os familiares decidam fazer a sua transladação para Portugal, cujas despesas terão de ser suportadas pelas próprias famílias, já que a Liga apenas actuará, nesses casos, na identificação dos militares e no apoio à remoção de barreiras burocráticas que simplifique os procedimentos legais necessários à transladação.

Por localizar estão ainda os restos de 20 outros militares, de incorporação sobretudo guineense, e sepultados na mesma região de Guidaje, que era, em 1973, uma das mais aquecidas zonas de guerra.

Ninguém fica para trás?

Das onze sepulturas referenciadas, com levantamento de ossadas, três dizem respeito a páraquedistas, alvos da atenção da respectiva associação, que permanece unida e aparentemente fiel à ideia de que "ninguém fica para trás", e do grande impulso emocional resultante de imagens recentes, e traumáticas, de cemitérios ao abandono em África, com campas depredadas de antigos combatentes.

Nasceu aí um movimento cívico de antigos combatentes, visando "não esquecer os companheiros de armas que em terra do então ultramar tombaram para sempre, dando a vida pelo país" e firmando-se naquilo que é sublinhado como "sentido da honra e dever de lealdade para com os que morreram por Portugal".

O major-general Lopes Camilo situa, porém, a operação no âmbito restrito de uma acção envolvendo a Liga dos Combatentes, o Ministério da Defesa, a Universidade de Coimbra e o Instituto de Medicina Legal. O sucesso da localização e levantamento das ossadas, e uma eventual transladação dos "páras" para Portugal, pode, no entanto, iniciar, pela mediatização e choque emocional da operação em Guidaje, um delicado processo, chocando-se teses que defendem o regresso a casa de todos os que morreram em África ou sustentam que devem os mortos ficar na dignidade dos campos de batalha onde tombaram.

Augusto de Freitas, hoje um neuropsicólogo, sargento em meados dos anos setenta, com missões cumpridas em Moçambique, de 1973 a 1975, nas zonas operacionais de Tete e Nangade e que lidera, agora, a Associação Portuguesa de Veteranos de Guerra, não esconde uma crítica dura: "É uma vergonha a falta de respeito pelos que lutaram pela Pátria e os governos de Portugal têm esquecido os que morreram e ficaram enterrados em cemitérios que estão hoje ao abandono e que têm sido, em alguns casos, depredados!"

Augusto de Freitas, admitindo que o assunto é complexo, continua à espera de que o País enfrente a necessária tarefa de fazer regressar os restos dos que perderam a vida na guerra colonial, algo que tem de ser feito, mesmo sabendo que essa operação "vai mexer com as emoções do País e dos familiares dos que tombaram em combate".

Há, porém, quem considere que "os mortos são uma marca do império", pessoas que "estão onde, se calhar, devem estar", em locais "onde combateram e morreram", não havendo "sepultura mais digna do que a que foi cavada no próprio campo de batalha".

Defensores desta tese convidam a uma profunda e sensata reflexão que evite a abertura de uma "caixa de Pandora". O regresso dos restos de apenas alguns antigos combatentes poderá levar muitas famílias a reivindicar o regresso também dos seus mortos. "E se não houver esses mortos?", perguntam. É que não poucos combatentes morreram em circunstâncias que não permitiram sequer a recuperação de fragmentos e o antigo "comando", agora escritor, Matos Gomes, combatente na zona de Guidaje, limita-se a contar que numa operação de resgate de vítimas do rebentamento de uma mina, apenas conseguiu identificar, entre inúmeros minúsculos fragmentos, "a roda dentada da caixa de velocidades do veículo"…

Paula Borges in DN de 6 Abril 2008