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terça-feira, 23 de junho de 2009

Milagre...

Esta coisa da humildade está a dar resultado. Os comentaristas comentam, os analistas analisam, os entrevistadores entrevistam e…nem uma palavra sobre o Freeport.
O choque e espanto causado ao país pela súbita decisão do primeiro-ministro de passar a ser humilde ofuscou para planos remotos todas as outras questões definidoras de carácter em que ele está envolvido.
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Que interessa o Freeport e Lopes da Mota, a licenciatura e as casas compradas a offshore, os primos e o DVD, quando temos em mão um prodígio que rivaliza com as aparições mais miraculosas? Sócrates teve agora a sua epifania. Foi preciso o pior resultado eleitoral na história do PS para a revelar, mas aí está. Morreu o Animal Feroz, viva o Animal Domesticado.
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Aleluia, que nasceu o novo homem, doce, cordato, simpático, sereno. "Hossana" grita o país em coro, maravilhado com o testemunho de humildade franciscana que agora transborda das suas comunicações e que, qual aura de beatitude, se está a alastrar, comunicando-se a fiéis e a infiéis, a jornalistas e políticos. Santos Silva, Silva Pereira e Luís Paixão Martins olham-no embevecidos e murmuram: "É tão humilde, não é?".
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Do sector privado ao público, do gentio da fértil OTA aos nómadas de Alcochete, todos dão graças como no "Sermão da montanha"; "Bem-aventurados os mansos pois herdarão a terra" ouve-se em coro quando o povo sobressaltado vê que o Animal Feroz partiu e em seu lugar serpenteia a mansidão dialogante. Estava tudo previsto. Foi inspiração súbita que levou os técnicos da assessoria de imagem a ter o ímpeto de correr para o Antigo Testamento e parar, siderados, em Isaías 65:25 onde se lê claramente: "E o lobo e o cordeiro pastarão juntos (em longas entrevistas, subentende-se) e o leão comerá palha como o jumento e (subentende-se) não haverá mais cenas embaraçosas".
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Nem no Parlamento. Nem à saída da Comissão Política. Nem quando o mais humilde dos repórteres abordar o novo José Sócrates e lhe perguntar se o haver mais um arguido no seu staff próximo é mau para ele, e o novo Sócrates, sorrindo docemente, responder: "Desculpe. Ser arguido é bom. Eu acho que todo o meu staff devia ser arguido." De facto, a diferença é tão abissal que já nem precisamos de eleições. Já mudámos de governante. Ou melhor ainda. O governante mudou-se a si mesmo. Acabou-se o vociferante Orlando Furioso de Ariosto, destruído em autocombustão purificadora entre frémitos coléricos no Parlamento e estertores catárticos em estúdios de TV. Ficou-nos o Orlando Enamorato de Boiardo, suave, sério, intenso e sempre, sempre, terno.
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Como é que podemos cometer o sacrilégio de ir buscar as turvas águas do sapal de Alcochete para enlamear o renascimento? Os vendilhões já foram escorraçados do templo. Fica-nos a nova era e a nova imagem que vai ser construída por santos profetas milagreiros, que já produziram santos milagres em África, onde Santos, em poucos dias e alguns milhões de petrodólares e gemas de sangue, passou de ditador a santificado líder eleito. Se conseguiram fazer isto, convencendo os africanos junto ao Equador que era preciso usar um grosso cachecol de lã com as cores do MPLA em pleno Verão Austral, como é que não hão-de convencer os portugueses a quem a fé nunca faltou nesta terra de prodígios?
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Ontem foi em Fátima, hoje é na Comissão Política do PS e nas Novas Fronteiras e em Portugal, sempre houve crentes e crédulos.
Mário Crespo
in JN

Portugueses...

Os portugueses tornaram-se mimados, pouco tolerantes com as contrariedades e incapazes de aceitar a mínima rejeição – e violentos, em consequência. Antes de se suicidar, um homem mata a sua família porque "não aceita o divórcio".
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Por causa de um jogo de futebol, dois miúdos esfaquearam-se e o bairro inteiro recebe a polícia à pedrada. Um ex-marido matou o novo namorado da ex--mulher "por não aguentar a situação". Um estudante universitário matou a namorada "porque ela o rejeitou".
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São notícias que vêm nas páginas de crime, é verdade, mas ajudam a pintar o retrato de um país que perdeu o pai, não reconhece a autoridade, teme as dificuldades, desconfia das instituições, muda conforme a onda e desculpa-se com dissimulação abjeta.
É um país moderno, arrogante e empobrecido.
Francisco José Viegas
in CM

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Um país em grande...

Há qualquer coisa que nos ficou do Império e que faz com que Portugal se pense em grande. Somos um país médio, periférico e pobre (palavras que também usamos para justificar falhanços), mas jamais nos comparamos com a Eslováquia ou com a Grécia.
Somos dados às comparações com os poderosos - Espanha, França, Inglaterra, Alemanha. Queremos o mesmo que eles: um TGV, uma rede de auto-estradas para todas as cidades (que em termos europeus não passam de vilas) e o que mais seja.
Uma espécie de esquizofrenia política soma-se a esta concepção megalómana.
Cada Governo - e cada ministro mesmo dentro do mesmo Governo - tem as suas prioridades. O aeroporto passou da Ota para Alcochete. Já houve TGV para Salamanca (PSD/CDS), mas já não há.
As auto-estradas, cuja febre começou com Cavaco, são agora uma praga. Um só concelho (Albergaria) fica com cinco auto-estradas no espaço de uma dúzia de quilómetros.
Como sempre, há justificações para tudo. Para um TGV em Y ou em T ou noutra letra qualquer. Para o aeroporto ser na Ota ou na margem Sul. Para tudo há argumentos irrecusáveis, inadiáveis e inquestionáveis.
O que deveria ser alvo de um consenso interpartidário e mesmo intergeracional é, infelizmente, alvo das mais acirradas lutas políticas. E assim foi com todas as obras, desde o CCB à ponte Vasco da Gama.
Mas não vivemos um momento vulgar. Esta é uma crise que põe em causa todos os modelos em que até agora nos movimentámos. Há que repensar esses modelos e, entre eles, o das grandes obras e do seu financiamento.
Não porque o Governo tenha perdido nas Europeias a legitimidade para as fazer. Claro que não perdeu.
Mas porque assim aconselha a prudência e o bom senso.
in Expresso

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Isto sim


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domingo, 5 de abril de 2009

segunda-feira, 30 de março de 2009

Portugal no seu melhor

Um taxista de Óbidos considera que a sua nova carta de condução é inútil, uma vez que o seu bigode ficou cortado a meio na fotografia, conta a TVI.

O documento demorou 13 meses a ser renovado, mas, ainda assim, a impressão foi mal feita.

VEJA O VÍDEO