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sábado, 23 de maio de 2009

Uma casa portuguesa...

Catalina Pestana concedeu entrevista ao CM e disse que a solução para a Casa Pia é acabar com ela.
Destruir e reconstruir, com outro nome, disse a antiga provedora, que quer limpar a fama da instituição e as práticas abjectas que reinam por lá há séculos.
Longe de mim contestar a sabedoria da dra. Catalina.
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Mas as palavras da senhora expressam bem a minha estupefacção perante o caso. A Casa Pia é, como o nome indica, uma casa: quatro paredes ao alto, com gente enfiada lá dentro.
Controlar o que se passa dentro de uma casa; punir e afastar os criminosos; e evitar novos abusos não me parece uma tarefa ciclópica.
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E, no entanto, passaram pela casa fornadas de luminárias que não conseguiram o básico. Isto diz tudo sobre a qualidade dos nossos ‘líderes’: gente que é incapaz de governar uma casa, quanto mais um país.
João Pereira Coutinho
in CM

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Tiro ao alvo


«Se eu fosse ministra

encerrava a Casa Pia»

Catalina Pestana responsabiliza «a cultura que algumas pessoas da instituição ainda possuem»

«Se eu fosse ministra acabava com a Casa Pia. Não se muda a cultura de uma instituição por decreto. As pessoas que foram formatadas lá adquiriram aquela cultura do silêncio, de não chamar nomes à mãe. A Casa Pia é a mãe e eles nunca dirão que a mãe é madrasta», afirmou Catalina Pestana.

A ex-provedora da Casa Pia comentou os novos abusos noticiados.

«Afinal os abusos ainda não acabaram, nem podem acabar enquanto a Casa Pia tiver a estrutura que tem. Os abusos continuam numa instituição com 200 anos, com uma história de abusos que tem 200 anos», disse em entrevista ao CM.

A fundadora da Associação Rede de Cuidadores, uma organização que apoia crianças e famílias em situações de emergência e que celebra o primeiro aniversário no dia 1 de Junho, considera que esta situação está relacionada «com a estrutura da instituição» e «com a cultura que algumas pessoas da instituição ainda possuem».

Catalina Pestana defendeu ainda a criação de um provedor da criança, cargo para o qual sugere o nome do jurista Laborinho Lúcio.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

OS DIABOS E O INFERNO

O julgamento dito da Casa Pia chega ao fim. Cada um terá a sua ideia. Não deve haver um português que não tenha uma certeza sobre os eventuais culpados e inocentes Veremos o que pensam os juízes. De qualquer modo, é com tristeza que se verifica que o principal culpado nunca foi julgado e nunca o será. Refiro-me à Casa Pia como instituição. A muitos dos seus dirigentes. A vários dos ministros, secretários de Estado e directores-gerais que exerceram a tutela. É sabido que algumas dessas pessoas tiveram informações sobre o que se passava, mas não quiseram saber ou não puderam agir. Parece mesmo que alguns arquivaram informações e relatórios. Por outro lado, a estrutura, o modo de organização, a dimensão e o espírito daquela casa deveriam ser discutidos e postos em causa. A Casa Pia deveria, creio, ter sido extinta. E os seus alunos distribuídos por várias instituições. Quando se pode extinguir o Inferno, não basta condenar alguns diabos.
António Barreto, in Público