
O factor Tempo é tão belo como cruel para qualquer ser vivo.
Com ele, o Tempo, se nasce, cresce e morre.
O Major-General Carlos Manuel Costa Lopes Camilo, Vice-Presidente da Liga dos Combatentes acaba de cumprir o seu ciclo da vida.
Ontem, o alferes combatente batia-se nos Dembos.
Ontem, o capitão combatente batia-se pelo 25 de Abril.
Ontem, o Major-General combatente continuava a bater-se pelo Exército e pela Liga dos Combatentes.
Hoje, cumpre-nos a nós, seus camaradas e amigos, mantê-lo connosco e honrar a sua memória e dar testemunho da sua total dádiva voluntária na luta pela vida solidária e pela conservação das memórias e dos valores dos combatentes.
Dez anos passámos trabalhando em conjunto, ao serviço do Exército, no IAEM e ao serviço dos Combatentes, na Liga dos Combatentes.
Conhecemos o Homem e o Militar.
Homenageamos o Militar íntegro e o Homem de convicções profundas, elevado sentido patriótico, que desempenhou toda a sua actividade na Liga dos Combatentes numa perfeita sintonia com as orientações superiormente definidas, espírito de missão e lealdade, tornando-se um elemento excepcional na constituição da equipa da Direcção Central que tem vindo a dirigir a Liga dos Combatentes.
Possuidor de uma capacidade de trabalho invulgar, espírito de iniciativa, de uma dedicação extrema e profunda determinação na execução dos objectivos inerentes às missões de que estava incumbido, o Major-General Carlos Manuel Costa Lopes Camilo como coordenador do Programa Estruturante da Liga dos Combatentes, Conservação das Memórias, cujo objectivo é a dignificação dos cemitérios de militares portugueses inumados em todo o Mundo, desenvolveu um excepcional trabalho em proveito da Liga dos Combatentes, seus membros, suas famílias e do País.
Esteve em representação do Presidente da Direcção Central em várias acções de carácter interno e externo de que se destacam as visitas a Cabo Verde, Guiné, Moçambique e São Tomé e onde foram estabelecidas condições de lançamento e execução do Programa referido.
Dirigiu e coordenou superiormente no terreno, na Guiné, as operações de Guidage e Farim e a criação de condições de concentração, no cemitério de Bissau.
Privilegiando sempre a sua condição de militar na forma como encarava a vida pública, de caráter, inteligente e de fino espírito de humor, o Major-General Carlos Manuel Costa Lopes Camilo grangeou na Liga dos Combatentes respeito, consideração e profundas amizades.
Como Presidente da Liga dos Combatentes é com inteira justiça que considero que os serviços prestados à Liga dos Combatentes pelo seu Vice-Presidente devem ser considerados do mais elevado mérito, extraordinários, relevantes e distintos.
O Major-General Camilo faleceu ao serviço de Portugal.
"A Liga não esquece".
Joaquim Chito Rodrigues
Presidente da Direcção Central
Presidente da Direcção Central
O meu testemunho
É com emoção e pesar que acabo de transcrever esta justa homenagem do Tenente-General Chito Rodrigues, publicada na revista Combatente, ao meu saudoso camarada e amigo Carlos Camilo.
Convivemos durante quatro décadas, durante as quais as nossas carreiras se cruzaram várias vezes e estivemos lado a lado na preparação e execução do 25 de Abril e, depois, na fundação da Associação 25 de Abril.
Antes disso, haviamos feito juntos uma comissão de serviço em Angola, entre 1970 e 1972.
Ao longo desse longo período das nossas vidas - que sempre se pautou por inexcedível lealdade e camaradagem - fortaleceram-se os laços de amizade que acabaram por se estender também às nossas respectivas famílias.
Poucos dias antes da sua partida - e acabado de regressar da sua última e desgastante missão na Guiné - o Major-General Carlos Camilo fez questão de me visitar no Hospital Militar, aonde eu havia sido sujeito a uma intervenção cirúrgica.
Despedimo-nos com um "até amanhã", sem sabermos que seria o último.
Por isso te digo agora: até sempre Carlos Camilo.
Convivemos durante quatro décadas, durante as quais as nossas carreiras se cruzaram várias vezes e estivemos lado a lado na preparação e execução do 25 de Abril e, depois, na fundação da Associação 25 de Abril.
Antes disso, haviamos feito juntos uma comissão de serviço em Angola, entre 1970 e 1972.
Ao longo desse longo período das nossas vidas - que sempre se pautou por inexcedível lealdade e camaradagem - fortaleceram-se os laços de amizade que acabaram por se estender também às nossas respectivas famílias.
Poucos dias antes da sua partida - e acabado de regressar da sua última e desgastante missão na Guiné - o Major-General Carlos Camilo fez questão de me visitar no Hospital Militar, aonde eu havia sido sujeito a uma intervenção cirúrgica.
Despedimo-nos com um "até amanhã", sem sabermos que seria o último.
Por isso te digo agora: até sempre Carlos Camilo.
Álvaro Henrique Fernandes
Tenente-Coronel na Reforma
Tenente-Coronel na Reforma

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