terça-feira, 7 de abril de 2009

Tiro ao alvo, na terra do faz de conta


Lisboa

Sequestro escapou à videovigilância

por VALENTINA MARCELINOHoje

As câmaras de videovigilância da Ponte 25 de Abril podem não ter captado o sequestro que aconteceu na madrugada de domingo em pleno tabuleiro. As câmaras só gravam quando há problemas de fluidez de trânsito.

Só por um golpe de sorte a Polícia Judiciária (PJ) vai ter imagens do sequestro que aconteceu na Ponte 25 de Abril, na madrugada de domingo. Os criminosos simularam um acidente em pleno tabuleiro, no sentido norte-sul, obrigando um homem que seguia na sua viatura a parar para os auxiliar.

Quando se aproximou foi imediatamente ameaçado com armas e levado pelos agressores no seu próprio carro. Foi violentamente espancado, roubado e largado em Sassoeiros, Cascais.

Apesar da ponte estar equipada com um sistema de videovigilância com nove câmaras de filmar - duas das Estradas de Portugal e sete da Lusoponte - os protocolos que permitem a gravação das imagens apenas prevêem essa acção quando há problemas relacionados com a fluidez de tráfego.

No caso do crime de sequestro, ou de qualquer outro crime que ocorra naquele local, só seria gravado se, naquele preciso momento essa imagem estivesse a ser transmitida para o Centro de Operações e a ser visionada por um dos técnicos.

A porta-voz oficial da Lusoponte escusou-se a dar detalhes sobre o caso do sequestro e não esclareceu se as imagens foram ou não gravadas. "A videovigilância presta-se essencialmente a casos de acidentes e nunca tinha acontecido uma situação destas", afiança esta fonte.

Adiantou, no entanto, que "quando há algum problema imediatamente é contactada a GNR", que tem uma patrulha em permanência na Ponte 25 de Abril.

Na situação em causa a GNR não foi contactada, o que leva a concluir que as imagens não estavam a ser captadas ou visionadas no Centro de Operações.
O responsável pelo Gabinete de Comunicação da GNR assegurou ao DN que "até ao momento" a GNR "não recebeu nenhuma informação sobre o sucedido". Esta fonte oficial aponta como possível causa "a rapidez com que o crime se possa ter desenrolado", impedindo uma "reacção atempada, nomeadamente a intercepção dos criminosos".

Na PJ a investigação está nas mãos da 6ª Secção da Directoria de Lisboa e Vale do Tejo, competente para os casos de roubos com armas de fogo. A Directoria já fez um pedido formal à Lusoponte para a cedência das imagens, as quais, de acordo com a lei de protecção de dados pessoais, só podem ser utilizadas com autorização judicial.

No entanto, ao que o DN apurou, os investigadores estão convictos que o filme pode nem ser necessário para a identificação dos criminosos. Têm indícios de a vítima os conhecer e de se tratar de um "ajuste de contas". Os investigadores ainda não conseguiram ouvir a vítima por esta se encontrar em estado grave.

In DN

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