Juca, meu Juca
Numa daquelas noites memoráveis de febre em Sábado à noite - após acompanharmos a casa, antes da uma da madrugada, as colegas que tinham participado numa festa de aniversário - lá fomos, comme d’habitude, até à Ilha do Cabo.
O ritual era conhecido e a multa barata.
Chegados ao quintal, batíamos nos luandos que tapavam dos mirones a rebita, e ouvia-se uma voz grossa:
- Quem está aí?
- São us mininos do liceu – respondíamos em coro.
- E trazem a multa?
- Sim! Claro que trazemos.
- Então podem entrar.
Cumprida a formalidade da entrega do garrafão ao mestre-sala, era um vê se te avias até nascer o sol, que o ritmo convidava à dança e as filhas dos pescadores não se faziam rogadas.
Dessa vez, fazia parte do nosso grupo de rebiteiros um colega alto e magrinho que mais parecia um tira-linhas.
E eis que da roda salta uma dengosa de braços abertos, rebolando-se a preceito:
- Juca, meu Juca, vem dançar comigo...
- Mas eu não me chamo Juca. Sou o Carlos.
- Não és nada. Juca, meu Juca, vem cá...
- Sou o Carlos, já disse!
- Ai Juca, meu Juca, conheço-te bem e gosto mesmo de te fumar.
Os cigarros marca Juca eram um verdadeiro mata-ratos compridinho e que tinha mais mortalha do que tabaco.
Agora digam lá que a farrista não a sabia toda.
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