
O ministro da Justiça disse esta quarta-feira «não ter conhecimento» que o processo relativo ao homicídio de Humberto Delgado estava a deteriorar-se numa cave de um tribunal, onde foi encontrado pelo investigador e neto do general, noticia a Lusa.
«Não me chegou nenhuma referência ao que agora foi mencionado», afirmou Alberto Costa, no final da entrega do processo, com 18 volumes, ao Arquivo Distrital de Lisboa (Torre do Tombo).
O governante revelou ter mantido contactos duas vezes esta semana com familiares de Humberto Delgado e nunca lhe ter sido referida a situação de abandono em que foi encontrado o processo no Tribunal da Boa-Hora, Lisboa.
O caso foi relatado terça-feira à Agência Lusa por Frederico Delgado Rosa, neto do general assassinado pela PIDE, em 1965, em território espanhol junto à fronteira portuguesa.
Aproveitando o facto da cerimónia decorrer na sala onde funcionava o Tribunal Plenário de Lisboa, que julgava os opositores à ditadura, Alberto Costa referiu que só no ano a seguir à campanha presidencial de Delgado foram presas 3.811 pessoas, 256 das quais julgadas naquele espaço entre Outubro de 1959 e Agosto de 1960.
Apesar dos apoiantes do general assegurarem que Humberto Delgado venceu as eleições de 1959, a vitória foi atribuída ao candidato do regime, Américo Tomás.
A frase fatal que provocou a falcatrua eleitoral e acabou por custar a vida ao “General Sem Medo” foi apenas a resposta a um jornalista que lhe perguntou o que faria a Salazar se ganhasse as eleições:
“Obviamente, demito-o!”
Actualmente vivemos formalmente em democracia e ninguém é assassinado por se opor a quem governa. Mas desde o famoso caso do professor Charrua – alvo de um processo disciplinar e demitido de funções por se referir em termos jocosos ao primeiro-ministro – o clima de medo e suspeição (re)instalou-se na sociedade portuguesa.
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