
Segundo Manuela Ferreira Leite serve para "pôr tudo na ordem". Para Sócrates serve para aplicar políticas que os consensos e as concertações nunca permitiriam.
O governo da maioria, para além de despojar a direita de qualquer significado político, apoderou-se de uma das suas piores características: o autoritarismo.
Este autoritarismo foi-se expressando ao longo do mandato em casos particulares (a polícia a revistar sedes de sindicatos...), em questões mais públicas mas a seu tempo contidas (o fecho das urgências contra as populações) e assume a sua forma mais arrogante, mais descarada e mais inaceitável com a ministra da educação e a sua teimosia em governar contra a escola!
Mas com Sócrates este autoritarismo assume uma característica mais avançada: a de ideologia.
É através da ideologia dominante que Sócrates governa contra as populações. Propagandeia o "medo" dos professores em serem avaliados; propagandeia os "privilégios" dos funcionários públicos, para lhos retirar; propagandeia o "fim dos recibos verdes" para justificar o despedimento sem justa causa!
Já sabemos que José Sócrates é um profissional do marketing político: vende o computador magalhães em cimeiras internacionais, estreia o teleponto no comício político, distribui computadores às crianças para a fotografia do jornalista, para logo deixar a criança sem brinquedo! E é o refúgio do marketing político profissional, que lhe permite encobrir o autoritarismo do seu governo.
Basta observar o primeiro-ministro nos seus debates quinzenais na AR: não é capaz nunca, de responder às perguntas que se lhe colocam, limita-se a repetir vezes sem conta (para as câmaras e os microfones...) as mesmas acusações à sua esquerda e à sua direita - sem nada de novo!
Mas este autoritarismo da política não tem, ao contrário de muitas ditaduras da história, a finalidade da auto-defesa e da perpetuação do poder.
Tem sim, o objectivo de defender as elites económicas do país, atacando direitos sociais, restringindo a despesa pública a fundos de segurança para a banca privada.
Sócrates não negoceia com os parceiros sociais, não responde à oposição e vende magalhães na televisão. Será esta a marca deste governo - marketing sem fundamento político na auto-promoção e autoritarismo na execução da política.
Na semana em que o PS aprovou sozinho o orçamento de estado, Sócrates irritou-se com o novo encontro das esquerdas - tem graça como a convergência das esquerdas irrita tanto quem tem sempre um "sectário" na boca para distribuir à sua esquerda - e tem razão para isso! A convergência é a arma mais poderosa que a esquerda possui contra este autoritarismo ideologizado e será nela que o futuro a constituirá como alternativa de poder a este forma déspota que a maioria tem de governar.
Bruno Maia
in Esquerda.Net
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