sábado, 16 de maio de 2009

A vítima Vital...

Portugal é como aquelas festas chatíssimas em que só acontece alguma coisa depois de sairmos. Mal aterrei no lado oposto do Atlântico, uma mensagem no telemóvel informava-me que Vital Moreira havia sido agredido e insultado na manifestação da CGTP do 1º de Maio. A festa, portanto, aquecia.
Ainda que, inexplicavelmente, os media americanos teimem em ignorar a existência do prof. Vital, tenho seguido o assunto pela Internet e constatado que a festa continuou a aquecer semana afora.
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Ao que as escassas visitas aos sites nacionais me permitem apurar, o PS acusa a CGTP e o PCP pela agressão e exige desculpas, a CGTP desculpa os agressores e pede desculpas pela agressão, o PCP acusa o PS por acusar o PCP e, naturalmente, exige desculpas.
À revelia da indignação do PS, começou a constar que elementos do Bloco de Esquerda também participaram na folia.Não vale a pena comentar sujeitos que andam em matilha a insultar o seu semelhante (ou, literalmente, ex-semelhante).
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Quem insulta sozinho pelo menos possui outra dignidade (e, admito, outras hipóteses de detenção policial ou internamento psiquiátrico). Vale notar a imediata evocação da Marinha Grande feita pelo prof. Vital logo no momento do incidente.
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O episódio das agressões a Mário Soares naquela localidade, em 1985, fundou uma crença irrevogável entre os agentes do país político: candidato que leve uns sopapos em campanha tem a eleição garantidamente ganha.
Apesar da rima, duvido.
A ideia, assaz cristã, de que o sacrifício é indicador de virtude aos olhos do eleitorado parte de dois pressupostos discutíveis: o primeiro é que o êxito de Soares após os sopapos não se deveu a uma série de factores circunstanciais e irrepetíveis; o segundo é que o eleitorado é estúpido.
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O PS acredita furiosamente em ambos e parece apostado em salvar uma campanha até ver desastrosa mediante a insistência no martírio do candidato, o qual, graças aos borrifos e ofensas, elevou dentro da sua cabeça o estatuto superior que se atribui desde a nomeação.
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Eleitoralmente, o PS lá saberá o que faz. Moralmente, o PS não sabe o que diz, e, a propósito de balbúrdias públicas, não lhe fica bem queixar--se em demasia do "ódio" dos comunistas.
Como se verificou há cinco anos, em Matosinhos, o amor dos socialistas pelo antecessor do prof. Vital teve consequências um bocadinho mais trágicas do que um fato molhado e o ego cheio.
in DN

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