quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Agostinho Neto...primeiro Presidente de Angola Livre...29º Aniversário da sua morte...

Agostinho Neto
António Agostinho Neto (Ícolo e Bengo, 17 de Setembro de 1922 — Moscovo, 10 de Setembro de 1979) foi um médico angolano, formado na Universidade de Lisboa, que em 1975 se tornou o primeiro presidente de Angola até 1979.
Em 1975-1976 foi-lhe atribuído o "Prêmio Lênin da Paz".
Fez parte da geração de estudantes africanos que viria a desempenhar um papel decisivo na independência dos seus países naquela que ficou designada como a
Guerra Colonial Portuguesa ou Guerra do Ultramar como também é conhecida.
Foi preso pela PIDE e deportado para o Tarrafal, sendo-lhe fixada residência em Portugal, de onde fugiu para o exílio. Aí assumiu a direcção do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), do qual já era presidente honorário desde 1962.
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Um poema de Agostinho Neto
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Voz do sangue
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Palpitam-me
os sons do batuque
e os ritmos melancólicos do blue
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Ó negro esfarrapado do Harlem
ó dançarino de Chicago
ó negro servidor do South
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Ó negro de África
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negros de todo o mundo
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eu junto ao vosso canto
a minha pobre voz
os meus humildes ritmos.
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Eu vos acompanho
pelas emaranhadas áfricas
do nosso Rumo
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Eu vos sinto
negros de todo o mundo
eu vivo a vossa Dor
meus irmãos.
(in A renúncia impossível)

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

A PRIVATIZAÇÃO DO MUNDO

É de supor que a natureza já existia antes da economia moderna. Daí que a natureza é em si grátis, sem preço. Isso distingue os objectos naturais sem elaboração humana dos resultados da produção social, que já não representam a natureza "em si", mas a natureza transformada pela actividade humana. Esses "produtos", diferentemente dos objectos naturais puros, nunca foram de livre acesso; desde sempre estavam sujeitos, segundo determinados critérios, a um modo de distribuição socialmente organizado. Na modernidade, é a forma da produção de mercadorias que regula essa distribuição no modo do mercado, segundo os critérios de dinheiro, preço e procura (solvente). Mas é um problema antigo que a organização da sociedade tenda a obstruir também o livre acesso a um número crescente de recursos pré-humanos da natureza. Essa ocupação traz, das mais diversas formas, o mesmo nome que os produtos da actividade social, a chamada "propriedade". Ou seja, acontece um quiproquó: outrora livres, os objectos naturais não elaborados pelo ser humano são tratados exactamente como se fossem os resultados da forma de organização social, e daí submetidos às mesmas restrições.
A mais antiga ocupação dessa espécie é a da terra. A terra em si não é naturalmente o resultado da actividade produtiva humana. Por isso também teria de ser, em si, de livre acesso. Quando muito, a terra já transformada, lavrada e "cultivada" poderia estar submetida aos mecanismos sociais; e, nesse caso, teria de se tornar propriedade daqueles indivíduos que a cultivaram. Mas, como se sabe, não é exactamente esse o caso. Justamente a terra ainda de todo inculta é usurpada com violência. Já na Bíblia há a disputa entre lavradores e criadores de gado por território (Caim e Abel) e, entre os pastores nómadas, por "pastos mais férteis". A usurpação do solo "virgem" é o pecado original e hereditário da "dominação do homem sobre o homem" (Marx). As aristocracias de todas as altas culturas agrárias repressivas se formaram na origem por essa apropriação violenta da terra, literalmente à clava e dardo. Contudo a propriedade nas culturas agrárias pré-modernas nem de longe se parecia com a propriedade privada no sentido atual. Isso significava, antes de tudo, que a propriedade não era exclusiva ou total. A terra podia ser utilizada e cultivada também por outros, que em troca pagavam certos tributos (a renda feudal na forma de víveres ou serviços) aos proprietários, estes originariamente violentos. Mas havia ainda possibilidades de uso gratuito. Por exemplo, em muitos lugares, os camponeses tinham a permissão de conduzir seus porcos até as terras incultas do senhor feudal, segar ali forragens crescendo livremente ou recolher outras matérias naturais. Diferentes possibilidades de uso livre nunca deixaram de ser controversas, como o direito à caça e à pesca. Quando os senhores feudais tentavam estabelecer proibições nesse sentido, estas quase nunca eram obedecidas. Assim, o caçador e o pescador ilegais passaram a figurar entre os heróis da cultura popular pré-moderna.
A propriedade privada moderna reforçou monstruosamente a submissão da natureza "livre" à forma da organização social, obstruindo assim o acesso aos recursos naturais com um rigor nunca visto. Essa intensificação da tendência usurpadora tem sua razão no facto de a ocupação ser efectuada agora não mais pelo acto pessoal e imediato de violência, mas pelo imperativo económico moderno, representando uma violência "coisificada" de segunda ordem. A violência armada imediata manifesta-se ainda hoje na ocupação dos recursos naturais, mas ela é já coisificada de forma institucional na própria figura da polícia e do Exército. A violência que sai dos canos das espingardas modernas já não fala por si mesma; ela tornou-se mero beleguim do fim em si mesmo económico. Esse deus secularizado da modernidade, o capital como "valor que se autovaloriza" incessantemente (Marx), não aparece, porém, apenas na figura de uma coisificação irracional; ele é ainda muito mais ciumento que todos os outros deuses antes dele. Por outras palavras: a economia moderna é totalitária. Ela levanta uma pretensão total sobre o mundo natural e social. Por isso tudo o que não está submetido e assimilado à sua lógica própria é para ele fundamentalmente uma espinha na garganta. E, como sua lógica consiste única e exclusivamente na valorização permanente do dinheiro, ela tem de odiar tudo o que não assume a forma de um preço monetário. Não deve haver nada mais sob o céu que seja gratuito e exista por natureza. A propriedade privada moderna representa somente a forma jurídica secundária dessa lógica totalitária. Ela é, por isso, tão totalitária quanto esta: o uso deve ser um uso exclusivo. Isso vale particularmente para os recursos naturais primários da terra. Sob a ditadura da propriedade privada moderna, não é mais tolerado nenhum uso gratuito para a satisfação das necessidades humanas, além das oficiais: os recursos têm de servir à valorização ou ficar em pousio. Dada a forma da propriedade privada, mesmo a parte da terra que o próprio capital não pode de modo nenhum usar deve ser excluída de qualquer outro uso. Essa imposição descabida suscitou repetidas vezes o protesto social. Na época anterior a 1848, uma experiência crucial para o jovem Marx, amiúde enfatizada na sua biografia, foi a discussão em torno da "lei prussiana contra o roubo de lenha", que queria proibir os pobres de recolher gratuitamente a lenha nas florestas. O conflito sobre o uso livre de bens naturais, sobretudo da terra, jamais cessou em toda a história do capitalismo. Mesmo hoje, em muitos países do Terceiro Mundo, há movimentos sociais de "ocupantes da terra" que colocam em questão a ditadura totalitária da propriedade privada moderna sobre o uso do solo.
No desenvolvimento do moderno sistema produtor de mercadorias, o problema primário do acesso a recursos naturais gratuitos foi sobrepujado pelo problema secundário do acesso a recursos "públicos", directamente relacionados ao todo da sociedade: as chamadas infra-estruturas. Com a industrialização capitalista e a inerente aglomeração de massas gigantescas de seres humanos (urbanização), surgiram carências sociais, tornando necessárias medidas que não podiam ser definidas pela lei do mercado, mas somente pela administração social directa. Por um lado, trata-se agora de sectores inteiramente novos, resultantes do processo de industrialização, como o serviço público de saúde, as instituições públicas de ensino (escolas, universidades etc.), as telecomunicações públicas (correio, telefone), o abastecimento de energia e os transportes públicos (caminho de ferro, metropolitano, etc.). Por outro lado, também os recursos naturais antes livremente acessíveis sem nenhuma organização social e os processos vitais humanos que se efectuam por si mesmos tiveram de ser socialmente organizados e colocados sob a administração pública: é o caso do abastecimento público de água potável, da recolha pública de lixo, dos esgotos públicos etc., chegando aos sanitários públicos nas grandes cidades. Sob as condições do moderno sistema produtor de mercadorias, a "administração de coisas" pública e colectiva não pode assumir senão a forma distorcida de um aparelho burocrático estatal. Pois a forma moderna "Estado" representa somente o reverso, a condição estrutural e a garantia do "privado" capitalista; o Estado não pode, por natureza, assumir a forma de uma "associação livre". A administração pública de coisas permanece assim nacionalmente limitada, burocraticamente repressiva, autoritária e ligada às leis fetichistas da produção de mercadorias. Por isso os serviços públicos assumem a mesma forma-dinheiro que a produção de mercadorias para o mercado. Ainda assim não se trata de preços de mercado, mas somente de tarifas; algumas infra-estruturas até são oferecidas gratuitamente. O Estado financia esses serviços e agregados de coisas somente para uma pequena parte, por meio de tarifas cobradas dos cidadãos; no essencial, eles são subvencionados com a taxação dos rendimentos capitalistas (salários e lucros). Desse modo, a administração pública de coisas permanece ligada ao processo de valorização do capital.
Por um período de mais de cem anos, os sectores do serviço público e da infra-estrutura social foram reconhecidos em toda parte como o necessário suporte, amortecimento e superação de crises do processo do mercado. Nas últimas duas décadas, porém, impôs-se no mundo inteiro uma política que, exactamente às avessas, resulta na privatização de todos os recursos administrados pelo Estado e dos serviços públicos. De modo algum essa política de privatização é defendida apenas por partidos e governos explicitamente neoliberais; há muito ela prepondera em todos os partidos. Isso indica que não se trata aqui só de ideologia, mas dum problema de crise real. Seguramente, desempenha um papel nisso o fato de a arrecadação pública de impostos retroceder com rapidez por conta da globalização do capital. Os Estados, as Províncias e as comunas superendividadas em todo o mundo tornaram-se factores de crise económica, ao invés de poder ser activos como factores de superação da crise. Uma vez delapidadas as "pratas" dos sistemas socialmente administrados, as "mãos públicas" acabam assemelhando-se fatalmente às massas de vítimas da velhice indigente, que nas regiões críticas do globo vendem nos mercados de segunda mão a mobília e até a roupa para poderem sobreviver. Porém o problema reside ainda mais fundo. No âmago, trata-se de uma crise do próprio capital, que, sob as condições da terceira revolução industrial, esbarra nos limites absolutos do processo real de valorização. Embora ele deva expandir-se eternamente, pela sua própria lógica, ele encontra cada vez menos em condições para tal, nas suas próprias bases. Daí resulta um duplo acto de desespero, uma fuga para a frente: por um lado, surge uma pressão assustadora para ocupar ainda os últimos recursos gratuitos da natureza, de fazer até mesmo da "natureza interna" do ser humano, de sua alma, de sua sexualidade, de seu sono o terreno directo da valorização do capital e, com isso, da propriedade privada. Por outro, as infra-estruturas públicas administradas pelo Estado devem ser administradas, também no vai ou racha, por sectores do capitalismo privado.
Mas essa privatização total do mundo mostra definitivamente o absurdo da modernidade; a sociedade capitalista torna-se autocanibalística. A base natural da sociedade é destruída com velocidade crescente; a política de diminuição dos custos e a terceirização a todo o preço arruinam a base material das infra-estruturas, o conjunto organizador e, com isso, o valor de uso necessário. Há tempos é conhecido o caso desastroso da ferrovia e, de modo geral, dos meios de transporte, outrora públicos: quanto mais privados, tanto mais deteriorados e mais perigosos para a comunidade. O mesmo quadro se constata nas telecomunicações, nos correios etc. Quem hoje precisa, com a mudança de casa, mandar instalar um telefone novo passa por estouro de prazos, confusão de competências entre as instâncias "terceirizadas" e técnicos pseudo-autónomos e praguejantes. O correio alemão, que se transformou num consórcio e "global player" ansioso por sua capitalização nas Bolsas, em breve distribuirá cartas na Califórnia ou na China; em troca, o serviço mais simples de entrega mal continua funcionando em casa. Que prodígio actividades inteiras serem ajustadas a salários módicos, as regiões de entrega de poucos carteiros dobradas e triplicadas, e as filiais, extremamente desguarnecidas! As estações de correio ou de caminho de ferro transformam-se em milhas cintilantes de lojas estranhas à sua alçada, enquanto o serviço próprio sofre. Quanto mais estilizados os escritórios, tanto mais miserável o serviço. Apesar de todas as promessas, a privatização significa cedo ou tarde não só a piora mas também o aumento drástico de preços. Porque és pobre, tens de morrer mais cedo: com a privatização crescente dos serviços de saúde, essa velha sabedoria popular recebe novas honras mesmo nos países industriais mais ricos. A política de privatização não dá trégua nem sequer às necessidades humanas mais elementares. Na Alemanha, as toilletes de estações de combóio passaram a ser recentemente controladas por uma empresa transnacional de nome "McClean", que cobra pela utilização de um mictório tanto como por uma hora de estacionamento no centro da cidade. Portanto agora já se diz: porque és pobre, tens de mijar nas calças ou aliviar-te ilegalmente!
A privatização do abastecimento de água na cidade boliviana de Cochabamba, que, por determinação do Banco Mundial, foi vendida a uma "empresa de água" norte-americana, mostra o que ainda nos espera. Em poucas semanas, os preços foram elevados a tal ponto que muitas famílias tiveram de pagar até um terço dos seus rendimentos pela água diária. Juntar água da chuva para beber foi declarado ilegal, e ao protesto respondeu-se com o envio de tropas. Logo também o sol não brilhará de graça. E quando virá a privatização do ar que se respira? O resultado é previsível: nada funcionará mais, e ninguém poderá pagar. Nesse caso, o capitalismo terá de fechar tanto a natureza como a sociedade humana por "escassez de rentabilidade" e abrir uma outra.
Robert Kurz
http://Planeta.clix.pt/obeco/

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Aberrações cá do "Sitio"...

Elementar justiça
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Segundo o Relatório de Avaliação Global do Cumprimento dos Princípios de Bom Governo, da responsabilidade do Ministério das Finanças, que o CM agora divulgou, os "boys" colocados nas administrações de 77 das maiores empresas públicas custaram em 2007 aos contribuintes qualquer coisa como 34,2 milhões de euros.
Cada um deles recebeu, em média, 92 874 euros em remunerações e mais dispersos "benefícios sociais", "complementos" e regalias, dos automóveis topo de gama aos seguros de saúde e reformas igualmente topo de gama.
Feitas as contas, qualquer dos 369 felizes autocontemplados (pois são eles quem assume a penosa tarefa de fixar as suas próprias remunerações) ganhou mais do que ganha o primeiro-ministro, o que, em tempos de unhas de fome como os nossos, constitui um acto de louvável generosidade, mesmo tratando-se de generosidade à custa de dinheiros públicos, que é como quem diz à custa alheia.
Mas, principalmente, é um acto da mais elementar justiça.
De facto, governar uma empresa pública e, ao mesmo tempo, governar-se, há-de decerto ser muito mais difícil do que governar um país.
Manuel António Pina
in JN

domingo, 7 de setembro de 2008

A branca e a preta

- Então compadre, essas vacas são boas?
- A branca é...
- Então e a preta?
- A preta também.
- Ah... e dão muito leite?
- A branca dá.
- Então e a preta?
- A preta também.
- E, diga-me lá. São boas de tratar?
- A branca é.
- Então e a preta?
- A preta também.
- Mas porque é que diz sempre que a branca é que é boa, e dá muito leite e assim, se a preta também?
- É que a branca é minha.
- Então e a preta?
- A preta também.

Bocas Jornalisticas...

Também a justiça está doente...

Tirem a venda da Justiça
O infinito disparate do tribunal de Loures de tratar da mesma maneira o militar da GNR que tentava deter um grupo de assaltantes e os próprios assaltantes ilustra o maior problema de Portugal nesta fase da sua vida democrática.
Se juízes e procuradores em Loures não conseguem distinguir entre crime e ordem mantendo as suas decisões num limbo palavroso de incoerências politicamente correctas e medos de existir, nada nos defende da desordem.
A disléxica significância actual do estatuto de 'arguido' que permite na mesma penada dar rótulos idênticos a criminosos e agentes da ordem pública é um absurdo em qualquer norma civilizada.
Esta justiça, ou ausência dela, faz de Portugal um país perigoso para se viverem 2008.
O militar da GNR chamado para restabelecer a ordem e o 'pai' foragido da prisão que levou o filho num assalto não podem ser tratados da mesma maneira por um justiça que meramente cumpre rituais de burocracia.
A cegueira da crise na justiça está a originar que a mensagem pública que surge destas decisões agudize a sensação de insegurança e fragilize a capacidade do Estado de manter a ordem pública.
Chegou a altura de retirar a venda da justiça em Portugal para ela ver para onde está a levar o país, aplicada como tem sido num sinistro cocktail de sabores doPREC, heranças do totalitarismo, inseguranças políticas, ambiguidades e ignorâncias cobertas por mantos diáfanos de academia-faz-de-conta.
Nesta rapsódia de dissonâncias que é a interpretação apriorística e receosa de normas mal definidas, mantém-se sem conclusão o julgamento da Casa Pia que nestes anos todos perdeu qualquer hipótese de juízo sério. Não se consegue entregar Esmeralda a quem lhe garanta a infância normal a que tem direito porque Esmeralda teve o azar de nascer num país onde o Direito não é normal.Caímos no ridículo internacional com a instrução desastrada e provinciana do caso McCann onde tudo falhou. Da letra da lei, à sua interpretação, à sua aplicação. E agora em Loures diz-se ao país que é a mesma coisa tentar manter a ordem em condições extremas e levar um filho num assalto depois de se ter fugidoda prisão.
É tudo arguido com a mesma medida de coação.
O que a Judicatura e a Procuradoria de Loures mostraram ao País não foi que a justiça é cega. Foi a cegueira da justiça em Portugal. Disseram que é a mesma coisa ser-se um cidadão militar agente da lei e um foragido apanhado em flagrante, armado com calibres letais e disfarçado com identidades falseadas.
A continuar assim teremos que bramir armas em público como os mais fundamentalistas intérpretes da Constituição americana dizem que podem. E temosque ir dormir a condomínios privados porque a cidade e as zonas rurais estão a saque dos grupos que nomadizam armados à espera de uma aberta, e nós teremos que nos defender.
Precisamos de procuradores capazes, juízes justos e de um ministro da Justiça que consiga administrar os meios do Estado. Obviamente não os temos no actual quadro do funcionalismo público.
Por favor subcontratem. Estrangeiros mesmo,que os há muito bons, porque a coisa aqui está preta.
Mário Crespo
Recebido por email

sábado, 6 de setembro de 2008

A Nestlé solicitou uma reunião com o Papa

A Nestlé solicitou uma reunião com o Papa no Vaticano.
Após receber a benção do mesmo, o representante cochichou:
Vossa Santidade, nós temos uma oferta. A Nestlé está disposta a doar 50
milhões à Igreja se Vossa Santidade mudar a frase da oração Pai Nosso, de "o
pão nosso de cada dia nos dai hoje" para "o café nosso de cada dia nos dai
hoje".
O Papa responde:
Isto é impossível. A oração é a palavra do Senhor e não pode ser mudada.
Bem, diz o homem, nós já prevíamos sua relutância e, por isso, nós
aumentamos a oferta para 100 milhões. Tudo o que pedimos é que se mude a
frase de pão para café.
Novamente o Papa responde: Isto, meu filho, é impossível. A prece é a
palavra de Deus e não pode ser mudada. Finalmente, o homem da Nestlé diz:
Vossa Santidade, nós da Nestlé respeitamos vossa fé, mas nós temos uma
oferta final: doaremos 500 milhões para a Igreja Católica, simplesmente
se a frase "o pão nosso de cada dia" for mudada para "o café nosso de cada
dia". Por favor, pense nisso.
E o homem retirou-se.
No dia seguinte, o Papa convoca o Colégio dos Cardeais e diz:
Tenho 2 notícias para dar: uma má e a outra boa. A boa notícia é que a Igreja
vai receber uma doação de 500 milhões.
E a má notícia, Santidade? pergunta um dos cardeais.
Responde o Papa: Nós vamos rescindir o contrato com a Panrico.

A mulher é o futuro do homem

1º – A ofensiva capitalista neoliberal tem feito recair sobretudo sobre as mulheres a precarização dos vínculos contratuais, o trabalho clandestino, a erosão dos direitos laborais, o abaixamento do custo da força de trabalho e o desemprego.

2º – Por seu lado, o Estado tem vindo a transferir para o trabalho doméstico e não remunerado das mulheres funções de assistência social que antes estavam entregues aos serviços públicos. É sobre elas que pesa a principal carga da redução da intervenção estatal a este nível, pois têm de cuidar a tempo inteiro dos filhos pequenos, dos deficientes, dos acamados e idosos não abrangidos pela previdência social.

3º – Os códigos de trabalho neoliberais reforçaram a concepção conservadora da família e a precarização de direitos das mulheres. As jornadas múltiplas de trabalho fazem com que a maioria das mulheres trabalhe por dia mais horas do que os homens, porque acumulam tarefas domésticas e de apoio à família. Em todo o mundo as mulheres ganham menos que os homens pelas mesmas funções; e estão sujeitas a todo o tipo de violência sexista: no trabalho, na rua, em casa. A mulher continua a ser a proletária do homem, a criada para todo o serviço. Os cuidados prestados pelas mulheres na esfera doméstica constituem efectivamente um sistema não oficial de saúde e por isso mesmo deveriam ser introduzidos e valorizados nas políticas sociais.

4º – As mulheres estão limitadas a sectores tradicionais do emprego feminino e de mão-de-obra mal paga e instável (têxteis, confecções, calçado, indústrias alimentares, indústria eléctrica e electrónica, hotelaria). Em momentos de crise, elas são as primeiras a ser despedidas e as últimas a ser contratadas. A participação das mulheres no mercado de trabalho não tem sido acompanhada de mais qualidade e valorização no emprego. Acentua-se a desvalorização do trabalho feminino, aumenta a precarização e a exploração.

5º – A libertação feminina continua a ser uma utopia. E não serão as actuais organizações feministas a promover essa emancipação, porque as correntes dominantes não têm orientação revolucionária. Precisamos de um movimento aberto sem ser promíscuo (que recuse alianças com mulheres de direita e não subordine as suas tácticas às ambições institucionais de partidos reformistas), sensato sem perder a ousadia, antipatriarcal sem ser sexista ou antimasculino, subordinando todo o seu programa às necessidades das mais exploradas e não da elite, preocupado em gerar novas ideias e uma nova audácia da parte das oprimidas.

6º – As principais causas de género que estão por resolver são o direito a salário igual para trabalho igual, o direito à descriminalização do aborto, a denúncia da violência conjugal, familiar ou social contra a mulher. A estas há que contrapor a luta pela igualdade em casa, no trabalho, na sociedade e na política e a recusa das mulheres a substituir-se aos serviços estatais de segurança social e assistência na doença, contrapondo-lhe a socialização das tarefas domésticas e dos cuidados infantis e de saúde.

7º – A mobilização das mulheres para estas frentes de luta, em vez de as “desviar da luta política”, como argumentam activistas imbuídos de machismo inconsciente, estimularia enormemente a presença das mulheres nas lutas políticas e sociais mais gerais.

8º – Contudo, só um ascenso do movimento sindical e reivindicativo ou uma crise social e política aguda poderá suscitar o envolvimento das trabalhadoras em geral nesta luta. Nesse momento, um maior protagonismo como cidadãs e lutadoras poderá despertar tal consciência na grande massa das mulheres.

9º – As mulheres dividem-se por classes, mais do que se identificam por razões de sexo. Mas não só. A sua situação é mais complexa porque elas têm uma posição paradoxal e contraditória na luta de classes: são vistas, por um lado, como mão-de-obra barata pelo capital e, pelo outro, como concorrentes pelos trabalhadores homens; além de serem assalariadas, debatem-se com a necessidade de atender também à sua tarefa, executada a título gratuito, de esposas, mães, repositoras da força de trabalho e fornecedoras de cuidados infantis e de saúde.

10º – As organizações sindicais ou de classe não têm sabido lidar com estas quatro contradições (exploração, patriarcalismo, desigualdade e violência) nem parecem aperceber-se da combinação complexa de papéis e funções contraditórias que pesam sobre as mulheres. Respondem lhe apelando à organização imediata das exploradas, criam secções femininas nas suas estruturas, de imediato secundarizadas, e apelam para que se integrem na luta geral, sem querer saber se existem condições para tal. A burocratização e colocação em surdina dos “assuntos da mulher” tem servido de alavanca para a promoção de algumas funcionárias, que agem como representantes do conjunto de todas as suas companheiras, mas não resolvem um só dos problemas apontados.

11º – Por seu lado, os partidos de vanguarda também não têm abordado com a necessária energia a sua responsabilidade em transformar as novas e velhas realidades do mundo feminino. Fazem por ignorar um fenómeno iniludível, ao qual não dão resposta: os revolucionários do século XX pensavam que o ingresso das mulheres no trabalho produziria a sua emancipação social e política. No entanto, e apesar da relativa independência económica obtida, não foi isso que se passou. Os valores dominantes que fazem da mulher a proletária do homem transportaram-se integralmente para a esfera da produção e reflectem-se em novas desigualdades.

12º – Esta realidade objectiva não pode ser escamoteada com palavras de consolo que apenas escondem, muitas vezes, uma insensibilidade patriarcal empedernida. Há que dizer que as desigualdades em relação aos homens se mantêm e se agravam e que as discriminações ancestrais subsistem. Prossegue a dominação masculina no local de trabalho, no universo doméstico ou na esfera pública.

13º – Também não há igualdade na esfera política. A hipocrisia dos programas oficiais pela igualdade revela se a todos os níveis, mesmo entre os quadros superiores. Nos governos, a maioria dos cargos são ocupados por homens. Na administração pública, o número de mulheres decresce à medida que se sobe na hierarquia. Nas empresas, as mulheres, mesmo as mais qualificadas que os homens, raramente ascendem aos cargos máximos.

14º – Por causa da violência contra a mulher, não lhe estão assegurados direitos humanos tão fundamentais como o direito à vida, à integridade pessoal e à dignidade. Mais de metade das esposas foram já vítimas de violência conjugal – ou seja, uma em cada duas mulheres foi sujeita a violência física pelo companheiro ou ex companheiro. Pior: morrem por ano milhares de mulheres em consequência de agressões violentas e de sequelas de maus tratos, fenómeno generalizado que abrange todas as classes sociais sem excepção e causa mais mortes e incapacidades entre mulheres do que o cancro, a malária, os acidentes rodoviários ou a guerra. A casa onde vivem as mulheres é o local mais perigoso para elas, porque é aí que se regista mais violência.

15º – Pior ainda, a violência começa antes do nascimento: devido a infanticídio ou aborto selectivo, há no mundo um défice de 200 milhões de mulheres, segundo estudos da ONU.

16º – Aumentam as famílias monoparentais e a maioria destas são constituídas por mulheres. São famílias mais pobres, mais disfuncionais e mais vulneráveis do que as outras e é sobre a mulher que recai toda a responsabilidade.

17º – A vulnerabilidade das mulheres face à exclusão social e a fragilidade da rede de apoio social faz com que a feminização da pobreza se acentue cada vez mais. Neste quadro global, as condições de vida, de trabalho e de sobrevivência das mulheres do mundo subdesenvolvido são muito mais precárias e mais difíceis do que as dos países desenvolvidos.

18º – Recusar à mulher o direito de decidir quando ter filhos e penalizar o aborto é a forma mais brutal de discriminação e um atentado à liberdade da mulher. Ser mãe não é só um acto físico, é uma empresa que pressupõe, para a mulher, um empenhamento pessoal e emocional para toda a vida, condicionando-a de forma indelével. A mulher não é uma parideira ou incubadora, é o ser humano mais dotado de aptidões naturais e inteligência para criar e fazer crescer outros seres humanos, como tem sido provado ao longo de toda a história natural e social da humanidade.

19º – Todas as medidas paliativas postas em prática pelos governos têm como objectivo interesses capitalistas: elevar a taxa de lucro, diminuir custos estatais, minimizar a conflitualidade. Os direitos humanos só lhes interessam se puserem em jogo o direito do capital a uma mão-de-obra escorreita e em boas condições de exploração.

20º – São precisas grandes mudanças civilizacionais para subverter esta ordem patriarcal. Só a luta das mulheres pelos seus direitos poderá conferir à luta geral pela emancipação um cunho feminista e só essa marca imposta pelas mulheres à luta geral poderá salvar a revolução futura de soçobrar.

21º – A persistência em todo o mundo de factores de desigualdade e de discriminação da mulher, enraizados desde há séculos, reforçados e agravados pela globalização do capitalismo, indica-nos como constatação inevitável que o caminho que falta fazer é muito longo e não será fácil de percorrer. Os sinais crescentes de barbárie, visíveis na brutalidade da exploração dos povos, na selvajaria das recentes guerras do Afeganistão, Iraque e Palestina, na natureza cada vez mais celerada do imperialismo, vão-se delineando com tal clareza que é fácil perceber que só poderão ser conjurados por uma vaga revolucionária geral que tarda em levantar-se.

22º – O caminho que falta percorrer para as mulheres porem a sua marca própria no levantamento anticapitalista é tão grande, que não se pode perder tempo. É hoje, agora, que tem que começar a derrocada do sistema milenar de servidão da mulher.

23º – A organização e luta pelo socialismo deverá ter como eixo, ao mesmo tempo, a questão de classe e a questão de sexo. Essa evolução requer investimentos de longo prazo em debate ideológico, formação e outras actividades práticas que desestabilizem as ideias e atitudes vigentes, além de exigir o combate a expressões de conservadorismo popular entre as massas.

24º – Caso a revolta dos oprimidos se verifique antes que ocorra uma catástrofe global, há razões para acreditar que a história da humanidade, que tem sido também a história da opressão das mulheres, evolua numa direcção diferente, para um mundo construído sobre o caos deste que urge destruir. Aí, talvez se possa dizer finalmente, como Louis Aragon, que «a mulher é o futuro do homem».
Ana Barradas
http://www.infoalternativa.org/mundo/mundo201.htm

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Outra Golpada...

Porta-voz da COMIL alvo de repressão governamental
Nos últimos tempos têm aflorado na sociedade portuguesa vários sintomas de degradação das liberdades e do Estado de Direito.
A Lei de Segurança Interna recentemente promulgada pelo senhor Presidente da República constitui uma medida potenciadora de situações menos transparentes e passíveis de colocar as polícias e o Ministério Público ao serviço dos objectivos do Governo.
Numa antecipação ao que nos espera, o porta-voz da COMIL, compareceu no dia 27 de Agosto, na Divisão de Investigação Criminal do Comando Metropolitano de Lisboa para ser interrogado sobre um processo que se encontra em fase de inquérito no Ministério Público.
È acusado de, em Março passado, ter convocado uma Concentração/Conferência de Imprensa sobre a Saúde e a Condição Militar sem que para tal tenha previamente informado o Governo Civil.
Esta acusação constitui uma mistificação grosseira do que se passou. A convocação de uma concentração nunca existiu.
Foi, de facto, realizada uma Conferência de Imprensa, mas tal iniciativa não obriga, nos termos da lei, a sua comunicação prévia ao Governo Civil.
No final da audição, o nosso camarada ficou com a qualidade de Arguido com Termo de Identidade e Residência. Exactamente a mesma medida que normalmente, é aplicada aos marginais que são apanhados em flagrante a praticar crimes com armas, colocando em risco pessoas e bens.
Infelizmente, quando assistimos a um recrudescer da criminalidade, a investigação criminal das Polícias é utilizada contra aqueles cujo único delito é discordarem desta política governamental e terem a coragem de dizerem não.
Os militares já se habituaram a ser o alvo da repressão governamental. Os 50 processos disciplinares levantados nos últimos três anos são disso prova cabal. Mas, neste caso, o nosso camarada, não está a ser alvo da repressão governamental por ser militar, mas por ser um cidadão que utilizou os direitos de cidadania previstos na Constituição da República.
A repressão já não se faz incidir apenas sobre os cidadãos militares mas sobre todos os que resistem a esta política desastrada.
Não podemos ficar calados, e a luta é o caminho. Temos que dizer a este Governo que os militares, que no 25 de Abril devolveram a liberdade aos portugueses, não aceitam estas limitações à liberdade e as violações ao Estado de Direito que, infelizmente tem sido a regra e não a excepção.
A COMIL – Comissão de Militares
Setembro 2008
Recebido por email

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A Razão do Xadrez

A Razão do Xadrez

Já repararam que o xadrez, inventado há uns séculos atrás pelos árabes, é o modelo perfeito da sociedade ocidental? Então vejam bem:
O tabuleiro é dividido numa óptica completamente norte-americana, ou seja, monocromática: de um lado estão os bons e do outro estão os maus. Índios e cowboys. Pretos e brancos. Ocidentais e muçulmanos. Quer um lado quer o outro têm a mesma legitimidade no tabuleiro embora cada lado ache que tem mais legitimidade que o outro.
Em cada lado do tabuleiro encontramos duas linhas de peças. Na linha da frente todos as peças são iguais e têm como objectivo proteger as peças da linha de trás. Por isso mesmo são normalmente as peças da frente a levar a maior parte da porrada.
Na linha de trás as peças são diferentes entre si e também possuem habilidades diferentes. O objectivo das peças da linha recuada é safarem-se o melhor que puderem enquanto a mama não acabar.
A análise de cada peça dá-nos a real dimensão do génio árabe ao inventar este jogo:

Os Peões (que representam o povo) ocupam toda a linha da frente movendo-se vagarosa e penosamente sempre a direito, sem hipótese de recuar, em direcção ao fundo do tabuleiro na vã esperança de se transformarem noutra peça qualquer. Escusado será dizer que raramente atingem esse objectivo, acabando sacrificados e comidos a meio do percurso.

Os Bispos (que representam a santa igreja) ladeiam as duas peças mais importantes do jogo e movem-se livremente pelo tabuleiro, embora sempre de um modo enviezado: os seus movimentos nunca são frontais.

Os Cavalos (também conhecidos por bestas, ou alimárias) são os políticos. Têm uma progressão esquisita no tabuleiro. O seu movimento em «L» faz com que seja pouco claro para onde vão a seguir. São as únicas peças que têm a capacidade de saltar indiscriminadamente por cima das outras.

As Torres (que representam o funcionalismo público) encontram-se nas extremidades do tabuleiro e estão entaladas entre os políticos e o povo. São as peças mais previsíveis da sua fileira: movem-se linearmente para trás e para a frente, para a direita e para a esquerda, conforme lhes convém ou lhes é permitido.

A Rainha (que simboliza o governo) é a peça mais exuberante do xadrez. E a mais perigosa também, devido à sua capacidade de se mover a seu bel prazer para todo o lado e à velocidade que lhe der mais jeito. Todo este ecletismo torna a Rainha na mais feroz defensora do seu Rei.

Finalmente temos o Rei, a peça mais importante do jogo, que simboliza a Mama: quando acaba a mama acaba o jogo. Por isso, o Rei é a peça que todas as outras tentam proteger.
Enfim, algumas peças protegem mais a mama que outras... mas isso já os árabes sabiam quando inventaram o jogo.
http://www.razao-tem-sempre-cliente.blogspot.com/

A Manela Falará???...

Direito de ficar calado
.
Em Castelo de Vide, pouco depois das 12 horas de domingo, se até lá não acontecer nada impeditivo (uma greve de camionistas, por exemplo), será finalmente esclarecido o mais insolúvel mistério da "silly season": a líder do maior partido da Oposição existirá mesmo (do lado de cá da realidade, digo eu) ou será uma alucinação colectiva?, e, no caso de existir, falará?, e, no caso de falar, terá alguma coisa a dizer?, e, no caso de ter alguma coisa a dizer, di-la-á?
No meio de tantas interrogações, partindo da hipótese que a dra. Manuela Ferreira Leite fará prova de vida e de capacidade de expressão, o que ela disser, se disser alguma coisa, será o menos importante.
Aliás, tendo decerto sido advertida de que tem o direito de permanecer em silêncio, mas que, se falar, tudo o que disser pode ser usado contra si, o provável é que, mesmo falando, continue calada.
Ou que aos costumes (e o último relatório da OCDE sobre o desastre português enumera esses costumes, alguns com origem nas suas passagens pelas Finanças e pela Educação) diga nada.
Que poderá, de facto, dizer que não lhe caia em cima?
Manuel António Pina
in JN

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Consciências pesadas...



Um casal estava dormindo profundamente como inocentes bebés.
De repente, lá pelas três horas da manhã, escutam ruídos fora do quarto.
A mulher, sobressaltada e totalmente espantada, diz para o homem:
- Aaaaaiiiiiii, deve ser o meu marido!!!...
O Homem levanta-se espantadíssimo e nu, pula como pode pela janela e
cai em cima de uma planta com espinhos.


Em poucos segundos volta e diz:
- Olha lá sua desgraçada... o teu marido sou eu!!!
- É?!?!? E saltaste da janela porquê?

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Títulos comentados

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Devido à subida de impostos sobre o tabaco, os plantadores mudaram de ramo

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Dez dicas para combater a melancolia do pós-férias
Bastam duas: vá para o fundo de desemprego ou a pré-reforma

Governo toma medidas para combater assaltos a gasolineiras
Mas não faz nada para evitar os das gasolineiras

Como o futebol levou uma polaca a aprender português
Passou a namorar no balneário da selecção nacional

Estado contrata apenas os professores que necessita
Para ensinarem inglês técnico ao primeiro ministro

PJ: «Onda de crimes vai parar»
Mas só durante a maré vazia

Paulo Portas cada vez mais só
Pudera! Naquela idade, solteiro e sem filhos…

Portas ocultou demissão de Nobre Guedes durante um ano
Para fingir que ainda tinha companhia

Toyota vai lançar veículo de luxo «mais pequeno» do mundo
E vai oferecê-lo ao grupo parlamentar do CDS

«Silêncio é mau, mas tem mais vantagens que inconvenientes»
Evita dizer asneiras

Segurança: «Governo respondeu à situação», diz Sócrates
Mas os assaltantes não ouviram

«O PS não tirou férias»
Porque não as merecia

Operação Furacão: Freeport de Alcochete investigado
Andaram à procura do Gustav?

Sócrates: «Abrandamento mundial vai sentir-se na nossa economia»
Este diz banalidades convencido que descobriu a pólvora

Putin salva equipa de televisão de tigre siberiano
Domesticado, é claro

Já existe um submarino a energia solar
Que só navega à superfície e em dias de sol

Terror regressa a Lisboa esta quarta-feira
O governo retoma funções

Nenhum silêncio é inocente


Diz-se que Manuela Ferreira Leite vai "quebrar o silêncio". Diz-se que esse magno acontecimento ocorrerá no domingo, no encerramento da Universidade de Verão do PSD. Diz-se, numa amarga perturbação, que a calada senhora, a fim de manter a estratégia da inaudibilidade - apenas sussurrará.

Esta atmosfera espectral, que o previsível Pacheco Pereira designa de necessária pausa para meditação, não tem sido, propriamente, aplaudida de pé. As dúvidas erguem-se, como puas, nas almas perplexas dos militantes. E a conspiração alastra como eczema. Menezes, feroz e irado com a mudez obstinada da dr.ª Manuela, ameaça com um congresso devastador. Marcelo manifesta-se incomodado e, até, aflito, com a cruel ausência da presidente. Santana Lopes, apesar de primo da dr.ª, não descansa um mísero segundo sem a fulminar com impiedosos comentários. Ângelo Correia abandonou a efusão das metáforas. Proclama que este rumo absurdo conduzirá o partido às profundezas do abismo. A dr.ª usa a retórica do desdém (moita, carrasco!) que deixa os adversários desatinados.

Mas já não são, exclusivamente, os "barões" a criticar as águas palustres onde, penosamente, se move o PSD da dr.ª Manuela Ferreira Leite. As "bases" começam a embaciar o fascínio sentido pela senhora. Circula um abaixo-assinado no qual se pede uma "sacudidela" à "abulia e à inércia" do partido. As palavras são aprimoradas; mas não deixam de ser rudes.

A Universidade de Verão parece, na lógica deste panorama, a contra-regra do Pontal; digamos: um sinédrio intelectual e grave, destinado a inculcar em cem ansiosos moços o breviário da "social-democracia" à portuguesa. A coisa é notoriamente confusa. E a identidade dos "professores" uma barafunda pegada, repleta de narcisismos perversos e de nervosas ambições.

Não sei se os meus pios leitores imaginam a natureza dos discursos de Pacheco e de Leonor Beleza, de António Borges e do general Garcia Leandro, sem omitir, claro!, o inimitável António Vitorino, socialista e tudo, sobretudo nos dias ímpares. Quase todos os nomeados são directamente responsáveis pelo estado a que chegou o País. Parte do descrédito da acção política a eles se deve. O nosso desalento deixou de ceder a qualquer apelo cívico, e as nossas emoções mais asseadas foram letalmente atingidas. A casta que tomou conta da Pátria devia ser condenada por indignidade nacional. Chega a ser infame a lista das prebendas, das reformas sumptuosas, das funções acumuladas, dos duplos e triplos vencimentos auferidos por uma gente desprezível, que entre si partilha o bolo, num macabro trânsito de interesses.

Os cem jovens que assistem ao conclave de Castelo de Vide vão, com aqueles "professores", aprender - quê? Os exemplos não são virtuosos.
Baptista-Bastos in DN

Está (quase) tudo explicado...


Segundo diz a equipa de Hasse Walum na última revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, uma variedade genética explica a fidelidade ou infidelidade masculina.

Mas atenção: somente 40% dos homens possuem essa característica que os tornam maridos confiáveis.

Aguarda-se, com expectativa, estudo semelhante no que respeita ao comportamento feminino.

Aconteceu há 250 anos


O Processo dos Távoras refere-se a um escândalo político português do século XVIII. Os acontecimentos foram desencadeados pela tentativa de assassinato do Rei D. José I em 1758, e culminaram na execução pública de toda a família Távora e dos seus parentes próximos em 1759. Alguns historiadores interpretam o assunto como uma tentativa do primeiro-ministro Sebastião José de Carvalho e Melo (Marquês de Pombal) de limitar os poderes crescentes de famílias da alta nobreza.

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terça-feira, 2 de setembro de 2008

Custa somente um euro... a necessitar de obras


Não gostaria de comprar uma casa em Itália por apenas um euro? A casa existe mas está perto de colapsar e provavelmente necessita de obras no valor de 100 mil euros, explica o jornal The Guardian.

Esta oferta, «que não se pode recusar», vem de Salemi, uma cidade a sul de Palermo na Sicília. O mais recente e excêntrico presidente da câmara, o crítico de arte que se transformou em político, Vittorio Sgarbi, acredita que vender as propriedades a preços muito baixos pode ser a única forma de salvar um requintado bairro da cidade.

Desde o terramoto de 1968 que a zona histórica de Salemi, parte dela que remonta a mais de mil anos antes da ocupação muçulmana, se tornou deserta. «Existem 3700 casas na zona velha da cidade que são propriedade da câmara municipal e estão em risco de ruir», explicou Sgarbi.

Inicialmente o presidente ofereceu as casas a qualquer pessoa da cidade que aceitasse fazer as remodelações necessárias. Mas, actualmente, o presidente de Salemi já propôs vender uma das casas ao novo patrão de José Mourinho, Massimo Moratti, o presidente do Inter de Milão.

«Estamos a pensar em pessoas que têm sensibilidade e poder económico para entrar nesta aventura», explicou Sgarbi ao jornal Corriere della Sera. «Em troca de um euro nós oferecemos estas casas e pedimos que as consigam restaurar num período de dois anos respeitando as suas características originais».

Sgarbi explicou que a ideia partiu originalmente de Oliviero Toscani, o fotógrafo que faz os famosos trabalhos para a Benetton, que é o actual conselheiro criativo para a cidade de Salemi.
In Portugal Diário

Praia da Adraga

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Ilusão


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posted by Francisco Trindade @ 23:17

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O Sporting foi aos touros e apanhou cinco "Cornadas"...

O Sporting deslocou-se a Espanha para uma "faena" com o Real Madrid...
Pouco habituado às "Lides Tauromáquicas", saiu sem pena nem glória com 5 cornadas no "buxo"...
Simpàticamente o Real lá fez o favor de deixar entrar três...
No final, alguns adeptos leoninos davam largas à indignação e afirmavam
" algo tem que mudar"...
.
Aqui fica o meu singelo contributo para a mudança, a começar e já pelo emblema do tão prestigioso clube...

Criminosos portugueses receiam não estar à altura de "onda de crime" promovida pela comunicação social

Não são apenas os cidadãos ordeiros os afectados pela "onda de criminalidade violenta" que o país atravessa (de acordo com a comunicação social) e os próprios meliantes começam a acusar a responsabilidade do permanente escrutínio mediático. Para Mané Balázio, presidente do Sindicato do Crime do Sul e Ilhas: "Até aqui, com as ondas de insegurança, ainda nos íamos aguentando, mas com a promoção a ondas de crime e com até os roubos mais insignificantes a terem cobertura televisiva, começamos a sentir que o país quase nos exige que pratiquemos a nossa arte e nem todos os colegas serão capazes de lidar com esta pressão." A opinião é partilhada por outros líderes sindicais do submundo. O presidente da UACAS (União de Assaltantes, Contrabandistas, Assassinos e Similares), Carvalho da Silva (sem parentesco com o líder da CGTP) refere ainda a mudança de expectativas do público. "Assaltos simples, roubos por esticão ou furtos domiciliares já não impressionam ninguém", refere. "Os portugueses têm visto assaltos com reféns e snipers e utilização de mísseis em carrinhas de valores e começam a habituar-se mal. Além disso, há ainda o problema dos comentários especializados. Tira a piada ao crime saber que cada roubo de caixa Multibanco tem um valor sociológico profundo." Ignorando as queixas da classe criminosa, o governo esforça-se para mostrar serviço na luta contra a "onda de criminalidade violenta", quer esta seja real ou não. Em breve, será anunciada a entrada ao serviço do primeiro super-herói português, um espécime concebido em laboratório a partir da fusão de qualidades dos nossos dirigentes, nomeadamente: a clareza de ideias de Pinto Monteiro, a simpatia de Rui Pereira, a diplomacia de Mário Lino, o ligeiro atraso mental de Alberto Costa (para mostrar que somos uma sociedade que não discrimina) e a capacidade de José Sócrates para ignorar tudo o que não se enquadre na sua visão idealizada de um país a caminho da perfeição.
http://www.inepcia.com/
posted by Francisco Trindade @ 19:54
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Foto de Graça Brites

O poeta é um fingidor

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


De Fernando Pessoa

O início da II Guerra Mundial foi há 69 anos

A 1 de Setembro de 1939 a Alemanha invade a Polónia


A Segunda Guerra Mundial (1939–1945) opôs os Aliados às Potências do Eixo, tendo sido o conflito que causou mais vítimas em toda a história da Humanidade. As principais potências aliadas eram a China, a França, a Grã-Bretanha, a União Soviética e os Estados Unidos. O Brasil se integrou aos Aliados em 1943. A Alemanha, a Itália e o Japão, por sua vez, perfaziam as forças do Eixo. Muitos outros países participaram na guerra, quer porque se juntaram a um dos lados, quer porque foram invadidos, ou por haver participado de conflitos laterais. Em algumas nações (como a França e a Jugoslávia), a Segunda Guerra Mundial provocou confrontos internos entre partidários de lados distintos.

O líder alemão de origem austríaca Adolf Hitler, Führer do Terceiro Reich, pretendia criar uma "nova ordem" na Europa, baseada nos princípios nazistas da suposta superioridade alemã, na exclusão — e supostamente eliminação física incluída — de algumas minorias étnicas e religiosas, como os judeus e os ciganos, bem como deficientes físicos e homossexuais; na supressão das liberdades e dos direitos individuais e na perseguição de ideologias liberais, socialistas e comunistas.

Tanto a Itália como o Japão entraram na guerra para satisfazer os seus propósitos expansionistas. As nações aliadas (como a França, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos da América) opuseram-se a estes desejos do Eixo. Estas nações, juntamente com a União Soviética, após a invasão desta pela Alemanha, constituíram a base do grupo dos Aliados.

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