segunda-feira, 24 de novembro de 2008

BELEZAS DE PORTUGAL

Clique na imagem para ampliar.
Cabo Raso, junto ao farol do

mesmo nome, ao entardecer;

Guincho, Cascais.

À distância, à direita, o farol

do Cabo da Roca.

Fotografia de Simões Valentim.

SINAIS DO TEMPO

O Dr. Dias Loureiro queria mesmo ir dizer com solenidade à Assembleia da República o que disse com solenidade e com um arzinho macilento à RTP? Queria mesmo explicar que “não sabia”, que lhe disseram, que ele, coitado, ia acreditando e que “não achava nada”? Queria mesmo confidenciar aos srs. Deputados que prevenira o Banco de Portugal, um ponto essencial que, segundo o Expresso, nem António Marta nem Vítor Constâncio confirmam? Onde se meteu o senso deste conselheiro de Estado e, já agora, o senso da gente que se espantou por o PS ter impedido um exercício absurdo e fora de toda a tradição parlamentar?
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E, por falar de senso, onde está a cabeça do PSD, quando a menos de um ano de eleições volta a falar em mudar de chefe, por causa de meia dúzia de gaffes da dra. Ferreira Leite e do habitual desconsolo com o resultado das sondagens? Não a elegeu há seis meses? Pensa seriamente que ainda consegue descobrir num canto obscuro do partido um salvador chegado direitinho do Céu? Ou que esse salvador é um jovem maravilha que não se cansa de comer febras de porco e, na vida civil, se chama Pedro Passos Coelho? Ou talvez, nunca se sabe, o célebre “Mourinho de Cavaco”, Alexandre Relvas, que passaria a “Mourinho do PSD”? Ou até, apesar da sua púdica recusa, o mágico Marcelo, sempre suspeito de puxar os cordelinhos por detrás da cortina?
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E onde pára a tão gabada habilidade do governo? Na fulminante nacionalização do BPN, com que o Estado – pela Caixa – em poucos dias gastou galhardamente mil milhões de euros do contribuinte (contra os 400 que Cadilhe lhe pedira)? Na ideia de fazer dos bancos denunciantes, para bem do défice e glória de Sócrates? Na proibição judiciosa de dar o horroroso nome de “estagnação” a um crescimento de 0,1%? Num Conselho de Ministros formal e extraordinário sobre a avaliação de professores, que era inútil muito antes de começar? Ou na “estratégia” de “isolar os sindicatos”, como se os problemas desaparecessem com eles?
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Uma pessoa abre o jornal ou liga a televisão e revê, pasmado, a velha propaganda antidemocrática de 1930. Umas vezes, subtil; outras vezes, muito taxativa e franca. Umas vezes nostálgica, outras vezes, quase triunfante. A miséria geral e a perspectiva de uma miséria maior, a fraqueza do regime e uma irritação crescente anunciam o caos. Manifestamente, a bota deixou de rimar com a perdigota.
Vasco Pulido Valente, in Público

"Minha querida lavandaria"...

RTP

A RTP é a lavandaria do regime. Não há vítima de cabala que não lave a consciência naquela espécie de Santa Casa da Misericórdia dos aflitos.
Desde a entrevista a Carlos Cruz lavado (o termo é apropriado) em lágrimas, os queridos telespectadores já não choravam como choraram com Dias Loureiro (talvez com excepção da entrevista a outra perseguida, a dolorosa mártir Fátima Felgueiras).
Dias Loureiro, um homem, como aquele, Malaquias, de Manuel de Lima, barbaramente agredido, foi aos estúdios de baraço ao pescoço e sem bigode, confessando que, sim, era administrador da SLN, mas, enquanto aconteciam no BPN as trapaças que têm vindo a público (e as que hão-de vir), calhou sempre de estar a olhar para outro lado.
Assinava as contas sem as ler, pois só lê biografias e romances policiais (as contas do BPN eram um romance policial, mas como podia Dias Loureiro sabê-lo?). Por isso está, obviamente, de consciência limpa.
Eu acredito em Dias Loureiro (que diabo, é um conselheiro de Estado!) e não em cínicos como Stanislaw Lec, para quem a melhor forma de manter a consciência limpa é não lhe dar uso.
Manuel António Pina
in JN

Ensaio sobre a cegueira...

António Gedeão...Foi um Poeta e Historiador da Ciência...

António Gedeão
António Gedeão, pseudónimo de Rómulo de Carvalho, (Lisboa, 24 de Novembro de 1906Lisboa, 19 de Fevereiro de 1997) foi poeta, professor e historiador da ciência portuguesa. Concluiu, no Porto, o curso de Ciências Físico-Químicas, exercendo depois a actividade de docente.
Teve um papel importante na divulgação de temas científicos, colaborando em revistas da especialidade e organizando obras no campo da história das ciências e das instituições, como A Actividade Pedagógica da Academia das Ciências de Lisboa nos Séculos XVIII e XIX.
Publicou ainda outros estudos, como História da Fundação do Colégio Real dos Nobres de Lisboa (1959), O Sentido Científico em Bocage (1965) e Relações entre Portugal e a Rússia no Século XVIII (1979).
Revelou-se como poeta apenas em 1956, com a obra Movimento Perpétuo.
A esta viriam juntar-se outras obras, como Teatro do Mundo (1958), Máquina de Fogo (1961), Poema para Galileu (1964), Linhas de Força (1967) e ainda Poemas Póstumos (1983) e Novos Poemas Póstumos (1990).
Na sua poesia, reunida também em Poesias Completas (1964), as fontes de inspiração são heterogéneas e equilibradas de modo original pelo homem que, com um rigor científico, nos comunica o sofrimento alheio, ou a constatação da solidão humana, muitas vezes com surpreendente ironia.
Alguns dos seus textos poéticos foram aproveitados para músicas de intervenção.
Em 1963 publicou a peça de teatro RTX 78/24 (1963) e dez anos depois a sua primeira obra de ficção, A Poltrona e Outras Novelas (1973).
Na data do seu nonagésimo aniversário, António Gedeão foi alvo de uma homenagem nacional, tendo sido condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Sant'iago de Espada.
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Poema
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Lágrima de preta
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Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
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Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
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Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
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Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
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Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
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nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

domingo, 23 de novembro de 2008

Portugal...Coisas do Dinheiro...

Negócios à portuguesa
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O escândalos do BPN e da SLN revelam o pior dos grandes negócios à portuguesa. Um império liderado por um ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, construído com base em ligações nem sempre claras com políticos no activo e ex-políticos influentes.
Este jogo perigoso é mais visível neste grupo, mas não é um exclusivo do primeiro banqueiro português a ficar na prisão. Num país em que a economia depende tanto do Estado, que gasta cerca de metade da riqueza gerada, estas ligações são ainda mais perversas.
Os valores em salários, comissões, ‘stock--otpions’ e empréstimos, de muitos milhões, permitiram a antigos políticos chegar a um patamar de riqueza que para os padrões nacionais são obscenos. E por muito mérito que tenham tido, dificilmente teriam conseguido sem a teia nebulosa da SLN.
- Dias Loureiro, conselheiro de Estado, foi à RTP revelar que em 1995 saiu da política sem dinheiro e que em seis anos na Plêiade ficou com 1,65 milhões de contos (8,25 milhões de euros). O ex-ministro é um hábil estratega e tem uma grande rede de contactos. E as ‘stock-options’ dadas por Roquette tornaram-no milionário.
- O toque de Midas de Loureiro não ficou só pela fortuna acumulada na parceria de Roquette vendida a Oliveira e Costa. Saiu a tempo da SLN e do BPN sem perder um tostão.
Armando Esteves Pereira
in CM

Desabafos de um Professor...

Faço projectos, planos, planificações;
Sou membro de assembleias, conselhos, reuniões;
Escrevo actas, relatórios e relações;
Faço inventários, requerimentos e requisições;
Escrevo actas, faço contactos e comunicações;
Consulto ordens de serviço, circulares, normativos e legislações;
Preencho impressos, grelhas, fichas e observações;
Faço regimentos, regulamentos, projectos, planos, planificações;
Faço cópias de tudo, dossiers, arquivos e encadernações;
Participo em actividades, eventos, festividades e acções;
Faço balanços, balancetes e tiro conclusões;
Apresento, relato, critico e envolvo-me em auto-avaliações;
Defino estratégias, critérios, objectivos e consecuções;
Leio, corrijo, aprovo, releio múltiplas redacções;
Informo-me, investigo, estudo, frequento formações;
Redijo ordens, participações e autorizações;
Lavro actas, escrevo, participo em reuniões;
E mais actas, planos, projectos e avaliações;
E reuniões e reuniões e mais reuniões!...
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E depois ouço,
alunos, pais, coordenadores, directores, inspectores,observadores, secretários de estado, a ministra
e, como se não bastasse, outros professores,e a ministra!...
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Elaboro, verifico, analiso, avalio, aprovo;
Assino, rubrico, sumario, sintetizo, informo;
Averiguo, estudo, consulto, concluo,
Coisas curriculares, disciplinares, departamentais,
Educativas, pedagógicas, comportamentais,
De comunidade, de grupo, de turma, individuais,
Particulares, sigilosas, públicas, gerais,
Internas, externas, locais, nacionais,
Anuais, mensais, semanais, diárias
e ainda querem mais?...
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- Querem que eu dê aulas!?...

Caio Prado Júnior...Foi um Historiador, Escritor e Politico Brasileiro...

Caio da Silva Prado Júnior (São Paulo, 11 de fevereiro de 1907 — São Paulo, 23 de novembro de 1990) foi um historiador, geógrafo, escritor, político e editor brasileiro.
As suas obras inauguraram, no país, uma tradição
historiográfica identificada com o marxismo, buscando uma explicação diferenciada da sociedade colonial brasileira.
Biografia
Bacharelou-se em
Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco, em São Paulo (1928), onde mais tarde seria livre-docente de Economia Política.
Como intelectual teve importante atuação política ao longo das décadas de
1930 e 1940, tendo participado das articulações para a Revolução de 1930.
A
12 de agosto de 1931, em São Paulo, nasce seu filho (com Hermínia F. Cerquilho), Caio Graco, que mais tarde conduzirá a Editora Brasiliense, fundada pelo pai em 1943.
Publicou, em
1933, a sua primeira obra - Evolução Política do Brasil -, uma tentativa de interpretação da história política e social do país.
Em 1934, ano de implantação da
Universidade de São Paulo (USP), juntamente com os professores Pierre Deffontaines, Luis Flores de Morais Rego e Rubens Borba de Morais, Caio Prado Júnior participou da fundação da Associação dos Geógrafos Brasileiros - AGB, primeira entidade cientíca de caráter nacional.
Após uma viagem à
União Soviética, à época sob a ditadura de Stálin, e a alguns países da Cortina de Ferro, publicou URSS - um novo mundo (1934), edição apreendida pela censura do governo de Getúlio Vargas, que passaria a combater. Ingressou na Aliança Nacional Libertadora, a qual presidiu em São Paulo.
Em
1942 publicou o clássico Formação do Brasil Contemporâneo - Colônia, que deveria ter sido a primeira parte de uma coletânea sobre a evolução histórica brasileira, a partir do período colonial. Entretanto, os demais volumes jamais foram escritos.
Em
1945 foi eleito deputado estadual pelo Partido Comunista Brasileiro, assim como deputado da Assembléia Nacional Constituinte. Todavia, este último mandato lhe seria cassado em 1948, na seqüência do cancelamento do registro do partido pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Dirigiu o vespertino
A Platéia e, em 1943, juntamente com Arthur Neves e Monteiro Lobato, fundou a Editora Brasiliense, na qual lançou, posteriormente, a Revista Brasiliense, editada entre 1956 e 1964.
Sofreu novas perseguições durante o Regime Militar, após
1964.
Em
1966 foi eleito o Intelectual do Ano, com a conquista do Prêmio Juca Pato, concedido pela União Brasileira de Escritores, devido à publicação, naquele ano, do polêmico A revolução brasileira, uma análise dos rumos do país após o movimento de 1964.

sábado, 22 de novembro de 2008

Na Grécia Antiga

... Na Grécia Antiga, Sócrates detinha uma alta reputação e era muito estimado pelo seu elevado conhecimento. Um dia, um conhecido do grande filósofo aproximou-se dele e disse:"Sócrates, sabes o que eu acabei de ouvir acerca do teu amigo X?" "Espera um minuto", respondeu Sócrates, "Antes que me digas alguma coisa, gostaria de te fazer um teste. Chama-se o Teste do Filtro Triplo." "Filtro Triplo?" "Sim," continuou Sócrates, "Antes que me fales do meu amigo, talvez fosse uma boa ideia parar um momento e filtrar aquilo que me vais dizer. Por isso é que eu lhe chamei o Filtro Triplo." E continuou: "O primeiro filtro é a VERDADE. Tens a certeza absoluta de que aquilo que me vais dizer é perfeitamente verdadeiro?" "Não,", disse o homem "o que acontece é que eu ouvi dizer que..." "Então,", diz Sócrates," não sabes se é verdade. Passemos ao segundo filtro, que é a BONDADE. O que me vais dizer sobre o meu amigo é bom?" "Não, muito pelo contrário..." "Então," continuou Sócrates "Queres dizer-me algo mau sobre ele e ainda por cima nem sabes se é ou não verdadeiro. Mas, bem, pode ser que ainda passes o terceiro filtro.O último filtro é a UTILIDADE. O que me vais dizer sobre o meu amigo será útil para mim?" "Não, acho que não..." "Bem," concluiu Sócrates, "se o que me dirias não é nem bom, nem útil e muito menos verdadeiro, para quê dizer-me?" Usa o Triplo Filtro na tua vida diária, de cada vez que fores falar sobre alguém.
Saudações Socráticas

Os impolutos...

“Os figurões impolutos do sítio , acreditem, comem tudo e não deixam mesmo nada. E enganam os tolos com papas e bolos”.
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O sítio anda muito agitado e mesmo entusiasmado com o escândalo BPN e espera a todo o momento grandes notícias sobre os principais figurões que andaram anos e anos, nas barbas de reguladores e de supervisores, a manobrar milhões e milhões de um lado para o outro, milhões vindos sabe-se lá de onde e que ainda não se sabe a que bolsos foram parar.
É evidente que nestas coisas de bancos e banquetas os rumores valem o que valem e ninguém sabe ao certo até que ponto, nas barbas das autoridades supervisoras, dirigidas obviamente por gente completamente impoluta,se desenrolaram monumentais operações de branqueamento de muitos milhões.
Os rumores, neste sítio manhoso, hipócrita, invejoso, pobre e cada vez mais mal frequentado, valem o que valem e não interessa andar por aí a desconfiar da imensa legião de impolutos, senadores desta República comandada nestes 34 anos de Democracia por grandes figurões do PS e do PSD, os verdadeiros donos do sítio, para o mal e para o bem.
Particularmente para o mal se tivermos em conta os resultados obtidos em matéria de desenvolvimento económico, bem-estar social e nível de vida dos indígenas, que pacientemente vão alimentando tal gente a pão-de-ló com o dinheiro dos impostos que são obrigados a pagar e a vão mantendo no poder com os generosos votos nas muitas eleições autárquicas, legislativas e presidenciais.
A falência do BPN, que o querido Estado abraçou a tempo e horas para evitar males maiores, está a provocar muita excitação no espírito de muitos cidadãos, convencidos na sua eterna boa-fé de que desta vez os figurões que andaram a jogar com muitos milhões de um lado para o outro vão mesmo ser apanhados pela chamada Justiça e que a verdade vai ser, por uma vez na vida, totalmente conhecida.
Cidadãos que andam obviamente iludidos com o espectáculo montado e com as declarações solenes dos responsáveis do costume.
Cidadãos que obviamente ainda acreditam no Pai Natal e que passam a vida a pensar que um dia destes ainda vão ser testemunhas de um qualquer milagre. Mas desenganem-se.
Os figurões impolutos do sítio não estão apenas nos partidos políticos do Bloco Central, na administração central e local.
Os figurões impolutos estão em todo lado.
Os figurões impolutos do sítio também estão na Polícia e na Justiça. Os figurões impolutos do sítio, acreditem, comem tudo e não deixam mesmo nada. E enganam os tolos com papas e bolos.
António Ribeiro Ferreira
in CM

Portugal a cavar da crise...

Tudo vale para irem ao bolso do Zé...

Funcionários públicos avisam o Governo...

Milhares de funcionários da Administração Pública - 50 mil, segundo a Frente Comum, 20 a 25 mil estimados pela Polícia - protestaram em Lisboa contra o Governo, reclamando aumentos de 5% para 2009.
Oriundos de todo o país, os manifestantes concentraram-se na Praça Marquês de Pombal e seguiram a pé em direcção à Assembleia da República, ao som de apitos ruidosos e gritando palavras de ordem contra o Governo, que acusam de lhes estar a "roubar direitos adquiridos" e prejudicar o dia-a-dia, com aumentos salariais que não lhes permitem fazer face ao aumento do custo de vida.
À passagem pela sede do PS, no Largo do Rato, ouviram-se gritos de "mentiroso", dirigidos ao primeiro-ministro, José Sócrates, e avisos ao Executivo: "Está na hora, está na hora de o Governo ir embora". Nas t-shirts pretas que muitos traziam vestidas, liam-se outros avisos: à frente, a cara de José Sócrates, apontado como "prepotente, imoral e repressivo"; atrás, a mensagem: "Os trabalhadores não esquecem".
À porta do Parlamento, Ana Avoila, dirigente da Frente Comum, recordou que os sindicatos não aceitam o aumento de 2,9% proposto pelo Governo para 2009 e prometeu que vão "continuar a lutar" por vencimentos iguais aos dos funcionários públicos espanhóis.
A Sócrates, deixou um aviso: nas eleições do próximo ano, os trabalhadores não o vão deixar repetir a maioria absoluta.
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Milhares de funcionários públicos protestam em Lisboa

André Gide...Escritor Francês e Prémio Nobel de Literatura...

André Gide
André Paul Guillaume Gide (Paris, 22 de novembro de 1869 - 19 de fevereiro de 1951) foi um escritor francês e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1947.
André Gide é uma das personalidades mais destacadas da vida cultural francesa do séc. XX.
Exerceu influência decisiva sobre várias gerações de literatos à frente da revista literária Nouvelle Revue Française, da qual foi um dos fundadores em 1909, que continua a ter grande prestígio na França.
Em 1911, fundou a editora Gallimard e no mesmo ano publicou o romance Isabel.
A obra de André Gide apresenta muitos aspectos autobiográficos; nela são expostos conflitos morais e religiosos que não desconsideram suas tendências homossexuais.
Com o romance experimental Os Moedeiros Falsos (1925) atingiu o ápice de sua carreira de romancista.
Trata-se de um romance de trama muito complicada e múltipla, continuamente interrompida por reflexões do romancista Edouard, considerado atualmente uma obra-prima da literatura francesa.
Outras obras escritas em períodos anteriores e igualmente famosas são O Imoralista (1902) e Os Subterrâneos do Vaticano (1914).
Gide foi durante algum tempo simpatizante do comunismo, afastando-se dessa ideologia depois de viagem à União Soviética, em 1936.
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Citações
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"A virtude é o que de melhor os indivíduos podem obter de si próprios."
"Os pensamentos são como as flores, aquelas que apanhamos de manhã mantêm-se muito mais tempo viçosas."
"A dificuldade na vida é tomarmos a sério a mesma coisa durante tempo de mais."
"Crê nos que buscam a verdade. Duvida dos que a encontram."
"Sinto-me em casa em qualquer sitio; e é sempre o desejo que me manda embora."
"Aquilo a que chamo fadiga é a velhice, de que a morte constitui o único repouso."

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

CÉLULAS ESTAMINAIS RESTAURAM AUDIÇÃO E VISÃO DE ANIMAIS

Cultura de células estaminais em placa de Petri.

Células estaminais de pequenos embriões podem ser usadas para restaurar a audição e a visão de animais, informaram investigadores na Terça-Feira, dia 18 de Novembro de 2008, no que se acredita ser uma experiência científica inédita na procura de tratamento de deficiências em seres humanos.
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Uma equipa recuperou a audição de porquinhos-da-índia com a aplicação de células estaminais humanas retiradas da medula óssea, enquanto que outra equipa criou olhos funcionais em girinos utilizando células estaminais de rãs.
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Embora não exista aplicação imediata em humanos, os médicos e investigadores afirmam que as conclusões destas experiências ajudam a conhecer alguns dos processos biológicos básicos da audição e da visão que podem ajudar no desenvolvimento da medicina regenerativa.
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“Estas descobertas ilustram o extraordinário potencial da investigação das células estaminais no tratamento de um largo espectro de doenças mortais ou incapacitantes que afectam milhões de pessoas em todo o mundo,” disse Anand Swaroop, um investigador e estudioso de células estaminais do Instituo Nacional da Visão, um dos departamentos do Instituto Nacional da Saúde da Coreia do Sul. O Dr. Sujeong Jang e os seus colegas da Chonnam University, em Gwang-ju, na Coreia do Sul, utilizaram células estaminais mesenquimais da medula óssea humana para restaurar a audição de ratinhos-da-índia que tinha sido deliberadamente destruída por meios químicos.
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Eles cultivaram células nervosas a partir das células estaminais em placas de Petri e transplantaram-nas dentro dos ouvidos internos dos porquinhos-da-índia. Três meses depois, os animais reagiam a estímulos auditivos. Eles ouviam. Foi Jang quem narrou a história desta experimentação.
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Acrescentou também que eles estavam muito interessados em fazer uma experiência equivalente em humanos. “Quando as células nervosas sensoriais do ouvido interno de humanos e outros mamíferos são mortas - por exposição frequente a ruídos muito intensos, ataques do sistema imunológico, drogas tóxicas, traumatismo por acidente, ou pelo processo de envelhecimento - o dano é irreversível”, disse Jang na conferência de imprensa.
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“As aves e os répteis têm mais sorte. As suas células nervosas do ouvido interno têm aparentemente a capacidade de se regenerar e de recuperar a audição normal.”
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A outra experiência também importante foi conduzida por Michael Zuber e um grupo de colegas da Universidade Médica Estadual de Syracuse, Estado de Nova Iorque. Eles criaram olhos funcionais com células estaminais em embriões invisuais de rãs.
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Normalmente, as células estaminais das rãs formam apenas pele quando cultivadas numa placa de Petri. A equipa de Zuber adicionou sete “factores” genéticos (isto é genes) que funcionaram como meios de diferenciação celular para que os olhos fossem gerados e cumprissem a sua função normal. Quando eles “transplantaram as células transformadas para os embriões das rãs, os girinos resultantes podiam ver com esses olhos”, afirmou Zuber aos presentes numa reunião.
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Para verificar se os girinos viam, eles cobriram parte do tanque com papel branco translúcido e a outra parte do mesmo tanque com papel opaco negro. Os girinos normais permanecem sempre na parte iluminada do tanque coberta pelo papel branco. Zuber mostrou ao auditório um vídeo que mostrava os girinos cegos a nadar erraticamente pelo tanque enquanto que os girinos com as células transplantadas permaneciam no lado iluminado do tanque.
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Os exames genéticos às células demonstraram que as células estaminais se tinham transformado em diferentes tipos de células especializadas para dar origem aos globos oculares, num processo conhecido por “diferenciação celular”. “Todas as células que compõem o globo ocular estavam lá”, disse Zuber.
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Ele não vê nesta experimentação qualquer uso imediato para humanos, dado o conhecimento ainda incipiente desta matéria, mas acentua que a criação de diferentes tipos de células é o grande objectivo da medicina regenerativa. Pelo menos, esta experiência prova que há a possibilidade de recuperar a visão através do uso de células estaminais, o que só por si não é pouco.
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“A retina, como todos os órgãos do nosso corpo, contem muitos tipos de células especializadas. Portanto, a recuperação bem sucedida da cegueira adquirida por traumatismo ou por doença implicará a substituição funcional de células de todos os tipos que constituem o globo ocular”, disse Zuber.
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Estas duas experiências trazem novas esperanças para os tratamentos da surdez e da cegueira adquiridas, e talvez de natureza genética, em futuro não longínquo.
Reuters

BPN...Só este???...

Oliveira e Costa indiciado por branqueamento, falsificação e burla
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O antigo administrador do BPN, Oliveira e Costa, foi detido esta quinta-feira, em Lisboa, indiciado por branqueamento de capitais, falsificação, fraude fiscal e burla agravada. Levado a tribunal, saiu pouco depois da meia-noite para regressar esta sexta-feira de manhã.
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Oliveira e Costa, o homem que foi presidente do BPN...

Cristiano Ronaldo...O Melhor do Mundo???...

Sósia eventual
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.No filme "A Sombra do Guerreiro", o realizador Akira Kurosawa conta uma história passada nos finais do nosso séc. XVI, no período das guerras civis japonesas (onde os portugueses tiveram grande influência).
A morte de um temido nobre é escondida de todos. Entretanto, os seus adeptos descobrem um pobre mendigo que é uma cópia fiel do falecido. Resolvem, então, treinar esse sósia nos gestos e nos modos do guerreiro, levando os inimigos a acreditar que este ainda vivia.
O próprio mendigo acaba por se imaginar como o herói invencível até ser desmentido pela cruel realidade.
Quando vejo Cristiano Ronaldo a jogar na selecção dou por mim a pensar quando é que o jogador do Manchester entrará em campo em vez do sósia que ali puseram a fingir que é o melhor do Mundo.
Carlos Abreu Amorim
in CM
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Convenceram-no, agora aturem-no...Aguentem...

Lisboa tem contentores de belas vistas...

Columbano Bordalo Pinheiro...Foi um Pintor naturalista e realista

Bordalo Pinheiro - Auto retrato
Columbano Bordalo Pinheiro (Lisboa, 21 de Novembro de 1857Lisboa, 6 de Novembro de 1929) foi um pintor naturalista e realista português.
Biografia
Filho do
pintor e escultor Manuel Maria Bordalo Pinheiro, iniciou a sua formação na Academia de Belas-Artes de Lisboa, onde foi aluno de Simões de Almeida, um afamado escultor do romantismo português.
Anos após completar a sua formação, rumou a
Paris, beneficiando de uma bolsa de estudo, custeada pelo rei consorte D. Fernando II de Portugal, já viúvo da rainha D. Maria II de Portugal. Ali, em Paris, recebeu a influência de pintores como Manet e Edgar Degas, sendo esta notável na sua obra.
Na "cidade-luz", representou-se, em
1882, numa grande exposição, no famoso "Salon de Paris". Nesta apresentou ao público, maioritariamente burguês, o quadro Soirée chez Lui, sendo este surpreendentemente aclamado pela difícil crítica de artes parisiense.
De regresso a
Portugal, juntou-se ao "Grupo do Leão", o qual tencionava renovar a estética das composições na arte do país. Deste período ficaram celebres os retratos de Ramalho Ortigão, Teófilo Braga, Eça de Queirós e Antero de Quental, por ele pintados. Para além disto, deu nova ênfase aos palácios lisboetas, ao pintar os painéis que se encontram na sala de recepções do Palácio de São Bento, os Painéis dos Passos Perdidos.
Tornou-se, em
1901, professor de pintura histórica na Academia de Belas-Artes de Lisboa, onde se formara na sua juventude e, em 1914, foi nomeado pelo novo regime republicano, recentemente instaurado, para director do recém-criado Museu Nacional de Arte Contemporânea (1911), sucedendo a Carlos Reis.

Descendo o Chiado

Retrato de Antero de Quental
Convite à valsa

MOVIMENTO PERPÉTUO



Dedicado ao Álvaro, que a sua recuperação seja como um "movimento perpétuo"!...

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Portugal Humilhado...Maior derrota de sempre com o Brasil...

Portugal goleado e humilhado
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Portugal entrou bem, esteve em vantagem, mas, em Gama, arredores de Brasília, sucumbiu à arte dos canarinhos e acabou a noite a ver estrelas. O Brasil goleou, por 6-2, e ainda ficaram alguns por marcar...
Até parecia um jogo a sério. Felizmente, não era. Portugal perdeu com o Brasil, o que não agradou aos milhares de portugueses que roubaram umas boas horas à cama para seguirem o duelo de estrelas. As canarinhas brilharam. As lusas, nem tanto. Confirmou-se, pelo menos, uma ideia: se Cristiano Ronaldo arrecadar o título de melhor do Mundo, a distinção resulta do desempenho do capitão das quinas ao serviço do Manchester United. Na selecção, o madeirense é uma sombra do jogador que encanta com a camisola do gigante inglês. Coisas para Queiroz resolver.
Portugal até entrou melhor. Marcou no arranque, por Danny, mas rapidamente se percebeu que a estratégia não era a mais adequada. Jogar com Danny entre os gigantes Luisão e Thiago Silva, os centrais da canarinha, não lembrava a ninguém. Simão foi aposta falhada, Tiago, como médio mais defensivo, também não resulta. E, por isso, Raul Meireles foi chamado, para a segunda parte.
Entretanto, já o Brasil dera a volta ao marcador. Dois golos de Luís Fabiano. Sim, esse mesmo, o goleador que chegou na hora errada ao F. C. Porto. Agora, brilha em Espanha. Esta madrugada, aproveitou bem a sagacidade de Robinho, a arte de Kaká, a demoníaca velocidade de Maicon e... uma noite aziaga de Pepe. Por sorte, o parceiro lado, Bruno Alves, fartou-se de apagar fogos, tal como Maniche, na ajuda a Tiago.
Foi uma madrugada de samba. E o fado do jogo ficou traçado logo nos primeiros acordes da segunda parte. Em dois minutos, Maicon e Luís Fabiano resolveram a questão. O defesa lateral do Inter marcou um golo fantástico, sobre a direita, e Fabiano assinou o seu terceiro da noite. Humilhação! Mais uma, depois do empate recente, esse sim, a valer, na recepção à Albânia. Isto apesar de o apagado Simão ter aparecido para finalizar, com eficiência a reduzir, para 4-2. Quem sonhou com a recuperação, depressa acordou para a realidade: bola ao centro, três minutos repartidos, petardo de Elano a repor a diferença de três golos. No final, foram quatro, pois Adriano também marcou...
Portugal não perdia com o Brasil há 19 anos. O jogo serviu, portanto, para quebrar uma tendência recente, que apontava o sucesso das quinas nos jogos com o Brasil, depois de duas vitórias, no consulado de Scolari (2003 e 2007). Queiroz inseriu, e bem, a partida num plano mais amplo. É necessário encontrar pontos de equilíbrio na selecção, para dar outro rumo à campanha de qualificação para o Mundial da África do Sul. Em Gama, contudo, Portugal esteve desequilibrado. E caiu. Goleado.
in JN
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Deixem-se de futebóis e ponham-nos a trabalhar nas obras...

Manuela F. Leite...No fundo, ela tem saudades...

Andam mil olhos a vigiar a anciã que governa o PSD - Menezes, Passos Coelho, pelo menos metade do Governo (a outra metade tem por missão manter-se atenta aos movimentos de Manuel Alegre), toda a direcção do grupo parlamentar do PS.
A cada deslize verbal, pimba, caem-lhe em cima. Um de cada vez ou em conjunto. Talvez mancomunados, sabe-se lá, porque há conspirações que se espalham como óleo em estrada molhada.
Não custa reconhecer que Manuela Ferreira Leite se põe a jeito. Já tem idade - e deveria ter experiência política - suficiente para medir cada palavra, avaliar com rigor o impacte de cada frase.
Há quem espere dela, putativa candidata a primeira-ministra, pouco menos do que a exemplaridade. Mas não: descobrimos agora que, humana como todos nós, a senhora também comete gafes. Tivesse ela o coração ao pé da boca e por certo lhe descontaríamos os excessos de linguagem, já que a emoção é mais perdoável do que a razão. Os detractores, porém, suspeitam que o que lhe vem à boca não é o coração, é o subconsciente.
No fundo, lá bem no fundo, acusa-se, é xenófoba por só vislumbrar ucranianos e cabo-verdianos agarrados às betoneiras das obras públicas. No fundo, convive mal com uma Imprensa livre, quando se queixa de que a Comunicação Social não dá eco às suas mensagens. E, cereja em cima do bolo, tem, lá no fundo, impulsos ditatoriais incontroláveis. Pois se no meio de um discurso se interroga sobre a "utilidade" de "haver seis meses sem democracia" (o deficiente português fica por conta da natureza do discurso, feito de improviso)...
Deixar a democracia a marinar durante meio ano, enquanto se fazem umas quantas reformas, para depois voltar a cumprir, como se nada fosse, o que está na Constituição e deveria estar no nosso espírito? Recuso-me a acreditar que Ferreira Leite se reveja neste cenário, que (no fundo) justificou, nos idos de 1926, uma Ditadura Nacional para pôr o país na ordem, mas se lhe agarrou como lapa até 1974. Pode tratar-se de uma ou outra reminiscência do passado, mas mais recente: do período dos governos de Cavaco Silva, de que fez parte.
Nesse tempo - como hoje, aliás - muitos detectavam na maioria absoluta tiques de ditadura.
É o ponto de rebuçado que se atinge quando o diálogo cansa e, para quem não morre de amores por ele, se torna empecilho. É quando se sente que negociar medidas é um incómodo e se passa à imposição. Regra geral em nome do povo que ofereceu os votos.
É desse tempo, em que quem batia o pé era apodado de "força de bloqueio", que no fundo Ferreira Leite tem saudades. Porque se faziam muitas "reformas".
Couberam, apertadinhas, num livro então editado. Mas cada Governo posterior sentiu necessidade de empreender outras.
Paulo Martins
in JN

Claque do Benfica...No names, boys!...

Dia Mundial da Criança...

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o Dia Mundial da Criança não é só uma festa onde as crianças ganham presentes.É um dia em que se pensa nas centenas de crianças que continuam a sofrer de maus tratos, doenças, fome e discriminações (discriminação significa ser-se posto de lado por ser diferente).
Sabias que o primeiro Dia Mundial da Criança foi em 1950?Tudo começou logo depois da 2ª Guerra Mundial, em 1945.Muitos países da Europa, do Médio Oriente e a China entraram em crise, ou seja, não tinham boas condições de vida.
As crianças desses países viviam muito mal porque não havia comida e os pais estavam mais preocupados em voltar à sua vida normal do que com a educação dos filhos. Alguns nem pais tinham!Como não tinham dinheiro, muitos pais tiravam os filhos da escola e punham-nos a trabalhar, às vezes durante muitas horas e a fazer coisas muito duras.
Sabias que mais de metade das crianças da Europa não sabia ler nem escrever? E também viviam em péssimas condições para a sua saúde.Em 1946, um grupo de países da ONU (Organização das Nações Unidas) começou a tentar resolver o problema. Foi assim que nasceu a UNICEF.Clica aqui para leres sobre esta organização.
Mesmo assim, era difícil trabalhar para as crianças, uma vez que nem todos os países do mundo estavam interessados nos direitos da criança.Foi então que, em 1950, a Federação Democrática Internacional das Mulheres propôs às Nações Unidas que se criasse um dia dedicado às crianças de todo o mundo.
Este dia foi comemorado pela primeira vez logo a 1 de Junho desse ano!Com a criação deste dia, os estados-membros das Nações Unidas, reconheceram às crianças, independentemente da raça, cor, sexo, religião e origem nacional ou social o direito a:- afecto, amor e compreensão;- alimentação adequada;- cuidados médicos;- educação gratuita;- protecção contra todas as formas de exploração;- crescer num clima de Paz e Fraternidade universais.
Sabias que em só nove anos depois, em 1959 é que estes direitos das crianças passaram para o papel?
A 20 de Novembro desse ano, várias dezenas de países que fazem parte da ONU aprovaram a "Declaração dos Direitos da Criança".
Trata-se de uma lista de 10 princípios que, se forem cumpridos em todo o lado, podem fazer com que todas crianças do mundo tenham uma vida digna e feliz.Claro que os Dia Mundial da Criança foi muito importante para os direitos das crianças, mas mesmo assim nem sempre são cumpridos.
Então, quando a "Declaração" fez 30 anos, em 1989, a ONU também aprovou a "Convenção sobre os Direitos da Criança", que é um documento muito completo (e comprido) com um conjunto de leis para protecção dos mais pequenos (tem 54 artigos!).Clica aqui para os leres. Estão escritos de uma forma mais simples para tu os perceberes melhor.
Esta declaração é tão importante que em 1990 se tornou lei internacional!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Educação...Este Governo não tem ponta de vergonha...

Educação: Prendas fictícias em escolas de Ponte de Lima
Alunos ficaram sem ‘Magalhães’
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Foi só para fotografia. Em dia de visita do primeiro-ministro para as inaugurações dos centros escolares de Freixo e Refoios, no concelho de Ponte de Lima, 260 alunos foram expostos nas salas de aula, sentados à frente daquele que seria o seu computador ‘Magalhães’. Só que, logo após as cerimónias da passada quarta-feira, os pequenos portáteis foram recolhidos e encaixotados.
Afinal, nenhum aluno tem ainda o seu computador, ao contrário do que foi anunciado durante a visita liderada pelo primeiro-ministro, que chegou a perguntar aos alunos se estavam "satisfeitos com a prenda" que tinham acabado de receber. José Sócrates sublinhou até "o brilho nos olhos" das crianças.
"Os computadores foram como uma faísca. Vieram e esfumaram--se logo", comentou ontem Artur Correia, pai de um aluno, lamentando que as escolas "tenham levado as crianças a participar numa farsa". Em causa estão atrasos nos processos de candidatura dos alunos ao ‘Magalhães’, como confirmaram ao CM vários professores.
Em declarações à Lusa, a responsável da Direcção Regional de Educação do Norte negou que os portáteis tenham sido retirados, garantindo que apenas estão na escola até que os alunos se socializem com a nova ferramenta.
in CM

A grande pesquisa da ONU...


A TORPE DITADURA DA MAIORIA...

A aparente firmeza com que o Ministério da Educação tem procurado aguentar os protestos dos professores está a ruir como um castelo de cartas.
Até alguns altos responsáveis do PS vieram reconhecer em público a lesão de popularidade que o partido está a sofrer. A situação atingiu um ponto tal que todos os ângulos por que as coisas sejam encaradas contêm uma parcela de verdade.
Uma avaliação é necessária; as avaliações previstas são impraticáveis e insensatas; há muitos professores que não aceitam qualquer espécie de avaliação; é patente a incapacidade de o Governo negociar com os sindicatos; é patente que os sindicatos andam a fintar o Governo; há muita mais gente envolvida para além dos sindicalizados; há estudantes que não saberão do que estão a falar; há pais completamente equivocados... Enfim, há espontaneidade de manifestações, mas também há manipulações e instrumentalizações dos protestos, o que é muitíssimo bem feito: deve lembrar-se ao PS a figura vergonhosa que, entre manipulações e instrumentalizações, muitos dos seus apaniguados fizeram em 1992, nos tempos do buzinão na Ponte 25 de Abril e nas portagens de Sacavém.Mas as coisas não se ficam pelo Ensino.
Na área da Saúde, a ministra tem metido os pés pelas mãos, incapaz de confessar o falhanço da sua política e até de abarcar a dimensão financeira dos problemas do seu ministério.
Em contraponto com ela, vemos agora na área da Cultura o ministro Pinto Ribeiro a sacudir a água do capote e a entoar plangentes desabafos, porque não lhe dão o dinheiro de que precisa, culpando genericamente os seus antecessores.
É fraca desculpa dizer que é por causa deles que o ministério "perdeu a credibilidade", sem especificar mais do que aquilo a que chama orçamentação e execução deficientes.
Então não consegue restaurar a credibilidade nem convencer o ministro das Finanças daquilo de que precisa?
As consequências desta confissão patética são complicadas. Com efeito, não só José António Pinto Ribeiro não poderá fazer nada do que anunciou, como é atingido de pleno pelo comentário assassino de Isabel Pires de Lima ("Mas a pouca verba que recebeu não deve afligi-lo. Prometeu fazer mais com menos, o ministro das Finanças fez- -lhe a vontade"). E dá o flanco, de modo que a toda a gente é lícito um comentário paralelo a este: então onde é que está a credibilidade pessoal com que este ministro e a validade dos seus projectos foram sendo apresentados?
O tempo mostrará que falharão também as suas pretensões quanto a receber 1% do valor das empreitadas de obras públicas, até porque isso só significará que vamos todos, como contribuintes, pagar esse 1% que os empreiteiros farão acrescer à factura.
E falharão ainda quanto ao QREN, por muito que o Governo planeie despejar a rodos os fundos europeus, atrasando a sua distribuição para dispor de um maná eleitoral. Isto para não falar dos rios de dinheiro que, sempre segundo o ministro, iriam ser injectados nas políticas da língua portuguesa...
Aliás, numa fase em que o Estado se mostra finalmente disposto a pagar dentro em breve as suas dívidas às empresas, acabando por dar razão às exigências de Manuela Ferreira Leite, seria interessante que pelo menos pagasse também o que o Ministério da Cultura deve às autarquias, até para que estas possam, por sua vez, pagar a muitas empresas privadas suas credoras.
Manuela Ferreira Leite também acaba de pôr a nu as actuações chocantes do ministro da Agricultura, a sua falta de sensibilidade aos problemas, o nenhum rigor nas suas soluções, a incompetência na actuação dos seus serviços, os atrasos na atribuição de fundos estruturais por razões de puro eleitoralismo, os danos irreversíveis que tudo isso está a causar aos nossos agricultores.
Este Governo é de uma insensibilidade total aos problemas dos portugueses.
Quer concentrar o poder e perpetuá-lo nas suas mãos. Não recua perante nada para atingir esses objectivos.
Vivemos numa torpe ditadura da maioria. Mas ela começa a meter água por todos os lados.
Vasco Graça Moura
in DN

A primeira vitória dos estudantes do secundário...

Depois de milhares de alunos protestarem durante semanas pelo país contra o novo regime de faltas, a Ministra da Educação decidiu recuar. Maria de Lurdes Rodrigues assinou em pleno domingo um despacho, que entrou já em vigor esta segunda-feira, que afirma que a "prova de recuperação" no caso das faltas justificadas, tem um carácter de "diagnóstico", e que nunca poderá levar à reprovação do aluno em causa.
Apesar da linguagem pouco clara e inovadora que a Ministra usa no despacho, esta é sem dúvida a primeira vitória do movimento estudantil desde há muitos anos. Uma vitória contra o autismo e o autoritarismo do Ministério que vem mostrar a força que têm os estudantes quando estão descontentes. Há muito tempo que estamos fartos de ser tratados como imbecis, de ser cada vez mais pisados e ignorados na tomada de decisões nas escolas.
No entanto esta foi a primeira de muitas lutas que aí vêm. Agora provadas as capacidades de mobilização e de pressão deste movimento, os estudantes vão continuar a sair para a rua, porque o regime de faltas era uma simples questão de bom senso, agora há questões vitais para o bom funcionamento da escola:
1. Uma avaliação justa, digna duma escola pública de qualidade, diferente desta confusão que impuseram aos nossos professores é essencial para acabar com muitas das tensões existentes nas escolas.
2. É impensável que no século XXI, um Governo que se diz de esquerda continua a negar aos estudantes o seu direito à Educação Sexual. É inacreditável que Portugal continue no grupo dos países com mais gravidezes indesejadas da Europa!
3. É impossível os alunos sentirem-se bem numa escola onde não são ouvidos e tratados com palmadinhas no ombro, principalmente com um director-gestor a decidir sobre os destinos do espaço onde passam mais tempo do que com os seus pais.
4. Temos de mostrar ao país que a propaganda de qualidade de ensino com E-escolas e E-escolinhas, computadores e bandas largas, magalhães e companhia, não passa de fachada para vender em cimeiras ibero-americanas, quando continuamos a ter aulas com turmas sobrelotadas de 35 alunos.
Sábado, dia 22 de Novembro, vamos todos ao Encontro Nacional de Estudantes Activistas do Secundário em Lisboa!
Rodrigo Rivera
Estudante do 12º ano
in Esquerda.net

Guimarães Rosa...Foi um dos mais importantes Escritores Brasileiros...

Guimarães Rosa
João Guimarães Rosa mais conhecido como Guimarães Rosa (Cordisburgo, 27 de junho de 1908Rio de Janeiro, 19 de novembro de 1967) foi um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos. Foi também médico e diplomata.
Os
contos e romances escritos por João Guimarães Rosa ambientam-se quase todos no chamado sertão brasileiro.
A sua obra destaca-se, sobretudo, pelas inovações de linguagem, sendo marcada pela influência de falares populares e regionais.
Tudo isso, somado a sua erudição, permitiu a criação de inúmeros vocábulos a partir de arcaísmos e palavras populares, invenções e intervenções semânticas e sintáticas.
Índice
1 Biografia
2 Contexto literário
3 Obras
4 Bibliografia
5 Referências
6 Ligações externas
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Poema
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Consciência Cósmica
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Já não preciso de rir.
Os dedos longos do medo
largaram minha fronte.
E as vagas do sofrimento me arrastaram
para o centro do remoinho da grande força,
que agora flui, feroz, dentro e fora de mim...
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Já não tenho medo de escalar os cimos
onde o ar limpo e fino pesa para fora,
e nem deixar escorrer a força de dos meus músculos,
e deitar-me na lama, o pensamento opiado...
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Deixo que o inevitável dance, ao meu redor,
a dança das espadas de todos os momentos.
e deveria rir , se me retasse o riso,
das tormentas que poupam as furnas da minha alma,
dos desastres que erraram o alvo do meu corpo...

terça-feira, 18 de novembro de 2008

E se Obama fosse africano?


por Mia Couto

Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.
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Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.
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Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.
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Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: "E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.
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E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?

1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.
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2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.
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3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.
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4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).
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5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas – tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.
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6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.
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Inconclusivas conclusões.
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Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.
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Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.
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A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.
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Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.
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No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.
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Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.
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Jornal "SAVANA" – 14 de Novembro de 2008