sábado, 10 de janeiro de 2009

Tintim faz hoje 80 anos...

Tintim (ou Tintin) é o protagonista da série de ficção de banda desenhada ou história em quadradinhos conhecida como As Aventuras de Tintim (Les aventures de Tintin, no original).
O personagem foi criado pelo quadrinista belga conhecido como Hergé em 10 de janeiro de 1929.
Índice
1 Origem do nome
2 Caracterização do personagem
3 Os aliados
4 Notas

A crise também atingiu as patentes na FA´s...

O narcisismo é um pilar do capitalismo pós-moderno

Ao contrário do que muitos acreditam, a apatia pós-moderna não se revela pela ausência de socialização. O homem e a mulher pós-modernos estão sujeitos ao campo vertiginoso dos possíveis. É uma nova forma de socialização. Uma socialização flexível, volátil e económica, necessária ao capitalismo pós-moderno enquanto sistema acelerado, mutável e sistemático. É a mudança permanente de referências que gera a apatia. É a abundância de estímulos e não a sua ausência que gera a incapacidade de planear o modo de vida. A nova apatia leva a que tudo se passe ao nível da experiência.
Note-se o que se passa nos diferentes modos de vida. Ninguém se refere a uma actividade duradoura. Todos trabalham em projectos, experiências, das quais não se espera que resultem acções duradouras. Tudo começa e acaba no projecto, na experiência. O resultado destas não é objectivado, quantificado, descrito. Tudo se resume à adjectivação. O projecto «foi muito giro». A experiência «muito interessante». A vida não se vive, consome-se.
«O narcisismo tornou-se um dos temas centrais da cultura americana» (1). Não só o individualismo extremo, mas a centração sobre si mesmo distraído dos outros, é um fenómeno em desenvolvimento desde os anos setenta. Para o homem e a mulher pós-modernos nada existe fora das suas pessoas, do seu espírito e do seu corpo. O narcisismo é um elemento inerente ao novo capitalismo. «O narcisismo designa [agora] a emergência de um perfil inédito do indivíduo nas suas relações consigo próprio e com o seu corpo, com outrém, com o mundo e com o tempo, no momento em que o capitalismo autoritário dá a vez a um capitalismo hedonista e permissivo» (2).
O desinteresse para com as instituições está marcado pelo narcisismo pós-moderno. No mundo ocidental a despolitização e a dessindicalização ganham proporções não atingidas nos dois últimos séculos. A esperança revolucionária morreu. A contestação seja estudantil seja dos assalariados, globalmente, desapareceu. Resta, de forma ténue, a dos que dependem das estruturas do Estado. De um Estado em destruição permanente. A noção de contracultura é agora uma noção estranha, desconhecida, em completo desuso. A cultura dominante, volátil, produzida para consumo imediato, domina de forma totalitária. Raras são as causas capazes de galvanizarem seja quem for a prazo. Restam alguns entusiasmos na condição de terem duração efémera.
«A pluralidade e a desagregação dos impulsos, a falta de sistematização entre eles, leva a uma vontade fraca; a coordenação dos impulsos sob o predomínio de um deles leva a uma vontade forte» (3). O papel atribuído à comunicação social, pelo poder dominante, é o de promover a desagregação dos impulsos, substituindo a informação pela espuma informativa, dando relevo ao efémero, ao sensacional, bombardeando os indivíduos com fait divers sepultando, desse modo, os factos relevantes da vida.
As comunidades são agora desertos sociais e culturais. «Cada macaco no seu galho», «cada coelho na sua toca», sob a ventania de uma imensa solidão. A República — a Praça da República — está desvitalizada, é um elemento estranho à sociedade de mercado, ao mundo dos negócios, do produz, compra e vende que domina, de forma totalitária, a sociedade ocidental. As grandes questões filosóficas, económicas, sociais, culturais ou políticas suscitam mais ou menos o mesmo entusiasmo, a mesma curiosidade que um fait divers.
A sociedade narcísica também se caracteriza pela perda de sentido histórico. Viver no presente, apenas no presente e não em função do passado e do futuro é uma característica do novo capitalismo. O neoliberalismo faz apelos permanentes à reforma perdendo, e negando, toda a perspectiva histórica. Contra tudo e contra todos contam os interesses dominantes do presente. Não há gente, princípios, ideologias, ideias, há negócios.
A sociedade de consumo terraplenou a vida. Todos os cumes foram desbastados pouco a pouco, arrasados pela vasta operação de neutralização e banalização sociais. O capitalismo pós-moderno não pode permitir que o ser humano se ocupe ou se distraia com outra coisa que não seja o consumo dos bens de curta duração que produz. O homem e a mulher pós-modernos estão inteiramente ao serviço do consumo e do lucro que dele resulta.
Desta vaga de apatia, só a vida privada parece sair ainda vitoriosa. Zelar pelo direito ao consumo das suas crianças. Zelar de forma obcecada pela saúde e pela conservação do corpo. Defender a situação material. Rodear-se de objectos. Perder os complexos. Aprender a comportar-se como deve ser. Emagrecer. Vestir-se. Ver as imagens televisivas. Esperar as férias e a reforma. Viver sem ideal e sem fins transcendentes é a vida possível. «É a vida».

- LASCH, Chr; The Culture of narcissism, Nova Yorque, Warner Books, 1979, p. 61)
- LIPOVETSKY, Gilles; A Era do Vazio, Relógio D´água, p. 48
- NIETSCHE; Le Nihilisme européen, UGE, colecção 10/18, p. 207
http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=4231

DA HOMOSSEXUALIDADE E TRANSEXUALIDADE

O Papa Bento XVI apelou, antes do Natal, em discurso na Cúria, a uma «ecologia do homem», mais necessária do que «As florestas tropicais merecem a nossa protecção. Mas os homens não merecem menos do que isso», frisou, aludindo à homossexualidade e à transexualidade.
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No discurso de balanço da Cúria à administração central do Vaticano, na Sala Clementina do Palácio Apostólico do Vaticano, Bento XVI defendeu que a Igreja, além da natureza, «também deve proteger o homem da destruição de si próprio», referindo que os comportamentos que vão além das relações heterossexuais são «a destruição do trabalho de Deus» (os sublinhados são meus).
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O Papa afirmou a determinada altura: «Não é metafísica superada se a Igreja fala da natureza do ser humano como homem e mulher e pede que esta ordem da criação seja respeitada», afirmou o Sumo Pontífice, defendendo o direito de a Igreja «falar sobre a natureza humana como homem e mulher, e pedir que esta ordem da criação seja respeitada».
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O líder dos católicos criticou as teorias do género que se impuseram nas ciências sociais na Europa e nos EUA e estabelecem uma diferença entre a pertença a um determinado sexo, a identidade biológica, e o papel que a sociedade atribui aos indivíduos, a forma como cada um vive. São, segundo o Papa, teorias que aceitam a homossexualidade e a transexualidade e, assim, afastam os homens da "obra do criador"».
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As declarações de Bento XVI acontecem após a recusa do Vaticano de se associar à petição pela descriminalização universal da homossexualidade lançada no dia 18 de Dezembro por 66 países na ONU.Em Outubro um alto responsável da Igreja Católica classificou a homossexualidade como «um desvio, uma irregularidade, uma ferida».
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Temo que o Papa Bento XVI esteja a regressar a doutrinas que eu pensava estarem há muito esclarecidas e portanto “arrumadas” na prateleira dos assuntos “RESOLVIDOS”. Temo também que o Papa esteja a revelar um ideário conservador e ultrapassado quando lido e interpretado pelo conhecimento do cidadão médio do Século XXI. Este aspecto é particularmente grave, pois os fiéis, ao ouvi-lo, podem achar chocante que o Papa, a quem era atribuída uma sólida formação intelectual, se mostre tão desactualizado e tão primário em certas matérias.
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É do senso comum que o homossexualismo é tão velho como o próprio Homem. O cidadão comum de hoje tem perfeito conhecimento de crónicas antigas - dos persas, dos gregos, dos romanos - em que se relatam os relacionamentos homossexuais admitidos nas respectivas sociedades, quer permanentes quer fortuitos. Acresce que relacionamentos homossexuais foram observados entre quase todas as espécies de animais, com ênfase particular para os mamíferos, talvez por serem animais mais acessíveis à observação. Para nós, humanos, assume particular relevância as manifestações de homossexualismo entre os primatas superiores, onde elas acontecem quase com a mesma incidência com que existem nos humanos. Nestes, o homossexualismo conduz quase sempre a contactos sexuais dos seres do mesmo sexo, o que nem sempre se verifica nas outras espécies de mamíferos e nas aves.
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A transexualidade, a que Bento XVI também se refere, é uma anomalia sexual de natureza diferente. Segundo estudos recentes, para colocar uma definição simplificada, trata-se de uma dissonância entre o sexo físico do ser, seja ele homem ou mulher, e o “sexo” do cérebro.
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Suponhamos o caso de um homem. Esta anomalia no homem manifesta-se por uma impossibilidade de este homem viver afectos, pensar e agir como homem porque ele age e pensa permanentemente como mulher e vê-se como mulher. A pessoa com este sintoma detesta o seu sexo, sente-se mal na sua pele, é torturado se necessita de assumir o sexo de que é portador porque não o sente como seu. Em compensação, sente-se mais tranquilo e mais seguro de si se adoptar os sinais do sexo contrário no vestir e na composição da sua imagem visual. O viver de acordo com o sexo físico é de tal forma insuportável que algumas destas pessoas mergulham na depressão crónica e, não raro, tentam o suicídio como solução. A ciência actual diagnosticou estes casos com tanta clareza que conseguiu que os serviços de saúde dos países desenvolvidos reconhecessem o problema e criassem linhas completas de tratamento dentro dos respectivos sistemas de saúde. O tratamento a que se recorre nestes casos é a mudança de sexo, com a intenção de dar à pessoa a possibilidade de se compatibilizar com o seu sexo físico e de melhorar a sua qualidade de vida.
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Apenas concordo com uma afirmação do alto responsável da Igreja Católica, referido na notícia, que classificou estes sintomas como “um desvio, uma irregularidade”. De facto são-no, mas apenas do ponto de vista estatístico. São um “desvio” ou uma “irregularidade” porque são uma minoria. Mas do ponto de vista humano, são casos tão naturais e tão legítimos como quaisquer outros casos minoritários, sendo, portanto, igualmente dignos de respeito e de consideração como outros casos de erros da natureza dos quais os portadores não são culpados, sejam eles os portadores do síndrome de Downs (de John Langdon-Downs, vulgo mongolismo), ou da “Doença Azul” (mistura dos sangues venoso e arterial devida a má formação do coração), ou de qualquer outra deficiência congénita. As mais recentes descobertas científicas concluíram que a homossexualidade e a transexualidade tem origem genética porque as suas manifestações dependem das proteínas que cada um de nós tem (ou não tem) no cérebro. As suas causas são tão naturais como quase tudo o que escapa à nossa vontade, como a artrite, a artrite reumatóide, a escoliose, a deficiência renal, a leucemia, o cancro da mama e todas as doenças de degenerescência associadas ao envelhecimento. Todas elas são “desvios, ou irregularidades” da natureza. Todas elas, por uma razão ou outra, alteram, ou traem, a “Ordem da Criação”.
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Mas, de acordo com a ideia subjacente às afirmações de Bento XVI, a Natureza é o melhor do trabalho de Deus. Logo, temos de concluir que Deus fez uma obra imperfeita. Todos os cancros são manifestações claras dessa imperfeição, dessa obra mal feita. É uma contradição radical que a chave da vida contenha em si a possibilidade de gerar erros que conduzam à morte. A enormidade deste erro só é comparável ao erro grosseiro de colocar homens na Terra para que “aprendessem a adorar Deus perante a magnificência da Sua obra”, para mais tarde destruir a Terra e os homens com a morte do Sol.
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Portanto, na minha opinião, teria sido melhor que Bento XVI tivesse dedicado o seu discurso na Cúria a justificar aos homens as razões por que Deus fez obra tão imperfeita que parece desmentir a Sua omnisciência e a Sua infinita misericórdia. Esta atitude, porem, só seria possível se Bento XVI fosse um servidor de Deus verdadeiramente perfeito e humilde. Sê-lo-à?

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

25 de Abril de 2003


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À época, ainda se limitava a ocupar o (último) lugar que lhe cabia à mesa. Não sei se rilhava os dentes ou roía as unhas. Mas lá que tapava a boca, tapava: garanto que não entrou mosca nem ...
Ah! Tinha sido membro de governos presididos por António Guterres, salvo erro na pasta do Ambiente que... nos deixou.
Hoje, todos o reconhecemos.
Esta fotografia é uma homenagem ao saudoso Manuel Beja, que presidiu à sessão comemorativa na Biblioteca Bento de Jesus Caraça, na Moita do Ribatejo; à sua esquerda está a presidente de Câmara e da Federação das Mulheres Socialistas. E, à minha direita, a senhora Presidente da Assembleia Municipal.
Quem diria?
Como diria a saudosa Mãe Irene: "é o que temos".

As 10 frases mais polémicas de Marinho Pinto...

Marinho Pinto foi eleito Bastonário da Ordem dos Advogados exactamente há um ano e, ao longo de 2008, disparou em todas as direcções.
Lançou críticas aos políticos, atacou magistrados e lançou suspeitas sobre o funcionamento da Justiça.
Recordamos 10 das declarações mais polémicas que o bastonário fez durante o primeiro ano de mandato.
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"Há pessoas que ocupam cargos de relevo no Estado português que cometem crimes impunemente"
DN, 27 Janeiro 2008
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"Um dos locais onde se violam mais os direitos dos cidadãos em Portugal, é nos tribunais"
SIC Notícias, 27 Junho 2008
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"98% dos polícias à noite estão nas suas casa. É preciso haver polícias na rua à noite fardados"
Público, 27 Junho 2008
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"Há centenas ou milhares de pessoas presas [em Portugal] por terem sido mal defendidas" Público, 27 Junho 2008
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"Vale tudo, seja quem for que lá esteja, desde magistrados a outros juristas, não se pode falar em justiça desportiva, mas em prevalência manifesta de interesses e de poderes"
RTP, 08 Julho 2008
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"Eu não discuto com sindicatos. Os sindicatos querem é mais dinheiro e menos trabalho"
RTP, 10 Julho 2008
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"Alguns magistrados pautam-se nos tribunais portugueses como os agentes da PIDE se comportavam nos últimos tempos do Estado Novo"
RTP, 10 Julho 2008
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"Estão-se a descobrir podres que eram inimagináveis há meia dúzia de meses. E não é por efeito da crise. É por efeito da lógica do próprio sistema. Parece que o sistema financeiro só funciona com um pé do lado de lá da legalidade"
JN, 28 Dezembro 2008
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"Uma senhora que furtou um pó de arroz num supermecado foi detida e julgada. Furtar ou desviar centenas de milhões de euros de um banco ainda se vai ver se é crime"
JN, 28 Dezembro 2008
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"Pelos vistos, nenhum banco pode ir à falência"
Público, 30 Dez 2008
in JN

José Sócrates e o BPN...

O engenheiro à porta do BPN, em vez de dar milho aos pombos, distribui notas à fartazana aos gestores do dito cujo...

João Cabral de Melo Neto...Foi um Poeta e Diplomata Brasileiro...

João Cabral de Melo Neto (9 de janeiro de 1920, Recife9 de outubro de 1999, Rio de Janeiro) foi um poeta e diplomata brasileiro.
Sua obra poética, caracterizada pelo rigor estético, com poemas avessos a confessionalismos e marcados pelo uso de rimas toantes, inaugurou uma nova forma de fazer poesia no Brasil.
Irmão do historiador
Evaldo Cabral de Melo e primo do poeta Manuel Bandeira e do sociólogo Gilberto Freyre, João Cabral foi amigo do pintor Juan Miró e do poeta Joan Brossa. Membro da Academia Pernambucana de Letras e da Academia Brasileira de Letras, foi agraciado com vários prêmios literários.
Quando morreu, em 1999, especulava-se que era um forte candidato ao Prêmio Nobel de Literatura.
Índice
1 Sobre sua obra
2 Curiosidades
3 Bibliografia
4 Prêmios
5 Academia Brasileira de Letras
6 Referências
A EDUCAÇÃO PELA PEDRA
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Uma educação pela pedra: por lições;
para aprender da pedra, freqüentá-la;
captar sua voz inenfática, impessoal
(pela de dicção ela começa as aulas).
A lição de moral, sua resistência fria
ao que flui e a fluir, a ser maleada;
a de economia, seu adensar-se compacta:
lições de pedra (de fora para dentro,
cartilha muda), para quem soletrá-la.
Outra educação pela pedra: no Sertão
(de dentro para fora, e pré-didática).
No Sertão a pedra não sabe lecionar,
e se lecionasse não ensinaria nada;
lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
uma pedra de nascença, entranha a alma

Joan Baez...Cantora de Folk...Faz hoje 68 anos...

Joan Chandos Baez (nascida em 9 de janeiro de 1941 em Staten Island, Nova Iorque) é uma cantora norte americana de folk, conhecida por seu estilo vocal distinto e opiniões políticas apresentadas abertamente.
Índice
1 História
-1.1 Primeiros anos
-1.2 Anos 60 a 80
-1.3 Anos recentes
2 Discografia
3 Ligações externas
Joan Baez diz "No nos moverán"(poema de Pablo Neruda)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Tempo



Foto de Graça Brites

Eu fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo:
nem ele me persegue, nem eu fujo dele.
Um dia a gente se encontra...

Mario Lago

Já não se brinca aos médicos como antigamente...

Onde é que tu estavas?- pergunta a mãe à menininha.
No quarto, a brincar aos médicos com o Joãozinho. Ele era o médico e eu a doente.
A mãe dá um grito e um salto da cadeira ...
- Aos médicos!?!
- Médicos da Segurança Social , mãe... Ele nem me atendeu!

A crise está em crise...

A todos os executivos que mantiveram Portugal em crise desde 1143 até hoje, muito obrigado. Ou estou fortemente enganado (o que sucede, aliás, com uma frequência notável), ou a história de Portugal é decalcada da história de Pedro e o Lobo, com uma pequena alteração: em vez de Pedro e o Lobo, é Pedro e a Crise.
De acordo com os especialistas - e para surpresa de todos os leigos, completamente inconscientes de que tal cenário fosse possível - Portugal está mergulhado numa profunda crise.
Ao que parece, 2009 vai ser mesmo complicado. O problema é que 2008 já foi bastante difícil. E, no final de 2006, o empresário Pedro Ferraz da Costa avisava no Diário de Notícias que 2007 não iria ser fácil. O que, evidentemente, se verificou, e nem era assim tão difícil de prever tendo em conta que, em 2006, analistas já detectavam que o País estava em crise. Em Setembro de 2005, Marques Mendes, então presidente do PSD, desafiou o primeiro-ministro para ir ao Parlamento debater a crise económica.
Nada disto era surpreendente na medida em que, de acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal, entre 2004 e 2005, o nível de endividamento das famílias portuguesas aumentou de 78% para 84,2% do PIB. O grande problema de 2004 era um prolongamento da grave crise de 2003, ano em que a economia portuguesa regrediu 0,8% e a ministra das Finanças não teve outro remédio senão voltar a pedir contenção.
Pior que 2003, só talvez 2002, que nos deixou, como herança, o maior défice orçamental da Europa, provavelmente em consequência da crise de 2001, na sequência dos ataques terroristas aos Estados Unidos. No entanto, segundo o professor Abel M. Mateus, a economia portuguesa já se encontrava em crise antes do 11 de Setembro.
A verdade é que, tirando aqueles seis meses da década de 90 em que chegaram uns milhões valentes vindos da União Europeia, eu não me lembro de Portugal não estar em crise. Por isso, acredito que a crise do ano que vem seja violenta. Mas creio que, se uma crise quiser mesmo impressionar os portugueses, vai ter de trabalhar a sério.
Um crescimento zero, para nós, é amendoins.
Pequenas recessões comem os portugueses ao pequeno-almoço. 2009 só assusta esses maricas da Europa que têm andado a crescer acima dos 7 por cento. Quem nunca foi além dos 2%, não está preocupado.
É tempo de reconhecer o mérito e agradecer a governos atrás de governos que fizeram tudo o que era possível para não habituar mal os portugueses. A todos os executivos que mantiveram Portugal em crise desde 1143 até hoje, muito obrigado. Agora, somos o povo da Europa que está mais bem preparado para fazer face às dificuldades.
Ricardo Araújo Pereira
por mail

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Sabedoria Popular...

1) Em Janeiro sobe ao outeiro; se vires verdejar, põe-te a cantar, se vires Sócrates, põe-te a chorar.
2) Quem vai ao mar avia-se em terra; quem vota Sócrates, mais cedo se enterra.
3) Sócrates a rir em Janeiro, é sinal de pouco dinheiro.
4) Quem anda à chuva molha-se; quem vota em Sócrates lixa-se.
5) Ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão; parvo que vota em Sócrates, tem cem anos de aflição.
6) Gaivotas em terra, temporal no mar; Sócrates em Belém, o povinho a penar
7) Há mar e mar, há ir e voltar; vota Sócrates quem se quer afogar.
8) Março, marçagão, manhã de Inverno tarde de Verão; Sócrates, Soarão, manhã de Inverno tarde de inferno.
9) Burro carregando livros é um doutor; burro carregando o Sócrates é burro mesmo.
10) Peixe não puxa carroça; voto em Sócrates, asneira grossa.
11) Amigo disfarçado, inimigo dobrado; Sócrates empossado, povinho atropelado.
12) A ocasião faz o ladrão, e de Sócrates um aldrabão.
13) Antes só que mal acompanhado, o mesmo com Sócrates ao lado.
14) A fome é o melhor cozinheiro, Sócrates o melhor coveiro.
15) Olhos que não vêm, coração que não sente, mas aturar o Sócrates, não se faz à gente.
16) Boda molhada, boda abençoada; Sócrates eleito, pesadelo perfeito.
17) Casa roubada, trancas na porta; Sócrates eleito, ervas na horta.
18) Com Sócrates e bolos se enganam os tolos.
19) Não há regra sem excepção, nem Sócrates sem confusão.

O gueto de Gaza!...

A hipocrisia desceu de novo à rua no dobrar de mais um ano. Perante o horror de centenas de palestinianos mortos e feridos pelo genocídio que Israel continua a levar a cabo em Gaza, não se podem aceitar nem entender posições de falsa equidistância ou pretensa imparcialidade.
Quem se abriga neste posicionamento, covarde ou conscientemente cúmplice, não pode deixar de ser também politicamente responsável pela morte de centenas de civis palestinianos, (homens, mulheres e crianças), que nada por nada pode justificar. Nem sequer o pretexto de responder a algumas dezenas de rockets artesanais lançados de Gaza, os quais, para além do barulho, nunca tiveram consequências vitais significativas, na população ou património israelita.
Importa lembrar aos praticantes da "equidistância conveniente" que o genocídio não começou com os mais recentes ataques da aviação israelita a faculdades, mercados, mesquitas ou tudo o que "mexesse" em Gaza.
O genocídio começou há muito e prosseguiu durante o famoso cessar-fogo, cuja violação se quer também atribuir aos palestinianos para poder justificar a (falsa) imparcialidade.
O genocídio existe à moda do "Gueto de Varsóvia", com o controle absoluto do espaço aéreo, portos e todas as fronteiras de Gaza (mesmo as que, como com o Egipto, não são fronteiras de Israel), com o cerco total de Gaza e da sua população, atrasando e impedindo a ajuda médica e humanitária para a população civil.
O genocídio é, enfim, a asfixia total de uma das zonas mais densamente povoadas do Médio Oriente, haja ou não cessar-fogo.
Sublinhe-se também que, em Gaza, o cessar-fogo tem um conceito próprio para quem está mais apostado no genocídio que na Paz. No tal período de tréguas, por um acaso que o nunca o é sempre que de um lado está Israel, houve pelo menos uma incursão militar em Gaza e mais de meia centena de palestinianos morreram, enquanto nem um israelita - civil ou militar - foi atingido (não obstante os "mortíferos" rockets)…
Honorio Novo
in JN

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O governo aposta na morte dos ex-combatentes, evitando apoiá-los na doença

Defesa. Relatório da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa

Cavaco Silva lembrou a prioridade de apoiar os deficientes militares

A forma como os veteranos de guerra e deficientes militares são tratados condiciona a imagem das Forças Armadas e afecta o recrutamento de jovens para as fileiras, indica um relatório da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

"Publicidade negativa sobre o deficiente tratamento dado aos veteranos pode afastar potenciais futuros recrutas" de se alistar nas Forças Armadas. "Enquanto empregador responsável, as Forças Armadas têm o dever de cuidar dos seus actuais e antigos empregados", afirma o relatório, relativo a 2008, do Gabinete para as Instituições Democráticas e Direitos Humanos da OSCE (ODIHR, sigla em inglês), sediado em Varsóvia.

"É no interesse das Forças Armadas como empregador cuidar dos veteranos, na medida em que melhores serviços para [esses combatentes] também podem ser vistos como um incentivo ao recrutamento." Acresce, prossegue o relatório, que "conceder melhores benefícios aos veteranos mostra aos actuais e futuros [efectivos militares] que as Forças Armadas são um empregador responsável".

O relatório surge poucas semanas depois de o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, ter insistido (no passado dia 19 de Dezembro) na necessidade de se "assegurar o adequado apoio que os deficientes das Forças Armadas reconhecidamente merecem". "O apoio a uma saúde de- bilitada, fortemente agravada com o natural envelhecimento, constitui a principal prioridade, requerendo (...) o prosseguimento de uma acção concertada" do Governo, declarou o Chefe do Estado, durante uma visita à sede da Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA).

Num artigo de opinião publica- do três dias depois no Jornal de Notícias, o jornalista Mário Crespo sublinhou que "a assistência aos deficientes das Forças Armadas tem sido considerada questão menor. Sucessivos governos têm aguardado que o problema dos antigos combatentes em geral e dos deficientes em particular se resolva por si". Para isso "têm-se inventado redefinições dos graus de invalidez. Reavaliado o que são situações de guerra e de combate. Tudo para conseguir roubar na assistência aos veteranos", afirmou Mário Crespo.

In DN

A piscina

Avaliem-nos, dizem eles...

Este ano há eleições legislativas e para fazermos uma ideia de quem nos representa e decide todos os dias o nosso futuro colectivo, levantando-se ou não dos assentos etéreos onde subiu, vale a pena ver o vídeo que circula na Net.
Gravado em finais de 2008, nele se pergunta a deputados de várias bancadas qual é o salário mínimo nacional.
Nenhum dos entrevistados, notórios ou anónimos (Carlos Poço, do PSD, Nélson Baltasar, do PS, Mário Albuquerque, do PSD, Teresa Caeiro, do CDS/PP, a ainda Marques Mendes, ex-presidente do PSD e o "candidato a deputado" Henrique Ferreira), sabe.
A maioria arrisca palpites: 480, 300, 500, 450, 405 euros ou, como Nélson Baltasar (PS), que se justifica dizendo que "isso não é importante".
Que classificação teria esta gente que tão animosamente votou o modelo chileno de avaliação dos professores se fosse sujeita a avaliação? E as direcções partidárias se, como os professores, fossem avaliadas pelos resultados dos seus aplicados alunos?
Manuel António Pina
in JN

IASFA - ADM ( Novo SITE )

Brasão do IASFA
Informo que passou a ser possível aceder ao site do IASFA - ADM através da INTERNET.
Para tanto, basta:
1. Usar www.iasfa.pt e clicar no cartão da ADM que aparece na página deabertura do site do IASFA ou
Agradeço a todos a máxima divulgação entre os camaradas de curso com quem mantenham contactos, principalmente os que estejam fora da efectividade, e solicito também a apresentação, ou o encaminhamento, de comentários e,principalmente, de sugestões para melhoria das condições e facilidades iniciais.
Um abraço e BOM ANO DE 2009.
Silva Castro
CAlm

Os Reis Magos do PS ...

Os camelos Sócrates, A.Costa e T. Santos, buscam desesperadamente a estrela da maioria absoluta...

Ilse Losa...Escritora portuguesa de origem judaica...

Ilse Lieblich Losa (nascida Ilse Lieblich, Melle-Buer, 20 de Março de 1913Porto, 6 de Janeiro de 2006) foi uma escritora portuguesa de origem judaica.
Biografia
Nascida na
Alemanha, frequentou o liceu em Osnabrück e Hildesheim e mais tarde um instituto comercial em Hannover.
Ameaçada pela
Gestapo de ser enviada para um campo de concentração devido à sua origem judaica, abandonou o seu país natal em 1930. Deslocou-se primeiro para Inglaterra onde teve os primeiros contactos com escolas infantis e com os problemas das crianças.
Chegou a Portugal em 1934, tendo-se fixado na cidade do Porto, onde casou com o arquitecto Arménio Taveira Losa, tendo adquirido a nacionalidade portuguesa.
Em 1943, publicou o seu primeiro livro "O mundo em que vivi" e desde dessa altura, dedicou a sua vida à tradução e à literatura infanto-juvenil, tendo sido galardoada em 1984 com o Grande Prémio Gulbenkian para o conjunto da sua obra dirigida às crianças.
Em 1998 recebeu o Grande Prémio de Crónica, da APE (Associação Portuguesa de Escritores) devido à sua obra À Flor do Tempo. Colaborou em diversos jornais e revistas, alemães e portugueses, está representada em várias antologias de autores portugueses e colaborou na organização e traduziu antologias de obras portuguesas publicadas na Alemanha.
Traduziu do alemão para português alguns dos mais consagrados autores.
Segundo
Óscar Lopes "os seus livros são uma só odisseia interior de uma demanda infindável da pátria, do lar, dos céus a que uma experiência vivida só responde com uma multiplicidade de mundos que tanto atraem como repelem e que todos entre si se repelem".
Índice
1 Obras
2 Prêmios

O mito do aperfeiçoamento profissional na Era da Informação

Uma das crenças mais difundidas sobre a nova economia informacional é de que as tecnologias mais avançadas elevarão o padrão técnico e cultural dos trabalhadores. A realidade, porém, aponta em uma outra direcção.
O estabelecimento de uma relação direta entre o avanço tecnológico e o aperfeiçoamento profissional dos trabalhadores em geral, parece constituir um consenso. É uma ideai da qual ninguém parece duvidar. Só que a realidade é muito diferente.
Em sua monumental obra sobre a Era da Informação, Manuel Castells aborda a questão sob o título de: “A nova estrutura ocupacional”. Em suas palavras:
“Uma assertiva importante sobre o pós-industrialismo é que as pessoas além de estarem envolvidas em diferentes atitudes, também ocupam novos cargos na estrutura ocupacional. De modo geral, previu-se que, conforme entrássemos na chamada sociedade informacional, observaríamos a crescente importância dos cargos de administração, técnicos e profissionais especializados, uma proporção decrescente dos cargos de artífices e operadores e aumento do número de funcionários administrativos e de vendas”.[1]
A conclusão óbvia seria a de que a “qualidade” dos empregos melhoraria consideravelmente. Mas o que estamos vendo não é bem isso. Castells critica “a versão ‘esquerdista’ do pós-industrialismo [que] aponta a importância cada vez maior das profissões de mão-de-obra semiqualificada (freqüentemente não-qualificada) do setor de serviços como contraponto ao crescimento do emprego para profissionais especializados”. [2]
Após citar várias estatísticas sobre os EUA, Canadá, Grã-bretanha, Japão, Alemanha e França, baseando-se em uma série de comparações, que o próprio autor reconhece serem extremamente difíceis, dado as diferenças de definição das denominações de cargos e funções em cada país, ele conclui:
“...sabemos de outras fontes que houve polarização da distribuição de renda nos EUA e em outros países nas duas últimas décadas. Contudo, não concordo com a imagem popular da economia informacional como geradora de um número crescente de empregos de baixo nível no setor de serviços a uma taxa desproporcionalmente mais alta que a taxa de aumento do componente da força de trabalho formada por profissionais especializados e técnicos. De acordo com esses dados [as tais estatísticas], isso não é verdade”.[3]
O problema com esse tipo de análise, feita por sociólogos e economistas, é que raramente captam as mudanças na “natureza” do trabalho, nas plantas industriais e nos complexos de escritórios. Muitos cargos, cuja denominação permanece a mesma, são constantemente “esvaziados” de seus conteúdos tradicionais. E conseqüentemente, perdem valor. Daí a “polarização” da distribuição de renda proveniente dos salários.
Nesse caso, os próprios profissionais das áreas de tecnologia, percebem melhor o problema. Mesmo em uma obra didática, que trata de interfaces, sensores, atuadores, etc, destinada a alunos de cursos de eletrônica, automação industrial e robótica, podemos ler essa observação na introdução:
“É evidente, pelo colocado até aqui, que a automação nas indústrias gera desemprego. Milhares de tarefas, principalmente nas linhas de produção, que antes eram executadas por operários de certa qualificação, agora são executadas por robôs”.[4]
Destacamos a expressão “certa qualificação” porque os verdadeiros especialistas sabem que essas tecnologias não eliminam pessoas que executam tarefas rudimentares. A
própria obra mencionada, não ensina a projetar máquinas que multiplicam a “força” dos seres humanos e sim dispositivos eletromecânicos, controlados por circuitos eletrônicos, capazes de substituir o “raciocínio” dos trabalhadores. Isso faz toda a diferença.
Mas o centro da questão é muito bem colocado por um colega (o autor deste texto é engenheiro civil) que se dedica, entre outras coisas, ao estudo da automação industrial. Em suas palavras:
“A polêmica tradicional sobre a questão da desqualificação deve ser recolocada. De um lado, argumenta-se que as novas tecnologias exigem mais qualificações por parte dos trabalhadores, qualificação evidenciada pela necessidade de que adquiram capacidade de abstração para poder operar determinados tipos de equipamentos, o que implica maior educação formal. Por outro lado, especialmente à medida que as novas tecnologias tornam-se user friendly (“amigáveis” para o usuário), sua difusão estaria implicando, uma vez mais, um processo de desqualificação para uma quantidade crescente de trabalhadores”.[5]
Ai está à chave da questão. Até o advento das máquinas ferramenta de controle numérico (MFCN), a operação de um torno, por exemplo, exigia que o operário possuísse várias habilidades, manuais e mentais. Isso porque a precisão e a qualidade do produto final, dependiam de o operário entender perfeitamente o funcionamento da máquina.
Com a introdução das MFCN, essas habilidades se tornaram desnecessárias. Tauile nos conta que em uma fábrica por ele visitada, ao lado de uma máquina de eletrofusão a fio, isolada dentro de uma grande redoma de vidro, o operador (um fresador muito experiente), foi perguntado sobre o que necessitaria para melhorar o seu trabalho.
O operador sugeriu que lhe dessem um espanador, e explicou porque: “Desde ontem, ás 14 horas, quando começou a usinagem desta peça (que ainda iria até o final do dia), não tenho nada para fazer...pelo menos, com um espanador, posso procurar uma poeirinha para limpar”.[6]
Está claro que com o tempo, após a absorção integral da nova tecnologia, esse fresador acabará por ser de fato substituído, por alguém com capacidade apenas para usar um espanador...
Em nossa própria experiência na área de análise e desenvolvimento de sistemas de informação para empresas de comércio varejista e prestação de serviços, vemos com freqüência o aparecimento de um tipo de funcionário que apelidamos de “caderninhos”.
Isso porque copiaram de seus colegas mais experientes, as anotações resumidas sobre como operar um programa, executar certas rotinas periódicas, fazer backup, “fechar” o mês ou ano, etc. Seguem cada passo, sem entender nenhum comando, e muito menos o porque estão executando cada procedimento, mesmo no limitado contexto de seu departamento.
Então de onde teria surgido o mito da “maior qualificação” profissional? É simples. Quando da implantação de novos sistemas, sejam MFCN computadorizadas, robôs ou redes de computadores em escritórios, os antigos funcionários são essenciais para o sucesso da transição. Qualquer profissional de automação e/ou informática sabe muito bem disso.
Então são selecionados os elementos mais experientes e leais á administração, para cursos de “aperfeiçoamento”, ou seja, aprenderão noções de matemática com números relativos, conceitos básicos de fluxogramas e programação de computadores. Depois o curso se completa com as instruções de como usar as novas máquinas e/ou os novos programas.
O objetivo disso não é “elevar” o nível do profissional e sim estabelecer uma base de comunicação entre eles e os responsáveis pela implantação dos novos equipamentos. A
idéia é que todos falem a “mesma língua”, pelo menos por algum tempo. Esse tempo costuma coincidir apenas com um pouco mais do que o necessário para os devidos ajustes do equipamento, e para que as adaptações a “cultura” da empresa, com suas particularidades, conhecimentos práticos e específicos, acabe por ser incorporada à rotina do novo sistema.
O profissional assim “valorizado”, facilitará a automação das tarefas desempenhadas por ele, seus colegas e eventuais ajudantes. Depois disso, a própria rotatividade da mão-de-obra se encarregará de eliminar, aos poucos, esses profissionais. Completado o processo e “digerida” a nova tecnologia, poderão ser substituídos por pessoas que dominam apenas a operação dos equipamentos, sem entender seu funcionamento.
Vários exemplos desse processo podem ser apresentados. É a “supervisora” de caixas eletrônicos nos bancos, que nunca viu uma linha de programa de computador e nem tem a menor noção de contabilidade. São os atendentes de “call centers” que seguem um rígido “script” e prestam inúmeras informações sobre assuntos que na verdade, desconhecem completamente.
Um exemplo dramático é a diferença entre o antigo “rádio-técnico”, responsável pelo conserto de aparelhos de rádio, TV e som, e o profissional de manutenção de computadores. A maioria desses últimos, não tem a menor idéia de como funciona um circuito eletrônico. Alguns já dispensam até o tradicional multímetro e outros nem sabem como usa-lo. Limitam-se a trocar placas e a reinstalar todo o software, sem jamais entender o que “deu errado” antes.
Cursos de informática, supostamente responsáveis pela formação de uma nova elite tecnológica, na realidade apenas habilitam usuários para a operação de “aplicativos”. Isso não tem nenhuma relação com domínio tecnológico, é como aprender a dirigir carros de passeio, a única exigência é não ser analfabeto.
Analisando as ofertas de cursos de três empresas líderes do mercado, apuramos o seguinte: O primeiro, com 150 unidades estabelecidas em várias cidades, oferece um curso de “Qualificação em administração e informática” [7]. Em quatro trimestres, ensina-se o MS Office de forma engenhosa. Associam-se noções de secretariado com o Word, Contabilidade como o Excel, Vendas e Telemarketing com o PowerPoint, etc. Muito útil. Mas nenhum dos módulos aborda programação.
Um segundo, com 120 unidades, oferece 14 cursos sobre aplicativos para no fim propor apenas 2 de programação: Visual Basic e Lógica.[8]. Um terceiro oferece 10 cursos de aplicativos, 4 genéricos (sendo 1 intitulado “Como conquistar um emprego”) e de novo apenas 2 relacionados com programação [9].
Conclusão: Mesmo um aparente crescimento no número de pessoas em cargos de administração, técnicos e profissionais especializados, não significa maior necessidade de aperfeiçoamento profissional. O fato de alguém trabalhar em uma linha de montagem de última geração, não significa que tenha idéia de como ela funciona.
Usuários de programas sofisticados, de bancos de dados relacionais e de recursos de redes, não sabem necessariamente nem o que, nem porque estão fazendo o que aprenderam. Com exceção de uma minoria realmente especializada, e muito bem paga, a tendência é que os demais trabalhadores sejam cada vez mais “homogeneizados” em uma massa que sabe apenas usar recursos tecnológicos padronizados.
Ironicamente, quanto mais “inteligentes” forem às máquinas, mais “simplórios” podem ser seus usuários.

Notas:

[1] Manuel Castells - “A Era da Informação: Economia, sociedade e cultura” – Vol. I – “A Sociedade em Rede” – 2003 – Ed. Paz e Terra S/A - 7ª Edição - Pág. 280
[2] Idem.
[3] Idem, Pág. 284
[4] Fernando Pazos – “Automação de Sistemas & Robótica” – 2002 – Axel Book do Brasil Editora – Pág. 19
[5] José Ricardo Tauile – “Para (re)construir o Brasil contemporâneo” - 2001 – Ed. Contraponto – Pág. 122.
[6] Idem. Pág. 130.
[7] Bit Company – www.bitcompany.com.br
[8] S.O.S. Computadores - www.soscomputadores.com.br
[9] Visual Mídia – www.visualmidia.com.br


http://lauromonteclaro.sites.uol.com.br/

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Tudo como dantes, no quartel-general em Abrantes II

Amanhã será Dia de Reis, aquele em que os Magos, prestaram homenagem ao Menino e lhe ofereceram ouro, incenso e mirra.
Vinte e um séculos depois, a nossa Civilização comemora a data, a sua mensagem e, principalmente, a fé numa doutrina em que Jesus cresceu e pregou, crucificando Cristo para salvação da Humanidade.
Antes disso, expulsou os vendilhões do Templo, obrigou Pilatos a prenunciar a cobardia dos juízes ao serviço dos vendilhões a que hoje se chama corrupção dos corruptos activos e passivos.
Com o seu sacrifício, conseguiu que a Humanidade do Ocidente o seguisse, e não deixasse fenecer o ideal de Fraternidade, Justiça (Social), Misericórdia e Esperança a que os Cristãos dedicam as suas orações.
Noutras partes da Terra, e outros povos, tiveram, respeitaram e cultivaram, até hoje, os seus profetas. Todos, mas todos eles, pregaram o mesmo direito à esperança na justiça e felicidade humana.
Antes e depois de tudo isto ficar registado na história das religiões, não faltaram imperadores e impérios que, à medida que mais cresceram, mais caíram.
Continua e investigar-se e tentar explicar a causa da queda de Incas, Gregos, Romanos, Egípcios…ou impérios mais recentes de cariz colonial e os modernos apetites de conquista mundial pela chamada superpotência , e respectivos aliados, que sobrou da guerra fria. Guerra essa que, afinal, desde a queda do muro de Berlim, não parou, nem se vislumbra que deixe de aquecer.
No meio de toda esta cega barbárie – transmitida em directo, diariamente, pelas televisões de todo o mundo – os direitos humanos são uma caricatura que já só serve para uma coisa: invadir um país que tem petróleo (que julga ser seu) e não o entrega de mão beijada à tal superpotência. Transmite-se ao nível mundial o enforcamento do respectivo ditador, matam-se centenas de milhar de inocentes, destrói-se um país e… muda-se para outro sítio aonde a defesa do sistema renda mais.
Pois é.
Ainda não repararam que o problema reside no sistema? Ainda não perceberam que o sistema em que somos obrigados a viver já passou à História? Ainda acreditam que as tais medidas para “resolver a crise” – como dizem os gurus deste sistema económico e social, e a tal “classe” política que finge, à custa dos impostos que nos rouba, continuar a alimenta-los é solução para alguma coisa?
Claro que sim: permite que os responsáveis pelo sistema, a máfia dos off-shores, a canalha de banqueiros ladrões que nos rouba e lá coloca impunemente o esforço do nosso trabalho continue a explorar-nos impunemente.
Até quando? Até todos nós permitirmos, é óbvio. Enquanto não resolvermos acabar com o sistema. E olhem que é mais fácil do que parece. Mas se gostam disto assim, continuem. Para meu desgosto, e sem contarem comigo, é claro.
Para o que der e vier, se ainda me julgarem útil, sabem onde encontrar-me.

Os Dez Desejos Para 2009 De Um Professor À Beira De Um Ataque De Nervos...

1. Um Primeiro Ministro mais amigo dos professores, da escola, dos alunos e da educação.
2. Um Ministério da Educação lavado de gente cega , surda, prepotente e arrogante.
3. Uma classe profissional (a dos professores) mais dignificada pelo poder político, mais respeitada e amada por todos.
4. Uma escola onde os professores ensinem com prazer e em paz;
5. Uma escola onde os alunos queiram TODOS aprender e respeitem os professores TODOS.
6. Uma escola em que os pais participem, não apenas pela crítica justa e certeira, mas também pela autocrítica.
7. Um recuo total desta política educativa , para que possamos ser melhores professores, em melhores escolas, com melhores alunos.
8. Um ano escolar renovado, por uma nova crença de todos em que ainda é possível terminá-lo como se nada de mal lhe tivesse acontecido.
9. A consciencialização de todos de que o sucesso educativo não depende só de directores mais remunerados e de escolas remodeladas.
10. A rectificação definitiva da ideia de que o professor não trabalha , logo deve ser forçado a trabalhar, pela assunção do princípio de que o professor quer trabalhar mais e melhor, desde que o respeitem mais, o dignifiquem mais, ou , numa palavra, o MOTIVEM mais.
Paulo Guinote
in PDiario

José Sócrates...Um Pai Natal Previsível...

No novo ano o Engenheiro tenta "vender" os presentes do costume mas inflacionados...

Umberto Eco...Escritor e Filósofo Italiano...

Umberto Eco (Alexandria, 5 de janeiro de 1932) é um escritor, filósofo e lingüista italiano. Eco é mundialmente reputado por seus diversos ensaios universitários sobre a semiótica, a estética medieval, a comunicação de massa, a lingüística e a filosofia.
É, também, titular da cadeira de Semiótica e diretor da Escola Superior de
Ciências Humanas na Universidade de Bolonha, além de colaborador em diversos periódicos acadêmicos, colunista da revista semanal italiana L'Espresso e professor honoris causa em diversas universidades ao redor do mundo.
Eco é, ainda, notório escritor de romances, entre os quais O nome da rosa e O pêndulo de Foucault.
Índice
1 Biografia
2 Bibliografia
-2.1 Romances
-2.2 Outras obras
3 Ligações externas

domingo, 4 de janeiro de 2009

Paz e Direitos Humanos

No preciso momento em que a barbárie da guerra assume gravidade extrema, um amplo grupo de personalidades, das mais variadas áreas da sociedade, juntaram-se para lançar a ideia de uma associação cujo principal objecto consiste na reflexão, defesa e promoção da Paz e dos Direitos Humanos. Dizem ser este "rumo da comunidade internacional e o modo como Portugal nela se insere" que os preocupa (vêr anexo).

O "Fórum pela Paz e pelos Direitos Humanos" terá a sua primeira sessão pública no próximo dia 6 de Janeiro, pelas 18h30, na sede da Associação 25 de Abril (Rua da Misericórdia, 95 - Lisboa) e contará com intervenções de D. Januário Torgal Ferreira, do médico Fernando Nobre e do presidente do Fórum, Domingos Lopes. A actriz Maria do Céu Guerra fará a leitura de um poema alusivo.

Contamos consigo.

Conselho de Fundadores:

Ana Sofia Monteiro, António Arnaut, António Avelãs, António Bica, António Borges Coelho, António Cluny, António Pessoa, Avelino Pinto, Constantino Alves, Corregedor da Fonseca, Domingos Lopes, Eduardo Maia Costa, Fernando Nobre, Hélder Costa, Januário Torgal Ferreira, Joana Mortágua, Janita Salomé, José Manuel Mendes, José Mário Branco, Kalidas Barreto, Levy Batista, Luís Azevedo, Martins Guerreiro, Manuela Freitas, Mário Tomé, Nuno Teotónio Pereira, Paulo Sucena, Ulisses Garrido, Vasco Lourenço, Vitor Garrido, Vitorino.

Agradecemos toda a divulgação

O mistério do quarto 311

Durante alguns meses acreditou-se que o quarto 311, de um hospital
municipal da África do Sul, tinha uma maldição.
Todas as sextas-feiras de manhã, os enfermeiros descobriam um paciente
morto neste quarto da unidade de cuidados intensivos.
Claro que os pacientes tinham sido alvo de tratamentos de risco mas, no
entanto, já se não encontravam em perigo de morte.
A equipa médica, perplexa, pensou que existisse alguma contaminação
bacteriológica no ar do quarto.
Alertadas pelos familiares das vítima, as autoridades conduziram um
inquérito.
Os utentes do 311 continuaram, no entanto, a morrer a um ritmo semanal e
sempre à sexta-feira.
Por fim, foi colocada uma câmara no quarto.
E o mistério resolveu-se: todas as sextas-feiras de manhã, pelas 6
horas, a mulher da limpeza desligava o respirador artificial do doente para
ligar o aspirador !!!

O guardador de rebanhos...

A história do povo que corria a defender as ovelhas do lobo imaginado pela mente perversa de um guardador de rebanhos não fez parte da infância do Primeiro-Ministro. Por isso não deve conhecer o final do conto, quando o lobo passou a ameaça real em que já ninguém acreditou…
Durante três anos, Sócrates mandou apertar o cinto para controlar o défice, acenando com o crescimento económico, com 150 000 postos de trabalho, com a convergência com a Europa, com o "Eldorado"!
Foi este discurso de (falsa) confiança que nos levou à cauda europeia, à subida imparável do desemprego, ao fecho de escolas e serviços de saúde, ao aumento da idade da reforma, ao corte nas pensões, à perda do poder de compra, ao fosso entre os que tudo têm e os que nada possuem!
Há um ano, quando já se descortinava a borrasca capitalista, Sócrates insistia no optimismo balofo e omitia tudo o que lhe pudesse apoucar a pose de guardador de rebanhos. Foi com esta confiança virtual e os habituais sorrisinhos patéticos que foi anunciando a robustez da economia nacional e a sua imunidade face ao desmoronar do casino em que o "mundo ocidental" se transformara…
José Sócrates é o guardador de rebanhos.
Usa e abusa do discurso enganador da falsa confiança para convencer os outros daquilo em que já nem ele acredita. Foi o que fez mais uma vez na mensagem de Natal.
Nos seus seis minutos natalícios não incluiu o desprezo com que trata a Educação e os Professores; não reservou uma palavra para o Código de Trabalho que aprovou contra os trabalhadores e contra a Constituição; nada nos disse sobre os milhões que tem dado à banca; tentou enganar-nos com a descida dos juros, escondendo que se recusou a limitar os lucros da banca no crédito à habitação e que não teve uma só iniciativa para que Bruxelas descesse as taxas de juro…
Mas como seria de esperar, na sua mensagem de Natal pediu novos sacrifícios para relançar com "confiança" o futuro do País.
Aos mesmos de sempre, claro.
Honorio Novo
in JN

Que não tem cão caça com gato...

Estavam duas freiras, ao anoitecer, caminhando pelas ruas de uma cidade, em direcção ao convento. Logo percebem que estão sendo seguidas por um tipo grandalhão e mal-encarado.
- Irmã, estamos a ser seguidas.
- Impressão sua. Vamos virar esta esquina para certificar.
Dobram uma rua, e o fulano atrás...
- Irmã, o homem continua atrás. Que vamos fazer?
- Anda um pouco mais.
E o fulano seguindo as duas, já babando.
- Irmã, tive uma ideia. Vamos virar na próxima rua e correr uma pra cada lado. Quem chegar primeiro ao convento pede socorro.
E, assim que que chegam à esquina, disparam a correr em direcções opostas. Uma delas corre, corre, e chega ao convento. Ofegante, conta o ocorrido às outras freiras. Ficam todas apavoradas. Vão chamar a polícia quando aparece a outra freira, toda suada.
- Irmãs, vocês não imaginam.
- O que houve ? O que houve ?
- Eu ia a correr e o homem ia atrás.
- E depois?
- Chegou um momento em que eu virei numa rua e dei de caras com um beco sem saída. Tentei voltar, mas o tarado já tinha chegado.
- Meu Deus. E depois.
- Ele olhou-me com uma cara de louco, a rir. Então eu sorri também e ... levantei o hábito até ao pescoço.
- OHHH ! E o que é que ele fez?
- Abaixou as calças até aos pés.
- E depois ? E depois ?
-...e depois que mulher de saia levantada corre muito mais que homem de calça abaixada, não é?...

Casimiro de Abreu...Foi um Poeta Brasileiro...

José Marques Casimiro de Abreu (Barra de São João, 4 de janeiro de 1839Nova Friburgo, 18 de outubro de 1860) foi um poeta brasileiro da segunda geração romântica.
As Primaveras, único livro de poesias escrito por Casimiro de Abreu, foi lançado em 7 de Setembro de 1859, com ajuda financeira do pai, embora este fosse avesso às tendências literárias do filho.
O sucesso varreu o país como vendaval, sendo aclamado por alguns e criticado por outros, mas até hoje é o símbolo poético da Saudade.
Trata-se de uma coleção de poesias melancólicas e sentimetais pela maior parte, em que a uma grande simplicidade na forma se alia um sentimento apaixonado e veemente.
Casimiro viveu pouco a temporada de glória, porque os sintomas da Tuberculose se agravaram falecendo com apenas 21 anos.
Índice
1 Biografia
2 Sua História...
3 Obras
4 Ver também
Saudades
.
Como é doce o meditar
Quando as estrelas cintilam
Nas ondas quietas do mar;
Quando a lua majestosa
Surgindo linda e formosa,
Como donzela vaidosa
Nas águas se vai mirar!
.
Nessas horas de silêncio,
De tristezas e de amor,
Eu gosto de ouvir ao longe,
Cheio de mágoa e de dor,
O sino do campanário
Que fala tão solitário
Com esse som mortuário
Que nos enche de pavor.
.
Então — proscrito e sozinho —
Eu solto aos ecos da serra
Suspiros dessa saudade
Que no meu peito se encerra.
Esses prantos de amargores
São prantos cheios de dores:
— Saudades — dos meus amores,
— Saudades — da minha terra !

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Conselhos...

Isto não nos lembra mais ninguém?

O melhor abutre é sábio e alisa as suas penas
A podridão lhe agrada e seus discursos
Têm o dom de tornar as almas mais pequenas



Salazar visto por Sophia de Mello Bryner Andersen

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Tudo como dantes, no quartel-general em Abrantes

Até parece que, o facto de se ter passado mais um dia, o transformou numa data histórica.
Nada disso.
Ontem, tal como hoje, nada mudou, a não ser a(s) página(s) do(s) calendário(s) que, afinal, são tão diversificados como qualquer de nós: os seres vivos que existimos na Natureza. Ah! pois; e dependem das convenções que julgam tê-los criado e estabelecido regras que os regulam. Quantos "calendários" estão em vigor no Mundo? Nos vários calendários, há quem festeje datas que outros desconhecem e alguns abominam.
O facto é que, afinal, a Humanidade coabita e tem de aprender a partilhar a Terra que nos coube. A dificuldade e causa de todas as guerras que sofremos, travamos e continuaremos a sujeitar-nos - porque, infelizmente, continuaremos a ficar sujeitos a guerras cada vez mais devastadoras - reside unicamente num facto: o ser humano ainda não aprendeu a respeitar a Natureza e a Humanidade. Para além do inalienável direito à diferença e respeito mútuo.
Enquanto não percebermos e praticarmos essa evidência... iremos de mal a pior, independentemente dos "primeiros de Janeiro" que formos "comemorando".
Para sermos consequentes, basta aceitarmos coisas tão simples como respeitarmos o Direito à Liberdade, assente nos princípios de Justiça, Solidariedade e Fraternidade.
Portanto, não vale a pena iludirmos-nos com "obamanias".
Prefiro chamar-vos a atenção para o que se passa no subcontinente indochinês:
o descalabro do Paquistão, o alastramento do domínio dos senhores da guerra no Afeganistão a esse país, e as sucessivas provocações à Índia, já nada têm a ver com o velho diferendo de Caxemira.
Tudo indica que, não tarda muito e, também o estafado "problema do Médio Oriente" entre "árabes" e "judeus" vai passar à História.
É evidente que americanos, europeus, incluindo russos (é bom não esquecer), já nada terão a ver com o que lá vai acontecer.
A não ser que tenham a clarividência de, em tempo útil, mandarem às urtigas as reminiscências da "guerra fria"...
A que aí vem... vai ser quente.
Já repararam que a China está impávida e serena perante tudo isto?
Já notaram?
Ainda não compreenderam?
Pelo menos, perguntem ao nosso governo o que pensa disto.
De resto, é a única razão que motivou este texto.
Como cidadão, e enquanto usufruir da liberdade de expressão que "O Cacimbo" me permitir, cá estarei.
Para vos dizer e abraçar, como sempre fiz.

Louvor do novo...

Os começos são sempre belos. Mesmo sendo apenas um acidente de calendário, acendem outra vez, por um momento, a trémula chama da esperança.
A esperança tem má fama. Rafael Alberti chama-a de "puta"; e, nos idos de 60, Geraldo Vandré cantava que "esperar não é saber,/ quem sabe faz a hora, não espera acontecer".
É verdade que a esperança desvia os homens da acção, mas eu acho que sem esperança nenhuma acção tem sentido.
Antigamente, nas passagens de ano deitavam-se os trastes velhos fora, simbolizando o desejo de ruptura e de recomeço; e a ideia de recomeço é estruturante de todos os grandes sonhos mobilizadores, incluindo o cristianismo.
O ano que hoje começa não será diverso, senão para pior, do anterior, mas, "pálido e setemesinho", é Novo e, por um dia, chega. Porque o novo é, como diz João Cabral de Melo Neto, "belo como um sim/ numa sala negativa", uma insegura porta "abrindo-se em mais saídas". Belo como "a coisa nova/ na prateleira então vazia", ou "como o caderno novo/ quando a gente o principia", mesmo se não fazemos a mínima ideia, e justamente por isso, do que será escrito nele.
in JN

Votos de um Bom Ano 2009...

Afonso Dhlakama...Político Moçambicano e líder da RENAMO...

Afonso Macacho Marceta Dhlakama (pronuncia-se aproximadamente como Djacama), nascido a 1 de Janeiro de 1953, é o presidente da RENAMO (Resistência Nacional Moçambicana), o principal partido político da oposição em Moçambique.
Após a morte de
André Matsangaíssa, assumiu a liderança da então guerrilha RENAMO, no auge da guerra civil moçambicana. A 4 de Outubro de 1992 assinou com Joaquim Chissano (na altura Presidente de Moçambique), em Roma, o Acordo Geral de Paz, pondo fim a uma guerra civil que durou cerca de 16 anos e que destruiu a economia e infra-estruturas do país, tendo provocado centenas de milhares de mortos. Desde então a RENAMO passou a ser um partido político, o segundo maior partido político de Moçambique.
Ao contrário das suas reconhecidas capacidades de estratega militar, Afonso Dhlakama não tem tido o mesmo sucesso político, acumulando sucessivas derrotas nas três eleições presidenciais até agora realizadas neste país, e alegando sempre a existência de fraudes perpetradas pelo partido no poder (
FRELIMO) para que isto venha acontecendo. Em situações de crise, recorre a um discurso mais belicista, que por vezes inclui ameaças de retorno à luta armada. A sua fraca tenacidade política resulta numa fraca oposição política em Moçambique.