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quinta-feira, 9 de abril de 2009

Adriano Correia de Oliveira...hoje faria 67 anos...

Adriano Maria Correia Gomes de Oliveira (n. Avintes, 9 de Abril de 1942 — m. Avintes, 16 de Outubro de 1982), foi um músico português.
Intérprete do
Fado de Coimbra e elemento da geração de cantores da resistência ao Estado Novo, conhecida como música de intervenção, cresceu no seio de uma família tradicionalista católica.
Concluído o ensino liceal no Porto foi para Coimbra em 1959, estudando Direito. Foi repúblico na Real Repúbica Ras-Teparta, solista no Orfeon Académico de Coimbra, fez parte do Grupo Universitário de Danças e Cantares e do Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra e tocou guitarra no Conjunto Ligeiro da Tuna Académica de Coimbra.
Pouco depois editava o primeiro EP, acompanhado por António Portugal e Rui Pato lançando, em 1963, o seu primeiro disco de vinil, Fados de Coimbra, que continha Trova do vento que passa, balada fundamental da sua carreira, com poema de Manuel Alegre, transformado numa espécie de hino do movimento estudantil de contestação ao regime.
Em 1982, com quarenta anos, num sábado, dia 16 de Outubro, morreu em Avintes
, nos braços da mãe, vitimado por uma hemorragia esofágica
.
Trova do Vento que Passa
.
Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
.
Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.
.
Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.
.
Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.
.
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.
(...)
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Recordar Adriano


sexta-feira, 25 de abril de 2008

O PAPAGAIO DE PAPEL

Camponeses, marçanos ou estudantes mal ajustados ao uniforme de campanha, inconformados com a espartana rotina que levavam, emprestavam cada vez mais imaginação à vida. Era a idade de viver o sonho, experimentando realidades de modo a marcá-las de forma singular. Mesmo ali, naquele lugar para onde os tinham atirado sem consulta, continuavam tão inconformistas quanto os jovens o são. Empenhavam-se em personalizar as condições de sobrevivência, com tanto ou mais afinco e sucesso do que na luta contra o inimigo que os espreitava na floresta.

Nas tendas de lona não existia qualquer mobiliário e só os graduados dormiam em camas de ferro. Aos soldados estavam distribuídos colchões pneumáticos e ninguém tinha sequer uma cadeira onde repousar com um mínimo de conforto nos intervalos das operações.

Para guardarem as fardas e o calçado militar, dispunham de dois sacos de transporte de bagagem, servindo um de inseparável mochila onde se misturavam as caixas de munições de reserva com uma manta, um poncho impermeável e cinco rações de combate para matar a fome no mato. O outro substituía, dentro do possível, cómoda e guarda-fato.

Isto a princípio, que o espírito de improvisação dos soldados, a necessidade de preservarem a sua individualidade, diferenciando-se dos outros, depressa começou a transformar aduelas de barris de vinho - que constituíam tara perdida - em mesas, bancos, estantes e armários, conforme a necessidade e o gosto de cada um. Passados seis meses até já havia quem dispusesse de cadeira de baloiço, estilo império arqueado, como ironicamente foi catalogado tal tipo de mobiliário artesanal.

Dos fundos privativos, a companhia limitava-se a fornecer pregos e dobradiças. Os mais requintados pagavam as fechaduras que o sargento Castanheira lhes trazia do armazém de ferragens quando, no fim do mês, ia à cidade com o capitão buscar artigos de expediente e dinheiro para pagar o soldo. A lista das encomendas era sempre enorme mas pouco variada.

Daí André estranhar que, dessa vez, o sargento lhe perguntasse se sabia onde comprar papel de seda.

- Ó nosso primeiro, para que raio quer você isso? Vai oferecer prendas a alguém?

- Sei lá, meu capitão, isso gostava eu de saber. Foi o pessoal que pediu cinquenta folhas e só disseram que era surpresa.

- Bom, se não houver na intendência, procure na papelaria civil - disse André resmungando: - Ora esta?! Papel de seda na mata quer dizer que cacimbaram completamente.

No regresso à companhia, o Castanheira lá trouxe um volumoso embrulho e tentou deslindar o mistério:

- Olhem que o nosso capitão não achou piada à encomenda... Mas, afinal, qual é a vossa ideia?

- Não se meta nisso, meu primeiro, que amanhã logo vêem - respondeu o Zig, com os olhos reluzentes. - Diga só quanto custou que a gente paga já.

E assim foi, embora o intrigado sargento ainda insistisse em informarem o comandante da companhia “do que andam para aí a arquitectar, não vá ser asneira e dar para o torto. Depois queixem-se e digam que não vos avisei! Tenham cuidado que ele também já anda farto desta merda e não está para aturar números de circo.”

Nessa noite houve quem não se deitasse e, ao nascer do dia, os mais dorminhocos acordaram com gritos de “vamos lançá-lo, vamos lançá-lo!” Estremunhados, alguns graduados esfregavam os olhos sem acreditarem no que viam, e miravam de relance o capitão atónito, à espera de uma reacção que tardava.

Sobre a companhia pairava no ar um enorme papagaio de papel, ondulando em cabriolas caprichosas, como se hesitasse em ganhar altura.

- Cuidado! Não o deixem cair que se rasga - gritou André, correndo finalmente em direcção aos que, à frente, puxavam pelo cordel contra o vento.

Após várias correrias e alguns sustos, a enorme joeira colorida elevou-se devagarinho, soprada pela brisa ligeira da manhã. Era lindo de se ver. E os homens, para melhor a olharem, sentaram-se no chão com os braços esticados para trás, a servir de encosto, pasmados.

Dir-se-ia que até as suas vidas ancoravam no tempo, com o pensamento suspenso na guita que sustinha o papagaio de papel. À deriva, vasculharam o casco submerso das recordações esquecidas que, de muito fundo, emergiam.

Pensariam na infância feliz que a dureza da guerra tão depressa apagara? Alguns, com certeza. Mas quase todos se limitavam a gozar o desconcertante espectáculo que ofereciam a si próprios, comungando o prazer da representação colectiva em que eram espectadores intervenientes, como se de uma liturgia se tratasse. Deleitados, não pensavam em nada. A não ser mergulhar naquele jogo infantil, em liberdade. Para sempre.

O dia escorreu por dentro deles, fora daquela guerra que não queriam, numa viagem fantástica e ingenuamente encantada.

Ao entardecer, o papagaio ainda pairava sobre a companhia, dando a sensação de protecção absoluta que só o útero materno transmite. Até que sobreveio o crepúsculo, a hora em que a natureza perde transparência e se prepara para outro ciclo.

O encanto quebrou-se com a primeira detonação, logo seguida de outras. Ouviram-se disparos sucessivos, como num arraial de fogo de artifício, com as balas tracejantes aferindo o tiro ao alvo em que, cumprida a sua missão, a joeira se transformou.

Esfrangalhada, rasgada pelo impacte dos projécteis, desfez-se em tiras de papel sopradas pelo vento, descendo suavemente sobre a mata. Talvez fosse uma tentativa inútil de apaziguar os atiradores zangados, desiludidos. É que os brinquedos das crianças têm destas coisas: uma maneira própria de serem objectos transfigurados em sujeito do jogo iniciático da vida. Afinal o papagaio abatido não passava de papel rasgado. Mas seria somente isso? Talvez não...

Nessa noite quase não trocaram palavra, tardando em adormecer nos seus leitos de solidão, aconchegando a criança que neles redescobriram, sem encontrarem explicação para a sanha destruidora que a avassalara. Demoraram a levantar-se, tristonhos.

Álvaro Fernandes in "Kianda o rio da sede", Dinossauro, Lisboa 1996

quarta-feira, 23 de abril de 2008

O CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO TARRAFAL FOI CRIADO HÁ 72 ANOS



É o Decreto-Lei número 26: 539 de 23 de Abril de 1936, que surgiu no âmbito da reorganização dos serviços prisionais, que passa o certidão de nascimento à “Colónia Penal”. Não se trata de uma prisão qualquer. É um verdadeiro Campo de Concentração, construído com o objectivo de (des)“amparar” os indivíduos sobre os quais recaem “penas especiais”, tendo em conta o teor do Decreto-Lei número 26:643 de 28 de Maio de 1936, que reorganiza os estabelecimentos Prisionais. Os parágrafos 1 e 2 do artigo 2 do Decreto Lei 26:539 de 23 de Abril de 1936 não nos enganam. Dizem-nos que a “Colónia da Morte” serve para receber os presos políticos e sociais, sobre quem recai o dever de cumprir o desterro, aqueles que internados em outros estabelecimentos prisionais se mostram refractários à disciplina e ainda os elementos perniciosos para outros reclusos. Também o documento abrange os condenados a pena maior por crimes praticados com fins políticos, os presos preventivos, e, por fim, os presos por crime de rebelião.

Campos de Concentração antes do Tarrafal

Tarrafal não é a causa, mas sim a consequência. É o resultado da agudização da luta de classes em Portugal, que leva o regime salazarista, encorajado pela situação política na Alemanha e na Itália, a incrementar a repressão. Por isso, a história da “Colónia Penal de Tarrafal” começa verdadeiramente depois de 18 de Janeiro de 1934. Antes do Tarrafal, o regime opressor criara, na Ilha de São Nicolau, um Campo de Concentração que servira para o degredo, maioritariamente, dos oficiais do exército detidos na Revolução da Madeira de 1931. E anterior ainda às prisões de Cabo Verde, o Decreto-Lei de 17 de Fevereiro de 1907, havia criado, em Angola, uma Colónia Penal Militar. Contudo, o Campo de Concentração da Ilha de S. Nicolau e os campos de concentração alemães, principalmente o de Dachau, são apresentados por muitos, especialmente pelos presos que estiveram no Tarrafal, como os antecedentes que justificam a criação daquilo que uns designam de Colónia Penal e outros de Campo de Concentração de Tarrafal. O nome pouco importa. Interessa, sim, as finalidades, os objectivos. O fim.

O Governo salazarista e os seus apologistas defendem apenas que o Campo de Concentração do Tarrafal é arquitectado como “Colónia Penal” e que tem como fim primordial a recolha dos condenados a pena de desterro pela prática de crimes políticos e os prisioneiros de delitos comuns que, na Metrópole, mostram-se intransigentes à disciplina prisional. O Governo justifica ainda que a Colónia Penal do Tarrafal é, em tudo, semelhante às prisões da Metrópole, dirigidas pelo Ministério da Justiça, como os casos de Caxias, Aljube, Peniche.

Tarrafal e a Construção da Morte

O Decreto-Lei que dá “vida” ao “Campo da Morte” determina a instalação do estabelecimento prisional na zona de Achada Grande e Ponta de Achada de Chão Bom, no Concelho de Tarrafal, a norte da Ilha de Santiago (Cabo Verde). A construção do Campo é entregue ao Ministério das Obras Públicas e Telecomunicações, com responsabilidades para elaborar a planta e levar a cabo a construção da obra. O Ministério das Obras Públicas e Telecomunicações elabora, assim, uma planta constituída por diferentes pavilhões para a instalação dos serviços e o agrupamento dos presos, de acordo com as suas afinidades políticas. O projecto está pronto, mas tem que ser aprovado. Têm responsabilidades na aprovação, o Ministério das Obras Públicas e Telecomunicações, o Ministério da Justiça e a Comissão das Construções Prisionais. O Ministério da Guerra, da Marinha e da Colónia também pode garantir um apoio essencial para a instalação e funcionamento dessa prisão. O projecto apresenta uma cadeia de 1.700 hectares, ampliáveis, caso justificar.

A Instalação do Campo da Morte

A instalação da “Colónia Penal” obedece a duas etapas: a primeira correspondente ao período que vai de 1936 até 1938. Durante este período, o Campo de Concentração do Tarrafal recebe os primeiros 150 presos antifascistas de diversas profissões: camponeses, operários, soldados, marinheiros das revoltas dos navios Dão, Bartolomeu Dias e Afonso de Albuquerque, estudantes, intelectuais, entre outros. A segunda fase compreende a época da construção dos primeiros pavilhões de pedras e a chegada do médico Esmeraldo Pais de Prata, até ao encerramento que acontece em 1954.

Os primeiros presos instalam-se em tendas de lona, sem as mínimas condições de habitabilidade e de higiene. As barracas não têm luz eléctrica, nem ventilação, nem qualquer protecção contra a chuva e o sol. São doze barracas de lona, com sete metros de comprimento e quatro de largura. Cada uma tem capacidade para alojar doze prisioneiros. O prazo de validade destas barracas é de dois anos, altura em que surgem os pavilhões feitos de pedras. O espaço envolvente à “Colónia Penal” é vedado com arame farpado em toda a sua volta, para impedir qualquer contacto com o exterior. O único edifício de pedra na primeira fase é a cozinha que, entretanto, não fica completamente construído.

A Morte Lenta no Campo de Tarrafal

Os compartimentos da “Colónia Penal” estão longe de obedecer um parâmetro mínimo de humanidade. Depois de 16 anos na “jaula prisional”, João Faria Borda testemunha que “o Campo de Concentração é um rectângulo (cerca de 250m por 180) situado num dos sítios mais insalubres do arquipélago de Cabo Verde. Como alojamento, existem umas barracas de lona onde são metidos cerca de 12 presos em cada uma”. A par da falta de condições das instalações, existe também o castigo da Frigideira, uma pequena construção completamente fechada cujas paredes, chão e tecto são constituídos por cimento, que é a pior “dor de cabeça” para qualquer preso. A Frigideira é uma espécie de purgatório. É um antro de cimento onde as almas ‘pecaminosas’ são levadas a “purificar”. Só que muitas delas nunca mais voltam ao “paraíso terrestre de Salazar”.

Com as dimensões de 0.60m por 1.70m de altura, o portão de ferro da Frigideira parece com as portas dos navios. As celas são separadas por portões de ferro semelhantes. O equipamento é construído a uma distância considerável de qualquer outro compartimento da “casa da morte”, para que a sombra não proteja os seus habitantes do calor infernal que lá se faz, ficando permanentemente exposto ao raio solar durante o período diurno. No seu interior, só há dois companheiros: a solidão e o silêncio. Dias e noites a fios, os homens que lá estão apenas “falam” que a chuva que cai, apreciando o som da água que corre da Ribeira Prata para ir alagar os terrenos de Colonato. “Em Cabo Verde, região de clima variável, calha chover bastante nestes anos. A lona das barracas apodrece de tal maneira que lá dentro chove como na rua e de manhã acordamos com a cara negra da poeira que se pega à humidade que sobre nós cai. As águas acumuladas formam pântanos onde se desenvolvem mosquitos transmissores do paludismo. A saúde de todos nós, presos, arruína-se”. Desabafo de quem, durante 16 anos, dormiu na mesma cama que a morte, abraçado por ‘putríficas’ condições higiénicas.

Por outro lado, o quotidiano dos reclusos no Tarrafal é pautado principalmente pelos trabalhos forçados, pelas provocações e castigos de diversa ordem. O contacto com o exterior é escasso, sendo-lhes proibida, frequentemente, a troca de correspondência com os amigos e os familiares. E assim reza a história. Triste história de uma passado que teima em ficar. Os anos passam mas a verdade fica. A verdade da História.

In Nósmedia


quarta-feira, 9 de abril de 2008

ADRIANO NASCEU HÁ 66 ANOS

QUADRO DE ANTÓNIO CARMO EM HOMENAGEM A ADRIANO


Adriano Maria Correia Gomes de Oliveira nasceu em Avintes, em 9 de Abril de 1942, no seio de uma família tradicionalista católica. Tirou o curso do liceu no Porto. Em Avintes iniciou-se no teatro amador e foi co-fundador da União Académica de Avintes. Em 1959 rumou a Coimbra, onde estudou Direito, tendo sido repúblico na Real Repúbica Ras-Teparta. Foi solista no Orfeon Académico de Coimbra e fez parte do Grupo Universitário de Danças e Cantares e do Círculo de Iniciação Teatral da Académica de Coimbra. Tocou guitarra no Conjunto Ligeiro da Tuna Académica. No ano seguinte editou o primeiro EP acompanhado por António Portugal e Rui Pato. Em 1963 saiu o primeiro disco de vinil "Fados de Coimbra" que continha Trova do vento que passa, essa balada fundamental da sua carreira, com poema de Manuel Alegre, em consequência da sua resistência ao regime Salazarista, e que as suas movimentações levaram a gravar, foi o hino do movimento estudantil.
Além disso Adriano Correia de Oliveira tornou-se militante do PCP no início da década de 60. Em 1962, participou nas greves académicas e concorreu às eleições da Associação Académica, através da lista do Movimento de Unidade Democrática (MUD).
Em 1967 gravou o vinil "Adriano Correia de Oliveira" que entre outras canções tem Canção com lágrimas.
Quando lhe faltava uma cadeira para terminar o Curso de Direito, Adriano trocou Coimbra por Lisboa e trabalhou no Gabinete de Imprensa da Feira Industrial de Lisboa (FIL) e foi produtor da Editora Orfeu. Em 1969 editou "O Canto e as Armas" tendo todas as canções poesia de Manuel Alegre. Nesse mesmo ano ganhou o Prémio Pozal Domingues. No ano seguinte sai o disco de vinil "Cantaremos" e em 1971 "Gente d'Aqui e de Agora", que marca o primeiro arranjo, como maestro, de José Calvário, que tinha vinte anos. José Niza foi o principal compositor neste disco que precedeu um silêncio de quatro anos. É que Adriano recusou-se a enviar os textos à Censura.
Em 1975 lançou "Que Nunca Mais", com direcção musical de Fausto e textos de Manuel da Fonseca. Este vinil levou a revista inglesa Music Week a elegê-lo como "Artista do Ano".
Fundou a Cooperativa Cantabril e publicou o seu último álbum, "Cantigas Portuguesas", em 1980. No ano seguinte, numa altura em que a sua saúde já se encontrava degradada rompeu com a direcção da Cantabril e ingressou na Cooperativa Era Nova. Em 1982, com quarenta anos, num sábado, dia 16 de Outubro, morreu em Avintes, nos braços da mãe, vitimado por uma hemorragia esofágica.