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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Assumir a vergonha de uma má conduta

Lembram-se os leitores dos nossos lendários deputados voadores e de um, célebre entre todos, crismado de "Batman" por dar voltas ao mundo, apresentando facturas de viagens que só um herói de banda desenhada conseguiria realizar nos termos despudoradamente apresentados? Nesse caso claro de fraude, ninguém se demitiu, nem foi demitido, não houve uma séria censura em plenário, nem sequer a presidência da Assembleia da República se sentiu salpicada pela lama desta conduta tão desonrosa por parte de membros, é bom lembrá-lo, de todos os grupos parlamentares de então. Tudo terminou com uma salomónica prescrição do processo.

Ontem, na Câmara dos Comuns britânica, o seu líder anunciou a demissão, assumindo a sua quota-parte de responsabilidade no escândalo das despesas dos deputados - aqui, igualmente, de todos os grandes partidos -, que, não sendo nem fraudulentos nem ilegais, chocaram a opinião pública britânica mergulhada numa profunda crise.

É certo que este episódio está a ser bem aproveitado pela oposição conservadora britânica para antecipar eleições numa conjuntura que lhe é favorável a aceder ao poder. Mas há um ponto de referência moral no exercício de cargos públicos nessa democracia centenária, muitos furos acima do nosso. Devíamos aprender e emular o exemplo de responsabilização e rigor que nos chega de Westminster.

In Editorial do DN

Claro que sim. Mas com a multiplicidade de escândalos envolvendo políticos e dirigentes de bancos, empresas públicas e privadas, a par da impunidade reinante, não me admira a desfaçatez com que são cometidos os chamados crimes de colarinho branco em Portugal.

Além disso, estou convencido que existe uma espécie de pacto por todos e cada um ser capaz de chantagear os restantes. Como diz o nosso povo: "eles têm todos o rabo trilhado".

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Freeport na imprensa brtânica

Para abrir rapidamente, antes que apaguem o “site”

Para aqueles que ainda julgavam que o nosso PM poderia alguma vez passar despercebido no UK e na UE ... infelizmente o nome de Portugal tb não fica bem tratado L


http://www.dailymail.co.uk/news/article-1133106/Edward-Sophie-Portugals-PM--4m-corruption-row-giant-mall-built-British-firm.html

domingo, 5 de abril de 2009

«Princípio do fim dos paraísos fiscais»??? - Deixa-me rir!!!

O comunicado do G20 proclama com grande pompa que «a era do segredo bancário está encerrada». Ora, o Reino-Unido, que figura na lista branca das «nações virtuosas», tem na «City» o maior «off-shore» do mundo inteiro!!! Além disso, toda a gente sabe que os estrangeiros ricos estabelecidos em Londres beneficiam de uma exoneração fiscal total dos seus rendimentos...

Estas palhaçadas seriam completamente incompreensíveis se não fossem destinadas ao grande público, que consome as «notícias» dos media. Os jornalistas desses media estão sempre prontos a fazer comentários «bem-educados» sobre as decisões dos poderosos. Sabem muito bem a verdade, mas não a divulgam, pois ficariam sem o seu emprego...
MB
http://www.luta-social.org/
posted by Francisco Trindade @ 16:04 links to this post

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Acentua-se o impasse


PM irlandês diz que a rejeição do texto é um problema de todos os 27

O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, prefere sacrificar o Tratado de Lisboa a permitir que a rejeição irlandesa origine uma Europa a duas velocidades, segundo fontes de Downing Street ontem citadas pelo Times.

Apesar de quase um milhão de irlandeses, 53,4% dos eleitores, terem chumbado o tratado no referendo da passada quinta-feira, vários líderes europeus, encabeçados pelo francês Nicolas Sarkozy e pela alemão Angela Merkel, afirmaram que era preciso levar o processo de ratificação até ao fim (nos oito países que ainda faltam).

O objectivo é pressionar a Irlanda a repetir o referendo depois de lhe serem concedidas algumas excepções, como fez a Dinamarca, após rejeitar Maastricht em 1992. Mas caso Dublin recuse esta opção ou a segunda consulta popular volte a dar resultado negativo poderia discutir-se a hipótese de a Irlanda sair da UE, embora, na prática, tal opção pareça pouco viável, deixando caminho livre aos que querem ir mais além na integração.

Isso permitiria criar a tão discutida Europa a duas velocidades. Mas Brown, político eurocéptico, num país de eurocépticos , não gosta da ideia, refere o Times, preferindo matar o Tratado de Lisboa a permitir que alguns Estados membros possam ser individualmente deixados à deriva no meio dessa chamada Europa de geometria variável.

A somar a isto Brown enfrenta forte pressão da oposição, dos media e do próprio partido, o Labour, para deixar cair a ratificação do tratado, aproveitando o "Não" irlandês. Além dele também o Presidente da República Checa, Vaclav Klaus, poderia aproveitar para anular a ratificação do documento.

Nicolas Sarkozy vai estar hoje de visita a Praga e aproveitar para dissuadir os checos de fazerem descarrilar o processo de ratificação para "remobilizar a Europa". O chefe do Estado da França, que a 1 de Julho assume a liderança da UE, quer um acordo político entre os 27, sobre o que fazer com a Irlanda, até ao final desta semana.

Todos esperam ouvir, durante o Conselho Europeu de quinta e sexta-feira, em Bruxelas, aquilo que o primeiro-ministro irlandês tem para dizer e para propor. Ontem, aos microfones da rádio RTÉ, Brian Cowen, do Fianna Fáil, adiantou-se já um pouco: "Quero que a Europa apresente também algumas das soluções em vez de sugerir apenas que [a rejeição do tratado] é só um problema da Irlanda".

In DN

sexta-feira, 9 de maio de 2008

A ALIANÇA LUSO-BRITÂNICA

O CAMPO DE SANT’ANNA

Longe, hypocritas vis, longe, impostores,

O mentido apparato religioso!

Que um Deus de amor, o nosso Deus piedoso

Abomina, detesta esses horrores.

De atrozes Leis cruentos guardadores,

Vós curvaes ante o Despota orgulhoso,

E o sangue da patria precioso

Torpemente vendeis por seus favores.

Geme sem protector a humanidade:

E vós, juízes, vós, tigres humanos,

A immolaes sem remorso e sem piedade.

Ah! tremei, sanguinários deshumanos;

Que ella hade vir, tremei, a Liberdade

Punir despotas, bonzos e tyrannos.

Almeida Garret

Casamento de D. João I com Filipa de Lencastre

Aliança Luso-Britânica, em Portugal conhecida vulgarmente como Aliança Inglesa, entre Inglaterra (sucedida pelo Reino Unido) e Portugal é a mais antiga aliança diplomática do mundo ainda em vigor. Foi assinada em 1373 - em plena Idade Média, portanto. Os portugueses, em geral, queixam-se de que tal aliança foi sempre mais proveitosa para os Ingleses, enquanto potência internacional de maior força económica e política. Contudo, há que não esquecer o período, após os Descobrimentos, em que Portugal era assumidamente uma potência internacional de maior influência. Hoje em dia, a aliança já não é, praticamente, invocada, ainda que se mantenha. Ao longo da história de Portugal, contudo, teve importantes consequências, ao colocar o país frente às tropas napoleónicas, devido à rejeição lusa do Bloqueio Continental, incompatível com os termos desta aliança. No período pós-guerra, a Inglaterra manteve um largo contingente militar e determinados privilégios em território português.

História

Idade Média

A ajuda inglesa à Casa de Avis foi o primeiro patamar de um conjunto de acções de cooperação com Inglaterra que viriam a ser de extrema importância na política externa portuguesa por mais de 500 anos. Em 9 de Maio de 1386, o Tratado de Windsor afirmava uma aliança que já tivera o seu gérmen em 1294, e que fora confirmada em Aljubarrota com um pacto de amizade perpétua entre os dois países. João de Gant duque de Lencastre, filho de Eduardo III, e filho de Henrique IV, teve o apoio português nas suas tentativas de ascender ao trono de Castela, apesar de D. Fernado I também o reclamar para si. Pelo Tratado de Tagilde de 10 de Julho de 1372, os dois pretendentes decidem unir esforços contra o mesmo rival, deixando para depois qualquer decisão quanto às pretensões ao trono. Contudo, desta união resultou apenas uma derrota, que se viria a repetir em 1385, com compensação financeira para João de Gante por parte do seu rival, Henrique da Trastâmara. Portugal tinha reafirmado a aliança pelo Tratado de Londres de 16 de Junho de 1373, considerado por alguns autores como o seu fundamento jurídico, mas ratificado em Windsor.

João de Gante deu, entretanto, a mão de sua filha, Filipa de Lencastre, a D. João I - acto que selou a aliança política. A influência de Filipa de Lencastre foi notável, tanto no ponto de vista da sua descendência (a Ínclita Geração) bem como pela sua intervenção no que diz respeito às relações comerciais entre Portugal e Inglaterra, incentivando as importações de bacalhau e vestuário de Inglaterra e a exportação de cortiça, sal, vinho e azeite, a partir dos armazéns do Porto.

Do século XVII ao século XIX

Após a Restauração, o tratado de 1642 reafirmou a amizade recíproca entre os dois reinos, e concedeu liberdade de comércio aos ingleses nos domínios de Portugal. Em 1661, ficou acordado o casamento de Carlos II de Inglaterra com D. Catarina de Bragança, entregando-se aos ingleses Tânger em Marrocos e Bombaim na Índia

O Tratado de Methuen, em 1703, deu livre entrada aos lanifícios ingleses em Portugal e redução das tarifas impostas à importação de vinhos portugueses em Inglaterra.

Outros episódios que marcaram a aliança foram, por exemplo, a Guerra da Sucessão Espanhola em que Portugal começou por tomar parte pela França, em conjunto com o Duque de Sabóia, mas voltando a reunir-se ao seu aliado depois da Batalha de Blenheim. Para Portugal, contudo, teve maior importância as implicações da aliança para o desencadear das Invasões francesas e para a resposta militar que permitiria recuperar a independência com a ajuda militar inglesa, cuja frota acompanhou a família real para o Brasil.

Em consequência da divisão de África pelas potências europeias, as relações entre Portugal e reino Unido entraram em crise, agravada pelo Ultimato, que gerou uma forte reacção patriótica contra os Britânicos.

Século XX

Durante o século XX, o tratado voltou a ser invocado por diversas vezes:

As tropas portuguesas participaram na Campanha de França, na Primeira Guerra Mundial, depois da solicitação, por parte da Grã-Bretanha, da requisição de todos os navios alemães em portos portugueses - o que motivou a declaração de Guerra da Alemanha a Portugal em 9 de Março de 1916.

Durante a Segunda Guerra Mundial, apesar da neutralidade portuguesa, a aliança foi invocada para o estabelecimento de bases militares nos Açores.

Em 1961, durante a ocupação da Índia Portuguesa (Goa, Damão e Diu) pela União Indiana, o Reino Unido limitou-se a mediar o conflito, o que levou Salazar a considerar a aliança numa crise insanável.

Em 1982, durante a Guerra das Malvinas as bases militares nos Açores estiveram de novo à disposição da Marinha Real Britânica.

Importância na actualidade

Hoje em dia, como os dois países são membros da União Europeia e da NATO, as suas relações são coordenadas mais por tais instituições que pelos pontos previstos nos diversos tratados que formam a totalidade da Aliança.