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terça-feira, 2 de junho de 2009

Também tu, Cavaco Silva?

Como se já não bastasse um primeiro-ministro acossado, procuradores da República sob suspeita, um provedor da Justiça incapaz de ser eleito e um ex-conselheiro de Estado amnésico, só nos faltava agora um Presidente da República a fazer negócios altamente vantajosos com a empresa responsável por um dos maiores buracos financeiros na história de Portugal. Não admira que o Parlamento se entusiasme tanto com a santificação de um português do século XIV. É que hoje olhamos à nossa volta, procuramos uma referência moral onde encontrar algum conforto, e a sala está assustadoramente vazia.

Cavaco Silva meteu-se numa triste embrulhada. O triângulo composto por Dias Loureiro, o comunicado de Novembro negando qualquer ligação ao BPN e a manchete do último Expresso, que garantia que o Presidente da República ganhou 150 mil euros no espaço de dois anos através da venda de acções da Sociedade Lusa de Negócios (detentora do BPN), é péssimo para a sua imagem. Ponto por ponto:

1) Cavaco deu protecção política a Dias Loureiro muito para lá do que era admissível. Independentemente de tudo o que ele possa ter feito no BPN, desde que o caso surgiu o ex-ministro foi apanhado em contradições inexplicáveis e mostrou um total desrespeito pela Comissão Parlamentar na primeira vez que foi ouvido. O papel de Dias Loureiro agravou-se de dia para dia com Cavaco a ver, e até na hora da saída do Conselho de Estado o Presidente deixou palavras em sua defesa. Porquê?

2) O comunicado de Novembro onde Cavaco sublinhava nunca ter tido nada a ver com o BPN é agora uma batata quente nas suas mãos. É certo que, tecnicamente, a SLN não é o BPN, mas isso é um preciosismo que só aumenta as suspeições. Cavaco omitiu o que não devia ter omitido, refugiando-se num detalhe que é verdadeiro na letra mas falso se olharmos para o espírito do que estava em causa. O que fica é a sensação de o Presidente ter feito tudo para esconder a existência das acções da SLN. Porquê?

3) Os contornos do negócio revelado pelo Expresso tornam-se assim muitíssimo embaraçosos: obter um lucro de 140% num curto espaço de tempo, através da venda de acções de uma empresa que nem sequer está cotada em bolsa, é daquelas jogadas que fazem a alegria dos especuladores mas que ficam mal a um Presidente da República. Recusar dar explicações sobre este negócio com o argumento de que na altura não desempenhava cargos públicos - como terá dito ao Expresso - é, no mínimo, coxo. E em nada contribui para aquela seriedade no modo de fazer política que Cavaco Silva tanto gosta de apregoar. Portugal já está bem servido de escândalos. Dava jeito que o Presidente não se enfiasse em mais um.

João Miguel Tavares in DN

quarta-feira, 25 de março de 2009

Enfrentar a crise

Caros amigos

No sentido de proporcionarem opções em aberto para os militares seus familiares e amigos em termos de possibilidade de re-equilibrio da capacidade financeira das suas famílias, venho desta forma propor uma acção de formação numa área de negócios emergente, com benefícios comprovados em todo o mundo.

LINK Apresentação

De tal forma assim é que o ex-presidente dos Estados-Unidos Bill Clinton, já assumiu uma posição pública sobre esta matéria no início deste ano, como se pode comprovar pelo vídeo associado ao link http://www.youtube.com/watch?v=X_eGbfTPbGY.

Esta acção de formação terá lugar no dia 4 de Abril em Lisboa, representando um dos eventos do ano em Portugal nesta área.

O Guru do Network Marketing Eric Worre, vem pela primeira vez ao nosso País ensinar como se trabalha nesta área. Esta formação de 8 horas dará direito a certificado para os que ficarem até ao final, com assinatura efectuada pela mão do próprio Eric Worre.

Agradecia portanto que na medida do possível disseminassem esta informação aos nossos camaradas associados da AOFA.

Para os que tencionarem assistir a esta acção de formação, por favor enviem-me o nome completo para constar no certificado.

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Cumprimentos
Alfredo Rodrigues
Tel casa: +351 21 468 24 38
Tel Emprego: +351 21 440 43 91
Telemovel: +351 91 989 4229
Skype: alfjmrodrigues
voipbuster: alfjmrodrigues
Web Site: http://www.alfjmrodrigues.com


Recebido da AOFA por email

segunda-feira, 16 de março de 2009

É preciso sacar e meter ao bolso

Festim neocolonial


As respostas à visita de José Eduardo dos Santos a Lisboa são uma fotografia de alguns dos debates ideológicos e políticos mais surpreendentes. A visita em si não teria história: Portugal tem relações diplomáticas e económicas com Angola e deve receber e conversar com os seus representantes. Mas o festim neocolonial que foi erguido com esta visita é revelador dos tiques da economia e da política portuguesa.

Em primeiro lugar, impressiona o deslumbramento. Retiro desta consideração os militantes anti-coloniais que, tendo conhecido Angola e a guerra, apoiaram generosamente os movimentos de libertação - e os conheceram e respeitaram quando eram movimentos de libertação, dirigidos por pessoas da estatura de Amílcar Cabral e outros - e ficaram por isso emocionalmente ligados a esta história de luta. Para todos os outros, a visita de José Eduardo dos Santos suscitou um coro de entusiasmo, sobretudo nos homens de negócios. Trata-se de uma gigantesca operação publicitária e ideológica.

Para Angola, todos e em força!, é a nova palavra de ordem dos empresários que esperam um lucro apetitoso ao virar da esquina. Os angolanos fazem como querem, diz Jorge Coelho, perguntado sobre a corrupção. Os negócios dizem que tem razão. E os empresários acotovelam-se nos jantares oficiais, ao lado dos que ainda acreditam que o governo angolano é um aliado da URSS e ao lado dos que já sabem que este governo é serviçal dos interesses de Washington no continente africano.

Angola é a oportunidade. A filha de Dos Santos (com que dinheiro?) compra bancos portugueses. O porta-voz presidencial de Dos Santos compra o "Sol" (com que dinheiro?). A Amorim Energia faz uma parceria com a Sonangol para tomar conta de um terço da GALP (sabemos com que dinheiro), oferecida de bandeja pelo governo Sócrates. Há muito dinheiro em Angola.

Por isso, em segundo lugar, impressiona a vertigem do negócio. Que explica tudo e desculpa tudo. Numa entrevista a um jornal económico português, um ministro angolano explicava a necessidade da corrupção: dizia que a burguesia europeia tinha feito a sua acumulação de capital com a pilhagem colonial e com a pirataria, e que a burguesia angolana também tinha que fazer pela vida. A franqueza é rara, mas é uma virtude: a corrupção endémica é a forma da acumulação de capital em Angola, para a constituição de uma elite de milionários em torno do poder do presidente.

A corrupção foi por isso assunto tabu nesta viagem. Nenhum órgão de comunicação social se perguntou como é que o presidente angolano, há trinta anos no poder sem ser eleito, é hoje um dos homens mais ricos do mundo. Nem porque é que em Dezembro morreu uma centena de crianças em Luanda, de uma epidemia de raiva. Nem porque é que Portugal não coopera com a construção de um serviço nacional de saúde em Angola.

Em terceiro lugar, impressiona o cinismo. Os que rasgavam as vestes de indignação pelo referendo venezuelano que, através do voto, decidiu que Chavez se pode candidatar a eleições presidenciais sempre que quiser, e ser eleito se ganhar a eleição, esses mesmos acham normal que José Eduardo dos Santos seja presidente angolano desde 21 de Setembro de 1979, há trinta anos, e que nunca tenha sido eleito para o cargo. De facto, da única vez que foi a eleições, há 17 anos, não chegou a haver segunda volta e, mesmo que a nova guerra civil tenha acabado há mais de dez anos, o presidente nunca se deu até hoje ao incómodo de convocar eleições presidenciais. E, como explicou ontem em Lisboa, também não vai ser este ano.

O cinismo é parte da política e da diplomacia, dirão. Certamente, pelo exemplo fica demonstrado. Mas é preciso descaramento para atacar Chavez pelo crime de falta de democracia e elogiar Dos Santos pela falta de democracia. Mas o negócio não quer coerência, quer rentabilidade. No festim neocolonial em que se tornou esta visita, falou-se de tudo menos dos angolanos.

Francisco Louçã

11-Mar-2009


Recebido por email

Para Angola, à força...

O que vale é que está Sol e as pessoas começam a andar um pouco mais bem-dispostas. Os lusos, decididamente, não estão preparados para meia dúzia de dias chuvosos e outros tantos com os termómetros a marcarem temperaturas com apenas um dígito.
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Valha-nos pois estes dias de Sol de Inverno para aguentar tudo o que se vai passando à nossa volta. Aguentar visitas de estadão de um presidente africano, recebido com passadeiras vermelhas e muita espinha dobrada em nome do dinheiro do petróleo.
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Aguentar discursos dos grandes estrategas do sítio com o dedo espetado a indicarem aos indígenas o rumo da Pátria. Já foi o dedo de António Guterres para os negócios com o Brasil, que ia derretendo alguns grupos económicos lusos, já foi o dedo do actual senhor presidente do Conselho voltado para Castela e a gritar Espanha três vezes, o mesmo dedo que agora descobriu que o destino está em Angola.
Tudo gente com uma enorme visão estratégica, tudo gente a quem o povo deve uma extraordinária qualidade de vida e um futuro verdadeiramente risonho.
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É por isso que estes dias de Sol fazem esquecer estes vendedores de banha da cobra, que nos vão entretendo com espectáculos ridículos e patéticos enquanto nos atiram mais um pouco de poeira para os olhos. É por isso que estes dias de Sol são importantes. São importantes para fazer esquecer as sistemáticas queixinhas do senhor presidente do Conselho a propósito de tudo e de nada, normalmente de nada.
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São as campanhas negras das forças ocultas do caso Freeport que o magoam e irritam muito, são os bota-baixistas da oposição à esquerda e à direita que só dizem mal da sua excelsa obra e não têm uma ideia para a lamentável e miserável situação do sítio, são uns 200 mil estúpidos manipulados por comunistas e trotsquistas que decidiram sair à rua a chamar-lhe aldrabão com todas as letras. Mas neste sítio manhoso, pobre, deprimido e cada vez mais mal frequentado, o Sol tem o efeito de amolecer as almas e as vontades e ajuda a aguentar os canastrões que nos entram todos os dias em casa a infernizar-nos a vida.
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Sinceramente, se não fosse este tempo maravilhoso e este bonito Sol de Inverno apetecia mesmo mandar estes canastrões e a sua corte de canastrinhas rapidamente para Angola. À força.
António Ribeiro ferreira
in CM